7 de julho de 2020
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Dois dos três influenciadores de direita que tiveram a identidade requisitada ao Twitter pelo ministro Alexandre de Moraes no inquérito das fake news que corre no STF (Supremo Tribunal Federal) encontraram-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e com o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, antes da operação deflagrada pela PF (Polícia Federal) nesta semana.

Um deles é ex-assessor da deputada Alana Passos (PSL-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), a outra trata-se de uma youtuber, revela apuração do UOL.

No despacho que deflagrou a operação da PF contra o esquema de fake news que determinou busca e apreensão contra empresários e influenciadores digitais, Moraes afirma que uma rede de 11 perfis no Twitter atua em sincronia para disseminar conteúdo falso e ataques contra adversários do presidente.

Destes, seis são anônimos. Dentre eles, o ministro pediu a quebra de sigilo de identidade de três perfis: @Taoquei1, @Patriotas e @bolsoneas. A rede social tem até semana que vem para fornecer as informações ao STF.

Entrevista com o presidente

A responsável pela conta @Taoquei1 é Bárbara Zambaldi Destefani, de 33 anos, que comanda um canal de apoio ao presidente Bolsonaro no YouTube com 585 mil inscritos.

No dia 22 de maio, cinco dias antes da operação da PF, ela foi recebida pelo presidente Bolsonaro no Palácio do Planalto para uma entrevista para seu canal, conforme mostra a agenda oficial do presidente e vídeo publicado por ela na rede social.

De acordo com a agenda do presidente, o encontrou durou uma hora e 25 minutos. A entrevista foi publicada com 52 minutos no canal da youtuber um dia depois, com mais de 850 mil visualizações.

“Sou uma tia do zap”, afirma a ex-vendedora de Minas Gerais à reportagem.

Agenda oficial do presidente Jair Bolsonaro no dia 22 de maio mostra encontro com youtuber alvo de inquérito das fake news no STF
Imagem: Reprodução

“Eu evito mesmo falar meu nome”

Bárbara afirma que não possui cargos públicos ou é financiada por terceiros para fazer suas publicações. Tudo o que recebe vem dos rendimentos do Google, que mantém a plataforma YouTube. Ela nega produzir informações falsas propositadamente ou discursos de ódio.

“Quem me deu essa voz foi a população, sem nenhum tipo financiamento, nenhum”, diz Bárbara.

Para a youtuber, a entrevista com o presidente é o que motivou o STF a pedir a identidade de sua conta na rede social. “Tenho certeza que tomou essa proporção pro meu lado porque eu entrevistei o presidente. Acaba tendo muita repercussão, né?”, questiona.

“Colocaram como se eu fosse um perfil anônimo”, afirma. “Minha tristeza maior é saber que eles não assistem ao meu canal. Pede para eles assistirem ao meu canal, poxa vida. Eu estou precisando de audiência.”

Ela disse que o perfil @taoquei1 foi criado sem o nome “Te atualizei” porque esse usuário já existia. Bárbara afirma que esconde sua identidade na rede por temor. “Eu evito mesmo falar meu nome. Tenho família. A gente sofre muita ameaça.” Apesar das ameaças, nenhuma queixa foi registrada na polícia até o momento, segundo ela.

Procurada pelo UOL, por meio de sua assessoria de imprensa, a Presidência da República não respondeu sobre o encontro até a publicação desta reportagem.

Ex-assessor de deputada na Alerj

O responsável pela conta @bolsoneas, Leonardo Rodrigues de Barros Neto, é ex-assessor da deputada estadual Alana Passos (PSL-RJ) e encontrou-se com o ministro Heleno recentemente durante cerimônia no Palácio do Planalto.

Orgulho do nosso herói nacional!#HelenoHeroiNacional pic.twitter.com/b4RDR8N62j
— Leonardo Bolsonéas (@leobolsoneas) May 26, 2020

No dia 26 de maio, um dia antes da operação da PF que pede ao Twitter sua identidade, Neto publicou uma foto em outra conta na rede social, abraçado com o ministro-chefe do GSI.

Ao UOL, por meio de sua assessoria de imprensa, Heleno confirma que a foto foi tirada em uma cerimônia no Palácio do Planalto, mas diz que o ministro não o conhece e nunca reuniu-se com ele. O ministro não soube confirmar o dia desse encontro.

Neto foi até o final de abril assessor parlamentar no gabinete da deputada estadual, e exonerado no dia 30 do mês passado. De acordo com o despacho da Mesa Diretora da Alerj, ele foi afastado a pedido próprio.

De acordo com fontes ligadas ao gabinete da deputada, Neto trabalhava ajuda na produção de banners para a parlamentar divulgar em redes sociais. Colegas afirmam que o trabalho dele fora do gabinete, com o perfil @bolsoneas, não tinha relação com o mandato de Alana.

A reportagem procurou a assessoria de Alana Passos para perguntar por que ele saiu e aguarda mais esclarecimentos. Em outubro, o salário dele na Alerj foi de R$ 6.490.

Juntos, os três perfis que tiveram a identidade dos criadores solicitada pelo ministro Moraes possuíam quase um milhão de seguidores até meados de maio — o @Patriotas foi tirado do ar pelo Twitter por desrespeitar as políticas da plataforma.

A terceira conta que teve a identidade pedida pelo STF, @Patriotas, foi tirada do ar pelo Twitter em meados de maio.

 

 

*Com informações do Uol

Celeste Silveira

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1 COMMENTS

  1. Afonso Schroeder Posted on 29 de maio de 2020 at 17:02

    Será que sabem de toda verdade: “Moro” quando juiz condenou o ex-presidente (Lula) S/atos ilícitos descumprindo a CF/88, mentiroso e traidor dos brasileiros tudo comprovado pela INTERCEPT, Cadeia já a este ex-juiz “Moro”.

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