16 de julho de 2020
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A Polícia Civil do Paraná prendeu na manhã de hoje um dos suspeitos de uma dupla execução ocorrida no início da noite de ontem em uma loja de conveniência no Centro de Curitiba. Uma das vítimas é o advogado e empresário Igor Martinho Kalluf, de 40 anos, um dos autores de um pedido de investigação protocolado em 2019 na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ex-ministro Sérgio Moro. A outra vítima, Henrique Mendes Neto, de 38, era amigo do advogado.

Segundo a Delegacia de Homicídios, a linha de investigação inicial para a motivação do assassinato de Igor envolveu uma possível retaliação à atuação política do advogado sobre o processo movido contra Sérgio Moro, mas a hipótese já foi descartada.

“Inicialmente, essa foi uma das linhas investigativas nas primeiras horas, porém com o decorrer das oitivas das pessoas e demais elementos, como troca de mensagens de celular, temos a certeza de que não tem nada a ver com isso”, decretou a delegada Tathiana Guzella.

Além de advogado, Igor era empresário e cursava doutorado em Ciências Jurídicas, na Universidade Autónoma de Lisboa. Ele deixa dois filhos e esposa.

O assassinato foi registrado pelas câmeras de segurança do estabelecimento. O vídeo abaixo mostra que tudo aconteceu em menos de quatro minutos.

Às 18h04, um dos atiradores chegou em um carro com outras duas pessoas e cumprimentou Igor, que estava no caixa do estabelecimento. Logo depois, ele apontou uma arma para o advogado, que não apareceu nas imagens por causa de um “ponto cego” da câmera. O vídeo sugere que houve uma discussão entre os envolvidos.

Um outro suspeito então atirou no amigo do advogado, iniciando as execuções. É possível contabilizar mais de dez disparos. O trio fugiu a pé, quando o sistema de monitoramento marcava 18h07. As duas vítimas morreram ainda no local do crime.

A investigação

Um dos envolvidos foi preso na manhã de hoje na casa da mãe dele, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Segundo a polícia, ele seria o mandante do assassinato. O nome do suspeito não foi divulgado.

Para a Polícia Civil, o advogado estaria cobrando uma dívida do mandante do crime, que alegava não possuir o débito e decidiu contratar um “assassino de aluguel” para se vingar. Não se sabe ainda as circunstâncias dessa transação financeira entre ambos.

“O mandante falou que contratou apenas um homem, mas que esse atirador levou mais dois. Mesmo assim os levou, parando meia quadra antes. Esses dois seguiram a pé. O mandante alegou que não devia nada e não tinha razão de estar sendo cobrado”, contou a delegada.

Lugar errado na hora errada

A outra vítima, Henrique Neto, que aparece nas imagens de camisa e boné brancos, não tinha relação com o acerto de contas entre o advogado e o mandante do crime. Ele se dirigiu ao local a pedido de Igor, que estaria acertando a sua contratação como entregador no restaurante de comida árabe que mantinha em sociedade, em Curitiba.

“O Henrique morreu porque estava junto da vítima. Ele foi chamado pelo Igor para acompanhá-lo. O próprio advogado não tinha noção de que estava em perigo porque foi desarmado e o Henrique seria contratado como motoboy do restaurante da vítima que tem em sociedade”, explicou a delegada. “O grupo foi muito ousado, cercando taticamente de forma correta seus inimigos, esperando apenas o aval do mandante”, analisou.

As investigações agora se desdobram para encontrar os três atiradores. Eles já estão identificados, mas as primeiras buscas na manhã de hoje não os localizaram. A Polícia Civil espera um mandado de prisão contra eles.
O pedido de investigação contra Moro

Igor e mais 11 colegas de profissão assinaram em junho de 2019 um pedido de instauração investigação contra o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores federais Deltan Dallagnol, Laura Tessler, Carlos Fernando dos Santos Lima e Maurício Gerum.

O requerimento foi motivado mensagens vazadas que sugeriram por parte do então juiz da Operação Lava Jato orientações nas investigações da força-tarefa, conforme divulgadas primeiramente por “The Intercept Brasil” e depois pelo UOL.

O pedido foi arquivado.

 

 

*Com informações do Uol

Celeste Silveira

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