5 de julho de 2020
  • 14:08 Vídeo: Padre, em sermão, diz que quem votou em Bolsonaro tem que se confessar por eleger bandido
  • 12:23 Wassef, advogado de Bolsonaro, desesperado, promete ‘explodir todo mundo ao vivo em rede nacional’
  • 10:59 FHC manda Bolsonaro se calar e Bolsonaro, servil a FHC, vai se calar
  • 10:08 Os jornalistas da grande mídia estão para o PSDB como os bolsonaristas estão para Bolsonaro
  • 23:21 Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos

Para J. P. Morgan, o lockdown é mais devastador que a Covid-19.

O lockdown falhou e destruiu milhões de meios de subsistência em todo o mundo, afirma “estudo do J. P. Morgan”. O relatório do banco critica a decretação de medidas baseadas em artigos científicos falhos por governos assustados, causando colapso econômico sem precedentes e mais mortes do que o vírus.

Como se vê acima, esse trecho de um artigo publicado no Frontliner é predominantemente bolsonarista, ou seja, seu modelo de pensamento visto pela ótica do sistema financeiro dá a mesma ênfase que Bolsonaro contra o isolamento social.

Isso mostra que Bolsonaro respeita muito mais o vírus do rentismo, da ganância do sistema financeiro do que o coronavírus, logicamente, em proteção ao dinheiro em detrimento da vida humana.

É nítido que essa é a orientação de Paulo Guedes dentro do governo, o que significa que a pandemia de Covid-19 é tratada pela mesma dinâmica que os banqueiros.

Se recordarmos o faniquito que Bolsonaro teve naquela reunião ministerial pornográfica, lembraremos que, em determinado momento, ele, bastante exaltado, contra o que considera uma perseguição política na justiça contra os filhos, Bolsonaro justifica sua atuação dizendo que, como presidente da República, com a autoridade das urnas, tem direito de impor seu pensamento em todas as pastas de seu ministério. Porém, em consideração aos banqueiros, o único ministério que ele não quer produzir qualquer crise, é justo o do Paulo Guedes.

Bolsonaro trata o ministério da Economia como um caso à parte de seu governo, como se Guedes tocasse um governo paralelo com autonomia e autoridade para tal, a partir de uma procuração do próprio Bolsonaro que mostrou que não tem interesse sequer em tomar conhecimento das decisões de Paulo Guedes, que é, como se sabe, o maior sabujo do mercado, o maior lacaio dos banqueiros e o sujeito, do ponto de vista humano, mais imoral de que se tem notícia na vida pública do país.

Isso dito, cita-se aqui uma fundamental fala de João Pedro Stédile sobre a fotografia atual do Brasil “O poder econômico, liderado pelos grandes empresários do país, elegeu Bolsonaro, mas se afastou dele. Eles viram que o povo brasileiro não é fascista. A burguesia brasileira quer encontrar uma saída pela direita, mas não encontraram uma alternativa.”

Quem viu neste domingo, na Globonews, Camarotti e Cristiana Lobo elogiando o novo comportamento de Bolsonaro, entendeu duas coisas, que Stédile está cem por cento correto em sua avaliação e, como não tem nada para colocar no lugar de Bolsonaro, tudo indica que esse universo da burguesia nacional, que é, em última análise, tucana em seu DNA, quer repetir a mesma fórmula usada em todas as eleições depois da saída de FHC do governo, uma saída vexatória pela porta dos fundos, depois da sua privataria e a quebra do país.

A partir de então, FHC, que até hoje é desconjurado pela população em função desastre econômico e social que produziu no país era, durante a campanha, escondido no quarto dos loucos para desvincular a imagem dos candidatos como Serra, Alckmin e Aécio de sua imagem na propaganda eleitoral.

No caso do Aécio, nem FHC sendo seu tutor, foi colocado na propaganda oficial para não queimar o filme dele. Ao contrário de Lula que, por sair do governo com mais de 90% de aprovação, todos os candidatos do PT e de partidos aliados, faziam questão de associar a sua imagem à de Lula.

Pois bem, essa parece ser a forma encontrada para manter Bolsonaro enquadrado para não cair em desgraça, já que o mercado sabe que ele pode ser trágico para a sociedade, tóxico para a democracia, mas é extremamente dócil aos interesses da elite econômica.

Assim, coloca-se Bolsonaro no mesmo quarto de loucos da casa grande que FHC já se hospedou inúmeras vezes e Guedes assume de vez, mas de maneira informal, o comando do país, mantendo a faixa presidencial com o cachorro louco, mas deixando-o com a focinheira e com o enforcador no subsolo da casa grande, com permissão para sair somente para a foto e não falando nada que não esteja no script da banca, até que se arrume alguma outra solução para substituí-lo do comando do país ou a outra opção será arrastar essa mala pesada até 2022.

Lógico que essa é gambiarra que a elite arrumou para não devolver o poder para a esquerda, o que já se imaginava, pois não dariam o golpe em Dilma e condenariam Lula à prisão política para, depois, devolver o poder à esquerda aceitando com naturalidade a volta da democracia.

Resta saber se isso vai dar certo. Imagina-se que não pelo trágico resultado que o país amarga com a pandemia, chegando perto de 60 mil óbitos por Covid-19 e uma verdadeira hecatombe econômica que não há sinal ou um rabisco de Guedes para tirar o país do atoleiro. Isso, somado, pode ser, em dois ou três meses, estricnina pura contra o projeto da elite, sem falar que, se Queiroz abrir a tampa do esgoto com a delação, não ficará pedra sobre pedra como previu Dilma.

 

*Carlos Henrique Machado Freitas

 

Celeste Silveira

RELATED ARTICLES
LEAVE A COMMENT

Comente

%d blogueiros gostam disto: