6 de agosto de 2020
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Não vamos perder tempo com denguices de discutir a impunidade do PSDB, Aécio, Serra, Alckmin e Fernando Henrique, isso é o mesmo que desejar a prisão dos Marinho ou figurões da Febraban e Fiesp pagando o que devem à sociedade brasileira.

Vamos à vida como ela é no Brasil. Já estamos bem grandinhos para acreditar em papai Noel, justiça brasileira, Ministério Público e coisas do tipo. Pensaremos apenas que desde a farsa do mensalão em que José Dirceu foi condenado pela engenhoca jurídica “teoria do domínio do fato” de Joaquim Barbosa, que a justiça se transformou numa grande pelada na chuva em que nem as regras básicas de civilidade têm validade. É a lei do mais forte que impera, é o darwinismo econômico que dita as normas.

Até uma criança distraída sabe que a condenação de Lula precede a Lava Jato, ela já estava escrita nas estrelas, assim como o golpe em Dilma.

Por uma dessas distrações de quem sempre esteve do lado de quem dá as cartas, questionado sobre a falta de acusação de qualquer crime pelo entrevistador Mário Sergio Conte que, irritado com Jarbas Vasconcelos, indagou o vigarista, e esse, de prima, sem deixar a bola quicar, respondeu “não tem, mas pode ter, a Lava Jato está aí para isso”.

No Roda Viva desta última segunda-feira, Haddad disse mais ou menos sobre o golpe do impeachment em Dilma. Primeiro, decide-se derrubar a presidenta, depois, arranja-se um motivo.

Isso deixa claro que a Lava Jato sempre foi uma massa de modelar, um instrumento de fácil manuseio que qualquer criança pode dar o formato que quiser.

Assim, a Lava Jato avançou sobre um judiciário totalmente cupinizado pela politização midiática. As regras eram delineadas como uma alfaiataria que produzia um determinado entendimento a partir do futuro defunto com as medidas milimetricamente tiradas do condenado.

Moro e Bolsonaro, que já estão em disputa para 2022, competem por esse espaço. Isso mesmo, dois dos maiores vigaristas contemporâneos da política brasileira, com crimes acumulados que desafiam a memória de qualquer super computador, tal a fieira de malfeitos que cada um dos dois carrega nos ombros, tanto que, até pouco tempo eram sócios do poder no mesmo governo, um, presidente, colocado na cadeira pelo outro que, por sua vez, recebeu como prêmio o super ministério da Justiça e Segurança Pública.

Nem a raposa que recebeu o galinheiro para sua guarda, teve uma barbada dessa.

Por esse motivo, os dois, que sabem que Lula só não foi presidente da República em 2018, vencendo no primeiro turno, porque o TSE tirou seu nome da urna nesse combinado jurídico que condenou e prendeu Lula. Sabe-se que o campo de batalha político nesse país não é nas redes, nas ruas, nos palanques e nem nos programas eleitorais, que fará nas ideias, mas no judiciário.

Tudo o que aconteceu a favor dos ricos e contra os pobres nos últimos tempos, no Brasil, foi a partir da batida do martelo das Vossas Excelências, as mesmas que mantêm preso um rapaz negro por ter roubado um shampoo e, em 24 horas solta Ricardo Eletro, um dos maiores sonegadores de impostos do país e Queiroz, o bandido mais famoso na atualidade que, por coincidência é o braço direito do presidente da República há algumas décadas, além de sua mulher, foragida da justiça.

Junte tudo isso às quarenta vezes em que o caso do powerpoint de Dallagnol contra Lula foi empurrado com a barriga pelo Conselho Nacional do Ministério Público, faça as contas e responda com apenas uma palavra o que é a justiça no Brasil para ser disputada, palmo a palmo, entre os picaretas Moro e Bolsonaro como definidora do pleito de 2022.

Num país com um judiciário minimamente sério, Bolsonaro e Moro já estariam na cadeia, mas, ao contrário, disputam a hegemonia dentro do judiciário, porque sabem que ela é que pode lhes assegurar um mandato de presidente da República.

 

*Carlos Henrique Machado Freitas

Celeste Silveira

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