6 de agosto de 2020
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O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Eduardo Siqueira, foi flagrado humilhando um guarda civil municipal de Santos. Nas imagens, o desembargador diz que não vai assinar a multa e confronta o guarda afirmando que rasgaria o papel se ele insistisse em aplicar a sanção pela falta de uso do item de proteção, neste caso, a máscara. O Guarda Municipal, em seguida, alerta que se o desembargador jogasse a multa no chão, ele seria autuado por desperdício em via pública, levando uma segunda multa. Ignorando o profissional, o desembargador rasgou o papel, jogou na faixa de areia da praia e foi embora em seguida. (G1).

Fora a filmagem de um quadro tosco que escancara o pensamento da classe dominante no Brasil que, como disse Milton Santos, “nunca lutou por direitos, mas por privilégios”, o desembargador histriônico é somente mais uma autoridade que se acha acima da lei que cobra dos reles mortais.

Além de tosco, nem original o desembargar é, afinal, somos o país da Lava Jato em que os heróis do combate à corrupção eram os próprios corruptos, do juiz aos procuradores e policiais envolvidos naquela gangue de Curitiba que, certamente, não demora muito, os cidadãos curitibanos vão querer apagar a ideia da República de Curitiba, porque a cada dia que passa isso se transforma em uma das coisas mais pejorativas que uma cidade pode carregar como um carma.

O fato é que um país que carrega em seu DNA um traço civilizatório da escravidão, em pleno 2020, refletido na sua enorme desigualdade social aonde os negros são as maiores vítimas, um desembargador branco roncando grosso com um guarda, só reproduziu a imagem dos barões do café ou dos coronéis do cacau e da cana de açúcar.

Isso sublinha a imortal fala de Machado de Assis sobre o Brasil oficial, caricato e burlesco.

 

*Da redação

Celeste Silveira

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