Dia: 18 de agosto de 2026

As ruas estão refletindo algo bem diferente do que dizem as pesquisas sobre Flávio Bolsonaro

Há uma diferença cada vez mais evidente entre o que algumas pesquisas apontam sobre Flávio Bolsonaro e aquilo que se vê nas ruas. Enquanto os números tentam sustentar a ideia de uma candidatura competitiva, a realidade dos atos políticos parece revelar um cenário muito menos confortável — marcado por esvaziamento, baixa mobilização e dificuldade para transformar apoio virtual ou eleitoral em presença concreta.

Política se faz também com gente. E gente nas ruas. É justamente aí que a candidatura de Flávio Bolsonaro parece encontrar um de seus maiores problemas. Quando um candidato precisa recorrer a discursos inflamados, às redes sociais e à máquina bolsonarista para tentar produzir a sensação de força, mas não consegue levar multidões para seus atos, há algo que merece ser observado com atenção.

As ruas não fazem pesquisa eleitoral, mas podem oferecer um termômetro importante do grau de entusiasmo de uma candidatura. E o que esse termômetro vem mostrando não combina com a imagem de força que determinados levantamentos tentam projetar.

O bolsonarismo continua tendo um núcleo fiel e barulhento, ninguém ignora isso. O problema é outro: transformar esse núcleo em uma maioria capaz de sustentar uma candidatura presidencial. Entre a bolha digital e a realidade das ruas existe um abismo — e Flávio Bolsonaro parece estar descobrindo isso da maneira mais incômoda.

A pergunta, portanto, não é apenas quantos eleitores dizem preferir Flávio numa pesquisa. É quantos estão dispostos a sair de casa, ocupar as ruas, participar de atos e defender publicamente sua candidatura.

Porque eleição não se ganha apenas com números em tabelas ou hashtags nas redes sociais. Ganha-se com votos, mas também com capacidade de mobilização, presença política e conexão real com a sociedade.

E, se as ruas continuarem falando uma língua tão diferente daquela apresentada pelas pesquisas, talvez seja hora de perguntar se a candidatura de Flávio Bolsonaro é realmente tão forte quanto seus aliados querem fazer parecer — ou se estamos diante de mais uma bolha política prestes a perder altitude.


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Vídeo – Flopou novamente: ato de Flávio Bolsonaro em Minas expõe fracasso da campanha

Se a estratégia de Flávio Bolsonaro era transformar Minas Gerais em uma demonstração de força eleitoral, o resultado passou longe disso. O ato realizado em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (17), voltou a expor a dificuldade da candidatura em produzir mobilização popular compatível com a dimensão do projeto presidencial.

Depois de uma largada em Copacabana marcada por público muito inferior aos grandes atos que consagraram Jair Bolsonaro naquele mesmo território político, Flávio chegou a Minas precisando mostrar que não depende apenas do sobrenome. E encontrou, novamente, uma realidade incômoda: discurso inflamado, promessas radicais e referências permanentes ao pai não parecem suficientes para transformar a candidatura em fenômeno de massas.

O contraste é particularmente significativo porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente ocupa posição estratégica nas eleições presidenciais. Ainda assim, o candidato precisou apostar no apoio de lideranças locais e até fazer acenos a Cleitinho, que lidera as pesquisas para o governo estadual.

O problema, portanto, não é apenas o tamanho de um ato. É o que ele simboliza. Uma campanha que pretende se apresentar como herdeira de uma força política capaz de mobilizar multidões começa encontrando dificuldades para reproduzir justamente aquilo que marcou o bolsonarismo: a capacidade de colocar grandes contingentes nas ruas.

Flávio tenta vestir a camisa do pai, repetir seus símbolos, seus discursos e até percorrer os mesmos lugares emblemáticos. Mas eleição não se ganha apenas por herança. É preciso demonstrar força própria.

E, até aqui, o que aparece nas ruas é justamente o contrário: muita propaganda, muita retórica e pouca gente.

Se em Copacabana o desempenho já havia acendido o sinal amarelo, o episódio de Minas reforça a impressão de que a candidatura de Flávio ainda não encontrou o caminho para transformar o capital político herdado da família Bolsonaro em mobilização eleitoral própria.

Flopou novamente. E, desta vez, no coração de um dos estados mais importantes para qualquer projeto presidencial.


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