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Como a conta da água da Sabesp financia o massacre de Israel contra a Palestina

O Wellington Management Group, fundo norte-americano de investimentos que é o quarto maior acionista da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), detendo 5,4% de suas ações, é o terceiro maior financiador da guerra de Israel contra a Palestina, tendo adquirido 250 milhões de euros (R$ 1,46 bilhão) em títulos de guerra (“Israel Bounds”) emitidos pelo governo de Israel.

Já a Blackrock Inc., companhia norte-americana que é a maior gestora de ativos financeiros do mundo, é a terceira maior acionista da Sabesp, com 6,1% das ações, atrás apenas do governo estadual (18,1%) e do Grupo Equatorial, chamado investidor de referência, com 15,1%. Esta empresa é a quarta maior detentora de títulos de guerra da dívida israelense, com 68 milhões de euros (R$ 398 milhões).

Finalmente, o segundo maior comprador de títulos de guerra israelense, o fundo norte-americano Vanguard, financia o esforço de guerra de Israel com US$ 546 milhões, ou R$ 2,8 bilhões. Ao mesmo tempo, é detentor de 2,32% do capital da companhia paulista de saneamento.

Segundo o governo israelense, o país aumentou drasticamente a emissão de “Israel Bonds” — um instrumento financeiro lançado pelo governo para angariar fundos junto de particulares e pequenos investidores — desde 7 de outubro de 2023, “devido à situação de segurança de Israel” na Faixa de Gaza. As receitas dos títulos revertem para o orçamento geral do Estado de Israel e, tal como anunciado pelas autoridades, ajudam a sustentar a sua capacidade militar.

No último dia 21, o escritório na Europa da organização humanitária Anistia Internacional divulgou uma declaração pública em que afirma que “a União Europeia (UE) deve pôr fim à venda de ‘Israel Bonds’ – títulos do tesouro do estado de Israel –, sob pena de se tornarem cúmplices do genocídio em curso contra os palestinos na Faixa de Gaza”.

A maior compradora desses papeis israelenses é a gestora de ativos norte-americana PIMCO, subsidiária da seguradora multinacional alemã Allianz, que adquiriu, por meio de sua subsidiária, quase 1 bilhão de dólares em títulos de guerra de Israel. Logo depois, vem o Vanguard, outro dos maiores fundos do mundo, com US$ 546 milhões, e sexto maior acionista da sabesp, com 2,32% do capital da companhia privatizada. Em terceiro e quarto estão o quarto e o terceiro maiores acionistas da Sabesp, Wellington Management e Blackrock.

Como o dinheiro do cidadão paulista financia o genocídio, e o papel de Tarcísio
Desde que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) bateu o martelo e privatizou a Sabesp, em 23 de junho de 2024, a companhia já distribuiu R$ 4,3 bilhões de lucro a seus acionistas. Em maio de 2025, pagou cerca de R$ 2,5 bilhões; em abril deste ano, entregou um montante adicional de quase R$ 1,8 bilhão.

Tudo isso em meio a centenas de denúncias de moradores espalhados por todas as regiões da Grande São Paulo, de que suas contas de água chegaram a subir mais de 600% desde a venda da Sabesp, enquanto convivem com cortes noturnos no fornecimento de água e explosões em obras tocadas pela empresa privatizada.

Assim, três fundos norte-americanos que financiam a guerra de Israel possuem, juntos, 13,42% do capital da Sabesp, percentual correspondente a R$ 577.060.000 (577 milhões e 60 mil) do lucro distribuído pela companhia até agora desde a sua privatização. Parte deste dinheiro – obtido com a cobrança nas contas de água dos paulistas – serve para financiar as operações militares israelenses na Palestina.

No dia 28 de abril deste ano, um fato relevante foi divulgado ao mercado: o fundo de investimentos norte-americano Wellington Management ultrapassara o patamar de 5% de participação (5,09%, ou 35,9 milhões de ações ordinárias) no capital da Sabesp.

A Wellington — uma das maiores gestoras de ativos de gestão do mundo, com mais de US$ 1 trilhão sob gestão — apenas anunciou publicamente a sua aquisição porque a marca de 5% de participação aciona a obrigatoriedade de divulgação do negócio à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ou seja, a compra sinaliza que a acumulação de ações pela Wellington foi deliberada e relevante, com a empresa revelando-se ao mercado como a dona da quarta maior fatia da Sabesp privatizada.

A Wellington Management não adquiriu por acaso as ações da companhia brasileira. Ela foi informada sobre a oportunidade de negócio pelo próprio governador Tarcísio de Freitas. O mandatário viajou aos Estados Unidos na última semana de junho de 2024, menos de um mês antes de privatizar a Sabesp, com o intuito deliberado de visitar as sedes de fundos internacionais de investimento e falar a respeito da oferta de ações e venda da empresa paulista.

E assim ele fez. No dia 27, realizou visitas comerciais a três fundos de investimentos. Entre eles, às 10h da manhã, estava o Wellington Management Group, identificado apenas como “Wellington” na agenda oficial do governador:

Assim, três fundos norte-americanos que financiam a guerra de Israel possuem, juntos, 13,42% do capital da Sabesp, percentual correspondente a R$ 577.060.000 (577 milhões e 60 mil) do lucro distribuído pela companhia até agora desde a sua privatização. Parte deste dinheiro – obtido com a cobrança nas contas de água dos paulistas – serve para financiar as operações militares israelenses na Palestina.

No dia 28 de abril deste ano, um fato relevante foi divulgado ao mercado: o fundo de investimentos norte-americano Wellington Management ultrapassara o patamar de 5% de participação (5,09%, ou 35,9 milhões de ações ordinárias) no capital da Sabesp.

A Wellington — uma das maiores gestoras de ativos de gestão do mundo, com mais de US$ 1 trilhão sob gestão — apenas anunciou publicamente a sua aquisição porque a marca de 5% de participação aciona a obrigatoriedade de divulgação do negócio à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ou seja, a compra sinaliza que a acumulação de ações pela Wellington foi deliberada e relevante, com a empresa revelando-se ao mercado como a dona da quarta maior fatia da Sabesp privatizada.

A Wellington Management não adquiriu por acaso as ações da companhia brasileira. Ela foi informada sobre a oportunidade de negócio pelo próprio governador Tarcísio de Freitas. O mandatário viajou aos Estados Unidos na última semana de junho de 2024, menos de um mês antes de privatizar a Sabesp, com o intuito deliberado de visitar as sedes de fundos internacionais de investimento e falar a respeito da oferta de ações e venda da empresa paulista.

E assim ele fez. No dia 27, realizou visitas comerciais a três fundos de investimentos. Entre eles, às 10h da manhã, estava o Wellington Management Group, identificado apenas como “Wellington” na agenda oficial do governador:

A agenda de visitas durou quatro dias, com dez fundos de investimentos visitados. É de se esperar que o governador não tenha transmitido qualquer informação confidencial a respeito da venda pública que faria dali a três semanas, mas fato é que os fundos que ouviram seu conselho e adquiriram ações da companhia logo após ou no ato de oferta de ações da Sabesp estão rindo à toa.

E não é para menos: só no dia do lançamento do balanço de terceiro semestre de 2025 (12 de agosto), por exemplo, os papeis da Sabesp subiram nada menos do que 9%, após a revelação de um lucro líquido que surpreendeu os analistas, de R$ 2,13 bilhões. No mesmo balanço, a companhia detalhou que o “ajuste tarifário de 2024” (quer dizer: aumento na conta) gerou um impacto positivo de cerca de R$ 179 milhões no comparativo anual.

Em julho de 2023, a ação da Sabesp era negociada a R$ 57,09. Já em 23 de outubro de 2025, a companhia encerrou o pregão com ações acima dos R$ 130, patamar em que é negociada até hoje, uma valorização de 130%.

Em outras palavras: o governo de São Paulo vendeu a Sabesp por menos da metade do valor que ela é negociada hoje.

Não é de se esperar que o Estado de São Paulo tenha deliberadamente precificado as ações da companhia abaixo do valor real no momento de realizar a privatização. Muito menos se pode imaginar que alguma informação nesse sentido pudesse ter sido vazada a executivos de grandes fundos de investimento, a troco do que quer que fosse.

De qualquer forma, fato é que estão rindo à toa os fundos norte-americanos que financiam o esforço de guerra israelense e foram convencidos por Tarcísio, quando o governador os visitou, às vésperas da privatização da Sabesp, a comprar papeis da companhia. Quaisquer que tenham sido os conselhos do governador que convenceram os fundos, se mostraram muito valiosos.

*Matéria publicada com exclusividade por Vinicius Segalla no DCM


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Política

Ruralistas voltam à carga para desmatar 1,7 milhão de hectares de áreas protegidas

A bancada ruralista voltou a investir contra um dos principais instrumentos de proteção do patrimônio natural brasileiro. Em nova ofensiva no Congresso, parlamentares ligados ao agronegócio articulam medidas que podem extinguir, reduzir ou descaracterizar cerca de 1,7 milhão de hectares de unidades de conservação, abrindo caminho para a expansão da exploração econômica sobre áreas hoje preservadas.

Não se trata de um debate técnico sobre gestão ambiental, mas de uma disputa política em que interesses privados buscam prevalecer sobre o interesse público. As unidades de conservação existem para proteger ecossistemas estratégicos, garantir a biodiversidade, preservar nascentes, conter o avanço do desmatamento e cumprir compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. Enfraquecê-las significa remover barreiras que impedem a ocupação predatória de terras públicas.

A justificativa de que a flexibilização estimularia o desenvolvimento econômico ignora um histórico conhecido. Sempre que áreas protegidas são reduzidas ou têm sua categoria alterada, aumentam os riscos de grilagem, mineração, extração ilegal de madeira, queimadas e desmatamento. O resultado costuma ser a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos ambientais, econômicos e climáticos.

Devastação cai na Amazônia e no Pantanal, mas ainda preocupa no Cerrado |  VEJA

O momento escolhido para essa nova investida também chama atenção. Em um cenário de crescente preocupação mundial com a emergência climática e de cobrança internacional pela preservação da Amazônia e de outros biomas, parte do Congresso insiste em desmontar mecanismos que levaram décadas para serem construídos. A mensagem enviada ao mundo é contraditória: enquanto o Brasil busca protagonismo nas negociações ambientais, setores influentes da política trabalham para reduzir a proteção de seu patrimônio natural.

As unidades de conservação não são um obstáculo ao desenvolvimento. Pelo contrário, representam um investimento estratégico na segurança hídrica, na estabilidade climática, na produção agrícola sustentável e na qualidade de vida das futuras gerações. Fragilizá-las para atender interesses imediatos é comprometer um patrimônio que pertence a toda a sociedade.

Se prosperar, essa ofensiva ruralista poderá entrar para a história como mais um capítulo do desmonte da política ambiental brasileira, substituindo a proteção do interesse coletivo pela lógica da ocupação desenfreada de áreas públicas. O custo dessa escolha será pago não apenas pela fauna e pela flora, mas por toda a população brasileira.


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Pesquisa

Pesquisa TMC/Alfa mostra Lula 14 pontos à frente de Flávio Bolsonaro

Pesquisa TMC/Instituto Alfa: Lula tem 43% contra 29% de Flávio no 1º turno e venceria todos no 2º turno

Pesquisa do Instituto Alfa Inteligência encomendado pela TMC (Transamérica Media Company), divulgado nesta sexta-feira (31), mostra o presidente Lula (PT) com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 29% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de 14 pontos percentuais entre os dois principais candidatos coloca Lula em vantagem, mas a soma dos adversários (47%) ainda supera os números do presidente, o que mantém, em aberto, a chance de vitória logo no primeiro turno.

Nos cenários de segundo turno, o presidente venceria todos os adversários testados: contra Flávio Bolsonaro, tem 48% contra 41% do senador. A pesquisa ouviu 2.700 eleitores entre 23 e 28 de julho, com margem de erro de 1,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04488/2026

  • Principais números da pesquisa TMC/Instituto Alfa
    1º turno (estimulado): Lula (PT) 43%, Flávio Bolsonaro (PL) 29%, Ronaldo Caiado (PSD) 7%, Romeu Zema (Novo) 6%, Renan Santos (Missão) 3%, Augusto Cury (Avante) 1%. Brancos/nulos somam 8% e não sabem/não responderam, 2%.
  • Evolução em relação a junho: Lula avançou três pontos percentuais (de 40% para 43%), enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 31% para 29%.
  • 2º turno: Lula venceria Flávio Bolsonaro por 48% a 41%; Ronaldo Caiado por 45% a 40%; Romeu Zema por 46% a 37%; e Renan Santos por 46% a 32%.
  • Aprovação do governo: 47% aprovam a forma de administrar do presidente, contra 51% que desaprovam. Em relação a junho, a aprovação subiu de 42% para 47%, enquanto a desaprovação recuou de 56% para 51%.
  • Cenário de primeiro turno: Lula lidera, mas vitória no 1º turno não está descartada
  • No primeiro turno, Lula aparece com 43% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 29%. O terceiro colocado, Ronaldo Caiado (PSD), tem 7%, e Romeu Zema (Novo) aparece com 6%. Os demais candidatos não alcançam 3% das intenções de voto.

Depois de devassa contra Lula, Lava Jato diz não ter provas contra ele -  Vermelho

O jornalista Fernando Molica, colunista da TMC, destacou que a soma dos adversários de Lula chega a 47%, contra 43% do petista — uma diferença de 4 pontos percentuais que, considerando a margem de erro de 1,8 ponto (3,6 pontos no total), coloca a possibilidade de vitória no primeiro turno dentro do limite estatístico. “A vitória no 1º turno não é uma possibilidade completamente descartada”, afirmou Molica.

Segundo turno: Lula venceria todos os adversários
Nos cenários de segundo turno, o presidente Lula aparece à frente em todas as simulações. Contra Flávio Bolsonaro, o placar é de 48% a 41%. Em uma eventual disputa contra Ronaldo Caiado, Lula venceria por 45% a 40%; contra Romeu Zema, por 46% a 37%; e contra Renan Santos, por 46% a 32%.

Aprovação do governo e recortes regionais
A avaliação do governo Lula apresenta um equilíbrio com leve vantagem da percepção negativa: 47% aprovam a forma de administrar do presidente, enquanto 51% desaprovam. Em relação à pesquisa anterior, houve melhora: a aprovação subiu de 42% para 47%, e a desaprovação caiu de 56% para 51%.

O levantamento revela uma divisão regional acentuada. No Nordeste, 60% aprovam a gestão de Lula, contra 36% de desaprovação. No Norte, a aprovação é de 51%, contra 47% de desaprovação. Já no Centro-Oeste, a desaprovação chega a 64%; no Sul, 60% desaprovam; e no Sudeste, a rejeição também supera a aprovação.

A pesquisa também aponta que 48% dos brasileiros acreditam que a vida das pessoas melhorou nos últimos anos, enquanto 44% avaliam que piorou.

*TVTNews


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Política

Além do pedófilo Trump e do ladrão Milei, Flávio agora exibe o apoio do genocida Netanyahu

A candidatura de Flávio Bolsonaro consolida um alinhamento internacional que já não faz questão de esconder. Depois de buscar o respaldo de Donald Trump e de transformar Javier Milei em garoto-propaganda de sua campanha, o senador passou a ostentar também o apoio público de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, ou seja, Flavio montou um Sindicato Mundial do Crime. Netanyahu é aquele cujo genocídio em Gaza, é alvo de duríssimas críticas internacionais e de processos em tribunais internacionais.

O vídeo enviado por Netanyahu para a convenção do PL não foi um gesto protocolar. Foi uma demonstração explícita de afinidade política entre lideranças que compartilham uma visão nacionalista, ultraconservadora e de confronto permanente com adversários internos e externos. O recado foi exibido como um selo de legitimidade internacional para a candidatura de Flávio.

A escolha desses aliados também revela a identidade política que o bolsonarismo pretende apresentar ao eleitor brasileiro. Trump representa a radicalização da direita norte-americana; Milei, a experiência libertária marcada por forte polarização na Argentina; e Netanyahu tornou-se uma das figuras mais contestadas da política mundial em razão da condução da ofensiva militar em Gaza.

Ao reunir esses apoios, Flávio Bolsonaro parece apostar que a radicalização continua sendo seu principal ativo eleitoral. Em vez de buscar ampliar pontes com o centro político ou moderar o discurso, prefere reforçar os laços com lideranças que dividem opiniões e mobilizam sua base ideológica.

No fim das contas, o apoio internacional que a campanha exibe funciona também como um retrato de sua orientação política. Se Trump, Milei e Netanyahu são apresentados como referências, a mensagem transmitida ao eleitor é clara: o projeto defendido por Flávio Bolsonaro pretende inserir o Brasil no mesmo eixo político que essas lideranças representam.


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Política

Lula: “Não vou usar a Presidência para proteger meu filho”

Lula diz que não protegerá Lulinha e afirma que filho terá de responder às investigações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende utilizar o cargo para proteger seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Em declaração pública, Lula disse que, caso as suspeitas avancem, caberá ao filho demonstrar sua inocência e enfrentar o processo como qualquer outro cidadão.

A fala ocorre em meio ao avanço de apurações relacionadas ao caso das fraudes no INSS e às recentes decisões judiciais que ampliaram o alcance das investigações. Embora Lulinha tenha sido citado em desdobramentos do inquérito, sua defesa sustenta que ele não é investigado nem foi alvo de operações policiais, afirmando que não há elementos que o vinculem aos fatos apurados.

Segundo Lula, a relação familiar não pode interferir na atuação das instituições. O presidente afirmou que já conversou com o filho e deixou claro que, se houver qualquer irregularidade comprovada, ele deverá responder pelos próprios atos. Ao mesmo tempo, reiterou que ninguém pode ser tratado como culpado sem provas e que o devido processo legal deve prevalecer.

A declaração reforça uma linha adotada pelo presidente desde o surgimento das primeiras citações ao nome de Lulinha no contexto das investigações. Em ocasiões anteriores, Lula já havia afirmado que o filho “pagará o preço” caso tenha cometido alguma irregularidade, descartando qualquer interferência do Palácio do Planalto nas apurações.

O caso permanece sob acompanhamento da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal, enquanto a defesa de Lulinha afirma estar à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar documentos que julgar necessários. Até o momento, não houve denúncia criminal contra ele decorrente dessas investigações.


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A direita “moderada” de Zema, Caiado e Renan Santos é apenas uma sopa rala de bolsonarismo

Desde que Jair Bolsonaro deixou a Presidência, uma parcela da direita brasileira tenta vender ao eleitor a ideia de que existe uma alternativa “moderada” ao bolsonarismo. O discurso é de renovação, responsabilidade institucional e compromisso democrático. Na prática, porém, o que se apresenta é uma versão diluída do mesmo projeto político.

Figuras como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos procuram ocupar esse espaço. Distanciam-se dos excessos retóricos mais explosivos do bolsonarismo, mas preservam sua essência: o combate sistemático à esquerda, a adoção de uma agenda ultraliberal, o discurso permanente contra o Estado e a exploração da polarização como estratégia eleitoral.

A diferença está mais na embalagem do que no conteúdo. Se Bolsonaro representava um caldo concentrado, seus pretendidos sucessores oferecem uma sopa rala: menos estridente, mais palatável para determinados setores do mercado e da imprensa, mas preparada com os mesmos ingredientes.

Essa direita “moderada” evita ataques frontais às instituições quando o custo político é elevado, porém raramente rompe com a narrativa construída pelo bolsonarismo ao longo dos últimos anos. Em vez de enfrentar o legado de radicalização, prefere administrá-lo, preservando sua base eleitoral e adaptando o discurso às conveniências do momento.

O resultado é uma tentativa de rebranding político. Trocam-se os personagens, suaviza-se o tom e substituem-se os gritos por discursos tecnocráticos. Entretanto, permanecem vivas as mesmas bandeiras que alimentaram o ambiente de confronto permanente na política brasileira.

No fundo, a autoproclamada direita moderada não representa uma ruptura, mas uma continuidade. É um bolsonarismo de gravata, de planilha ou de linguagem mais polida. Uma versão menos ruidosa, porém comprometida com a mesma lógica de antagonismo e de rejeição ao campo progressista.

Quem procura uma direita efetivamente democrática, disposta a reconhecer o resultado das urnas, fortalecer as instituições e construir consensos republicanos, dificilmente encontrará esse projeto nesse grupo. O que se vê é uma adaptação tática de um movimento que ainda gravita em torno da órbita política e ideológica inaugurada por Bolsonaro.

Em política, mudar o rótulo não basta. Quando os ingredientes continuam praticamente os mesmos, o produto final pode até parecer diferente — mas continua tendo o mesmo sabor.


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Política

Lula enquadra Trump e Rubio: a eleição brasileira não será decidida pelos “filhos do Satanás”

Luiz Inácio Lula da Silva decidiu retirar qualquer verniz diplomático da disputa política que se desenha para 2026. Ao afirmar que Donald Trump e Marco Rubio pretendem interferir nas eleições brasileiras para favorecer “os filhos do Satanás”, numa referência mordaz aos herdeiros políticos de Jair Bolsonaro, o presidente deu nome aos protagonistas de uma articulação internacional da extrema direita que, segundo ele, busca influenciar o futuro do Brasil.

A declaração não surgiu do nada. Nos últimos meses, Trump transformou o bolsonarismo em peça de sua narrativa global, enquanto Marco Rubio passou a atacar sistematicamente o governo brasileiro, adotando um discurso afinado com a família Bolsonaro. Para Lula, trata-se de uma tentativa explícita de pressionar as instituições nacionais e criar um ambiente político favorável ao retorno do bolsonarismo ao poder.

O recado do presidente foi direto: a soberania brasileira não está à venda nem será tutelada por Washington. Quem escolhe o presidente do Brasil são os brasileiros, e não a Casa Branca, o Departamento de Estado ou qualquer laboratório da extrema direita internacional.

Ao recorrer à expressão “filhos do Satanás”, Lula não apenas ironizou seus adversários. Procurou sintetizar o que considera o legado político do bolsonarismo: ataques às instituições, disseminação do ódio, desprezo pela democracia e permanente alinhamento a interesses estrangeiros sempre que isso serve aos objetivos da família Bolsonaro.

A ofensiva internacional em favor do bolsonarismo também revela uma contradição que há muito acompanha a extrema direita brasileira. O mesmo grupo que se apresenta como defensor da pátria jamais demonstrou constrangimento em buscar apoio externo quando seus interesses eleitorais estão em jogo. O nacionalismo termina exatamente onde começam os interesses políticos da família Bolsonaro.

Ao trazer Trump e Rubio para o centro do debate, Lula transforma a disputa de 2026 em algo maior do que um simples confronto entre candidatos. O embate passa a opor dois projetos de país: de um lado, a defesa da soberania nacional; de outro, um campo político que, segundo o presidente, aceita a interferência estrangeira desde que ela beneficie os Bolsonaro.

Se a estratégia de Trump e Rubio é fortalecer o bolsonarismo, Lula responde transformando essa aproximação em um passivo eleitoral. Afinal, poucos temas mobilizam tanto o sentimento nacional quanto a rejeição à ideia de que uma potência estrangeira possa tentar decidir o destino político do Brasil.


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Política

No Brasil, a direita morreu por tomar veneno para tentar matar o PT

Durante décadas, a direita brasileira organizou sua estratégia política em torno de um único objetivo: destruir o Partido dos Trabalhadores. Para isso, abriu mão de construir um projeto consistente de país e passou a apostar quase exclusivamente na demonização do adversário. O problema é que, ao transformar o antipetismo em sua única identidade, acabou ingerindo um veneno que, no fim, destruiu a si própria.

A radicalização permanente substituiu o debate de ideias. A política deixou de ser uma disputa de programas para se tornar uma guerra moral, alimentada por teorias conspiratórias, desinformação e pela recusa em reconhecer qualquer legitimidade do campo adversário. O bolsonarismo levou essa lógica ao extremo, convertendo o ódio ao PT em plataforma de governo e em critério de pertencimento político.

Nesse processo, a direita tradicional desapareceu. Liberais, conservadores moderados e setores do centro foram engolidos por um discurso cada vez mais radical, incapaz de oferecer soluções para os problemas reais do país. O combate ao PT passou a valer mais do que a defesa da estabilidade institucional, da responsabilidade fiscal ou da própria democracia.

A consequência foi previsível. Ao apostar todas as fichas na destruição do adversário, a direita passou a justificar qualquer excesso, desde ataques às instituições até a relativização de tentativas de ruptura democrática. O preço dessa estratégia foi a perda de credibilidade junto a parcelas importantes da sociedade, especialmente entre os eleitores moderados.

O paradoxo é evidente. O PT sobreviveu às maiores crises de sua história, voltou ao governo e permanece como a principal força política do campo progressista. Já a direita saiu da cruzada antipetista mais fragmentada, mais radicalizada e mais dependente de lideranças personalistas. Em vez de sepultar o PT, acabou comprometendo sua própria capacidade de dialogar com o conjunto da sociedade.

Nenhuma corrente política prospera quando sua existência depende apenas da destruição do adversário. Partidos e movimentos se fortalecem quando apresentam propostas, constroem consensos e oferecem perspectivas de futuro. Quando vivem apenas do ressentimento, acabam consumidos por ele.

A história recente do Brasil sugere exatamente isso: na tentativa de envenenar o PT, a direita bebeu o próprio veneno. E foi esse veneno — feito de intolerância, extremismo e obsessão antipetista — que acabou corroendo sua identidade, sua credibilidade e sua capacidade de se renovar.


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Inclusão de Flávio Bolsonaro na Interpol depende de etapa decisiva da investigação

Investigação abre caminho para eventual inclusão de Flávio Bolsonaro na Interpol

A possibilidade de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vir a ter seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol passou a ser discutida após informações de que investigadores avaliam mecanismos de cooperação internacional para rastrear movimentações financeiras e garantir eventual cumprimento de medidas judiciais no exterior. Até o momento, porém, não há decisão anunciada pela Interpol nem confirmação oficial de que seu nome será incluído na lista.

A chamada Difusão Vermelha (Red Notice) não representa uma condenação nem um novo mandado de prisão. Trata-se de um pedido de cooperação internacional para que autoridades policiais de outros países localizem e prendam provisoriamente uma pessoa que já seja alvo de ordem judicial expedida pelo país solicitante, visando futura extradição ou procedimento semelhante. A decisão de cumprir ou não esse pedido cabe às autoridades de cada país, de acordo com sua legislação.

No caso de Flávio Bolsonaro, a hipótese surgiu em meio ao avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal e supervisionadas pelo Supremo Tribunal Federal. Em maio, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre pedido para incluir Jair Bolsonaro e Flávio em um inquérito relacionado à suposta atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação ainda está em curso e não implica, por si só, a emissão de mandado de prisão.

Especialistas lembram que a inclusão de qualquer brasileiro na lista da Interpol depende de requisitos jurídicos objetivos. Em regra, é necessário que exista um mandado de prisão válido expedido pela Justiça brasileira e que o pedido atenda às normas da organização internacional. A Interpol também analisa se o caso está de acordo com suas regras internas, que vedam a utilização do sistema para perseguições de natureza predominantemente política.

Na prática, portanto, a discussão sobre uma eventual inclusão de Flávio Bolsonaro na Difusão Vermelha ainda permanece no campo das possibilidades jurídicas, condicionada ao desenrolar das investigações e a futuras decisões das autoridades brasileiras. Até agora, não houve anúncio oficial da Polícia Federal, do STF ou da própria Interpol confirmando a adoção dessa medida.


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Moraes coloca Kássio Nunes Marques no centro da crise do vídeo de IA da campanha de Flávio

Bolsonaro tenta se desvincular de vídeo de IA e transfere crise para Flávio no TSE

A estratégia adotada pela defesa de Jair Bolsonaro no caso do vídeo produzido por Inteligência Artificial exibido durante a convenção que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro pode produzir um efeito político e institucional que vai muito além da situação jurídica do ex-presidente. Ao sustentar que Bolsonaro não teve conhecimento prévio da peça e que a responsabilidade pela sua produção e divulgação caberia à campanha do filho, a defesa deslocou o foco da investigação para o núcleo eleitoral da candidatura.

Com as explicações apresentadas, a tendência é que o ministro Alexandre de Moraes conclua a etapa de apuração relativa à conduta do ex-presidente e encaminhe ao Tribunal Superior Eleitoral os elementos referentes aos possíveis desdobramentos eleitorais do episódio. Caso isso ocorra, o processo chegará justamente à Corte presidida por Kássio Nunes Marques, ministro que, segundo críticos, tem adotado decisões favoráveis aos interesses de Flávio Bolsonaro em temas eleitorais.

É nesse ponto que a questão deixa de ser apenas jurídica e passa a adquirir um forte componente político. Ao remeter o caso ao TSE, Moraes transfere ao tribunal eleitoral a responsabilidade de decidir se a utilização de Inteligência Artificial durante a campanha configura abuso, propaganda irregular ou outra infração prevista na legislação eleitoral. Na prática, o ministro do STF coloca Kássio Nunes Marques diante de um teste de grande repercussão pública.

Como presidente do TSE, Kássio dificilmente conseguirá escapar do escrutínio. Uma eventual decisão pelo arquivamento poderá reforçar as críticas de que a Corte estaria adotando tratamento distinto para candidatos ligados ao bolsonarismo. Por outro lado, o avanço das investigações representaria um desgaste político para a candidatura de Flávio Bolsonaro em pleno processo eleitoral.

A defesa de Jair Bolsonaro, ao tentar afastar o ex-presidente da responsabilidade pelo vídeo, acabou produzindo um efeito colateral relevante: concentrou a atenção sobre a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Em outras palavras, para preservar o pai, a estratégia jurídica expôs o filho.

O episódio também amplia a pressão institucional sobre Kássio Nunes Marques. Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro e hoje presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro será observado não apenas pelo conteúdo de suas decisões, mas também pela capacidade de demonstrar independência diante de um caso que envolve diretamente o grupo político responsável por sua indicação ao STF.

Independentemente do desfecho jurídico, o caso tende a transformar-se em mais um capítulo da disputa entre o Supremo Tribunal Federal e o bolsonarismo, agora com um novo elemento: a responsabilidade eleitoral pelo uso de conteúdos produzidos por Inteligência Artificial em campanhas políticas. A forma como o TSE conduzirá essa discussão poderá influenciar não apenas o futuro da candidatura de Flávio Bolsonaro, mas também estabelecer parâmetros para o uso dessa tecnologia nas eleições brasileiras.


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