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Tinha uma pedra no meio do caminho: Banqueiros que apostaram em Flávio Bolsonaro perderam US$ 15 bi com vitória de Lula

André Esteves, do BTG Pactual, teve a maior perda individual, de US$ 4,4 bilhões, segundo índice de riqueza da Bloomberg

s dez brasileiros que figuram entre as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam, juntos, cerca de US$ 15 bilhões nesta segunda-feira (26), após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O resultado provocou uma queda acentuada nos mercados financeiros brasileiros e levou à interrupção temporária das negociações na bolsa, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

De acordo com o levantamento, foi a maior perda diária acumulada pelo grupo desde a criação do índice, em 2012. As quedas foram registradas até o meio-dia em Nova York, em meio à reação dos investidores à reeleição de Lula, que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

A reação negativa dos mercados foi associada à expectativa de que o novo governo adote uma política fiscal menos restritiva, o que poderia limitar o espaço para cortes nas taxas de juros. A desvalorização dos ativos também atingiu diretamente as fortunas de empresários com participações relevantes em instituições financeiras.

André Esteves lidera perdas
O fundador do BTG Pactual, André Esteves, de 58 anos, registrou a maior perda individual entre os empresários citados. Segundo o índice da Bloomberg, sua fortuna diminuiu US$ 4,4 bilhões, cerca de 30%, passando a ser estimada em US$ 11,3 bilhões.

Esteves havia participado de um encontro com Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral. O resultado das urnas provocou uma reavaliação dos ativos financeiros, com impacto sobre o patrimônio do banqueiro.

David Vélez, controlador da Nu Holdings, empresa responsável pelo Nubank, perdeu aproximadamente US$ 2,6 bilhões. O empresário colombiano, de 45 anos, tem parte expressiva de seus negócios vinculada ao mercado brasileiro, onde o banco digital concentra a maior parte de suas operações.

Já Pedro Moreira Salles, de 67 anos, e Fernando Moreira Salles, de 80, acionistas do Itaú Unibanco, tiveram perdas conjuntas estimadas em US$ 2 bilhões.

Somados, os patrimônios dos quatro empresários do setor bancário são avaliados em aproximadamente US$ 45 bilhões. Segundo os dados da Bloomberg, cerca de 18% desse montante foi perdido em valor de mercado em um único dia.

Família Moreira Salles tem posições políticas distintas
A família Moreira Salles, considerada a mais rica do Brasil, reúne quatro irmãos. Pedro e Fernando mantêm participações no Itaú Unibanco, enquanto João e Walter venderam suas ações no banco em 2022.

João Moreira Salles, fundador da revista Piauí, manifestou apoio a Lula durante a campanha eleitoral. Em um artigo publicado na revista, criticou empresários que participaram de um jantar com Flávio Bolsonaro, entre eles André Esteves.

Walter Moreira Salles, cineasta premiado internacionalmente, também fez críticas ao senador. Os investimentos dos dois irmãos estão concentrados, entre outros negócios, em uma mineradora de capital fechado e na Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas.

Apesar de suas posições políticas favoráveis a Lula, João e Walter também foram afetados pela queda dos mercados. Até o meio-dia em Nova York, as perdas conjuntas de suas fortunas eram estimadas em US$ 1,2 bilhão.

Mercado reage ao resultado eleitoral
Além de atingir o patrimônio dos bilionários, a reação dos mercados incluiu forte desvalorização do real. A moeda brasileira chegou a registrar queda de aproximadamente 8%, segundo os dados citados no levantamento.

Uma desvalorização dessa magnitude tende a encarecer produtos importados e insumos cotados em moeda estrangeira, o que pode pressionar os preços internos e dificultar o controle da inflação.

A extensão dos efeitos econômicos dependerá, entre outros fatores, das decisões fiscais e monetárias do próximo governo e da reação dos investidores nos próximos dias. De acordo com a Forum, as perdas registradas no índice de bilionários refletem a desvalorização dos ativos e não significam necessariamente que os empresários tenham realizado essas perdas com a venda de suas participações.


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Política

Governo Trump endossou fuga e sinalizou asilo a Flávio Bolsonaro, dizem aliados

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmaram à CNN Brasil que o governo de Donald Trump endossou a saída dele do Brasil e sinalizou a possibilidade de concessão de asilo político nos Estados Unidos.

O senador, que disputou a Presidência e perdeu a eleição, deve desembarcar na Flórida nesta terça (27). Aliados também confirmaram que ele deixou o país acompanhado da família.

A expectativa do grupo é que a mulher e as filhas de Flávio Bolsonaro também recebam o benefício migratório caso o pedido de asilo avance junto às autoridades americanas.

O relato sobre o apoio do governo Trump partiu de pessoas próximas ao senador. Não há detalhes públicos sobre o estágio de um eventual processo de asilo nos Estados Unidos.

Retenção de passaportes e alerta às autoridades argentinas
Flávio decidiu deixar o Brasil diante do temor de uma prisão, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retenção de seus passaportes.

A medida de Moraes atingiu os documentos de viagem do senador em meio ao risco de que ele deixasse o território brasileiro. Mais cedo, o governo brasileiro acionou autoridades da Argentina sobre a possibilidade de fuga de Flávio para fora do país.

O alerta às autoridades argentinas ocorreu antes da chegada esperada do senador à Flórida e se relacionou ao risco de ele cruzar fronteiras para escapar das restrições impostas pela Justiça. DCM.


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M.

 

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Brasil Mundo

Governo Lula não acredita que Trump extraditará Flávio e quer ‘relação pragmática’

Planalto vê reeleição como derrota para estratégia dos EUA na América Latina

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva chama a declaração de Donald Trump colocando dúvidas sobre o resultado no Brasil como “choro de perdedor” e aponta que a virada do petista é uma derrota para a estratégia dos EUA de controle e influência na América Latina.

A esperança do Palácio do Planalto é a de criar uma “relação pragmática” com a Casa Branca e espera que mesmo a fuga de Flávio Bolsonaro não seja um obstáculo nessa estratégia.

O governo considera que a família Bolsonaro já está “entrincheirada” nos EUA e que um pedido de extradição do senador sequer será aceito, como tantos outros casos.

Mas, ainda assim, o governo espera construir uma relação que vá além do grupo bolsonarista.

Governo considera que conseguiu anular uma ação mais explícita de Trump na eleição e que a blindagem do processo democrático nacional criou um constrangimento para que ele fizesse qualquer tipo de declaração mais enfática.

O caminho dos EUA foi, na avaliação de Brasília, o uso da influência das redes sociais, como a Meta.

Na segunda-feira, depois que Trump colocou em dúvida o resultado eleitoral no país, o Palácio do Planalto avaliou se deveria responder oficialmente ou não. A decisão foi a de ficar em silêncio para não alimentar a tese de conspiração. O governo apenas vai responder se Trump insistir em repetir a desinformação de uma suposta fraude e indica que irá usar os relatórios do Carter Center e da OEA para desmontar a narrativa da extrema direita. Em ambos os informes, a eleição no Brasil foi amplamente elogiada.

O Palácio do Planalto, ainda assim, admite que o grande desafio para os próximos anos é o de construir uma relação “pragmática” com o governo de Donald Trump. Mas a aposta é de que Lula sai fortalecido nas urnas em, ao mesmo tempo, o americano pode ser enfraquecido por derrotas nas eleições Legislativas em novembro.

A correlação de forças, assim, seria modificada. Há ainda uma sinalização que a ala mais ideológica dentro do governo dos EUA, liderada por Marco Rubio, tenha sido enfraquecida com a vitória de Lula e que os grupos que querem trabalhar com o Brasil podem ganhar espaço.

O primeiro passo será retomar a negociação de um acordo comercial, tentando superar meses de crise diplomática. O governo espera que o Escritório de Comércio da Casa Branca (USTR) devolva a ideia da criação de um cronograma para solucionar as tarifas ainda pendentes entre os dois países.

Outro passo será a retomada do processo de autorização para que o embaixador de Trump possa assumir o cargo em Brasília. Mas o Brasil já indicou que vai tratar o nome escolhido pela Casa Branca – Daniel Perez – da mesma forma que a embaixadora do país em Washington, Maria Luiza Viotti, vem recebendo.

O que vai prevalecer é a reciprocidade e o Brasil não pode dar melhor tratamento ao americano que o status de Viotti em Washington.

Nos últimos meses, a diplomata teve seu visto modificado. Se ela sair dos EUA, não pode retornar, sem pedir uma nova autorização.

Segurança e vizinhos
De uma forma mais geral, o governo vê a blindagem da eleição como uma vitória também da política externa brasileira.

Um destaque foi a rápida reação de governos de extrema direita, como o Chile, e aliados de Trump, como Peru, Equador e Paraguai, nas parabenizações ao presidente Lula.

Observadores apontam que isso não ocorreu por acaso. O Brasil tentou reconstruir a relação com cada um desses governos, inclusive enviado emissários para suas respectivas posses.

Os gestos foram, segundo observadores, “medidas dissuasivas”, justamente pensando em uma reciprocidade. O objetivo do governo era o de impedir que a família Bolsonaro e a extrema direita criassem uma “cinturão de isolamento” ao Brasil.

Agora, com vários países, Lula tentará restabelecer uma agenda de cooperação, inclusive no setor de segurança.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Flavio fugiu? PF apura se Flávio fugiu do Brasil; na casa do senador, ninguém atende interfone

Site argentino diz que senador teria cruzado a fronteira por terra para embarcar em jato rumo aos EUA

A Polícia Federal verifica desde a madrugada desta terça-feira (27) se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, menos de 24 horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibi-lo de sair do país e mandar recolher seus passaportes. O ICL Notícias esteve em sua casa em Brasília na manhã desta terça-feira (27) e ninguém atendeu o interfone na mansão de Flávio.

A verificação começou depois que o portal argentino Infobae publicou, por volta das 2h (horário de Brasília), que Flávio “teria saído” do Brasil. O texto utiliza fontes sem identificação. Segundo o portal, o senador cruzou a fronteira com a carteira de identidade e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, num jato particular com destino aos Estados Unidos. A decolagem estaria prevista para as 2h, horário local.

A aeronave citada é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, registrado desde 2020 em nome da empresa argentina Baires Fly S.A. De acordo com a Infobae, a empresa pediu trâmites de aduana e migração para quatro passageiros e três tripulantes. A reportagem não diz quem seriam os passageiros. Registros públicos de rastreamento mostram que o jato voou de Buenos Aires a Puerto Iguazú, mas não registram decolagem para os EUA.

A PF não encontrou registro de passagem do senador pela fronteira regular com a Argentina. A PF também acionou autoridades argentinas.


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Política

Lula bate próprio recorde e se torna o presidente mais votado da história

A marca anterior pertencia ao próprio presidente, quando recebeu 60,3 milhões votos nas eleições de segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), em 2022

Reeleito neste domingo (25) para seu quarto mandato com 64,25 milhões de votos (51,79%), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) supera as suas próprias marcas e se consagra como o presidente mais votado da história da República brasileira.

A marca histórica anterior pertencia ao próprio Lula, quando recebeu 60,34 milhões votos nas eleições de segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), em 2022.

Em relação a essa última eleição, o presidente recebeu mais de 3,9 milhões de votos diante da expansão do eleitorado brasileiro, que subiu de 156,4 milhões para 158 milhões de eleitores aptos a votar em 2026.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 56,10 milhões votos (47,03%) contra 53,87 milhões de votos (45,16%) de Lula.

Na votação final, o presidente somou mais de 10,3 milhões de votos adicionais, o que reverteu a vantagem do adversário.

Também foi a primeira vez, desde a instituição do sistema de dois turnos (1989), que um candidato que terminou o turno em segundo lugar conquistou a Presidência.

Na comparação entre as duas eleições, o presidente também dobrou sua margem de vitória.

Em 2022, venceu Bolsonaro por diferença de 2,13 milhões de votos (1,8 ponto percentual), ao passo que, em 2026, a diferença sobre o filho 01 do ex-presidente superou os 4,5 milhões de votos (3,5 pontos percentuais).

Em termos percentuais, o maior desempenho de Lula permanece sendo o de 2002 (61,27% contra José Serra) e o de 2006 (60,83% contra Geraldo Alckmin, seu atual vice).

Lista das votações presidenciais:

2026 — Lula (PT): 64,2 milhões de votos
2022 — Lula (PT): 60,3 milhões de votos
2006 — Lula (PT): 58,3 milhões de votos
2018 — Jair Bolsonaro (PL): 57,8 milhões de votos
2010 — Dilma Rousseff (PT): 55,7 milhões de votos
2014 — Dilma Rousseff (PT): 54,5 milhões de votos


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Lula e o mutirão do amor contra o fascismo

É assim que a vitória de Lula está sendo celebrada por um planeta encantado com a mobilização do povo brasileiro, que mais uma vez mostrou ao mundo que o amor, a esperança e a solidariedade são forças capazes de enfrentar o ódio e derrotar o fascismo pela raiz.

O Brasil que abraça a democracia, que estende a mão aos mais pobres, que não aceita a naturalização da intolerância e que acredita na convivência entre diferentes voltou a mostrar sua força. A mobilização popular que cerca essa vitória é também um recado para o mundo: não há projeto autoritário que seja invencível quando a sociedade se levanta para defender a liberdade, a dignidade humana e o direito de sonhar com um futuro melhor.

O fascismo se alimenta do medo, da violência, da mentira e da divisão. O amor, ao contrário, constrói pontes, aproxima pessoas, desperta consciências e transforma a indignação em força coletiva. É justamente por isso que cada gesto de solidariedade, cada voz que se ergue contra a intolerância e cada pessoa que se mobiliza em defesa da democracia fazem parte de uma luta muito maior do que qualquer disputa eleitoral.

A vitória de Lula, celebrada por tantos brasileiros como uma vitória da esperança, reafirma a importância de um país que não abandona os seus, que não aceita a fome como destino e que não se curva àqueles que tentam transformar o ódio em instrumento permanente de poder.

Que essa onda de amor atravesse fronteiras, inspire outros povos e alimente a resistência democrática em todos os lugares onde a intolerância tenta sufocar a liberdade. Porque derrotar o fascismo não é apenas impedir que ele conquiste o poder: é arrancar suas raízes da sociedade, combater o preconceito, enfrentar as desigualdades e construir, todos os dias, uma cultura de paz, justiça e solidariedade.

Que o amor seja nossa bandeira, a democracia seja nosso compromisso e o povo seja sempre o protagonista da própria história!

Que nunca faltem palavras para celebrar a esperança, a democracia e a força do povo brasileiro!

VIVA LULA! VIVA O POVO BRASILEIRO! VIVA A DEMOCRACIA!


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Por que Flávio Bolsonaro, mesmo 1,87 ponto à frente de Lula, perdeu o primeiro turno — e perderá o segundo

Matéria publicada originalmente aqui no Blog Antropofagista no dia 05 de outubro, um dia depois de Lula perder para Flavio Bolsonaro o primeiro turno, mas dada a grande virada de Lula, vale para o momento.

Flávio Bolsonaro pode até ter terminado o primeiro turno com 1,87 ponto percentual de vantagem sobre Lula, mas há uma verdade política que esse número não consegue esconder: ele ganhou a apuração, mas não ganhou a eleição.

E essa diferença é fundamental.

Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Foram cerca de 2,2 milhões de votos de diferença. Só que, para vencer no primeiro turno, era necessário ultrapassar a barreira de 50%. Não ultrapassou. Portanto, a suposta “vitória histórica” que seus aliados tentam vender terminou exatamente onde começa a verdadeira disputa: no segundo turno.

Flávio Bolsonaro não derrotou Lula. Flávio apenas chegou à frente de Lula na primeira etapa de uma eleição que continua aberta.

E há algo ainda mais importante: o segundo turno não será disputado entre Flávio e Lula contra os outros candidatos. Será disputado entre Flávio e Lula diante de todo o eleitorado brasileiro.

É aí que começa o problema para o candidato do PL.

Os votos de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Zema e dos demais candidatos agora entram em uma disputa completamente diferente. Somados, os candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam milhões de votos. Esses eleitores não pertencem a Flávio — e tampouco pertencem automaticamente a Lula. Serão disputados.

Mas existe uma diferença brutal entre os dois projetos.

Lula tem uma trajetória política própria. Flávio carrega o peso inteiro do sobrenome Bolsonaro.

E o sobrenome que o levou a 47% também pode ser exatamente o que o impede de chegar aos 50% mais um.

Flávio não está disputando apenas contra Lula. Está disputando contra a memória política do bolsonarismo, contra a rejeição acumulada pela família Bolsonaro e contra a necessidade de convencer uma parcela do eleitorado que votou em outros candidatos de que ele seria capaz de governar o país para além da guerra permanente contra o PT.

No primeiro turno, o voto antipetista funcionou como uma gigantesca âncora eleitoral. No segundo turno, porém, o eleitor precisa escolher quem quer colocar no Palácio do Planalto.

E aí aparece a fragilidade de Flávio.

Porque uma coisa é votar em Flávio para impedir Lula de vencer no primeiro turno. Outra, muito diferente, é entregar a ele quatro anos de Presidência da República.

É exatamente por isso que o resultado do primeiro turno pode ser enganoso.

Flávio conseguiu ampliar o desempenho do bolsonarismo em relação a Jair Bolsonaro em 2022. Mas Lula também continua com uma base eleitoral gigantesca: mais de 53,8 milhões de votos no primeiro turno.

E existe outro dado politicamente devastador para a narrativa de uma suposta “onda Flávio”: a diferença entre os dois foi de apenas 1,87 ponto — a menor distância entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.

Isso não é uma avalanche.

É uma eleição absolutamente aberta.

E, quando a eleição chega ao segundo turno, a lógica muda.

Flávio terá de ampliar sua votação. Lula também. Só que Flávio precisa transformar um voto essencialmente bolsonarista e antipetista em uma maioria nacional. Precisa conquistar eleitores que não votaram nele. Precisa reduzir sua rejeição. Precisa convencer o centro. Precisa falar com quem não quer mais viver em permanente estado de guerra política.

E é justamente aí que o candidato Bolsonaro encontra seu maior obstáculo: para vencer, ele precisa deixar de ser apenas Bolsonaro.

Mas como fazer isso carregando Bolsonaro no sobrenome, Bolsonaro na campanha, Bolsonaro na identidade política e Bolsonaro como principal referência eleitoral?

É a contradição central da candidatura.

Lula, por outro lado, entra no segundo turno podendo apresentar uma narrativa muito mais simples: governar versus radicalizar; reconstrução versus conflito; experiência versus aventura.

Não se trata de dizer que a vitória de Lula está matematicamente garantida — não está. O resultado do primeiro turno prova justamente que a disputa será dura.

Mas há uma diferença fundamental entre estar na frente por 1,87 ponto e ter uma maioria consolidada capaz de vencer o segundo turno.

Flávio não tem essa maioria.

E é por isso que sua “vitória” no primeiro turno pode acabar sendo lembrada como aquilo que realmente foi: uma vitória de etapa, não uma vitória de projeto.

O primeiro turno mostrou que o bolsonarismo continua forte.

O segundo turno terá de mostrar se ele é forte o suficiente para governar o Brasil.

E essa é uma pergunta muito mais difícil de responder.

Flávio pode ter chegado em primeiro.

Mas, politicamente, a eleição começou de verdade agora.


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Moraes determina que Flávio Bolsonaro entregue passaportes por risco de fuga

Em vídeo, senador diz que medida se baseou em declaração de Eduardo Bolsonaro, que defendeu o irmão deixar o país em caso de derrota; entrevista foi dada antes do resultado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado nesta segunda-feira pela Polícia Federal para que entregue seus passaportes em 24 horas. A ordem foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No mesmo despacho, Moraes proibiu Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados em um inquérito na Corte por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro. Tomaz está fora do país desde agosto, segundo a PF.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar disse ter sido abordado no meio da rua, após deixar o condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília, a caminho da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão do STF atinge Flávio Bolsonaro em meio a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador terá de entregar os documentos de viagem no prazo determinado e está proibido de manter contato com o advogado Willer Tomaz. A investigação segue em andamento, e as suspeitas ainda precisam ser apuradas pela Justiça.

Destino sem foro privilegiado e o horizonte penal
A derrota nas urnas consolida a contagem regressiva para o término do mandato parlamentar de Flávio Bolsonaro no Senado Federal, previsto para se encerrar em fevereiro de 2027. O encerramento de sua atuação no Congresso Nacional, todavia, não significará o alívio judicial de ver seus processos remetidos à primeira instância ou diluídos na Justiça comum.

Isso ocorre porque o pleno do Supremo Tribunal Federal consolidou uma alteração estrutural em sua jurisprudência no tocante ao foro por prerrogativa de função. Por maioria de 7 votos a 4, a Corte fixou a tese de que os procedimentos criminais iniciados contra autoridades continuam sob a jurisdição do STF mesmo após o encerramento do exercício das funções públicas, desde que os atos delituosos apontados tenham sido praticados no exercício do mandato e em razão do cargo ocupado.

Desse modo, os desdobramentos das apurações de lavagem de dinheiro por meio das plataformas de apostas e do financiamento do longa-metragem permanecerão sob o escrutínio direto dos ministros do STF. Com os passaportes retidos pela Polícia Federal e sob a vigilância ostensiva das autoridades de segurança, o senador derrotado enfrenta um cenário de isolamento político e severo estrangulamento jurídico, sem garantias de fuga ou de contorno às responsabilizações penais que se desenham no horizonte. (Trecho da Forum).


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Com a segunda derrota consecutiva de Bolsonaro, que enterra de vez sua vida política, o ódio deixou de ser cabo eleitoral da direita

Com a segunda derrota consecutiva de Bolsonaro, o projeto político do bolsonarismo enfrenta mais um abalo. A aposta no ódio, na intolerância e na permanente fabricação de inimigos, que por tanto tempo mobilizou eleitores e alimentou a extrema direita, já não garante os resultados de antes.

A política do ressentimento tem limites. O medo pode mobilizar, a mentira pode confundir e o ódio pode incendiar multidões, mas nenhum desses ingredientes substitui indefinidamente um projeto de país. Quando a realidade cobra a conta, o discurso de guerra permanente começa a perder força.

Bolsonaro pode estar chegando ao fim de seu ciclo político, e o bolsonarismo terá de enfrentar uma questão decisiva: o que sobra de um movimento que fez do ódio sua principal bandeira?

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Estudantes que iniciaram onda de atos pró-Lula voltam às ruas: ‘Obstáculo à extrema direita’

“Enquanto existirem estudantes organizados, eles não vão atingir os objetivos deles sem resistência”, diz João Paulo Pimenta

Na noite de segunda-feira, 5 de outubro, quando os brasileiros progressistas ainda estavam perplexos com a vitória de Flávio Bolsonaro no 1º turno das eleições, realizado na véspera, estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), resolveram agir. Alunos de Direito organizaram um ato para mostrar ao candidato do PL e aos congressistas de extrema direita que foram eleitos que pelo menos ali haveria resistência.

“Era para os estudantes de Direito se manifestarem, mostrarem a indignação para quem estava passando na rua, para a gente mostrar que estaríamos ali e continuaríamos independente do resultado”, recorda João Paulo Pimenta, de 22 anos, que cursa o 7º período do curso de Direito e é diretor-executivo do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV). “Quando nós piscamos começou a ter uma adesão enorme dos CAs e DAs da UFF. E no final tinha duas mil pessoas na rua”.

Após o ato em Niterói, as manifestações de estudantes universitários começaram a se multiplicar por todo o país e rapidamente outras categorias e cidadãos comuns se juntaram à massa humana que tomou as ruas de várias cidades.

Esse impulso fundamental para a vitória de 2º turno não se esgotou na eleição. Nesta segunda-feira (26) os estudantes da UFF fazem ato para mostrar ao Congresso de extrema direita que a pauta de supressão de direitos não será algo fácil de levar à frente

“É pra dizer para a extrema direita que nós seremos o obstáculo deles. Que enquanto existir movimento estudantil, enquanto existirem estudantes organizados, eles não vão atingir os objetivos deles sem resistência”, diz Pimenta, que concedeu entrevista ao ICL Notícias:

João Paulo Pimenta Armando, 7º período do curso de Direito da UFF. Estou Diretor Executivo do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV). De camisa branca.

ICL Notícias – Qual a pauta da manifestação de hoje?

João Paulo Pimenta – Nosso objetivo de hoje é reforçar o que a gente fez nos últimos quinze dias de campanha. Quer dizer que os estudantes estiveram presentes na campanha, nós que não desistimos um segundo, que nós estaremos aqui como nós estivemos desde sempre para lutar por uma educação pública e gratuita de qualidade. É pra dizer para a extrema direita que nós seremos o obstáculo deles. Que enquanto existir movimento estudantil, enquanto existirem estudantes organizados, eles não vão atingir os objetivos deles sem resistência. Que nós da Universidade Federal Fluminense, nós da Faculdade de Direito, permanecemos permanecemos vigilantes.

E não é porque o Lula ganhou que nós vamos relaxar. Não, o Lula ganhou. Isso é ótimo. Mas o Congresso continua sob ameaça da extrema direita, sob ameaça do desmonte que eles que fazer no Estado. Então, nós permaneceremos nas ruas, nós permaneceremos nas universidades, dizendo que eles não irão fazer o que eles pretendem fazer sem a nossa resistência.

Por causa das manifestações de rua na campanha do 2º turno, Lula disse que vai repensar sua maneira de governar e vai fazer uma gestão mais próxima ao povo. Como acha que isso pode ser feito?

Eu acho que foi uma fala muito positiva do presidente Lula, porque a percepção de muitas pessoas é de que os governos do PT se afastaram das bases. O que não necessariamente é verdade. Mas me parece ser uma percepção de um número razoável de pessoas Então, é importante que o discurso volte a ser esse. Volte a ser “Nós vamos estar nas ruas”, “Nós vamos estar próximos das bases”. Porque, no final das contas, são as bases que elegem os governos e os mandatos do Partido dos Trabalhadores.

O Lula é uma pessoa que veio da base, então é essencial que esse discurso seja efetivamente transformado em uma prática. E eu acredito, sim, que isso possa ser factível, atendendo de uma maneira mais publicizada e efetiva algumas demandas essenciais da população em geral. A chave é ter mais presença nas redes sociais, divulgando o que o governo faz, escutar as reivindicações da sociedade civil, que não são poucas hoje, muito graças aos governos do Michel Temer e de Jair Bolsonaro.

Que o Lula chame as entidades de representação para Brasília, para conversar, para sentar e ouvir o que essas pessoas querem, pensar como é possível realizar o que essas pessoas quere. Isso é essencial na minha visão.

Vídeo da primeira manifestação na campanha do 2º turno

Vocês esperavam que aquela primeira manifestação em Niterói fosse se tornar o estopim para uma mobilização nacional tão gigantesca?

Não, a gente não esperava. Na verdade, não esperávamos nem que o nosso ato no dia 5 fosse tomar as proporções que tomou. Porque originalmente foi planejado pelo CAEV, que é o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga, da Faculdade de Direito da UFF. Era para os estudantes de Direito se manifestarem, mostrarem a indignação para quem estava passando na rua, para a gente mostrar que estaríamos ali e continuaríamos independente do resultado.

E quando nós piscamos começou a ter uma adesão enorme dos CAs e DAs da UFF. E no final tinha duas mil pessoas na rua. Então, nós jamais poderíamos ter esperado por isso. Muito menos que o nosso ato serviria como fagulha para movimentação que aconteceu no Brasil inteiro. E acho que foi muito porque as pessoas não se acovardaram e saíram às ruas depois de olharem o ato que a gente fez lá. Um ato orgânico dos estudantes indignados com o resultado do primeiro turno e que saíram às ruas em defesa da educação pública, da saúde e da República. Acho que isso é o mais importante.

Nos últimos anos, muita gente repetiu que a juventude estava desmobilizada, despolitizada e desencantada com partidos e eleições. Como se explica o tamanho dessas manifestações.

A minha percepção é que a desmobilização das ruas nos últimos anos é justamente uma consequência do pensamento de que não adiantaria nada, de que era anacrônico, de que a batalha agora era exclusivamente nas redes sociais. Acredito que nesse segundo turno percebeu-se que se nós estávamos perdendo nas redes sociais a gente deveria encontrar um outro meio de mostrar que estávamos ali. E de que estávamos todos defendendo uma mesma bandeira, que não estávamos sozinhos nisso.

Não acho que faltava motivo, não acho que nos últimos anos faltaram pautas para que as pessoas fossem às ruas, mas acho que nunca foi considerado essencial vencer uma eleição como foi considerado nessa. Então, as pessoas foram paras ruas para defender a educação de qualidade, gratuita, a saúde gratuita de qualidade, o republicanismo, o Estado democrático de direito, a plenitude democrática. E acho que tudo isso pesou. Porque todo mundo que saiu às ruas sofreu consequências do governo do Jair Bolsonaro ou temia sofrer consequências do governo do Flávio. Quantas pessoas morreram na pandemia? Quantas pessoas foram privadas de direitos básicos? Acho que as pessoas se deram conta disso e saíram as ruas.

*Chico Alves/ICL


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