Nem os vazamentos contra Lulinha na mídia, nem a blindagem de Flávio Bolsonaro por um ministro do STF, empolgam os bolsonaristas
Há algo de revelador no momento político vivido pelo bolsonarismo: nem mesmo a munição que, em tese, deveria produzir uma explosão eleitoral está conseguindo incendiar sua militância. Os vazamentos envolvendo Lulinha ocupam manchetes, alimentam debates e já foram incorporados à disputa presidencial. Ainda assim, o entusiasmo esperado entre os bolsonaristas parece não aparecer na mesma proporção.
As mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, estão sendo investigadas pela Polícia Federal e pelo STF, e a divulgação do material provocou forte disputa política. A própria defesa questiona a divulgação parcial das conversas e afirma que os fatos precisam ser analisados dentro do devido processo.
O problema para a oposição é que transformar um episódio investigativo em combustível eleitoral exige muito mais do que manchetes. É preciso convencer o eleitor de que existe ali uma alternativa política capaz de representar mudança. E é justamente nesse ponto que a estratégia parece encontrar dificuldades.
Mais sintomático ainda é o caso de Flávio Bolsonaro. Mesmo diante de uma sucessão de episódios que poderiam, em tese, mobilizar sua base, sua candidatura continua enfrentando dificuldades para transformar exposição em entusiasmo. A própria imprensa tem registrado que a campanha enfrenta problemas políticos e que o caso Lulinha, embora possa desgastar Lula, não necessariamente produz uma transferência automática de votos para Flávio.
Isso desmonta uma fantasia recorrente do bolsonarismo: a de que qualquer desgaste de Lula representa automaticamente uma vitória de Flávio Bolsonaro.
Não representa.
O eleitor não é uma planilha em que cada denúncia contra um adversário se converte mecanicamente em um voto para o outro lado. O eleitor compara, desconfia, observa contradições e, sobretudo, pode rejeitar simultaneamente os dois polos quando percebe que a política está sendo reduzida a uma guerra permanente de acusações.
E há outro elemento que merece atenção: a tentativa de transformar o STF em personagem central da campanha. A narrativa de que Flávio estaria sendo “perseguido” ou, ao contrário, “blindado” por setores do Judiciário pode mobilizar a militância mais fiel, mas não necessariamente convence o eleitorado que decide a eleição.
É justamente aí que aparece a fragilidade da estratégia: muita guerra política, muito ruído e pouca capacidade de produzir esperança.
Enquanto os grupos políticos apostam em vazamentos, acusações, escândalos e disputas institucionais, uma parcela do eleitorado parece procurar respostas muito mais concretas: emprego, renda, segurança, saúde, educação, inflação e perspectiva de futuro.
O bolsonarismo pode continuar comemorando cada manchete negativa contra Lula. Pode continuar tratando cada decisão judicial como prova de perseguição ou proteção. Pode continuar tentando transformar Lulinha no centro da eleição. Mas existe uma diferença enorme entre produzir barulho nas redes e produzir entusiasmo eleitoral.
E essa diferença pode ser decisiva.
Se nem os ataques contra Lulinha conseguem incendiar a militância e nem as controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro conseguem consolidar sua candidatura, talvez o problema não esteja na falta de munição. Talvez esteja na falta de projeto, de credibilidade e de capacidade de convencer além da própria bolha.
No fim das contas, uma eleição presidencial não se ganha apenas derrotando o adversário no discurso. Ganha-se convencendo o eleitor de que existe um caminho melhor.
E, até aqui, o bolsonarismo parece ter muitas denúncias para explorar, muitos inimigos para atacar e muito pouco entusiasmo novo para oferecer.
A impressão que se tem é a de que a falta de empolgação dos bolsonaristas com Flavio vai muito além do seu modorrento bate-estaca que não apresenta qualquer projeto para o país.
A blindagem do assunto Dark Horse e o vazamento seletivo contra Lulinha que, até então, não configura crime, parece que criou um grande constrangimento até mesmo oara os bolsonaristas mais fabáticos.
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