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PF e Abin emitem alerta para tentativa de golpe após EUA fecharem embaixada no Brasil

Segundo Revista Fórum, inteligência brasileira monitora possível ação coordenada para gerar clima de medo antes do primeiro turno das eleições

A ordem do governo Donald Trump para suspender o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e os consulados instalados no país por “questões de segurança”, emitida nesta sexta-feira (02/10), gerou um alerta na Polícia Federal (PF) e Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para uma operação psicológica, coordenada pela Casa Branca em conluio com a candidatura Flávio Bolsonaro, que visa uma nova tentativa de golpe de Estado. A informação foi obtida pela Fórum junto à PF e confirmada por um embaixador relevante no governo Lula.

Segundo informações obtidas pela Fórum, após a ordem de fechamento da embaixada por “ameaças”, emitida pelo Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio, informes foram emitidos para o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) – rede que integra os órgãos federais de inteligência e contrainteligência do Brasil – alertando para uma “Psyops”, operação psicológica a partir da Casa Branca para gerar um clima de tensão permanente até o domingo (04/10), no primeiro turno das eleições presidenciais.

“Essa tentativa de golpe não é aquele golpe tradicional. É para intervir e favorecer um candidato. A ideia deles é o favorecimento em detrimento de outro. Ou seja, o objetivo é que o candidato atual que pode vencer, o presidente Lula, seja considerado ‘culpado’ por deixar esse ‘clima violento’. As pessoas vão sentir medo, e no medo ou votam no outro ou não vão votar. Pode-se criar abstenção a ponto de não se ter a quantidade de votos para se ganhar no primeiro turno”, afirmou uma fonte da PF, que participa da produção dos informes que estão sendo enviados ao Sisbin.

ImagemEmbaixada EUA Brasil

@EmbaixadaEUA
Traduzido do inglês
Os Serviços Consulares na Embaixada dos EUA e Consulados nos Estados Unidos no Brasil serão suspensos a partir de hoje, 2 de outubro, devido a preocupações de segurança. Cidadãos dos EUA que busquem assistência emergencial durante este período não devem comparecer à Embaixada, aos Consulados ou a outras instalações diplomáticas dos EUA. Se você precisar de assistência emergencial, entre em contato com o Oficial de Serviço apropriado:

A “guerra híbrida”, que inclui a participação das redes sociais comandadas pelas big techs, segundo o agente, é tratada internamente como Operação Brother Sam II. O nome remete à Operação Tio Sam desencadeada pelos EUA no golpe de 1964, quando o governo estadunidense chegou a deslocar para o litoral braasileiro uma força-tarefa, liderada pelo porta-aviões USS Forrestal, destróieres e navios-tanque, para intervir caso houvesse resistência interna.

“O objetivo claro é criar um clima de medo. Aí, o eleitor pensa: ‘Poxa, embaixada americana, australiana, estão fechando por conta de possíveis atos terroristas’. Desa forma ele age assim: ‘está tenso, será que eu vou sair de casa hoje para votar?’”, explicou o PF à Fórum.

Os informes já teriam sido distribuídos, além da Sisbin, para ministérios e representantes do Itamaraty. Um deles confirmou à Fórum ter recebido informações sobre o alerta desencadeado pelos setores de inteligência.

“Está em curso uma guerra híbrida, ou seja, uma operação psicológica gerando informações desencontradas, dissonantes, pra criar esse clima desfavorável de insegurança ou de que algo pode acontecer”, diz a fonte.

Participação do clã Bolsonaro
Os sistemas de inteligência acreditam que a decisão do governo Trump, emitida por Marco Rubio, de suspender as atividades na embaixada e consulados possam ter sido decididos por meio de interlocução com representantes da campanha de Flávio Bolsonaro, em mais uma investida dos EUA nas eleições na América Latina. Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do candidato, é um dos principais interlocutores e tem acesso ao Departamento de Estado, em Washington.

A informação obtida pela revista é que a campanha de Flávio Bolsonaro deve propagar pânico a partir da decisão que veio dos EUA, inclusive com declarações do próprio candidato a respeito.

“Estamos assistindo ou presenciando um novo golpe de estado. O bode expiatório não é mais o ‘comunismo e a corrupção’, mas o Estado brasileiro censurador e a extensão no Judiciário”, diz a fonte ouvida pela Fórum, sobre a estratégia de “censura” e ataques ao judiciário, ampliada desde a noite desta quinta-feira (1º) com o cancelamento do debate pela TV Globo.

A Fórum obteve parte de um dos informes enviados ao Sisbin que explica detalhadamente a Operação Psicológica monitorada pela inteligência brasileira.

“As OpPsico, em seu planejamento e na sua execução, baseiam-se em princípios que, bem observados, concorrerão para o seu êxito”, enuncia o texto, citando diversos pontos importantes observados no desencadeamento da operação. Entre eles, são citados:

Credibilidade – As Op Psico devem ser baseadas em fatos que levem o público-alvo a acreditar na mensagem, porque a credibilidade é fator primordial do seu sucesso.

Oportunidade – As Op Psico devem ser desencadeadas no momento oportuno, perfeitamente entrosadas no tempo e no espaço.
Progressividade – As ações a realizar devem ser escalonadas no tempo, segundo um ritmo adequado. Cada fase deve ter um ou mais objetivos definidos que contribuam para o sucesso da seguinte.

Unidade de Comando – A direção das Op Psico é centralizada no mais alto escalão, cabendo-lhe orientar e controlar todas as ações, já que decisões e interpretações diferentes podem anular, revelar ou contrariar todo o esforço realizado.

Segundo informações obtidas pela Fórum, o monitoramento de uma possível interferência dos EUA tem sido monitorada há meses pelos agentes de inteligência.

Nesta quinta-feira (1º), uma notícia divulgada pelo jornal britânico The Guardian chamou a atenção. Donald Trump destinou US$ 1 milhão para um grupo de brasileiros para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação coincide com as suspeitas de financiamento externo para minar a credibilidade da Justiça e criar um clima de “censura” no País.

Segundo a reportagem do Guardian, a verba milionária faz parte de um pacote de 176,9 milhões de dólares do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que passou a financiar iniciativas ligadas a pautas conservadoras e de direita em diferentes países.

O programa destinado ao Brasil se chama “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” – em tradução livre, “Combatendo a guerra jurídica e a censura no Brasil”, segundo o jornal britânico.


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Lula e a frase do século: “Bolsonaro transformou um agiota em banqueiro, eu transformei um banqueiro em prisioneiro”

Há frases políticas que passam pelo noticiário. E há frases que condensam, em poucas palavras, uma disputa inteira sobre dois projetos de país. É nessa segunda categoria que se encaixa a declaração atribuída a Lula.

“Bolsonaro transformou um agiota em banqueiro. Eu transformei um banqueiro em prisioneiro.”

A força da frase está justamente no contraste: de um lado, a acusação de que um determinado poder político teria permitido a ascensão e a expansão de interesses privados no sistema financeiro; de outro, a afirmação de que, sob Lula, o Estado passou a agir para investigar e responsabilizar quem estivesse envolvido em irregularidades.

É uma frase construída para marcar uma mudança de postura diante do poder econômico: ninguém deveria estar acima da lei — banqueiro, empresário, político ou quem quer que seja.

Mais do que uma provocação eleitoral, o enunciado coloca no centro uma questão essencial para qualquer democracia: quem controla o dinheiro e quem controla aqueles que controlam o dinheiro?

A frase também funciona porque transforma uma disputa complexa em uma imagem política impossível de ignorar. O banqueiro que antes simbolizaria poder, influência e relações privilegiadas aparece, na narrativa de Lula, submetido ao mesmo princípio que deve valer para qualquer cidadão: a lei.

Mas é justamente aí que está o ponto que não pode ser perdido no barulho político: acusações de crimes e responsabilidades individuais precisam ser estabelecidas por investigação, provas e decisões judiciais, não por slogans. A força de uma democracia está exatamente em fazer com que a Justiça alcance os poderosos sem transformar investigação em espetáculo nem poder econômico em salvo-conduto.

Se a frase de Lula entrou no debate público com a força de um golpe de efeito, é porque ela toca numa ferida antiga: a ideia de que, no Brasil, dinheiro e influência poderiam comprar distância da Justiça.

E essa é a mensagem política que a frase procura deixar: o poder econômico pode ser grande, mas não pode ser maior que o Estado de Direito.


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Brasil Mundo

Eleições: EUA fecham embaixada no Brasil, citam “ameaças”

EUA suspendem atendimento presencial em todas as representações diplomáticas no país a dois dias do primeiro turno; Departamento de Estado fala em “questões de segurança”

A dois dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, os Estados Unidos suspenderam nesta sexta-feira (2) o atendimento presencial na Embaixada em Brasília e nos consulados instalados no país por “questões de segurança”. Washington não explicou o que motivou a medida, mas, ao se pronunciar sobre o caso, o Departamento de Estado citou alertas sobre “ameaças” e afirmou estar trabalhando em conjunto com autoridades brasileiras.

A medida atinge todas as instalações diplomáticas estadunidenses no Brasil. Cidadãos dos EUA que precisem de assistência emergencial foram orientados a não comparecer aos prédios e a procurar o oficial de plantão por telefone ou e-mail.

Até o momento, no entanto, não há qualquer informação oficial que relacione a medida adotada pelos Estados Unidos ao processo eleitoral brasileiro.

Embaixada teria sido alvo de ameaça
Segundo apuração do site Metrópoles, funcionários da Embaixada dos Estados Unidos foram dispensados do trabalho presencial depois que a representação diplomática teria sido alvo de uma ameaça.

O tipo de ameaça não foi divulgado. Os funcionários receberam na quinta-feira (1º) um comunicado por e-mail determinando que trabalhassem de casa nesta sexta.

A decisão, no entanto, acabou tendo alcance maior: o atendimento presencial também foi suspenso nos consulados estadunidenses no Brasil, afetando todas as instalações diplomáticas do país.

Washington não informou a origem da ameaça, sua natureza ou o grau de risco identificado.

EUA citam “ameaças” e dizem atuar com autoridades brasileiras
Questionado sobre o episódio, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou à imprensa que “a administração Trump tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos”.

Na resposta, o governo estadunidense mencionou expressamente “ameaças”.

“As Embaixadas e Consulados dos Estados Unidos no exterior utilizam regularmente o sistema de mensagens STEP, incluindo alertas, para informar os cidadãos americanos sobre ameaças, eventos e mudanças relevantes no contexto local”, afirmou o Departamento de Estado.

O STEP (Smart Traveler Enrollment Program) é o sistema utilizado pelo governo dos EUA para fornecer informações consulares e alertas de segurança a cidadãos estadunidenses que estejam no exterior, segundo a Forum.

O Departamento de Estado acrescentou ainda que mantém contato com o governo brasileiro.

“Estamos trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, declarou.

Washington, entretanto, não informou quais seriam essas “questões de segurança”, que autoridades brasileiras estão envolvidas nas tratativas ou se existe uma ameaça específica contra outras representações diplomáticas além da Embaixada em Brasília.

Suspeita de bomba mobilizou segurança no STF
A suspensão ocorre ainda em meio a outro episódio de segurança registrado em Brasília.

Na quinta-feira, um homem tentou pular as grades em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e lançou uma mochila sobre uma parada de ônibus próxima à Corte. Diante da suspeita de que pudesse haver um explosivo, a Polícia Judicial do Supremo acionou a Polícia Militar do Distrito Federal.

Parte da Esplanada dos Ministérios chegou a ser interditada. Após a deflagração da Operação Petardo, porém, a PMDF descartou a existência de uma bomba: dentro da mochila havia apenas roupas. O homem detido aparentava estar em surto e apresentava falas desconexas.

Não há, até agora, confirmação de qualquer ligação entre o episódio ocorrido nas proximidades do STF e a ameaça relatada contra a Embaixada dos Estados Unidos.

Da mesma forma, não há indicação oficial de que a suspensão do atendimento diplomático esteja relacionada às eleições deste domingo.


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Política

A hipocrisia da mídia, que já espancou a democracia, tenta acabar com ela por asfixia

Há momentos em que a hipocrisia deixa de ser apenas um vício editorial e passa a representar um risco concreto para a própria democracia. Quando veículos que deveriam exercer o papel de fiscalizar o poder escolhem seletivamente o que denunciar, o que esconder e contra quem direcionar seus holofotes, a imprensa deixa de cumprir sua função pública e passa a interferir no debate político.

O problema não está em criticar governos, partidos ou candidatos. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando a régua muda conforme o personagem. Um fato grave que seria manchete contra um adversário desaparece quando envolve um aliado; uma denúncia recebe tratamento explosivo de um lado e silêncio constrangedor do outro; uma polêmica é transformada em escândalo quando interessa e em nota de rodapé quando incomoda.

Essa seletividade corrói a confiança pública. E uma democracia não sobrevive apenas de eleições, ela precisa de informação confiável, pluralidade, transparência e imprensa disposta a confrontar todos os poderes — inclusive aqueles que lhe são próximos.

Mas no Brasil, a grande mídia tem seu lado, sempre o mesmo, contra os pobres, contra os desvalidos. Com isso, manipula as eleições.

A mídia brasileira já cometeu erros históricos que tiveram consequências políticas profundas. Repetir a mesma lógica, agora sob novas embalagens e com novos personagens, significa brincar perigosamente com uma instituição que pertence à sociedade, não aos seus donos, acionistas ou interesses circunstanciais.

Quando a imprensa abandona a coerência para escolher quem merece ser investigado, quem merece ser protegido e quem deve ser destruído, ela não está apenas narrando a disputa política. Está ajudando a moldá-la.

Pior, compara o incomparável. Entre Lula e Flavio Bolsonaro, não há termo de comparação.

E é justamente aí que mora o perigo, uma mídia que já espancou a democracia pode, pela omissão, pela seletividade e pelo duplo padrão, contribuir para algo ainda mais grave — a sua morte por asfixia.


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Entrevista do Lula hoje no Flow Podcast durante o debate presidencial da Globo

O presidente Lula (PT) dará entrevista ao Flow Podcast nesta quinta (1º), às 20:45h, no mesmo horário do debate presidencial promovido pela Globo. O petista já comunicou à emissora que não participará do encontro televisivo, enquanto o podcast confirmou sua presença nas redes sociais.

A decisão repete a estratégia adotada na data do debate da Band, quando Lula concedeu uma entrevista exclusiva à Record. A campanha do presidente tem priorizado aparições em formatos nos quais ele responde a perguntas sem a dinâmica de confronto direto do debate.

Aliados de Lula avaliam que os debates podem desgastar sua imagem porque os adversários concentrariam críticas contra o presidente. Na leitura do grupo, o tempo limitado para respostas dificultaria rebater todos os ataques durante o programa.

Com Lula fora do estúdio da Globo, integrantes da campanha esperam que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se torne o principal alvo dos demais participantes e precise responder aos ataques e questionamentos dos concorrentes.

Lula chegou a considerar comparecer ao programa, mas a tendência de ausência ganhou força entre seus aliados nos últimos dias. O grupo defendia que o presidente poderia ficar isolado diante das investidas dos outros candidatos.

O Flow Podcast anunciou nas redes sociais que receberá Lula no horário reservado ao debate da Globo. A entrevista coloca o presidente em uma plataforma digital de grande alcance, fora da programação tradicional da televisão.

A escolha pelo podcast mantém a campanha de Lula em uma linha já usada no confronto marcado pela Band: substituir o debate por uma entrevista exclusiva em outro veículo de comunicação.


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Mendonça recua sobre Tabet e é derrotado na tentativa de censura ampla sobre posts de Aparecida

André Mendonça teve de recuar no caso do post de Antonio Tabet. Depois de inicialmente defender a retirada da publicação, o ministro mudou seu voto e reconheceu que, diante da ambiguidade do texto, deveria prevalecer a liberdade de expressão.

O recuo não aconteceu no vazio. Durante o julgamento, divergências entre os ministros colocaram em xeque o alcance da decisão original, que havia provocado a retirada de um grande número de publicações relacionadas à polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida.

No fim, o TSE estabeleceu uma distinção importante: uma coisa é atribuir como fato a Flávio Bolsonaro uma proposta concreta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil; outra, bem diferente, é uma manifestação política ou crítica que não faz essa afirmação factual.

Foi justamente nessa segunda categoria que o post de Tabet acabou protegido. Mendonça, que inicialmente havia determinado sua retirada, precisou reajustar o próprio voto para permitir que a publicação voltasse ao ar.

A imagem que fica é politicamente contundente: a tentativa de transformar uma controvérsia eleitoral em uma varredura geral de manifestações sobre Aparecida encontrou limites dentro do próprio tribunal. E, no caso específico de Tabet, Mendonça terminou fazendo exatamente o contrário do que havia determinado inicialmente: recuou.

A liberdade de expressão prevaleceu sobre uma interpretação ampliada da ordem de remoção. E Tabet, pela terceira vez, recolocou o post no ar.


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Existe sim uma corrente no chamado evangelistão trabalhando para tirar de N. Sra. Aparecida o título de Padroeira do Brasil

O ponto que não pode ser ignorado é que existem, dentro de setores do campo evangélico brasileiro, grupos que há anos defendem uma revisão do lugar de Nossa Senhora Aparecida e da tradição católica na identidade religiosa do Brasil.

Isso não é uma discussão teológica abstrata quando passa a ser instrumentalizada politicamente. O problema começa quando uma corrente religiosa tenta transformar sua própria visão de fé em projeto para redefinir símbolos que pertencem à história e à cultura de milhões de brasileiros.

E há um dado político que precisa ser investigado com seriedade: parte expressiva dessas correntes encontrou convergência com o bolsonarismo e com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

O debate, portanto, não é sobre atacar a fé de ninguém. É sobre perguntar, de maneira direta: quem está tentando transformar uma preferência religiosa particular em projeto de Estado e quais interesses políticos estão por trás dessa ofensiva contra um dos maiores símbolos religiosos do Brasil?


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Pau de galinheiro: Como emendas de Flávio Bolsonaro financiaram ONGs fantasmas

Emendas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) financiaram pagamentos a uma entidade classificada pela Receita Federal como “inexistente de fato” e a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de fraude em licitações de equipamentos balísticos. Desde 2020, o parlamentar teve mais de R$ 300 milhões reservados no Orçamento federal para indicações de recursos.

O candidato à Presidência afirmou ao Uol que ele e sua equipe não indicam empresas para receber os valores. “A atuação do gabinete limita-se às atribuições institucionais relacionadas à indicação das emendas”, disse, acrescentando que as contratações cabem aos beneficiários e que eventuais irregularidades devem ser apuradas por órgãos de controle.

Em 2024, o senador destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica de saúde de Mesquita, município do Rio de Janeiro governado pelo PL. Desse total, R$ 666 mil foram pagos em agosto de 2025 ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP).

A Receita Federal enquadrou o IMP em junho de 2026 como “inexistente de fato”. Em documento, o órgão apontou razões que indicariam que a empresa foi constituída para a prática de fraude fiscal, inclusive em benefício de terceiras empresas.

Jorge Miranda, prefeito de Mesquita (RJ) até 2024, ao lado de Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

TCE-RJ apontou suspeitas em contratos do IMP com Mesquita
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro acompanha a atuação do instituto desde 2024. Mesquita firmou contratos que superaram R$ 580 milhões com a entidade entre 2019 e o fim de 2024 para a gestão da saúde pública. Em acórdão de 2025, o tribunal citou ausência de estudos técnicos antes da transferência da gestão e indícios de conluio na concorrência vencida pelo IMP.

O acórdão também registrou que uma pessoa que assinava documentos da entidade havia morrido em 2017. A Prefeitura de Mesquita declarou o instituto inidôneo por dois anos, rescindiu os contratos e aplicou multa de R$ 3 milhões após processo administrativo. A administração municipal informou que encaminhou o caso ao Ministério Público e disse que manteve os serviços temporariamente para evitar interrupção no atendimento à população.

Recursos indicados por Flávio também entraram em convênios do Governo do Rio de Janeiro que pagaram R$ 569 mil à Glágio do Brasil e R$ 1,1 milhão à Inbra-Tecnologia. As empresas foram alvo da Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2023, que apura suspeitas de divisão de contratos públicos de proteção balística e alternância de vitórias em licitações.

Outras destinações do senador também passaram a ser questionadas por órgãos de controle ou investigações jornalísticas. Uma emenda de R$ 4 milhões para projeto esportivo ligado ao Vasco entrou na mira da Controladoria-Geral da União (CGU), enquanto outra, de R$ 200 mil para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, foi discutida por Robson Calixto, o Peixe.

Calixto, conhecido miliciano do Rio de Janeiro, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, em mensagens com uma assessora de Flávio. Em Resende, nove pagamentos à empresa Valle Sul somaram R$ 6,61 milhões para obras no aeroporto municipal.

*DCM


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US$ 1 milhão contra o STF

O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar uma campanha contra o STF, no Brasil. As revelações foram publicadas nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian, que aponta como recursos originalmente destinados pelos EUA para a agenda de direitos humanos no mundo foram redirecionados para pautas de interesse da extrema direita americana.

Segundo a reportagem, um subsídio de US$ 1 milhão, intitulado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que é descrito como excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte do Brasil.

“O governo Trump impôs sanções ao ministro brasileiro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente”, relembrou o artigo.

De acordo com o jornal, um assessor parlamentar democrata afirmou que uma senadora do Comitê de Relações Exteriores, Jeanne Shaheen, havia mantido o bloqueio de dez repasses, totalizando US$ 22 milhões, destinados a projetos no Brasil, na África do Sul e na Nigéria, bem como à promoção de uma ideologia de direita no Reino Unido e na Europa.

Nesta semana, Shaheen mandou uma carta ao governo Trump para denunciar a ingerência na eleição brasileira e cobrar da Casa Branca um reconhecimento do resultado das urnas no país.

Segundo o assessor consultado pelo jornal, o Secretário de Estado Marco Rubio havia assinado pessoalmente um memorando para ignorar os bloqueios da senadora e autorizar o empenho dos recursos.

O dinheiro vem do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, criado para financiar a agenda conservadora de Trump pelo mundo e, segundo seus críticos, atacar qualquer tipo de oposição.

“O maior repasse, no valor de US$ 40 milhões, foi destinado a um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation (VOC) — uma organização sem fins lucrativos anticomunista que, no passado, havia recebido subsídios de valores muito inferiores”, indicou a reportagem.

Um documento de verificação de antecedentes do Departamento de Estado, consultado pelo jornal The Guardian, registra contratos anteriores entre a fundação e o órgão totalizando US$ 96.997 nos últimos cinco anos — todos no ano fiscal de 2022 — e aponta que a entidade passou por uma verificação em 2019 relacionada a ingressos para o evento de gala da fundação.

O documento também identifica Andrew Bremberg — ex-assessor de política interna da Casa Branca durante o governo Trump e ex-embaixador dos EUA junto ao escritório da ONU na Europa — como um “líder sênior” da fundação.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Às vésperas da eleição, nada do surubeiromaster mostrar a planilha da grana do Dark Horse.

Para fazer discurso, posar de vítima e atacar adversários, sobra disposição. Para abrir a caixa-preta do Dark Horse, porém, a transparência desaparece.

A pergunta é elementar: onde está a planilha completa? Quem colocou dinheiro? Quanto colocou? De onde saiu? Para onde foi? Quem recebeu?

Quem exige confiança pública diante de uma candidatura presidencial precisa entender que transparência não se faz com promessa, bravata ou silêncio. Faz-se com documentos.

Porque transparência não é pedir que o eleitor acredite na palavra de candidato. É colocar os documentos na mesa e deixar os números falarem.

E justamente às vésperas da eleição, quando cada explicação deveria ser acompanhada de documentos, o que aparece é silêncio.

Se está tudo explicado, mostre a planilha. Se não há nada a esconder, abra as contas. O eleitor não precisa de mais uma narrativa: precisa de respostas documentadas.


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