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A direita perdeu a eleição porque acreditou nas próprias mentiras

A direita perdeu a eleição para a Presidência da República por inúmeros motivos. Mas o principal deles foi acreditar nas próprias mentiras, a começar pelo candidato.

De tanto fabricar narrativas, distorcer fatos e alimentar uma realidade paralela, acabou prisioneira do próprio discurso. Passou a confundir propaganda com realidade, barulho nas redes sociais com apoio popular e ataques sistemáticos a Lula com capacidade de apresentar alguma alternativa concreta ao país.

Acreditou que bastava demonizar Lula, transformar o PT em inimigo permanente, espalhar desinformação e apostar no desgaste das instituições para conquistar o poder. Imaginou que o eleitorado brasileiro continuaria refém do medo, do ressentimento e do ódio. Não percebeu que a política não se resume ao universo fechado das redes sociais, nem que repetir uma mentira milhares de vezes a transforma em verdade.

O problema da direita foi também a incapacidade de olhar para o Brasil real. Enquanto se dedicava a alimentar guerras ideológicas, esqueceu-se de discutir o país, suas desigualdades, seus desafios e as necessidades concretas da população. Apostou na força dos algoritmos, na proteção de setores da mídia, no poder econômico e na repetição de velhos slogans, como se tudo isso pudesse substituir um projeto nacional.

Foi uma sucessão de erros políticos, mas havia um erro maior por trás de todos eles: a convicção de que sua própria versão dos acontecimentos era a única realidade possível. Cercada por bajuladores, comentaristas que reproduziam suas certezas e militantes incapazes de questionar a própria bolha, a direita perdeu a capacidade de perceber o que acontecia fora dela.

E quando a realidade bateu à porta, não havia narrativa capaz de salvá-la.

A direita não pode culpar apenas seus adversários pelo resultado. Foi derrotada também pela arrogância, pela desconexão com o país e pela incapacidade de distinguir seus desejos dos fatos. Acreditou tanto nas próprias mentiras que deixou de enxergar a realidade. E a realidade, como se viu, não costuma perdoar quem insiste em ignorá-la.

No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.


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Recorde histórico: Desemprego cai a 5,2% e Brasil registra menor taxa para o terceiro trimestre em 14 anos

Dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (30) mostram que o país alcançou 103,6 milhões de trabalhadores ocupados, maior contingente da série histórica iniciada em 2012

A taxa de desocupação para o terceiro trimestre caiu para 5,2%, a menor já registrada para esse período desde 2012. O desemprego era de 5,4% no segundo trimestre deste ano e de 5,6% no terceiro trimestre de 2025.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (30), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população desocupada (5,6 milhões) diminuiu 4% (menos 234 mil pessoas) na comparação com o trimestre de abril a junho (5,9 milhões). Em comparação com igual trimestre do ano anterior (6 milhões), houve queda de 6,9% (menos 417 mil pessoas).

População ocupada
A população ocupada, que totaliza 103,6 milhões de pessoa, foi a maior da série histórica, com alta de 0,6% no trimestre (mais 581 mil) e aumento de 1,2% no ano (mais 1,2 milhão).

O nível da ocupação – percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar – também foi recorde, ao alcançar 59%. Além disso, houve variação de 0,2 pontos percentuais frente ao trimestre anterior (58,8%) e estabilidade em relação a igual trimestre do ano anterior (58,7%).

Informalidade
Segundo a pesquisa, a taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada (ou 38,8 milhões de trabalhadores informais), contra 37,4% (ou 38,6 milhões) no trimestre e 37,8% (ou 38,7 milhões) no ano.

Rendimento
O IBGE informou que o rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.790) ficou estável no trimestre e cresceu 3,6% no ano (mais R$ 131). A massa de rendimento real habitual (R$ 387,5 bilhões) foi a maior da série, com alta de 1,5% no trimestre (mais R$ 5,6 bilhões) e 4,7% no ano (mais R$ 17,5 bilhões). ICL.


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Se o time escala Pablo Marçal como craque da estratégia, não precisa nem esperar o apito final: a derrota já entrou em campo!

É difícil imaginar uma escolha mais desastrosa para quem pretende levar uma disputa política a sério. Pablo Marçal, apresentado como o grande estrategista da campanha de Flavio Bolsonaro, parece ter a capacidade extraordinária de transformar qualquer movimento em um tropeço e qualquer tentativa de articulação em um espetáculo de improviso.

É o tipo de reforço que dispensa a ação dos adversários. Não é preciso marcar, pressionar ou montar uma grande operação para desestabilizar o time. Basta deixar Marçal trabalhar, vide sua candidatura à prefeitura de São Paulo, sequer chegou ao segundo turno.

Quando a estratégia vira um festival de exibicionismo, bravatas e decisões atravessadas, o resultado é uma campanha que passa mais tempo tentando administrar os próprios estragos do que apresentando propostas.

No fim das contas, colocar Pablo Marçal no comando da estratégia é como entregar o mapa a alguém que faz questão de conduzir o time na direção contrária. A oposição agradece, os adversários comemoram e a derrota ganha ares de planejamento.


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Os barões da mídia seguem tratando o Brasil como uma colônia

Os barões da mídia seguem tratando o Brasil como uma colônia, com seus vales e chapadões reduzidos a territórios de exploração e sua população a um imenso amontoado de subalternos, sem voz, sem autonomia e sem direito de decidir os próprios destinos.

É a velha mentalidade colonial que ainda atravessa os salões da grande imprensa: a convicção de que o país deve obedecer aos interesses de uma pequena elite econômica e midiática, enquanto o povo permanece confinado à condição de plateia. Para esses barões, a soberania popular só merece respeito quando confirma os interesses de quem sempre se julgou dono do Brasil, alimentando a ideia dos velhos processos de explorar a terra com plantações de feijão, milho, arroz, café e soja.

Mas o Brasil não é propriedade privada dos barões da mídia, nem o povo nasceu para ser vassalo de seus interesses. O tempo em que meia dúzia de senhores se arrogava o direito de falar em nome de uma nação inteira precisa ficar definitivamente para trás. O Brasil pertence ao seu povo, não aos donos da narrativa!

O Brasil que reelegeu Lula num espetáculo de soberania, que encantou o mundo e que segue sendo ignorado pela mídia nativa, deixou claro que não quer ser ferramenta dos chavões midiáticos, apesar dos berreiros de uma extrema direita forjada pelas próprias redações para desnaturalizar os brasileiros como povo, o mesmo que disse ao mundo como proteger a soberania de um império fascista comandado por Trump.


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Estudantes convocam ato na Paulista no próximo domingo contra ameaças de Flávio Bolsonaro

Secretária-geral da UNE afirma que mobilização de massa vai responder a tentativas de desestabilização democrática

Entidades estudantis e movimentos populares convocaram uma manifestação para o próximo domingo (1º), na avenida Paulista, em São Paulo (SP), em defesa da democracia e em resposta às recentes declarações da oposição da extrema direita puxada pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) após o segundo turno das eleições.

A mobilização busca marcar a presença popular nas ruas e contrapor tentativas de contestação do resultado eleitoral.

“O sentido dessa mobilização permanece vivo na sociedade brasileira. A gente segue mobilizado e organizado para combater qualquer tentativa golpista no nosso país. Não adianta correr para os Estados Unidos nem esbravejar na internet”, disse a secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), Camila Moraes em entrevista ao programa É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.

De acordo com a dirigente, a juventude e os movimentos sociais seguirão organizados para assegurar o respeito às urnas. “Ameaças de Flávio Bolsonaro vão bater de frente com as mobilizações de massa”, destacou Moraes.

“Não pense o Flávio Bolsonaro que ele vai escrever uma carta com um brasão que a gente não usa mais, alterar o texto a depender da repercussão e correr pedindo abrigo para o [presidente dos Estados Unidos] Donald Trump que a gente vai recuar, esmorecer ou temer. As suas ameaças e os seus ataques vão bater de frente com um povo brasileiro mobilizado e organizado”, disse a secretária-geral da UNE.

A dirigente de UNE e ativista do movimento Levante Popular da Juventude destaca ainda que o papel do movimento estudantil foi decisivo para virar votos e garantir a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

Moraes também rejeitou a narrativa de que membros da família Bolsonaro estejam sofrendo perseguição política. Para a ativista, a busca por apoio no exterior e a divulgação de cartas com tom de ameaça visam apenas evitar a responsabilização por atos investigados pela Justiça.

“Não há perseguição a ninguém da família Bolsonaro. A família Bolsonaro é envolvida em muitos crimes e, nos governos progressistas e democráticos, esses crimes são investigados. Eles tentam criar essa narrativa de perseguição política que não existe para não responderem pelos crimes que cometeram”, disse.

A concentração do ato na avenida Paulista está agendada para as 10h do próximo domingo no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), e deve reunir estudantes, centrais sindicais e frentes populares.

*Brasil de Fato


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No próximo domingo será celebrada a missa de 7º dia do bolsonarismo

Vida que segue!

Muita gente, ainda apegada aos votos que o bolsonarismo conseguiu na eleição presidencial, tenta fazer uma espécie de vaquinha política com os esqueletos do movimento, na esperança de herdar alguma coisa de um cadáver que já não tem mais o que oferecer.

O resultado é patético.

O culto ao bolsonarismo, a essa altura, não tem qualquer importância. Sobretudo para aqueles que se apresentam como aliados, mas que, na realidade, estão apenas esperando a oportunidade de ocupar o espaço deixado pelo clã. Tarcísio de Freitas é um exemplo emblemático. Todos sabem que, enquanto mantinha o discurso de lealdade, trabalhava politicamente para o próprio futuro e, no mínimo, não tinha interesse algum em socorrer Flávio Bolsonaro em São Paulo.

O restante é o espetáculo deprimente de uma extrema direita que começa a devorar a si mesma. Malafaia, percebendo que não herdará o espólio político do bolsonarismo, já resolveu chamar os filhos do antigo chefe de jumentos, imprestáveis, despreparados e tudo aquilo que antes parecia inconveniente dizer em público.

É a família política se desmanchando diante dos próprios olhos, enquanto os supostos aliados disputam os pedaços do que sobrou.

O fato é que o último ato da candidatura de Flávio Bolsonaro, que já não consegue mobilizar sequer a própria extrema direita como antes, está marcado para domingo. Será o momento de colocar a última pá de cal sobre o projeto político do clã Bolsonaro.

A partir de segunda-feira, muda o jogo. Os oportunistas deixam de olhar para o passado e começam a disputar o futuro. Tarcísio, governadores, caciques do Centrão e os antigos devotos do bolsonarismo já estão de olho em 2030.

Afinal, para essa gente, nunca foi uma questão de fidelidade, princípios ou projeto de país. Foi sempre uma questão de poder.

Domingo, a missa de sétimo dia. Na segunda, começa a disputa pelo espólio. E 2030 é logo ali!


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Laudo da defesa de Vorcaro aponta 999 arquivos modificados, o que pode beneficiar Moraes no STF

Perícia identifica registros de alterações posteriores à apreensão do celular; eventual anulação de provas dependerá de avaliação judicial

Um laudo contratado pela defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apontou registros de modificação em 999 arquivos de seu celular após a apreensão do aparelho. As inconsistências identificadas pela análise podem fundamentar questionamentos sobre a validade das provas utilizadas nas investigações e, eventualmente, beneficiar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O documento também identificou 657 arquivos com registros de modificação em 18 de novembro de 2025, data da prisão de Vorcaro, além de 94 imagens com registros de criação posteriores à apreensão. Apesar dos resultados, a perícia não conseguiu comprovar adulteração deliberada do conteúdo nem determinar a origem das alterações.

A principal limitação da análise está no material disponibilizado aos advogados. O exame foi realizado sobre um arquivo no formato UFDR, contendo informações previamente extraídas, processadas e organizadas pela Polícia Federal (PF). A defesa não recebeu os dados brutos do aparelho, o que impede comparar diretamente o material analisado com os registros originais.

Essa circunstância dificulta a identificação de eventuais mudanças ocorridas entre a extração dos dados e sua disponibilização para análise. Sem essa comparação, não é possível estabelecer se as diferenças encontradas resultaram de procedimentos técnicos, de alterações em arquivos ou de alguma intervenção externa.

“A ausência de elementos que permitam atribuir essas alterações a uma intervenção humana não autoriza, por consequência, classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas”, afirma o documento.

A defesa de Vorcaro pretende obter acesso aos dados originais para aprofundar a verificação. A discussão envolve a integridade das evidências digitais e a possibilidade de demonstrar que o conteúdo apresentado aos investigadores corresponde ao material efetivamente armazenado no dispositivo apreendido.

Possíveis consequências para Alexandre de Moraes
A controvérsia pode alcançar elementos utilizados para investigar a relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo informações atribuídas à Polícia Federal, o ministro teria recebido pelo menos 52 mensagens do ex-banqueiro.

As comunicações teriam ocorrido por meio de um procedimento específico: Vorcaro escrevia mensagens no aplicativo Notas do iPhone, produzia capturas de tela e encaminhava as imagens pelo WhatsApp, utilizando o recurso de visualização única.

De acordo com os elementos da investigação, as imagens permaneceram armazenadas no aparelho de Vorcaro, permitindo que os investigadores recuperassem parte do conteúdo atribuído às conversas. As respostas do ministro também teriam sido transmitidas por imagens de visualização única.

Moraes nega ter participado das trocas de mensagens divulgadas e classificou os conteúdos como “diálogos fantasiosos”.

A identificação de 94 imagens no formato HEIC com datas de criação posteriores à apreensão do celular poderá alimentar os questionamentos sobre a autenticidade do material digital. Entretanto, o laudo não demonstra que essas imagens correspondam às mensagens atribuídas a Moraes, tampouco comprova que tenham sido produzidas ou inseridas indevidamente depois da apreensão.

O ministro também enfrenta questionamentos relacionados aos vínculos profissionais de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.

O escritório de Viviane mantinha um contrato de até R$ 131 milhões com a instituição financeira e outro acordo, de R$ 50 milhões, relacionado ao uso de aeronaves.

O caso levou a relação entre Moraes e Vorcaro ao escrutínio público. O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no STF, apresentou um pedido de investigação envolvendo Moraes.

A eventual invalidação das provas extraídas do celular poderia atingir elementos usados para sustentar suspeitas relacionadas ao ministro. Essa possibilidade, contudo, depende de comprovação de irregularidades relevantes e de uma decisão judicial.

Quando provas digitais podem ser anuladas
A legislação brasileira estabelece limites para a utilização de provas obtidas ilegalmente. O artigo 157 do Código de Processo Penal determina que evidências produzidas em violação às normas constitucionais ou legais não podem ser admitidas no processo.

O dispositivo também alcança provas derivadas de elementos ilícitos, princípio conhecido como teoria dos frutos da árvore envenenada. A regra impede que informações obtidas de maneira irregular sejam utilizadas como fundamento para a produção de novas evidências.

A aplicação desse entendimento, entretanto, não é automática. A legislação prevê exceções, inclusive quando não existe relação causal entre a prova ilícita e a evidência posteriormente obtida ou quando esta poderia ser alcançada por uma fonte independente.

No caso do celular de Vorcaro, a análise contratada pela defesa ainda não comprova que os dados tenham sido manipulados. Segundo o 247, a identificação de registros temporais posteriores à apreensão constitui um elemento a ser esclarecido, mas não é suficiente, isoladamente, para determinar a nulidade das provas.

A avaliação judicial deverá considerar a integridade dos arquivos, a documentação dos procedimentos de coleta e processamento e a possibilidade de verificar a origem das informações utilizadas pelos investigadores.

A defesa busca justamente o acesso ao material original para examinar essas questões. Caso sejam identificadas irregularidades capazes de comprometer a confiabilidade ou a legalidade das evidências, os advogados poderão sustentar pedidos de invalidação.

Até a divulgação das informações, a Polícia Federal não havia apresentado esclarecimentos sobre a existência de arquivos com registros de criação ou modificação posteriores à apreensão do celular.


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Embaixada dos EUA contraria Trump e chama vitória de Lula de “definitiva”

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de domingo (25). O relatório diplomático, enviado ao Departamento de Estado na segunda-feira (26), contrasta com as críticas do presidente Donald Trump ao processo eleitoral brasileiro. Com informações da Folha de S. Paulo.

O documento afirma que observadores internacionais não apresentaram dúvidas sobre o resultado e registra que Lula superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos. A representação americana descreveu a votação como majoritariamente pacífica, apesar de problemas de transporte e acesso a seções eleitorais em regiões do Nordeste e do Sul.

A embaixada também abordou a extensão do horário de votação por duas horas, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, após dificuldades relatadas no dia do pleito. A medida se tornou o principal argumento de Flávio para contestar a derrota.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicaram que apenas 34 mil votos foram computados depois das 17h, incluídos os eleitores que já aguardavam na fila. O total equivale a aproximadamente 0,03% dos votos e não teria capacidade de alterar o resultado, segundo o relatório.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a ampliação do horário não exerceu influência significativa sobre a vitória de Lula. De acordo com o DCM, o relatório acrescenta que as duas campanhas haviam pedido ao tribunal uma solução diante dos obstáculos enfrentados por eleitores.

As missões internacionais consideraram mal administrada a comunicação sobre a mudança de horário, porque algumas seções não receberam a determinação a tempo. Ainda assim, os observadores da Organização dos Estados Americanos disseram não ter “nenhuma dúvida sobre os resultados” e avaliaram que a eleição ocorreu de forma organizada.

Após a apuração, Lula discursou em São Paulo, prometeu governar para todos os brasileiros e agradeceu a mobilização de idosos e jovens. O documento registra que lideranças conservadoras reconheceram publicamente a vitória do petista, enquanto integrantes do PL demonstraram reservadamente preocupação com uma possível crise política causada pela contestação de Flávio.

Trump voltou a atacar a eleição nesta quinta-feira (29), embora tenha dito que pretende conversar com Lula. “Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha”, afirmou. Até então, o governo americano não havia enviado uma mensagem formal de congratulações, e o Departamento de Estado confirmou a concessão de vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares, após o senador chegar a Miami na quarta-feira (28).


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Vídeo – “Covarde”: da janela de seu apartamento na Barra, RJ, médico detona fuga de Flávio e tem luz cortada

O médico Marcelo Messender, de 48 anos, teve a energia do andar cortada pela administração de seu condomínio após discursar contra a fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo a Folha de S.Paulo. Morador da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ele usou uma bateria de lítio para manter o microfone e a caixa de som funcionando e continuar as críticas ao senador.

A manifestação ocorreu na noite de terça-feira (27), quando circulavam notícias sobre a saída do candidato derrotado do Brasil. Da cobertura onde mora, o oftalmologista chamou Flávio de “covarde” e “pusilânime”. Também criticou Jair Bolsonaro pela condução da pandemia de Covid-19.

O discurso provocou aplausos e reações hostis. De acordo com a reportagem, um morador o ameaçou por mensagem e um grupo tentou entrar no condomínio. A Polícia Militar foi acionada, mas os agentes não entraram no prédio. A Folha procurou a administração por telefone e não obteve resposta.

Mesmo após o corte de energia, Messender continuou com o equipamento alimentado pela bateria e encerrou a manifestação às 21h59. Ao dar boa-noite aos vizinhos, disse que respeitaria o horário de silêncio. A nutricionista e jornalista Karine Barbosa, que mora em outro edifício, gravou as cenas. DCM.

Veja:

“Posso ter incomodado, passado um pouco. Mas todo mundo estava muito mais incomodado com a ideia de vivenciar uma ditadura. Flávio nunca foi uma pessoa democrática”, afirmou o médico à Folha. Ele disse que sua oposição à família Bolsonaro se aprofundou durante a pandemia, quando trabalhou na linha de frente em hospitais do Rio e de São Paulo.

Messender também havia se manifestado no sábado (24), véspera do segundo turno, quando tocou jingles de Lula e músicas de provocação a Flávio. Pelos dois episódios, recebeu duas multas de R$ 400. “Vou pagar sem problemas, estou tratando como uma taxa pelo direito de exercer a individualidade”, declarou.

A crítica à fuga foi acompanhada de uma cobrança sobre a palavra do senador. “Ele disse que não sairia do país e foi embora. É atitude de uma pessoa que não poderia concorrer ao cargo de presidente”, disse Messender. Flávio desembarcou em Miami com a família na quarta-feira (28), após deixar o Brasil sem entregar os passaportes exigidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.


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