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Guaidó brasileiro: Flávio Bolsonaro se autoproclama presidente dos “Estados Unidos do Brazil”

O senador Flávio Bolsonaro (PL) se autoproclamou nesta quarta-feira presidente eleito do “Estados Unidos do Brazil”, apesar de ter perdido a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma declaração divulgada nos Estados Unidos, ele alegou sem apresentar provas que houve “fraude eleitoral” no processo brasileiro.

Flávio afirmou dirigir-se “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O texto substituiu uma entrevista coletiva que ele concederia na manhã de quinta-feira, em Miami.

O candidato derrotado recebeu mais de 59 milhões de votos no último domingo. Depois do resultado, deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos, onde divulgou a manifestação, segundo o DCM.

Na declaração, o senador agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei. Flávio disse que os dois colaboraram com a operação que permitiu sua saída do país incógnito.

O senador não apresentou evidências de que a decisão tenha alterado o resultado da disputa. A extensão do horário buscou assegurar que eleitores afetados pelos problemas de transporte pudessem votar.

Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, divulgou a declaração à imprensa. O texto passou a circular antes da coletiva inicialmente prevista para Miami.

Na manifestação, Flávio Bolsonaro também se comparou a Rui Barbosa, político e diplomata brasileiro que viveu entre 1849 e 1923, e ao general Charles de Gaulle, ex-presidente da França.

É para gargalhar.

Confira a íntegra do documento e ria à vontade:

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno.

Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.

Flavio Bolsonaro


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Política

Fuga de Flávio com cidadania italiana provoca pedido de investigação na Itália

Saída do senador do Brasil repercute entre parlamentares italianos e amplia questionamentos sobre possível favorecimento aos filhos de Bolsonaro

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil provocou reação política na Itália e levou o deputado Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda, a cobrar uma investigação sobre possíveis privilégios na concessão da cidadania italiana ao senador e a seus irmãos Eduardo e Carlos. Nesta quarta-feira (28), o parlamentar acionou os ministros das Relações Exteriores e do Interior para esclarecer se os filhos de Jair Bolsonaro furaram a fila de espera pelo documento europeu. A iniciativa ocorre após Flávio deixar a Argentina em um avião privado cujo manifesto de passageiros o identifica como cidadão italiano.

A movimentação do senador levou para o debate político italiano uma questão que já vinha sendo levantada por Bonelli: como três integrantes da família Bolsonaro conseguiram obter a cidadania em poucos anos, enquanto milhares de brasileiros descendentes de italianos enfrentavam esperas superiores a uma década?

O manifesto de passageiros obtido pelo ICL Notícias registra Flávio com a nacionalidade “ITA” e um número de passaporte. A aeronave, operada pela empresa argentina Baires Fly S.A., partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, com destino declarado a Guayaquil, no Equador. A lista também inclui a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e suas duas filhas, identificadas como brasileiras.

O documento demonstra que Flávio foi registrado como cidadão italiano na viagem, embora não permita confirmar, isoladamente, qual passaporte ele apresentou às autoridades migratórias.

Filhos de Bolsonaro conseguiram cidadania enquanto milhares aguardavam na fila
Na interpelação apresentada nesta quarta-feira, Bonelli recupera informações fornecidas pelo próprio governo italiano em respostas anteriores ao Parlamento.

Flávio e Eduardo solicitaram a inclusão na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília em 2020. Em 2023, ambos já haviam obtido a cidadania. Carlos concluiu o procedimento em 2024, mas o governo italiano nunca informou quando ele apresentou sua solicitação.

A rapidez dos processos é o centro do questionamento.

Segundo a interpelação, a embaixada italiana em Brasília suspendeu as convocações para reconhecimento da cidadania em agosto de 2018, embora continuasse recebendo inscrições. Em novembro de 2022, ainda estavam sendo chamados requerentes cadastrados quatro anos antes.

Naquele mesmo mês, Flávio e Eduardo compareceram pessoalmente à embaixada para cobrar o andamento de seus pedidos. O encontro ocorreu em 8 de novembro, apenas nove dias depois da derrota eleitoral de Jair Bolsonaro.

Bonelli quer saber se a visita teve alguma influência na tramitação e se os irmãos receberam atendimento prioritário.

“É necessário verificar se os filhos do ex-presidente Bolsonaro foram convocados respeitando a ordem cronológica da lista de espera ou se receberam tratamento preferencial em relação aos demais requerentes”, afirma a interpelação.

O deputado lembra que, já em 2018, havia mais de 112 mil solicitações de cidadania pendentes no Brasil. Em diversas repartições consulares, os requerentes enfrentavam esperas superiores a dez anos.

O documento exige que o governo informe as datas exatas de inscrição, convocação, entrega dos documentos e reconhecimento da cidadania dos três irmãos. Também solicita a identificação de quantas pessoas inscritas anteriormente continuavam aguardando atendimento quando os filhos de Bolsonaro foram convocados.

Em outro trecho, Bonelli questiona se houve “convocação prioritária ou em desrespeito à ordem cronológica” e, caso isso tenha ocorrido, quem autorizou o procedimento e com base em qual regra.

Deputado italiano Angelo Bonelli

Fuga e investigações brasileiras entram no debate italiano
A preocupação manifestada por Bonelli não se limita à eventual quebra da ordem de atendimento consular. O deputado também relaciona a concessão da cidadania à situação judicial de Flávio Bolsonaro e ao risco de utilização de documentos europeus para escapar de investigações no Brasil.

A interpelação menciona dois inquéritos sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. O primeiro, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento associadas ao advogado Willer Tomaz.

O segundo, sob relatoria do ministro André Mendonça, envolve suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Bonelli também recupera a antiga acusação contra Flávio por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro no caso dos assessores de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O processo foi interrompido após o Superior Tribunal de Justiça anular provas da investigação, sem julgamento do mérito das acusações.

O parlamentar cita ainda o episódio envolvendo a ex-deputada Carla Zambelli, que deixou o Brasil após condenação judicial e invocou sua cidadania italiana.

“A Itália não pode se tornar um refúgio para aqueles que devem responder à Justiça de seu próprio país”, afirmou Bonelli.

A declaração sintetiza a preocupação do deputado com as consequências internacionais da situação judicial de integrantes do bolsonarismo. A cidadania italiana assegura direitos de residência e circulação na União Europeia, mas não impede, por si só, medidas de cooperação judicial ou processos de extradição.

Deputado cobra fiscalização e critica tratamento dado aos Bolsonaro
Bonelli também questiona o contraste entre a rapidez da concessão da cidadania aos filhos do ex-presidente e as restrições adotadas pelo governo italiano em março de 2025.

As mudanças limitaram o reconhecimento da cidadania por descendência e afetaram brasileiros que aguardavam havia anos pelo andamento dos pedidos.

“Há, então, uma hipocrisia insuportável”, declarou o deputado. “Com o decreto de março de 2025, o governo italiano fechou a porta da cidadania para milhares de descendentes de italianos que estavam na fila há anos.”

Bonelli também criticou as relações políticas do bolsonarismo com integrantes da Liga, partido da direita italiana. A interpelação, porém, não apresenta provas de que representantes da legenda tenham interferido na tramitação dos processos.

Além de exigir explicações sobre a fila, o parlamentar solicita que os ministros avaliem a abertura de uma fiscalização administrativa para verificar a regularidade dos procedimentos adotados pela embaixada em Brasília.

O documento pede expressamente uma “verificação de inspeção sobre a regularidade dos procedimentos adotados para os filhos do ex-presidente Bolsonaro, como garantia da igualdade de tratamento entre todos os requerentes”.

A iniciativa não significa que uma investigação já tenha sido instaurada. Até o momento, também não há comprovação de que Flávio, Eduardo ou Carlos tenham recebido tratamento privilegiado.

O governo italiano deverá esclarecer se houve alguma exceção às regras consulares, quem eventualmente a autorizou e por que os três irmãos conseguiram concluir seus processos enquanto outros descendentes de italianos permaneciam na fila.

“A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos”, concluiu Bonelli.

*Cleber Lourenço e Jamil Chade/ICL


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Flavio não fugiu de uma ditadura, mas de uma democracia

Há uma diferença fundamental entre fugir de uma ditadura, onde os direitos são esmagados, e deixar um país governado por instituições democráticas, onde a lei e a Justiça devem valer para todos. A democracia não é uma ameaça a quem respeita suas regras; é justamente o sistema que garante direitos, liberdades e o devido processo legal. Ambos fugiram da justiça, já que cometeram diversos crimes.

A pergunta que fica é inevitável: se alguém se apresenta como defensor da liberdade, por que trataria a democracia como um lugar do qual é preciso escapar?

Democracia não é salvo-conduto para ninguém, tampouco instrumento de perseguição. É o compromisso de que ninguém está acima da lei e de que divergências políticas devem ser resolvidas dentro das instituições, não pela intimidação, pela ruptura ou pela fuga das responsabilidades.

Quem defende a democracia precisa demonstrar isso na prática — sobretudo quando as regras deixam de lhe ser convenientes.

Que fique claro, nem Eduardo, muito menos Flavio Bolsonaro fugiram de uma ditadura, mas de uma democracia plena, tanto que os dois mantiveram seus mandatos como deputado e senador.

Flavio disputou com Lula a Presidência da República, vernceu no primeiro turno e perdeu no segundo, democraticamente. Portanto, são dois fugitivos da justiça brasileira e traidores da pátria.


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Política

Tinha uma pedra no meio do caminho: Banqueiros que apostaram em Flávio Bolsonaro perderam US$ 15 bi com vitória de Lula

André Esteves, do BTG Pactual, teve a maior perda individual, de US$ 4,4 bilhões, segundo índice de riqueza da Bloomberg

s dez brasileiros que figuram entre as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam, juntos, cerca de US$ 15 bilhões nesta segunda-feira (26), após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O resultado provocou uma queda acentuada nos mercados financeiros brasileiros e levou à interrupção temporária das negociações na bolsa, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

De acordo com o levantamento, foi a maior perda diária acumulada pelo grupo desde a criação do índice, em 2012. As quedas foram registradas até o meio-dia em Nova York, em meio à reação dos investidores à reeleição de Lula, que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

A reação negativa dos mercados foi associada à expectativa de que o novo governo adote uma política fiscal menos restritiva, o que poderia limitar o espaço para cortes nas taxas de juros. A desvalorização dos ativos também atingiu diretamente as fortunas de empresários com participações relevantes em instituições financeiras.

André Esteves lidera perdas
O fundador do BTG Pactual, André Esteves, de 58 anos, registrou a maior perda individual entre os empresários citados. Segundo o índice da Bloomberg, sua fortuna diminuiu US$ 4,4 bilhões, cerca de 30%, passando a ser estimada em US$ 11,3 bilhões.

Esteves havia participado de um encontro com Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral. O resultado das urnas provocou uma reavaliação dos ativos financeiros, com impacto sobre o patrimônio do banqueiro.

David Vélez, controlador da Nu Holdings, empresa responsável pelo Nubank, perdeu aproximadamente US$ 2,6 bilhões. O empresário colombiano, de 45 anos, tem parte expressiva de seus negócios vinculada ao mercado brasileiro, onde o banco digital concentra a maior parte de suas operações.

Já Pedro Moreira Salles, de 67 anos, e Fernando Moreira Salles, de 80, acionistas do Itaú Unibanco, tiveram perdas conjuntas estimadas em US$ 2 bilhões.

Somados, os patrimônios dos quatro empresários do setor bancário são avaliados em aproximadamente US$ 45 bilhões. Segundo os dados da Bloomberg, cerca de 18% desse montante foi perdido em valor de mercado em um único dia.

Família Moreira Salles tem posições políticas distintas
A família Moreira Salles, considerada a mais rica do Brasil, reúne quatro irmãos. Pedro e Fernando mantêm participações no Itaú Unibanco, enquanto João e Walter venderam suas ações no banco em 2022.

João Moreira Salles, fundador da revista Piauí, manifestou apoio a Lula durante a campanha eleitoral. Em um artigo publicado na revista, criticou empresários que participaram de um jantar com Flávio Bolsonaro, entre eles André Esteves.

Walter Moreira Salles, cineasta premiado internacionalmente, também fez críticas ao senador. Os investimentos dos dois irmãos estão concentrados, entre outros negócios, em uma mineradora de capital fechado e na Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas.

Apesar de suas posições políticas favoráveis a Lula, João e Walter também foram afetados pela queda dos mercados. Até o meio-dia em Nova York, as perdas conjuntas de suas fortunas eram estimadas em US$ 1,2 bilhão.

Mercado reage ao resultado eleitoral
Além de atingir o patrimônio dos bilionários, a reação dos mercados incluiu forte desvalorização do real. A moeda brasileira chegou a registrar queda de aproximadamente 8%, segundo os dados citados no levantamento.

Uma desvalorização dessa magnitude tende a encarecer produtos importados e insumos cotados em moeda estrangeira, o que pode pressionar os preços internos e dificultar o controle da inflação.

A extensão dos efeitos econômicos dependerá, entre outros fatores, das decisões fiscais e monetárias do próximo governo e da reação dos investidores nos próximos dias. De acordo com a Forum, as perdas registradas no índice de bilionários refletem a desvalorização dos ativos e não significam necessariamente que os empresários tenham realizado essas perdas com a venda de suas participações.


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Política

Governo Trump endossou fuga e sinalizou asilo a Flávio Bolsonaro, dizem aliados

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmaram à CNN Brasil que o governo de Donald Trump endossou a saída dele do Brasil e sinalizou a possibilidade de concessão de asilo político nos Estados Unidos.

O senador, que disputou a Presidência e perdeu a eleição, deve desembarcar na Flórida nesta terça (27). Aliados também confirmaram que ele deixou o país acompanhado da família.

A expectativa do grupo é que a mulher e as filhas de Flávio Bolsonaro também recebam o benefício migratório caso o pedido de asilo avance junto às autoridades americanas.

O relato sobre o apoio do governo Trump partiu de pessoas próximas ao senador. Não há detalhes públicos sobre o estágio de um eventual processo de asilo nos Estados Unidos.

Retenção de passaportes e alerta às autoridades argentinas
Flávio decidiu deixar o Brasil diante do temor de uma prisão, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retenção de seus passaportes.

A medida de Moraes atingiu os documentos de viagem do senador em meio ao risco de que ele deixasse o território brasileiro. Mais cedo, o governo brasileiro acionou autoridades da Argentina sobre a possibilidade de fuga de Flávio para fora do país.

O alerta às autoridades argentinas ocorreu antes da chegada esperada do senador à Flórida e se relacionou ao risco de ele cruzar fronteiras para escapar das restrições impostas pela Justiça. DCM.


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M.

 

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Brasil Mundo

Governo Lula não acredita que Trump extraditará Flávio e quer ‘relação pragmática’

Planalto vê reeleição como derrota para estratégia dos EUA na América Latina

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva chama a declaração de Donald Trump colocando dúvidas sobre o resultado no Brasil como “choro de perdedor” e aponta que a virada do petista é uma derrota para a estratégia dos EUA de controle e influência na América Latina.

A esperança do Palácio do Planalto é a de criar uma “relação pragmática” com a Casa Branca e espera que mesmo a fuga de Flávio Bolsonaro não seja um obstáculo nessa estratégia.

O governo considera que a família Bolsonaro já está “entrincheirada” nos EUA e que um pedido de extradição do senador sequer será aceito, como tantos outros casos.

Mas, ainda assim, o governo espera construir uma relação que vá além do grupo bolsonarista.

Governo considera que conseguiu anular uma ação mais explícita de Trump na eleição e que a blindagem do processo democrático nacional criou um constrangimento para que ele fizesse qualquer tipo de declaração mais enfática.

O caminho dos EUA foi, na avaliação de Brasília, o uso da influência das redes sociais, como a Meta.

Na segunda-feira, depois que Trump colocou em dúvida o resultado eleitoral no país, o Palácio do Planalto avaliou se deveria responder oficialmente ou não. A decisão foi a de ficar em silêncio para não alimentar a tese de conspiração. O governo apenas vai responder se Trump insistir em repetir a desinformação de uma suposta fraude e indica que irá usar os relatórios do Carter Center e da OEA para desmontar a narrativa da extrema direita. Em ambos os informes, a eleição no Brasil foi amplamente elogiada.

O Palácio do Planalto, ainda assim, admite que o grande desafio para os próximos anos é o de construir uma relação “pragmática” com o governo de Donald Trump. Mas a aposta é de que Lula sai fortalecido nas urnas em, ao mesmo tempo, o americano pode ser enfraquecido por derrotas nas eleições Legislativas em novembro.

A correlação de forças, assim, seria modificada. Há ainda uma sinalização que a ala mais ideológica dentro do governo dos EUA, liderada por Marco Rubio, tenha sido enfraquecida com a vitória de Lula e que os grupos que querem trabalhar com o Brasil podem ganhar espaço.

O primeiro passo será retomar a negociação de um acordo comercial, tentando superar meses de crise diplomática. O governo espera que o Escritório de Comércio da Casa Branca (USTR) devolva a ideia da criação de um cronograma para solucionar as tarifas ainda pendentes entre os dois países.

Outro passo será a retomada do processo de autorização para que o embaixador de Trump possa assumir o cargo em Brasília. Mas o Brasil já indicou que vai tratar o nome escolhido pela Casa Branca – Daniel Perez – da mesma forma que a embaixadora do país em Washington, Maria Luiza Viotti, vem recebendo.

O que vai prevalecer é a reciprocidade e o Brasil não pode dar melhor tratamento ao americano que o status de Viotti em Washington.

Nos últimos meses, a diplomata teve seu visto modificado. Se ela sair dos EUA, não pode retornar, sem pedir uma nova autorização.

Segurança e vizinhos
De uma forma mais geral, o governo vê a blindagem da eleição como uma vitória também da política externa brasileira.

Um destaque foi a rápida reação de governos de extrema direita, como o Chile, e aliados de Trump, como Peru, Equador e Paraguai, nas parabenizações ao presidente Lula.

Observadores apontam que isso não ocorreu por acaso. O Brasil tentou reconstruir a relação com cada um desses governos, inclusive enviado emissários para suas respectivas posses.

Os gestos foram, segundo observadores, “medidas dissuasivas”, justamente pensando em uma reciprocidade. O objetivo do governo era o de impedir que a família Bolsonaro e a extrema direita criassem uma “cinturão de isolamento” ao Brasil.

Agora, com vários países, Lula tentará restabelecer uma agenda de cooperação, inclusive no setor de segurança.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Flavio fugiu? PF apura se Flávio fugiu do Brasil; na casa do senador, ninguém atende interfone

Site argentino diz que senador teria cruzado a fronteira por terra para embarcar em jato rumo aos EUA

A Polícia Federal verifica desde a madrugada desta terça-feira (27) se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, menos de 24 horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibi-lo de sair do país e mandar recolher seus passaportes. O ICL Notícias esteve em sua casa em Brasília na manhã desta terça-feira (27) e ninguém atendeu o interfone na mansão de Flávio.

A verificação começou depois que o portal argentino Infobae publicou, por volta das 2h (horário de Brasília), que Flávio “teria saído” do Brasil. O texto utiliza fontes sem identificação. Segundo o portal, o senador cruzou a fronteira com a carteira de identidade e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, num jato particular com destino aos Estados Unidos. A decolagem estaria prevista para as 2h, horário local.

A aeronave citada é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, registrado desde 2020 em nome da empresa argentina Baires Fly S.A. De acordo com a Infobae, a empresa pediu trâmites de aduana e migração para quatro passageiros e três tripulantes. A reportagem não diz quem seriam os passageiros. Registros públicos de rastreamento mostram que o jato voou de Buenos Aires a Puerto Iguazú, mas não registram decolagem para os EUA.

A PF não encontrou registro de passagem do senador pela fronteira regular com a Argentina. A PF também acionou autoridades argentinas.


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Lula bate próprio recorde e se torna o presidente mais votado da história

A marca anterior pertencia ao próprio presidente, quando recebeu 60,3 milhões votos nas eleições de segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), em 2022

Reeleito neste domingo (25) para seu quarto mandato com 64,25 milhões de votos (51,79%), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) supera as suas próprias marcas e se consagra como o presidente mais votado da história da República brasileira.

A marca histórica anterior pertencia ao próprio Lula, quando recebeu 60,34 milhões votos nas eleições de segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), em 2022.

Em relação a essa última eleição, o presidente recebeu mais de 3,9 milhões de votos diante da expansão do eleitorado brasileiro, que subiu de 156,4 milhões para 158 milhões de eleitores aptos a votar em 2026.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 56,10 milhões votos (47,03%) contra 53,87 milhões de votos (45,16%) de Lula.

Na votação final, o presidente somou mais de 10,3 milhões de votos adicionais, o que reverteu a vantagem do adversário.

Também foi a primeira vez, desde a instituição do sistema de dois turnos (1989), que um candidato que terminou o turno em segundo lugar conquistou a Presidência.

Na comparação entre as duas eleições, o presidente também dobrou sua margem de vitória.

Em 2022, venceu Bolsonaro por diferença de 2,13 milhões de votos (1,8 ponto percentual), ao passo que, em 2026, a diferença sobre o filho 01 do ex-presidente superou os 4,5 milhões de votos (3,5 pontos percentuais).

Em termos percentuais, o maior desempenho de Lula permanece sendo o de 2002 (61,27% contra José Serra) e o de 2006 (60,83% contra Geraldo Alckmin, seu atual vice).

Lista das votações presidenciais:

2026 — Lula (PT): 64,2 milhões de votos
2022 — Lula (PT): 60,3 milhões de votos
2006 — Lula (PT): 58,3 milhões de votos
2018 — Jair Bolsonaro (PL): 57,8 milhões de votos
2010 — Dilma Rousseff (PT): 55,7 milhões de votos
2014 — Dilma Rousseff (PT): 54,5 milhões de votos


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Lula e o mutirão do amor contra o fascismo

É assim que a vitória de Lula está sendo celebrada por um planeta encantado com a mobilização do povo brasileiro, que mais uma vez mostrou ao mundo que o amor, a esperança e a solidariedade são forças capazes de enfrentar o ódio e derrotar o fascismo pela raiz.

O Brasil que abraça a democracia, que estende a mão aos mais pobres, que não aceita a naturalização da intolerância e que acredita na convivência entre diferentes voltou a mostrar sua força. A mobilização popular que cerca essa vitória é também um recado para o mundo: não há projeto autoritário que seja invencível quando a sociedade se levanta para defender a liberdade, a dignidade humana e o direito de sonhar com um futuro melhor.

O fascismo se alimenta do medo, da violência, da mentira e da divisão. O amor, ao contrário, constrói pontes, aproxima pessoas, desperta consciências e transforma a indignação em força coletiva. É justamente por isso que cada gesto de solidariedade, cada voz que se ergue contra a intolerância e cada pessoa que se mobiliza em defesa da democracia fazem parte de uma luta muito maior do que qualquer disputa eleitoral.

A vitória de Lula, celebrada por tantos brasileiros como uma vitória da esperança, reafirma a importância de um país que não abandona os seus, que não aceita a fome como destino e que não se curva àqueles que tentam transformar o ódio em instrumento permanente de poder.

Que essa onda de amor atravesse fronteiras, inspire outros povos e alimente a resistência democrática em todos os lugares onde a intolerância tenta sufocar a liberdade. Porque derrotar o fascismo não é apenas impedir que ele conquiste o poder: é arrancar suas raízes da sociedade, combater o preconceito, enfrentar as desigualdades e construir, todos os dias, uma cultura de paz, justiça e solidariedade.

Que o amor seja nossa bandeira, a democracia seja nosso compromisso e o povo seja sempre o protagonista da própria história!

Que nunca faltem palavras para celebrar a esperança, a democracia e a força do povo brasileiro!

VIVA LULA! VIVA O POVO BRASILEIRO! VIVA A DEMOCRACIA!


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Política

Por que Flávio Bolsonaro, mesmo 1,87 ponto à frente de Lula, perdeu o primeiro turno — e perderá o segundo

Matéria publicada originalmente aqui no Blog Antropofagista no dia 05 de outubro, um dia depois de Lula perder para Flavio Bolsonaro o primeiro turno, mas dada a grande virada de Lula, vale para o momento.

Flávio Bolsonaro pode até ter terminado o primeiro turno com 1,87 ponto percentual de vantagem sobre Lula, mas há uma verdade política que esse número não consegue esconder: ele ganhou a apuração, mas não ganhou a eleição.

E essa diferença é fundamental.

Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Foram cerca de 2,2 milhões de votos de diferença. Só que, para vencer no primeiro turno, era necessário ultrapassar a barreira de 50%. Não ultrapassou. Portanto, a suposta “vitória histórica” que seus aliados tentam vender terminou exatamente onde começa a verdadeira disputa: no segundo turno.

Flávio Bolsonaro não derrotou Lula. Flávio apenas chegou à frente de Lula na primeira etapa de uma eleição que continua aberta.

E há algo ainda mais importante: o segundo turno não será disputado entre Flávio e Lula contra os outros candidatos. Será disputado entre Flávio e Lula diante de todo o eleitorado brasileiro.

É aí que começa o problema para o candidato do PL.

Os votos de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Zema e dos demais candidatos agora entram em uma disputa completamente diferente. Somados, os candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam milhões de votos. Esses eleitores não pertencem a Flávio — e tampouco pertencem automaticamente a Lula. Serão disputados.

Mas existe uma diferença brutal entre os dois projetos.

Lula tem uma trajetória política própria. Flávio carrega o peso inteiro do sobrenome Bolsonaro.

E o sobrenome que o levou a 47% também pode ser exatamente o que o impede de chegar aos 50% mais um.

Flávio não está disputando apenas contra Lula. Está disputando contra a memória política do bolsonarismo, contra a rejeição acumulada pela família Bolsonaro e contra a necessidade de convencer uma parcela do eleitorado que votou em outros candidatos de que ele seria capaz de governar o país para além da guerra permanente contra o PT.

No primeiro turno, o voto antipetista funcionou como uma gigantesca âncora eleitoral. No segundo turno, porém, o eleitor precisa escolher quem quer colocar no Palácio do Planalto.

E aí aparece a fragilidade de Flávio.

Porque uma coisa é votar em Flávio para impedir Lula de vencer no primeiro turno. Outra, muito diferente, é entregar a ele quatro anos de Presidência da República.

É exatamente por isso que o resultado do primeiro turno pode ser enganoso.

Flávio conseguiu ampliar o desempenho do bolsonarismo em relação a Jair Bolsonaro em 2022. Mas Lula também continua com uma base eleitoral gigantesca: mais de 53,8 milhões de votos no primeiro turno.

E existe outro dado politicamente devastador para a narrativa de uma suposta “onda Flávio”: a diferença entre os dois foi de apenas 1,87 ponto — a menor distância entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.

Isso não é uma avalanche.

É uma eleição absolutamente aberta.

E, quando a eleição chega ao segundo turno, a lógica muda.

Flávio terá de ampliar sua votação. Lula também. Só que Flávio precisa transformar um voto essencialmente bolsonarista e antipetista em uma maioria nacional. Precisa conquistar eleitores que não votaram nele. Precisa reduzir sua rejeição. Precisa convencer o centro. Precisa falar com quem não quer mais viver em permanente estado de guerra política.

E é justamente aí que o candidato Bolsonaro encontra seu maior obstáculo: para vencer, ele precisa deixar de ser apenas Bolsonaro.

Mas como fazer isso carregando Bolsonaro no sobrenome, Bolsonaro na campanha, Bolsonaro na identidade política e Bolsonaro como principal referência eleitoral?

É a contradição central da candidatura.

Lula, por outro lado, entra no segundo turno podendo apresentar uma narrativa muito mais simples: governar versus radicalizar; reconstrução versus conflito; experiência versus aventura.

Não se trata de dizer que a vitória de Lula está matematicamente garantida — não está. O resultado do primeiro turno prova justamente que a disputa será dura.

Mas há uma diferença fundamental entre estar na frente por 1,87 ponto e ter uma maioria consolidada capaz de vencer o segundo turno.

Flávio não tem essa maioria.

E é por isso que sua “vitória” no primeiro turno pode acabar sendo lembrada como aquilo que realmente foi: uma vitória de etapa, não uma vitória de projeto.

O primeiro turno mostrou que o bolsonarismo continua forte.

O segundo turno terá de mostrar se ele é forte o suficiente para governar o Brasil.

E essa é uma pergunta muito mais difícil de responder.

Flávio pode ter chegado em primeiro.

Mas, politicamente, a eleição começou de verdade agora.


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