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Mossad, EUA e jato suspeito: Flávio Bolsonaro era fantoche de interesses estrangeiros

A decisão de serviços secretos de sair ao resgate do brasileiro não foi um ato de generosidade. A manobra apenas tinha como objetivo proteger seu ativo na região.

Um ex-agente do Mossad envolvido na fuga. Alertas por parte de ex-agentes da CIA sobre o padrão usado para retirar Flávio Bolsonaro do país. Um avião sob suspeita de ligações com empresários mais que suspeitos. Uma manobra de desinformação e um desembarque num aeroporto que fez parte da história das intervenções da Casa Branca na América Latina.

A operação para permitir que o ex-candidato derrotado na eleição brasileira deixasse o território nacional é reveladora. Se ainda existiam dúvidas para uma parcela da população sobre qual bandeira servia de referência para o clã Bolsonaro, essa manobra escancara o fato de que Flávio Bolsonaro ser, no fundo, apenas um fantoche de interesses estrangeiros no país.

Não deveria ser uma surpresa o que foi revelado pela TV Globo neste domingo sobre os detalhes da operação. Afinal, o filho do ex-presidente golpista prometeu entregar as terras raras do país aos EUA, privatizar bens públicos, abrir mão da soberania nacional na defesa do território e ainda reposicionar o Brasil para alinhar sua política externa aos interesses americanos e israelenses.

Se não bastasse, ofereceu formar uma equipe de transição com a participação do Departamento de Estado norte-americano, algo jamais visto na história do Brasil.

Enquanto isso, se disfarçava de patriota, usurpando a bandeira e a camisa da seleção, como uma fantasia para enganar milhões de eleitores.

Abusou do termo patriota, justamente como camuflagem do que poderia ter sido o maior ato de traição já registrado na alta cúpula da política nacional.

A decisão de americanos e ex-agentes do Mossad de sair ao resgate do brasileiro não foi um ato de generosidade. A manobra apenas tinha como objetivo proteger seu ativo na região.

Ao fugir com a ajuda de potências estrangeiras, Flávio Bolsonaro revelou quem de fato é: um títere destinado a entregar o país, em troca de chegar ao poder.

Ao fugir com a ajuda de serviços secretos estrangeiros, o senador nos mostra o que nos esperava caso fosse eleito presidente. Um golpe que teria solapado, ao mesmo tempo, nossa democracia e nossa soberania.

Foi disso tudo que nos livramos.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Não haverá saída para André Mendonça

O Institudo de Mendonça

Metade das prefeituras paulistas que contrataram o Iter receberam emendas parlamentares de seu aliado Cezinha de Madureira, investigado no STF

Em novembro de 2023, quando contabilizava quase dois anos como ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça e sua esposa, Janey, lançaram um instituto próprio: o Iter, que oferece cursos livres, programas de treinamento e MBAs em áreas como segurança, gestão pública, advocacia e compliance. São temas na medida para despertar interesse de prefeituras, governos e órgãos públicos – e, assim, o ministro “terrivelmente evangélico” que chegou à corte por indicação de Jair Bolsonaro passou a ter órgãos públicos como clientes.

Em pouco tempo, o Iter se tornou um sucesso, com dezenas de contratos em todo o Brasil. Tempos depois, se tornou assunto quando Mendonça foi sorteado o relator do caso do Banco Master no STF. Logo intersecções entre a entidade educacional privada e o banqueiro Daniel Vorcaro apareceram, por meio do empresário Lucas Kallas, ex-sócio de Vorcaro (leia a reportagem O esgrimista).

São bons assuntos para as aulas de compliance dos cursos do instituto, mas há outros também bastante úteis dentro do próprio Iter: os contratos com prefeituras paulistas. Um levantamento da piauí mostra uma coincidência intrigante: dos 61 municípios paulistas que contrataram os serviços do Iter, trinta foram beneficiados com emendas orçamentárias enviadas especificamente por um mesmo deputado federal: Cezinha de Madureira (PL-SP). Além de ser um dos políticos mais próximos de Mendonça em Brasília, Cezinha tem participação no negócio: ele despendeu 19.353 reais como um “sinal” para a compra futura de 4% do instituto.

O cruzamento das movimentações financeiras foi feito pela piauí, com base em dados do Tribunal de Contas de São Paulo e do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU) . Eles mostram que esses 61 municípios empenharam 2,4 milhões de reais no Iter. Do total desses recursos, 1,45 milhão foi empenhado por um conjunto de trinta municípios que, paralelamente, receberam juntos 59 milhões de reais em emendas de Cezinha entre 2021 e 2026.

A Prefeitura de Embu das Artes foi a mais graficificada com as recomendações orçamentárias do político do PL. Pagou 295.680 reais ao instituto, entre junho de 2024 e junho de 2026, e levou 16,6 milhões de reais em emendas desde 2021.

São Sebastião, no litoral paulista, recebeu cerca de 986 mil reais em emendas e pagou 290 mil em junho de 2025, por um curso chamado Administração pública do século XXI: liderando para uma gestão de resultados, para cem participantes.

Em Cajamar, foram 12,9 milhões de reais em emendas e 32.520 reais ao instituto pagos pela prefeitura, além de 15.800 pagos pela Câmara. Guarulhos recebeu 7 milhões e pagou 36 mil; Jarinu, 2,5 milhões e 7.900 reais. Araraquara, 600 mil e 32.400. Carapicuíba, 150 mil e 11.520.

O padrão se repete, com variações. Em Miracatu, Cezinha visitou o prefeito em 26 de abril de 2024. O primeiro empenho ao Iter é de 5 de junho. A cidade pagou 63.230 reais e recebeu 2 milhões em emendas, na saúde, em 2025. Em Taboão da Serra, um comunicado da prefeitura diz que Cezinha mandou 10 milhões de reais em emendas; dez dias antes, a prefeitura empenhou 156 mil reais para o Iter. Em Leme, o prefeito agradeceu em vídeo uma emenda de 500 mil reais, e o município empenhou 123.935 reais, dos quais 79.935 reais foram pagos. Em 16 dos 30 municípios, o primeiro empenho é de um ano anterior à primeira emenda de Cezinha; em nove, do mesmo ano; em cinco, de dois a três anos depois.

Além das prefeituras, havia o Cioeste, um consórcio de catorze municípios da Grande São Paulo, parte deles abastecidos por emendas de Cezinha, assinou com a entidade, em 24 de julho de 2025, um contrato de 1,23 milhão de reais para cursos e palestras de direito e administração pública, em um projeto chamado Escola de Governo.

Em 11 de agosto de 2025, menos de três semanas depois da assinatura, o deputado compôs a mesa do lançamento da Escola de Governo na sede do consórcio, em Alphaville. Mendonça deu uma aula magna sobre controle judicial do ato administrativo. Victor Godoy também estava presente. Segundo relato do próprio consórcio, o ministro anunciou que o instituto levaria aos municípios “o que há de melhor do Brasil e de Brasília”. A reportagem não identificou quanto cada prefeitura consorciada colocou isoladamente nesse projeto. No evento de lançamento da parceria entre o instituto e o Cioeste, Guto Issa, prefeito de São Roque e presidente do consórcio, presenteou Mendonça com uma garrafa do Vinho dos Mortos, da Quinta do Olivardo.

Na manhã desta terça-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Roque, dentro da Operação Entressafras, que investiga a aplicação de recursos previdenciários de mais de 90 milhões de reais no Banco Master sem amparo técnico. Há suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de capitais, peculato financeiro e delitos praticados contra a administração pública.

Somados, os pagamentos diretos de prefeituras abastecidas por Cezinha e o contrato do Cioeste destinaram cerca de 2,68 milhões de reais ao instituto. É cerca da metade do que a entidade de Mendonça recebeu da empresa de Lucas Kallas, ex-sócio de Vorcaro, mas há uma diferença de natureza: segundo o Iter, o dinheiro do empresário está sendo devolvido.

A coincidência entre o pagamento das emendas e os contratos com o Iter não quer dizer que as primeiras custearam os segundos – nada aponta diretamente para isso. Mas a noção de que os repasses faziam parte de um circuito aparece em um vídeo no Instagram do prefeito de Itariri, um município paulista que recebeu 100 mil reais em emendas de Cezinha em outubro de 2025 e pagou 25.481 ao instituto de Mendonça em três parcelas. O prefeito Carlos Rocha (PL), em julho de 2025, gravou um vídeo ao lado de uma escavadeira de 18 toneladas agradecendo ao deputado “pelo carinho que tem pela cidade”. A máquina era, segundo ele, “fruto da parceria com o deputado federal Cezinha de Madureira”.

À certa altura, o prefeito também fez um agradecimento “por tudo que tem feito e por Itariri” a um outro personagem importante nesta história, que personifica os laços funcionais e familiares entre o gabinete do deputado e o instituto do ministro. José Nagliatti, destinatário do elogio, é cunhado do ministro e trabalha no gabinete do deputado como secretário parlamentar desde março de 2023. Ao mesmo tempo, o cunhado organiza e recepciona visitas de potenciais parceiros do instituto, entre políticos e empresários, como revelado pelo ICL Notícias. Cezinha afirmou ao site que ele exerce funções de apoio à agenda e aos deslocamentos parlamentares e que outras atividades ocorrem fora do expediente. Em uma publicação nas redes sociais do Banco de Olhos de Sorocaba, em 28 de julho de 2025, Nagliatti é descrito de outra forma: “executivo de vendas”.

Olevantamento da piauí no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) dá uma dimensão do rápido êxito do Iter. Entre maio de 2024 e setembro de 2026, o instituto aparece em 74 registros de contratação direta, trinta contratos e 44 notas de empenho com 55 entidades de todo o país, entre elas vinte prefeituras, seis câmaras municipais e dois governos estaduais. Os contratos somam aproximadamente 12 milhões de reais em valores contratados (que não correspondem necessariamente ao total pago).

Entre os clientes estava a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada ao governo paulista, do aliado Tarcísio de Freitas, que contratou o Iter por 1,63 milhão de reais para dar cursos e pós-graduação a servidores. A Cemig, empresa controlada pelo governo de Minas Gerais, na gestão de Romeu Zema, firmou contrato de 265.200 reais — que não aparece nas bases nacionais de compras públicas porque as estatais publicam seus contratos por regime próprio. A Câmara Municipal de Diadema contratou serviços por 376.900 reais. Em setembro de 2025, a Prefeitura de São Paulo, administrada por Ricardo Nunes, pagou 380 mil reais ao instituto por uma contratação sem licitação.

O Conselho Federal de Contabilidade contratou a instituição por 1,73 milhão de reais em dois instrumentos. Um deles, de 349.800 reais, descrevia um curso de oratória “ministrado pelo Prof. Dr. André Luiz de Almeida Mendonça, Ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral”. O outro, de 1,38 milhão, previa uma imersão corporativa em Campos do Jordão com “conferência Magna de abertura” do próprio Mendonça. Os contratos não demonstram que ele tenha recebido remuneração pessoal pelos serviços. Seu gabinete afirma que o ministro jamais auferiu lucro do instituto, do qual anunciou desligamento em setembro de 2026. Em nota à imprensa do dia 3 de setembro, disse que o instituto será transformado em entidade sem fins lucrativos. E que ele e sua esposa já saíram do Iter.

Procurado pela piauí, o ministro André Mendonça não se pronunciou e não respondeu às perguntas enviadas.

Há uma sobreposição digna de nota entre os interesses do Banco Master, cujo caso está sob a relatoria do ministro, e os contratos do Iter. Em novembro de 2025, o Ministério da Previdência informou que 18 regimes próprios de previdência de estados e municípios tinham aplicado 1,8 bilhão de reais em letras financeiras do Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024 – dinheiro das aposentadorias de servidores, sem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Sete deles aparecem também entre os clientes do Iter: o Estado do Rio de Janeiro (que aportou 970 milhões de reais no Master apenas entre 2023 e 2024), o do Amapá (400 milhões), o do Amazonas (50 milhões), Maceió (97 milhões), São Roque (93 milhões), Cajamar (87 milhões) e Araras (29 milhões). Juntos, somam cerca de 1,73 bilhão, a maior parte do total.

Os empenhos ao instituto somam 12,1 milhões de reais em 75 registros do PNCP. O Rio de Janeiro de Cláudio Castro – que, segundo a PF, nomeou em 2023 os dirigentes que controlaram o credenciamento do banco – contratou o Iter em sete instrumentos que somam 701.605 reais reais, 518 mil deles em abril de 2026 para treinamento em segurança pública (depois da saída de Castro). O Amazonas de Wilson Lima, onde a Amazonprev comprou 50 milhões, pagou 466 mil pela Secretaria de Segurança Pública e 1,6 milhão pelo Tribunal de Justiça. Maceió, de João Henrique Caldas, o JHC, que nega ter determinado as aplicações, pagou 26 mil por uma secretaria e um instituto municipal; São Roque, de Guto Issa, 2.850 reais (a informação, nesse caso, é do Tribunal de Contas do Estado).

Um dos maiores contratos do Iter, porém, não veio de nenhum desses cofres, e sim de um bem mais opaco: nasceu do leilão do 5G, realizado em 2021 no Ministério das Comunicações bolsonarista, chefiado por Fábio Faria – amigo de farra e de lobby de Daniel Vorcaro. O dinheiro que as operadoras destinaram para cumprir o edital foi para a Entidade Administradora da Faixa 3,5 GHz, a EAF*, entidade privada criada em 2022 que aplica 6,3 bilhões de reais de uso público e, por ser privada, não precisa licitar nem divulgar dados. Em 19 de junho de 2026, três dias depois de Mendonça formar a maioria que manteve presos o pai e o primo de Vorcaro, e quando ele e a esposa ainda controlavam o instituto, a EAF contratou o Iter por 2.454.375 reais, o maior contrato individual conhecido do instituto, para um programa de treinamento de doze meses, com adiantamento previsto de 40%.

Entre os nomes que gravitam em torno do leilão do 5G e da entidade dele derivada, há ao menos outros dois envolvidos até o pescoço no caso Master, além de Faria. Um deles é Alberto Leite, empresário que aparece nos relatórios da PF sobre Toffoli e sobre Ciro Nogueira. O outro é o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cujo grupo, segundo o UOL, loteou cargos de diretoria e conselho da EAF desde o início do ano. Nenhum dos três – Faria, Leite e Alcolumbre – sofreu buscas no caso Master até hoje. Apenas a empresa de Lucas Kallas colocou mais dinheiro no Iter do que qualquer outro cliente individual.

Kallas é o dono da Cedro e, embora negue vínculo societário com Vorcaro, foi sócio do banqueiro na companhia de biotecnologia Biomm e, além disso, recebeu do Master um empréstimo de 57 milhões de dólares. Não há prova de que Kallas tenha financiado com 5,2 milhões de reais o Iter em nome de Daniel Vorcaro. O Iter informou que os recursos financiaram despesas de estruturação e funcionamento da instituição, que os repasses foram interrompidos e que a devolução começou em janeiro de 2026, antes de Mendonça assumir a relatoria do caso Master.

A relação de Kallas com Mendonça, no entanto, não parou nesse repasse. Incluiu a disponibilização ao ministro de um helicóptero para viajar de Belo Horizonte para comparecer a um evento jurídico em Itabira, no interior de Minas, em 4 de agosto de 2025. A piauí apurou um episódio que causou desconforto ao ministro, instantes antes da viagem. Quando o carro que conduzia Mendonça ao Aeroporto da Pampulha chegou de carro ao hangar da Cedro Aviação, foi parado por vistoria. O procedimento padrão incomodou o ministro do STF, que disse que não autorizava a revista. No destino, Mendonça participou da 1ª Jornada Jurídica de Itabira, que tinha entre os patrocinadores um sindicato do setor de trabalhadores da mineração na cidade, além da OAB local. Um dos organizadores era o advogado Sérgio Leonardo, atual defensor de Daniel Vorcaro no Supremo.

Se Kallas e Cezinha o ligavam ao banqueiro em Minas e São Paulo, Mendonça tinha no governo do Rio de Janeiro mais que um vínculo com o poder estadual que remunerava seu instituto. O ministro tinha, na figura do governador Cláudio Castro, um amigo de fé e de política assombrado por investigações de corrupção. E essa relação, também atravessada por Cezinha de Madureira, traria algumas das maiores contradições de Mendonça como ministro do STF e do Tribunal Superior Eleitoral.

Os laços eram antigos. Em dezembro de 2021, poucos dias depois de o Senado aprovar seu nome para o Supremo, Mendonça foi recebido por Castro no Palácio Laranjeiras; mais tarde, o governador compareceu à cerimônia religiosa em sua homenagem, na Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Pouco após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022, Castro procurou Mendonça por causa de um habeas corpus. Na noite de 11 de novembro de 2022, com o habeas corpus de Cabral em pauta na 2ª Turma e Mendonça com pedido de vista em mãos, Castro escreveu: “Amigo, preciso falar com urgência”, e acrescentou “caso Cabral”. Essa era uma das ações com que o ex-governador Sérgio Cabral, preso desde 2016, buscava deixar a prisão. Mendonça respondeu com a descrição do processo, disse que ligaria em alguns minutos e enviou o andamento no site do Supremo.

As mensagens não esclarecem o interesse do governador no caso, nem registram comprometimento do ministro. Em dezembro, contudo, Mendonça votou pela revogação da prisão preventiva, e a 2ª Turma o acompanhou. Quem lê a mensagem conclui que era Castro diretamente pedindo por um terceiro. O governador, no entanto, diz que só queria confirmar a validade de um alvará. O gabinete afirma que o ministro atuou com base nos autos e não é amigo do ex-governador.

Após a publicação da reportagem, a Entidade Administradora da Faixa (EAF) enviou a seguinte nota à piauí:

*A Entidade Administradora da Faixa (EAF) esclarece que é uma associação privada criada por determinação do Edital do 5G e que tem suas atividades diretamente supervisionadas pelo Gaispi, grupo coordenado pela Anatel, com participação do Ministério das Comunicações.

Vale destacar que as obrigações previstas no edital têm sido rigorosamente cumpridas pela entidade, inclusive com entregas antecipadas e economia de recursos.

Em relação ao contrato com o Instituto Iter, a proposta passou previamente por verificação de integridade, que não identificou impedimentos. O programa contratado, de treinamentos em conformidade e ética, já está 65% executado, dentro do cronograma. Foram entregues, até o momento, cursos presenciais e híbridos (a exemplo de treinamentos da liderança gerencial, capacitação de colaboradores em ética, compliance e integridade e treinamento em inteligência artificial aplicada), materiais audiovisuais, além de evento realizado com a participação de público externo para a discussão de temática relacionada à atuação e às entregas da entidade.

Sobre a menção a indicações políticas, a entidade reitera que a escolha de seus dirigentes segue critérios técnicos, de qualificação, experiência e competência profissional.

*Mateéria publicada originalmente na Revista piauí


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Ex-agente do Mossad ajuda Flávio Bolsonaro a fugir; veja quem é

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria contado com a participação de Menachem Booky Halevy, ex-integrante do Mossad, serviço de inteligência de Israel, na operação que permitiu sua saída do Brasil após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. Segundo informações divulgadas pelo programa “Fantástico”, da TV Globo, neste domingo (1º), o israelense chegou ao país em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno presidencial.

Flávio deixou o território brasileiro na terça-feira (27), apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia ordenado a retenção de seus passaportes e proibido sua saída do país. O senador atravessou a fronteira com a Argentina, permaneceu aproximadamente 40 minutos em território argentino e embarcou em um avião com destino ao Equador, de onde seguiu para os Estados Unidos.

O Mossad é a agência de inteligência de Israel responsável principalmente por operações de espionagem, coleta de informações e atividades clandestinas no exterior. Seus agentes recebem treinamento para atuar em missões de inteligência, vigilância e operações sigilosas. Um ex-agente do Mossad é alguém que já integrou a organização, mas não necessariamente mantém vínculos operacionais com o governo israelense. A agência responde diretamente ao primeiro-ministro de Israel, atualmente Benjamin Netanyahu.

De acordo com a reportagem, Halevy esteve no Brasil em pelo menos outras três ocasiões durante 2026. Em 16 de fevereiro, desembarcou em São Paulo, vindo de Roma. No dia 23 do mesmo mês, chegou a Brasília em um voo procedente de Lisboa. A terceira entrada ocorreu em 16 de abril, quando viajou de Miami para São Paulo. Sua última chegada registrada aconteceu em 19 de outubro, poucos dias antes da eleição presidencial.

As autoridades brasileiras investigam qual teria sido a participação de Halevy na saída de Flávio Bolsonaro. Segundo o DCM, a suspeita é de que o ex-agente tenha auxiliado na organização da rota utilizada pelo senador. Ele estaria em uma das vans que atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina. Até o momento, não há confirmação pública sobre as tarefas específicas que teria desempenhado.

Na quinta-feira (29), Halevy foi abordado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para viajar à Colômbia. Após prestar depoimento, foi liberado e adquiriu uma passagem para os Estados Unidos. As informações divulgadas não apontam que o israelense tenha sido preso ou formalmente acusado de participar de um crime.

A viagem de Flávio Bolsonaro foi realizada em uma aeronave executiva operada pela empresa argentina Baires Fly. O empresário Luis Grande, proprietário da companhia, afirmou à agência France-Presse que o voo custou US$ 150 mil, aproximadamente R$ 800 mil. Segundo ele, o pagamento foi realizado por um intermediário do setor aeronáutico estabelecido nos Estados Unidos, mediante transferência de uma conta empresarial estadunidense para um banco argentino. Grande declarou desconhecer a identidade do contratante final.

No sábado (31), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou a participação direta do governo estadunidense na organização da viagem. “Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Pelo menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas”, declarou. Rubio acrescentou que o presidente Donald Trump tomou a decisão “de permitir que Flávio Bolsonaro entrasse no país”.

Informações divulgadas pela imprensa estadunidense apontaram Jason Miller, assessor de Trump, como responsável pelos preparativos da viagem. O jornal argentino “Clarín” também relatou que agentes estadunidenses teriam assumido o controle de parte do Aeroporto de Puerto Iguazú durante a operação. As alegações não foram confirmadas oficialmente. Procurado sobre o episódio, o secretário de Comunicação da Presidência argentina, Fabian Fernandez, afirmou que o governo não tinha declarações a fazer.


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Vídeo: A diferença entre o palpite de Tarcísio de Freitas e a precisão de Rafael Fonteles sobre o resultado da eleição

Tarcísio de Freitas, governador de SP (Republicanos) que chegou a afirmar que diploma não vale nada, resolveu colocar sua conta de comédia a serviço de uma aposta eleitoral com um cálculo estapafúrdio em que Flávio Bolsonaro venceria Lula por 53% a 47%. Uma previsão que revela muito sobre o ambiente político em que se movimentava e sobre a distância entre a bolha bolsonarista e a realidade brasileira.

Do outro lado, Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí (PT) com a maior votação do Brasil, um matemático,  com menos de 2% das urnas apuradas, cravou que Lula estava eleito. Não era uma aposta baseada em torcida ou em bravatas de ocasião, mas uma leitura política e matemática do cenário que se desenhava nas urnas.

O contraste é emblemático: de um lado, a confiança performática de quem transforma desejo em prognóstico; do outro, um grande matemático e a percepção de quem acompanhava o movimento real da eleição.

Tarcísio apostou nos números que gostaria de ver. Fonteles enxergou o que estava acontecendo.

No fim, a urna não se curva a bravatas, pesquisas de conveniência ou apostas de ocasião. A realidade eleitoral tem uma característica implacável: não aceita ser substituída pela fantasia de quem acredita na própria propaganda.


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Os Bolsonaro não são mais úteis para Trump

Exfiltração de Flávio Bolsonaro e isolamento geopolítico marcam o fim da aliança estratégica entre a extrema-direita brasileira e a Casa Branca

A reconstituição da fuga de Flávio Bolsonaro não deixa dúvidas do envolvimento ativo dos governos argentino e estadunidense na operação cinematográfica planejada com pelo menos duas semanas de antecedência numa típica missão de exfiltração do aliado de Javier Milei e Donald Trump.

Apesar da negativa do chefe do Departamento de Estado Marco Rubio, está confirmado que a remoção de Flávio e família do Brasil com traslado secreto para os EUA foi coordenada, executada e financiada diretamente desde a Casa Branca com envolvimento central do assessor presidencial Jason Miller.

Agentes dos EUA atuaram ilegalmente nos territórios brasileiro e argentino – além, obviamente, de assegurarem o ingresso do fugitivo na Flórida mesmo sem documentação válida.

Apesar da notória subserviência dos Bolsonaro às agressões estadunidenses ao Brasil, os elementos conhecidos até o momento ainda não são suficientes para se confirmar que os integrantes da família miliciana sejam agentes recrutados para atuarem pelos interesses de Donald Trump.

É possível, contudo, inferir que no mínimo os Bolsonaro estabeleceram com Trump uma associação por interesses recíprocos.

Flávio receberia apoio irrestrito do governo Trump para vencer a eleição para, com isso, se salvar de condenações criminais, indultar seu pai e outros criminosos da trama golpista e enterrar os escândalos bolsonaristas de corrupção – INSS, Master, Refit etc.

Em contrapartida, o eventual governo miliciano entregaria as riquezas nacionais, sobretudo as do subsolo, e a soberania do país aos EUA, passando a obedecer à potência imperial como um protetorado dócil e servil.

Com a vitória de Flávio, Trump seria retribuído com o domínio total do Brasil sem precisar executar uma operação militar custosa – em termos financeiros e geopolíticos – como a realizada na Venezuela.

Derrotados na eleição, os Bolsonaro perderam, também, a utilidade para Trump e sua política intervencionista na América Latina.

Flávio, seu irmão Eduardo e demais bolsonaristas radicalizados que fugiram para lá até terão liberdade e garantias provisórias de vida nos EUA enquanto durar o governo Trump, porém foram descartados das equações geopolíticas.

Sintoma disso é a ordem de Trump para Flávio Bolsonaro retirar da carta delirante o trecho em que ele se autodeclarava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Sem outra opção, o fugitivo obedeceu prontamente. A ordem de Trump significa que Flávio não será “promovido” a Guaidó II; e, portanto, não será um instrumento útil da estratégia ingerencista dos EUA no Brasil.

Diferentemente do Guaidó caribenho, a ideia de inventar um Guaidó tupiniquim não tem absolutamente a mínima viabilidade, por algumas razões.

Em primeiro lugar, porque a interferência dos EUA na Venezuela tinha consenso bipartidário. Apesar de ilegal, na ocasião a medida foi apoiada decididamente por democratas e republicanos. E vários governos vassalos da potência imperial aprovaram aquela política aberrante, inclusive o de Jair Bolsonaro.

Além disso, a situação do Brasil no mundo é muito distinta da do ex-regime bolivariano. Sob a liderança de Lula, o país foi reconhecido como referência no enfrentamento exitoso da guerra tarifária.

Após o segundo turno, Lula recebeu o reconhecimento imediato da quase totalidade dos governos nacionais, inclusive os de orientação ultradireitista, com exceção dos de Trump, Milei e Netanyahu.

Por último, é bastante difundida a percepção de que Flávio integra um bando criminoso que foge da polícia e da justiça, e não é um perseguido político por uma ditadura, como alega a narrativa bolsonarista. Essa realidade repercute imensamente nos EUA, e deve prejudicar ainda mais o desempenho dos republicanos na eleição legislativa do próximo dia 3 de novembro, levando Trump a perder maioria no congresso estadunidense e enfraquecendo sua gestão desastrosa.

Não deixa de ser trágico que, enquanto os Bolsonaro são descartados por Trump e são isolados internacionalmente, no Brasil parcelas significativas do eleitorado e setores de uma lúmpen-burguesia dominante continuem reverenciando esses gângsteres enganadores.

*Do blog de Jeferson Miola

*Ilustração: Aroeira


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Depois de demolida pelas urnas, redes e ruas, direita fascista desenterra suas múmias mais sorumbáticas, como Janaína Paschoal

A direita bolsonarista está tão politicamente desidratada que, sem conseguir produzir uma liderança minimamente nova ou apresentar alguma ideia que não tenha cheiro de mofo, resolveu abrir seu próprio sarcófago político. Na falta de novidades, desenterra suas múmias mais sorumbáticas e as coloca novamente na vitrine, como se Janaína Paschoal fosse uma grande revelação e não uma reprise de um capítulo bastante conhecido da política brasileira com o golpe na presidenta Dilma Rousseff.

É o espetáculo da decadência em estado bruto. Depois de apostar todas as fichas no ódio, na gritaria, no golpismo e na fabricação industrial de inimigos, essa direita agora parece condenada a fazer arqueologia de si mesma. Vasculha o passado na lata do lixo, ressuscita personagens desgastados e tenta vender relíquias políticas como se fossem novidades de última geração.

Não há renovação, não há projeto, não há horizonte. Há apenas um ajuntamento de ressentimentos, oportunistas e personagens que parecem ter perdido o bonde da história, mas continuam disputando um lugar na locomotiva.

A cada nova tentativa de ressuscitação, fica mais evidente a dificuldade dessa turma de entender que o Brasil não é propriedade privada do bolsonarismo, muito menos um território condenado a consumir eternamente suas velhas figuras e suas velhas obsessões.

A extrema direita queria escrever o futuro do país, mas acabou transformada em antiquário político. Agora, desenterra suas múmias, tira o pó dos discursos e tenta convencer o Brasil de que defunto requentado é novidade. Não é. É apenas decadência com maquiagem.

A propósito, em 2026, Janaina Paschoal tentou a eleição para deputada federal, porém, teve apenas 46,7 mil votos, menos do que a quantidade recebida quando foi eleita vereadora. Em 2024, a candidatura de Janaína somou 48.893 votos de eleitores da capital paulista.


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Mídia corporativa segue de ressaca depois de seu pileque fascista

A mídia corporativa ainda tenta se recuperar da ressaca provocada pelo próprio pileque fascista. Depois de passar meses embriagada pelo discurso da extrema direita, tratando seus personagens como alternativas políticas e suas agendas como projetos de país, agora precisa encarar o resultado de suas próprias apostas.

O problema é que essa turma se acostumou a confundir poder econômico com autoridade política, manchetes com realidade e campanhas de desgaste com capacidade de determinar os rumos do Brasil. Apostou que poderia fabricar lideranças, administrar crises, escolher adversários e conduzir o debate público conforme os interesses dos seus patrocinadores.

Mas a realidade não obedece à pauta dos grandes jornais, nem se curva aos editoriais dos barões da comunicação.

Agora, entre uma tentativa de reabilitação e outra, a velha mídia procura disfarçar o constrangimento, muda o tom, recalcula o discurso e tenta vender como análise independente aquilo que ontem era torcida explícita.

A ressaca é grande porque o tombo também foi. E talvez a maior dificuldade dessa mídia seja admitir que perdeu não apenas uma aposta política, mas parte da credibilidade que imaginava ter o poder de impor ao país.

Depois de tanto brindar à extrema direita, chegou a hora de pagar a conta. E não adianta culpar o garçom pela ressaca de quem passou a noite bebendo o próprio veneno.


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Política

Intervenção dos EUA na Argentina, voo recusado e 20 horas de carro: Clarín expõe bastidores da fuga de Flávio

A fuga do candidato derrotado rumo a Miami teria envolvido uma operação internacional com despistes e mudanças de plano, jornal argentino reconstrói a fuga e revela o que aconteceu longe das câmeras

Agentes de segurança supostamente ligados ao governo dos Estados Unidos teriam assumido temporariamente o controle de parte do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, para organizar a fuga de Flávio Bolsonaro e sua família para Miami.

. O presidente Javier Milei também teria enviado seu principal assessor, Santiago Caputo, a Misiones, em uma missão confidencial para garantir o sucesso da operação.

Assinada por Nicolás Wiñazki, a reportagem apresenta novos detalhes sobre a participação norte-americana na saída do candidato derrotado à presidência do Brasil, que estava proibido pela Justiça de deixar o país. A reconstrução se baseia em fontes que participaram da trama e testemunhas diretas, mantidas sob anonimato.

Agentes afastaram policiais e funcionários argentinos
De acordo com o Clarín, representantes dos Estados Unidos afastaram integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária, além de funcionários da imigração e da alfândega. Os agentes coordenaram os procedimentos para a partida e garantiram o embarque da família no Gulfstream IV, matrícula LV-JQW, alugado à empresa Baires Fly por intermediários norte-americanos, segundo a Forum.

A família teria chegado ao aeroporto por uma entrada secreta, com acesso direto à pista, cerca de uma hora antes da caminhonete branca cuja chegada foi registrada pelas câmeras de televisão. Já dentro do avião, os Bolsonaro aguardaram mais de quarenta minutos pela autorização para decolar.

A ordem de Milei a Caputo, segundo a reportagem, era garantir tudo o que fosse necessário para que o plano funcionasse. O jornal também relata a preparação de “zonas liberadas” no aeroporto e nos arredores, além de canais de comunicação entre agentes de inteligência argentinos e estrangeiros.

Viagem de 1.600 quilômetro e voo recusado
O trajeto até a fronteira teria sido feito por terra: mais de 1.600 quilômetros entre Brasília e a região de Foz do Iguaçu, em uma viagem de mais de vinte horas. Segundo as fontes ouvidas pelo Clarín, veículos coordenados pelos Estados Unidos deram apoio ao deslocamento.

A alternativa rodoviária foi adotada depois que o proprietário de um jato particular se recusou a transportar a família. A decisão ocorreu após a divulgação da proibição judicial de que Flávio saísse do Brasil.

Para dificultar um eventual acompanhamento, seis veículos partiram, um atrás do outro, da residência da família em Brasília. O jornal questiona como o comboio conseguiu percorrer uma distância tão longa sem ser detectado pela polícia brasileira.

Vários jatos e alternativa pelo Paraguai
A operação teria mobilizado pelo menos três, possivelmente quatro jatos particulares. As aeronaves foram posicionadas para oferecer alternativas de saída caso o plano principal fracassasse, incluindo uma opção pelo Paraguai.

O Clarín descreve movimentações entre aeroportos argentinos, os Estados Unidos e Assunção. Segundo a reportagem, um dos aviões com matrícula norte-americana apresentou um plano de voo enganoso, e a movimentação também serviu para desviar a atenção da rota efetivamente utilizada pela família.

O texto cita ainda uma revelação do The New York Times, que apontou Jason Miller, da área de comunicação da administração Trump, como organizador de parte da missão.

A participação norte-americana passou a ser alvo de questionamentos de parlamentares democratas. Eles enviaram perguntas ao secretário de Estado, Marco Rubio, sobre o apoio da Casa Branca e a atuação de funcionários dos EUA no Brasil, na Argentina e no Equador, onde o avião fez escala. O prazo estabelecido para as respostas é 13 de novembro.


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Lula impôs duas derrotas consecutivas ao fascismo paratatá

Ao fim e ao cabo, Lula impôs duas derrotas consecutivas ao fascismo paratatá. Bolsonaro perdeu duas eleições seguidas para Lula e assistiu, impotente, ao projeto político que construiu em torno do ódio, da mentira e da perseguição ser derrotado nas urnas.

A história reservou a Bolsonaro uma ironia difícil de engolir: depois de transformar Lula em seu principal adversário, passou a vida política tentando derrotá-lo e terminou acumulando duas derrotas consecutivas para o mesmo homem. Não conseguiu dar o troco, não conseguiu reverter o resultado e tampouco conseguiu impedir que Lula seguisse ocupando o centro da política brasileira.

O bolsonarismo apostou na intimidação, no ressentimento, na desinformação e na destruição dos adversários. Acreditou que o ódio seria uma força eleitoral inesgotável. Mas encontrou um limite nas urnas.

Bolsonaro queria entrar para a história como o homem que derrotou Lula. Acabou marcado como aquele que perdeu duas vezes para ele. E, dessa vez, não haverá revanche eleitoral. A conta chegou, e a história não costuma oferecer prorrogação para quem se recusa a aprender com as próprias derrotas.

Dois fatos inéditos nas duas vitórias de Lula sobre Bolsonaro: Bolsonaro é o primeiro presidente da Repúbica a não se reeleger ao perder para Lula. Lula, por sua vez, inaugurou uma virada histórica no segundo turno.


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