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Política

A velha mídia não entendeu o recado das urnas: o Brasil não aceita mais ser governado pela Faria Lima

Essa escória que mistura o dinheiro com o poder da grande mídia assistiu a outro filme durante a eleição presidencial. Parece que não viu, não ouviu e, sobretudo, não entendeu absolutamente nada do que aconteceu no Brasil.

Não é possível que essa gente ignore o que o mundo inteiro comentou e celebrou: as manifestações, as mobilizações populares e a extraordinária movimentação desencadeada no segundo turno para derrotar a família Bolsonaro e garantir a Lula seu quarto mandato presidencial.

A grande mídia, a serviço da Faria Lima e de seus associados, não quer apenas que Lula ignore a população que o reelegeu. Quer algo ainda mais perverso: que ele se volte contra essa mesma população para atender aos apetites dos abutres da plutocracia brasileira.

Essa gente trata a economia como negócio. Pior: como negócio próprio. E ainda consegue arregimentar uma legião de trouxas do andar de baixo que, por alguma espécie de delírio social, se imaginam empresários, sócios ou participantes de um universo de privilégios ao qual jamais terão acesso. Não fazem a menor ideia de como funciona esse mundo, mas defendem seus interesses como se fossem herdeiros da própria Faria Lima.

A mídia brasileira consegue mentir mais do que Flávio Bolsonaro e ser tão cínica e desavergonhada quanto o 01 do clã mais notoriamente vigarista da história política recente do país. Sem o menor pudor, trata a sociedade brasileira como a família Bolsonaro trata seu gado: com desprezo, manipulação e a certeza de que basta berrar mais alto para impor sua vontade.

O problema é que a mídia corporativa ainda não percebeu em que século estamos nem compreendeu a sociedade brasileira que saiu das urnas. O Brasil mudou. E a maioria da população não está disposta a continuar sendo encabrestada por essa entidade abstrata chamada mercado, que ninguém elegeu, mas que os jornalões insistem em apresentar como dona da democracia e tutora da República.

Incapaz de produzir um único argumento convincente para justificar seus recorrentes sermões em defesa de ajustes fiscais que retiram recursos da população e preservam os privilégios dos de cima, essa gente incorpora a besta do balão e se lança ao terrorismo editorial. Vale tudo: manchetes apocalípticas, previsões catastróficas, ameaças econômicas e editoriais que parecem escritos sob encomenda. O objetivo é cumprir o acerto de contas que as redações mantêm com a oligarquia financeira.

Os jornais são a própria obra do artista funesto. Suas capas parecem exposições de indigência intelectual. As manchetes, pintadas em letras garrafais, são tão previsíveis quanto idiotas. Mas e daí? Para quem confunde jornalismo com prestação de serviços à plutocracia, a vergonha deixou de ser um constrangimento profissional.

A mídia brasileira sempre foi vulgar em sua relação com os interesses populares. Nunca teve compromisso verdadeiro com o coletivo. Seu fígado sempre falou mais alto que qualquer responsabilidade pública. Especializou-se na mentira antissocial, na manipulação política e nos saltos ornamentais em defesa das próprias fortunas, como se a riqueza nacional fosse patrimônio particular de meia dúzia de famílias.

O que temos hoje não passa de uma caricatura de jornalismo, sustentada por uma legião de escribas indispensáveis ao jogo de cartas marcadas dos barões da comunicação. São os porta-vozes do lirismo rentista, da agiotagem institucionalizada e da velha oligarquia que ainda sonha em administrar o país como uma propriedade privada. Tudo, evidentemente, embalado no celofane da respeitabilidade, da suposta responsabilidade fiscal e da mais absoluta higiene moral que essa mesma escória adora cobrar dos outros.

É preciso dizer, com todas as letras, ao museu de mentiras que atende pelo nome de velha mídia brasileira: essa ferocidade canibalesca a serviço do dinheiro não encontrará mais uma sociedade passiva e ajoelhada.

A sociedade brasileira, mestiça, popular, plural e profundamente distante dos salões da elite branca que tantas vezes demonstra alergia à sua própria existência, não está disposta a continuar servindo de massa de manobra nem de pagadora compulsória dos privilégios do sistema financeiro.

O recado das urnas foi muito mais profundo do que a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro. Foi também uma demonstração de força popular contra um projeto de país subordinado aos interesses de uma minoria econômica que se julga proprietária do destino nacional.

E há algo que a velha mídia precisa compreender de uma vez por todas: para a população brasileira, a guerra contra esse sistema não terminou com a eleição. Ao contrário, apenas começou.

Lula recebeu das urnas o quarto mandato, mas recebeu também uma demonstração de força política e popular que não pode ser ignorada. Existe um Brasil mobilizado, consciente de seus interesses e disposto a defender o que conquistou.

O exército popular de Lula está de pé. E está pronto para enfrentar aqueles que, há décadas, confundem poder econômico com soberania nacional e acreditam que podem mandar e desmandar no Brasil sem jamais prestar contas ao povo.


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Política

União suspende registros de imóveis de sócio de Flávio Bolsonaro em disputa com Richarlison

Medida atinge 4 terrenos em Angra dos Reis e bloqueia transferências enquanto órgão federal investiga falhas em autorização expedida em 2022

A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) suspendeu temporariamente os registros patrimoniais de quatro imóveis ligados ao advogado Willer Tomaz, amigo e sócio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Entre as áreas atingidas está o terreno disputado pelo atacante Richarlison, do Tottenham, que já teve irregularidades apontadas.

A medida impede, de forma cautelar, eventuais transferências de posse das áreas cadastradas em nome da empresa imobiliária de Tomaz. A SPU adotou a providência após representação administrativa da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) e diante de anotações nas matrículas dos imóveis feitas por determinação judicial.

Em despacho, o órgão afirmou que a suspensão no Sistema de Informação para Gestão de Imóveis Dominiais da União busca restringir transferências e evitar que o caso alcance outras partes. A decisão não encerra a apuração sobre a regularidade da ocupação dos terrenos.

Tomaz negou irregularidades e disse que a SPU age sob pressão política. “Não há nenhuma decisão contra a regularidade da ocupação, que será integralmente demonstrada”, afirmou o advogado em nota.

SPU apura emissão de certidão e identificação da área
A SPU analisa lacunas no processo que autorizou a empresa M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos, ligada a Tomaz, a ocupar uma área de 1.435,50 metros quadrados. O órgão investiga, entre outros pontos, a rapidez na emissão de uma Certidão de Autorização para Transferência (CAT).

Em 11 de julho de 2022, a empresa pediu a emissão manual da certidão às 11h33, alegando falha no sistema e urgência. A SPU emitiu o documento às 13h13 e o encaminhou por e-mail dez minutos depois. A empresa havia informado o pagamento de R$ 57.327,19 em laudêmio, taxa cobrada pela União em transferências de direitos sobre terrenos federais.

O advogado sustenta que o procedimento não se limitou às duas horas entre o pedido final e a emissão da CAT. Segundo ele, o processo começou em 11 de maio de 2022 e terminou em 12 de julho, após 62 dias de tramitação. “Não houve favorecimento nem atalho”, disse, ao atribuir o uso da modalidade manual a um impedimento técnico no sistema.

Os documentos também indicam que a certidão saiu sem verificação sobre outras obrigações da empresa perante o Patrimônio da União. Uma circular interna usada para amparar o procedimento especial previa análise da regularidade financeira do cadastro, mas os registros não esclarecem se essa checagem ocorreu, segundo o DCM.

Em outra frente, a SPU busca definir se o imóvel reivindicado pela Sport 70, empresa ligada a Richarlison, corresponde ao cadastro patrimonial usado na transferência para a empresa de Tomaz. A empresa do jogador declarou uma área de 4.409 metros quadrados, com 834,36 metros quadrados de construção, enquanto o cadastro relacionado à M Locadora aponta 1.435,50 metros quadrados.

Richarlison afirma que comprou o imóvel em 2020 por R$ 10 milhões de antigos ocupantes da ilha e procurou a SPU para regularizar a área.

Tomaz rebate que os vendedores não eram proprietários e sustenta que adquiriu os direitos de uma empresa que já possuía registro junto à União. O jogador também acusou Tomaz e Flávio Bolsonaro de tentarem retirar seus direitos sobre o imóvel, acusação contestada pelos envolvidos.


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Mundo

Vídeos: Payo Cubas, o “Bolsonaro paraguaio” é expulso sai arrastado de protesto pelo Ueno Bank

Ex-senador e ex-candidato à Presidência foi vaiado, atingido por ovos e retirado da manifestação em Assunção

O ex-senador e ex-candidato à Presidência do Paraguai Payo Cubas foi expulso à força de uma manifestação contra o governo de Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), em Assunção. O político tentou discursar durante o protesto, mas foi recebido com vaias, insultos e empurrões por um grupo de participantes. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que jovens o carregam pelos braços e pelas pernas para retirá-lo da mobilização. Cubas também foi atingido por ovos.

Os manifestantes também cobraram a responsabilização de Santiago Peña, que foi acionista de uma empresa ligada ao banco até março de 2025. Na quinta-feira, o presidente anunciou sua renúncia em meio à pressão política e ao avanço de um processo de impeachment. A Câmara dos Deputados aprovou a abertura do julgamento político, enquanto o Congresso ainda não formalizou sua saída.

Por que Payo Cubas foi expulso?
Durante o protesto, Cubas foi acusado de contribuir para a eleição de parlamentares que posteriormente se aproximaram do governo Peña. Os manifestantes fizeram referência aos senadores Javier Vera, conhecido como “Chaqueñito”, e Zenaida Delgado, eleitos em 2023 pelo partido Cruzada Nacional, ligado ao ex-senador.

“Você colocou o Chaqueñito e a Zenaida lá”, gritaram participantes da manifestação, segundo relatos da imprensa paraguaia.

O político também foi chamado de oportunista e acusado de dividir a oposição nas eleições presidenciais de 2023, quando disputou o cargo contra Peña e Efraín Alegre.

Ao alcançar a terceira colocação naquele pleito, Cubas recusou-se a aceitar o resultado das urnas, alegando fraude sem apresentar provas substanciais. Suas convocações a protestos radicais após a apuração resultaram em severos confrontos com as forças de segurança em várias cidades do Paraguai, culminando na sua prisão preventiva por perturbação da paz pública e coação a órgãos constitucionais.

O episódio de quase linchamento na praça pública de Assunção sinaliza um novo e melancólico capítulo para o ex-senador. Em um momento de convulsão social onde o desespero financeiro se soma à descrença nas instituições, a tentativa de Payo Cubas de inflar a própria imagem acabou esbarrando no limite da paciência popular.

Veja os vídeos:


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Saúde

Alerta: Covid avança em São Paulo e hospitais relatam aumento de testes positivos

Eventos de massa, com aglomeração, favorecem transmissão

A cidade de São Paulo registra aumento de casos de Covid nas últimas semanas, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e de hospitais.

O Sírio-Libanês, por exemplo, registrou 70 testes positivos para SARS-CoV-2 no mês passado, contra 19 em setembro e 12 em agosto. É o maior número mensal de 2026, em patamar semelhante ao de fevereiro, com 68 casos confirmados. A participação do coronavírus entre todos os agentes respiratórios detectados também cresceu, de 8% em setembro para 23% em outubro.

No Hospital Santa Catarina – Paulista, foram 98 casos positivos de Covid atendidos no pronto atendimento e na internação em outubro, ante 57 em setembro e 18 em agosto.

Desde o final de setembro, dados do painel epidemiológico do Nies (Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde) da SES, atualizados nesta quinta-feira (5), mostram alta nos casos de Covid na capital paulista, especialmente na segunda quinzena de outubro.

Os números, contudo, estão bem abaixo dos de 2025. Enquanto em 2026 foram registrados 348 casos e 45 mortes por Covid na cidade de São Paulo, no ano passado foram 1.099 infecções e 185 óbitos no mesmo período (de janeiro até 6 de novembro).

Com base no monitoramento da circulação de vírus respiratórios de importância em saúde pública, o diretor da Divisão de Imunização da SES, José Santana, confirma a alta.

“Não temos motivo para pânico nem desespero, porém precisamos alertar a população de que a forma mais eficaz de se proteger contra formas graves e internações por Covid é a vacinação. Pessoas vacinadas não deixam de pegar Covid, mas é esperado que seja uma forma leve, com um curso bem mais tranquilo em relação aos não imunizados”, afirma.

Santana lembra que aglomerações são catalisadores da disseminação de doenças respiratórias.

Além das manifestações políticas que reuniram milhares de pessoas em São Paulo às vésperas do segundo turno das eleições, fãs do BTS têm relatado testes positivos de Covid após os shows do grupo coreano de k-pop.

Boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), divulgado nesta quinta-feira (5), mostra que há aumento do número de casos graves de Covid no estado de São Paulo, além de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Distrito Federal.

O documento afirma, no entanto, que a incidência de Covid permanece em níveis muito baixos nessas unidades da federação, com exceção de Mato Grosso do Sul.

IMPORTANCIA DA VACINA CONTRA O COVID-19 – Prefeitura de Anitapolis

Esquema vacinal Covid

A vacinação de rotina contra a Covid tem três grupos prioritários. Crianças de 6 meses a menores de 5 anos devem ter três doses da vacina — aos 6, 7 e 9 meses. Pessoas com 60 anos ou mais devem receber uma dose semestral, e gestantes precisam de uma dose a cada gestação.

“Temos percebido uma diminuição do número de doses aplicadas neste público, o que preocupa. Nossa impressão é de que há uma espécie de acomodação, parece que as pessoas têm a sensação de que a Covid não mata mais e por isso não correm risco, o que não é verdade”, diz José Santana.

Os grupos de pessoas em situações especiais —principalmente os imunossuprimidos— devem tomar uma dose por semestre. Para quem tem comorbidades (obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças), a vacinação é anual. Veja a lista completa dos grupos especiais aqui.

Para a população de 5 a 59 anos sem vacinação prévia o esquema é de uma dose.

O imunizante é seguro. É contraindicado apenas a crianças menores de 6 meses e a pessoas com reação de hipersensibilidade grave a alguma dose anterior ou a qualquer componente da vacina.

Gripe

A cobertura vacinal contra o vírus influenza, causador da gripe, está bem abaixo da meta de 90% do grupo prioritário nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. A vacina protege contra as complicações e mortes pela doença.

Até 6 de novembro de 2026, o município de São Paulo registrou 1.392 casos de gripe, com 109 mortes. Em 2025, foram 2.934 e 370, respectivamente.

A recomendação do Ministério da Saúde é que todas as pessoas sejam imunizadas a partir de 6 meses de idade.

*ICL


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Política

O bolsonarista já agradeceu hoje a um esquerdista por ter impedido Flávio Bolsonaro de ser eleito e transformar o Brasil num Paraguai?

Porque, convenhamos, depois de tudo que aconteceu, a esquerda merece, no mínimo, um agradecimento formal da extrema direita brejeira. Foi preciso derrotar o bolsonarismo para evitar que o Brasil embarcasse na aventura de importar um modelo político, econômico e social que seus admiradores tanto exaltam, mas cujas consequências parecem convenientemente ignorar.

E há uma ironia adicional: Flávio acabou agradecendo a Trump e Milei pela acolhida nos Estados Unidos, enquanto Lula recebeu cumprimentos até de presidentes de direita da América Latina.

Na verdade, a pergunta é simples: será que algum bolsonarista tem coragem de reconhecer que, desta vez, a esquerda salvou o Brasil de uma aventura que poderia custar muito caro ao povo brasileiro?

O silêncio, nesse caso, corresponde a refugir ao cumprimento de um dever iniludível, pois, do contrário, atingiria em cheio as massas como um tsunami e, assim como ocorre com o Paraguai aos cacos, o Brasil e os brasileiros seriam vítimas de um momento augusto de falência generalizada.

Então, aqueles que ainda seguem em rebanho para o frigorífico, que apenas tenham a fidelidade objetiva de ao menos, singelamente, fiquem de joelhos para um esquerdista nesse momento em que a história da extrema direita se confunde com o fracasso, com a derrocada, com o buraco mais profundo, infeliz e obtuso da história dos reacionários da terrinha.


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Política

Vídeo: Lula detona Globo e pede investigação de campanha sobre crianças passando fome

O presidente Lula (PT) detonou a TV Globo e contestou uma campanha sobre insegurança alimentar apoiada pela emissora, pediu investigação sobre a entidade responsável pela iniciativa e afirmou que pretende provar que o dado divulgado é falso.

Durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética, no Ministério de Minas e Energia, Lula questionou a informação de que 7 milhões de crianças passam fome no país. “Eu quero que você investigue pra saber quem é essa entidade que a Globo tá apoiando. Quem é que tá contando essa mentira?”, disse.

O presidente citou a merenda escolar e os programas federais de combate à fome para rebater a mensagem da campanha. Lula não identificou o nome da organização nem apresentou, na reunião, dados próprios para contestar o número mencionado.

A descrição feita por Lula corresponde a uma iniciativa do Pacto Contra a Fome, lançada em setembro de 2026 com a agência Africa Creative. A campanha fala em 7 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave e pergunta: “Você sabe o que vai comer hoje? 7 milhões de brasileiros não”.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) com base em levantamentos do IBGE, o Brasil tem 1,8 milhão de crianças e adolescentes (de 0 a 17 anos) em situação de insegurança alimentar grave.

Dados do IBGE apontam queda da fome em 2024
Na mesma reunião, Lula criticou de forma mais ampla a cobertura jornalística de seu governo. Ele afirmou que veículos de comunicação privilegiam notícias negativas e evitam destacar resultados positivos para não parecerem “chapa branca”.

“Nós temos uma imprensa que talvez seja correto, não tô fazendo juízo de valor, que ela prefere criticar do que elogiar”, declarou o presidente. Em seguida, afirmou: “A gente olha muita futrica e muita notícia ruim, coisa boa não se olha”.

Lula também tratou da situação fiscal. Disse que recebeu as contas públicas com déficit de 2,8% e que o governo encaminha o Orçamento com superávit, sem especificar a qual indicador se referia.

O presidente afirmou que mantém a responsabilidade fiscal, mas rejeitou transferir o custo de ajustes para a população de baixa renda. Ele comparou ainda a dívida brasileira, em relação ao PIB, à de Estados Unidos, França, Japão e Itália e disse que a imprensa não destaca essa diferença. DCM.


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Política

The New York Times minimiza entrevista de Flávio Bolsonaro e desmente teses de fraude na eleição e perseguição

Anunciada como um grande evento por aliados do bolsonarista, jornal publicou poucas aspas do senador

O jornal estadunidense The New York Times refutou todas as teorias conspiratórias do senador e candidato derrotado à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro (PL), que fugiu para os Estados Unidos no dia 27 de outubro, em entrevista publicada nesta quinta-feira (5).

Anunciada como um grande evento por aliados do bolsonarista, a entrevista de 75 minutos foi conduzida por Ana Ionova, correspondente do jornal para o Brasil e os países vizinhos, rendeu poucas e curtas aspas ao longo do texto e já começa desmentindo o ex-candidato.

“De Miami, Flávio Bolsonaro insiste em alegações infundadas de fraude eleitoral e planeja influenciar a política do país à distância, mesmo que seu partido não esteja contestando os resultados”, diz o subtítulo do texto publicado pelo The New York Times.

Na entrevista, Flávio Bolsonaro repetiu a tese de fraude eleitoral na eleição presidencial, dizendo que a vitória de Lula seria “matematicamente impossível”, além de apresentar alegações sobre manipulação de votos e falha de segurança na sala onde os computadores contabilizam os votos, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O jornal destacou que estas são alegações “já desmentidas” e demarcou as falas como um eco de “teorias da conspiração que seu pai outrora propagava sobre as urnas eletrônicas do Brasil, um sistema que especialistas internacionais consideram um dos mais seguros do mundo”.

O texto destaca que a campanha de Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação do horário de votação e que Lula venceu por uma margem muito maior do que os votos registrados entre 17h e 19h.

A publicação estadunidense também descarta que ele esteja sofrendo qualquer tipo de perseguição, ao destacar que Flávio Bolsonaro “enfrenta diversas investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e corrupção no Brasil” e que ele “fugiu após as autoridades brasileiras ordenarem a entrega de seus passaportes”.

“Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão”, disse o senador fugido, alegando que o Judiciário brasileiro é “politizado” e lembrando que o ministro Alexandre de Moraes, que determinou a apreensão de seus passaportes, também mandou prender seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na sequência, o texto do jornal destaca que Jair foi preso “por tentar dar um golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Flávio Bolsonaro também usou a entrevista para tentar proteger aliados que colaboraram com a fuga, após diversas notícias de ajuda de pessoas ligadas aos governos argentino de Javier Milei e estadunidense de Donald Trump.

Questionado sobre como articulou uma “viagem impressionante e secreta” de 8 mil quilômetros, o senador disse que “não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”.

*BdF


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Mundo Política

A alcateia dos lobos infernos e o admirável mundo dos gênios da extrema direita

No Paraguai, Flávio Bolsonaro teria recebido 87% dos votos, contra 13% de Lula. O sopro de genialidade da extrema direita realmente elevou a autoestima das antas, capivaras, com ou sem asas. Diante da realidade, uma disputa com outra para saber quem consegue ser mais genial no berrante das excrescências. É um verdadeiro festival de inteligência artificial sem inteligência e sem artificialidade: apenas a estupidez em estado bruto.

Mas existe um traço particularmente curioso nessa confraria de iluminados: Flávio Bolsonaro, Trump, Netanyahu, Milei e Santiago Peña, integrantes dessa espécie de aliança dos infernos, têm em comum a proximidade com os grandes interesses financeiros e a concentração de fortunas. É uma coincidência esteticamente extraordinária. Os supostos salvadores dos povos parecem ter encontrado, antes de qualquer coisa, uma maneira bastante eficiente de salvar a própria riqueza.

Os gênios do neoliberalismo fizeram fortuna vendendo dogmas econômicos a uma multidão de tolos convencidos de que o mercado resolveria todos os problemas da humanidade. Privatização, austeridade, desmonte do Estado e submissão aos grandes capitais foram vendidos como a receita infalível da prosperidade. O resultado, porém, é conhecido: poucos acumulam fortunas enquanto milhões pagam a conta.

No Paraguai, a fantasia da Suíça latino-americana e do eldorado guarani começa a mostrar sua face mais cruel. Brasileiros atraídos pelas promessas de segurança financeira e vantagens econômicas descobriram que o paraíso também pode ter bancos evaporando, dinheiro desaparecendo e uma crise política de proporções consideráveis. O sonho de prosperidade virou pesadelo para quem acreditou na propaganda.

É a velha fórmula neoliberal: quando tudo vai bem, os gênios reivindicam o mérito; quando o sistema desmorona, a conta é entregue ao povo.

E Flávio Bolsonaro, depois de sua derrota, aparece nesse cenário como mais um representante de uma extrema direita que parece não encontrar outro caminho senão o da fuga, do isolamento e da desmoralização política. A mesma cartilha que une esses personagens começa a produzir resultados cada vez mais constrangedores para seus próprios autores.

Trump, Milei, Netanyahu, Peña e os Bolsonaro não são episódios isolados. São expressões de um projeto internacional que transformou o ressentimento popular em mercadoria, a política em negócio e a soberania dos países em balcão de interesses.

O problema dessa alcateia é que seus integrantes passaram tempo demais acreditando na própria propaganda. Confundiram dinheiro com inteligência, poder com legitimidade e manipulação com liderança.

Mas a realidade tem uma inconveniente mania: mais cedo ou mais tarde, cobra a conta.

E quando a conta chega, não há berrante, bilionário ou guru neoliberal capaz de convocar o povo para pagar eternamente a festa dos predadores.

Por isso ou foram massacrados nas urnas ou depostos de seus governos.


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Política

Brasil vê mais espaço para investigação contra família Bolsonaro nos EUA

Mauro Vieira e Marco Rubio se encontrarão na próxima semana; Brasil espera normalização e pragmatismo na relação bilateral

A derrota de Donald Trump nas eleições desta semana é também uma derrota para o espaço político da família Bolsonaro nos EUA. A avaliação de membros do governo brasileiro é de que, com a onda democrata no Congresso, um dos abalos pode ser o enfraquecimento da capacidade da extrema direita brasileira de conseguir apoios que sejam traduzidos em ações contra o país.

Com uma maioria de democratas na Câmara de Deputados e Senado, Eduardo Bolsonaro e outros interlocutores podem ter mais dificuldades para encontrar porta-vozes no Legislativo americano e que, ao longo dos últimos meses, foram considerados como “caixas de ressonância” das posições bolsonaristas.

Mesmo deputados republicanos da Flórida que conseguiram se manter em seus cargos tiveram dificuldades para serem reeleitos. A consequência pode ser a perda de espaço político para a extrema direita brasileira.

O protagonismo, na avaliação do governo brasileiro, muda de lado e com a oportunidade de que os democratas pressionem por investigações, inclusive sobre a família Bolsonaro.

Outro impacto foi a derrota dos republicanos no Texas, estado onde Eduardo Bolsonaro se fixou nos EUA. O governo Lula espera que haja maior disposição para uma potencial investigação sobre o destino do dinheiro usado supostamente para financiar o filme Dark Horse.

O Ministério da Justiça chegou a fazer um pedido de cooperação, que jamais foi respondida pelos EUA.

O governo brasileiro, porém, não vê espaço no curto prazo para uma retirada de vistos para a família Bolsonaro. A projeção é de que isso apenas poderia ocorrer depois da eleição presidencial em 2028 e no caso de uma vitória dos democratas.

Normalização possível?
O governo brasileiro ainda aguarda para entender impacto da derrota de Trump na política externa para a região. Um dos riscos, porém, pode ser uma retomada da ofensiva dos EUA na América Latina, inclusive contra Cuba.

Mas, na relação com o Brasil, a esperança é de que possa existir um espaço para uma normalização das relações bilaterais. Nos dias 9 e 10 de novembro, o chanceler Mauro Vieira se reunirá com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O encontro ocorrerá em Paris, às margens do G7.

A tendência seria a normalização da relação e um pragmatismo. A avaliação do governo Lula é que a motivação para o assédio contra o Brasil vinha da possibilidade de influenciar o resultado da eleição no país. Com o voto superado e a vitória de Lula, a esperança é de que haja uma acomodação.

Primeiro teste: vistos e embaixadores
O primeiro teste para essa normalização seria a retomada do fluxo de funcionários, embaixadores e ministros de ambos os países. A previsão é de que, no encontro na semana que vem, um primeiro gesto seja a avaliação da aprovação do embaixador dos EUA no Brasil, Daniel Perez.

Para isso, porém, o governo brasileiro insiste que precisa haver um fim para a “Guerra Fria de vistos”. Ou seja: o fim de sanções contra a embaixadora brasileira em Washington e a retomada de vistos para ministros e autoridades nacionais nos EUA. A meta do Brasil é a de retomar o acesso desimpedido de funcionários e ministros.

Mas, para que haja essa normalização e a autorização do fluxo de embaixadores, o Brasil espera que Donald Trump deixe de questionar os resultados da eleição de Lula. Para Brasília, isso cria “ruído” no esforço de normalização.

O Brasil não espera que Trump faça uma retratação. Mas apenas que deixe de falar do assunto. Se isso ocorrer, o caminho está colocado para uma normalização.

Acordo comercial
Outro passo seria a retomada do acordo comercial com os EUA e uma redefinição de tarifas. O Brasil aguarda um rascunho de um pacto e a esperança é de que Trump suavize suas barreiras, diante do impacto que elas tiveram para o custo de vida dos americanos.

Na eleição nesta semana, os republicanos foram sancionados por conta justamente do custo de vida para milhões de americanos. Retirar as tarifas, portanto, pode ser um caminho.

O Brasil, porém, não aceitará qualquer acordo e vai insistir que precisa de um entendimento equilibrado. Para a diplomacia brasileira, se não houver espaço para uma negociação, não se descarta esperar dois anos até um eventual novo governo americano.

*Jamil Chade/ICL


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Política

As big techs e o tecnofascismo brejeiro

O tiro de misericórdia no neoliberalismo globalizado e a resistência contra o banditismo digital

Se fosse necessário traduzir em uma síntese política o que aconteceu nos últimos 11 dias — a vitória de Lula, a derrota de Flávio Bolsonaro, a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato e a renúncia de Santiago Peña, presidente do Paraguai —, eu definiria esse conjunto de acontecimentos como um duro golpe, talvez o tiro de misericórdia, na arquitetura política do neoliberalismo globalizado.

Mas há um elemento que atravessa todos esses episódios e merece um capítulo à parte: o tecnofascismo. Ele operou como braço tecnológico e propagandístico dos interesses do grande capital globalizado, numa ofensiva contra a democracia, a soberania popular e o próprio Estado de Direito. Uma engrenagem sofisticada de manipulação da informação, fabricação de consensos, silenciamento de vozes dissidentes e controle do debate público, em proporções jamais vistas na história da humanidade.

E vejam bem: isso não começou agora no Brasil. Certamente se intensificou durante o processo eleitoral, mas vem de muito antes. Desde a chegada de Bolsonaro ao poder, em 2018, matérias, vídeos, opiniões e conteúdos publicados por blogs e redes progressistas passaram a enfrentar diferentes níveis de restrição, invisibilidade e censura algorítmica. Não se trata de um fenômeno isolado, mas de uma estrutura de poder digital que, historicamente, tem demonstrado enorme afinidade com os interesses da direita e do grande capital.

Nós, do Antropofagista, fomos e continuamos sendo vítimas dessa perversidade tecnocrática. Desde 2018, assistimos à frequência de acesso ao blog despencar gradualmente, mas de maneira brutal, à medida que os algoritmos passaram a restringir nossa circulação e a reduzir nossa capacidade de alcançar leitores. Não foi uma mudança natural de comportamento do público. Foi um processo de asfixia digital que atingiu, sobretudo, veículos independentes, progressistas e comprometidos com uma visão crítica da sociedade.

O mais grave é que essa realidade não mudou. Pelo contrário: as big techs continuam fiéis ao mesmo projeto de concentração de poder, controle da informação e proteção dos interesses políticos e econômicos que as sustentam. A derrota eleitoral de seus aliados não significou qualquer recuo na estrutura de censura e manipulação que ajudaram a consolidar.

Mesmo depois das derrotas da direita no Brasil, nos Estados Unidos e do abalo político no Paraguai, seguimos enfrentando uma censura implacável. As plataformas continuam dobrando a aposta contra a liberdade de expressão, a liberdade de pensamento e a pluralidade ideológica. Parece que, para essas corporações, a vontade popular pode até prevalecer nas urnas, desde que não ameace o poder que elas exercem sobre a circulação das ideias.

É justamente aí que está o tamanho do problema. Não basta derrotar eleitoralmente o fascismo se permanecem intactas as estruturas tecnológicas e econômicas que alimentam sua reprodução. Não basta vencer nas urnas se o debate público continua submetido aos interesses privados de meia dúzia de conglomerados digitais que se comportam como donos da informação, da visibilidade e, em última instância, da própria democracia.

Mas seguimos aqui. A duras penas, enfrentando a asfixia financeira, a invisibilidade algorítmica e todas as formas de sabotagem digital. Seguimos porque o Antropofagista não nasceu para se curvar aos interesses dos poderosos, muito menos para pedir licença aos donos das plataformas para exercer o direito de pensar, criticar e informar.

O que esperamos é uma decisão soberana do Brasil, com regulação democrática e responsabilização das plataformas, que coloque limites ao verdadeiro banditismo digital e devolva à sociedade o direito de decidir livremente o que deve circular no espaço público.

Por isso, fazemos um chamado aos nossos leitores: compartilhem nossas publicações, ajudem a romper o bloqueio algorítmico e apoiem financeiramente o Antropofagista. Cada compartilhamento é uma brecha na censura. Cada contribuição é um gesto concreto de resistência.

Porque, se os poderosos têm dinheiro, algoritmos e máquinas de propaganda, nós temos a palavra, a consciência crítica e a disposição de não abandonar a luta.

O Antropofagista resiste. E resistir, neste momento, também é um ato de liberdade.


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