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Governo Tarcísio contratou empresa investigada por suspeita de elo com o PCC

Contrato da CPTM foi assinado no mesmo período em que a Operação Carbono Oculto era deflagrada; empresa manteve negócios com outros órgãos do governo paulista

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), vinculada ao governo Tarcísio de Freitas, formalizou em agosto de 2025 um contrato com a Rede Sol Fuel Distribuidora, empresa investigada por suspeitas de ligação com estruturas financeiras apuradas na Operação Carbono Oculto, investigação que mira esquemas de lavagem de dinheiro e supostas conexões com o PCC.

O contrato da CPTM foi assinado no período em que a operação se tornava pública.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que o Contrato PE10425-01, destinado ao fornecimento de gasolina à estatal ferroviária, foi assinado entre os dias 25 e 29 de agosto de 2025. O acordo prevê o fornecimento de 25 mil litros de combustível durante 720 dias e possui valor estimado de R$ 162,2 mil.

Embora o contrato da CPTM tenha valor relativamente reduzido, ele foi formalizado no momento em que a investigação já produzia seus primeiros desdobramentos públicos.

Levantamento realizado pelo ICL mostra, porém, que a relação comercial da empresa com o governo paulista vai muito além da CPTM.

Os documentos identificados pela reportagem apontam que a Rede Sol acumulou ao menos R$ 66,8 milhões em contratos e aditivos com órgãos do governo de São Paulo entre 2023 e 2025.

Contrato milionário nas travessias litorâneas
O principal vínculo comercial da empresa com o Estado foi firmado em fevereiro de 2024.

O Departamento Hidroviário, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, assinou o Contrato nº 10/2024/DH com a Rede Sol para o fornecimento de óleo diesel marítimo e aditivos destinados às embarcações que operam nas travessias litorâneas paulistas.

O valor inicial do contrato foi de R$ 63.678.457,50.

Em abril de 2025, o governo paulista autorizou reajuste contratual após a empresa não aceitar proposta de redução do índice de correção apresentada pela administração estadual. O apostilamento autorizou despesa adicional estimada em R$ 1.183.873,20.

Poucas semanas depois, em maio de 2025, o Estado assinou o primeiro termo aditivo do contrato, elevando seu valor para R$ 66.638.140,50 e prorrogando sua vigência até agosto de 2026.

Em julho de 2025, já durante o avanço das investigações, a Secretaria de Meio Ambiente publicou portaria designando os fiscais responsáveis pela execução do contrato.

Contratos em diferentes áreas do governo
A documentação obtida pela reportagem mostra que a empresa também manteve relações comerciais com outros órgãos estaduais.

Em dezembro de 2023, a Polícia Militar do Estado de São Paulo adjudicou itens de pregão eletrônico à empresa em procedimento conduzido pelo Comando de Policiamento do Interior Nove.

Em maio de 2024, o Instituto de Zootecnia, vinculado à Secretaria de Agricultura, homologou aquisição de óleo diesel da empresa no valor de R$ 57,7 mil.

Em agosto de 2025, nova homologação da Secretaria de Agricultura destinou R$ 23,4 mil à empresa para aquisição de óleo diesel.

Já em novembro de 2024, o Hospital Guilherme Álvaro, da Secretaria da Saúde, homologou compra de óleo diesel para geradores no valor de R$ 18.930.

Contrato da CPTM foi assinado durante a operação
Foi nesse contexto que a CPTM formalizou seu contrato. As assinaturas dos representantes da estatal ocorreram entre os dias 28 e 29 de agosto de 2025. O diretor-presidente da empresa havia assinado o contrato em 25 de agosto.

A contratação ocorreu durante o período em que a Operação Carbono Oculto já se tornava pública e produzia seus primeiros efeitos.

O contrato prevê fornecimento parcelado de combustível ao almoxarifado da companhia na Lapa, em São Paulo, mediante ordens de fornecimento emitidas pela estatal.

O preço do combustível seria calculado com base na média semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), aplicando-se desconto de 8,1% oferecido pela empresa.

Contrato prevê exigências de integridade
A própria documentação da licitação estabelece uma série de exigências relacionadas à integridade da empresa contratada.

A Rede Sol assinou declaração formal comprometendo-se a cumprir as normas anticorrupção, os códigos de conduta da CPTM e as políticas de integridade da companhia. A empresa também declarou que não realizaria pagamentos indevidos ou práticas fraudulentas.

O contrato determina ainda que a distribuidora mantenha, durante toda a execução do ajuste, as condições de habilitação exigidas na licitação.

Os pagamentos também ficam condicionados à inexistência de registros no Cadin estadual.

Histórico de apurações
A Rede Sol também aparece em um procedimento instaurado pelo Ministério Público de São Paulo.

O procedimento nº 42.0334.0000002/2023-0, em tramitação na Promotoria de Justiça de Mauá, trata de apuração relacionada a improbidade administrativa e supostas irregularidades em procedimento licitatório envolvendo a empresa.

A existência do procedimento antecede em cerca de dois anos a formalização do contrato da CPTM.

Outros contratos com o governo paulista
Embora o foco da reportagem seja o contrato da CPTM, a documentação levantada pelo ICL mostra que a relação comercial da empresa com o governo paulista vai além da estatal ferroviária.

A Rede Sol aparece em atos publicados no Diário Oficial envolvendo:

  • Secretaria de Agricultura e Abastecimento;
  • Secretaria da Saúde;
  • Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística;
  • Departamento Hidroviário.

A empresa também figura em contratos, aditamentos, apostilamentos e homologações publicados entre 2024 e 2025.

Entre os atos identificados estão o Contrato nº 10/2024 do Departamento Hidroviário, seus posteriores apostilamentos e aditamentos, além de aquisições de óleo diesel por diferentes órgãos estaduais.

Os documentos indicam que a empresa manteve relações comerciais contínuas com diversas áreas da administração paulista durante o período em que as investigações sobre o setor de combustíveis avançavam.

Perguntas sem resposta
O ICL Notícias encaminhou questionamentos à CPTM e ao governo do Estado de São Paulo.

A reportagem perguntou se a companhia ou a administração estadual tinham conhecimento das investigações envolvendo a empresa quando o contrato foi formalizado.

Também foram solicitados esclarecimentos sobre eventual análise de integridade ou compliance após a operação; consultas à Secretaria de Transportes Metropolitanos; comunicação com órgãos de controle; abertura de procedimentos internos; reavaliação do contrato; e eventual impacto das investigações sobre as condições de habilitação da empresa.

A reportagem também questionou se a coincidência temporal entre a formalização do contrato e a Operação Carbono Oculto produziu algum tipo de avaliação de risco dentro da administração estadual.

Até a publicação desta reportagem, a CPTM e o governo de São Paulo não haviam se manifestado. O espaço segue aberto.

Contrato permanece em vigor
A vigência do contrato é de 720 dias e a execução ocorre por meio de ordens de fornecimento emitidas pela companhia. O gestor designado pela CPTM é o gerente de logística Leandro Capergiani Moreira, responsável pelo acompanhamento do ajuste e pela interlocução com a empresa contratada.

A principal questão levantada pela documentação analisada pela reportagem não diz respeito ao valor do contrato, mas ao momento de sua formalização: a estatal paulista concluiu a contratação justamente quando a investigação que atingia o setor de combustíveis passava a se tornar pública e a produzir seus primeiros desdobramentos.

Empresa nega vínculos com investigação
A Rede Sol já negou publicamente qualquer relação financeira ou societária com o fundo Mabruk II e com empresas citadas nas investigações que atingiram o setor de combustíveis.

Em nota divulgada em junho deste ano, a companhia afirmou ser “absolutamente inverídica” a informação de que teria mantido relação financeira, econômica ou negocial com o fundo ou com outros agentes mencionados na operação.

A empresa informou que realizou, em novembro de 2023, uma emissão de notas comerciais no valor de R$ 30 milhões, operação que, segundo a companhia, foi conduzida de forma regular e em conformidade com a legislação.

A distribuidora também negou ter emitido debêntures no valor de R$ 190 milhões e afirmou que jamais manteve qualquer relação com o Mabruk II ou com organizações criminosas.

Segundo a nota, todas as informações financeiras relacionadas às operações encontram-se registradas nas demonstrações financeiras auditadas da companhia.

A empresa afirmou ainda que “jamais manteve qualquer relação com o Fundo Mabruk II e, sobretudo, jamais teve ou terá qualquer vínculo com o crime organizado”.

A companhia também sustenta que eventual associação de seu nome ao fundo decorre de interpretação equivocada das investigações.

*Cleber Lourenço/ICL


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Política

Com a campanha cada vez mais esvaziada, o catálogo de absurdos em torno de Flavio Bolsonaro, só aumenta

Para quem sabe ler, pingo é letra.

Não foi por acaso que Michelle, nesta segunda-feira, compartilhou e com uma larga difusão, um vídeo de Antony Garotinho denunciando a tal Festa das Astronautas, de Vorcaro, com mulheres nuas, usando capacetes, em que várias figuras públicas como senadores, governadores, secretários de direita participaram da esbórnia.

Esse acervo, que entrou para a lista de Michelle em suas redes sociais, tem o objetivo claro de atingir Flavio Bolsonaro.

Para piorar ainda mais, a ex-primeira-dama do clã Bolsonaro abdicou da presidência do PL Mulher.

Essa notícia, que veio hoje a público, foi facilitada pela variedade de lambanças que os assessores mais próximos de Flavio, como Paulo Figueiredo, tiraram da cartola para atacar justamente Michelle, sugerindo que mulher brasileira não sabe votar, sobretudo as mulheres solteiras, porque as casadas aceitam ser subjugadas pelos maridos bolsonaristas. Ele ainda mandou uma frase impublicável, tamanho o nível de baixaria.

Na verdade, era para a campanha de Flavio ter sido extinta há muito tempo, mas o bolsonarismo se impõe não pelo antipetismo, isso é mais que uma vertigem, é uma balela. O que motiva essa gente é ódio ao Brasil real, principalmente o rancor racista das cotas e do Bolsa Família que atende às camadas mais pobres da população.

O bolsonarismo é isso, justificado como antipetismo, mas é uma gente que está cada dia mais despudoramente fascista, reacionária, intelectualmente nula e socialmente distante da sociedade brasileira.

Os argumentos centrais não são unificados, porque não há debate sobre absolutamente nada no bolsonarismo, é ira contra o resto do país, raiva de ser brasileiro, porque eles sempre sonharam se transformar em norte-americanos e, claro, apoiam as tarifas de Trump contra eles próprios, além da submissão total aos EUA.

Se fosse somente uma disputa eleitoral sem o arco de aliança do inferno, Flavio nem voltaria mais ao Brasil, mas mesmo o feitiço virando contra o feiticeiro, essa horda de sabujos americanizados exige que o bolsonarismo inimigo da população tenha um representante na disputa presidencial.

Essa gente pratica o ódio em quarto grau. E a tendência é produzir a própria pobreza eleitoral da campanha de Flavio até 4 de outubro, quando Lula tem possibilidade de liquidar o pleito logo no primeiro turno. É isso que mostram as pesquisas com votos válidos.


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Política

Racha no bueiro: Michelle deixa comando do PL Mulher após crise com Flávio Bolsonaro

Ex-primeira-dama comunicou a decisão a Valdemar Costa Neto e afirmou que pretende se dedicar aos cuidados de Jair Bolsonaro e da filha

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comunicou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que deixará a presidência do PL Mulher. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (30), poucos dias após o desgaste público envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Michelle ocupava o comando do segmento feminino do partido desde o início de 2023. Segundo interlocutores, ela afirmou a Valdemar que pretende se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro e da filha.

O anúncio ocorre depois de um conflito que expôs divergências dentro da família Bolsonaro. Na semana passada, Michelle publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou ter recebido uma “punhalada” no ano passado e fez críticas ao relacionamento com Flávio Bolsonaro.

Após a repercussão do vídeo, o senador adotou um tom conciliador e pediu desculpas à ex-primeira-dama, numa tentativa de reduzir o desgaste provocado pelo episódio.

Em comunicado divulgado após a reunião com Valdemar Costa Neto, Michelle explicou os motivos da decisão.

“Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar, integralmente, aos cuidados para com o meu marido e minha filha.”

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Racha no clã
Na semana passada, a ex-primeira-dama publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado durante uma conversa sobre os rumos do PL.

Segundo Michelle, Flávio teria dito que ela deveria ficar fora das decisões do partido por não entender de política. Ela afirmou ainda que interpretou a fala como um sinal de que seu apoio à pré-candidatura do senador não era desejado. Após a repercussão do episódio, Flávio pediu desculpas e tentou adotar um discurso de conciliação.

O estopim do conflito foi a disputa por espaço político no Ceará. Michelle criticou a aproximação do PL com Ciro Gomes (PSDB) e defendeu o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo), além de reivindicar uma candidatura ao Senado para a vereadora Priscila Costa (PL), sua aliada. A posição desagradou Flávio e outros filhos de Jair Bolsonaro, que saíram em defesa da estratégia adotada pelo partido no estado.

*ICL


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Política

Criminosos somente não se entendem na hora da partilha do roubo

O império bolsonarista, construído sobre rachadinhas, milícias, joias sauditas e esquemas bilionários, está rachando de dentro para fora. Como ratos famintos disputando os últimos restos de um banquete roubado, o clã Bolsonaro e seus aliados devoram uns aos outros enquanto a Polícia Federal aperta o cerco. O que era para ser uma família unida no crime agora virou um campo de batalha aberto, expondo a podridão que sempre esteve por trás da máscara de “defensores da pátria”.

A PF desvendou um esquema milionário de lavagem de dinheiro público envolvendo o PCC, os filhos de Jair Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o Banco Master. Provas de lavagem e evasão de divisas foram encontradas, e a pressão sobre o ministro André Mendonça para autorizar uma operação cirúrgica contra o clã virou insuportável. O desvio de recursos públicos alimentou não só contas no exterior, mas também as engrenagens de facções criminosas. Enquanto o povo passa fome, o dinheiro sujo irrigava campanhas, igrejas e bolsos privados.

No meio do fogo cruzado, Michelle Bolsonaro decidiu lavar as mãos como Pilatos e abandonar o marido Jair ao próprio destino. Pior: ela partiu para o ataque aberto na internet, sabotando Flávio e Eduardo sem piedade. A guerra de bastidores explodiu. Os filhos acusam a madrasta de traição da pior espécie. O clima nos corredores do bolsonarismo está mais tenso que corda de forca. Michelle não está apenas se defendendo — está implodindo a extrema-direita de dentro, acendendo o pavio de uma guerra familiar destruidora.

Flávio Bolsonaro, desesperado, perdeu o freio. Em acordos costurados com Trump, o senador ameaçou os brasileiros com absurdos dignos de ditador bananeiro: os EUA jogariam bomba atômica no Brasil para matar brasileiros e roubar nossas riquezas. Uma carta secreta vazada para os americanos colocou Flávio diretamente na mira da Procuradoria-Geral da República. O que era briga interna agora é alvo federal.

Enquanto isso, os bolsonaristas desesperados mobilizaram sua artilharia pesada de influenciadores para destruir Michelle. Revelações bombásticas sobre Damares Alves também vieram à tona, arrastando mais lama para o pântano. E a PF encontrou o elo bomba: conexão direta entre a campanha de Flávio, o rombo bilionário de Edir Macedo e a grana de facções criminosas. O pânico tomou conta. A lama subiu tanto que já suja até Tarcísio de Freitas, o “postinho” que sonhava ficar ileso.

É isso que acontece quando o bolo do roubo acaba: os criminosos que se abraçavam no palanque agora cravam facas uns nos outros. Bolsonaro, Michelle, Flávio, Eduardo, Damares, Tarcísio, Edir Macedo e toda a quadrilha que destruiu o país entre 2019 e 2022 estão expostos. Não existe mais narrativa que segure. Não existe mais “perseguição política” que explique. O que há é uma gangue desmoronando sob o peso dos próprios crimes.

Acorda, Brasil!

O clã que prometia salvar a nação era apenas mais uma quadrilha bem-organizada. Agora, na hora da partilha do roubo, eles se destroem. E o povo, que sempre pagou a conta, assiste ao espetáculo final dessa farsa sangrenta. Chega de ser trouxa. A verdade está saindo do esgoto — e ela fede a rachadinha, PCC, Banco Master e hipocrisia evangélica de fachada.

O circo está pegando fogo. E ninguém vai apagar esse incêndio por eles.

*Luís Celso é Formado em Ciências Contábeis pela UFRJ, Aposentado pelo INSS, tendo trabalhado como Supervisor no Banco da Amazônia e também como Diretor Regional do SESC e do SENAC nos Estados do Acre e de Rondônia.


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Educação Política

De Doria a Tarcísio: modelo empresarial no ensino médio desestrutura educação de SP, aponta pesquisa

Novo Ensino Médio é criticado por não ajudar no trabalho ou no Enem, afastar da universidade e impelir para precarização

O Inova Educação, programa do então governador de São Paulo João Doria, foi a primeira experiência na rede pública com o Novo Ensino Médio, criado pela Medida Provisória 746, em setembro de 2016, nem cinco meses após Michel Temer tomar posse como presidente.

A reforma alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, retirando disciplinas tradicionais como literatura, história, geografia, artes, sociologia, filosofia, e colocando temas como empreendedorismo, projeto de vida, tecnologia, novidades que o pedagogo Felipe Willian Ferreira de Alencar classifica como “coisas”.

Alencar é autor do livro “Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial”, lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital, fruto da dissertação de mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). No texto, ele critica a reforma que se apoiou na manutenção do trabalho precarizado e no afastamento das universidades.

“O adensamento cada vez mais profundo de reformas piora a educação em vários sentidos: na mudança do conteúdo, do currículo, do tempo da escola, da formação dos professores, da gestão da escola, de todo o funcionamento”, detalha o pesquisador.

O movimento que aconteceu com a presença maciça da iniciativa privada, principalmente por meio de fundações privadas, muitas delas ligadas ao mercado financeiro. Ao mesmo tempo, conta Alencar, faziam uma defesa aberta de que a rede pública não precisava de novos recursos financeiros.

Paralelamente, o programa desestruturou a rede pública, além de retirar horas de disciplinas essenciais para a formação do aluno. O governo Doria desmembrou o chamado itinerário formativo, no qual o aluno opta por determinadas áreas, em cerca de 270 disciplinas. Professores de matérias tradicionais ficaram sem aula e tiveram que aderir a lecionar empreendedorismo, por exemplo. O resultado foi falta de professores e aulas.

No primeiro semestre de 2022, foram 19.996 aulas sem atribuições, 22,1% do total de aulas. No semestre seguinte, piorou: 24.943, 27,8% do total. Alencar classifica esse momento de transição como período bolsonarista da educação de São Paulo, que pega parte da agenda da gestão neoliberal do PSDB de São Paulo, antes de Doria.

“A partir desse período mais atual, que é exatamente esse período bolsonarista, não só o neoliberalismo, como era com o PSDB, a gestão tucana liberal se tornou também uma gestão neoliberal e neofascista, que foi a característica do João Dória, que implantou políticas muito nefastas, e a gente vê uma continuidade com o Tarcísio [de Freitas – atual governador]”, aponta.

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) disse que não adota mais o Inova Educação. “O currículo atualmente adotado segue a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Currículo Paulista e a matriz curricular do Estado de São Paulo.”

Durante o início do período Doria, houve aulas que Alencar classifica como “escandalosas” e que apontam para o objetivo de manter relações precarizadas de trabalho: curso de brigadeiro gourmet, de como ter um petshop, de como cuidar de cílios ou fazer sobrancelhas — tudo para um público que já trabalhava em atividades precarizadas.

Alencar conta que um dos discursos comuns nas aulas da nova grade era o controle emocional para condições adversas, “sempre atrelada essa questão do controle emocional com aguentar esse novo período histórico”.

Governo Tarcísio, uma continuação
Na gestão do pré-candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos – SP), houve uma certa reformulação do que era o Inova Educação. Mas, segundo Alencar, a essência não mudou. “Ele manteve disciplinas do itinerário formativo, como empreendedorismo, mas ele afunilou a quantidade, porque, no governo Doria, houve em torno de 270 disciplinas, uma coisa impossível de administrar para educar.”

No entanto, a proximidade com a iniciativa privada e o utilitarismo continuam com disciplinas como oratória ou biotecnologia, em vez de biologia. Além disso, a plataformização da educação, protagonizada pelo atual secretário de educação, Renato Feder, empresário do ramo de tecnologia, replica em São Paulo sua gestão iniciada no Paraná.

Existem pelo menos 28 plataformas para o aluno usar na rede pública de ensino de São Paulo, de redação a preparo para o vestibular, de inglês a leitura de livro. “Agora, imagina a situação da rede estadual de São Paulo? Que são todas escolas muito bem equipadas, com internet, fibra ótica naquele nível super bom, só que não, essa não é a realidade”, ironiza Alencar.

Em resposta, a Seduc-SP disse que “a tecnologia é utilizada como recurso pedagógico complementar, integrada ao currículo, aos materiais didáticos, à formação docente e ao acompanhamento da aprendizagem” e que, entre 2023 e 2025, foram investidos R$ 340 milhões na ampliação da conectividade da rede, que atualmente atende 98,5% das escolas estaduais, além da distribuição de 744 mil equipamentos para escolas e professores.

Sobre as parcerias com instituições privadas, a Seduc informa que “são formalizadas por instrumentos jurídicos e têm como finalidade apoiar ações educacionais, formação de profissionais, desenvolvimento de projetos e compartilhamento de metodologias e tecnologias”.

Desprovação e resistência
Após oito anos, o Novo Ensino Médio foi desaprovado em consulta pública feita pelo Ministério da Educação, em 2024. Para 76,80% dos professores, 70,75% dos gestores e 56,25% dos estudantes, a mudança não prepara os alunos para o atual Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para 52,9% dos professores, 65,5% dos estudantes e 64,1% dos gestores, o aumento da carga horária do ensino médio não prepara os alunos para conseguir trabalho. Além disso, 74% dos estudantes disseram que a carga horária imposta traz dificuldades para conciliar com o trabalho.

A implantação à força do projeto de educação de Temer teve resistência em São Paulo. Iniciado com três escolas de Guarulhos da rede estadual em diálogo com o campus da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) no município, o Grupo Escola Pública Democrática (GEPud) debate, propõe disciplinas alternativas a partir das comunidades, além de espalhar o modelo para outras escolas. Durante a pandemia, o grupo ajudou a subsidiar ações populares. Atualmente, com 15 escolas em Taboão da Serra, Embu das Artes, Itapecerica da Serra e na zona leste de São Paulo, também promove pesquisas e apresenta sugestões de políticas públicas.

A Seduc-SP diz que mantém “diálogo permanente com estudantes e com a comunidade escolar por diferentes canais institucionais”.

*BdF


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Michelle posta VÍDEO sobre “festa das astronautas” de Vorcaro e manda recado a Flávio

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou nesta segunda-feira (29) um vídeo com relato do ex-governador do RJ Anthony Garotinho sobre a chamada “noite das astronautas”, suposta festa sexual que teria sido organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A publicação ocorre em meio à crise envolvendo Michelle e seu enteado mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

A proximidade de Flávio com Vorcaro, que está preso, é uma das fragilidades da campanha do senador. O vídeo divulgado por Michelle mostra a influenciadora Juliana Moreira Leite reagindo a um trecho do podcast “Pode, Garotinho?”, no qual o ex-governador afirma ter recebido um material ainda não divulgado.

No relato, Garotinho afirma que a suposta festa organizada por Vorcaro ficou conhecida como “noite das astronautas”. Segundo ele, mulheres estrangeiras ficavam nuas usando capacetes espaciais, enquanto deputados, governadores, secretários e senadores escolhiam as acompanhantes levantando a viseira do equipamento. “Homens que defendem a família” estariam entre os participantes, segundo o carioca.

O ex-governador também declarou que as mulheres seriam estrangeiras, descritas por ele como “muito altas e muito brancas, parecem ucranianas ou russas”. Segundo Garotinho, elas teriam sido contratadas justamente por não entenderem português. “As mulheres não sabiam o que os homens estavam falando e nem podiam saber”, disse.

A postagem de Michelle ocorre em um momento de acirramento da disputa interna no campo bolsonarista. A ex-primeira-dama costuma usar trechos bíblicos para enviar recados em suas redes sociais. Na semana passada, em meio ao conflito com Flávio, ela publicou uma passagem do Livro de Salmos: “A falsa testemunha não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá.”

De acordo com o DCM, nesta segunda, pouco antes de divulgar o vídeo com o relato de Garotinho, Michelle compartilhou outro trecho do Antigo Testamento: “Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação”.

A citação responde ao questionamento “quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo”, retirado do livro de Salmos.

Autor das declarações sobre a suposta festa, Anthony Garotinho é pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro. Em março, ele teve uma condenação anulada pelo STF. A Segunda Turma do tribunal manteve decisão do ministro Cristiano Zanin, que apontou falha na cadeia de custódia das provas centrais da Operação Chequinho.

A investigação tratava do suposto uso do programa social Cheque Cidadão para obtenção de apoio eleitoral. Garotinho havia sido condenado a 13 anos e nove meses de prisão. Com a anulação da condenação, recuperou os direitos políticos e voltou ao cenário eleitoral.

A relação entre Michelle e Flávio Bolsonaro se deteriorou na semana passada. A ex-primeira-dama acusou o senador de tê-la humilhado, maltratado e desrespeitado. As declarações abriram uma crise na campanha do pré-candidato e ampliaram a exposição de vínculos políticos ligados a Daniel Vorcaro.


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Política

Coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro sobre mansão: Não sei o que vou fazer

Santini informou que tem atuado na coordenação de agenda de Flávio Bolsonaro e falado por ele nas negociações de formação de palanques pelo interior do Brasil

Em entrevista à coluna, o advogado José Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), disse que “ainda não sabe” o que fará com uma mansão comprada por ele no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 14,5 milhões, em setembro de 2025. Ao todo, o patrimônio de Santini é de pelo menos R$ 23 milhões, em nove imóveis adquiridos desde de 2022, conforme levantamento inédito do ICL Notícias.

A aquisição mais recente tem uma área total de 1.312,50 metros quadrados e 635,8 metros quadrados de área construída. De acordo com as certidões de matrícula e escritura do imóvel, ele pagou R$ 4 milhões de entrada e financiou R$ 10,5 milhões no Banco Regional de Brasília (BRB). Confira a entrevista:

Coluna: Como está o trabalho na campanha?

Santini: Pra gente, a gente começou em fevereiro, né? Fevereiro, março, abril, maio… com todas as complicações que foram, né? Junho, já estamos entrando em julho. Mas ok, tá caminhando para o momento da eleição mesmo, que é o melhor, né? Essa pré-campanha é muito cansativa. A campanha é mais encaixada.

Coluna: E você está como coordenador da agenda?

Santini: É uma coordenação informal. Assim, é uma pré-campanha, né? Então, o que eu fiz foi tentar organizar, naquele momento que eu entrei ali, a agenda. Mas formalmente mesmo, eu sou do jurídico da campanha, né?

Coluna: Formalmente você está como advogado, mas tem uma função extraoficial, por enquanto, de coordenação de agenda. Vai formalizar isso depois?

Santini: Nem sei. Vai ser tão cansativo esse negócio, né? Vai ser tão grande. Tanta coisa. A gente ainda não pensou. Mas quando eu entrei, ali atrás, para ajudar na agenda, foi para ajudar pela minha experiência ali, né? Conheço quase todos os deputados, senadores e governadores. Conheço quase todo mundo. Aí, assim, precisava de alguém que conhecesse as pessoas para falar em nome dele (Flávio), né? Não dava pra ser qualquer pessoa, né? Pra ficar tratando assim com os candidatos, organizando os palanques, fazendo as estruturas ali das agendas dos estados, que são muito complicadas, muita gente.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Vídeo – Camarote Master? Setor VIP de Eduardo Bolsonaro em jogo do Brasil custa R$ 180 mil. Quem pode…

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi visto nesta segunda-feira (29) na área VIP do NRG Stadium, em Houston, antes da partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo de 2026, em um setor cujo ingresso mais exclusivo custa cerca de R$ 180 mil.

Imagens divulgadas pelo portal LeoDias mostram Eduardo circulando pelo espaço reservado, cumprimentando torcedores, conversando com admiradores e tirando fotos. A divulgação não informa se ele comprou a entrada, recebeu convite ou teve o acesso bancado por terceiros.

Segundo levantamento do jornalista Luiz Carlos Azenha citado pela Revista Fórum, os tickets mais exclusivos para a partida custam cerca de US$ 35 mil cada, valor equivalente a aproximadamente R$ 180 mil. A presença de Eduardo no local reacendeu questionamentos sobre como ele se mantém nos Estados Unidos.

Eduardo vive nos EUA desde fevereiro de 2025, perdeu o mandato de deputado federal, tornou-se inelegível e teve bens bloqueados pela Justiça brasileira, de acordo com a reportagem. Ele ainda não apresentou explicação pública sobre o acesso à área VIP do estádio.

Patrimônio declarado e permanência nos Estados Unidos
Na última prestação de contas enviada ao Tribunal Superior Eleitoral antes das eleições de 2022, Eduardo declarou patrimônio de R$ 1,76 milhão. Desse total, R$ 1 milhão correspondia a um imóvel financiado, R$ 160 mil a um imóvel quitado e R$ 600 mil a valores depositados em banco, que ele atribuiu à venda de um curso online.

Em vídeo publicado no Instagram em 17 de maio, Eduardo negou ser dono de uma casa em Arlington, nos Estados Unidos, citada em reportagens. Na gravação, disse que mora “de aluguel” e afirmou ter dificuldade para “honrar as parcelas” de um imóvel financiado no Brasil.

No mesmo dia, em live com Paulo Figueiredo, Eduardo afirmou que se sustenta nos EUA com “renda passiva”. Ele também citou o recebimento de R$ 2 milhões de uma campanha feita por Jair Bolsonaro; o ex-presidente disse à Polícia Federal, em junho de 2025, que transferiu esse valor ao filho por Pix.

*DCM


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Alcolumbre insiste em medir forças com o Planalto ao pautar PEC de custo bilionário

Pauta-bomba: Senado vota aposentadoria especial de agentes de saúde na terça (30)

Apesar dos alertas da Fazenda, Senado vota aposentadoria especial para agentes de saúde com impacto de quase R$ 70 milhões.

Mesmo com auxiliares do Ministério da Fazenda alertando sobre o risco da aprovação da PEC 14/2021, que versa sobre a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para terça-feira (30) a apreciação do projeto em primeiro turno no plenário do Senado. Essa também é considerada uma pauta-bomba, em mais um movimento de medição de forças do presidente do Congresso com o Palácio do Planalto.

Contrariando o governo, Alcolumbre afirmou que já solicitou estudos sobre os efeitos fiscais da medida antes de levá-la à deliberação do Plenário. Estimativas apresentadas ao Senado apontam que a PEC pode gerar um impacto de aproximadamente R$ 28 bilhões. Já a Confederação Nacional de Municípios (CNM) calcula que o custo poderá alcançar a casa dos R$ 69 bilhões aos cofres brasileiros.

A PEC estabelece regras diferenciadas de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, categorias que atuam diretamente na atenção básica do SUS e estão expostas a condições de trabalho consideradas desgastantes. Pelo texto, as mulheres poderão se aposentar aos 57 anos e os homens, aos 60, desde que comprovem 25 anos de contribuição e de efetivo exercício na função.

As novas regras valerão tanto para os regimes próprios de previdência quanto para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) administrado pelo INSS. A proposta também prevê regras de transição para profissionais que já estão na carreira e amplia o alcance da aposentadoria especial para agentes indígenas de saúde e de saneamento.

A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Agora, passa pela primeira votação em plenário, etapa necessária antes da análise em segundo turno.

Também deve ganhar espaço na agenda do Senado desta semana a mobilização pelo fim da escala 6×1. Embora a proposta de emenda à Constituição ainda aguarde despacho da Presidência da Casa, a quarta-feira (1º) será marcada por uma reunião entre Davi Alcolumbre, representantes das centrais sindicais, parlamentares e integrantes do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que lidera a campanha pela mudança na jornada.

Outra pauta-bomba já aprovada
O Senado aprovou, no início do mês, o projeto de lei (PL) 5122/23, que autoriza o uso do Fundo Social (FS) do Pré-Sal na renegociação de dívidas de grandes empresas do agronegócio. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incluiu o item na pauta de votações do plenário, apesar dos apelos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os impactos da medida.

A proposta é rechaçada pela equipe econômica do governo Lula, que a considera uma pauta-bomba e calcula um impacto sobre as contas públicas da ordem de R$ 817 bilhões nos próximos 13 anos. Os benefícios serão para grandes empresas do agronegócio atingidas por eventos climáticos extremos ou prejudicadas por impactos econômicos decorrentes de conflitos internacionais.

*BdF


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Brasil Política

Vai ser submisso assim lá na casa do…: Flavio quer Brasil alinhado com Israel

Em Buenos Aires, senador usou evento de grupos conservadores pró-Israel para atacar Lula e prometer alinhamento ao regime de Benjamin Netanyahu, responsável pelo assassinato de milhares de palestinos

Osenador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou neste domingo (28) na abertura da Conferência de Presidentes da América Latina, em Buenos Aires, evento promovido pela Fundação dos Aliados de Israel (IAF) e pela organização Amigos Americanos dos Acordos de Abraão (Afoia). No palco, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “antissemita”, prometeu transferir a Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e anunciou adesão do país aos Acordos de Isaac, iniciativa diplomática de Javier Milei e Benjamin Netanyahu, caso seja eleito em outubro.

Flávio Bolsonaro ataca Lula e promete entregar o Brasil Para os EUA/Israel
O discurso de Flávio Bolsonaro em Buenos Aires foi construído sobre dois eixos: o ataque direto ao presidente Lula e uma série de promessas de ruptura na política externa brasileira. Ao chamar Lula de “antissemita”, o senador mentiu que Lula nutre ódio pelo povo judeu, evocando a declaração que o presidente fez em 2024, quando comparou a ação militar genocida de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto nazista. A ofensiva israelense no enclave deixou mais de 70 mil palestinos mortos até então.

A promessa mais concreta do discurso foi a transferência da Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, caso Flávio vença as eleições de outubro. O pré-candidato foi além: afirmou que, já no primeiro dia de governo, receberia as credenciais de um novo embaixador de Israel em Brasília. A mudança de sede de embaixada para Jerusalém é uma questão diplomaticamente sensível: a maioria dos países mantém representações em Tel Aviv justamente para não antecipar posição sobre o status da cidade, disputada entre israelenses e palestinos em qualquer cenário de negociação de paz.

“A partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão da Argentina mais do que nunca. E será também, com orgulho e sem o menor medo de dizer isso, irmão de Israel”, declarou Flávio Bolsonaro no evento.

O senador elogiou a diplomacia israelense e prometeu que o Brasil aderirá aos Acordos de Isaac, iniciativa patrocinada pelo presidente argentino Javier Milei e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu com o objetivo de estreitar relações entre Israel e países da América Latina.

Contexto das declarações e alinhamento internacional
As relações diplomáticas entre Brasil e Israel estão tensas desde 2024, quando a ofensiva israelense em Gaza provocou críticas públicas do presidente Lula. A comparação que Lula fez entre a ação militar israelense e o Holocausto gerou reação imediata de Tel Aviv e culminou na retirada dos embaixadores de ambos os países de suas respectivas representações, um gesto diplomático que sinaliza rebaixamento formal das relações. Desde então, o Brasil opera com um encarregado de negócios na embaixada em Tel Aviv, e Israel designou Rasha Athamni para a mesma função em Brasília.

Nesse cenário de ruptura, Flávio Bolsonaro escolheu Buenos Aires para se posicionar como o candidato do realinhamento. Em discurso proferido em espanhol, o senador também defendeu a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, associando as facções ao Irã e ao Hezbollah. Para sustentar o argumento, citou que, segundo a Justiça argentina, o atentado à Embaixada de Israel em Buenos Aires em 1992 foi atribuído ao Hezbollah, financiado pelo Irã. Acrescentou ainda que investigações da Polícia Federal brasileira, com apoio da inteligência israelense e norte-americana, apontam para conexões entre redes do Hezbollah e facções criminosas brasileiras, envolvendo rotas de cocaína e contrabando de armas.

Submissão aos EUA
O discurso em Buenos Aires não é um episódio isolado. Semanas antes, no início de junho, Flávio Bolsonaro enviou carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em papel timbrado do Senado Federal. No texto, além de pedir que Washington não impusesse novas tarifas sobre produtos brasileiros, o senador se comprometeu a colocar sua equipe de transição “à disposição” do governo norte-americano caso eleito, para acelerar um acordo comercial. Rubio respondeu agradecendo a “oferta generosa”, mas manteve integralmente a posição favorável às tarifas contra o Brasil.

O governo Lula, parlamentares de esquerda e setores da diplomacia brasileira classificaram a proposta como incompatível com a tradição de autonomia da política externa brasileira. Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), a carta “escancara o tamanho da submissão” de Flávio aos EUA.


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