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Dino mexe as placas tectônicas do Dark Horse

A movimentação de Flávio Dino tem potencial para mexer nas placas tectônicas de uma engrenagem política que vinha tentando se consolidar nos bastidores. Ao colocar o peso institucional do STF em determinadas frentes e avançar sobre áreas sensíveis, Dino altera o terreno onde alguns personagens imaginavam poder caminhar sem maiores obstáculos.

O efeito é especialmente forte porque o chamado Dark Horse depende, por definição, de zonas de sombra, acordos silenciosos e movimentos que não aparecem imediatamente no radar público. Quando Dino desloca essas peças, o que parecia estável começa a tremer.

Não se trata apenas de mais uma decisão ou de mais um capítulo da disputa política. É uma mudança de ambiente. E, quando o ambiente muda, estratégias cuidadosamente montadas podem perder valor em questão de horas.

Para quem apostava na acomodação, o recado é incômodo: Dino está mexendo no tabuleiro antes que os jogadores consigam sequer entender completamente as novas regras. As placas tectônicas se movem lentamente — mas, quando finalmente se deslocam, ninguém consegue fingir que nada aconteceu.

E é justamente aí que está o perigo para o Dark Horse: o que parecia uma corrida previsível pode estar entrando numa fase completamente diferente, na qual as velhas proteções, os velhos cálculos e as velhas certezas deixam de funcionar.

Fato é que, Flávio Dino deu um sacode bonito nas placas tectônicas do Dark Horse e Flávio Bolsonaro sentiu o tranco, porque, por essa o cínico não esperava.


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Ninguém sentiu a falta de Zema no debate da Band

O debate da Band terminou e uma pergunta ficou no ar: alguém percebeu que o candidato banana, Romeu Zema, não estava lá?

A resposta parece ser um sonoro “não”.

Zema fez tanta falta no debate quanto guarda-chuva em dia de sol. Sua ausência foi tão discreta que, se alguém tivesse anunciado no meio do programa que ele estava participando por videoconferência, provavelmente ninguém teria perguntado onde estava a tela.

Enquanto os candidatos trocavam farpas, propostas e ataques, o ex-governador mineiro conseguiu protagonizar uma façanha rara na política: não participar de um debate e, ainda assim, não deixar saudade nenhuma.

Foi praticamente o equivalente político daquela cadeira vazia numa reunião que ninguém usa.

A Band conseguiu reunir candidatos, câmeras, mediadores, tensão e promessas. Só não conseguiu reunir uma coisa: alguém perguntando “mas cadê o Zema?”

No fim, sua ausência acabou sendo mais comentada justamente porque ninguém pareceu sentir falta.

Zema talvez tenha descoberto uma nova modalidade eleitoral: o candidato invisível — aquele que consegue perder espaço até quando não está disputando espaço.

Se o objetivo era chamar atenção pela ausência, funcionou. Se era fazer falta, aí foi outro debate.

“Eu sou um merda
Um Zé mané, um zero a esquerda
Se eu não for
Ninguém vai sentir a perda”


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Brasil aproveita erros de Trump e da família Bolsonaro e encosta nos EUA no agronegócio

O que Donald Trump pretendia transformar em instrumento de pressão contra o Brasil começa a produzir um efeito bastante diferente no comércio internacional: o país está ocupando espaços que os Estados Unidos vêm perdendo no agronegócio e já se aproxima de superar os norte-americanos em valor de exportações do setor.

Os números ajudam a dimensionar a mudança. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas 14% acima do resultado de cinco anos antes. No mesmo período, o Brasil saltou 68%, chegando a US$ 169 bilhões. A distância, que no início do século era enorme a favor dos americanos, praticamente desapareceu.

A explicação não está apenas na extraordinária capacidade produtiva brasileira. A política comercial de Trump também abriu portas para os concorrentes. Ao transformar a China e outros parceiros tradicionais em adversários comerciais, Washington perdeu mercados estratégicos justamente para países capazes de oferecer produtos competitivos — e o Brasil estava pronto para ocupar esses espaços.

Na Ásia, o movimento é particularmente revelador. Entre 2022 e 2025, as exportações agropecuárias dos EUA para a região caíram 25%, enquanto as brasileiras cresceram 9%. No mercado chinês, a retração americana foi ainda mais expressiva: as vendas dos EUA diminuíram 49% em cinco anos, enquanto as brasileiras avançaram 8%.

É a velha ironia da geopolítica: ao tentar usar tarifas para proteger o produtor americano, Trump acabou estimulando compradores internacionais a procurar fornecedores alternativos. E o Brasil apareceu como uma alternativa natural.

A soja é um dos exemplos mais emblemáticos. Os Estados Unidos continuam fortes no milho, mas perderam espaço justamente em uma das commodities que historicamente sustentaram sua balança agrícola. Nas carnes, o avanço brasileiro também é significativo. O Brasil ampliou sua presença internacional enquanto os americanos enfrentam um rebanho bovino no menor nível em décadas e passaram, paradoxalmente, a depender mais de carne importada.

O desempenho brasileiro não é apenas uma reação circunstancial ao tarifaço. As exportações do agronegócio atingiram US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para o período, impulsionadas principalmente por carnes, soja e algodão. A China sozinha respondeu por US$ 30,5 bilhões, 35,1% do total, com crescimento de 10,5% sobre o mesmo período anterior.

E há outro dado que desmonta a ideia de que o Brasil estaria excessivamente dependente dos Estados Unidos: no primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras de produtos do agronegócio para os EUA caíram 25,1%, mas a China, a União Europeia e outros mercados absorveram boa parte da expansão brasileira.

Isso significa que a diversificação virou uma espécie de seguro contra o protecionismo de Trump. Quanto mais Washington fecha portas, mais Brasília procura — e encontra — compradores em outras partes do planeta.

O resultado é uma transformação importante no equilíbrio do agronegócio mundial. Os Estados Unidos continuam sendo uma potência agrícola incontestável, mas já não podem contar com a mesma vantagem de décadas atrás. O Brasil dispõe de território, produtividade, capacidade de expansão, diversidade de produtos e uma posição privilegiada no comércio com a Ásia.

Trump queria utilizar o tamanho do mercado americano como arma. O problema é que o mundo mudou — e o Brasil também.

Hoje, quando Washington ergue barreiras, Pequim abre espaço. Quando os americanos perdem competitividade, os brasileiros avançam. Quando Trump transforma parceiros em adversários, produtores brasileiros encontram novos clientes.

O mais revelador, portanto, é que a política de confronto dos Estados Unidos pode estar acelerando exatamente aquilo que pretendia evitar: a consolidação do Brasil como um dos grandes fornecedores estratégicos de alimentos do planeta e como concorrente cada vez mais direto da agricultura americana.

A disputa pelo agronegócio mundial, ao que tudo indica, está mudando de mãos — e o Brasil chega a essa disputa muito mais forte do que estava no início do século.


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A audiência que desmontou o espetáculo: entrevista de Lula na Record supera em mais de duas vezes o debate da Band

A noite de domingo deixou um recado que a televisão e os estrategistas eleitorais deveriam levar a sério: o público não comprou o debate presidencial da Band. Enquanto a emissora transmitia um confronto esvaziado, sem Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, a entrevista de Lula à Record, exibida praticamente no mesmo horário, alcançava mais que o dobro da audiência.

Na medição em tempo real das 20h57, na Grande São Paulo, a Record registrava 4,28 pontos, contra apenas 2,06 pontos da Band — uma diferença de 108%.

E há uma ironia ainda maior nesse resultado. O debate foi vendido como um dos grandes momentos da largada da corrida presidencial, mas acabou transformado em uma espécie de palco de segunda linha. Com a ausência dos principais candidatos, sobraram três concorrentes — Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos — tentando ocupar um espaço que deveria ser disputado pelos nomes que efetivamente estão no centro da eleição.

Enquanto isso, Lula estava na Record falando diretamente com o eleitor. E a resposta veio na forma mais objetiva possível: a audiência.

O dado é especialmente significativo porque demonstra que não basta colocar câmeras, púlpitos e candidatos em um estúdio e chamar aquilo de grande debate presidencial. O eleitor decide onde quer prestar atenção. E, naquela noite, preferiu acompanhar Lula a assistir a um confronto sem os dois candidatos que polarizam a disputa.

Nas redes sociais, a entrevista também ganhou enorme repercussão, ampliando seu alcance muito além da televisão. Lula conseguiu transformar uma ausência no debate em uma oportunidade de comunicação direta, enquanto a Band acabou transmitindo um programa que, pela audiência registrada, despertou pouco interesse do público.

O resultado expõe uma realidade incômoda: o debate pode ter sido importante para os candidatos que participaram, mas não conseguiu se impor como o grande acontecimento eleitoral da noite.

A audiência fez a comparação por conta própria. De um lado, um debate esvaziado. Do outro, Lula falando ao eleitor. E, pelo menos naquele confronto de audiência, o eleitor escolheu claramente onde queria estar, com Lula


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A cortina de fumaça da mídia para proteger Flávio Bolsonaro

O cerco começa a se fechar sobre Flávio Bolsonaro — e, curiosamente, quanto mais avançam as questões que envolvem o candidato, mais determinados setores da mídia parecem interessados em deslocar o foco para Lulinha. Não se trata de negar a necessidade de investigação sobre o filho de Lula: qualquer suspeita deve ser apurada, com provas, contraditório e direito de defesa. O problema está em outra coisa: na tentativa deliberada de construir uma equivalência política entre situações que não são equivalentes.

A própria conjuntura ajuda a entender o movimento. Flávio enfrenta questionamentos relacionados ao caso Dark Horse e aos recursos recebidos de Daniel Vorcaro, enquanto Lulinha é alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência. São fatos que devem ser investigados individualmente, sem proteção para ninguém. Mas transformar isso automaticamente em uma espécie de “empate moral” é justamente a velha fórmula da mídia de sempre: colocar duas histórias lado a lado, atribuir-lhes pesos semelhantes e deixar ao leitor a impressão de que “todos são iguais”.

É nesse ponto que a coluna de Carlos Andreazza, no Estadão, torna-se emblemática. O expediente é conhecido: quando um personagem politicamente incômodo está sob pressão, cria-se uma simetria artificial com alguém do outro campo. A comparação passa então a funcionar como uma cortina de fumaça. O debate deixa de ser sobre o que Flávio precisa explicar e passa a ser sobre o que Lulinha também precisa explicar.

É uma operação retórica extremamente conveniente.

E ela se encaixa perfeitamente na sentença de Merval Pereira, em O Globo, de que o resultado da eleição estaria nas mãos do STF e da PF. A frase, além de revelar o enorme protagonismo que o baronato midiático atribui às instituições de investigação e Justiça no processo eleitoral, também ajuda a estabelecer o enquadramento: a eleição passa a ser apresentada como uma disputa determinada por inquéritos, decisões judiciais e vazamentos — e não pelo julgamento dos eleitores sobre os candidatos, suas trajetórias e, sobretudo, suas responsabilidades.

Não é difícil compreender a mensagem política por trás desse enquadramento.

Se a eleição será decidida pelo que STF e PF fizerem, então é preciso nivelar previamente os personagens que podem ser atingidos pelas investigações. Flávio aparece de um lado; Lulinha, do outro. Um caso puxa o outro. Uma manchete responde à outra. Uma denúncia vira argumento para relativizar a seguinte. E, assim, a velha tese do “dois lados” volta a funcionar como uma espécie de máquina de lavar reputações.

O problema é que jornalismo não é contabilidade de escândalos.

Não existe obrigação jornalística de encontrar um escândalo para cada escândalo. Não é porque há investigação contra Lulinha que qualquer questionamento envolvendo Flávio Bolsonaro perde importância. Tampouco é porque Flávio enfrenta problemas que as suspeitas contra Lulinha devam ser ignoradas. Cada caso tem de ser examinado pelos seus fatos, provas, personagens e consequências.

O que causa estranheza é a insistência em transformar essa necessária distinção em uma falsa equivalência.

E há uma pergunta incômoda que deveria ser feita: por que, justamente quando aumentam as atenções sobre Flávio, a discussão sobre Lulinha passa a ocupar tanto espaço?

O próprio Flávio já percebeu a utilidade eleitoral dessa estratégia e passou a explorar publicamente o caso Lulinha enquanto tenta declarar o episódio Dark Horse “página virada”. A coincidência entre a estratégia do candidato e o enquadramento de parte da mídia merece, no mínimo, ser observada com lupa.

Até porque os fatos não desaparecem porque surgiu uma nova manchete.

Flávio pode falar em “página virada”. Pode apontar para Lulinha. Pode tentar transformar o adversário em espelho de suas próprias dificuldades. Mas isso não responde às perguntas que permanecem sobre o caso Dark Horse. E, sobretudo, não elimina a obrigação da imprensa de continuar cobrando explicações.

A comparação entre Flávio Bolsonaro e Lulinha, portanto, não é apenas uma questão de estilo jornalístico. Quando usada para atribuir pesos iguais a situações distintas, ela produz um efeito político concreto: dilui a responsabilidade de quem está sob pressão e transforma investigação em instrumento de compensação narrativa.

É a velha carcomida fórmula do “mas e o outro lado?”.

Só que democracia não funciona assim.

Se há suspeitas contra Lulinha, que sejam investigadas até o fim. Se houver crimes, que haja responsabilização. Mas, pelo mesmo princípio, se há questões envolvendo Flávio Bolsonaro, elas também precisam ser investigadas e cobradas até o fim — sem que Lulinha seja transformado em cortina de fumaça toda vez que o holofote ameaça iluminar o candidato da direita.

No fim, talvez o mais revelador não seja apenas aquilo que a mídia noticia.

É aquilo que ela escolhe colocar ao lado do que noticia — e, principalmente, aquilo que deixa de perguntar quando o assunto é Flávio Bolsonaro.


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O debate na Band teve a emoção de um jogo entre lanternas da Série B

O debate na Band despertou exatamente o mesmo nível de interesse de um jogo entre os dois últimos colocados da Série B numa noite de segunda-feira: pouca gente assistindo, quase ninguém comentando e uma parcela considerável do público perguntando se já estava na hora de começar a novela.

A expectativa até existia. Afinal, era debate eleitoral, candidatos frente a frente, promessas, ataques, réplicas e tréplicas. Mas, na prática, a sensação foi mais ou menos a de quem compra ingresso para uma final e descobre, na porta do estádio, que era treino coletivo.

Faltou aquela faísca capaz de fazer o eleitor largar o celular, a televisão e até o jantar para acompanhar cada minuto. Em vez de provocar discussões acaloradas no dia seguinte, o debate parecia disputar audiência com o ventilador, a geladeira e o próprio sono do telespectador.

Nas redes sociais, então, o cenário foi quase uma competição para ver quem conseguia resumir o evento em menos palavras. Teve gente comentando, claro. Mas também teve gente que só descobriu que o debate havia terminado porque apareceu a propaganda seguinte.

E não é pouca coisa: em plena corrida eleitoral, quando cada candidato deveria estar lutando para transformar segundos de televisão em votos, o debate conseguiu produzir uma espécie rara de efeito: ninguém parecia desesperado para saber quem ganhou.

Se política é emoção, estratégia e capacidade de mobilizar o eleitor, o debate da Band ficou devendo nos três quesitos. Foi menos “grande confronto eleitoral” e mais “amistoso de pré-temporada com portões fechados”.

No fim, a comparação com um jogo entre lanternas da Série B talvez ainda seja generosa. No futebol, pelo menos, sempre existe a possibilidade de sair um gol aos 47 do segundo tempo. No debate, o grande suspense parecia ser outro: quem seria o primeiro a desistir e mudar de canal.


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De olho em 2030, ninguém está torcendo mais do que Tarcísio para Flávio perder para Lula

Há uma contradição cada vez mais evidente na política da direita brasileira: Tarcísio de Freitas precisa apoiar Flávio Bolsonaro em 2026, mas seu projeto político pode depender justamente da derrota dele.

É a velha máxima da política: ninguém precisa desejar publicamente a queda de um aliado para, nos bastidores, saber que a queda desse aliado pode abrir o caminho para o seu próprio futuro.

Tarcísio já deixou escapar que a Presidência da República pode estar nos seus planos. Nesta semana, pela primeira vez, admitiu que “talvez” dispute o Planalto no futuro. E, enquanto isso, Flávio foi escolhido pelo pai para representar o bolsonarismo na disputa contra Lula em 2026.

O problema é simples: se Flávio vencer Lula, Tarcísio pode ter acabado de perder uma das melhores oportunidades de sua carreira política.

Flávio, eleito presidente, ocuparia o Planalto por quatro anos — e, dependendo do destino da proposta de fim da reeleição que vem defendendo, poderia transformar a sucessão presidencial em um novo campo de batalha dentro da própria direita. O próprio Flávio já fala em ser um “presidente de transição”.

Para Tarcísio, portanto, uma eventual vitória de Flávio não seria necessariamente o cenário dos sonhos.

Já uma derrota para Lula mudaria completamente o tabuleiro.

Se Flávio perder em outubro, o bolsonarismo entrará imediatamente na discussão sobre quem será o herdeiro político da direita para 2030. E Tarcísio, governador de São Paulo, com forte trânsito empresarial, estrutura política e capacidade eleitoral, estaria naturalmente entre os primeiros nomes da fila.

É por isso que a eleição de 2026 pode ser lida também como uma disputa pelo futuro da direita brasileira. Não está em jogo apenas Lula contra Flávio. Está em jogo quem estará de pé depois dessa batalha.

Tarcísio sabe disso.

E sabe também que Lula continua sendo um adversário extremamente competitivo. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 41% no primeiro turno contra 37% de Flávio e, no segundo turno, uma disputa praticamente empatada: 46% a 45% para Lula. Já o Datafolha divulgado na semana passada apontou Lula à frente de Flávio por 47% a 43% no segundo turno.

Ou seja: Flávio pode perfeitamente perder.

E é justamente aí que começa a fazer sentido a movimentação cuidadosa de Tarcísio.

Ele apoia Flávio, participa de agendas ao seu lado e, publicamente, fala em unidade da direita. Mas, ao mesmo tempo, já prepara seu próprio terreno. Não confirma candidatura presidencial, mas também não a descarta. Não rompe com o bolsonarismo, mas procura demonstrar autonomia. Não abandona Flávio, mas deixa claro que existe vida política depois de Bolsonaro.

É uma operação delicada.

Porque Tarcísio precisa evitar ser acusado de torcer contra Flávio sem deixar de pensar no dia seguinte à eleição.

E há ainda um detalhe revelador: pesquisas anteriores já mostraram que Tarcísio aparece como um dos nomes competitivos contra Lula e que a presença dele altera o desempenho de Flávio nos cenários eleitorais.

Por isso, a hipótese mais interessante não é imaginar Tarcísio fazendo campanha ostensivamente contra Flávio. É justamente o contrário: quanto mais disciplinado for seu apoio público, mais protegido estará o seu projeto pessoal.

Se Flávio vencer, Tarcísio terá cumprido seu papel e poderá reivindicar espaço no novo governo.

Se Flávio perder, Tarcísio poderá dizer que fez tudo o que estava ao seu alcance, preservar sua relação com o eleitorado bolsonarista e, ao mesmo tempo, apresentar-se como uma alternativa para reorganizar a direita.

É o famoso “ganha-ganha” da política.

E talvez seja por isso que o horizonte de Tarcísio não termine em 2026 — nem sequer em 2030.

Quem pensa em 2040 não precisa necessariamente vencer a eleição de 2026. Às vezes, precisa apenas garantir que os adversários certos não vençam.

Tarcísio pode estar olhando muito mais longe do que parece.

Enquanto Flávio luta para chegar ao Planalto, Tarcísio pode estar calculando quem estará ocupando o caminho quando chegar a hora de ele próprio tentar chegar lá.

Na política, apoio público e interesse privado nem sempre caminham pela mesma estrada.

E, nesse jogo, talvez ninguém esteja mais interessado do que Tarcísio em saber quem perderá — e quem sobreviverá — à eleição de 2026.


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