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Se gritar pega…: Centrão entra em alerta vermelho com os vazamentos do Master após lista de Ciro Nogueira

O caso Banco Master deixou de ser apenas um problema para Daniel Vorcaro e passou a provocar pânico político no coração do Centrão. A apreensão aumentou depois que uma lista encontrada na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido e uma das principais lideranças do bloco, trouxe nomes de parlamentares acompanhados de números que ainda precisam ser esclarecidos pela investigação.

O problema, para o Centrão, é que a história não termina na lista. A Polícia Federal investiga as relações de Ciro Nogueira com Vorcaro, incluindo viagens e despesas pagas pelo banqueiro. Ao mesmo tempo, nomes de outros caciques do Congresso aparecem no radar das apurações.

É aí que o sinal amarelo virou alerta vermelho.

O que mais assusta os parlamentares não é necessariamente aquilo que já veio a público, mas aquilo que ainda pode aparecer. Com a disputa entre ministros do STF contaminando o caso e novas informações sendo reveladas, lideranças do Centrão passaram a temer uma sequência de vazamentos capaz de atingir deputados e senadores em plena campanha eleitoral.

E há uma razão objetiva para o nervosismo: parte significativa do material relacionado ao Master ainda permanece sob sigilo. A própria retirada parcial dos segredos judiciais expôs apenas uma parcela da investigação. Entre os conteúdos mantidos sob reserva estão justamente apurações envolvendo relações de Vorcaro com políticos e figuras importantes do mundo político.

Ou seja: o que apareceu pode ser apenas a ponta do iceberg.

A reação já começou. O deputado Elmar Nascimento, cujo primeiro nome aparece na lista apreendida na residência de Ciro, defendeu uma CPI para investigar vazamentos da PF. O movimento revela o tamanho da preocupação: antes mesmo de o conteúdo completo das investigações vir à tona, parte do Congresso já procura discutir o mensageiro.

Mas há uma pergunta inevitável: por que tanto medo se não há nada a esconder?

Essa é a questão que o caso Master coloca diante do Congresso.

O episódio também desmonta a tentativa de tratar o escândalo como uma disputa restrita ao Supremo. O Master já alcançou o Legislativo, envolve grandes operadores políticos e ameaça produzir consequências eleitorais. Segundo relatos de lideranças do Centrão, o receio é que novas revelações atinjam campanhas e candidaturas antes de outubro.

O detalhe mais explosivo é que a investigação não está parada. A cada nova apreensão, mensagem, documento ou cruzamento de dados, o mapa das relações de Vorcaro com o poder pode ficar maior.

E é justamente isso que tira o sono do Centrão.

Porque uma coisa é administrar uma crise quando se conhece o tamanho do incêndio. Outra, muito diferente, é estar diante de uma investigação em que ninguém sabe qual será o próximo nome a aparecer.

No caso Master, portanto, a pergunta deixou de ser apenas quem conhecia Vorcaro.

A pergunta agora é: quem mais aparece nas listas, mensagens, pagamentos, viagens e documentos que ainda não vieram a público?

É por isso que o Centrão entrou em alerta vermelho.

E, quando político começa a pedir explicações sobre vazamentos antes mesmo de conhecer todo o conteúdo que pode ser vazado, é sinal de que o medo já chegou ao andar de cima.


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Política

PF investiga rede suspeita de vender influência em processos de Mendonça e Kassio Nunes no STF

Investigação encontrou conversas sobre pedidos a ministros e contratos milionários ligados ao resultado de ações na Corte

A Polícia Federal investiga uma rede suspeita de comercializar influência em processos no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolviam atuação junto aos gabinetes dos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes. Mensagens obtidas pela PF mostram o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP) dizendo que faria um pedido diretamente a Kassio e que já havia conversado com interlocutores chamados “Andre e Antonio Carlos”, enquanto recebia memoriais destinados também a Mendonça e Gilmar.

A investigação levou o ministro Flávio Dino a autorizar buscas contra Cezinha e a sociedade de advocacia de sua mulher, Valéria Rodrigues Linhares. A PF apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, Cezinha, que não é advogado, seria responsável por fazer “despachos” em gabinetes do Judiciário.

A PF afirma ter identificado uma estrutura formada pelo deputado, sua mulher e a advogada Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”. Mariângela seria responsável por captar e formalizar causas e elaborar memoriais; Valéria cuidaria dos contratos de honorários e cessões de crédito; e a Cezinha caberia o suposto contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores.

Segundo a representação policial reproduzida por Dino, o padrão se repetiria nos episódios analisados: Mariângela encaminhava uma peça ou memorial ao parlamentar; Cezinha respondia que havia “falado”, “despachado” ou “pedido”, ou informava que seria atendido pelo ministro; a advogada cobrava notícias sobre o resultado; e, paralelamente, eram formalizados contratos com pagamentos vinculados ao êxito das ações.

“Vou pedir a ele”
Um dos principais episódios apontados pela PF ocorreu em 12 de junho de 2025 e envolveu a Reclamação 76.831, em tramitação no Supremo.

Naquele dia, Mariângela enviou a Cezinha um memorial e chamou a atenção para a necessidade de “pedir vista”. O deputado respondeu que seria atendido às 16h. A advogada então perguntou se ele estaria com Kassio Nunes Marques naquele horário.

Cezinha respondeu que já havia falado no dia anterior com “Andre e Antonio Carlos” sobre o assunto. Depois, explicou que Kassio havia marcado uma conversa por vídeo para as 16h:

“Ministro Kassio / Entendeu? / Ai vou pedi a ele”.
Na sequência, afirmou que já havia avisado “aquela pessoa” de que existia um tema a tratar e que enviaria o número do processo antes da conversa com Kassio. Cezinha disse ainda que o encontro serviria para verificar se precisava “pedir expressamente”.

Para a investigação, essas expressões indicam, nesta fase preliminar, que o parlamentar não se limitaria ao encaminhamento de documentos, mas se comprometia a formular um pedido pessoal ao julgador em benefício de partes representadas por advogadas ligadas a ele.

A PF ainda tenta descobrir quem eram “Andre e Antonio Carlos” e quem era “aquela pessoa” mencionada pelo parlamentar. A decisão não identifica esses interlocutores.

Seis dias depois da conversa, Mariângela encaminhou a Cezinha três documentos: “Memorial Rcl 76831 – Min. Nunes Marques.pdf”, “Memorial Rcl 76831 – Min. André Mendonça.pdf” e “Memorial Rcl 76831 – Min. Gilmar Mendes.pdf”.

A investigação ressalta que Mariângela não era a advogada original da reclamação. Ela recebeu substabelecimento em 12 de junho, justamente a data em que os documentos começaram a ser enviados ao parlamentar.

Não há, porém, elemento na decisão que permita afirmar que o “Andre” mencionado por Cezinha seja André Mendonça.

PF busca o outro lado das conversas
A busca autorizada por Dino pretende justamente obter o outro lado dessas conversas. Até agora, a PF dispõe principalmente do conteúdo extraído do celular de Mariângela, apreendido em dezembro de 2025.

Os investigadores dizem ainda desconhecer o conteúdo dos contatos mantidos diretamente por Cezinha com ministros e terceiros. Entre os pontos que pretendem esclarecer estão o teor e o resultado das tratativas com “Andre e Antonio Carlos”, o conteúdo da conversa por vídeo marcada para as 16h e a identidade de “aquela pessoa” citada pelo deputado.

A polícia também quer saber com quem Cezinha teria realizado os contatos descritos nas mensagens pelas expressões “despachei sim”, “assunto reforçado agora”, “ligou e falou direto” e “deixa eu ir lá sentir”. Busca ainda identificar outros processos que possam ter sido objeto de intermediação, além dos fluxos financeiros e do destino dos honorários de êxito.

Em outro processo relatado por Nunes Marques, a Reclamação 79.545, a investigação encontrou um contrato de R$ 500 mil, com pagamento previsto depois do julgamento. Em uma conversa posterior, Mariângela perguntou a Cezinha se ele havia despachado no caso. O parlamentar respondeu:

“Despachei sim / Ontem”.

Também foi identificado um contrato relacionado à Reclamação 81.608 que previa a cessão de R$ 1 milhão em honorários para a sociedade de advocacia de Valéria. Um contrato relacionado ao mesmo caso previa outros R$ 2 milhões em caso de sucesso, definido como a concessão da liberdade ao cliente. Nunes Marques também era o relator desse processo.

Em agosto de 2025, Cezinha enviou uma imagem de visualização única e escreveu “Já falei”. Mais tarde, diante de uma resposta protocolar do gabinete de Nunes Marques a um pedido de audiência, Mariângela reclamou. Cezinha respondeu: “Calma” e “Deixa eu ir lá sentir”.

“Comercialização de influência”
Na representação, a PF afirma que a investigação busca esclarecer a existência, a extensão e a estabilidade de uma “estrutura destinada à comercialização de influência” junto a ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo os investigadores, essa suposta influência estaria associada a “remuneração vultosa”, ajustada por contratos de honorários e cessões de crédito celebrados por advogadas ligadas ao deputado — uma delas, sua própria mulher.

Dino considerou haver uma “densa plataforma indiciária” e afirmou existirem “razões de sobra” para autorizar as buscas. Para o ministro, os fatos podem envolver um deputado que, embora não seja advogado, aparentemente utilizava a condição parlamentar para transmitir a terceiros a percepção de que tinha influência sobre magistrados de tribunais superiores.

Dino acrescentou que a “elevada remuneração” encontrada na investigação parece afastar, nesta fase, a hipótese de mero ato político.

A PF ressalva expressamente que Mendonça, Nunes Marques, Gilmar ou qualquer outro magistrado não são investigados. Segundo a representação, não há nos elementos reunidos até agora indício de que ministros tenham solicitado, aceitado ou recebido vantagens indevidas, nem de que tenham proferido decisões contrárias ao direito.

Os magistrados aparecem na investigação, segundo a própria PF, apenas como possíveis destinatários da influência que os investigados alegariam possuir. A polícia resume o objeto da apuração como a possível “mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou”, e não a atuação dos ministros apresentados a terceiros como pessoas passíveis de influência.

Dino determinou que os aparelhos apreendidos sejam submetidos a perícia. Caso as novas diligências revelem algum elemento indicativo de conduta atribuível a magistrado, a PF deverá comunicar o ministro e a Procuradoria-Geral da República, sem adotar medidas por iniciativa própria.

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Quem é Cezinha de Madureira, o aliado de Mendonça que entrou no radar da PF?

A pergunta que começa a ganhar peso em Brasília é direta: quem é Cezinha de Madureira e por que o deputado federal do PL-SP aparece agora no centro de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro?

Cezinha de Madureira não é um personagem periférico nessa história. O deputado aparece justamente no elo que aproxima André Mendonça, Daniel Vorcaro e o universo político-religioso que circula em torno dessas relações. Segundo as investigações e mensagens encontradas no celular de Vorcaro, Cezinha, juntamente com o advogado Ciro Rocha Soares, articulou a aproximação entre o então dono do Banco Master e o ministro do STF.

E aqui está o ponto que torna o caso politicamente explosivo: não estamos falando apenas de alguém que conhecia alguém. Estamos falando de um parlamentar apontado como intermediário de um encontro reservado entre um ministro do Supremo e um banqueiro que hoje está no epicentro de uma gigantesca investigação.

As mensagens reveladas pela PF indicam que Cezinha participou da organização do encontro de Vorcaro com Mendonça em março de 2025. Em uma das mensagens, o deputado avisou ao banqueiro que o ministro já o esperava. Mendonça posteriormente confirmou que recebeu Vorcaro no Instituto ITER, instituição fundada pelo próprio ministro, embora tenha afirmado que se limitou a ouvi-lo.

A situação fica ainda mais delicada porque, antes do encontro, conversas obtidas pela investigação indicavam que Cezinha e o advogado Ciro Rocha Soares já haviam tratado com Mendonça de questões envolvendo o Banco Master e o Banco Central. Ou seja: a aproximação não surgiu do nada. Havia uma articulação prévia.

E agora Cezinha é alvo da terceira fase da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira. São cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal, em investigação que evoluiu de suspeitas envolvendo emendas parlamentares para apurações sobre possível negociação de influência sobre decisões judiciais.

É importante registrar: ser alvo da operação não significa ser culpado. A investigação ainda precisa estabelecer responsabilidades, materialidade e eventual participação criminosa. A própria PF informou que, até o momento, não há elementos indicando participação de ministros do Judiciário nos crimes investigados.

Mas politicamente o episódio é devastador.

Porque Cezinha aparece exatamente onde as histórias começam a se cruzar: emendas parlamentares, Banco Master, Vorcaro, tráfico de influência e a aproximação com um ministro do Supremo.

E é justamente por isso que sua relação com André Mendonça não pode ser tratada como simples nota de rodapé. A articulação do encontro entre Mendonça e Vorcaro está documentada nas mensagens apreendidas pela PF.

Agora, a investigação terá de responder às perguntas que realmente importam: quem pediu o quê, para quem, em nome de quem e com qual objetivo?

Porque quando um deputado se transforma em ponte entre um banqueiro sob investigação e um ministro do STF, essa ponte deixa de ser apenas uma relação pessoal. Ela passa a ser uma peça que precisa ser examinada até o último parafuso.


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Zanin ordena que PF entregue uma cópia do celular de Vorcaro após Mendonça se negar a entregar

O celular de Vorcaro virou o novo campo de batalha

A determinação de Cristiano Zanin para que a Polícia Federal entregue ao seu gabinete uma cópia do celular de Daniel Vorcaro, depois da oposição de André Mendonça à remessa do material, transforma o caso Master em algo ainda mais explosivo: a disputa deixou de ser apenas sobre documentos e passou a ser também sobre quem terá acesso às informações capazes de esclarecer as relações que orbitam o banqueiro.

E aqui está o ponto que não pode ser tratado como mero detalhe burocrático. Quando um ministro do STF se opõe ao envio de uma prova e outro determina que ela seja entregue diretamente ao seu gabinete, a pergunta inevitável é: o que há nesse celular que tornou sua posse e seu conteúdo tão sensíveis?

Celular de banqueiro investigado não é agenda telefônica. Pode conter mensagens, áudios, contatos, documentos, conversas e registros capazes de reconstruir uma teia de relações que, até agora, aparece cercada de zonas de sombra. Por isso, qualquer movimento para retardar, restringir ou controlar o acesso a esse material naturalmente desperta enorme interesse público.

A decisão de Zanin recoloca a prova no centro do processo. E, sobretudo, expõe uma situação politicamente incômoda para quem vinha tentando transformar o caso em uma sucessão de episódios isolados.

Não são episódios isolados. É um quebra-cabeça.

Vorcaro está no centro de uma investigação que já alcançou diferentes personagens e instituições. Quanto mais peças aparecem, mais difícil fica sustentar que determinadas conexões possam ser empurradas para debaixo do tapete.

A partir de agora, o conteúdo desse celular ganha peso ainda maior. Porque, se há alguma coisa que a experiência recente ensina, é que mensagens e registros eletrônicos frequentemente contam uma história muito diferente daquela apresentada nos discursos públicos.

E é justamente por isso que o celular de Vorcaro virou uma espécie de caixa-preta do caso Master.

Se existe alguma informação relevante ali, ela precisa ser examinada com rigor, transparência e dentro das regras processuais. Sem blindagem seletiva. Sem atalhos. Sem transformar prova em patrimônio de gabinete.

Porque, no fim das contas, não é o celular de Vorcaro que está em julgamento. São as relações que podem estar escondidas dentro dele.


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Polícia de SP deixou folga para cabo USB em lacres de celulares de “Dark Horse”

A Polícia Científica de São Paulo se recusou a realizar a perícia em telefones celulares e notebooks apreendidos na primeira operação policial contra a produtora Karina Gama depois de constatar problemas nos lacres dos objetos. Os sacos plásticos utilizados pela Polícia Civil apresentavam folgas que permitiam a passagem de um cabo USB, criando a possibilidade de acesso aos equipamentos antes da realização da análise técnica. As informações são da coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.

O Instituto de Criminalística formalizou a recusa em um termo anexado ao processo que tramita na Justiça de São Paulo. A perita criminal Viviane Fleitas Menezes apontou que a própria estrutura das embalagens permitia “a introdução física de objetos ou outros vestígios para o interior da embalagem protetora”.

Segundo a perita, 13 sacos encaminhados para análise apresentavam “vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível manipulação de dados no interior do equipamento”. Diante dessa constatação, os dispositivos não puderam ser submetidos à perícia nas condições em que foram recebidos pelo órgão técnico.

O problema não se limitava aos celulares e notebooks. Quatro embalagens que continham pen-drives também apresentavam falhas. De acordo com o documento, os sacos tinham “vão suficiente para retirada da peça a ser periciada”, indicando que o sistema de fechamento não oferecia a proteção necessária aos itens apreendidos.

Documentos divulgados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que a operação foi realizada em 1º de junho. No entanto, os objetos só foram encaminhados pela Polícia Civil ao Instituto de Criminalística dois dias depois, em 3 de junho. Os materiais retornaram à corporação em 8 de junho.

Após receber os equipamentos de volta, o escrivão Mauro Sergio Gagliotti determinou que as embalagens fossem corrigidas e que novos lacres fossem colocados. Segundo ele, a providência tinha como objetivo preservar a integridade dos objetos e viabilizar um novo encaminhamento ao Instituto de Criminalística.

“Diante disso, fez-se necessária a readequação dos invólucros e a aposição de novos lacres, a fim de preservar a integridade dos objetos e assegurar a manutenção da CADEIA DE CUSTÓDIA”, registrou Gagliotti no despacho.

A cadeia de custódia corresponde ao conjunto de procedimentos destinados a garantir a preservação, a integridade e o rastreamento de uma prova desde o momento de sua apreensão até sua análise e eventual utilização no processo. Quando existem indícios de falhas nesse controle, defesa ou acusação podem questionar a autenticidade, a integridade e até a validade do material como prova.


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Após falha em lacres, perícia de SP diz não manter backup de dados do caso Dark Horse

Laudos afirmam que Instituto de Criminalística não possui Central de Custódia Digital e alertam que nova tentativa de extração pode ser infrutífera

O Instituto de Criminalística de São Paulo afirma não manter backup de dados extraídos de aparelhos periciados na investigação que alcançou o caso Dark Horse. A informação consta de laudos da própria perícia e ganha relevância porque equipamentos apreendidos no mesmo inquérito já haviam sido devolvidos à Polícia Civil por problemas nos lacres e precisaram ser novamente acondicionados antes dos exames.

Em um dos laudos, o Núcleo de Perícias de Informática diz que não possui estrutura para armazenar o volume de informações retiradas dos dispositivos. Em outro, o instituto afirma não dispor de uma Central de Custódia Digital e faz um alerta: se for preciso repetir uma extração, será necessário apresentar novamente o aparelho original e a nova tentativa, dependendo do estado do equipamento, poderá não recuperar os dados.

Os documentos estão na investigação da Polícia Civil sobre o contrato do Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. A apuração passou a se conectar ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro produzido pela Go Up Entertainment, também de Karina.

Perícia diz que não faz backup
A limitação aparece de forma explícita no Laudo Pericial 228.263/2026. Ao explicar o destino dos dados obtidos durante o exame, o Núcleo de Perícias de Informática afirma:

“Este Núcleo de Perícia não dispõe de suporte de mídia para armazenamento da quantidade de dados extraídos dos dispositivos analisados diariamente, motivo pelo qual não são realizados backups das extrações efetuadas.”

O documento acrescenta que, se os investigadores precisarem de uma nova extração, terão de apresentar outra requisição e encaminhar novamente o aparelho ao instituto.

Outro laudo produzido na mesma investigação, o 228.226/2026, registra uma limitação ainda mais ampla:

“Este Instituto de Criminalística, até o presente momento, não dispõe de Central de Custódia Digital para controle e guarda do conteúdo extraído da memória da peça de exame.”

A perícia explica em seguida a consequência prática dessa estrutura. Qualquer novo exame dependerá de nova requisição e da apresentação do equipamento original. E ressalva que a nova tentativa de extração, “a depender do estado da peça de exame, poderá ser infrutífera”.

Os laudos não dizem que houve perda ou adulteração de informações. O ponto registrado pelos próprios peritos é que o instituto não mantém uma Central de Custódia Digital e que o núcleo afirma não realizar backups das extrações devido à falta de suporte para armazenar a quantidade de dados processados.

Aparelhos já haviam voltado por problema nos lacres
A ausência de backups próprios ganha peso diante do que havia acontecido semanas antes com parte do material apreendido.

Os equipamentos foram recolhidos em 1º de junho, durante operação da Polícia Civil em endereços ligados ao ICB, a empresas envolvidas na execução do Wi-Fi Livre e à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT).

Parte do material enviado ao Instituto de Criminalística, porém, retornou à Polícia Civil antes da realização dos exames.

Uma certidão lavrada em 8 de junho registra que os objetos “retornaram do Instituto de Criminalística” e precisaram passar por “readequação dos invólucros e a aposição de novos lacres”.

O próprio documento explica por que a medida foi adotada: “a fim de preservar a integridade dos objetos e assegurar a manutenção da cadeia de custódia”.

A ocorrência voltou a ser mencionada posteriormente pelo delegado responsável pela investigação. Ao relacionar os documentos que seriam juntados aos autos, Antonio Carlos Munuera Silveira descreveu a certidão como uma comunicação sobre a:

“necessidade de readequação dos invólucros encaminhados ao Instituto de Criminalísticas de São Paulo relativos aos objetos apreendidos, a fim de preservar a integridade da prova e assegurar a manutenção da cadeia de custódia”.

Só depois da troca dos invólucros e da colocação de novos lacres os equipamentos puderam ser novamente encaminhados para análise.

Nem todos os equipamentos puderam ser acessados
Os laudos mostram ainda que a perícia encontrou obstáculos para acessar parte dos dispositivos apreendidos.

Em um iPhone recolhido em endereço relacionado à Complexys/FastFuture, o Instituto de Criminalística informou que o aparelho estava protegido por uma senha numérica de seis dígitos que não havia sido fornecida.

A ferramenta forense disponível também não oferecia suporte para desbloquear aquela combinação de aparelho e sistema operacional. O laudo registra que “não foi obtido êxito no desbloqueio do aparelho” e conclui:

“nada se pode afirmar quanto ao teor de possíveis conteúdos de interesse.”

Em outro equipamento, apreendido em endereço ligado à Urban Connect, o armazenamento estava criptografado. A perícia constatou que a chave necessária para acessar o conteúdo não havia sido fornecida junto com o material, o que impediu a análise dos dados.

Isso não significa que os problemas de acesso tenham relação com a falha anterior nos lacres. Os documentos, porém, mostram que parte das provas digitais ficou dependente da preservação dos equipamentos físicos e da possibilidade técnica de submetê-los a novos procedimentos.

Laudo aponta fila de exames
Os autos também revelam limitações operacionais dentro do Instituto de Criminalística.

Em um laudo referente a um notebook apreendido na Complexys/FastFuture, o perito registra que o caso foi atribuído a ele em 3 de julho. O exame, entretanto, só começou efetivamente em 23 de julho, quando o invólucro foi aberto.

A explicação consta do próprio documento:

“O lapso temporal verificado entre a atribuição e o início dos trabalhos deve-se, exclusivamente, ao elevado volume de casos e à consequente fila de exames pendentes sob responsabilidade deste perito.”

Nesse equipamento, a perícia conseguiu realizar os procedimentos previstos.

Os documentos revelam, assim, uma sequência de dificuldades no tratamento das provas digitais do inquérito: parte dos equipamentos precisou retornar à Polícia Civil para troca de invólucros e lacres; alguns dispositivos posteriormente não puderam ser acessados; um exame aguardou 20 dias em razão da fila da perícia; e os próprios laudos afirmam que o Instituto de Criminalística não dispõe de Central de Custódia Digital e que o núcleo não mantém backups das extrações.

*Cleber LOurenço e Juliana Dal Pica/ICL


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Vídeo: Em apoio a Lula, Bethânia faz o L em show

Aos 80 anos, cantora respondeu a coro da plateia e foi ovacionada no Memorial da América Latina

A cantora Maria Bethânia declarou publicamente seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante apresentação realizada na noite de sábado, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Ao encerrar a primeira noite de apresentações do Coala Festival, a artista de 80 anos respondeu às manifestações políticas que partiam da plateia, levantou a mão para fazer o sinal do “L” com os dedos e afirmou abertamente: “Eu voto Lula presidente!”. O gesto provocou aplausos e gritos entusiasmados do público presente no local.

A manifestação no palco paulistano reforça o histórico de posicionamentos da cantora em favor do presidente. Em 2022, durante show em Vitória da Conquista, na Bahia, Bethânia já havia feito o mesmo gesto simbólico durante a disputa presidencial. Anos antes, na campanha de 2002, a artista atendeu a um pedido direto de Lula para gravar a canção “Sonho Impossível” para o horário eleitoral gratuito na televisão.

Veja o vídeo:


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Fachin tira de Mendonça relatoria de caso Moraes e abre caminho para assumir inquéritos do Master e INSS

Presidente do STF também pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou neste sábado (12) a troca da relatoria do relatório da PF que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele agora assume o comando do caso no lugar de André Mendonça.

Na mesma decisão, ele pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. Com isso, ele paralisa os andamentos dos dois casos.

Na decisão, ele afirma que a medida se dá diante da possibilidade de o julgamento do caso resultar em situação de impedimento do juiz, ou seja, quando um magistrado não tem condição de julgar um caso.

Nesta sexta (11), Fachin decidiu manter na pauta da sessão marcada para a próxima terça-feira (15) apenas o julgamento sobre o caso do relatório das mensagens de Vorcaro. Com isso, ele negou pedido do decano Gilmar Mendes para que fosse também colocada em discussão a investigação contra o colega André Mendonça, mas marcou a análise desse outro caso para a semana seguinte, no dia 23.

Segundo o presidente, a manutenção apenas do julgamento contra Moraes “assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal, viabilizando a apreciação de matéria cujo contraditório e elucidação preliminar já se terá aperfeiçoado”.

Moraes e Mendonça são atualmente os pivôs da maior crise da história recente do Supremo.

Fachin chegou a avaliar tirar de Mendonça a relatoria dos casos Master e INSS para tentar conter a crise instalada na corte.

Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar da disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.

Essa discussão teve início antes da ordem de Mendonça desta terça-feira (8) de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A determinação foi a julgamento na Segunda Turma da corte e chegou a formar maioria, porém o julgamento foi suspenso após pedido de vista (mais tempo para analisar a matéria) de Gilmar Mendes.

Por fim, na quarta (9), o presidente tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, controlado por ele durante mais de sete anos, e suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, mantendo Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral.

Até a sessão de terça já ficaria suspenso o trâmite da investigação conduzida por Mendonça envolvendo Moraes. O presidente do STF também proibiu qualquer procedimento que trate de potencial apuração contra integrantes da corte e determinou que qualquer medida nesse sentido seja submetida a ele antes.

Ana Pompeu/ICL


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Política

Fachin rejeita pedido de Moraes e separa julgamentos da crise no STF

Presidente da Corte mantém sessão de terça-feira restrita a denúncia de Mendonça contra Moraes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, rejeitou neste sábado (12) um pedido de Alexandre de Moraes e decidiu separar em duas sessões o julgamento da crise que colocou ministros da Corte em lados opostos. Na terça-feira (15), o plenário analisará apenas a PET 16.662, relatada por André Mendonça. As demais questões reunidas na PET 16.704 ficarão para 23 de setembro.

Moraes havia pedido que os dois processos fossem julgados conjuntamente. Ao justificar a solicitação, afirmou existir “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual” caso as questões fossem analisadas separadamente. Fachin, no entanto, concluiu que não há condições para levar toda a controvérsia ao plenário de uma só vez.

O presidente do STF afirmou que a PET 16.704 ainda não está pronta para julgamento. A instrução preliminar do processo não terminou e há prazos para manifestações que só vencem depois da sessão extraordinária de terça-feira.

Já a PET 16.662 havia sido liberada por Mendonça para inclusão na pauta desde 6 de setembro. Segundo Fachin, os esclarecimentos solicitados nesse processo deverão estar concluídos antes da sessão.

“Diversamente, a liberação da Pet 16.704 para inclusão imediata em calendário importaria na submissão ao Plenário de matéria cuja instrução preliminar ainda não se encontra concluída”, escreveu Fachin.

Fachin reconhece conflitos entre decisões
A decisão é mais um capítulo da crise aberta no Supremo em torno das investigações do Banco Master e das informações encontradas pela Polícia Federal no material apreendido com Daniel Vorcaro.

A PET 16.662 concentra a controvérsia que chegou a Mendonça depois que a PF produziu relatório com informações sobre contatos entre Vorcaro e Moraes. A condução do material, as decisões tomadas posteriormente e os questionamentos apresentados à Presidência do STF ampliaram o episódio e levaram Fachin a abrir a PET 16.704 para reunir esclarecimentos sobre a atuação dos envolvidos.

No novo despacho, o próprio Fachin reconhece que a intervenção da Presidência ocorreu diante de um “quadro de conflitos e sobreposições de decisões monocráticas sucessivas em incidentes distintos”. Segundo ele, era necessário assegurar o “adequado direcionamento dos trabalhos” do Supremo.

Apesar disso, Fachin agora sustenta que os assuntos podem ser separados. Segundo o presidente da Corte, as matérias tratadas na PET 16.662 e as questões levadas posteriormente à PET 16.704 têm “contornos e objetos bem delineados”, o que permite julgá-las em momentos diferentes.

Moraes também pediu abertura de todos os procedimentos
Além de tentar levar os dois processos simultaneamente ao plenário, Moraes pediu a Fachin o levantamento “de todo e qualquer sigilo, sem exceção” dos procedimentos relacionados à PET 15.556, uma das frentes do caso Master.

O ministro argumentou que a abertura integral evitaria “escolha seletiva e direcionamento subjetivo” e garantiria tratamento igual aos procedimentos. Também pediu que a área de tecnologia do Supremo certificasse quantos processos relacionados ao caso efetivamente existem.

Fachin informou que uma solicitação semelhante já havia sido apresentada pelo ministro Cristiano Zanin e que “as providências já foram devidamente endereçadas”.

Moraes também pediu que, depois da retirada dos sigilos, todos os integrantes da magistratura mencionados nos procedimentos fossem formalmente intimados para prestar esclarecimentos e adotar medidas de defesa de suas prerrogativas. Fachin não decidiu esse ponto agora e afirmou apenas que a solicitação será analisada “oportunamente”.

Crise terá dois julgamentos
Com a decisão, Fachin desenhou um calendário de duas etapas para o Supremo enfrentar a crise.

A sessão extraordinária de terça-feira continuará dedicada exclusivamente à PET 16.662. O presidente da Corte rejeitou expressamente a inclusão da PET 16.704 no mesmo julgamento.

Depois, quando terminar a coleta das manifestações ainda pendentes, a PET 16.704 será liberada para julgamento. Fachin já determinou que o processo seja incluído na sessão de 23 de setembro.

*Cleber Lourenço/ICL

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Política

Por quatro vezes, defesa de Flavio tentou tirar caso “Dark Horse” de Dino e levá-lo a Mendonça

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao menos quatro pedidos ao Supremo Tribunal Federal para concentrar nas mãos do ministro André Mendonça o caso “Dark Horse”, que envolve um filme sobre Jair Bolsonaro. Parte da apuração permanece sob relatoria de Flávio Dino por tratar do possível uso indevido de emendas parlamentares. Com informações de Folha de S.Paulo.

Os advogados protocolaram as solicitações entre 13 e 29 de julho, dirigindo petições ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao próprio Dino. De acordo com o DCM, a estratégia buscava transferir a Petição 16.070 para Mendonça, que já conduzia outros procedimentos relacionados ao longa.

Em uma das manifestações, a defesa afirmou que o protocolo de requerimentos na ADPF 854 criou uma relatoria artificial para Dino. “Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência”, escreveram os advogados.

André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, era relator de cinco dos seis processos autuados para pedir investigações sobre “Dark Horse”, conforme a defesa. Dino, indicado pelo presidente Lula (PT), ficou com a ação ligada à execução de emendas parlamentares.


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