A pergunta que começa a ganhar peso em Brasília é direta: quem é Cezinha de Madureira e por que o deputado federal do PL-SP aparece agora no centro de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro?
Cezinha de Madureira não é um personagem periférico nessa história. O deputado aparece justamente no elo que aproxima André Mendonça, Daniel Vorcaro e o universo político-religioso que circula em torno dessas relações. Segundo as investigações e mensagens encontradas no celular de Vorcaro, Cezinha, juntamente com o advogado Ciro Rocha Soares, articulou a aproximação entre o então dono do Banco Master e o ministro do STF.
E aqui está o ponto que torna o caso politicamente explosivo: não estamos falando apenas de alguém que conhecia alguém. Estamos falando de um parlamentar apontado como intermediário de um encontro reservado entre um ministro do Supremo e um banqueiro que hoje está no epicentro de uma gigantesca investigação.
As mensagens reveladas pela PF indicam que Cezinha participou da organização do encontro de Vorcaro com Mendonça em março de 2025. Em uma das mensagens, o deputado avisou ao banqueiro que o ministro já o esperava. Mendonça posteriormente confirmou que recebeu Vorcaro no Instituto ITER, instituição fundada pelo próprio ministro, embora tenha afirmado que se limitou a ouvi-lo.
A situação fica ainda mais delicada porque, antes do encontro, conversas obtidas pela investigação indicavam que Cezinha e o advogado Ciro Rocha Soares já haviam tratado com Mendonça de questões envolvendo o Banco Master e o Banco Central. Ou seja: a aproximação não surgiu do nada. Havia uma articulação prévia.
E agora Cezinha é alvo da terceira fase da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira. São cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal, em investigação que evoluiu de suspeitas envolvendo emendas parlamentares para apurações sobre possível negociação de influência sobre decisões judiciais.
É importante registrar: ser alvo da operação não significa ser culpado. A investigação ainda precisa estabelecer responsabilidades, materialidade e eventual participação criminosa. A própria PF informou que, até o momento, não há elementos indicando participação de ministros do Judiciário nos crimes investigados.
Mas politicamente o episódio é devastador.
Porque Cezinha aparece exatamente onde as histórias começam a se cruzar: emendas parlamentares, Banco Master, Vorcaro, tráfico de influência e a aproximação com um ministro do Supremo.
E é justamente por isso que sua relação com André Mendonça não pode ser tratada como simples nota de rodapé. A articulação do encontro entre Mendonça e Vorcaro está documentada nas mensagens apreendidas pela PF.
Agora, a investigação terá de responder às perguntas que realmente importam: quem pediu o quê, para quem, em nome de quem e com qual objetivo?
Porque quando um deputado se transforma em ponte entre um banqueiro sob investigação e um ministro do STF, essa ponte deixa de ser apenas uma relação pessoal. Ela passa a ser uma peça que precisa ser examinada até o último parafuso.
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O celular de Vorcaro virou o novo campo de batalha
A determinação de Cristiano Zanin para que a Polícia Federal entregue ao seu gabinete uma cópia do celular de Daniel Vorcaro, depois da oposição de André Mendonça à remessa do material, transforma o caso Master em algo ainda mais explosivo: a disputa deixou de ser apenas sobre documentos e passou a ser também sobre quem terá acesso às informações capazes de esclarecer as relações que orbitam o banqueiro.
E aqui está o ponto que não pode ser tratado como mero detalhe burocrático. Quando um ministro do STF se opõe ao envio de uma prova e outro determina que ela seja entregue diretamente ao seu gabinete, a pergunta inevitável é: o que há nesse celular que tornou sua posse e seu conteúdo tão sensíveis?
Celular de banqueiro investigado não é agenda telefônica. Pode conter mensagens, áudios, contatos, documentos, conversas e registros capazes de reconstruir uma teia de relações que, até agora, aparece cercada de zonas de sombra. Por isso, qualquer movimento para retardar, restringir ou controlar o acesso a esse material naturalmente desperta enorme interesse público.
A decisão de Zanin recoloca a prova no centro do processo. E, sobretudo, expõe uma situação politicamente incômoda para quem vinha tentando transformar o caso em uma sucessão de episódios isolados.
Não são episódios isolados. É um quebra-cabeça.
Vorcaro está no centro de uma investigação que já alcançou diferentes personagens e instituições. Quanto mais peças aparecem, mais difícil fica sustentar que determinadas conexões possam ser empurradas para debaixo do tapete.
A partir de agora, o conteúdo desse celular ganha peso ainda maior. Porque, se há alguma coisa que a experiência recente ensina, é que mensagens e registros eletrônicos frequentemente contam uma história muito diferente daquela apresentada nos discursos públicos.
E é justamente por isso que o celular de Vorcaro virou uma espécie de caixa-preta do caso Master.
Se existe alguma informação relevante ali, ela precisa ser examinada com rigor, transparência e dentro das regras processuais. Sem blindagem seletiva. Sem atalhos. Sem transformar prova em patrimônio de gabinete.
Porque, no fim das contas, não é o celular de Vorcaro que está em julgamento. São as relações que podem estar escondidas dentro dele.
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A Polícia Científica de São Paulo se recusou a realizar a perícia em telefones celulares e notebooks apreendidos na primeira operação policial contra a produtora Karina Gama depois de constatar problemas nos lacres dos objetos. Os sacos plásticos utilizados pela Polícia Civil apresentavam folgas que permitiam a passagem de um cabo USB, criando a possibilidade de acesso aos equipamentos antes da realização da análise técnica. As informações são da coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
O Instituto de Criminalística formalizou a recusa em um termo anexado ao processo que tramita na Justiça de São Paulo. A perita criminal Viviane Fleitas Menezes apontou que a própria estrutura das embalagens permitia “a introdução física de objetos ou outros vestígios para o interior da embalagem protetora”.
Segundo a perita, 13 sacos encaminhados para análise apresentavam “vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível manipulação de dados no interior do equipamento”. Diante dessa constatação, os dispositivos não puderam ser submetidos à perícia nas condições em que foram recebidos pelo órgão técnico.
O problema não se limitava aos celulares e notebooks. Quatro embalagens que continham pen-drives também apresentavam falhas. De acordo com o documento, os sacos tinham “vão suficiente para retirada da peça a ser periciada”, indicando que o sistema de fechamento não oferecia a proteção necessária aos itens apreendidos.
Documentos divulgados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que a operação foi realizada em 1º de junho. No entanto, os objetos só foram encaminhados pela Polícia Civil ao Instituto de Criminalística dois dias depois, em 3 de junho. Os materiais retornaram à corporação em 8 de junho.
Após receber os equipamentos de volta, o escrivão Mauro Sergio Gagliotti determinou que as embalagens fossem corrigidas e que novos lacres fossem colocados. Segundo ele, a providência tinha como objetivo preservar a integridade dos objetos e viabilizar um novo encaminhamento ao Instituto de Criminalística.
“Diante disso, fez-se necessária a readequação dos invólucros e a aposição de novos lacres, a fim de preservar a integridade dos objetos e assegurar a manutenção da CADEIA DE CUSTÓDIA”, registrou Gagliotti no despacho.
A cadeia de custódia corresponde ao conjunto de procedimentos destinados a garantir a preservação, a integridade e o rastreamento de uma prova desde o momento de sua apreensão até sua análise e eventual utilização no processo. Quando existem indícios de falhas nesse controle, defesa ou acusação podem questionar a autenticidade, a integridade e até a validade do material como prova.
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Laudos afirmam que Instituto de Criminalística não possui Central de Custódia Digital e alertam que nova tentativa de extração pode ser infrutífera
O Instituto de Criminalística de São Paulo afirma não manter backup de dados extraídos de aparelhos periciados na investigação que alcançou o caso Dark Horse. A informação consta de laudos da própria perícia e ganha relevância porque equipamentos apreendidos no mesmo inquérito já haviam sido devolvidos à Polícia Civil por problemas nos lacres e precisaram ser novamente acondicionados antes dos exames.
Em um dos laudos, o Núcleo de Perícias de Informática diz que não possui estrutura para armazenar o volume de informações retiradas dos dispositivos. Em outro, o instituto afirma não dispor de uma Central de Custódia Digital e faz um alerta: se for preciso repetir uma extração, será necessário apresentar novamente o aparelho original e a nova tentativa, dependendo do estado do equipamento, poderá não recuperar os dados.
Os documentos estão na investigação da Polícia Civil sobre o contrato do Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. A apuração passou a se conectar ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro produzido pela Go Up Entertainment, também de Karina.
Perícia diz que não faz backup A limitação aparece de forma explícita no Laudo Pericial 228.263/2026. Ao explicar o destino dos dados obtidos durante o exame, o Núcleo de Perícias de Informática afirma:
“Este Núcleo de Perícia não dispõe de suporte de mídia para armazenamento da quantidade de dados extraídos dos dispositivos analisados diariamente, motivo pelo qual não são realizados backups das extrações efetuadas.”
O documento acrescenta que, se os investigadores precisarem de uma nova extração, terão de apresentar outra requisição e encaminhar novamente o aparelho ao instituto.
Outro laudo produzido na mesma investigação, o 228.226/2026, registra uma limitação ainda mais ampla:
“Este Instituto de Criminalística, até o presente momento, não dispõe de Central de Custódia Digital para controle e guarda do conteúdo extraído da memória da peça de exame.”
A perícia explica em seguida a consequência prática dessa estrutura. Qualquer novo exame dependerá de nova requisição e da apresentação do equipamento original. E ressalva que a nova tentativa de extração, “a depender do estado da peça de exame, poderá ser infrutífera”.
Os laudos não dizem que houve perda ou adulteração de informações. O ponto registrado pelos próprios peritos é que o instituto não mantém uma Central de Custódia Digital e que o núcleo afirma não realizar backups das extrações devido à falta de suporte para armazenar a quantidade de dados processados.
Aparelhos já haviam voltado por problema nos lacres A ausência de backups próprios ganha peso diante do que havia acontecido semanas antes com parte do material apreendido.
Os equipamentos foram recolhidos em 1º de junho, durante operação da Polícia Civil em endereços ligados ao ICB, a empresas envolvidas na execução do Wi-Fi Livre e à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT).
Parte do material enviado ao Instituto de Criminalística, porém, retornou à Polícia Civil antes da realização dos exames.
Uma certidão lavrada em 8 de junho registra que os objetos “retornaram do Instituto de Criminalística” e precisaram passar por “readequação dos invólucros e a aposição de novos lacres”.
O próprio documento explica por que a medida foi adotada: “a fim de preservar a integridade dos objetos e assegurar a manutenção da cadeia de custódia”.
A ocorrência voltou a ser mencionada posteriormente pelo delegado responsável pela investigação. Ao relacionar os documentos que seriam juntados aos autos, Antonio Carlos Munuera Silveira descreveu a certidão como uma comunicação sobre a:
“necessidade de readequação dos invólucros encaminhados ao Instituto de Criminalísticas de São Paulo relativos aos objetos apreendidos, a fim de preservar a integridade da prova e assegurar a manutenção da cadeia de custódia”.
Só depois da troca dos invólucros e da colocação de novos lacres os equipamentos puderam ser novamente encaminhados para análise.
Nem todos os equipamentos puderam ser acessados Os laudos mostram ainda que a perícia encontrou obstáculos para acessar parte dos dispositivos apreendidos.
Em um iPhone recolhido em endereço relacionado à Complexys/FastFuture, o Instituto de Criminalística informou que o aparelho estava protegido por uma senha numérica de seis dígitos que não havia sido fornecida.
A ferramenta forense disponível também não oferecia suporte para desbloquear aquela combinação de aparelho e sistema operacional. O laudo registra que “não foi obtido êxito no desbloqueio do aparelho” e conclui:
“nada se pode afirmar quanto ao teor de possíveis conteúdos de interesse.”
Em outro equipamento, apreendido em endereço ligado à Urban Connect, o armazenamento estava criptografado. A perícia constatou que a chave necessária para acessar o conteúdo não havia sido fornecida junto com o material, o que impediu a análise dos dados.
Isso não significa que os problemas de acesso tenham relação com a falha anterior nos lacres. Os documentos, porém, mostram que parte das provas digitais ficou dependente da preservação dos equipamentos físicos e da possibilidade técnica de submetê-los a novos procedimentos.
Laudo aponta fila de exames Os autos também revelam limitações operacionais dentro do Instituto de Criminalística.
Em um laudo referente a um notebook apreendido na Complexys/FastFuture, o perito registra que o caso foi atribuído a ele em 3 de julho. O exame, entretanto, só começou efetivamente em 23 de julho, quando o invólucro foi aberto.
A explicação consta do próprio documento:
“O lapso temporal verificado entre a atribuição e o início dos trabalhos deve-se, exclusivamente, ao elevado volume de casos e à consequente fila de exames pendentes sob responsabilidade deste perito.”
Nesse equipamento, a perícia conseguiu realizar os procedimentos previstos.
Os documentos revelam, assim, uma sequência de dificuldades no tratamento das provas digitais do inquérito: parte dos equipamentos precisou retornar à Polícia Civil para troca de invólucros e lacres; alguns dispositivos posteriormente não puderam ser acessados; um exame aguardou 20 dias em razão da fila da perícia; e os próprios laudos afirmam que o Instituto de Criminalística não dispõe de Central de Custódia Digital e que o núcleo não mantém backups das extrações.
*Cleber LOurenço e Juliana Dal Pica/ICL
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Aos 80 anos, cantora respondeu a coro da plateia e foi ovacionada no Memorial da América Latina
A cantora Maria Bethânia declarou publicamente seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante apresentação realizada na noite de sábado, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Ao encerrar a primeira noite de apresentações do Coala Festival, a artista de 80 anos respondeu às manifestações políticas que partiam da plateia, levantou a mão para fazer o sinal do “L” com os dedos e afirmou abertamente: “Eu voto Lula presidente!”. O gesto provocou aplausos e gritos entusiasmados do público presente no local.
A manifestação no palco paulistano reforça o histórico de posicionamentos da cantora em favor do presidente. Em 2022, durante show em Vitória da Conquista, na Bahia, Bethânia já havia feito o mesmo gesto simbólico durante a disputa presidencial. Anos antes, na campanha de 2002, a artista atendeu a um pedido direto de Lula para gravar a canção “Sonho Impossível” para o horário eleitoral gratuito na televisão.
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Presidente do STF também pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou neste sábado (12) a troca da relatoria do relatório da PF que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele agora assume o comando do caso no lugar de André Mendonça.
Na mesma decisão, ele pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. Com isso, ele paralisa os andamentos dos dois casos.
Na decisão, ele afirma que a medida se dá diante da possibilidade de o julgamento do caso resultar em situação de impedimento do juiz, ou seja, quando um magistrado não tem condição de julgar um caso.
Nesta sexta (11), Fachin decidiu manter na pauta da sessão marcada para a próxima terça-feira (15) apenas o julgamento sobre o caso do relatório das mensagens de Vorcaro. Com isso, ele negou pedido do decano Gilmar Mendes para que fosse também colocada em discussão a investigação contra o colega André Mendonça, mas marcou a análise desse outro caso para a semana seguinte, no dia 23.
Segundo o presidente, a manutenção apenas do julgamento contra Moraes “assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal, viabilizando a apreciação de matéria cujo contraditório e elucidação preliminar já se terá aperfeiçoado”.
Moraes e Mendonça são atualmente os pivôs da maior crise da história recente do Supremo.
Fachin chegou a avaliar tirar de Mendonça a relatoria dos casos Master e INSS para tentar conter a crise instalada na corte.
Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar da disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.
Essa discussão teve início antes da ordem de Mendonça desta terça-feira (8) de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A determinação foi a julgamento na Segunda Turma da corte e chegou a formar maioria, porém o julgamento foi suspenso após pedido de vista (mais tempo para analisar a matéria) de Gilmar Mendes.
Por fim, na quarta (9), o presidente tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, controlado por ele durante mais de sete anos, e suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, mantendo Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral.
Até a sessão de terça já ficaria suspenso o trâmite da investigação conduzida por Mendonça envolvendo Moraes. O presidente do STF também proibiu qualquer procedimento que trate de potencial apuração contra integrantes da corte e determinou que qualquer medida nesse sentido seja submetida a ele antes.
Ana Pompeu/ICL
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Presidente da Corte mantém sessão de terça-feira restrita a denúncia de Mendonça contra Moraes
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, rejeitou neste sábado (12) um pedido de Alexandre de Moraes e decidiu separar em duas sessões o julgamento da crise que colocou ministros da Corte em lados opostos. Na terça-feira (15), o plenário analisará apenas a PET 16.662, relatada por André Mendonça. As demais questões reunidas na PET 16.704 ficarão para 23 de setembro.
Moraes havia pedido que os dois processos fossem julgados conjuntamente. Ao justificar a solicitação, afirmou existir “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual” caso as questões fossem analisadas separadamente. Fachin, no entanto, concluiu que não há condições para levar toda a controvérsia ao plenário de uma só vez.
O presidente do STF afirmou que a PET 16.704 ainda não está pronta para julgamento. A instrução preliminar do processo não terminou e há prazos para manifestações que só vencem depois da sessão extraordinária de terça-feira.
Já a PET 16.662 havia sido liberada por Mendonça para inclusão na pauta desde 6 de setembro. Segundo Fachin, os esclarecimentos solicitados nesse processo deverão estar concluídos antes da sessão.
“Diversamente, a liberação da Pet 16.704 para inclusão imediata em calendário importaria na submissão ao Plenário de matéria cuja instrução preliminar ainda não se encontra concluída”, escreveu Fachin.
Fachin reconhece conflitos entre decisões A decisão é mais um capítulo da crise aberta no Supremo em torno das investigações do Banco Master e das informações encontradas pela Polícia Federal no material apreendido com Daniel Vorcaro.
A PET 16.662 concentra a controvérsia que chegou a Mendonça depois que a PF produziu relatório com informações sobre contatos entre Vorcaro e Moraes. A condução do material, as decisões tomadas posteriormente e os questionamentos apresentados à Presidência do STF ampliaram o episódio e levaram Fachin a abrir a PET 16.704 para reunir esclarecimentos sobre a atuação dos envolvidos.
No novo despacho, o próprio Fachin reconhece que a intervenção da Presidência ocorreu diante de um “quadro de conflitos e sobreposições de decisões monocráticas sucessivas em incidentes distintos”. Segundo ele, era necessário assegurar o “adequado direcionamento dos trabalhos” do Supremo.
Apesar disso, Fachin agora sustenta que os assuntos podem ser separados. Segundo o presidente da Corte, as matérias tratadas na PET 16.662 e as questões levadas posteriormente à PET 16.704 têm “contornos e objetos bem delineados”, o que permite julgá-las em momentos diferentes.
Moraes também pediu abertura de todos os procedimentos Além de tentar levar os dois processos simultaneamente ao plenário, Moraes pediu a Fachin o levantamento “de todo e qualquer sigilo, sem exceção” dos procedimentos relacionados à PET 15.556, uma das frentes do caso Master.
O ministro argumentou que a abertura integral evitaria “escolha seletiva e direcionamento subjetivo” e garantiria tratamento igual aos procedimentos. Também pediu que a área de tecnologia do Supremo certificasse quantos processos relacionados ao caso efetivamente existem.
Fachin informou que uma solicitação semelhante já havia sido apresentada pelo ministro Cristiano Zanin e que “as providências já foram devidamente endereçadas”.
Moraes também pediu que, depois da retirada dos sigilos, todos os integrantes da magistratura mencionados nos procedimentos fossem formalmente intimados para prestar esclarecimentos e adotar medidas de defesa de suas prerrogativas. Fachin não decidiu esse ponto agora e afirmou apenas que a solicitação será analisada “oportunamente”.
Crise terá dois julgamentos Com a decisão, Fachin desenhou um calendário de duas etapas para o Supremo enfrentar a crise.
A sessão extraordinária de terça-feira continuará dedicada exclusivamente à PET 16.662. O presidente da Corte rejeitou expressamente a inclusão da PET 16.704 no mesmo julgamento.
Depois, quando terminar a coleta das manifestações ainda pendentes, a PET 16.704 será liberada para julgamento. Fachin já determinou que o processo seja incluído na sessão de 23 de setembro.
*Cleber Lourenço/ICL
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A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao menos quatro pedidos ao Supremo Tribunal Federal para concentrar nas mãos do ministro André Mendonça o caso “Dark Horse”, que envolve um filme sobre Jair Bolsonaro. Parte da apuração permanece sob relatoria de Flávio Dino por tratar do possível uso indevido de emendas parlamentares. Com informações de Folha de S.Paulo.
Os advogados protocolaram as solicitações entre 13 e 29 de julho, dirigindo petições ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao próprio Dino. De acordo com o DCM, a estratégia buscava transferir a Petição 16.070 para Mendonça, que já conduzia outros procedimentos relacionados ao longa.
Em uma das manifestações, a defesa afirmou que o protocolo de requerimentos na ADPF 854 criou uma relatoria artificial para Dino. “Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência”, escreveram os advogados.
André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, era relator de cinco dos seis processos autuados para pedir investigações sobre “Dark Horse”, conforme a defesa. Dino, indicado pelo presidente Lula (PT), ficou com a ação ligada à execução de emendas parlamentares.
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Empresa de capacetes da família Bolsonaro está registrada no mesmo lugar de empresas do operador financeiro do esquema que prejudicou aposentados e pensionistas brasileiros
A empresa de capacetes Bravo Grafeno, cujo dono é o candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), divide o mesmo endereço em Brasília com pelo menos 16 firmas de Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já participou da sociedade, é o garoto-propaganda da marca.
Esta revelação conecta diretamente a família Bolsonaro ao Careca do INSS, personagem central das investigações sobre as fraudes bilionárias que lesaram mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas brasileiros. Os desvios ocorreram entre 2019 e 2024 e resultaram no prejuízo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.
O levantamento do Núcleo Investigativo do ICL Notícias indica que a empresa do candidato usou, além dos mesmos serviços de contabilidade, a mesma estrutura do investigado na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
O Careca do INSS está preso preventivamente desde setembro de 2025, no Presídio da Papuda em Brasília. De acordo com as investigações, ele operava empresas de fachada para desviar as mensalidades recebidas irregularmente por associações de aposentados.
Em declarações anteriores, Flávio Bolsonaro negou envolvimento no escândalo do INSS. Procurado, o candidato a presidente ainda não se pronunciou. A reportagem também procurou a defesa do Careca do INSS, mas não houve retorno até o fechamento da edição. O espaço segue aberto para manifestação.
Mesmo endereço e contador em Brasília O endereço compartilhado é a sala de número 2601 bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal.
A reportagem esteve no local nesta sexta-feira (dia 11), por volta das 10h30. Logo na portaria do prédio, uma funcionária informou que a sala 2601 é ocupada pela Voga Serviços Contábeis, empresa que pertence ao sócio do Careca do INSS, Alexandre Caetano dos Reis, que também está preso.
Alexandre Caetano dos Reis é o primeiro elo conhecido entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS. Ele é responsável também pela contabilidade do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro.
A Voga ocupa quatro salas no 26º andar do prédio. A recepção da empresa fica na de número 2603, onde o ICL Notícias foi recebido pelo advogado Thalles Setúbal. Ele confirmou que a Voga presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro, mas negou que a sala 2601, onde estão registradas as empresas do senador e do Careca do INSS, pertencesse à contabilidade, apesar de os funcionários que circulavam pelo corredor, terem confirmado à reportagem que o local também é ocupado pela Voga.
Inclusive, em duas ocasiões, ao bater na 2601 que estava fechada, fui abordada por funcionários que me orientaram que me dirigisse à recepção da Voga, ou seja, a sala vizinha, 2603.
Thalles afirmou que na 2601 funcionava um coworking e pertencia à outra empresa, com donos diferentes da Voga. Questionado sobre a relação da empresa de contabilidade com o senador Flávio Bolsonaro e as investigações da PF, Thalles respondeu: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.
A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024 e conta com capital social de R$ 100 mil. A loja online vende dois modelos de capacete por R$ 598,90 e viseiras branca e preta, por R$ 54.
“Com capacete Bravo de grafeno, você garante sua liberdade e segurança. Assim como eu, esse é 100% brasileiro”, anuncia o ex-presidente em vídeo divulgado no site da empresa. O domínio do site foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.
Jair Bolsonaro lançou o capacete para motos, no dia 11 de março de 2025, no Salão das Motopeças, realizado em São Paulo. O tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, também divulgou a marca durante uma live em 2025.
Conexão entre Flávio Bolsonaro e Careca do INSS, contador está preso Preso desde dezembro de 2025, Alexandre Caetano dos Reis foi sócio do Careca do INSS, em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe.
O e-mail da Voga consta nas notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro, evidência da prestação de serviços contábeis ao senador revelada pelo Metrópoles.
Como mostra a investigação da Polícia Federal, Alexandre atuou como contador de diferentes empresas vinculadas ao Careca do INSS e tinha acesso a planilhas internas, documentos estratégicos e operações financeiras consideradas sensíveis pelos investigadores.
Outra conexão de Flávio Bolsonaro com personagens investigados no escândalo do INSS se chama Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador. Ela é irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis.
Carlos Bolsonaro também é sócio da empresa de capacetes Além de Flávio, o filho 01 de Jair, o ex-vereador Carlos Bolsonaro, o 02,também aparece na sociedade do negócio. Ele disputa uma vaga ao Senado pelo PL no estado de Santa Catarina.
Há outros três sócios na Bravo Grafeno. Entre eles, está o empresário Pedro Luiz Dias Leite, que foi sócio do ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, Marcello de Oliveira Lopes, na empresa Bitts Tecnologia, Consultoria Empresarial e Comunicação, encerrada em agosto do ano passado.
Marcelão, como é conhecido nos bastidores de Brasília, enviou R$ 1 milhão à produtora Go UP, do filme Dark Horse, em dezembro de 2025, conforme inquérito da Polícia Federal. “Eu sou investidor do filme, é uma natureza totalmente empresarial. Tudo certinho, legal. Não houve repasse, houve investimento”, disse em resposta à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo. O ICL Notícias tenta contato com ele.
No quadro societário da empresa de capacetes, surge também o nome do personal trainer Paulo Giordano Bernardi e o ex-assessor do senador, Fernando Nascimento Pessoa, que foi investigado no caso da rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Procurados, os dois, assim como Carlos Bolsonaro, não retornaram às tentativas de contato.
As informações sobre sócios e endereço em que a Bravo Grafeno foi registrada constam em base de dados pública da Receita Federal.
A rede de empresas do Careca do INSS na Sala 2601 A concentração de empresas do Careca do INSS na Sala 2601 chama atenção também pela forma como elas foram criadas. Levantamento feito pela reportagem encontrou ao menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes registradas no mesmo endereço cadastral da Bravo Grafeno. Algumas foram baixadas após as investigações.
O grupo reunia empresas de consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e até um call center.
A Sala 2601 também aparece como endereço de empresas diretamente relacionadas à movimentação do dinheiro investigado no escândalo do INSS.
É o caso da Prospect Consultoria Empresarial, uma das principais empresas de Antunes. Segundo o relatório final da CPMI, a Prospect recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas, incluindo R$ 115,9 milhões da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA. Documentos da comissão registram como endereço da empresa justamente a QS 1, Rua 212, lotes 19, 21 e 23, Sala 2601.
Oito delas foram fundadas exatamente no mesmo dia: 5 de outubro de 2023 e uma, a RPLD Construtora e Incorporadora, apenas um mês depois do registro da Bravo.
O Careca do INSS atuava junto às entidades que tinham autorização para descontar mensalidades diretamente dos benefícios e, segundo a investigação, recebia milhões dessas associações por meio de sua rede de empresas. O dinheiro circulava entre diferentes CNPJs e era usado, entre outras finalidades investigadas, para aquisição de patrimônio e pagamentos a pessoas ligadas ao grupo. Ele também atuava nos bastidores do INSS em defesa dos interesses dessas entidades.
*Alice Maciel/ICL
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Se alguém ainda tinha dúvida sobre quem sai politicamente fortalecido desse rearranjo no Supremo, basta olhar para o resultado: Flávio Bolsonaro emerge mais protegido do que nunca, enquanto Alexandre de Moraes é empurrado para o centro de uma fogueira política que interessa diretamente ao bolsonarismo.
A ironia é brutal. No momento em que o campo bolsonarista precisava desesperadamente de uma narrativa para transformar seus problemas em combustível eleitoral, surge um cenário perfeito: Moraes convertido em alvo permanente, enquanto André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao STF, ganha espaço e protagonismo justamente no ambiente em que Flávio precisa de proteção política.
É difícil não perceber o tamanho da contradição.
O grupo de Flávio pode comemorar. Aquilo que parecia ser um cerco vai se transformando, aos olhos de seus aliados, em uma espécie de corredor de proteção. A atenção pública se desloca, o debate muda de foco e, no lugar das perguntas incômodas que deveriam permanecer no centro da mesa, a política brasileira volta a consumir a velha guerra contra Moraes.
E é aí que a frase ganha uma atualidade impressionante: Fachin, a rigor, acaba produzindo um efeito político que favorece Flávio Bolsonaro, fortalece a posição de Mendonça e deixa Moraes exposto aos leões.
Não é preciso acreditar em conspiração para reconhecer o efeito concreto da movimentação. Na política, resultado também é mensagem. E a mensagem que chega ao bolsonarismo é cristalina: enquanto Moraes vira saco de pancadas, Mendonça aparece cada vez mais confortável no tabuleiro.
Para Flávio, isso é quase um presente.
A velha estratégia bolsonarista sempre funcionou melhor quando consegue trocar o assunto. Quando a pressão aperta, cria-se um inimigo maior, desloca-se o foco e transforma-se o debate institucional numa guerra de torcidas. Moraes, goste-se ou não de suas decisões, tornou-se novamente o personagem perfeito para esse roteiro.
E, enquanto todos olham para ele, quem está sendo beneficiado pelo deslocamento do foco?
Flávio Bolsonaro.
Essa é a pergunta que não pode desaparecer no meio do barulho.
Porque o mais curioso de tudo é que o bolsonarismo passou anos denunciando supostos privilégios e blindagens institucionais. Agora, quando o cenário produz um resultado politicamente favorável ao seu candidato, parece haver uma súbita amnésia coletiva.
Mendonça ganha oxigênio. Moraes vira alvo. E Flávio respira aliviado.
Se isso não é blindagem no sentido político da palavra, pelo menos é impossível negar que o efeito do rearranjo favorece exatamente quem mais precisava que os holofotes fossem desviados.
E o bando de Flávio, evidentemente, sabe aproveitar cada segundo.
A pergunta que fica é simples e incômoda: quem está pagando o preço político dessa operação de deslocamento de foco?
Até aqui, a resposta parece evidente: Moraes.
E quem está colhendo os dividendos?
Flávio Bolsonaro.
Há algo ainda que toca de perto a honorabilidade da presidência do STF na figura de Fachin, o gênio, Mario Frias, vendo que Flavio Dino lhe pegou pelo rabo, fez um pedido público para que fosse retirada das mãos de Dino a relatoria das emendas que acabou flagrando Frias e a produtora do filme Dark Horse, que receberam enxertos públicos de políticos do PL como, Bia Kicis e Marcos Pollon, exigindo que Fachin tirasse a relatoria de Flavio Dino e entregasse a André Mendonça, como bem comentou o jornalista Reinaldo Azevedo.
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