Se Flávio Bolsonaro chegar à Presidência, não será por falta de promessas, mas por excesso de contradições. E, quando o assunto é a escala 6×1, o trabalhador tem motivos de sobra para desconfiar de quem muda o discurso conforme a conveniência eleitoral. Afinal, estamos falando de um político cuja trajetória pública está cercada de denúncias e controvérsias que exigem explicações, não de um candidato cuja palavra possa ser aceita como cheque em branco.
A moral de Flávio parece ter a elasticidade de uma borracha velha. Antes mesmo de a chamada rachadinha se transformar em um dos maiores escândalos associados à sua trajetória política, já pesavam sobre ele questionamentos relacionados ao período em que trabalhou como assessor parlamentar ligado ao partido de Roberto Jefferson, enquanto seu pai também integrava aquela legenda. As suspeitas e acusações que marcaram sua vida pública não desaparecem simplesmente porque chegou a hora de disputar o Palácio do Planalto.
Por isso, aquele rodamoinho que Flávio exibiu diante de Renata Lo Prete, no Jornal Nacional, tentando negar ou contornar declarações anteriores sobre os direitos dos pobres, dos trabalhadores e dos aposentados, teve muito mais cara de encenação eleitoral do que de uma mudança genuína de convicções. Foi o velho truque da política oportunista: perceber que a própria brutalidade pode custar votos e tentar vestir, às pressas, uma fantasia de moderado.
O problema é que o trabalhador brasileiro não vive de malabarismo verbal. Quem enfrenta uma jornada exaustiva, perde o convívio com a família, chega em casa sem forças e ainda precisa fazer as contas para sobreviver não pode se dar ao luxo de acreditar em qualquer promessa de candidato com o nível moral nenhum de Flavio Bolsonaro. A escala 6×1 não é uma abstração de campanha: é uma realidade que rouba tempo, saúde e dignidade de milhões de pessoas.
E os aposentados tampouco podem se deixar seduzir por discursos fabricados para a televisão. Quando a eleição se aproxima, aparecem os sorrisos, as frases ensaiadas e as tentativas de esconder posições impopulares. Passada a votação, quem paga a conta é justamente quem vive do próprio trabalho e depende da proteção social.
A palavra de Flávio Bolsonaro não pode valer mais do que seu histórico de declarações e posições públicas. Se pretende convencer o país de que mudou, precisa demonstrar isso com compromissos claros, propostas concretas e coerência — não com gestos teatrais diante das câmeras.
No fim das contas, o rodamoinho do Jornal Nacional pode até ter produzido efeito cênico. Mas não apaga o passado, não resolve as contradições e não transforma oportunismo em compromisso social. Para quem vive do salário ou da aposentadoria, promessa de político de extrema direite sem garantia vale menos do que nada.
E, quando se trata de defender os direitos dos trabalhadores, o Brasil não precisa de um ator tentando interpretar o papel de defensor dos pobres. Precisa de compromisso real com quem trabalha, produz e sustenta este país.
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A pergunta é inevitável: por que Flávio Bolsonaro fugiu da pauta econômica na entrevista ao Jornal Nacional? Porque falar de economia significa encarar os números, e os números podem se transformar em um constrangimento para quem vende a Argentina de Milei como modelo e tenta desqualificar o Brasil de Lula.
De um lado, Lula e o Brasil, com sua dimensão econômica, seu mercado interno e sua capacidade de atrair investimentos. Do outro, Javier Milei, o ídolo da cartilha ultraliberal bolsonarista, cuja política econômica Flávio teria de defender diante das câmeras, com todos os seus custos e contradições.
A economia não se resolve com bravatas, slogans de campanha ou ataques ao governo. Exige dados, resultados concretos e respostas sobre emprego, renda, inflação, crescimento e condições de vida da população.
E é justamente aí que o discurso ideológico tropeça na realidade.
O contraste ganhou força com a nova projeção do FMI: o Brasil deverá alcançar a oitava maior economia do mundo em 2027, com PIB estimado em US$ 2,8 trilhões.
Quem foge do debate econômico deixa uma pergunta no ar: cadê o projeto para o Brasil? Porque governar não é imitar Milei, posar para a Faria Lima ou repetir a cartilha do mercado financeiro. É mostrar como pretende melhorar a vida dos brasileiros.
E, quando o adversário político tem números para apresentar, que é o caso de Lula, o silêncio pode dizer mais do que qualquer discurso.
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Programa registrado no TSE não assegura preservação das regras atuais, enquanto empresários ligados à articulação econômica defendem aposentadoria aos 67 anos
O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prevê uma revisão de normas previdenciárias, mas não oferece garantias expressas de manutenção das atuais regras de aposentadoria, dos critérios de reajuste dos benefícios ou de sua vinculação ao salário mínimo. O documento registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deixa em aberto quais mudanças o candidato pretende promover na Previdência e quais proteções serão preservadas para aposentados, pensionistas e trabalhadores.
A indefinição ocorre em meio à aproximação da campanha com empresários que defendem mudanças profundas no sistema previdenciário. Entre as propostas apresentadas a Flávio está a elevação da idade mínima de aposentadoria para 67 anos e a desvinculação do piso dos benefícios previdenciários do salário mínimo, medidas que poderiam ampliar o tempo de trabalho necessário para se aposentar e modificar as garantias de renda de milhões de brasileiros.
Na página 69, o programa prevê uma “ampla revisão normativa infralegal” nas áreas tributária, previdenciária e trabalhista. Apesar da abrangência anunciada, não especifica quais normas pretende alterar nem estabelece limites para a revisão.
Na prática, mudanças em regulamentos previdenciários podem atingir procedimentos de concessão, exigências documentais, comprovação de direitos e regras administrativas utilizadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dependendo de seu conteúdo, podem facilitar ou dificultar o acesso a benefícios.
O programa dedica outras passagens à digitalização do INSS, ao combate a fraudes e à modernização administrativa, especialmente nas páginas 26, 42 e 72 a 73. Entretanto, não apresenta compromissos específicos com a preservação das idades mínimas atuais, das regras de cálculo das aposentadorias ou dos mecanismos de reajuste dos benefícios.
A ausência dessas definições deixa sem resposta uma questão central para os segurados: quais condições de acesso à aposentadoria e quais garantias de renda Flávio pretende manter caso seja eleito?
Empresários defendem aposentadoria aos 67 anos O silêncio do programa sobre essas garantias contrasta com propostas apresentadas por empresários ao candidato e com a presença de integrantes das entidades responsáveis por sua elaboração na equipe econômica da campanha.
Como revelou o ICL Notícias, Flávio Bolsonaro recebeu, durante encontro com cerca de 500 empresários em São Paulo, o projeto Brasil de Amanhã, que propõe elevar a idade mínima de aposentadoria para 67 anos, desvincular o piso previdenciário do salário mínimo e revisar os critérios de concessão e permanência no Bolsa Família.
Pelas regras gerais atuais, homens podem se aposentar aos 65 anos e mulheres aos 62. A proposta empresarial elevaria a exigência em dois anos para eles e cinco para elas, com períodos de transição de quatro e dez anos, respectivamente.
A conexão com a campanha vai além do encontro empresarial. Em outra reportagem do ICL Notícias, foi revelado que Alexandre Ywata e Anne Caroline Marciquevik Alves, dois diretores da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil), integram a equipe econômica de Flávio. A entidade participou da elaboração do projeto que defende as mudanças previdenciárias e tem Paulo Guedes, ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, como presidente de honra.
A FIL Brasil possui três diretores registrados, dos quais dois participam da formulação das propostas econômicas da candidatura. Ywata foi anunciado oficialmente pela campanha em agosto, enquanto Anne Caroline ingressou na equipe técnica em julho, a convite de Daniella Marques.
A desvinculação do piso previdenciário do salário mínimo atingiria uma proteção prevista na Constituição. Atualmente, benefícios que substituem a remuneração do trabalhador não podem ser inferiores ao mínimo nacional. Uma mudança nessa garantia abriria caminho para estabelecer critérios diferentes de reajuste e de definição do piso das aposentadorias.
A medida poderia fazer com que os menores benefícios deixassem de acompanhar os ganhos reais do salário mínimo, dependendo das regras adotadas. Com isso, aposentados poderiam perder poder de compra relativo aos trabalhadores que recebem o piso nacional.
Já o aumento da idade mínima obrigaria os trabalhadores atingidos pelas novas regras a esperar mais tempo para se aposentar. Ambas as alterações exigiriam mudanças legislativas, inclusive constitucionais, e não poderiam ser implementadas apenas por revisão de regulamentos administrativos.
O projeto empresarial foi apresentado em um momento em que integrantes da articulação econômica de Flávio também discutiam alternativas para reduzir despesas obrigatórias. O programa oficial, porém, não esclarece como a candidatura pretende conciliar eventuais ajustes fiscais com a preservação dos direitos previdenciários.
Reajustes também ficam sem garantia expressa Outro ponto relevante é a ausência de compromisso específico com a manutenção dos atuais critérios de reajuste das aposentadorias.
A legislação estabelece mecanismos distintos de correção. Benefícios equivalentes ao piso previdenciário acompanham o salário mínimo, enquanto aqueles acima do mínimo são reajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mecanismo destinado a preservar seu valor diante da inflação.
O plano não detalha se pretende manter esses mecanismos nem apresenta uma política específica de valorização das aposentadorias.
Essa indefinição ganha importância diante da proposta empresarial de desvincular o piso previdenciário do salário mínimo. Uma alteração dessa natureza atingiria uma das principais garantias de proteção de renda dos aposentados que recebem os menores benefícios.
A adoção de uma fórmula de correção menos favorável poderia fazer com que esses benefícios crescessem mais lentamente que o salário mínimo, ampliando a distância entre a renda dos aposentados e a remuneração mínima dos trabalhadores.
A ausência de compromissos específicos também deixa sem esclarecimento como a candidatura pretende tratar os reajustes dos benefícios acima do piso previdenciário, especialmente diante das discussões sobre contenção de despesas obrigatórias.
Bolsa Família e BPC também ficam sem regras detalhadas A falta de garantias específicas se estende à proteção social. Nas páginas 9 e 42 a 43, o programa promete manter políticas sociais e facilitar a transição de beneficiários para o mercado de trabalho, mas não detalha como pretende preservar valores, critérios de renda e condições de permanência no Bolsa Família.
O documento também não estabelece compromissos individualizados sobre a manutenção das regras atuais do Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.
O BPC tem valor de um salário mínimo garantido pela Constituição. Já o Bolsa Família depende de regras legais e administrativas que definem quem pode receber o benefício, quanto será pago e em quais circunstâncias o pagamento pode ser suspenso.
Alterações nesses critérios podem restringir o acesso ou reduzir a cobertura dos programas sem que eles sejam formalmente extintos.
O projeto Brasil de Amanhã também inclui propostas de revisão cadastral e verificações domiciliares relacionadas ao Bolsa Família. A iniciativa acrescenta outra frente de discussão sobre as condições de permanência de famílias de baixa renda nos programas sociais.
O conjunto das propostas coloca em discussão não apenas a continuidade formal dos benefícios, mas as condições concretas para recebê-los. Mudanças nas exigências de acesso, nos critérios de renda e nos mecanismos de fiscalização podem afetar diretamente famílias que dependem desses recursos.
Enquanto o plano de Flávio anuncia uma revisão de normas previdenciárias sem especificar seu alcance, empresários que se aproximaram da campanha defendem elevar a idade mínima de aposentadoria e modificar a vinculação dos benefícios ao salário mínimo. Dois dirigentes de uma das entidades responsáveis por essas propostas também participam da equipe econômica do candidato.
O programa apresentado aos eleitores não esclarece quais regras pretende modificar nem assume compromissos expressos de preservar as atuais garantias de aposentadoria e reajuste.
*Cleber Lorenço/ICL
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Elytron ofereceu operação clandestina para mapear eleitores, criar contas falsas, espalhar mentiras e desacreditar rivais, indicam documentos revelados por ex-consultor. Campanha de Flávio nega contratação de qualquer serviço ilegal
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que tentou vender fora do Brasil um sistema que usa inteligência artificial para manipulação política em eleições de forma clandestina. O PL também declarou ter pago R$ 131,9 mil à mesma companhia.
Documentos obtidos pelo Intercept Brasil detalham a oferta feita nos Estados Unidos de uma operação que incluía fazer uma coleta imensa de dados e identificar grupos de eleitores para, de acordo com o perfil de cada um, executar atividades como disseminar boatos e desinformação, criar contas falsas nas redes sociais e utilizar “técnicas de guerra psicológica” e métodos de infiltração para desacreditar adversários.
São essas ações, chamadas de “comportamentos inautênticos”, que diferenciam uma operação de influência ilegal e clandestina de uma mera estratégia de marketing político, comum em campanhas eleitorais.
Os registros da operação foram entregues à reportagem pelo empreendedor e tecnologista estadunidense Vincent Edward Reed, que foi consultor da Elytron entre 2024 e 2025 e atuou como intermediário para que o sistema fosse apresentado a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 2024 – a tecnologia foi demonstrada aos republicanos, mas não há confirmação de contratação.
Reed disse que rompeu com a Elytron por avaliar que o sistema viola preceitos éticos e legais. “Quando vi a demonstração [do sistema] e o dashboard, pude entender do que era capaz. E isso foi preocupante para mim porque vi que estava mirando eleitores e poderia atingi-los com deepfakes de IA”, afirmou.
Ele denunciou a operação ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA, mas as apurações não avançaram. Os pagamentos da campanha de Flávio Bolsonaro à Elytron fizeram Reed procurar o Intercept para contar o que sabe. Não há evidências que comprovem que o sistema de manipulação política denunciado por Reed tenha sido usado por Flávio ou pelo PL nas eleições de 2026.
A operação de um sistema de manipulação política nesses moldes violaria as leis que regulamentam as eleições no Brasil porque compromete a integridade do processo eleitoral. O uso de uma ferramenta com este fim também iria contra políticas e regras de uso das próprias plataformas de redes sociais.
O total pago à Elytron pela campanha de Flávio soma R$ 600 mil, de acordo com o DivulgaCand, sistema da Justiça Eleitoral em que os candidatos informam suas despesas. Lá há três notas fiscais emitidas pela empresa. Duas delas, de R$ 500 mil cada, são de 16 de setembro de 2026 – uma, entretanto, consta como cancelada. A terceira nota é de 2 de outubro e totaliza R$ 100 mil.
Todas descrevem o serviço prestado como “consultoria em tecnologia da informação” e citam referências genéricas a quatro atividades: “apoio forense”, “investigação Pishing” — possível referência a um tipo de ataque cibernético, embora a grafia esteja errada —, “teste de seguranca” e “monitoramento de infraestrutura”.
Embora no sistema da Justiça Eleitoral a soma de pagamentos feitos para a Elytron totalize R$ 600 mil, a campanha de Flávio Bolsonaro declarou uma despesa de R$ 1 milhão com a empresa na prestação de contas parcial entregue à Justiça Eleitoral no final de setembro.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, também informou um pagamento de R$ 131,9 mil à Elytron. A despesa foi registrada em 20 de julho deste ano e menciona apenas a prestação de “serviços técnico-profissionais”.
A Elytron mobiliza uma rede de atores políticos internacionais, executivos do setor de tecnologia e nomes da extrema direita brasileira, como o lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie. Além do lado brasileiro, que tem como clientes grandes empresas e até órgãos de governo, encontramos conexões que mostram que a empresa tem um braço em Portugal e é ligada a autoridades dos Emirados Árabes Unidos, como o xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, chamado pelo Wall Street Journal de “xeque espião”.
No Brasil, dirigentes da Elytron mantêm ligações com o entorno do empresário e influenciador Pablo Marçal – cuja candidatura à Presidência da República foi proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, por ele estar inelegível. Marçal integra a equipe de campanha de Flávio desde o fim de setembro.
A denúncia feita por Reed envolvendo Elytron é um novo elemento nas preocupações envolvendo manipulação política via redes sociais e uma possível interferência nas eleições do Brasil. O tema vem ganhando força desde o ano passado diante da proximidade da família Bolsonaro com Trump e a adoção de medidas pelo governo dos EUA contra o Brasil – e até resultou na condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação, após ter sido acusado de articular retaliações contra o país e ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF.
Procurada pelo Intercept, a campanha de Flávio Bolsonaro disse que “não contrata nenhum serviço que viole a legislação eleitoral” e classificou como grave e com “claro viés político eleitoreiro” a “tentativa de associar a contratação de um serviço exclusivo de segurança da informação para proteger os sistemas de comunicações contra ataques cibernéticos com práticas de manipulação política”. A assessoria frisou ainda que a contratação seguiu procedimentos regulares. Leia a resposta na íntegra.
Nós procuramos a Elytron por meio de sua assessoria de imprensa, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. Também procuramos João Brasio, CEO da empresa no Brasil.
Após a publicação, a Elytron respondeu os questionamentos enviados pelo Intercept. Disse que “repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública”.
Também pontou que “a empresa atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro”.
A Elytron ainda informou que não prestou serviços para a campanha de Trump e que não autorizou a “realização de apresentações comerciais em seu nome para oferecer operações de influência política”. A empresa afirmou que apurará os fatos e eventuais responsabilidades relacionadas ao uso indevido de seu nome.
Quanto aos serviços prestados à campanha de Flávio e ao PL, a Elytron destacou que “possuem finalidade técnica e preventiva, voltada à proteção cibernética, à segurança das comunicações, à preservação da confidencialidade de informações e à proteção da infraestrutura tecnológica dos contratantes”.
A empresa ainda confirmou que possui pessoa jurídica em Portugal para fins de “organização societária e tributária para eventuais operações comerciais no mercado europeu”, mas que isso não constitui uma filial da Elytron brasileira. Leia aqui a íntegra da resposta enviada pela Elytron.
‘O termo manipulação foi de fato usado’ Reed contou ao Intercept que, no período em que atuou como consultor da Elytron, apresentaram-lhe o sistema como uma ferramenta analítica de IA, o que não seria um problema. No entanto, ao acessá-lo e entender do que se tratava, ele disse que ficou preocupado. “O termo manipulação foi de fato usado. E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, completou.
Documentos indicam que o objetivo do sistema ia muito além de análise de dados. Um deles, de acordo com Reed, é a apresentação confidencial que foi feita a pessoas ligadas à campanha de Trump em 2024. “Nós desenvolvemos soluções de ponta que aparelham big data como nunca antes”, descreve o material da Elytron.
Segundo o documento, unir dados e inteligência artificial viabiliza campanhas massivas direcionadas, controle da presença digital e identificação de ameaças, rastreamento de robôs e fake news, além de mobilização de pessoas.
Para mobilizar essas bases, segundo a apresentação, a Elytron coleta e cruza dados sociais, políticos e econômicos. O sistema promete geodirecionamento, mapeamento de demandas regionais, criação de cenários de votação e testes de eficácia de campanhas de comunicação.
Apresentação em inglês cita operações de ataque e defesa, unidades de infiltração e intervenção de um “exército digital”. Entre os objetivos, estão fazer ataques e interferências “silenciosas” e garantir uma “imagem de poder e controle”. (Foto: Reprodução)
Outra frente do negócio oferece a publicação de reportagens na imprensa internacional valendo-se de “relacionamentos excepcionais”. A lista menciona veículos como The New York Times, Bloomberg, The Washington Post, Reuters e CNN.
O documento também expõe o uso de mapeamento avançado em redes sociais para manipular e segmentar públicos. “Essa capacidade de segmentação nos permite identificar, ampliar ou criar uma opinião dominante dentro de um segmento definido” ou “mover a evolução de uma opinião do segmento A para o segmento B, com o objetivo de tornar essa opinião prevalecente e aumentar sua influência”.
‘Essa capacidade de segmentação nos permite identificar, ampliar ou criar uma opinião dominante dentro de um segmento definido’ Monitorar redes sociais, identificar tendências, mapear detratores ou contas falsas são práticas rotineiras para fins políticos ou comerciais – não é ilegal e costuma ser feito por meio de ferramentas pagas como Meltwater e Brandwatch.
O diferencial mencionado pela Elytron na apresentação à qual Reed teve acesso é a operação ativa de comportamentos inautênticos: a empresa sugere a criação de contas falsas, plantar desinformação e rumores e operar avatares gerados por inteligência artificial.
Uma das táticas descritas é a “disseminação direcionada de uma opinião ou informação (rumores, mensagens-chave, ideias) em um grupo específico”.
Outro trecho destaca estratégia para plantar uma opinião em grupos “fortemente polarizados” de acordo com localização geográfica, idade e engajamento político. Ainda menciona como “operação especial” as ações para disseminar rumores e desacreditar oponentes com “técnicas de guerra psicológica e métodos de infiltração”. (Foto: Reprodução)
“Por exemplo, se o objetivo estratégico for associar um oponente a uma determinada opinião, podemos introduzir essa opinião com precisão em vários grupos-alvo, influenciando, assim, a percepção coletiva”, descreve a empresa no documento. O cardápio de serviços menciona, ainda, descredibilização de adversários.
Um gráfico anexado na apresentação revela o fluxograma tático. O plano parte da definição de um objetivo político da operação para, então, traçar um alvo operacional. A partir daí, define-se o método: as opções vão desde operações psicológicas, com a infiltração em redes adversárias, a operações especiais, com a criação e disseminação de desinformação e de descrédito, até chegar ao gerenciamento de opiniões.
Uma das páginas da apresentação mostra que a operação parte do objetivo político e, depois, se divide em operações psicológicas, especiais e de opiniões. Entre as ações previstas, estão infiltração em redes de opositores, espalhar informações falsas e desacreditar adversários a partir da criação e disseminação de conteúdo. (Foto: Reprodução)
Na etapa seguinte, de acordo com a apresentação, é definida a estratégia de transmissão. O plano abrange desde a criação de conteúdo – imagens, vídeos, memes, deepfakes – até a distribuição coordenada em blogs, redes sociais e na imprensa.
O Intercept submeteu o documento que detalha a operação à Beatriz Farrugia, pesquisadora da Lupa e analista sênior de desinformação e FIMI (o acrônimo em inglês para manipulação de informação e interferência estrangeira) do Debunk, uma ONG baseada na Lituânia.
Farrugia também é especialista em operações de influência, que são esforços deliberados e planejados que empregam técnicas ilegítimas para moldar opiniões e percepções das pessoas.
“Essa tela [do plano, foto acima] é exatamente a definição de A a Z de operação de influência”, diz a especialista, pontuando que estratégia vai muito além de apenas postar desinformação ou deepfakes nas redes sociais.
Reed detalhou ao Intercept a mecânica comercial da Elytron, que mapeia as metas do cliente. “Assim que uma campanha assina um contrato, representantes dela teriam acesso a uma equipe que ficaria encarregada de entender os objetivos. Essa campanha quer difamar o adversário? Eles querem colocar uma campanha de comunicação massiva? E também passam a pensar qual o desfecho que a campanha busca. Quer manipular eleitores? Influenciar opiniões?”, pontuou.
‘Como usa tecnologia de fontes abertas e tem acesso ao X e às plataformas da Meta, o sistema pode mirar usuários individuais com base em demografia’
Com o alvo traçado, o sistema entra em ação. “Como usa tecnologia de fontes abertas e tem acesso ao X e às plataformas da Meta, o sistema pode mirar usuários individuais com base em demografia”, explicou Reed. As apresentações indicam que uma ampla variedade de outros bancos de dados também pode ser integrada para fortalecer essas capacidades de segmentação.
Ele disse que a demonstração à qual teve acesso deixou claro que o sistema não era apenas uma ferramenta analítica, mas uma tecnologia de manipulação eleitoral focada em campanhas e eleitores.
Conexão nos Emirados Árabes A Elytron se apresenta como uma empresa de segurança da informação com atuação internacional. Além do endereço comercial em São Paulo divulgado em seu site, a firma possui registro em Portugal desde 2021.
O rosto público da empresa é João Lucas Melo Brasio, autointitulado “especialista em cibersegurança e hacker ético”. Em 2018, ele fundou o negócio com Felipe Garofalo. Naquele mesmo ano, ganhou notoriedade após declarar ter identificado uma vulnerabilidade no sistema de divulgação de candidaturas e contas eleitorais do TSE, o DivulgaCand.
Em entrevistas, Brasio afirma ter trabalhado para o Pentágono e outros órgãos de defesa, cujos logotipos também aparecem no site da empresa. Ele também é sócio de diversas outras empresas. Uma delas é a Katana, agência de comunicação focada em campanhas políticas. Em seu site, a companhia se apresenta como “resultado da sinergia entre a Nova Estratégia Comunicação Institucional Pública e Eleitoral e a Elytron Security”.
Em entrevista ao jornal português Observador, em 2022, Brasio disse que a Elytron tinha uma filial no Algarve com apenas dois funcionários e que já executava projetos em Portugal sob sigilo.
Em novembro de 2025, Daniel Tupinambá, chefe de segurança da informação da Elytron, publicou no LinkedIn uma foto na Assembleia Geral da Interpol ao lado de Jorge Remígio e Felipe Garofalo, co-fundador da empresa. “Elytron Cybersecurity Brasil e Portugal fechando o terceiro dia de muito aprendizado e compartilhamento legítimo contra o crime cibernético”, escreveu Tupinambá.
Reed, que nos procurou com os documentos sobre a operação da Elytron, atuou como consultor para o braço português da empresa. Em 2024, ele começou a trabalhar com pessoas que se apresentaram como ligadas à Elytron Security, empresa de cibersegurança e inteligência artificial que opera no Brasil e em Portugal, e também à Aleria, uma companhia dos Emirados Árabes que desenvolve soluções de inteligência artificial.
*Publicado com exclusividade por Eduardo Goulart, Laís Martins, Leandro Becker e Eduardo Goulart no Intercept Brasil
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O encerramento do ciclo eleitoral e as pressões internacionais que asfixiam a governabilidade do país demonstram que a estabilidade nacional depende de uma profunda e urgente recuperação da nossa autonomia de Estado. Nós não estamos discutindo no Brasil quem é corrupto e quem não é corrupto; nós estamos discutindo marcos civilizatórios. A encruzilhada histórica deste segundo turno exige escolher, de forma consciente e sem recuos, entre a sobrevivência da Democracia ou a rendição definitiva à barbárie.
A desfaçatez do debate político é desnudada quando confrontamos a assimetria internacional de soberania: enquanto a Casa Branca de Donald Trump impõe restrições implacáveis a delegações, atletas e árbitros da Fifa, e a Argentina de Javier Milei executa a deportação sumária de jornalistas brasileiros por mera incompatibilidade de simpatia política, o Brasil abre o Maracanã para a infraestrutura de transmissão e engenharia norte-americana da NFL a escassos dias de um pleito presidencial decisivo, operando sob uma tolerância flácida que confunde abertura de mercado com submissão geopolítica.
Essa paralisia em blindar o território corre em perfeita simetria com a inversão retórica das torcidas tribais e dos robôs digitais, que rotulam o atual governo de “ditadura” por tentar exercer o básico de sua regulação financeira e humanitária. O pacote de Medidas Provisórias lançado pelo Palácio do Planalto para extinguir o ralo financeiro das bets — que drenava R$ 60 bilhões da economia popular e destruía o consumo das famílias de baixa renda — foi transformado pelo marketing de guerrilha da extrema-direita em uma suposta “ofensiva autoritária” contra o lazer do povo. O silêncio corporativo da Rede Globo e o manifesto “Proibir não é proteger” estampado nos gramados pela CBF e pelo Flamengo provam que as elites econômicas preferem defender o suborno de suas planilhas publicitárias do que encarar a realidade dos fatos: a de que o mercado formal das apostas foi convertido pelo advogado Willer Tomaz no maior duto de lavagem de dinheiro do crime organizado, movimentando R$ 6,6 bilhões em transações brutas opacas.
A verdade por trás da narrativa da “falsa ditadura” reside na tentativa de ocultar as robustas e criminosas evidências capturadas pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto. O vazamento de e-mails armazenados no iCloud provou que o senador e candidato Flávio Bolsonaro compartilhava o mesmo “usuário master” administrativo e cofre digital no Banco Santander que as empresas de Willer Tomaz, o operador acusado de liderar a máfia previdenciária que surrupiou R$ 6,3 bilhões de idosos humildes do INSS.
Para que essa barbárie dinástica continue operando sem freios, a oposição mobiliza emendas e avança no Senado com a PEC de desmonte criminal do STF, contando com a proteção e os amortecedores jurídicos de ministros indicados na gestão anterior, como André Mendonça e Kassio Nunes Marques. O “foda-se o mundo” de uma população reduzida a plateia alienada pelas Big Techs abre o caminho para que o Escritório do Crime suba a rampa do Planalto, transformando o país em um laboratório ultraliberal devastador.
Diante do rastro físico de sabotagem que incendeia laboratórios da UFPE e templos em Santa Catarina sob a tag da “Direita Terrorista”, o papel da cidadania consciente não pode ser o recuo ou o gesso do medo burocrático. Como o professor Marcos Inácio Fernandes ensina na obra histórica de seu livro “Sensibilização à Política”, o único antídoto contra o neofascismo e as intervenções de falsa bandeira do ocidente coletivo é a politização e a organização combativa das sentinelas de contra vigilância.
O segundo tempo da história exige acionar os nossos “olhos de lince” e fincar as “baionetas escaladas” nas calçadas e nas redes digitais. Atendamos ao refrão do manifesto de resistência da nossa própria memória cultural: é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte! No dia 25 de outubro, que a força impessoal e soberana do voto enterre a dinastia miliciana e salve o que resta de dignidade e autonomia no solo da nossa Pátria. À luta pela Democracia e pela Soberania Nacional!
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Globo confirma encontro de Flávio com cúpula da emissora antes de sabatina no JN
Após coluna do Metrópoles revelar almoço com Flávio, Globo confirma visita e não esclarece se Lula teve convite semelhante
A TV Globo confirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, fez uma visita institucional à sede da emissora, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (16), horas antes de participar da sabatina do Jornal Nacional (JN).
A nota foi enviada à imprensa após a publicação da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que revelou que Flávio tinha um almoço reservado com a cúpula da emissora no mesmo dia da entrevista.
Segundo a Globo, o senador foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A emissora afirmou que o encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo.
Na nota, a empresa alega que pedidos de visitas institucionais “fazem parte da rotina dos executivos de empresas de mídia” e que é “usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”.
Segundo a coluna do Metrópoles, Flávio esteve acompanhado do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua campanha presidencial, e de um assessor de imprensa.
Este seria o segundo encontro de Flávio com a cúpula da emissora. O primeiro, conforme Igor Gadelha, ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral, como parte de uma agenda de visitas do senador aos principais veículos de comunicação.
Lula não teve encontro com executivos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à Presidência, foi entrevistado na quinta-feira (15).
De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, auxiliares de Lula afirmaram que o presidente não teria sido convidado para um almoço semelhante com executivos da Globo.
A Globo respondeu ao ICL Notícias que as visitas institucionais são comuns e que também teria atendido a um eventual pedido da campanha de Lula. O presidente, no entanto, não fez solicitação semelhante, e não houve, portanto, um encontro entre Lula e os executivos da emissora nos mesmos moldes.
Até a publicação, a assessoria do senador não havia se manifestado. O espaço segue aberto.
Confira a nota da TV Globo na íntegra: O candidato à presidência da República do PL, Flavio Bolsonaro, fez hoje uma visita institucional à sede da Globo, no Rio de Janeiro, e foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. O encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo. Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia.
*ICL
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Grupo Globo, de porta-voz do bolsonarismo a suspeito de conexões que vão muito além de Luciano Huck e Fred Kachar
Escancaradamente bolsonarista, O Globo já nem faz questão de disfarçar seu engajamento político. O jornal da família Marinho parece ter abandonado de vez qualquer pretensão de imparcialidade para vestir a camisa de uma candidatura que interessa à velha direita e aos setores mais poderosos do mercado.
Mas há uma pergunta incômoda que não pode ser ignorada: até onde vão as conexões de Daniel Vorcaro com o Grupo Globo? Se as relações envolvendo Luciano Huck e Fred Kachar já levantam questionamentos sobre a proximidade entre o mundo financeiro e o poder midiático, é legítimo cobrar esclarecimentos sobre a extensão dessas relações e sobre os interesses que podem estar em jogo.
O que não se pode fazer é transformar suspeitas em conclusões sem provas. Mas tampouco se pode exigir que a sociedade feche os olhos diante de relações que merecem escrutínio público.
Quando um dos maiores grupos de comunicação do país assume uma linha editorial cada vez mais alinhada ao bolsonarismo, a pergunta deixa de ser apenas sobre jornalismo e passa a ser também sobre poder, interesses econômicos e influência política.
Quem financia, quem se associa, quem ganha e quem pauta a opinião pública? Essas são as perguntas que precisam de respostas transparentes.
A credibilidade de um veículo de comunicação não se sustenta na força de sua marca, mas na independência de sua cobertura. E, quando essa independência é colocada em dúvida, não basta posar de fiscal da República: é preciso aceitar ser fiscalizado também.
Basta um clique no jornal dos Marinho, para entender que seu conceito de democracia é de uma perna só. Isso deixa claro que o jornalão utiliza uma peneira moral em favor de quem, há anos, furta até o piruá de pipoca das vasilhas do povo, deixando vastos roletes de fumo.
Ou seja, já são dois figurões de cabeça coroada da Globo envolvidos até o talo jo esquema de Daniel Vorcaro, o todo poderoso diretor, Fred Kachar, e o apresentador, Luciano Huck.
Então fica a pergunta: E os irmãos Marinho, não sabiam de nada? E só se manifestam jogando para a torcida quando aparece uma denúncia comprovando que o Grupo Globo, Vorcaro e, consequentemente, o próprio Flavio Bolsonaro formam um combo de interesses nada repubicanos.
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Como Renata Lo Prete pretende questionar Flávio Bolsonaro sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro e tudo o que essa relação representa de nefasto para a política brasileira, se a própria Globo está às voltas com revelações que atingem dois de seus medalhões, também associados ao mesmo Vorcaro?
Eis a pergunta que não pode ser varrida para debaixo do tapete: com que autoridade moral a Globo pretende colocar Flávio Bolsonaro contra a parede se a própria casa tem explicações a dar sobre suas conexões com o personagem que está no centro dessa trama?
O problema não é apenas o que Renata Lo Prete vai perguntar. É, sobretudo, o que ela terá coragem de perguntar. Vai apertar Flávio sobre os vínculos com Vorcaro? Vai exigir respostas concretas, documentos e explicações sobre as suspeitas que cercam essa relação? Ou veremos mais um espetáculo de indignação seletiva, com perguntas duras para uns e luvas de pelica para outros?
Porque, quando o escândalo chega à porta do adversário, a velha mídia costuma vestir a toga de juíza. Mas, quando as conexões alcançam os seus próprios salões, o rigor pode desaparecer, o tom pode mudar e o silêncio pode se tornar uma conveniente estratégia de sobrevivência.
A credibilidade do jornalismo não se mede pela dureza das perguntas feitas aos adversários, mas pela disposição de fazer as mesmas perguntas aos aliados, aos poderosos e aos próprios donos da casa.
Se a Globo quer cobrar explicações de Flávio Bolsonaro, que cobre. E que cobre sem anestesia. Mas terá de aceitar que a mesma régua seja aplicada a todos os personagens dessa história, inclusive aos que circulam pelos corredores do próprio grupo de comunicação.
O que não dá é transformar o jornalismo em tribunal para os outros e em assessoria de contenção de danos para os seus.
Vorcaro não pode ser tratado como um problema apenas quando o seu nome compromete Flávio Bolsonaro. Se as conexões alcançam também figuras de peso da Globo, a pergunta deixa de ser somente o que Flávio tem a explicar. Passa a ser o que a própria Globo está disposta a esclarecer.
Afinal, o público não quer uma entrevista montada para produzir manchetes convenientes. Quer respostas. Quer coerência. Quer saber se existe, de fato, disposição para investigar todos os lados ou se a velha mídia continuará escolhendo a dedo quem merece ser encurralado e quem merece ser protegido.
A pergunta que paira sobre a entrevista é brutalmente simples: Renata Lo Prete vai fazer jornalismo ou vai administrar os constrangimentos da própria Globo?
Por isso não se espantem, se hoje na sabatina de Renata Lo Prete com Flavio Bolsonaro, assistir a um bem manejado festival de platitudes.
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O petista avança 1 ponto percentual desde o último levantamento; os candidatos estão empatados dentro da margem de erro …
Tudo considerado, Lula reagiu e Flávio perdeu um pouco de ímpeto; a 9 dias da eleição, a disputa voltou ao ponto de partida: ninguém tem a vitória assegurada.
Pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta 6ª feira (16.out.2026), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados, com 50% dos votos válidos cada um. …
A pesquisa foi realizada de 13 a 15 de outubro, com 3.000 entrevistas e margem de erro de 1,8 ponto percentual. Parte das entrevistas já captou o impacto do fim da escala de trabalho 6 X 1, medida aprovada em definitivo pelo Congresso na 4ª feira (14.out.2026). …
O levantamento mostra uma mudança no cenário desde o 1º turno. Em duas semanas, a taxa de intenções de voto em Lula avançou, enquanto a de Flávio recuou. A distância entre os 2 era de 6 pontos percentuais no estudo divulgado em 8 de outubro. Há 3 dias, caiu para 2 pontos percentuais. Agora, é zero.
No 1º turno das eleições, Flávio teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. A vantagem do senador sobre o petista havia sido de 1,87 ponto percentual nas urnas.
DEMOGRAFIA NO 2º TURNO
Lula preserva a preferência em segmentos estratégicos do eleitorado. Entre as mulheres, o presidente registra 55% das intenções de voto, contra 39% do senador do PL. Flávio vai melhor no Centro-Oeste (54%) e no Sul (57%).
REJEIÇÃO
A oscilação positiva das intenções de voto em Lula teve leve impacto na taxa de potencial de voto do candidato. Na nova rodada do PoderData/Aya, 44% dos entrevistados dizem que o petista.
é o “único em que votariam”. Essa taxa era de 42% há 3 dias. Os que declaram que não votariam “de jeito nenhum” no atual presidente são 46%. A taxa é a mesma desde o 1º turno.
Entre os que rejeitam Flávio, a taxa oscilou 1 ponto percentual para cima, de 44% para 45% em 3 dias.
*Poder360
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