A crise no Supremo Tribunal Federal ganhou uma dimensão inédita depois que o ministro André Mendonça determinou a produção e a divulgação de informações da Polícia Federal envolvendo mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo relatos atribuídos a integrantes do STF, o problema não estaria na apuração de eventuais irregularidades — que, evidentemente, devem ser investigadas —, mas na maneira como Mendonça conduziu o procedimento.
Ministros ouvidos pela imprensa afirmam que o ministro teria atropelado ritos que tradicionalmente orientam investigações envolvendo integrantes da própria Corte. A avaliação é de que a iniciativa instaurou uma espécie de “vale-tudo” dentro do Supremo, criando um precedente com consequências que podem ultrapassar em muito o episódio específico envolvendo o Banco Master.
É nesse ponto que aparece a expressão que sintetiza a dimensão da crise: Mendonça teria aberto “as portas do inferno” dentro do STF. Não porque a investigação deva ser interrompida, mas porque, segundo esses ministros, a forma escolhida para fazê-la pode transformar divergências institucionais em uma guerra aberta entre integrantes da própria Corte.
E há uma consequência política impossível de ignorar: Flávio Bolsonaro é um dos principais beneficiários desse ambiente de conflito. Em plena corrida presidencial, a exposição pública de suspeitas envolvendo um ministro do Supremo desloca o centro do debate para uma pauta que interessa diretamente ao candidato bolsonarista, ao mesmo tempo em que alimenta a narrativa de confronto permanente entre o bolsonarismo e o STF. Reportagens desta terça-feira registram justamente essa avaliação de que a iniciativa de Mendonça produz efeitos eleitorais favoráveis a Flávio.
Isso não significa atribuir a Mendonça uma intenção que ele não declarou. O próprio ministro sustenta que seu papel é atuar com imparcialidade e que as suspeitas precisam ser examinadas. O que está em discussão, portanto, é outra coisa: se os procedimentos adotados foram adequados e quais consequências institucionais eles produziram.
A questão central agora é saber até onde essa escalada pode chegar. O episódio colocou o STF diante de uma situação delicadíssima: investigar suspeitas que atingem integrantes da própria Corte sem permitir que a investigação se transforme em instrumento de disputa política ou em precedente para que qualquer ministro possa, isoladamente, abrir novas frentes contra seus colegas.
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Há algo no mínimo curioso na cobertura econômica brasileira, quando os indicadores vêm ruins, o tom é de alarme; quando vêm melhores do que o esperado, aparecem imediatamente as ressalvas, os asteriscos e as previsões sombrias. O dado positivo precisa quase pedir desculpas por existir.
Nesta terça-feira, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,4%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia cresceu 2%, acumulando expansão de 1,9% em quatro trimestres.
E há um dado particularmente expressivo, considerando 50 países que já divulgaram seus números, o Brasil registrou o quinto maior crescimento do PIB no trimestre. Ficou atrás somente de Irlanda, Indonésia, Angola e Malásia e à frente de economias como Estados Unidos e China.
Isso não significa, evidentemente, que todos os problemas econômicos brasileiros tenham desaparecido. O próprio resultado mostra uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB havia avançado 1,1%. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto os juros elevados continuam sendo apontados como fator de pressão sobre crédito, consumo e investimento.
Mas uma coisa é fazer jornalismo econômico sério, mostrando simultaneamente avanços, limitações e riscos. Outra, bem diferente, é apresentar sistematicamente um resultado objetivamente positivo como se fosse mais uma evidência de fracasso.
É justamente aí que a cobertura de parte da velha mídia merece ser observada com atenção. O problema não está em apontar a desaceleração — ela existe e precisa ser discutida. O problema surge quando a desaceleração passa a ocupar todo o enquadramento da notícia e o dado central, de que o Brasil teve o quinto maior crescimento trimestral entre 50 economias, vira quase uma nota de rodapé.
O jornalismo econômico não deveria funcionar como torcida organizada. Se o PIB cresce, registra-se o crescimento. Se desacelera, registra-se a desaceleração. Se supera as expectativas, isso também é notícia. E se existem problemas estruturais, eles precisam ser apresentados com a mesma honestidade.
O fato concreto, portanto, permanece, o PIB brasileiro cresceu, superou a expectativa do mercado e colocou o país entre os cinco melhores desempenhos trimestrais do mundo no levantamento citado.
Transformar esse dado em propaganda seria tão equivocado quanto transformá-lo em fracasso. O que se espera da imprensa é simplesmente que os fatos sejam tratados como fatos — sem que a preferência política de quem noticia determine quais números merecem destaque e quais devem ser escondidos atrás de uma avalanche de pessimismo.
A economia brasileira tem problemas, como qualquer economia. Mas reconhecer problemas não exige negar resultados positivos. E um crescimento que coloca o Brasil em quinto lugar entre 50 países não deveria ser tratado como se fosse uma tragédia econômica.
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De repente, Augusto Cury deixou de ser apenas o escritor de livros de autoajuda e candidato quase invisível à Presidência para transformar-se em fenômeno eleitoral. Em poucos dias, saltou de 2% para 7,8% na Atlas/Intel. Mais impressionante ainda: ganhou cerca de 2 milhões de seguidores no Instagram em apenas uma semana.
Coincidência?
É justamente aí que Pablo Marçal entra em cena.
Reportagens publicadas nesta segunda-feira mostram que o crescimento de Cury veio acompanhado de uma verdadeira inundação de vídeos nas redes sociais, muitos deles com a mesma linguagem, estética e dinâmica de comunicação utilizadas pelo universo digital de Marçal. O apoio do ex-coach ao candidato do Avante é público e seus seguidores passaram a atuar fortemente em favor de Cury.
Não é necessário recorrer a teorias conspiratórias para perceber que existe uma engrenagem política e digital por trás dessa ascensão meteórica. A pergunta relevante é outra: até onde vai o apoio espontâneo de Marçal e onde começaria uma operação organizada para fabricar artificialmente um candidato competitivo?
Essa pergunta não é gratuita. A própria cobertura jornalística registra suspeitas de atuação não orgânica, inclusive com questionamentos sobre eventual financiamento irregular da avalanche de conteúdo pró-Cury. A campanha, naturalmente, nega qualquer manipulação.
E há um elemento particularmente revelador: Cury e Marçal parecem ocupar espaços diferentes de uma mesma prateleira política. Um apresenta a embalagem mais sofisticada, mais polida e menos agressiva; o outro construiu sua persona em torno do discurso motivacional, da provocação e da exploração maciça das redes. Não por acaso, o jornalista Matheus Pichonelli resumiu a semelhança com uma frase devastadora: “Cury é o Pablo Marçal que senta à mesa.”
É nesse contexto que ganha importância o histórico confronto entre Marçal e o economista Elias Jabbour no Inteligência Ltda.. O debate, realizado em novembro de 2025, colocou frente a frente o discurso motivacional e empresarial de Marçal e a argumentação de um professor universitário especializado em economia política e desenvolvimento. O episódio ganhou grande repercussão justamente pela diferença entre os métodos de argumentação dos dois.
O problema, portanto, não é simplesmente Augusto Cury crescer nas pesquisas. Democracia pressupõe que qualquer candidato possa crescer.
O que merece investigação é a velocidade desse crescimento, a explosão simultânea de suas redes, a participação da máquina digital associada a Marçal e a possibilidade de que uma candidatura esteja sendo impulsionada artificialmente por uma estrutura de comunicação extremamente profissionalizada.
Porque, se existe uma operação para transformar Cury em fenômeno eleitoral, ela não surgiu do nada.
E, olhando para a movimentação das redes, Pablo Marçal é um dos nomes que inevitavelmente aparecem no rastro dessa ascensão.
A questão agora é descobrir se estamos diante de uma onda eleitoral espontânea ou de uma onda cuidadosamente fabricada.
E essa diferença, numa eleição presidencial, é tudo.
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O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro acaba de ganhar um novo capítulo — e ele é particularmente incômodo para o candidato à Presidência. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pela revista piauí, registra um novo repasse de US$ 1.666.667, ou seja, R$ 8,6 milhões, para o fundo americano Havengate Development Fund, responsável por administrar recursos destinados à produção de Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A transferência ocorreu em 16 de setembro de 2025.
O detalhe explosivo é a data. Flávio Bolsonaro havia afirmado publicamente que o último pagamento de Vorcaro ocorrera em maio de 2025. O documento do Coaf mostra, porém, que o dinheiro continuou circulando quatro meses depois.
E há algo ainda mais significativo: o novo pagamento aconteceu apenas oito dias depois de Flávio cobrar Vorcaro por parcelas atrasadas. Ou seja, a documentação conhecida agora reforça a existência de uma relação financeira que se prolongou muito além do período admitido publicamente pelo senador.
Com esse novo repasse, o total enviado por Vorcaro para o projeto saltou de aproximadamente US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões na cotação da época.
A dimensão política do episódio é impossível de ignorar. Flávio não aparece simplesmente como alguém que tomou conhecimento de um financiamento feito por terceiros. As mensagens já reveladas mostram sua participação nas cobranças relacionadas aos pagamentos. Agora, o relatório do Coaf acrescenta uma peça documental decisiva ao quebra-cabeça: havia um novo desembolso depois da data que ele próprio apresentou como o encerramento dos pagamentos.
E a explicação oferecida por sua assessoria, segundo a piauí, é igualmente reveladora: em vez de esclarecer a discrepância entre a declaração do senador e o relatório do Coaf, a assessoria transferiu a responsabilidade para a produtora do filme.
O problema, portanto, deixou de ser apenas o tamanho do dinheiro envolvido. É a falta de transparência sobre a origem, o destino, a cronologia e os responsáveis pelos milhões de dólares que cercam Dark Horse.
Flávio Bolsonaro prometeu transparência, mas os fatos continuam produzindo novas perguntas. E cada novo documento torna mais difícil sustentar a narrativa de que se tratava de uma operação simples, encerrada em maio de 2025 e sem maiores mistérios.
O Coaf acaba de colocar mais uma peça sobre a mesa. US$ 1,666 milhão que, segundo a própria versão de Flávio, não deveriam mais estar sendo repassados — mas foram. Agora cabe ao candidato explicar por que sua versão não coincide com os registros financeiros.
E, sobretudo, explicar quantos milhões ainda faltam aparecer nessa história.
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A vacina Covaxin que revelou o porão do governo Bolsonaro
O escândalo da Covaxin foi um daqueles episódios que, por si só, deveriam ter sido suficientes para marcar para sempre a história de um governo. Enquanto o Brasil enterrava seus mortos pela Covid-19, enquanto famílias desesperadas procuravam oxigênio, leitos e vacinas, nos subterrâneos do governo Bolsonaro se desenrolava uma operação bilionária cercada de pressões, inconsistências documentais, intermediários suspeitos e perguntas que até hoje não podem ser tratadas como mero detalhe burocrático.
Foi a CPI da Covid que abriu a porta desse porão.
E o que apareceu não foi bonito.
O governo havia contratado 20 milhões de doses da Covaxin por aproximadamente R$ 1,6 bilhão, em um negócio que passou a despertar uma sucessão de suspeitas. O processo avançou em velocidade incomum, apesar dos obstáculos e inconsistências apontados por servidores do próprio Ministério da Saúde. Havia problemas nos documentos, questionamentos sobre o pagamento e uma tentativa de envolver uma empresa que não constava originalmente do contrato.
O mais impressionante, porém, estava em outro lugar.
O presidente da República foi avisado.
Os irmãos Luís Miranda e Luís Ricardo Miranda levaram ao conhecimento de Jair Bolsonaro as suspeitas relacionadas à operação. Luís Ricardo, servidor do Ministério da Saúde, havia identificado problemas na documentação e relatado pressão para dar andamento ao negócio.
A partir daí, o escândalo ganhou uma dimensão política explosiva.
Porque, se o presidente da República recebe informações sobre possíveis irregularidades em uma contratação bilionária de vacinas e, em vez de determinar imediatamente uma investigação, deixa o episódio seguir seu curso, surge uma pergunta inevitável: quem estava sendo protegido?
A CPI foi atrás dessa resposta.
E encontrou uma história ainda mais incômoda.
A operação envolvia a Precisa Medicamentos, intermediária da negociação, e documentos que apresentavam inconsistências. Um dos pontos mais graves era a previsão de pagamento a uma empresa chamada Madison Biotech, sediada em Singapura, que não aparecia como contratada no negócio original.
Em qualquer administração minimamente comprometida com o dinheiro público, uma sucessão de sinais dessa natureza deveria acender todas as luzes vermelhas.
No governo Bolsonaro, as luzes precisaram ser acesas por uma CPI do Congresso.
Essa é talvez a dimensão mais importante do caso.
A Covaxin não foi apenas uma história sobre uma vacina que acabou não sendo aplicada. Foi uma história sobre como o poder público negociava bilhões de reais durante uma emergência sanitária e sobre o que acontecia quando servidores levantavam dúvidas sobre a operação.
E há algo particularmente repugnante no contraste.
De um lado, o governo Bolsonaro tratava a vacinação com uma mistura de negligência, sabotagem política e desinformação. De outro, quando surgia uma oportunidade de contratar uma vacina por bilhões de reais, apareciam pressa, pressão e uma cadeia de acontecimentos que despertou suspeitas no próprio Ministério da Saúde.
A CPI fez aquilo que as instituições do Executivo deveriam ter feito desde o primeiro alerta: perguntou, confrontou documentos, ouviu servidores, rastreou responsabilidades e colocou o negócio sob os holofotes.
O contrato acabou suspenso e posteriormente cancelado.
Mas o cancelamento não apaga o escândalo.
Ao contrário.
Ele torna ainda mais necessário perguntar por que uma contratação cercada de tantos sinais de alerta chegou tão longe.
A Covaxin entrou para a história da pandemia brasileira como um símbolo do que acontecia quando interesses políticos, negócios privados e dinheiro público se encontravam no pior momento possível: quando milhares de brasileiros estavam morrendo e cada dia de atraso na vacinação custava vidas.
A CPI da Covid teve muitos episódios, mas o caso Covaxin ocupa um lugar especial porque desmontou uma das narrativas centrais do bolsonarismo: a de que o governo seria simplesmente vítima de uma perseguição política.
Não era perseguição.
Era investigação.
E investigação existe justamente para fazer aquilo que governos acuados detestam: colocar documentos sobre a mesa, reconstruir os caminhos do dinheiro, confrontar versões e perguntar quem sabia o quê — e quando sabia.
No caso Covaxin, a pergunta permanece brutalmente simples:
se o presidente foi alertado sobre possíveis irregularidades em uma operação bilionária de compra de vacinas, por que a investigação não partiu imediatamente do Palácio do Planalto?
Foi preciso uma CPI para fazer essa pergunta em voz alta.
E talvez seja esse o maior legado do escândalo: a Covaxin mostrou que, durante a tragédia da Covid-19, havia muito mais acontecendo dentro do governo Bolsonaro do que aquilo que aparecia nas coletivas e nas redes sociais.
Enquanto o país contava mortos, a CPI contou documentos.
Enquanto o governo tentava controlar a narrativa, a comissão desmontava versões.
E enquanto Bolsonaro procurava se apresentar como alguém que nada sabia, a Covaxin deixou uma pergunta política impossível de esconder:
O que exatamente o presidente sabia — e por que, diante dos alertas que recebeu, não fez aquilo que qualquer presidente deveria fazer quando suspeita de uma fraude bilionária: mandar investigar?
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Ministro suspendeu perfis, debates e recursos públicos do candidato à presidência Renan Santos (Missão)
O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impôs no domingo (30) uma série de restrições à campanha presidencial de Renan Santos (Missão): mandou suspender perfis nas redes sociais, proibiu o candidato de participar de debates, bloqueou repasses do Fundo Eleitoral e impediu gastos com eventuais recursos públicos já recebidos pela chapa. Integrantes do TSE ouvidos pelo ICL Notícias afirmam que a decisão está entre as mais severas destas eleições e, embora não suspenda formalmente a candidatura, produz efeito próximo disso.
“É quase uma suspensão do registro da candidatura”, afirmou reservadamente um integrante da Corte. Renan continua candidato enquanto seu registro estiver sob análise, mas teve restringidos instrumentos centrais de uma campanha presidencial.
A decisão foi tomada depois de Toffoli constatar que 16 perfis de Renan foram informados à Justiça Eleitoral em 19 de agosto, 12 dias após a apresentação do pedido de registro. Pelas regras eleitorais, contas preexistentes usadas na campanha deveriam ter sido declaradas no próprio requerimento.
As restrições impostas por Toffoli Até nova decisão, o ministro determinou:
suspensão dos perfis informados fora do prazo e retirada das contas dos sistemas de recomendação das plataformas;
suspensão da propaganda digital em endereços não informados tempestivamente, inclusive em novos perfis do candidato ou em perfis de terceiros;
suspensão de repasses do Fundo Eleitoral à chapa presidencial; proibição de gastar eventuais recursos do Fundo Eleitoral já repassados;
suspensão da participação em debates em rádio, televisão, podcasts ou qualquer outro meio;
informação, em 24 horas, de todas as outras contas, sites e grupos de mensagens utilizados pela campanha;
explicações sobre as irregularidades em 24 horas, sob pena de indeferimento do registro.
Toffoli chegou a analisar também a suspensão da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A medida só não foi aplicada porque o Missão não possui esse direito.
“O partido Missão não é destinatário de tempo de propaganda em rádio e televisão, razão pela qual descabe impor a suspensão do exercício do direito”, escreveu.
Ao justificar a proibição de Renan participar de debates, o ministro os classificou como uma “prerrogativa própria à condução de campanhas regulares”, especialmente relevante numa disputa presidencial por sua “ampla visibilidade”.
Ministro fala em ‘indício de fraude à lei’ Toffoli adotou tom duro ao avaliar a apresentação tardia das redes. Para ele, o episódio não pode ser tratado como uma simples pendência burocrática do registro.
“A omissão das informações devidas não é apenas uma falha formal no registro de candidatura, mas quebra de isonomia e risco de cometimento de ilícitos ainda mais graves”, afirmou.
Na sequência, foi ainda mais incisivo: “A própria omissão de dados é indício de fraude à lei.”
A razão está no funcionamento das redes durante a eleição. As plataformas devem retirar os perfis oficiais informados ao TSE dos sistemas de recomendação algorítmica. Uma conta que fica fora da relação oficial pode continuar sendo recomendada a usuários enquanto candidatos que cumpriram a regra deixam de receber esse benefício.
Toffoli verificou pessoalmente um dos perfis de Renan no Instagram, com 2,4 milhões de seguidores, e encontrou propaganda eleitoral e recomendações cruzadas com outros candidatos.
Para o ministro, isso indica que “ao menos um perfil está em utilização irregular para difusão de conteúdo a milhões de seguidores e com favorecimento pelos algoritmos de recomendação”.
“Violou frontalmente a obrigação. Os benefícios já auferidos são irreversíveis”, escreveu Toffoli.
Plataformas terão de entregar dados O ministro também determinou que as plataformas preservem o conteúdo publicado desde 7 de agosto e entreguem ao TSE, em 24 horas, informações sobre postagens, impulsionamentos, recomendações e anúncios, incluindo alcance e valores.
As empresas terão seis horas para suspender os perfis e retirá-los dos sistemas de recomendação. O descumprimento pode gerar multa de R$ 10 mil por hora e por perfil. A não entrega dos dados pode resultar em multa diária de R$ 50 mil.
Para a campanha, propaganda digital feita após a intimação pode gerar multa de R$ 50 mil por veiculação, inclusive em contas novas ou de terceiros. A participação em debates também está sujeita a R$ 50 mil por ato.
Renan e o Missão terão ainda de informar quando cada perfil foi criado, quando começou a ser usado eleitoralmente e se existem outras contas ou canais de campanha.
Ao final dessa determinação, Toffoli deixa aberta a consequência mais grave: as explicações deverão ser apresentadas “sob pena de indeferimento do registro”. A candidatura não foi formalmente suspensa, mas seu futuro passou a depender também da apuração sobre o uso das redes e das respostas que candidato, partido e plataformas apresentarão ao TSE.
*Cleber Lourenço/ICL
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A Justiça Eleitoral decidiu apertar o cerco sobre o X e exigir da plataforma respostas que, até agora, estavam escondidas atrás da opacidade de seus sistemas. O TRE de Minas Gerais deu apenas 24 horas para que a empresa esclareça se o perfil de Nikolas Ferreira ficou fora do mecanismo de “desrecomendação” destinado a impedir que conteúdos de candidatos sejam automaticamente apresentados a usuários que não os seguem.
A questão é extremamente grave porque, em uma eleição, alcance algorítmico também é poder político. Não se trata de uma mera diferença técnica entre plataformas ou de uma falha burocrática sem consequências. Quando um candidato pode aparecer espontaneamente diante de milhares ou milhões de eleitores enquanto seus adversários estão submetidos a uma trava de recomendação, cria-se potencialmente uma diferença de exposição que pode interferir na própria disputa eleitoral.
Foi justamente uma reportagem do ICL Notícias que revelou a discrepância. O X havia divulgado uma lista com 665 contas submetidas à restrição, mas o nome de Nikolas Ferreira não aparecia entre elas, embora seu perfil tivesse sido informado à Justiça Eleitoral. Também ficaram fora da relação outros candidatos, como Bia Kicis e Alfredo Gaspar.
A Justiça, corretamente, não partiu para uma condenação antecipada. O TRE-MG não afirmou que Nikolas foi beneficiado nem que o X deliberadamente violou a legislação. Mas fez algo fundamental: determinou que a caixa-preta seja aberta.
O X terá de informar se a conta de Nikolas estava na lista interna de desrecomendação, desde quando, quais mecanismos de limitação foram aplicados e se houve falha, atraso, inconsistência ou erro de sincronização. A plataforma também deverá explicar se a lista pública divulgada em 14 de agosto correspondia efetivamente à base utilizada pelo sistema. Além disso, terá de preservar por 180 dias registros técnicos, logs, versões das listas e dados de atualização relacionados à aplicação da regra.
É exatamente aí que está o ponto central. Não basta uma plataforma dizer que cumpre as regras eleitorais. É preciso que seja possível verificar se ela realmente as cumpre. Uma democracia não pode depender da palavra de empresas privadas para saber se candidatos estão recebendo tratamento equivalente nos mecanismos que determinam sua visibilidade.
E o episódio é ainda mais relevante porque o próprio TSE já investiga nacionalmente como o X está aplicando a regra. O tribunal quer saber, entre outras coisas, quantos perfis foram efetivamente retirados das recomendações, de onde vêm os dados utilizados para identificar candidatos e com que frequência essas informações são atualizadas.
O problema ganhou dimensão ainda maior porque o X reconheceu um lapso na atualização da lista de perfis de candidatos. Reportagem da Folha apontou que a plataforma deixou inicialmente mais de 1.400 contas fora da filtragem e só posteriormente atualizou o sistema, incluindo cerca de 2.400 contas.
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Por Alice Maciel (ICL Notícias) e Natalia Viana (Agência Pública)
Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUAEduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo foram centrais na articulação para impor tarifas contra o Brasil e retaliações contra ministros do Supremo. Desde 2025, eles participaram de dezenas de reuniões com deputados republicanos e membros do governo dos EUA pedindo intervenções em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
Em maio de 2025, três meses após se mudar para o Texas e anunciar que viveria uma espécie de “autoexílio”, Eduardo Bolsonaro comprou um carro novo. Não exatamente um modelo econômico para atravessar tempos difíceis. Ele adquiriu um GMC Acadia Elevation 2025 preto, um SUV de três fileiras de assentos, avaliado em cerca de 43,8 mil dólares nos EUA, o que equivale a aproximadamente R$ 226 mil.
Os registros de gastos associados à família Bolsonaro nos EUA mostram que, desde a mudança para o país, em fevereiro do ano passado, o padrão de vida não parece ter encolhido, nem mesmo após o STF determinar o bloqueio dos bens de Eduardo Bolsonaro e de sua esposa, Heloísa Bolsonaro, em julho de 2025. Eduardo ainda perdeu o salário que recebia como deputado federal em dezembro, quando seu mandato foi cassado por faltas, e, desde 2015, não recebe salário como escrivão da PF, de onde a corporação recomendou sua demissão por abandono do cargo.
Ao chegar aos EUA, o ex-deputado escolheu Arlington, no Texas, onde já havia mantido uma empresa entre 2023 e 2024. A residência alugada estava longe de ter as dimensões de um refúgio improvisado. Tinha pouco mais de 300 metros quadrados, quatro quartos e quatro banheiros, com valor de mercado estimado em 707,7 mil dólares (cerca de R$ 3,6 milhões). O valor da locação anunciado em sites imobiliários, quando eles alugaram a casa, era de 4,5 mil dólares, aproximadamente R$ 23,3 mil na cotação atual.
Em maio de 2025, Jair Bolsonaro chegou a transferir R$ 2 milhões ao filho. “Botei dinheiro na mão dele, dinheiro limpo, legal, Pix”, afirmou o ex-presidente.
Dias dep
ois, Eduardo chegou a reclamar para o pai, em mensagens trocadas por Whatsapp, que estava “se fodendo” nos EUA. Ao reclamar de uma entrevista em que Jair dizia que o filho era imaturo, Eduardo reclamou que, ao jogar ele para baixo, o ex-presidente o estaria condenando a passar o “resto da vida nessa porra aqui”. “VTNC seu ingrato do caralho!”, escreveu.
A situação parece ter melhorado desde então. Pouco mais de um ano depois, em maio de 2026, a família trocou Arlington por um endereço ainda mais valorizado, em Southlake, uma das cidades mais ricas do Texas, onde a renda familiar média é de 250 mil dólares – três vezes maior do que em Arlington, por exemplo. Eduardo, a esposa e os dois filhos moram atualmente em uma casa que oferece “uma vida de resort”, conforme revelou o The Intercept Brasil.
Avaliada em 1,22 milhão de dólares, cerca de R$ 6 milhões, a mansão foi anunciada para aluguel por aproximadamente 5,9 mil dólares (em torno de R$ 30 mil mensais), segundo anúncios imobiliários que permaneceram ativos até fevereiro deste ano. O imóvel tem 424 metros quadrados de área construída, em um terreno de 1.366 metros quadrados, quatro quartos e piscina, além de acesso a um clube com quadras de tênis e a uma lagoa.
Fotos da casa de Eduardo Bolsonaro
A filha mais velha do casal Bolsonaro, de cinco anos, foi matriculada numa escola cristã a cerca de 15 minutos de casa, com custo anual de 18 mil dólares (R$ 93,4 mil), conforme divulgado no site da escola.
Eduardo nega ter usado parte da verba do filme Dark Horse para custear sua vida nos EUA. O filme foi financiado com cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, por meio do Fundo Havengate. O negócio veio à tona após reportagem do Intercept Brasil. Conforme revelou o portal, Flávio Bolsonaro chegou a pedir o dobro desse valor ao banqueiro, hoje preso por gestão fraudulenta e estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção de servidores públicos, organização criminosa e obstrução da Justiça.
“A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca”, afirmou Eduardo em suas redes sociais. “No meu processo migratório, expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema”, disse.
Procurado pela reportagem, Eduardo não respondeu como financia seu padrão de vida nos Estados Unidos.
Em outras ocasiões, ele afirmou que se mantém com “renda passiva” e já disse também que recebe dinheiro por meio de cursos que ministra – os cerca de 50 mil dólares que ele disse ter investido no filme Dark Horse, por exemplo, teriam esta origem.
20 viagens em 18 meses Chama a atenção o volume de dinheiro que Eduardo Bolsonaro vem gastando com viagens dentro e fora dos EUA. Desde fevereiro do ano passado, o ex-deputado federal viajou ao menos 20 vezes, entre compromissos políticos e passeios turísticos.
Para comemorar o primeiro aniversário de Heloísa Bolsonaro após a mudança para os EUA, a família foi para a Disney em junho de 2025. Cinco meses depois, em dezembro, Eduardo Bolsonaro esteve na cidade de Park City, em Utah, destino nas montanhas conhecido internacionalmente por suas estações de esqui. A passagem ocorreu justamente no início da alta temporada de neve na região.
Já em fevereiro deste ano, Eduardo viajou para West Palm Beach, na Flórida, onde o custo diário de acomodação pode ser superior a R$ 1.000.
Durante a Copa do Mundo, ele foi a Miami assistir à partida entre Brasil e Escócia, que ocorreu no dia 24 de junho. Ficou hospedado em um hotel de luxo, que cobra diárias de R$ 16 mil e chega a oferecer pacotes de experiência avaliados em um milhão de dólares, conforme revelou a Revista Fórum.
Mas a maior parte dos deslocamentos do ex-deputado desde que se mudou para os EUA está ligada à sua atuação política. Ao lado de Paulo Figueiredo, Eduardo tem se mobilizado para pressionar o governo norte-americano a impor sanções ao Brasil e a ministros do STF. Juntos, os dois estiveram pelo menos sete vezes em Washington e fizeram outras três viagens a Mar-a-Lago, na Flórida. Paulo frequenta o resort desde 2019 e parece manter sua primeira impressão: “simplesmente lindo!”
Em meados de maio, Eduardo hospedou-se, junto com Paulo, no histórico hotel Willard Intercontinental Washington, quando se reuniram com Trump na Casa Branca. Eduardo e sua turma alugaram os quartos, que têm preço a partir de R$ 1,5 mil por noite, mas podem chegar a custar R$ 50 mil por diária. Eles chegaram a receber, no hotel, a visita de Darren Beattie, assessor sênior de política para o Brasil no Departamento de Estado.
Eduardo Bolsonaro no Willard Hotel, em maio de 2026. Foto: Ken Silverstein / Agência Pública
A agenda de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também cruzou as fronteiras norte-americanas, com pelo menos três viagens ao Oriente Médio.
“Pra quem surfa, sabe que isso aqui é o que há de melhor no mundo.” Com uma prancha debaixo do braço, Eduardo Bolsonaro aparece diante da maior piscina de ondas artificiais do mundo, em Abu Dhabi. No vídeo, publicado em 8 de fevereiro, ele também demonstra suas habilidades ao longo de uma sequência de manobras. As imagens foram gravadas no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat, onde uma sessão de 45 minutos para surfistas de nível intermediário e avançado custa 1,8 mil dirhams dos Emirados Árabes Unidos (AED) US$ 953 — cerca de R$ 2,5 milhões.
Eduardo no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat
Na ocasião, Eduardo viajava pelo Oriente Médio ao lado do irmão, o senador e então pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. O trio divulgou encontros com autoridades no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos como parte de sua agenda política na região. Mas, entre um compromisso e outro, as redes sociais também registraram momentos de lazer.Figueiredo, por exemplo, compartilhou avaliações de restaurantes em Dubai, como o CZN Burak Dubai, especializado em culinária turca, onde comeu um dos melhores kebabs da sua vida, além de um ensopado de camarão apimentado. “Divino”, “sobremesa perfeita” estão entre os elogios feitos à casa, cujo preço estimado por pessoa é de R$ 140 a R$ 210. Ele também visitou o Clay Dubai, na marina da cidade, onde se paga entre R$ 560 e R$ 630 por pessoa. “Este lugar não é apenas LINDO, mas tudo o que comemos estava delicioso”, escreveu . Em um restaurante de comida japonesa, reclamou de ter comido um sushi de abacate com salmão por 45 dólares. “ATENÇÃO! Este lugar é uma armadilha para turistas!”, escreveu .
Procurado pela reportagem, Paulo Figueiredo dirigiu ironias e agressões contra a Agência Pública antes de afirmar “Eu me financio através das minhas empresas e não devo satisfação a ninguém”.Em intervalo de 6 meses, Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões e Cybertruck da TeslaOs registros levantados pela reportagem indicam que Paulo Figueiredo também elevou seu padrão de vida no último ano. Em novembro de 2025, conforme revelaram a Agência Pública e o ICL Notícias, o influenciador comprou por 1,2 milhão de dólares — cerca de R$ 6,1 milhões — uma mansão em Clermont, na Flórida. Para fechar o negócio, contratou um financiamento imobiliário de 1 milhão de dólares.
Fotos da casa de Paulo Figueiredo
A propriedade fica em um terreno de 17,5 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de dois campos e meio de futebol, e tem 515 metros quadrados de área construída. São dois andares, seis quartos e cinco banheiros, além de salas de estar e de jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. Do lado de fora, há piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e até uma casa na árvore.
Seis meses depois, em maio de 2026, Figueiredo ampliou a garagem com um Cybertruck 2026, da Tesla, montadora de Elon Musk. O veículo tem valor de mercado estimado em 83 mil dólares, o que equivale a R$ 427,9 mil. O influenciador também possui, desde 2024, uma BMW Série 6 de 2004, hoje avaliada em cerca de 9 mil dólares (aproximadamente R$ 51 mil).
Tesla Cybertruck 2026
A compra da mansão ocorreu apenas um mês depois de Figueiredo informar à Justiça dos Estados Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para representar sua empresa, a International Treasure Group, condenada à revelia. A ação contra a companhia faz parte de um processo de falência que visa recuperar transferências supostamente vinculadas ao esquema de fraude atribuído ao magnata chinês Miles Guo.
A International Treasure Group entrou no processo após receber 140 mil dólares— cerca de R$ 670 mil — por serviços prestados à rede social Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022, segundo a defesa de Figueiredo. Fundada pelo ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller, a plataforma tinha Guo como financiador oculto.
A mansão em Clermont não é o único imóvel de Figueiredo na Flórida. Ele também possui uma casa em Weston, colocada à venda em junho deste ano por 1,09 milhão de dólares — cerca de R$ 5,5 milhões —, segundo sites imobiliários americanos. Desde 2016, a propriedade estava registrada em nome da Olive-Fig Tree Real Properties LLC, empresa que também pertence ao influenciador.
Em outubro de 2025, porém, o imóvel de Weston foi transferido para o nome de Figueiredo, segundo documentos do estado da Flórida. No mês seguinte, ele adquiriu a mansão de Clermont.
As movimentações contrastam com declarações feitas pelo próprio Figueiredo sobre sua situação financeira. Em 2024, quando já articulava, nos Estados Unidos, possíveis retaliações contra autoridades brasileiras, ele fez deu seu testemunho em uma audiência no Congresso norte-americano afirmando ser vítima de perseguição do STF e que estava “desempregado, sem minhas redes sociais e suas respectivas monetizações, responsável por sustentar minhas duas filhas americanas de 7 e 8 anos”.
Paulo é cidadão americano, assim como suas filhas, e usa este fato para alardear que tem sido censurado pelo STF – o que embasou diversas ações de aliados no governo e no legislativo norte-americano, como a lei “No Censors in Our shores”, proposto pela deputada republicana Maria Elvira Salazar um mês depois dela ter recebido uma doação de campanha de Paulo no maior valor possível na época (R$ 57 mil), conforme revelou a Pública.
Na Flórida, Paulo frequenta restaurantes renomados e costuma ser bastante crítico quanto à gastronomia. Frequenta estabelecimentos com estrelas Michelin, mas nem sempre sai satisfeito. Por exemplo, em abril, ele foi ao restaurante de culinária asiática fusion Nami, no hotel Lake Nona Wave, em Orlando, onde também se paga, por pessoa, cerca de 500 reais por refeição. “Fiquei muito decepcionado, ainda mais por se tratar de um restaurante com estrela Michelin. As porções são ridiculamente pequenas, não condizendo com o preço cobrado. Pra ser sincero, este é o primeiro lugar com estrela Michelin onde definitivamente não pretendo voltar”.
Em outros restaurantes, ele reclama dos valores pagos por porções pequenas, o que ele diz ser regra em Miami, “restaurantes muito caros com comida mediana”.
Não que ele não tope pagar caro. Há cerca de um ano ele foi com a esposa ao Restaurante MAASS, em Fort Lauderdale, onde pagou “quase 400 dólares” – R$ 2 mil reais – em um menu degustação para duas pessoas. “Mesmo experimentando o menu degustação, nada do que comi foi memorável e me fez querer voltar”, escreveu.
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Pesquisa AtlasIntel divulgada hoje mostra o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43,4% das intenções de voto do primeiro turno da eleição presidencial, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 33,7%. Augusto Cury passou de 1,6% para 7,8%.
A pesquisa ouviu 5.014 eleitores, por recrutamento digital aleatório, entre os dias 25 e 30 de agosto. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-07972/2026.
No levantamento anterior, em 29 de julho, Lula aparecia com 44,9%, e Flávio Bolsonaro, 35,8%.
1º turno – estimulada (quando é apresentada lista com nomes dos candidatos)
Lula (PT): 43,4%
Flávio Bolsonaro (PL): 33,7%
Augusto Cury (Avante): 7,8%
Renan Santos (Missão): 7,6%
Ronaldo Caiado (PSD): 3,3%
Pablo Marçal (PRTB): 1,9%
Romeu Zema (Novo): 1%
Samara Martins (UP): 0,9%
Rui Costa Pimenta (PCO): 0,1%
Wilton Grassi (Democrata): 0,1%
Nenhum/Branco/Nulo: 0,1%
Não sabe/Não respondeu: 0,2%
2º turno
Lula x Flávio Bolsonaro
Lula (PT): 47,1% (era 49,2% em 28/7)
Flávio Bolsonaro (PL): 42,6% (era 42,9%)
Branco/Nulo/Não sei: 10,3% (era 7,9%)
Lula x Ronaldo Caiado
Lula (PT): 46,6% (era 48,2% em 28/7)
Ronaldo Caiado (PSD): 41% (era 38,9%)
Branco/Nulo/Não sei: 12,3% (era 12,9%)
Lula x Romeu Zema
Lula (PT): 47% (era 48,6% em 28/7)
Romeu Zema (Novo): 40,7% (era 39,6%)
Branco/Nulo/Não sei: 12,3% (era 11,8%)
Lula x Renan Santos
Lula (PT): 47.5% (era 47,6% em 28/7)
Renan Santos (Missão): 26% (era 30,2%)
Branco/Nulo/Não sei: 26,6% (er 22,2%)
Evolução das intenções de voto no 2º turno Lula (PT)
Fevereiro – 46,2%
Março – 46,6%
Abril – 47,5%
Junho – 48,8%
Julho – 49,2%
Agosto – 47,1%
Flávio Bolsonaro (PL)
Fevereiro – 46,3%
Março – 47,6%
Abril – 47,8%
Junho – 42,3%
Julho – 42,9%
Agosto – 42,6%
Branco/Nulo/Não sabe
Fevereiro – 7,5%
Março – 5,8%
Abril – 4,7%
Junho – 8,9%
Julho – 7,9%
Agosto – 10,3%
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