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Política

Engenheiros: prefeito de Porto Alegre não tomou medidas que evitariam segunda enchente

Para especialistas, seria possível reduzir bastante o tamanho do problema que voltou a afetar a capital gaúcha.

Entre os primeiros dias da enchente em Porto Alegre e a chuva forte que voltou nesta quinta-feira (23), a Prefeitura poderia, e deveria, ter adotado medidas para impedir que a água novamente tomasse conta de bairros da cidade.

Essa é a conclusão de engenheiros do Rio Grande do Sul que elaboraram uma lista das medidas a serem adotadas e apresentaram na sexta-feira (17) o documento ao prefeito Sebastião Melo e ao Ministério Público. Porém, nenhuma das medidas recomendadas foi adotada antes da segunda chuva forte que causou novas inundações.

Nanci Giugno-Senge, membro do conselho técnico consultivo do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul, disse ao ICL Notícias que seria possível reduzir bastante o tamanho do problema que voltou a afetar Porto Alegre.

Mergulhadores especializados deveriam ter sido despachados para consertar os problemas dos diques de contenção do Muro da Mauá e também da comporta da casa de bombas que não funcionou e permitiu que o local fosse inundado.

Ela explicou que é comum fazer esse tipo de trabalho, com mergulhadores, em sistemas de saneamento. Mas no caso de Porto Alegre, isso não aconteceu.

Os diques do Muro da Mauá, na orla do Rio Guaíba, apresentavam pontos de ferrugem, borrachas estragadas e buracos que se fossem vedados impediriam a água de entrar novamente na cidade. Ou, ao menos, reduziriam muito o volume da invasão. Esse trabalho, diz ela, poderia ter sido feito mesmo durante a enchente. E não foi.

Na casa de bombas, uma comporta que funciona como um basculante não funcionou. Ela não vedou a entrada da água. E também deveria ter sido consertada.

Depois dos reparos necessários, a água lá dentro seria jogada para fora e as bombas que não estão danificadas poderiam voltar a funcionar retirando a água de dentro da cidade. Esse trabalho poderia ser feito por mergulhadores que, no passado, faziam parte da equipe da prefeitura.

Nanci também criticou a ausência de um sistema de alerta, o que deixou os moradores, novamente, sem informações. “O sistema todo falhou”, disse John Wurding, engenheiro ambiental com mestrado em Planejamento Urbano e Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Está difícil para a Prefeitura assumir que existe um colapso geral, ela blinda a real situação”, disse John.

*ICL

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Política

RS: Estado mínimo potencializa enchentes, alerta Campanha

“Governantes fazem escolhas em que a vida não é prioridade”, critica a Campanha Tributar so Super-Ricos, após governador Eduardo Leite assumir que foi avisado dos riscos de enchente, mas preferiu privilegiar a “questão fiscal”

O nível do Rio Guaíba voltou a apresentar tendência de elevação rápida ao longo desta sexta-feira (24), voltando a agravar as enchentes na Região Metropolitana de Porto Alegre. Assim, a tragédia das chuvas e alagamentos que devastaram o Rio Grande do Sul ainda está longe de terminar. Os relatos dão conta de um verdadeiro cenário de guerra em todo o estado. E há previsão de mais chuvas nesse fim de semana.

Nesse sentido, a Campanha Tributar os Super-Ricos alerta que os impactos da tragédia são ainda maiores, quando a crise climática – causada, ou ao menos agravada pela própria ação humana, encontra governos neoliberais.

O tucano Eduardo Leite (PSDB), governador gaúcho, é um dos defensores do Estado Mínimo. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo no último domingo (19) reconheceu que recebeu alertas para o risco de enchente em todo o estado.

Esses avisos, no entanto, foram praticamente ignorados. Isso porque “a questão fiscal” era a pauta “que se impunha”. “Bom, você tem esses estudos, eles de alguma forma alertam, mas o governo também vive outras pautas e agendas”, confessou. Ou seja, em vez de investir na prevenção de desastres, o gestor preferiu cortar gastos, reduzindo o papel do estado.

Ao mesmo tempo, um documento assinado por mais de 40 engenheiros e técnicos de saneamento afirma que o sistema de proteção contra inundações falhou, causando enchentes em Porto Alegre, porque não recebeu a manutenção necessária. Sebastião Melo (MDB-RS), prefeito da capital gaúcha, é outro adepto do Estado mínimo.

Agora os custos com o socorro e a reconstrução do Rio Grande do Sul já somam dezenas de bilhões de reais, superando enormemente as supostas economias com cortes de gastos e redução dos serviços públicos.

Priorizar a vida
“Governantes fazem escolhas em que a vida não é prioridade”, criticam as mais de 70 organizações sociais, entidades e sindicatos que compõem a Campanha. “O protagonismo do Estado – nas diferentes esferas –, é central não apenas nos desastres climáticos, mas para reduzir desigualdades. Até a enchente fica maior com o Estado mínimo”, alertam.

Para os movimentos, nada pode ser como antes. “É preciso mudar a lógica dos gastos com valores humanos para o bem-viver, com participação e transparência. A tributação justa deve fazer parte de novas medidas de equilíbrio para salvar vidas… e não privilegiar quem vive de juros!”

*RBA

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Cotidiano

“Uma infância conturbada”: Heloísa sobre a vida com seu pai Olavo de Carvalho

“Meu pai foi criado em ambiente de mágoa e ódio; ao mesmo tempo, estava numa redoma, minha avó tratava ele como doente”.

Heloísa de Carvalho, filha primogênita do filósofo e guru da extrema-direita, Olavo de Carvalho, narra em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif, do GGN,, sobre como foi sua infância e adolescência ao lado de um pai “atormentado” que acabou influenciado, ao longo de sua vida, uma legião de seguidores com visões distorcidas de mundo.

Heloísa faz uma viagem ao tempo e revela como era a relação de Olavo com seus pais; relembra seus casamentos e relacionamentos extraoficiais, além da convivência com a mãe de Heloísa – que acabou desenvolvendo depressão e traumatizando a família com duas tentativas de suicídio que levaram a dois episódios de internação psiquiátrica. Olavo também foi internado algumas vezes.

A primogênita também narra como Olavo encabeçou uma escola de astrologia na década de 1980 que fez sucesso para, depois, investir em outros tipos de cursos que atraíram alunos ricos que ajudaram a bancar suas despesas nos Estados Unidos nos anos seguintes.

As várias religiões, seitas e filosofias de vida de Olavo também estão na pauta da entrevista, que aborda ainda como ele ficou amigos dos militares e como conheceu Steve Bannon.

A INFÂNCIA DE HELOÍSA E OS IRMÃOS

Foi uma “infância completamente conturbada”, relata Heloísa, lembrando que até seus 15 anos de idade, computou cerca de 15 mudanças de endereço. Olavo de Carvalho tinha problemas para pagar o aluguel e, na maioria das vezes, precisa mudar de casa após ter sido despejado.

SURTOS PSIQUIÁTRICOS DE OLAVO

A primeira internação de Olavo de Carvalho teria se dado após um surto, quando ele trabalhava na redação do Jornal da Tarde. “Quando o histórico psiquiátrica dele veio à tona, ele veio com essa história de que ele se internava antes do surto. (…) Ele dizia que ele tinha a chave da clínica e fazia reuniões com o corpo clínico e dava diagnósticos! É evidente que tinha problemas psiquiátricos. Todo louco fala loucura desse nível.”

A RELIGIÃO DE OLAVO

Segundo Heloísa, é curioso como os seguidores de Olavo de Carvalho, que são em maioria conservadores, não se atentam ao fato de que ele nunca foi fiel a uma só religião, mas sim passou por diversas “fases”, sendo que a que mais durou foi sua fase no islã.

“Até meus oito anos, ele era católico, rezava antes de refeições. Depois veio a fase ateu, meio ‘hipponga’, só maluquice, frequentando o inferno do Madame Satã em São Paulo. Ele chegou a me levar com 12 anos. Depois teve a fase budista, depois a islâmica, depois voltou para católica. Teve a fase mística, onde ele participou de duas investigações por causa de uma seita – investigação criminal sobre várias questões, desde aborto até lavagem de dinheiro, descaminho fiscal, etc.”

A INFÂNCIA DO OLAVO

“Olavo teve uma infância difícil. Meu avô, o pai dele, era advogado formado pelo Largo de São Francisco, na USP. Minha avó era de cidade do interior, dona de casa, de estudo primário, criada para um bom casamento e ser a dona de casa perfeita”, lembra Heloísa. “Quando Olavo tinha seus 8 anos de idade, meu avô abandonou minha avó, pois tinha um relacionamento com uma secretária.”

“Olavo só foi ter relacionamento de novo com o pai dele aos 18 anos. Foram 10 anos de alienação parental. (…) Meu pai foi criado em ambiente de mágoa e ódio, e ao mesmo tempo ele estava numa redoma, minha avó tratava ele como uma criancinha doente.”

A ADOLESCÊNCIA DE HELOÍSA

“A gente nunca sofreu violência física do meu pai. Eu na minha vida apanhei uma vez só do meu pai. Meus irmãos, uma ou duas vezes. Era mais violência psicológica e material.”

Segundo Heloísa, era os familiares do lado materno quem cuidava financeiramente das crianças de Olavo. Por alguns anos, Heloísa viveu na casa de uma tia. Ao chegar aos 15 anos de idade, a tia conversou com Heloísa e explicou que, se quisesse, ela poderia voltar a morar na casa de Olavo, e Heloísa acabou escolhendo se mudar. “Quando cheguei na casa da Bela Vista, era uma comunidade islâmica! Tinha de 20 a 30 pessoas morando numa casa”, disse ela, afirmando que se arrependeu da decisão, mas era tarde demais.

A MÃE DE HELOÍSA

“Minha mãe e Olavo não tinham diferença. Ela era uma pessoa igual a ele, irresponsável, sem profissão. (…) Em qualquer problema que o Olavo se envolvia, estava lá minha mãe para ajudar.”

A mãe de Heloisa tentou suicídio duas vezes, em meados da década de 1980, quando Olavo tinha a Escola Júpiter, uma escola de astrologia que fez sucesso à época. Na primeira tentativa, a mãe tentou cortar os pulsos na banheira, e Olavo usou do episódio para dar uma “lição” aos filhos homens.

“Nesse episódio teve uma coisa horrorosa. Eu lembro da minha mãe amarrada numa camisa de força, toda cheia de sangue, molhada, porque tinham tirado ela da banheira e puseram na camisa de força. Ela na maca, com aqueles cinturões de couro, e meu pai pegou a mão dos meus dois irmãos menores e disse: ‘Olhem! Sejam homens, sejam homens!’ O Luís tinha uns 8 anos e o Tales, uns 6, vendo a mãe na maca toda ensanguentada, delirando porque ela já tinha perdido muito sangue e falava coisa com coisa.”

A segunda tentativa de autoimolação foi usando remédios, e Heloísa também presenciou a cena. “Olhei embaixo da cama e vi os comprimidos. E foi quando ela teve a segunda internação psiquiatra. Todas essas internações tinham relação com o Olavo, porque ela nunca se desconectou dele, nunca aceitou a separação – e nem ele, porque ele ia atrás dela.”

Heloísa conta que a sua mãe se separou de Olavo pela primeira vez quando descobriu que ele estava namorando uma aula da Escola Júpiter. Enquanto a mulher e os filhos viviam nos fundos da escola com poucos recursos, Olavo usava o faturamento para se divertir em bares com estudantes, lembra Heloísa.

Olavo decidiu investir em filosofia no final da década de 1980, início dos anos 1990.

AMIGOS DE OLAVO

Segundo Heloísa, Olavo tinha muito amigos e alunos, inclusive de famílias abastadas, ao longo de sua vida. “Uma coisa que temos que concordar: ele tinha carisma, tinha uma falácia, um potencial de convencimento muito grande. Eu admirava ele ter essa facilidade. Mas era sempre para o errado, para a sacanagem e os golpes”, disse Heloísa, lembrando que não era raro o pai pedir dinheiro aos amigos ricos alegando que precisava cuidar das crianças.

MILITARES E ESTADOS UNIDOS

Foi morando em Petrópolis, no Rio de Janeiro, que Heloísa percebeu que além de tudo, Olavo também tinha amizades com militares. Depois da passagem pelo Rio, ele morou ainda na Romênia, retornou ao Brasil para viver no interior de São Paulo, e depois mudou-se para Curitiba. Por fim, foi viver nos Estados Unidos, onde comprou a casa de uma prima de um amigo endinheirado, pagando prestações de maneira informal, sem precisar passar pela burocracia de financiamento.

CAPACIDADE DE ALTERAR A REALIDADE

“É assustadora. Teve uma época em que eu estava na faculdade, começando a assistir audiências, e eu pedi a ele alguns livros de referência sobre retórica. Ele me deu uma lista de 20 livros. Eu falei ‘menos, pai’. Então ele me deu 10 livros de presente, entre eles, Schopenhauer. Quando eu li, eu comecei a entender muito mais o Olavo. Aqueles estratagemas… Ele passou a acreditar e incorporar um personagem que ele criou.”

FASE ANTICOMUNISTA

A fase anticomunista de Olavo de Carvalho começou em meados de 2002, quando o primeiro governo Lula estava germinando ainda. Uma vez eleito, Lula passou a ser alvo de críticas constantes de Olavo. Curiosamente, naquela fase, Heloísa namorava um assessor direto de José Dirceu.

HERANÇA

Sobre a herança, Heloísa comentou achar um “absurdo” que, após dois anos da morte de Olavo de Carvalho, a viúva e terceira esposa dele ainda não tinha feito o inventário. Foi Heloísa quem entrou na Justiça para dar publicidade ao testamento que Olavo fez nos EUA em 2018, revelado na quarta-feira, 22 de abril de 2024, pelo Jornal O Globo.

TRATAMENTO NOS EUA

“Ele teve várias internações lá, caríssimas. Tenho uma amigo que foi médico nos EUA e ele me falou que uma das estimativas de uma semana de internação de Olavo sairia mais de 300 mil dólares. Eu acho que foi o seguinte: a maioria delas [internações] foi bancada por alunos. Gente com muito dinheiro. Mas chegou num ponto que não dava mais. Internações muito longas. Uma delas, nos EUA, durou quase um mês. E daí ele veio para onde ele tanto falou mal: o SUS, no Brasil. (…) Do dia para a noite, ele acorda no Brasil num apartamento no InCor. Como ele chegou e como ele foi embora – aquela fuga fantástica – ninguém sabia”.

Heloísa contou em primeira mão ao GGN que descobriu como Olavo de Carvalho saiu “fugido” do Brasil após suas internações em virtude de um câncer. Ele decidiu retornar aos EUA escapando pelo Paraguai depois que foi intimado pela Polícia Federal a prestar esclarecimentos no inquérito das fake news, que tramita no Supremo Tribunal Federal. “Ele morria de medo de ser preso.”

“Primeira vez que falo em entrevista: Olavo saiu de São Paulo e foi para o Paraguai de carro. Quem levou ele foi o filho de um aluno dele, o Thales de Carvalho, esse mesmo Thales que explodiu na imprensa com a história de assédio e abusos. No Paraguai, Olavo ficou na casa do Thales. De lá é que ele foi para os EUA. (…) Meus irmãos negam, mas fizeram parte da arquitetação e realização da fuga.”

MORTE DO OLAVO

“Até hoje não obtive a certidão de óbito onde fala que foi Covid mesmo. Foi em plena pandemia, e no cemitério onde ele foi enterrado tinham outros velórios. Eram todos velado com caixão aberto, porque eram mortes de causas naturais. Mas Olavo foi velado ao lar livre, de caixão lacrado. Dias antes, saiu notícias de que ele estava internado com Covid.”

PESSOA ATORMENTADA A VIDA INTEIRA

Para Heloísa, Olavo foi uma pessoa atormentada a vida inteira e “com isso acabou criando seres atormentados. Meus irmãos, infelizmente, dão dó. Eu tenho dó dos meus 21 sobrinhos, 21 netos que o Olavo tem. Estou descontando meu filho, que foi afastado disso tudo. Mas foram 21 sobrinhos criados na teoria da conspiração, homofobia, discurso de ódio, fake news. É preocupante, é triste. Mas não posso fazer nada.”

“Dos alunos do Olavo, há muitos relatos de alunos que ficaram loucos, tiveram surtos, foram internados em clínicas psiquiátricas. Tentei levantar história de uma aluna muito próxima dele que cometeu suicídio. Desde criança escuto essas histórias.”

BOLSONARO E STEVE BANNON

“Olavo dizia que não tinha relação com Bolsonaro. Mas a relação dele com Eduardo Bolsonaro tinha 10 anos antes da eleição de 2018. A coisa veio publicamente agora, mas não era de agora. (…) Ele acabou conhecendo [o Steve Bannon] por meio do Eduardo. Acabaram virando amiguinhos. Um ia jantar na casa do outro e tudo. Olavo já conhecia Bannon e, provavelmente, deveria ser o grande líder dele. Outra pessoa completamente perturbada.”

*GGN

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Política

Partido de Bolsonaro pagou R$ 2,7 milhões ao Instituto Paraná Pesquisas em 2022

Instituto é o único entre os maiores do país cujas pesquisas trazem cenários de empate técnico entre Lula e o presidente.

O Partido Liberal (PL), do qual faz parte o presidente Jair Bolsonaro, fez pagamentos no valor de R$ 2,7 milhões ao Instituto Paraná Pesquisas no período de janeiro a julho deste ano. A informação é de reportagem da Folha de S. Paulo. O jornal já havia revelado que a empresa assinou um contrato de R$ 1,6 milhão com o governo federal, em março.

O Paraná Pesquisas tem divulgado sondagens sobre a corrida presidencial que mostram um cenário de empate técnico entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que diverge da ampla maioria dos levantamentos feitos por outros institutos.

De acordo com a Folha, foram 20 transferências bancárias entre janeiro e julho, sendo as maiores parcelas em janeiro (R$ 787,5 mil) e fevereiro (R$ 525 mil), utilizando recursos do Fundo Partidário.

O instituto afirmou em nota que “trabalha para diversos partidos políticos” e que “tem feito várias rodadas estaduais de pesquisa nos 26 estados e no Distrito Federal.”

No entanto, entre os 63 levantamentos de intenção de voto registrados pelo Paraná Pesquisas junto ao TSE até o domingo (18), nenhum foi contratado pelo PL. O partido não quis se manifestar.

Chama a atenção que 26 das 63 pesquisas (41%) foi custeada pelo próprio instituto. A prática é criticada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), que entende que ela pode ser usada para esconder eventuais irregularidades, como caixa dois.

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Política

Vídeo: Kakay detona Moro com a precisão de sniper

A fala de Kakay sobre Sergio Moro, Dallagnol e a Lava Jato, trata das coisas no seu devido lugar e tamanho. Primeiro, ele deixa claro que Moro e o bonde de Curitiba, com suas práticas nefastas, atropelando a constituição, inaugura um ciclo fascista no Brasil que desembocou na eleição de Bolsonaro, na maior fraude eleitoral da história, pois, como bem disse Kakay, ainda utilizando a toga, Moro fechou acordo com Bolsonaro para ser seu ministro, em troca da prisão de Lula, sem qualquer prova de crime, por 580 dias.

Lógico, preciso como um sniper, Kakay fala da indigência intelectual de Moro e Dallagnol para lidar com a justiça, mas a habilidade com o marketing que tiveram na parceria nefasta entre Lava Jato e mídia industrial, que estendeu tapete vermelho, trocou clarins para os “semideuses” apresentando ao país dois dos maiores vigaristas como heróis nacionais.

Como se pode ver, no vídeo, Kakay foi de uma precisão de um Bruce Lee.

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Política

Gilmar Mendes dá bronca em Moro, mas diz que torcia para ele não ser cassado: “Ao contrário do senhor, não persigo ninguém”

O senador foi absolvido por unanimidade pelo TSE em ação movida pelo PL e pelo PT.

Em meio as broncas que deu em Sergio Moro no encontro que tiveram, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes revelou ao senador sua torcida para o julgamento que analisava o pedido de cassação do senador, informa Bela Megale, colunista do Globo..

— Torço para que continue no Senado. Ao contrário do senhor, não persigo ninguém — afirmou o decano do Supremo ao ex-juiz da Lava-Jato.

Na terça-feira (21), Moro foi absolvido por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na ação movida pelo PL e pelo PT. Aliados do senador avaliam que o encontro com Gilmar Mendes, no mês anterior ao caso ser julgado pela corte, foi importante para evidenciar os gestos do senador ao Judiciário.

No início de abril, Moro procurou o decano do STF para uma conversa. O encontro durou uma hora e meia. Na ocasião, Gilmar externou a Moro as críticas públicas que faz a ele e à Lava-Jato e o aconselhou a “usar a experiência de senador para aprender”.

Após absolvição no TSE, o ex-juiz fez elogios ao Judiciário e ao “julgamento técnico” ao qual foi submetido.

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Opinião

Haddad tratora o fascismo e mostra para a esquerda como lidar com reacionários mentirosos

Não sei se, por decisão ou por impulso, Haddad, apesar de manter seu estilo educado, não deixou uma pergunta sem resposta, assim como não deixou um bolsonarista de pé, abatendo um a um, ora com bastante sobriedade, ora com muita ironia.

Sim, para lidar com essa gente, só levando ao constrangimento como Haddad fez com todos, mostrando o quanto os deputados bolsonaristas são mentirosos e burros. De lambuja, escancarou por que a oposição ao governo Lula é inútil e nula, na mesma medida em que foi inútil e nula quando governou o Brasil..

O fato é que Haddad viralizou nas redes sociais, com os três nocautes que aplicou na escória bolsonarista da Câmara, assim como os veículos da grande mídia não tiveram como ignorar o strike que Haddad fez na choldra fascista.

Dia desses, reclamei aqui que o governo e a esquerda não poderiam cair na esparrela das mentiras dos reacionários, entrando num jogo de respostas, limitando-se apenas a desmentir determinados boatos.

Haddad mostrou, com muita eficiência, que é fundamental implodir a mentira e, junto ou sobretudo, mandar para os ares com o máximo de ridicularização os autores de fake news para os idiotas pensarem duas vezes antes de soltar um pombo qualquer.

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Mundo

Com decisão do TPI, Alemanha diz que prenderá Netanyahu caso premiê visite país: ‘cumpriremos a lei’

Tribunal Penal Internacional emitiu mandado de prisão contra primeiro-ministro de Israel e seu ministro da Defesa, Yoav Gallant, pelos crimes de guerra em Gaza.

O governo da Alemanha confirmou, nesta quarta-feira (22/05), que “cumprirá a lei” do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre o mandado de prisão para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, caso ele viaje a Berlim.

A declaração veio do porta-voz do governo alemão, Steffen Hebestreit, após ser questionado em uma conferência de imprensa se Berlim obedeceria à decisão do promotor do TPI, Karim Khan, emitida na última segunda-feira (20/05).

“Esta é uma questão hipotética, então darei meio passo para trás e direi: em princípio, somos apoiadores do TPI e continuará assim”, afirmou Hebestreit, segundo o jornal britânico Daily Mail.

Logo em seguida, o jornalista repetiu a sua pergunta, e Hebestreit respondeu: “Pensei ter respondido à pergunta através da minha declaração normativa, caso contrário, se ainda houver dúvidas: claro. Sim, cumprimos a lei”, reiterou.

A decisão da Alemanha vem após o embaixador de Israel em Berlim, Ron Prosor, ter apelado ao governo alemão para que rejeitasse o mandado de prisão proposto pelo TPI.

Após mais de 200 dias da ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, o procurador do tribunal com sede em Haia informou em um comunicado que apresentou pedidos para ordens de prisão contra Netanyahu e seu ministro da Defesa, Yoav Gallant, por crimes como “matar deliberadamente os civis de fome”, “homicídio doloso” e “extermínio e/ou assassinato” na Faixa de Gaza.

“Afirmamos que as acusações de crimes contra a humanidade foram parte de um ataque generalizado e sistemático contra a população civil palestina, para cumprir uma política de Estado. Segundo as nossas conclusões, alguns destes crimes continuam sendo cometidos”, declarou Khan, em referência aos líderes israelenses Netanyahu e Gallant.

Se o tribunal emitir a ordem, qualquer um dos 124 Estados-membros do TPI deveria deter Netanyahu caso ele entrasse em seu território. Isto poderia impedir algumas viagens de Netanyahu, mas o tribunal internacional não tem força para garantir o cumprimento das suas ordens, o que significa que a aplicação da medida depende dos países-membros.

O Estado de Israel não faz parte do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional e não reconhece sua jurisdição. Em Tel Aviv, Netanyahu classificou o anúncio de Haia como “uma desgraça” e “uma completa distorção da realidade”.

*Sputnik

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Cotidiano

Chuva forte volta a inundar ruas de Porto Alegre. Aulas são suspensas

Volume de chuva pode aumentar entre esta quinta (23/5) e sexta (24/5) em Porto Alegre. Os bueiros das ruas começaram a transbordar.

Com o retorno das chuvas, as ruas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, registram o aumento das águas em vários bairros do município nesta quinta-feira (23/5). As esquinas das ruas João Manoel e Sete de Setembro, no centro, começaram a transbordar.

Os bairros mais afetados pela elevação da água são: Menino Deus, Praia de Belas, Cidade Baixa, Santana, além de áreas da zona norte. A limpeza do Mercado Público estava marcada para a manhã desta quinta (23/5), mas foi suspensa devido às enchentes. As informações são de O Globo.

Na zona sul de Porto Alegre, como na Cavalhada, Otto Niemeyer, foi registrado o grande volume das águas. As avenidas Cairú e Brasil, que já estavam secas pela manhã, voltaram a alagar. As vias 24 de Outubro, Farrapos, Cristovão Colombo também se encontram inundadas.

Aulas suspensas

Devido às condições meteorológicas que atingem Porto Alegre nesta quinta-feira (23/5), as aulas estão suspensas nas redes pública e privada nesta sexta-feira (24/5). A decisão é conjunta do governo do estado do RS e da Prefeitura de Porto Alegre.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as tempestades devem se intensificar e os volumes de chuva podem aumentar entre quinta (23/5) e sexta-feira (24/5). Em Porto Alegre, as mínimas podem ficar abaixo dos 10°C a partir da sexta-feira (24/5) e durante o fim de semana, com baixa sensação térmica.

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Política

Lava Jato fraudou investigação que teria evitado delação de Youssef, diz advogado do doleiro ao GGN

Exclusivo: Figueiredo Basto afirma que Lava Jato falsificou informações para arquivar inquérito do grampo e forçar acordo com Youssef.

Em entrevista exclusiva ao Jornal GGN, o advogado Antônio Figueiredo Basto, defensor de Alberto Youssef na Lava Jato, afirmou que o acordo de delação premiada com a força-tarefa de Curitiba “jamais” teria acontecido se a investigação sobre o grampo ilegal não tivesse sido arquivada precocemente, jogando para debaixo do tapete mais uma nulidade praticada pela operação em sua origem.

O arquivamento tem as digitais de agentes da Lava Jato em Curitiba e, mais grave do que isso, segundo Basto relatou ao GGN, houve também “fraude”, já que foram prestadas informações falsas à sindicância que apurava o origem e intuito do grampo ilegal.

“Nós tomamos medidas durante anos para ter acesso [à sindicância que foi arquivada e está em sigilo]. Recentemente, o juiz da 13ª Vara nos negou acesso dizendo que não havia interesse da defesa em conhecer aqueles autos. Como não temos interesse? Temos interesse, sim! Muda totalmente o acordo do Youssef”, disse Basto.

“Se tivéssemos a oportunidade de combater [a operação] com essa nulidade, certamente o acordo não teria aconteceria. Ou não aconteceria nas condições em que aconteceu. A ideia nunca foi fazer acordo. O acordo vai acontecer depois que o [ex-gerente da Petrobras] Paulo Roberto Costa ter feito, e quando já não havia mais como escapar daquele assédio e pressão [para delatar]”, revelou Basto.

Na entrevista ao jornalista Luis Nassif, transmitida ao vivo no Youtube [assista abaixo], na noite de quarta (22), Figueiredo Basto afirmou que a Lava Jato tem três “nulidades grosseiras” em sua origem:

  • a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar todos os casos;
  • Sergio Moro era suspeito em relação a Youssef, a quem já tinha julgado antes, no caso Banestado;
  • a intercepção ilegal na cela de Youssef é uma prova ilícita que gerou centenas de horas gravadas – que provavelmente foram usadas pela Lava Jato para criar estratagemas.

Com base nessas três nulidades, Basto – que levou ao Supremo Tribunal Federal sua demanda a respeito do grampo ilegal – defende que “a Lava Jato seja anulada por completo. Não pode ser anulada em frações, para um ou para outro. (…) Tem que se ter coragem de dizer: nós erramos, o Estado brasileiro errou, os tribunais erraram. E, agora, os que erram têm que ser responsabilizados.”

SERGIO MORO, DELTAN DALLAGNOL E A FALSIFICAÇÃO
Basto relatou ao GGN que após seu sócio, Luis Gustavo Flores, registrar a famosa foto onde Youssef segura o aparelho clandestina localizado em sua cela, a defesa procurou Sergio Moro oficialmente para saber se ele tinha autorizado grampo da Polícia Federal na cela do doleiro. “Ele disse que não. Nós denunciamos esse fato e, imediatamente, eles varreram tudo para debaixo do tapete”, disse Basto.

Segundo o advogado, Moro estaria implicado na história porque um ex-delegado da Polícia Federal, O Moscardi Grillo, confessou à época que “Moro exigiu que ele entregasse os relatórios [da sindicância] ao Moro antes de qualquer outra pessoa. Ou seja, havia uma interferência do juiz diretamente numa investigação da PF, o que é um abuso, um absurdo. Não estou dizendo que Moro sabia da interceptação; agora, que ele depois atuou de forma direta para que isso fosse encoberto, não há dúvida.”

Já sobre o papel dos procuradores de Curitiba no arquivamento do caso, Basto invoca as conversas reveladas na Operação Spoofing. “Na Spoofing você vê o [procurador] Orlando Martello dizendo que qualquer advogado mediano anularia a operação inteira em razão da gravidade daqueles fatos, e o Deltan Dallagnol imediatamente responde: ‘precisamos tomar providências para anular isso [a sindicância para apura ro grampo] o mais rápido possível’. Não passaram 10 dias, e isso foi arquivado a pedido do Januário Paludo – contrariando, inclusive, o relatório da Polícia Federal que insistia em continuar a investigação. Ainda assim, um juiz federal daqui de Curitiba [Nivaldo Brunoni] arquivou a investigação [em 2019, sem a PF ter tido tempo de realizar diligências básicas].”

Para Basto, “o mais grave de tudo isso é que eles falsificaram, houve a falsificação numa sindicância, que é a 04/2014, dizendo que aquele aparelho era para gravar Fernandinho Beira-Mar. Mentira, quando ele estava preso na Superintendência da Polícia Federal, esse aparelho sequer havia sido adquirido pela PF. Ele estava cadastrado para outra operação, com Alberto Youssef. E eles mentiram mais: disseram que o aparelho não estava ativo. Um laudo da própria PF desmentiu. Não só estava ativo como houve interceptação e gravaram várias e várias horas que ninguém sabe o que tem. Ou seja, é uma prova ilícita que estava no cerne da Lava Jato.”

“Entramos com medidas no Supremo Tribunal Federal para que seja apurado, porque não houve vontade de apurar. Todas as tentativas que eles fizeram [para abafar o caso] estão dentro da sindicância 05/2015, a qual elucida todas as falsidades“, pontuou Basto, frisando que só conseguiu avançar com o caso de Youssef quando o juiz federal Eduardo Appio assumiu a 13ª Vara. No entanto, Appio sofreu um revés na Justiça e foi removido para uma Vara previdenciária. “O colocaram num exílio jurídico porque ele estava tirando do armário os esqueletos mais pobres que estavam escondido.”

*GGN