Até quando André Mendonça fará ouvidos moucos para a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro?

Até quando o ministro André Mendonça pretende fazer ouvidos moucos diante das conexões que vêm sendo reveladas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master? A pergunta deixou de ser retórica. Ela se tornou uma questão de transparência, de isenção e, sobretudo, de respeito ao princípio de que a Justiça deve tratar todos os envolvidos sob os mesmos critérios.

Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado Vorcaro em busca de recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A partir daí, a relação entre o senador e o banqueiro passou a integrar o radar das investigações. O próprio Mendonça já autorizou a abertura de inquérito para apurar os repasses relacionados ao filme.

Então, a pergunta inevitável é: se existem elementos suficientes para investigar o dinheiro que teria circulado nessa relação, por que não aprofundar todas as conexões entre Flávio, Vorcaro e o universo do Banco Master?

Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Trata-se exatamente do contrário: de investigar com rigor, sem blindagens, sem privilégios e sem dois pesos e duas medidas. Se a relação foi absolutamente regular, que as investigações demonstrem isso. Se houve irregularidade, que os responsáveis respondam por ela.

O problema é que, quanto mais surgem informações sobre o caso Master e sobre a proximidade entre personagens desse universo, maior fica a necessidade de esclarecimentos públicos. Vorcaro continua no centro de uma investigação de enorme gravidade e, segundo seu novo advogado, manifesta disposição para colaborar novamente com a Justiça.

E é justamente nesse cenário que o silêncio ou a demora em esclarecer determinadas conexões se torna politicamente incômodo. A Justiça não pode parecer seletiva. Muito menos quando o investigado ocupa posição de destaque na disputa presidencial e quando as relações financeiras em questão envolvem um dos maiores escândalos bancários sob investigação no país.

André Mendonça tem afirmado que o Judiciário deve exercer autocontenção e evitar a politização de investigações sensíveis, inclusive no caso Banco Master. Pois bem: nada seria mais coerente com esse discurso do que permitir que os fatos sejam apurados até o fim, doa a quem doer.

Não cabe ao STF proteger políticos. Cabe ao STF garantir que ninguém esteja acima da investigação.

Se Flávio Bolsonaro não tem nada a esconder, que apresente documentos, esclareça contratos, explique os recursos e deixe que a investigação siga seu curso. E se existem outras pontas dessa relação com Vorcaro, elas precisam ser examinadas.

Porque, em uma democracia, a pergunta que deve ser feita não é “quem está sendo investigado?”, mas sim “por que determinado vínculo ainda não foi completamente esclarecido?”

E essa pergunta, cada vez mais, chega à porta do ministro André Mendonça.


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Lançamento da campanha de Lula: foi bonita aquela festa, pá

Foi bonita aquela festa, pá. E não apenas pela força das imagens, pela energia da militância ou pelo entusiasmo de quem compareceu ao lançamento da campanha de Lula. Foi bonita porque revelou, mais uma vez, a diferença entre um projeto político que pretende governar o Brasil e uma oposição que parece cada vez mais prisioneira de seus próprios fantasmas.

O lançamento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva teve o simbolismo de quem entra em uma disputa eleitoral carregando não apenas uma candidatura, mas uma trajetória política. Lula chega ao palco com o peso de uma história conhecida pelos brasileiros, com realizações de seus governos e com a disposição de transformar a eleição em um debate sobre o futuro do país.

E há algo especialmente significativo nessa festa: a política voltou a ocupar o lugar da política. Em vez de transformar a eleição em um desfile de ressentimentos, ameaças, teorias conspiratórias e ataques permanentes às instituições, Lula aposta no discurso, na mobilização e na ideia de que governar exige apresentar caminhos concretos para o Brasil.

A diferença não poderia ser mais evidente.

De um lado, uma candidatura que procura falar de emprego, renda, desenvolvimento, soberania, democracia e melhoria das condições de vida da população. Do outro, uma direita que continua orbitando em torno do bolsonarismo, tentando transformar a eleição presidencial em uma espécie de plebiscito permanente sobre Jair Bolsonaro, Donald Trump, STF, guerra cultural e inimigos imaginários.

A festa de Lula incomoda justamente porque demonstra que existe vida política além do bolsonarismo.

E talvez seja esse o ponto que mais assuste seus adversários. O campo progressista não precisa importar um salvador estrangeiro, não precisa pedir autorização a Washington para defender seus interesses e não precisa transformar a política brasileira em uma guerra de símbolos. Precisa falar com o povo brasileiro.

O lançamento também deixa uma mensagem importante: eleição se ganha com voto, mas antes disso se ganha com capacidade de dialogar com a sociedade. Não basta produzir vídeos para redes sociais, fabricar inimigos ou repetir palavras de ordem. É preciso convencer milhões de brasileiros de que existe um projeto capaz de melhorar suas vidas.

Por isso, foi bonita aquela festa, pá.

Bonita porque havia gente celebrando a democracia. Bonita porque havia esperança. Bonita porque havia política sem precisar recorrer ao ódio como combustível. E bonita, sobretudo, porque mostrou que, quando o debate eleitoral começa de verdade, o Brasil pode escolher entre projetos — e não simplesmente entre gritos, ameaças e submissões.

A campanha apenas começou. Mas a festa já deixou um recado aos adversários: Lula entrou na disputa para disputar o Brasil, não para pedir licença a ninguém.


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Antropofagista: um blog que transforma informação em resistência

Em um ambiente político e midiático cada vez mais marcado pela disputa de narrativas, o blog Antropofagista ocupa um espaço próprio no debate público brasileiro. Mais do que um veículo de notícias, o blog se consolidou como um espaço de opinião, análise e crítica política, especialmente dedicado a questionar versões apresentadas como verdades definitivas pelos setores mais poderosos da sociedade.

O nome Antropofagista remete à tradição modernista brasileira da antropofagia: a ideia de devorar referências externas, reelaborá-las e transformá-las a partir de uma perspectiva própria. No campo da comunicação política, essa proposta ganha um sentido particularmente interessante: receber a informação, confrontá-la, contextualizá-la e devolvê-la ao leitor sob o olhar crítico de quem não aceita a narrativa pronta.

Ao longo de sua trajetória, o blog tornou-se uma trincheira de resistência ao pensamento único. Seus textos frequentemente partem dos acontecimentos do cotidiano político para revelar contradições, interesses e disputas de poder que nem sempre aparecem no noticiário convencional. É justamente nessa capacidade de ir além da manchete que está uma de suas principais características.

Em tempos de redes sociais, algoritmos e plataformas digitais capazes de determinar quais informações chegam ao público, produzir jornalismo independente e opinião crítica tornou-se ainda mais importante. A democracia não depende apenas do direito de votar. Depende também da existência de espaços nos quais diferentes interpretações possam circular, governos possam ser questionados e grupos economicamente poderosos possam ser submetidos ao escrutínio público.

O Antropofagista se insere nesse cenário como uma voz assumidamente crítica. E essa característica, longe de ser um problema em um ambiente democrático, faz parte da própria pluralidade que sustenta a democracia. O jornalismo e a opinião pública não precisam ser neutros diante de todas as situações; precisam, sobretudo, ser capazes de apresentar argumentos, confrontar fatos e permitir que o leitor forme sua própria compreensão.

A importância de um blog político também está na possibilidade de disputar a agenda pública. Muitas vezes, aquilo que começa como uma denúncia, uma análise ou uma pergunta publicada em um veículo independente acaba repercutindo nas redes sociais e alcançando espaços muito maiores. A comunicação alternativa, portanto, deixou de ser apenas uma margem do sistema tradicional de mídia. Ela passou a participar diretamente da formação da opinião pública.

Nesse sentido, o Antropofagista representa também uma experiência de comunicação política que aposta na palavra como instrumento de enfrentamento. Em vez de aceitar passivamente a versão dos acontecimentos produzida pelos grandes centros de poder, procura provocar o leitor, levantar questões e expor aquilo que considera incoerente, injusto ou politicamente conveniente.

É evidente que nenhum veículo está acima de críticas. Todo espaço de opinião deve estar sujeito ao contraditório, à verificação dos fatos e à cobrança por responsabilidade. Mas isso não diminui a relevância de iniciativas independentes. Ao contrário: quanto mais concentrado estiver o poder de comunicação, maior será a necessidade de vozes capazes de contestá-lo.

O Antropofagista, portanto, não é apenas um blog sobre política. É parte de uma disputa maior: a disputa pelo direito de interpretar o Brasil. Em uma sociedade atravessada por interesses econômicos, conflitos políticos e uma batalha permanente pela construção das narrativas, disputar informação também é disputar democracia.

E talvez seja justamente essa a maior força de um veículo como o Antropofagista: lembrar que notícia não precisa ser o ponto final de uma discussão. Pode ser o começo de uma pergunta. Pode provocar indignação, reflexão e mobilização. Pode, sobretudo, lembrar ao leitor que, por trás de cada narrativa política, existem interesses, personagens e relações de poder que precisam ser examinados.

Em tempos de conformismo e desinformação, manter viva a crítica é uma forma de resistência. E é nesse território que o Antropofagista encontrou sua identidade.

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Fracasso do ato de Flávio Bolsonaro no Rio expõe fragilidade e provoca revolta entre aliados

O primeiro grande ato de campanha de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, realizado em Copacabana, terminou muito longe da demonstração de força que o bolsonarismo esperava. A mobilização reuniu cerca de 8,9 mil pessoas, se muito, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, e provocou críticas dentro do próprio campo político do candidato.

O problema não foi apenas o número de participantes, mas a imagem produzida pelo evento. A escolha de uma área ampla da orla acabou evidenciando espaços vazios e alimentando a percepção de que a capacidade de mobilização do herdeiro político de Jair Bolsonaro está muito aquém daquela exibida pelo pai em seus grandes atos. Aliados chegaram a questionar o formato da mobilização e a estratégia adotada pela campanha.

E há uma ironia política difícil de esconder: o evento foi cuidadosamente montado para apresentar Flávio como sucessor de Jair Bolsonaro, reproduzindo símbolos, slogans, discursos e até a voz do ex-presidente. Mas, quando se esperava uma demonstração de força capaz de provar que o bolsonarismo poderia sobreviver ao seu principal líder, o resultado acabou revelando justamente o contrário: a dificuldade de transferir automaticamente a popularidade e a capacidade de mobilização do pai para o filho.

A reação dos aliados revela que a preocupação vai além de uma fotografia desfavorável. Em uma campanha presidencial, cada ato funciona também como demonstração de musculatura política. Um palanque esvaziado, especialmente no Rio de Janeiro — território historicamente associado à família Bolsonaro — pode transmitir a mensagem de isolamento justamente quando Flávio precisa convencer partidos, lideranças e eleitores de que sua candidatura tem viabilidade nacional.

O cenário fica ainda mais delicado diante das dificuldades para construir alianças estaduais. O Centrão vem mantendo distância da candidatura, enquanto movimentos políticos no Rio e em Minas Gerais indicam que parte das forças que tradicionalmente orbitavam o bolsonarismo prefere preservar seus próprios interesses eleitorais.

Flávio pode até tentar minimizar o episódio, mas política também se faz de imagens. E a imagem de Copacabana não foi a de uma direita em expansão: foi a de um grupo tentando provar que ainda possui a força de outrora.

Se o primeiro grande ato de campanha pretendia apresentar Flávio como o novo líder da direita brasileira, acabou produzindo uma pergunta incômoda para seus próprios aliados.


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Big Techs e a ameaça de uma democracia tutelada pelo poder das plataformas

É preciso abandonar a ingenuidade diante do poder das chamadas big techs. Empresas que controlam redes sociais, mecanismos de busca, plataformas de vídeo e gigantescos fluxos de informação deixaram há muito de ser meras empresas de tecnologia. Elas se transformaram em atores políticos de enorme influência, capazes de definir o que ganha visibilidade, o que desaparece do debate público e quais discursos alcançam milhões de pessoas.

O problema se torna ainda mais grave quando esse poder é exercido de maneira assimétrica e passa a funcionar, na prática, como uma trincheira contra determinados setores políticos. É justamente aí que a defesa apaixonada das big techs por setores bolsonaristas revela uma contradição monumental: os mesmos que dizem combater uma suposta “censura” comemoram quando as plataformas favorecem seus interesses e atacam quando são submetidos a regras de transparência e responsabilização.

Não se trata de afirmar que toda decisão das plataformas seja necessariamente uma conspiração contra a esquerda. A questão é mais profunda: quem controla os algoritmos controla uma parcela importante da circulação das ideias. E quem controla a circulação das ideias possui um poder político que nenhuma democracia deveria deixar sem fiscalização.

As plataformas sabem quais conteúdos provocam indignação, medo, raiva e engajamento. Sabem quais mensagens devem ser impulsionadas e quais podem ser relegadas ao esquecimento. Quando essa arquitetura da informação é utilizada para favorecer determinados discursos e marginalizar outros, o problema deixa de ser tecnológico e passa a ser democrático.

A extrema direita compreendeu isso muito bem. Enquanto denuncia “ditadura” sempre que alguma regra limita seus abusos nas redes, defende uma espécie de vale-tudo digital quando acredita que o ambiente lhe é favorável. É uma democracia conveniente: liberdade absoluta para os aliados, indignação seletiva quando a mesma lógica atinge seus interesses.

O perigo, portanto, não está apenas na existência das big techs, mas na concentração extraordinária de poder nas mãos de corporações privadas que não foram eleitas por ninguém. Uma democracia não pode depender do humor de bilionários, dos interesses comerciais de plataformas ou de algoritmos opacos para determinar quais vozes serão ouvidas.

Regular as big techs, exigir transparência dos algoritmos, combater práticas abusivas e proteger o pluralismo não significa censurar a sociedade. Ao contrário: significa impedir que o debate público seja privatizado.

Quem realmente defende a liberdade deveria desconfiar de qualquer empresa que tenha poder suficiente para decidir, sozinha, o que milhões de cidadãos verão, compartilharão ou sequer terão a oportunidade de conhecer.

A democracia não pode ser terceirizada para as big techs. Muito menos transformada em instrumento de guerra política contra a esquerda — ou contra qualquer outro campo democrático. Liberdade de expressão não pode significar liberdade para meia dúzia de corporações privadas controlarem a expressão de milhões.

Há algum tempo, o blog Antropofagsta tem enfrentado essa barragem digital, aquela beleza que, pela primeira vez na história da humanidade as sociedades se comunicavam, não importando aonde estivessem, acabou. A solução das big techs foi simples para impedir aquela brilhante forma de comunicação, simplesmente, produziu um mecanismo que silencia essa interação.

Com isso, os blogs de esquerda, como o nosso, que são os mais afetados, tiveram um baque no número de leitores e, junto, a composição de um orçamento azeita pela movimentação que fluia naturalmente no dia a dia.

Por isso, insistimos em manter o blog em funcionamento numa indefinição orçamentária que só é possível graças às doações dos leitores. Ou seja, isso realça, com bastante clareza, como a natureza da parceria entre direita e big techs vem produzindo estragos de monta em blogs progressistas, mas não estamos e nem seremos derrotados por essa escória digital que age como milícia. Venceremos também a guerra intestina que o grande capital promove.

Por isso contamos com nossos leitores não só para apoiar, mas também para compartilhar, porque o jogo dessa gente é pesado.


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BTG/Nexus: Lula beira 50% dos válidos na espontânea e vence em todos os cenários

Lula tem vantagem de 14 pontos sobre Flávio Bolsonaro entre as mulheres. Pesquisa BTG/Nexus traz alerta sobre os que se classificam como “não polarizados”.

Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (17), um dia após o início oficial da campanha, mostra que Lula com metade dos votos válidos na pesquisa espontânea, quando não são revelados os nomes dos candidatos. O presidente vence também todas as simulações de segundo turno contra os candidatos da direita e Flávio Bolsonaro (PL), seu principal oponente na ultradireita.

Na pesquisa espontânea, Lula é citado por 38%, 9 pontos a mais que Flávio Bolsonaro, lembrado por 29%. Renan Santos (Missão) tem 3%; Ronaldo Caiado (Missão) 2%; e Romeu Zema 1%. Todos os outros somados têm 3%.

Excluindo os 6% que declaram voto nulo ou branco e 17% que não sabem ou não responderam à pesquisa, Lula chega a 49,35% dos votos válidos.

No segundo turno, Lula segue vencendo todos os adversários: 47% a 44% contra Flávio Bolsonaro; 45% a 42% contra Caiado; 46% a 41% contra Zema; e 47% a 36% contra Renan Santos.

Mulheres e não polarizados
Na pesquisa estimulada, quando são mostrados os nomes dos candidatos, Lula têm 41% das intenções de votos e Flávio 36%. Em seguida aparecem: Ronaldo Caiado (PSD) com 5% e Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) com 4% cada. Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) marcam 1%. Os demais não chegam a 1%. Brancos e nulos são 5% e 2% não responderam.

O detalhamento mostra o presidente 14 pontos à frente do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL), com Lula com 46% das intenções de votos femininos e Flávio com 32%. Entre os homens, o senador lidera por 41% a 36% no primeiro turno.

No recorte religioso, Lula segue com 12 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro, liderando por 46% a 34%. Flávio está à frente entre os evangélicos, superando o presidente por 49% a 34%.

A BTG/Nexus, no entanto, traz um alerta para a campanha petista entre os eleitores que se classificam como “não polarizados”, que dizem não se alinhar a Lula ou ao bolsonarismo.

Nesse nicho eleitoral há uma situação de empate técnico, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula por 32% a 31%. O dado reflete, em parte, a tentativa de Flávio Bolsonaro se desvincular das crises, como o envolvimento com Daniel Vorcaro no escândalo do Master, e o adesão da mídia liberal, que tem promovido ataques contra o presidente.

A Nexus ouviu 2.003 eleitores por telefone entre os dias 14 e 16 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Leia a íntegra da pesquisa BTG/Nexus de 17 de agosto de 2026

*Forum


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Trump considera novas sanções contra Moraes, diz Financial Times

Medida é vista como um sinal de que ingerência dos EUA na eleição irá escalar

O jornal britânico Financial Times revelou, neste domingo, que o governo Donald Trump está considerando aplicar novas sanções contra o juiz Alexandre de Moraes. O ministro já havia sido alvo de medidas por parte da Casa Branca, em 2025. Naquele momento, a alegação eram as supostas violações do brasileiro em relação à liberdade de expressão e o que foi chamado de “caça às bruxas” contra bolsonaristas.

A Lei Magnitsky foi aplicada, com sanções financeira contra o ministro. Mas o gesto foi duramente criticado pelos autores da lei nos EUA e pelos democratas. No final de 2025, diante de uma aproximação comercial entre Lula e Trump, elas foram retiradas.

Mas, em meio a uma nova onda de crises e ataques, Washington estaria revendo sua posição e poderia anunciar as medidas nos próximos dias. Mais uma vez, o argumento central seria seu ataque contra a liberdade imprensa e de expressão.

Se aplicadas, as sanções representariam mais um teste para a já tensa relação entre os dois governos, Ainda que seja contra um ministro do STF, o governo Lula passou a adotar a postura de que uma sanção seria contra as instituições do país.

Ingerência na eleição
O gesto é ainda visto como um sinal de que, em um momento chave da eleição, Trump avalia escalar a ingerência no processo de escolha do próximo presidente.

Tanto o Palácio do Planalto quanto o Itamaraty consideram que a intromissão da Casa Branca para favorecer Flávio Bolsonaro já é uma realidade. O governo estima que, nas próximas semanas, as ações por parte de Washington vão ser multiplicadas.

Jornalista no Maranhão
Desta vez, um dos motivos seria a decisão de Moraes de agir contra um jornalista no Maranhão. O ministro autorizou a quebra de sigilo das comunicações do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, de 40 anos.

O caso seria usado na Casa Branca como “prova” de que o ministro seria um “inimigo” da liberdade de expressão.

Citando pessoas próximas ao poder nos EUA, o jornal destaca que a figura de Moraes é alvo de duras críticas em Washington.

“Ele está perseguindo os apoiadores do presidente. Não apenas Elon Musk, mas também os apoiadores do MAGA no Brasil”, acrescentou uma pessoa familiarizada com o pensamento do governo americano.

“Mesmo que queiramos um bom relacionamento com o Brasil, obviamente esse cara é um inimigo.” A reimposição das medidas Magnitsky estava “sob consideração”, disse outra pessoa.

Mas o caso do Maranhão não é o único. “Havia muitos fatores [e] um padrão consistente de abuso. Este é apenas o mais recente”, acrescentou, referindo-se ao caso do jornalista. “As preocupações nunca desapareceram.”

*Jamil Chade/ICL

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Bolsonaro não é corrupto como dizem os bolsonaristas? Pelo que se sabe, mansões não dão em árvore

Bolsonaro não é corrupto, dizem os bolsonaristas. A frase é repetida como um mantra, como se a repetição pudesse apagar fatos, investigações, movimentações patrimoniais e perguntas que permanecem sem respostas convincentes. Mas há uma questão elementar que continua de pé: dinheiro não nasce em árvore — e mansões, muito menos.

O patrimônio do clã Bolsonaro acumulou, ao longo de décadas, uma quantidade impressionante de imóveis. Levantamento do UOL apontou que Jair Bolsonaro e familiares negociaram 107 imóveis e que pelo menos 51 deles foram adquiridos total ou parcialmente com dinheiro em espécie, em transações que somaram R$ 13,5 milhões à época — cerca de R$ 25,6 milhões em valores corrigidos. Pelo menos 25 desses imóveis chegaram a ser objeto de investigações.

Isso, por si só, não autoriza afirmar que cada imóvel tenha origem criminosa. Mas também não permite tratar o assunto como uma simples fofoca política. Quando uma família de políticos acumula patrimônio imobiliário dessa dimensão e utiliza dinheiro vivo em tantas operações, a sociedade tem todo o direito de perguntar de onde veio o dinheiro.

E a pergunta permanece ainda mais atual. Flávio Bolsonaro declarou ao TSE, em 2026, patrimônio de R$ 8,18 milhões, incluindo uma casa de R$ 6,2 milhões em um condomínio de luxo no Lago Sul, em Brasília. Em 2018, havia declarado R$ 1,74 milhão; considerando a série patrimonial corrigida pela inflação utilizada pela Folha, o crescimento desde sua eleição para o Senado foi de 211%.

A resposta bolsonarista costuma ser previsível: tudo é perseguição, tudo é invenção, tudo é “narrativa”. Só há um problema: patrimônio não é narrativa. Escritura não é narrativa. Declaração ao TSE não é narrativa. Registro de imóvel não é narrativa. Dinheiro vivo em transações imobiliárias também não é narrativa.

Se os recursos são absolutamente legítimos, ótimo. Que sejam apresentados os documentos, as fontes de renda, os contratos, os comprovantes e a origem de cada centavo. É assim que funciona uma democracia minimamente séria.

O que não é aceitável é transformar qualquer questionamento sobre enriquecimento patrimonial em perseguição política e, ao mesmo tempo, exigir que os brasileiros acreditem simplesmente na palavra dos envolvidos.

A ironia é que o bolsonarismo construiu sua identidade política justamente sobre o discurso da “moralidade”, da “família” e do combate à corrupção. Durante anos, seus líderes apontaram o dedo para adversários e fizeram da corrupção uma arma eleitoral. Agora, quando as perguntas chegam ao próprio campo, querem substituir investigação por fé.

Não basta dizer “não sou corrupto”. É preciso explicar o patrimônio.

Porque mansões não dão em árvore. Milhões não brotam do chão. E, quando há patrimônio milionário, dinheiro vivo e uma sucessão de negócios imobiliários cercados de questionamentos, a pergunta mais honesta não é “quem está perseguindo Bolsonaro?”.

É outra:

de onde veio o dinheiro?


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No projeto econômico do governo Bolsonaro, os brasileiros foram para a fila do osso e o Brasil devolvido ao mapa da fome com 33 milhões de miseráveis

O chamado projeto econômico do governo Bolsonaro deixou uma imagem que deveria envergonhar qualquer país: brasileiros disputando restos de ossos para tentar garantir alguma comida em casa. Não é figura de linguagem. É o retrato de um Brasil que, ao final daquele governo, convivia com 33,1 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, segundo levantamento da Rede PENSSAN.

Esse foi o resultado concreto de uma política que tratou a fome, o desemprego, a inflação dos alimentos e o empobrecimento da população como efeitos colaterais aceitáveis. Enquanto Paulo Guedes e Jair Bolsonaro vendiam a fantasia de uma economia moderna, eficiente e liberal, milhões de brasileiros eram empurrados para a sobrevivência. Para uma parcela crescente da população, a discussão econômica não era sobre investimentos, Bolsa de Valores ou equilíbrio fiscal: era sobre ter ou não ter o que colocar no prato.

O Brasil, que havia saído do Mapa da Fome em 2014, voltou a figurar entre os países atingidos pelo problema. O dado de 2022 era devastador: 33 milhões de pessoas passando fome, enquanto apenas quatro em cada dez famílias tinham acesso pleno à alimentação, segundo o inquérito da Rede PENSSAN.

A tragédia não caiu do céu. A pandemia agravou a crise, evidentemente, mas não explica sozinha o desastre. Houve também o enfraquecimento de políticas públicas de proteção social e de segurança alimentar, em um contexto de deterioração da renda e aumento das desigualdades. O próprio governo federal posterior apontou o desmonte e a interrupção de políticas de combate à fome como fatores decisivos para o retrocesso.

Por isso, quando a direita tenta vender o bolsonarismo como sinônimo de responsabilidade econômica, convém lembrar a realidade. O projeto econômico de Bolsonaro produziu um país em que havia comida em abundância, mas faltava dinheiro para o povo comprá-la. O problema nunca foi a incapacidade brasileira de produzir alimentos. O problema foi permitir que milhões fossem excluídos da riqueza que o próprio país produz.

A fila do osso tornou-se, assim, um símbolo brutal daquele período. De um lado, a propaganda sobre liberdade econômica; de outro, brasileiros procurando restos para alimentar a família. De um lado, discursos triunfalistas; de outro, 33 milhões de pessoas submetidas à forma mais cruel de miséria: a fome.

Esse é o balanço que os defensores do governo Bolsonaro preferem esquecer. Porque números podem ser manipulados em discursos, mas a fome não. A fome não é narrativa. Não é opinião. Não é “lacração”. A fome é o fracasso mais absoluto de qualquer projeto de país.

E, no Brasil de Bolsonaro, esse fracasso tinha uma fila. Era a fila do osso.

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Big Techs e crise na fronteira: Brasil vê risco de ‘armadilhas’ dos EUA na eleição

Atuação militar conjunta de Colômbia e EUA é considerada como “preocupante” e fluxo de desinformação em redes acende alerta em Brasília

O governo brasileiro teme que as próximas semanas sejam marcadas por ações orquestradas por parte de grandes plataformas digitais, com o objetivo de criar uma turbulência política no país e influenciar a eleição. No mapeamento que se faz em Brasília sobre os riscos para a eleição, uma eventual “armadilha” militar na fronteira com a Colômbia tampouco estaria fora do radar.

Com suspensão de vistos, tarifas, sanções e ofensas americanas, Brasília considera que existe uma ingerência do governo Trump desde 2025, que a eleição de outubro é revelante para a estratégia dos EUA e que a ofensiva pode ganhar ainda mais força até outubro.

Ao longos dos últimos meses, membros do governo tentaram entender por onde poderia vir os próximos lances dessa ingerência e de um processo de desestabilização.

A principal aposta é de que o instrumento usado para isso seja o impulsionamento de desinformação a partir de fora do país, com a possibilidade de plataformas agindo de forma subterrânea para impactar na opinião pública.

A operação repetiria o modelo que acaba de ser adotado com êxito na eleição Colômbia e, há poucos meses, em Honduras. Ambos garantiram a vitória de aliados de Donald Trump.

Trabalhar com o “medo” da população também poderia ser um instrumento que tem sido avaliado como um risco por parte do Brasil para abalar padrões de votos. Para autoridades brasileiras, as cenas de 70 mil imigrantes em Ceuta, a partir da difusão de uma desinformação, reforçaram a tese de uma orquestração para abalar democracias.

No Brasil, chegou a ser considerado como fluxos migratórios poderiam ser instrumentalizados, como no caso de haitianos, afegãos e, principalmente, cubanos. Por enquanto, porém, isso não ocorreu.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que, apesar da liderança de Luiz Inácio Lula da Silvas nas pesquisas de opinião, o pleito continua acirrado e que uma operação de manipulação poderia virar votos suficientes para transformar a eleição em um dos momentos mais tensos do país em décadas.

Membros do governo ainda vão estudar os casos das vitórias de aliados de Trump em Honduras e na Colômbia, beneficiados por uma forte atividade de narrativas que viriam de fora desses países. No caso do pleito em Bogotá, o que se observou foi uma proliferação intensa de Inteligência Artificial e de DeepFake.

Uma das estratégias seria o impulsionamento de desinformação a partir de perfis falsos, criados nos exterior. O material poderia promover mudanças abruptas na opinião pública, faltando poucos dias para a eleição e capaz de virar votos.

O cálculo do envolvimento das plataformas é por conta do impacto de uma reeleição para o setor. O governo estima que as Big Techs seriam os grandes perdedores com a vitória de Lula. Se o petista vencer, a estimativa é de que poderia usar seu quarto mandato para promover uma regulamentação das redes digitais e das Bets.

Um possível retorno do ativismo de Elon Musk também é monitorado, principalmente diante de seu histórico de realizar provocações em eleições em todo o mundo, às vésperas do pleito.

Esperar até o último momento para fazer a operação também impediria que houvesse tempo suficiente para investigações e eventuais denúncias do envolvimento de um grupo ou outro no processo de desestabilização.

Armadilha na fronteira com Colômbia
O governo brasileiro também vê com preocupação e diz estar “atento” ao anúncio de que militares americanos passarão a agir dentro do território da Colômbia, supostamente para lutar contra cartéis. A informação foi dada pelo próprio secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, nesta semana. Segundo ele, os americanos passarão a agir por terra na América Latina.

Ainda que o narcotráfico colombiano esteja localizado longe da fronteira com o Brasil, autoridades não descartam atos “fabricados” perto do território nacional, eventualmente para usar como “isca” para uma ação de militares brasileiros para defender a soberania do país.

Neste caso, uma tensão militar estaria criada e, assim, todo o debate político e eleitoral no Brasil seria abalado.

Uma armadilha nessa região do mundo não seria inédito. O governo brasileiro tem em mente a crise que foi criada quando o então presidente colombiano e aliado dos EUA, Alvaro Uribe, orquestrou uma suposta tensão militar na fronteira com o Equador de Rafael Correa, na época.

No mapeamento dos riscos, outra hipótese avaliada foi a instrumentalização de algum ato antissemita, causando um impacto popular importante e um suposto envolvimento do Hezbollah, Hamas ou outros grupos que mexem com o imaginário coletivo. Um dos epicentros poderia ser a Tríplice Fronteira, já declarada pelo governo Trump como local “sensível”.

*Jamil Chade/ICL


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