O discurso de Donald Trump na ONU, nesta terça-feira (22), ajuda a entender o desgaste de sua imagem dentro dos próprios Estados Unidos. Em vez de apresentar uma mensagem voltada à cooperação internacional, Trump voltou a apostar em ameaças, confrontos e na exaltação de sua própria atuação, defendendo inclusive sua decisão de iniciar a guerra contra o Irã.
O discurso de Trump na ONU explica por que sua aprovação desabou nos Estados Unidos
O discurso de Donald Trump na ONU foi mais uma demonstração de um estilo político baseado no confronto permanente, na ameaça e na exaltação de si próprio. Diante do mundo, o presidente americano voltou a apresentar-se como protagonista absoluto dos acontecimentos, defendendo guerras, ameaçando adversários e tratando a diplomacia internacional como extensão de sua política doméstica.
Trump falou como se os Estados Unidos fossem uma potência autorizada a impor sua vontade ao restante do planeta. Em vez de uma mensagem de cooperação, predominou a lógica do enfrentamento: Irã, Cuba, Venezuela, imigração, ONU e até organismos internacionais foram transformados em alvos de sua retórica.
Mas existe um detalhe que torna esse discurso ainda mais revelador: ele acontece justamente quando a popularidade de Trump despenca entre os próprios americanos.
A Reuters/Ipsos aponta para quase 70% de desaprovação. É o pior índice registrado para Trump ao longo de sua carreira política. Até entre republicanos houve queda importante: a aprovação dentro do próprio partido recuou para 73%.
Ou seja, o problema não está apenas fora dos Estados Unidos. Uma parcela cada vez maior da população americana parece estar cobrando aquilo que Trump prometeu entregar: redução do custo de vida, estabilidade econômica e menos envolvimento em guerras.
E é justamente aí que o discurso da ONU se torna emblemático. Enquanto os americanos enfrentam preocupações com preços, combustível e custo de vida, Trump continua oferecendo ao mundo uma política marcada pelo conflito e pela demonstração de força.
A ONU deveria ser um espaço para discutir paz, cooperação e soluções coletivas. Trump transformou sua tribuna em mais um palanque para reafirmar sua política de confronto.
Talvez seja exatamente essa distância entre o discurso grandioso do presidente e as preocupações concretas da população que ajude a explicar o tamanho de sua rejeição.
Trump fala cada vez mais alto para o mundo, enquanto uma parcela cada vez maior dos americanos parece estar dizendo, nas pesquisas, que não quer ouvir.
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