Ao fim e ao cabo, Lula impôs duas derrotas consecutivas ao fascismo paratatá. Bolsonaro perdeu duas eleições seguidas para Lula e assistiu, impotente, ao projeto político que construiu em torno do ódio, da mentira e da perseguição ser derrotado nas urnas.
A história reservou a Bolsonaro uma ironia difícil de engolir: depois de transformar Lula em seu principal adversário, passou a vida política tentando derrotá-lo e terminou acumulando duas derrotas consecutivas para o mesmo homem. Não conseguiu dar o troco, não conseguiu reverter o resultado e tampouco conseguiu impedir que Lula seguisse ocupando o centro da política brasileira.
O bolsonarismo apostou na intimidação, no ressentimento, na desinformação e na destruição dos adversários. Acreditou que o ódio seria uma força eleitoral inesgotável. Mas encontrou um limite nas urnas.
Bolsonaro queria entrar para a história como o homem que derrotou Lula. Acabou marcado como aquele que perdeu duas vezes para ele. E, dessa vez, não haverá revanche eleitoral. A conta chegou, e a história não costuma oferecer prorrogação para quem se recusa a aprender com as próprias derrotas.
Dois fatos inéditos nas duas vitórias de Lula sobre Bolsonaro: Bolsonaro é o primeiro presidente da Repúbica a não se reeleger ao perder para Lula. Lula, por sua vez, inaugurou uma virada histórica no segundo turno.
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Com a segunda derrota consecutiva de Bolsonaro, o projeto político do bolsonarismo enfrenta mais um abalo. A aposta no ódio, na intolerância e na permanente fabricação de inimigos, que por tanto tempo mobilizou eleitores e alimentou a extrema direita, já não garante os resultados de antes.
A política do ressentimento tem limites. O medo pode mobilizar, a mentira pode confundir e o ódio pode incendiar multidões, mas nenhum desses ingredientes substitui indefinidamente um projeto de país. Quando a realidade cobra a conta, o discurso de guerra permanente começa a perder força.
Bolsonaro pode estar chegando ao fim de seu ciclo político, e o bolsonarismo terá de enfrentar uma questão decisiva: o que sobra de um movimento que fez do ódio sua principal bandeira?
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Dois projetos opostos: a fome como herança de Bolsonaro, a dignidade como prioridade de Lula.
São dois projetos de país que se chocam frontalmente. O projeto bolsonarista, que Flávio Bolsonaro representa, deixou milhões de brasileiros entregues à fome, à miséria e à humilhação de enfrentar a fila do osso para conseguir o que comer. Sob Jair Bolsonaro, o Brasil voltou ao mapa da fome, enquanto 33,1 milhões de pessoas enfrentavam a insegurança alimentar grave, segundo dados divulgados em 2022.
O projeto de Lula segue na direção oposta: combater a fome, recuperar o poder de compra dos trabalhadores e devolver dignidade a quem foi abandonado pelo Estado. Foi assim que o Brasil saiu do mapa da fome em 2014, voltou a esse cenário sob Bolsonaro e, com Lula novamente na Presidência, conseguiu sair outra vez em 2025, segundo os critérios da ONU.
A diferença não é apenas econômica: é política, social e, acima de tudo, humana. De um lado, um projeto que produziu retrocesso social e tratou a miséria como se fosse uma fatalidade. Do outro, um governo que fez do combate à fome uma prioridade nacional.
Flávio Bolsonaro precisa explicar por que defende um modelo que levou o Brasil de volta à fome. Lula, por sua vez, tem resultados concretos a apresentar. Porque a fome não é uma abstração estatística: é o prato vazio de uma criança, a angústia de uma mãe e a dignidade roubada de milhões de brasileiros.
No fim, a escolha é entre dois Brasis: o da fila do osso e o da comida na mesa; o da exclusão e o da inclusão; o da indiferença diante da miséria e o da luta para vencê-la.
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A ex-companheira de Fernando Cerimedo alertou que equipe do consultor estaria agindo para reduzir o alcance de postagens do campo progressista no Brasil nas redes sociais.
A ex-companheira de Fernando Cerimedo, Nádia Beller, alertou que o argentino aliado do clã Bolsonaro e do governo de Donald Trump estaria agindo para reduzir o alcance de postagens do campo progressista no Brasil nas redes sociais.
Nos últimos anos, o consultor argentino teve um papel central na estratégia digital de campanhas no Brasil, Argentina, Honduras, Chile e Bolívia. No país, depois da derrota de Jair Bolsonaro em 2022, ele foi um dos artífices do questionamento das urnas eletrônicas e difundiu desinformação neste sentido.
Hoje, Cerimedo está preso em La Paz, acusado de tentativa de assassinato de Nádia.
Em uma entrevista concedida à imprensa mexicana, ela revelou que a baixa penetração das postagens do campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seria um acaso.
“Nos primeiros dias de agosto, Fernando me mandou uma foto com um dos Bolsonaro nos EUA. Não posso te precisar agora a data exata porque meu celular está no Ministério Público, mas do dia 1º ao dia 5 que ele esteve nos Estados Unidos, nesse intervalo, ele me mandou uma foto”, disse.
“Ele me disse que estavam tratando do tema da campanha, que ele ia buscar financiamento e que ele ia participar sim ou sim dessa campanha, dessa eleição”, afirmou.
A ex-companheira, porém, garante que a prisão de Cerimedo não significou o fim da operação.
“O que eles fizeram com a Meta é de manual. Eles têm contatos muito bons com a Meta — inclusive, aqui na Bolívia, um jornalista que eles mesmos fizeram derrubar a página, o Fernando interveio para devolverem. Ele me manifestou mais de três vezes, pelo menos, que tinha relações muito boas com a Meta e podia fazer derrubar ou devolver qualquer página”, contou.
“Eu não tenho a menor dúvida de que a equipe dele, o grupo dele, interveio para isso. Entendo que há denúncias de infrações eleitorais por parte da Meta que teriam deixado passar algumas campanhas de guerra suja e a suspensão das contas do Lula. Eu não tenho a menor dúvida de que foi parte de uma estratégia desta equipe para tirar a visibilidade dele”, disse.
Nádia ainda contou que Cerimedo mantinha “fazendas de bots”, atuando para difundir desinformação. “Usa em todos os países”, garantiu.
No mês passado, ela revelou que o estrategista argentino ligado ao clã Bolsonaro manteve vínculos com a cúpula do governo de Donald Trump.
Já vivendo nos EUA, Eduardo Bolsonaro ainda manteve contato com Cerimedo. Em julho, dias antes do lançamento oficial da campanha de Flávio Bolsonaro, o ex-deputado e o consultor argentino promoveram uma live na qual voltaram a questionar a credibilidade das urnas no Brasil.
No final do mês passado, sem dar explicações, o governo de Donald Trump anunciou sanções contra o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, que conduz justamente as investigações contra Cerimedo. A juíza que decretou sua prisão também foi alvo de sanções do Departamento de Estado.
Um dia depois, Mariaca denunciou uma ingerência dos EUA e garantiu que as sanções não irão forçar a Bolívia a abandonar as investigações contra Cerimedo. Além do processo de agressão, ele é alvo de uma investigação sobre um esquema de corrupção envolvendo o abastecimento de combustível. Mas, naquela noite, ele foi preso pela polícia boliviana em seu próprio país.
Proteção da rede MAGA? Em suas redes sociais, Nadia Beller publicou fotos de Cerimedo com alguns dos nomes mais poderosos da estrutura de poder de Donald Trump. No título da postagem, uma provocação relacionada à criação do Escudo das Américas, a aliança militar da Casa Branca com a extrema direita regional:
É a luta pelo “Escudo das Américas” ou a proteção da rede MAGA?
Na postagem, ela mostra fotos de Donald Trump Jr. (filho de Donald Trump), Brad Parscale, Andy Rivas e Fernando Cerimedo. “Isso ganha enorme relevância quando colocada ao lado do que está acontecendo hoje na Bolívia”, explicou Nadia.
“É preciso desvendar os supostos negócios desses atores que instrumentalizam o movimento MAGA”, insistiu.
Nadia conta que apresentou ao Ministério Público áudios, conversas, fotografias e documentos “sobre a participação de Cerimedo em decisões da YPFB (a empresa de energia da Bolívia), incluindo a nomeação e a demissão de funcionários, além de informações relacionadas a combustível, ouro e outras operações”.
“Também apresentei áudios e conversas sobre a FUTURA, empresa ligada ao fornecimento de combustível para a Bolívia. Nessas conversas, fala-se em comissões para Brad Parscale, sócio de Cerimedo e ex-chefe de campanha de Trump”, explica.
Para ela, não se trata apenas de uma ingerência de Cerimedo em campanhas eleitorais. “Estamos falando de uma estrutura política internacional que, após chegar ao governo, aparece vinculada a negócios empresariais questionáveis na Bolívia”, denunciou.
Segundo ela, portanto, as sanções anunciadas pela Casa Branca devem ser entendidas nesse contexto.
“Enquanto tudo isso é investigado, o governo de Donald Trump revoga o visto do Procurador-Geral da Bolívia, Róger Mariaca, e o acusa de corrupção relacionada ao narcotráfico, sem apresentar, até o momento, qualquer denúncia ou prova”, apontou.
“Cerimedo não está sendo investigado por apenas um fato. Entre os fatos denunciados e investigados figuram, em primeiro lugar, a tentativa de feminicídio, além de possíveis casos de encobrimento do narcotráfico, corrupção, lavagem de dinheiro, usurpação de funções e outros delitos”, insistiu a ex-companheira.
*Jamil Chade/ICL
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Há frases políticas que passam pelo noticiário. E há frases que condensam, em poucas palavras, uma disputa inteira sobre dois projetos de país. É nessa segunda categoria que se encaixa a declaração atribuída a Lula.
“Bolsonaro transformou um agiota em banqueiro. Eu transformei um banqueiro em prisioneiro.”
A força da frase está justamente no contraste: de um lado, a acusação de que um determinado poder político teria permitido a ascensão e a expansão de interesses privados no sistema financeiro; de outro, a afirmação de que, sob Lula, o Estado passou a agir para investigar e responsabilizar quem estivesse envolvido em irregularidades.
É uma frase construída para marcar uma mudança de postura diante do poder econômico: ninguém deveria estar acima da lei — banqueiro, empresário, político ou quem quer que seja.
Mais do que uma provocação eleitoral, o enunciado coloca no centro uma questão essencial para qualquer democracia: quem controla o dinheiro e quem controla aqueles que controlam o dinheiro?
A frase também funciona porque transforma uma disputa complexa em uma imagem política impossível de ignorar. O banqueiro que antes simbolizaria poder, influência e relações privilegiadas aparece, na narrativa de Lula, submetido ao mesmo princípio que deve valer para qualquer cidadão: a lei.
Mas é justamente aí que está o ponto que não pode ser perdido no barulho político: acusações de crimes e responsabilidades individuais precisam ser estabelecidas por investigação, provas e decisões judiciais, não por slogans. A força de uma democracia está exatamente em fazer com que a Justiça alcance os poderosos sem transformar investigação em espetáculo nem poder econômico em salvo-conduto.
Se a frase de Lula entrou no debate público com a força de um golpe de efeito, é porque ela toca numa ferida antiga: a ideia de que, no Brasil, dinheiro e influência poderiam comprar distância da Justiça.
E essa é a mensagem política que a frase procura deixar: o poder econômico pode ser grande, mas não pode ser maior que o Estado de Direito.
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Há uma gigantesca diferença política que merece ser lembrada sem maquiagem, mas a grande mídia faz questão de não ver e reportar, mesmo que tenha diferença cristalina entre o governo do clã Bolsonaro, do qual Flavio é um dos componentes centrais, já Lula, um velho alvo dos ataques mais vis da mídia, por representar os trabalhadores e as camadas mais pobres da população. Fato reconhecido pelos principais jornais estrangeiros, como ressaltou neste sábado (26), o Financial Times.
Enquanto o governo Bolsonaro convivia harmonicamente com o banditismo e expansão do Banco Master de Vorcaro, irmãozão de Flavio, que até agora não explicou os R$ 134 milhões que recebeu do banqueiro, Lula triturou a máquina que produziu o maior roubo do sistema financeiro brasileiro, que deveria ter um busto na Faria Lila, se o sistema financeiro fosse sério, mas não é. Por isso segue apoiando Flavio Bolsonaro.
O mesmo precisa ser dito sobre a abertura do mercado das apostas de quota fixa, das bets, por Bolsonaro. Lula foi enfático, certeiro e recebeu o apoio de quase 80% da sociedade nas redes sociais, até porque 75% da população clamava por essa decisão.
No caso do Master, a transferência do controle do então Banco Máxima para Daniel Vorcaro foi autorizada pelo Banco Central em outubro de 2019, durante o governo Bolsonaro e sob a presidência de Roberto Campos Neto. Em 2021, a instituição passou a se chamar Banco Master. Em novembro de 2025, já no governo Lula, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, citando grave crise de liquidez e graves violações das normas do sistema financeiro.
Nas bets, a cronologia também é eloquente: a legislação de 2018, sancionada por Bolsonaro, criou a modalidade de apostas, as bets. Lula, por sua vez, em 25 de setembro de 2026, assinou uma medida provisória proibindo a oferta, a intermediação e a publicidade das bets em todo o território nacional.
Ou seja: de um lado, a expansão de um sistema que posteriormente entrou em profunda crise e um mercado de apostas que se espalhou pelo país desttroçando a vida de milhões de brasileiros e suas famílias, como revelam incontáveis histórias. De outro, medidas de contenção, fiscalização e, agora, a proibição das bets.
A comparação é direta, um governo abriu espaço; o outro decidiu fechar.
Com um detalhe: Flavio já anunciou que, se eleito, reabrirá as bets. Alguém tem dúvida de que ele fará o mesmo para reabrir o Banco Master do comparsa, Danie Vorcaro?
E é justamente essa cronologia que precisa ser colocada sobre a mesa quando se discute quem criou as condições para determinados problemas e quem tomou medidas drásticas para enfrentá-los, em favor do povo brasileiro.
Diferente disso, qualquer análise ou é de bolsonarismo malandro ou descarado, com as falas do grande mentiroso, Flavio Bolsonaro. Que fique claro, que votar nele, votará pela volta das bets e do Banco Master de Vorcaro.
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Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro, obtidas pela Carta Capital, indicam que o dono do Banco Master temia o vazamento de um possível jantar com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das conversas, o banqueiro escreveu: “Esse negócio acaba comigo”.
A troca de mensagens ocorreu pelo WhatsApp em 8 de dezembro de 2024. Carneiro perguntou a Vorcaro se ele participaria de um jantar “com meu xará e com o pai dele” e afirmou que Thiago cobrava uma resposta.
Vorcaro respondeu inicialmente que não sabia do que o empresário falava. Carneiro insistiu e disse: “Você não está sabendo? Achei que eles tinham falado com você”. O banqueiro então escreveu: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro.”
No dia seguinte, Vorcaro retomou o assunto e pediu sigilo a Carneiro: “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Após o cumprimento do empresário, o banqueiro acrescentou: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”. As mensagens não confirmam que o jantar tenha ocorrido.
Investigadores associam referências a Jair e Flávio Bolsonaro Investigadores do Caso Master interpretam que o “xará” citado por Carneiro seria Flávio e que a referência ao “pai dele” apontaria para Jair Bolsonaro. A conversa menciona uma reunião, mas não detalha local, participantes ou eventual data para o encontro.
Naquele período, Bolsonaro cumpria medidas cautelares no processo sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre as determinações, estavam a entrega do passaporte, a proibição de deixar o país e a vedação de contato com outros investigados.
Fontes ligadas à investigação também identificaram o “Thiago” da conversa como o publicitário e lobista Thiago Miranda, dono da Agência MiThi. À época, ele integrava a sociedade do Grupo Léo Dias de Comunicação.
Miranda deixou a sociedade em maio de 2026, após se tornar alvo da Operação Compliance Zero. A investigação apura a suspeita de que ele tenha articulado o “Projeto DV”, voltado à contratação de influenciadores para questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master.
Conversa ocorreu durante operações investigadas no Caso Master A data das mensagens chamou a atenção dos investigadores porque, em dezembro de 2024, o Banco Master já realizava operações com o Banco de Brasília (BRB) que posteriormente entraram na mira da Polícia Federal e do Banco Central.
Relatório do BC divulgado posteriormente apontou que o BRB adquiriu R$ 33,9 bilhões em ativos ligados ao Master, entre carteiras de crédito consignado, empréstimos e títulos. A PF identificou indícios de gestão fraudulenta em 25 operações que somaram R$ 17,5 bilhões.
Parte dos ativos teria origem em carteiras cuja existência ou consistência financeira passou a ser questionada pelos investigadores. O prejuízo potencial calculado para o banco público chegou a R$ 11,4 bilhões. As instituições e os investigados contestam irregularidades em diferentes partes do caso.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de gestão fraudulenta, emissão de títulos de crédito falsos e atuação de uma organização criminosa. Foi nesse contexto que a PF apreendeu o celular de Vorcaro e passou a analisar mensagens, áudios, documentos e registros de encontros mantidos pelo banqueiro com empresários, políticos e autoridades. O teor da conversa com Carneiro não esclarece por que Vorcaro acreditava que a divulgação da possível reunião poderia “acabar” com ele.
Financiamento de filme ampliou suspeitas sobre proximidade Outros elementos encontrados posteriormente pelos investigadores, porém, reforçaram as apurações sobre a relação de Vorcaro com integrantes da família Bolsonaro. Flávio admitiu ter pedido ao banqueiro recursos para financiar “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do pai.
Segundo documentos da investigação, o projeto teria solicitado mais de R$ 130 milhões. Cerca de R$ 60 milhões teriam sido repassados para a produção do filme. A PF ainda apura o destino dos valores e eventuais irregularidades na captação e na movimentação do dinheiro.
Uma entidade ligada à produtora também recebeu cerca de R$ 6,2 milhões provenientes de verbas públicas, mas a apuração não havia identificado a destinação integral dos recursos. A defesa da produtora nega irregularidades e afirma colaborar com as autoridades.
*DCM
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A vacina Covaxin que revelou o porão do governo Bolsonaro
O escândalo da Covaxin foi um daqueles episódios que, por si só, deveriam ter sido suficientes para marcar para sempre a história de um governo. Enquanto o Brasil enterrava seus mortos pela Covid-19, enquanto famílias desesperadas procuravam oxigênio, leitos e vacinas, nos subterrâneos do governo Bolsonaro se desenrolava uma operação bilionária cercada de pressões, inconsistências documentais, intermediários suspeitos e perguntas que até hoje não podem ser tratadas como mero detalhe burocrático.
Foi a CPI da Covid que abriu a porta desse porão.
E o que apareceu não foi bonito.
O governo havia contratado 20 milhões de doses da Covaxin por aproximadamente R$ 1,6 bilhão, em um negócio que passou a despertar uma sucessão de suspeitas. O processo avançou em velocidade incomum, apesar dos obstáculos e inconsistências apontados por servidores do próprio Ministério da Saúde. Havia problemas nos documentos, questionamentos sobre o pagamento e uma tentativa de envolver uma empresa que não constava originalmente do contrato.
O mais impressionante, porém, estava em outro lugar.
O presidente da República foi avisado.
Os irmãos Luís Miranda e Luís Ricardo Miranda levaram ao conhecimento de Jair Bolsonaro as suspeitas relacionadas à operação. Luís Ricardo, servidor do Ministério da Saúde, havia identificado problemas na documentação e relatado pressão para dar andamento ao negócio.
A partir daí, o escândalo ganhou uma dimensão política explosiva.
Porque, se o presidente da República recebe informações sobre possíveis irregularidades em uma contratação bilionária de vacinas e, em vez de determinar imediatamente uma investigação, deixa o episódio seguir seu curso, surge uma pergunta inevitável: quem estava sendo protegido?
A CPI foi atrás dessa resposta.
E encontrou uma história ainda mais incômoda.
A operação envolvia a Precisa Medicamentos, intermediária da negociação, e documentos que apresentavam inconsistências. Um dos pontos mais graves era a previsão de pagamento a uma empresa chamada Madison Biotech, sediada em Singapura, que não aparecia como contratada no negócio original.
Em qualquer administração minimamente comprometida com o dinheiro público, uma sucessão de sinais dessa natureza deveria acender todas as luzes vermelhas.
No governo Bolsonaro, as luzes precisaram ser acesas por uma CPI do Congresso.
Essa é talvez a dimensão mais importante do caso.
A Covaxin não foi apenas uma história sobre uma vacina que acabou não sendo aplicada. Foi uma história sobre como o poder público negociava bilhões de reais durante uma emergência sanitária e sobre o que acontecia quando servidores levantavam dúvidas sobre a operação.
E há algo particularmente repugnante no contraste.
De um lado, o governo Bolsonaro tratava a vacinação com uma mistura de negligência, sabotagem política e desinformação. De outro, quando surgia uma oportunidade de contratar uma vacina por bilhões de reais, apareciam pressa, pressão e uma cadeia de acontecimentos que despertou suspeitas no próprio Ministério da Saúde.
A CPI fez aquilo que as instituições do Executivo deveriam ter feito desde o primeiro alerta: perguntou, confrontou documentos, ouviu servidores, rastreou responsabilidades e colocou o negócio sob os holofotes.
O contrato acabou suspenso e posteriormente cancelado.
Mas o cancelamento não apaga o escândalo.
Ao contrário.
Ele torna ainda mais necessário perguntar por que uma contratação cercada de tantos sinais de alerta chegou tão longe.
A Covaxin entrou para a história da pandemia brasileira como um símbolo do que acontecia quando interesses políticos, negócios privados e dinheiro público se encontravam no pior momento possível: quando milhares de brasileiros estavam morrendo e cada dia de atraso na vacinação custava vidas.
A CPI da Covid teve muitos episódios, mas o caso Covaxin ocupa um lugar especial porque desmontou uma das narrativas centrais do bolsonarismo: a de que o governo seria simplesmente vítima de uma perseguição política.
Não era perseguição.
Era investigação.
E investigação existe justamente para fazer aquilo que governos acuados detestam: colocar documentos sobre a mesa, reconstruir os caminhos do dinheiro, confrontar versões e perguntar quem sabia o quê — e quando sabia.
No caso Covaxin, a pergunta permanece brutalmente simples:
se o presidente foi alertado sobre possíveis irregularidades em uma operação bilionária de compra de vacinas, por que a investigação não partiu imediatamente do Palácio do Planalto?
Foi preciso uma CPI para fazer essa pergunta em voz alta.
E talvez seja esse o maior legado do escândalo: a Covaxin mostrou que, durante a tragédia da Covid-19, havia muito mais acontecendo dentro do governo Bolsonaro do que aquilo que aparecia nas coletivas e nas redes sociais.
Enquanto o país contava mortos, a CPI contou documentos.
Enquanto o governo tentava controlar a narrativa, a comissão desmontava versões.
E enquanto Bolsonaro procurava se apresentar como alguém que nada sabia, a Covaxin deixou uma pergunta política impossível de esconder:
O que exatamente o presidente sabia — e por que, diante dos alertas que recebeu, não fez aquilo que qualquer presidente deveria fazer quando suspeita de uma fraude bilionária: mandar investigar?
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Planalto teme ofensiva internacional de desinformação para interferir na disputa presidencial
A existência de uma rede internacional de extrema direita com atuação em diferentes eleições acendeu um alerta no Palácio do Planalto sobre o risco de uma ofensiva de desinformação se tornar um dos principais instrumentos de ingerência externa na eleição brasileira de outubro.
Fernando Cerimedo, estrategista argentino que atuou para desacreditar as eleições brasileiras de 2022, trabalhou recentemente em Honduras com apoio de operadores ligados a Donald Trump e mantém relação próxima com Eduardo Bolsonaro.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também foi escolhido pelo ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli, como interlocutor para receber e divulgar no Brasil informações produzidas pelo governo israelense.
Para integrantes do alto escalão do governo brasileiro, as conexões entre esses atores e o papel das plataformas digitais estão hoje entre os principais riscos de uma eventual ação coordenada para favorecer Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
As relações colocam Eduardo no centro de articulações que atravessam Brasil, Argentina, Honduras, Estados Unidos e Israel. Parte desses mesmos países aparece no chamado Hondurasgate, caso baseado em 37 áudios atribuídos ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández sobre operações internacionais de influência política.
De Eduardo Bolsonaro à eleição de Honduras Cerimedo ganhou projeção no Brasil depois da eleição presidencial de 2022, quando realizou a transmissão “Brasil fue robado”. Utilizando dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levantou suspeitas sobre diferentes modelos de urnas e questionou o resultado da disputa vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.
A apresentação foi incorporada pelo bolsonarismo à ofensiva contra a confiabilidade do sistema eleitoral. A atuação do argentino acabou analisada nas investigações sobre a tentativa de golpe, embora a Procuradoria-Geral da República não tenha encontrado elementos suficientes para denunciá-lo por participação no plano de ruptura institucional.
Quatro anos depois, Cerimedo continua próximo da família Bolsonaro. Em evento realizado neste ano, Eduardo levou o argentino ao palco e defendeu sua atuação em 2022. Disse que Cerimedo teve “coragem” ao denunciar supostas irregularidades e afirmou que o trabalho havia sido produzido a partir de dados do próprio TSE.
Na mesma ocasião, Cerimedo contou detalhes de sua participação em outra campanha: a eleição de Honduras. O argentino afirmou ter trabalhado com Andy Rivas, apresentado como amigo e sócio, para o grupo político de Nasry “Tito” Asfura. Comemorou o resultado como uma vitória contra o grupo da família do ex-presidente Manuel Zelaya e relatou uma campanha marcada por forte tensão política.
Ao falar sobre sua atuação latino-americana, Cerimedo agradeceu a Brad Parscale, ex-chefe da campanha digital de Trump. Segundo o argentino, Parscale forneceu tecnologia e equipe para suas operações políticas na região.
Cerimedo também participou dos esforços de aproximação entre Asfura e Trump. Nessa articulação aparece Dick Morris, consultor político americano que ganhou projeção como estrategista de Bill Clinton nos anos 1990 e depois rompeu com o Partido Democrata, tornando-se aliado de Trump e uma voz influente da direita americana.
Morris atuou como intermediário entre a campanha de Asfura e o entorno de Trump. Sua participação ajudou a aproximar o candidato hondurenho de operadores trumpistas nos Estados Unidos e a apresentar sua candidatura como parte de uma disputa regional contra a esquerda latino-americana.
A presença do consultor ajuda a dimensionar a rede formada em torno da campanha hondurenha: um operador com experiência na Casa Branca e trânsito na política americana atuando na conexão entre Asfura e o trumpismo.
O percurso também mostra a dimensão adquirida pela atuação de Cerimedo. Depois de participar da ofensiva para colocar sob suspeita as eleições brasileiras, o argentino passou por outra disputa eleitoral latino-americana conectado a operadores da direita americana.
Presidente de Honduras Juan Orlando Hernández
Hondurasgate cita Argentina, EUA e Israel É nesse cenário que aparece o chamado Hondurasgate. O caso envolve 37 gravações atribuídas ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández. Os áudios descrevem supostas operações de articulação política e comunicação envolvendo personagens de Honduras, Estados Unidos, Argentina e Israel.
Entre as alegações está a participação de atores ligados ao governo de Javier Milei. As gravações atribuem ao entorno argentino cerca de US$ 350 mil destinados a uma estrutura de comunicação instalada nos Estados Unidos, que teria entre seus alvos os governos de Claudia Sheinbaum, no México, e Gustavo Petro, na Colômbia.
Israel também aparece no material. Uma das alegações atribui ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu participação em articulações relacionadas ao benefício concedido por Trump a Juan Orlando Hernández.
Os áudios ainda dependem de autenticação independente, e Cerimedo não aparece comprovadamente como integrante da operação relatada nas gravações. O argentino rejeitou publicamente o Hondurasgate.
Sua presença na política hondurenha, porém, é conhecida, assim como suas relações com personagens da política argentina, com Eduardo Bolsonaro e com operadores americanos ligados a Trump.
Israel, por sua vez, também mantém uma conexão direta e documentada com o entorno bolsonarista no Brasil.
Ministro de Israel acionou Eduardo no Brasil Em janeiro de 2025, o militar israelense Yuval Vagdani estava no Brasil quando a Fundação Hind Rajab (HRF) tentou responsabilizá-lo judicialmente por supostos crimes cometidos durante a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.
O episódio provocou reação do governo de Israel. Vagdani deixou o Brasil e, em 5 de janeiro, Eduardo Bolsonaro tornou público que havia conversado com Amichai Chikli, ministro de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo.
Eduardo disse ter recebido informações sobre a Fundação Hind Rajab. Poucas semanas depois, o próprio Chikli confirmou como a articulação havia ocorrido.
O ministro afirmou que Israel trabalhou com “amigos na oposição brasileira” e entregou informações sobre a fundação a Eduardo para que ele ajudasse a expor a organização no Brasil. O ex-deputado divulgou o material.
O ministério israelense buscava associar integrantes da fundação ao Hezbollah e ao Hamas. Chikli também atacou diretamente Lula e classificou o presidente brasileiro como “apoiador do Hamas”.
A operação foi além da proximidade política mantida há anos pela família Bolsonaro com o governo de Benjamin Netanyahu. Um ministro israelense procurou diretamente um integrante da oposição brasileira, forneceu informações produzidas no interesse de seu governo e pediu ajuda para colocá-las no debate público brasileiro.
O episódio ocorreu antes de Eduardo voltar a aparecer publicamente ao lado de Cerimedo, desta vez exaltando justamente o argentino que havia atuado no Brasil, passado por Honduras e construído relações com operadores da direita americana.
As conexões não surgem de uma única organização nem precisam ser apresentadas dessa maneira. Elas revelam um movimento mais amplo: personagens do bolsonarismo passaram a atuar como interlocutores brasileiros de uma rede internacional da direita que circula entre campanhas eleitorais, governos e operações de comunicação.
Nesse circuito, Eduardo Bolsonaro deixou de ser apenas um aliado político. Tornou-se um dos pontos de contato no Brasil.
O Ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli (Reprodução de vídeo)
Planalto teme ofensiva digital na reta final Se o governo brasileiro considera que a ingerência internacional já é uma realidade na eleição desde 2025, integrantes do Planalto tentam agora antecipar por onde poderiam vir os próximos movimentos de uma eventual estratégia de desestabilização.
A principal preocupação é que o instrumento utilizado seja o impulsionamento de desinformação a partir do exterior, com a possibilidade de plataformas digitais atuarem de maneira pouco transparente para influenciar a opinião pública brasileira.
A operação poderia repetir elementos observados recentemente na eleição de Honduras, onde Cerimedo teve papel relevante. A avaliação no Palácio do Planalto é de que, apesar da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de opinião, o pleito continua acirrado e uma operação de manipulação digital poderia movimentar votos suficientes para transformar a reta final da eleição em um dos momentos de maior tensão política do país nas últimas décadas.
Integrantes do governo ainda pretendem estudar os casos das vitórias de aliados de Trump em Honduras e na Colômbia, marcadas, segundo essa avaliação, por intensa circulação de narrativas originadas fora desses países. Um dos fenômenos observados nesses pleitos foi a proliferação de conteúdos produzidos com inteligência artificial e deepfakes.
Uma das estratégias consideradas possíveis seria o impulsionamento de desinformação por meio de perfis falsos criados no exterior. A preocupação é que uma ofensiva concentrada nos últimos dias da campanha possa provocar mudanças abruptas na opinião pública quando já não houver tempo suficiente para identificar sua origem, investigar os responsáveis e neutralizar seus efeitos antes da votação.
O eventual envolvimento das plataformas também entra no cálculo do governo pelo impacto que uma reeleição de Lula poderia produzir sobre o setor. A avaliação no Planalto é de que as big techs estariam entre os atores mais afetados por um quarto mandato do petista, diante da possibilidade de o governo avançar na regulamentação das redes digitais.
Um possível retorno do ativismo político de Elon Musk também é monitorado, principalmente diante de seu histórico de intervenções no debate político de diferentes países às vésperas de eleições.
A preocupação central é justamente o tempo. Uma ofensiva realizada nos últimos dias antes da votação poderia alcançar milhões de eleitores e produzir efeitos políticos antes que autoridades brasileiras conseguissem determinar de onde partiu, quem a financiou e quais atores participaram de sua disseminação.
*Cleber Lourenço e Jamil Chade/ICL
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Bolsonaro não é corrupto, dizem os bolsonaristas. A frase é repetida como um mantra, como se a repetição pudesse apagar fatos, investigações, movimentações patrimoniais e perguntas que permanecem sem respostas convincentes. Mas há uma questão elementar que continua de pé: dinheiro não nasce em árvore — e mansões, muito menos.
O patrimônio do clã Bolsonaro acumulou, ao longo de décadas, uma quantidade impressionante de imóveis. Levantamento do UOL apontou que Jair Bolsonaro e familiares negociaram 107 imóveis e que pelo menos 51 deles foram adquiridos total ou parcialmente com dinheiro em espécie, em transações que somaram R$ 13,5 milhões à época — cerca de R$ 25,6 milhões em valores corrigidos. Pelo menos 25 desses imóveis chegaram a ser objeto de investigações.
Isso, por si só, não autoriza afirmar que cada imóvel tenha origem criminosa. Mas também não permite tratar o assunto como uma simples fofoca política. Quando uma família de políticos acumula patrimônio imobiliário dessa dimensão e utiliza dinheiro vivo em tantas operações, a sociedade tem todo o direito de perguntar de onde veio o dinheiro.
E a pergunta permanece ainda mais atual. Flávio Bolsonaro declarou ao TSE, em 2026, patrimônio de R$ 8,18 milhões, incluindo uma casa de R$ 6,2 milhões em um condomínio de luxo no Lago Sul, em Brasília. Em 2018, havia declarado R$ 1,74 milhão; considerando a série patrimonial corrigida pela inflação utilizada pela Folha, o crescimento desde sua eleição para o Senado foi de 211%.
A resposta bolsonarista costuma ser previsível: tudo é perseguição, tudo é invenção, tudo é “narrativa”. Só há um problema: patrimônio não é narrativa. Escritura não é narrativa. Declaração ao TSE não é narrativa. Registro de imóvel não é narrativa. Dinheiro vivo em transações imobiliárias também não é narrativa.
Se os recursos são absolutamente legítimos, ótimo. Que sejam apresentados os documentos, as fontes de renda, os contratos, os comprovantes e a origem de cada centavo. É assim que funciona uma democracia minimamente séria.
O que não é aceitável é transformar qualquer questionamento sobre enriquecimento patrimonial em perseguição política e, ao mesmo tempo, exigir que os brasileiros acreditem simplesmente na palavra dos envolvidos.
A ironia é que o bolsonarismo construiu sua identidade política justamente sobre o discurso da “moralidade”, da “família” e do combate à corrupção. Durante anos, seus líderes apontaram o dedo para adversários e fizeram da corrupção uma arma eleitoral. Agora, quando as perguntas chegam ao próprio campo, querem substituir investigação por fé.
Não basta dizer “não sou corrupto”. É preciso explicar o patrimônio.
Porque mansões não dão em árvore. Milhões não brotam do chão. E, quando há patrimônio milionário, dinheiro vivo e uma sucessão de negócios imobiliários cercados de questionamentos, a pergunta mais honesta não é “quem está perseguindo Bolsonaro?”.
É outra:
de onde veio o dinheiro?
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