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Tarcísio e aliados entram na mira da Justiça Eleitoral após ato em igreja. Risco de inelegibilidade

A campanha de Tarcísio de Freitas começa a enfrentar um problema que pode ultrapassar o terreno político e chegar ao coração da disputa eleitoral: o uso de um templo religioso em um ato realizado justamente no início da campanha.

A Associação Movimento Brasil Laico acionou o Ministério Público Eleitoral de São Paulo e pediu a investigação de Tarcísio, candidato à reeleição, e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado. A entidade pede a cassação dos registros e a inelegibilidade por oito anos dos envolvidos.

O episódio ocorreu em 17 de agosto, na Assembleia de Deus Ministério do Belém, na zona leste de São Paulo, diante de aproximadamente 2.500 pessoas. Tarcísio leu uma passagem bíblica, pediu orações para que “Deus abra os caminhos” e participou de uma reunião de obreiros ao lado dos candidatos ao Senado. Derrite também discursou no evento.

Para a associação, porém, não se trata simplesmente de um político participando de um culto. A representação sustenta que a estrutura e a visibilidade proporcionadas pelo templo teriam sido utilizadas em benefício eleitoral da chapa, configurando possível propaganda irregular em bem de uso comum, doação estimável em dinheiro e abuso de poder político e econômico.

E é justamente aí que a denúncia ganha peso. A questão não é impedir a liberdade religiosa nem proibir candidatos de professarem sua fé. O problema apontado pela entidade é a utilização da estrutura de uma igreja como ambiente de promoção política durante uma campanha eleitoral.

A legislação eleitoral estabelece restrições específicas à propaganda em templos religiosos. A própria Lei Complementar nº 64 prevê inelegibilidade de oito anos em determinadas hipóteses de abuso do poder econômico ou político quando reconhecidas pela Justiça Eleitoral.

Agora, caberá ao Ministério Público Eleitoral e, posteriormente, à Justiça Eleitoral avaliar se o episódio ultrapassou os limites de uma participação religiosa e se houve efetivamente vantagem eleitoral indevida.

O caso também expõe uma questão maior: até onde pode ir a mistura entre religião e campanha eleitoral sem comprometer a igualdade de condições entre os candidatos?

Se um templo, com milhares de fiéis e toda a sua estrutura de influência, passa a funcionar como palco de uma candidatura, o debate deixa de ser apenas religioso. Torna-se eleitoral, jurídico e democrático.

A representação não significa que Tarcísio ou os candidatos ao Senado já estejam inelegíveis. Trata-se, neste momento, de um pedido de investigação e de aplicação de sanções. Mas o episódio coloca a campanha governista diante de uma cobrança incômoda: a fé pode ser livre, mas a estrutura religiosa não pode se transformar em atalho para obter vantagem eleitoral.


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Quando a direita não tem projeto, sobra somente o sobrenome Bolsonaro

A direita brasileira chega às eleições de 2026 diante de um problema que vai muito além da disputa entre nomes, falta-lhe um projeto de país capaz de existir sem a sombra de Jair Bolsonaro.

Em vez de apresentar uma visão consistente para o Brasil com respostas para educação, saúde, desigualdade, desenvolvimento, ciência, soberania, segurança e geração de empregos, boa parte de seus candidatos parece ter escolhido um caminho mais fácil: transformar-se em diferentes versões do mesmo produto. Muda a embalagem, mas o conteúdo continua sendo Bolsonaro.

É o que ajuda a explicar o fenômeno “sabor Bolsonaro”: candidatos que tentam parecer mais moderados, mais técnicos ou mais palatáveis ao eleitorado, mas que continuam recorrendo ao mesmo repertório político, às mesmas alianças e, sobretudo, ao mesmo padrinho.

Tarcísio de Freitas talvez seja o exemplo mais eloquente. O governador de São Paulo chegou a ser tratado por setores da direita como uma alternativa capaz de superar o bolsonarismo sem romper com sua base. Mas, na prática, sua trajetória eleitoral mostra o tamanho da dependência. Tarcísio declarou apoio a Flávio Bolsonaro e afirmou que sua lealdade a Jair Bolsonaro era “inegociável”.

Ou seja: quando chega a hora de escolher entre construir uma identidade política própria e preservar o vínculo com o bolsonarismo, a direita frequentemente escolhe o segundo caminho.

E isso diz muito.

Um projeto de país não pode ser reduzido a privatizações, cortes de gastos, discursos sobre segurança ou ataques permanentes ao adversário político. Muito menos pode depender da capacidade de um sobrenome mobilizar ressentimentos, medos e paixões eleitorais.

O mais revelador é que até levantamentos sobre a própria direita apontam a ausência de uma liderança hegemônica e de um projeto único e coeso para 2026.

Enquanto isso, o campo conservador se fragmenta entre Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Renan Santos e outros nomes, numa disputa que muitas vezes parece menos preocupada em explicar que Brasil pretende construir e mais interessada em descobrir quem será o legítimo herdeiro de Bolsonaro.

Tarcísio, que poderia ter tentado representar uma ruptura, acabou demonstrando justamente o contrário: sua força eleitoral não elimina a dependência do bolsonarismo. E a própria campanha paulista continua sendo atravessada pela nacionalização da disputa e pela associação do governador ao ex-presidente.

É aí que está o problema central da direita brasileira: ela parece ter confundido projeto de poder com projeto de país.

Um projeto de poder precisa apenas vencer a eleição. Um projeto de país precisa dizer o que será feito depois dela.

Precisa explicar como o Brasil crescerá, como reduzirá suas desigualdades, como enfrentará o crime organizado sem transformar segurança pública em espetáculo, como ampliará oportunidades, como fortalecerá sua indústria, como investirá em educação e ciência e qual será seu papel no mundo.

Quando essas respostas não aparecem, sobra o marketing. E, quando falta até o marketing, sobra Bolsonaro.

Por isso, tantos candidatos de direita acabam se transformando em “sabor Bolsonaro”: uns mais moderados, outros mais agressivos; uns com discurso técnico, outros com discurso populista; uns tentando agradar o mercado, outros disputando a militância radical.

Mas, no fundo, todos orbitando o mesmo centro de gravidade.

E talvez essa seja a maior fragilidade da direita para 2026: depois de tantos anos falando em “nova política”, ainda não conseguiu apresentar uma nova ideia de Brasil.

Tarcísio que o diga.


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Política

O mesmo Tarcísio de Freitas, que é formado em engenharia pelo IME, como governador, diz que diploma não vale nada

O diploma vale menos — menos para quem?

Há algo de profundamente contraditório na fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao afirmar que “o diploma cada vez tem menos relevância”. A declaração foi feita em novembro de 2025, durante um evento sobre a expansão do ensino médio técnico, quando ele defendeu a ideia de que o mercado estaria mais interessado nas habilidades do trabalhador do que no lugar onde ele se formou.

O problema é que o autor dessa tese não chegou ao cargo que ocupa ignorando a importância da formação acadêmica. Muito pelo contrário.

Tarcísio é formado em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), uma das instituições de ensino de engenharia mais tradicionais e rigorosas do país. O próprio Ministério dos Transportes já registrou a importância que ele atribuía à formação recebida no IME, descrevendo-a como uma verdadeira “caixa de ferramentas” para enfrentar problemas profissionais.

E aqui está a contradição que merece ser exposta: se o diploma vale tão pouco, por que a formação de Tarcísio no IME é apresentada como credencial para demonstrar sua capacidade técnica?

Ninguém está dizendo que um diploma, sozinho, transforma alguém em um profissional competente. Evidentemente, experiência, capacidade de comunicação, criatividade e conhecimento prático também são fundamentais. O problema começa quando essa constatação é transformada em argumento para diminuir a importância da universidade e da educação formal.

Porque os dados não sustentam a ideia de que estudar perdeu relevância. Segundo dados da OCDE citados à época da declaração, brasileiros de 25 a 64 anos com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aqueles que têm apenas o ensino médio. Além disso, a própria OCDE aponta que a formação superior aumenta as chances de emprego e de melhores salários.

Portanto, dizer a um jovem que o diploma “vale cada vez menos” pode ser uma mensagem especialmente perigosa em um país onde a educação ainda é uma das principais portas de ascensão social.

E existe uma ironia adicional: Tarcísio não é um exemplo de alguém que chegou onde chegou apesar da formação acadêmica. Sua trajetória é, justamente, um exemplo de como uma formação altamente qualificada pode abrir portas.

O IME não é um detalhe biográfico. É parte importante da construção da imagem de Tarcísio como gestor técnico. O próprio instituto define sua missão como a formação superior em Engenharia e a produção de conhecimento científico e tecnológico.

Por isso, a pergunta que fica é simples: o diploma perdeu valor ou é conveniente dizer que ele perdeu valor quando se fala com os filhos dos outros?

Para quem teve acesso a uma formação de excelência, o diploma pode ser apresentado como consequência de esforço, competência e preparo. Para quem ainda luta para chegar à universidade, porém, a mensagem parece ser outra: não precisa estudar tanto, não precisa chegar ao ensino superior, basta desenvolver algumas “habilidades” e deixar que o mercado resolva.

Não deveria ser assim.

O papel de um governante deveria ser ampliar oportunidades, fortalecer a escola pública, democratizar o acesso às universidades e garantir que jovens pobres também possam conquistar os mesmos diplomas que ajudaram a construir as carreiras das elites brasileiras.

Desvalorizar o diploma não democratiza o conhecimento. Democratizar o conhecimento é garantir que todos possam conquistá-lo.

Tarcísio tem todo o direito de defender o ensino técnico. O que não faz sentido é transformar a valorização do ensino técnico em uma espécie de contraponto à universidade — muito menos sugerir que a formação superior esteja se tornando irrelevante justamente em um país que ainda possui uma parcela relativamente pequena de adultos com diploma universitário.

No fim, a frase do governador pode ser resumida em uma pergunta incômoda: se o diploma não vale tanto, por que justamente o diploma do IME continua sendo tão importante para contar a história de Tarcísio de Freitas?

A resposta talvez seja mais reveladora do que a própria declaração.


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De Tarcísio de Freitas para Claudio Castro: ‘Eu sou você amanhã’

Tarcísio está para São Paulo como Cláudio Castro está para o Rio de Janeiro

Há uma tentativa permanente de apresentar Tarcísio de Freitas como um gestor técnico, moderado e distante dos excessos do bolsonarismo. Mas basta observar sua trajetória política e a forma como governa São Paulo para perceber que essa narrativa não resiste aos fatos. Tarcísio está para São Paulo assim como Cláudio Castro está para o Rio de Janeiro: ambos são produtos políticos de Jair Bolsonaro e governam sob a mesma lógica de subordinação ao projeto bolsonarista.

Os dois chegaram ao poder impulsionados pelo capital político do ex-presidente, construíram suas carreiras ancorados na mesma base eleitoral e compartilham prioridades semelhantes. Em vez de representar uma ruptura com o bolsonarismo, funcionam como suas principais vitrines administrativas nos dois estados mais relevantes do país.

No Rio de Janeiro, Cláudio Castro acumulou crises políticas, denúncias envolvendo aliados, dificuldades na segurança pública e uma gestão frequentemente marcada por investigações sobre contratos e pelo desgaste institucional. Ainda assim, manteve sua fidelidade ao núcleo bolsonarista, transformando o Palácio Guanabara em uma extensão do projeto político da extrema direita.

Em São Paulo, Tarcísio procura cultivar uma imagem mais sofisticada, mas suas decisões revelam a mesma orientação ideológica. O governador confronta políticas ambientais, flexibiliza mecanismos de proteção, adota um discurso de enfrentamento contra adversários políticos e frequentemente se alinha às pautas defendidas por Bolsonaro. Mesmo quando busca dialogar com setores do mercado ou do empresariado, evita romper com a base que o elegeu.

A principal diferença entre ambos está na embalagem, não no conteúdo. Castro tem um forma de governar mais explícita, enquanto Tarcísio investe na construção de uma aparência de moderação. Um prefere o confronto direto; o outro administra a própria imagem com maior cuidado. Mas, no momento das decisões políticas relevantes, ambos convergem para o mesmo campo.

Essa estratégia de distinguir Tarcísio do bolsonarismo interessa tanto aos seus apoiadores quanto a setores que desejam apresentá-lo como uma alternativa eleitoral mais palatável. Entretanto, separar o governador paulista de Bolsonaro exige ignorar sua origem política, suas alianças e a coerência de suas escolhas desde que assumiu o governo.

Em essência, Tarcísio e Cláudio Castro representam duas versões de um mesmo projeto: um bolsonarismo adaptado às características de cada estado, mas comprometido com os mesmos valores, os mesmos aliados e a mesma visão de poder. A diferença entre eles está menos na direção que seguem do que na forma como se apresentam ao eleitorado.

Ou seja, Tarcísio representa o efeito orloff de São Paulo em relação ao Rio de Janeiro, eu sou você amanhã.

Isso significa dizer que toda a bandalha que virou a política no Rio de Janeiro com crime organizado, milícia, misturados com a Alerj e governo Claudio Castro, já se repete em São Paulo com o escândalo do envolvimento dos coronéis que comandam a Segurança Pública de Tarcísio.


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Estadão revela presença do PCC na PM de Tarcísio de Freitas

Estadão expõe infiltração do PCC na PM e amplia pressão sobre Tarcísio

A revelação publicada pelo Estadão de que investigações apontam a atuação de núcleos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro da Polícia Militar de São Paulo coloca o governo Tarcísio de Freitas diante de uma das mais graves crises de segurança pública de sua gestão. Segundo as apurações, policiais militares são suspeitos de integrar uma estrutura que prestava serviços à facção criminosa, incluindo vazamento de informações, proteção de interesses do grupo e participação em execuções.

O caso reforça o alerta de que o principal desafio da segurança pública paulista deixou de ser apenas o enfrentamento do crime organizado nas ruas. A suspeita de infiltração em setores da própria corporação indica que o PCC pode ter encontrado espaço para operar a partir de agentes encarregados justamente de combatê-lo.

As investigações ganharam força após o assassinato do empresário e delator Antônio Vinicius Gritzbach, morto no Aeroporto de Guarulhos, episódio que desencadeou uma série de operações contra policiais suspeitos de manter vínculos com a organização criminosa. As apurações apontam a existência de grupos especializados em fornecer informações privilegiadas ao PCC e em executar ações de interesse da facção.

A repercussão do caso aumenta a pressão sobre o governador Tarcísio de Freitas e sua política de segurança. O episódio alimenta questionamentos sobre os mecanismos de controle interno da corporação e sobre a capacidade do Estado de impedir que organizações criminosas se infiltrem em instituições responsáveis por garantir a ordem pública.

Embora as investigações estejam em andamento e as responsabilidades individuais ainda dependam de conclusão judicial, a gravidade das suspeitas evidencia um problema institucional que desafia diretamente o governo paulista e exige respostas consistentes para restaurar a confiança na Polícia Militar.


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As relações nada celestiais entre Tarcisio de Freitas e Edir Macedo

A expressão “relações nada celestiais” ganhou força após a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, que revelou uma profunda teia político-institucional e financeira entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o império do bispo Edir Macedo.

O elo central envolve favorecimentos e graves suspeitas envolvendo o Banco Digimais. Os principais pontos que escancaram essa simbiose incluem:

O Resgate do Banco: Em crise e sob suspeita de inflar balanços com “créditos podres” e fraudes, o Banco Digimais encontrou sua boia de salvação no governo paulista. A gestão Tarcísio abriu espaço para a instituição explorar o crédito consignado da Polícia Militar, gerando forte oposição política.Influência Institucional:

Filiado ao Republicanos — sigla umbilicalmente ligada à Igreja Universal —, Tarcísio expandiu a presença da denominação em áreas sensíveis do Estado. A IURD assumiu a qualificação profissional de detentos no sistema prisional e mantém forte influência na segurança pública, com concessão de diversas honrarias aos líderes religiosos.

Operação Policial: Investigações da Polícia Federal culminaram no bloqueio de R$ 670 milhões do banco de Edir Macedo, escancarando o que críticos e autoridades compararam a contabilidades fraudulentas e esquemas de maquiagem financeira.

O cruzamento entre a administração pública paulista e a instituição financeira do bispo é alvo de críticas por misturar agenda política, religião e interesses privados.

A própria Polícia Federal e analistas econômicos apontam que o escândalo do Banco Digimais é um espelho do modus operandi do Banco Master, controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

As semelhanças entre os dois casos e o envolvimento da gestão de Tarcísio de Freitas revelam conexões profundas:

1. O “Método Master” de maquiagem financeira: A PF constatou que o banco de Edir Macedo replicou o modelo que levou o Banco Master à liquidação. Ambos os bancos utilizaram manobras contábeis para esconder a insolvência, inflaram ativos com créditos podres e captaram recursos oferecendo taxas de CDB muito acima do mercado para simular solidez. Para completar, o Digimais chegou a comprar carteiras de crédito originadas justamente pelo Master.

2. O elo político com Tarcísio de Freitas: O governo de São Paulo aparece cruzando o caminho de ambos os esquemas:No caso Digimais: Tarcísio deu oxigênio ao banco em crise ao autorizá-lo a operar o crédito consignado da Polícia Militar, garantindo uma fonte bilionária de arrecadação.

No caso Master: A conexão é de financiamento de campanha. O maior doador individual da campanha de Tarcísio ao governo paulista em 2022 foi o advogado Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador de Daniel Vorcaro.

3. A teia com o Ecossistema Religioso: Se Daniel Vorcaro usava uma capilaridade lateral com igrejas (como o caso sob investigação do banco digital Clava Fort, ligado a lideranças da Igreja Batista da Lagoinha), no caso do Banco Digimais a Universal é a própria engrenagem central do negócio.

Enquanto Daniel Vorcaro foi preso e transferido para o presídio da Papudinha, em Brasília, após falhar em fechar uma delação premiada, a Operação Miragem avança sobre o império de Edir Macedo mostrando que a fórmula de misturar finanças agressivas, influência política e apelo institucional seguiu rigorosamente a mesma cartilha.

A afinidade ideológica e o pragmatismo político com o bolsonarismo são, de fato, o cimento que une os projetos de Tarcísio de Freitas e Edir Macedo. Essa aliança não é ideológica por acaso; ela cumpre papéis estratégicos cruciais de sobrevivência e expansão para ambos:

O Papel do Bolsonarismo nessa RelaçãoTarcísio como Herdeiro: O governador de São Paulo foi alçado à política nacional por Jair Bolsonaro. Ele precisa manter o apoio da base bolsonarista e dos setores evangélicos para pavimentar suas ambições presidenciais.

Macedo como Aliado de Primeira Hora: O líder da Igreja Universal e dono da Record TV foi um dos esteios de sustentação midiática e religiosa do governo Bolsonaro. Essa proximidade garantiu à sua denominação trânsito livre no poder federal.

O Republicanos como Elo: O partido controlado pela Universal serve de abrigo político para o próprio Tarcísio e para importantes quadros do bolsonarismo, funcionando como o braço institucional dessa união.

O Pragmatismo Além da Fé: Para além das pautas de costumes e do discurso conservador, a conexão bolsonarista funciona como uma rede de proteção e negócios.

O alinhamento político garante blindagem institucional, acesso a verbas publicitárias estatais e, como visto nos desdobramentos das operações financeiras, a abertura de mercados públicos valiosos para os negócios privados do grupo religioso..


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Alvo da PF, Digimais recebeu aval do governo Tarcísio para consignado da PM

Governo de SP autorizou credenciamento em julho de 2025, quando o banco já era alvo de suspeitas durante crise financeira

O banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, recebeu autorização do governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), para oferecer crédito consignado aos policiais militares do estado mesmo quando já enfrentava dificuldades financeiras. A informação foi revelada pelo portal UOL. Nesta terça-feira (23) o Digimais se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraude financeira.

O credenciamento do Digimais para atuar com empréstimos consignados ao funcionalismo público paulista foi publicado em julho de 2025 pela Diretoria de Folha de Pagamento (DFP), órgão vinculado à Secretaria de Gestão e Governo Digital do Estado. O contrato para operações com a Polícia Militar foi firmado em agosto daquele ano e tem validade até fevereiro de 2030.

A autorização permitiu ao banco acessar um mercado potencial de cerca de 80 mil policiais militares da ativa em São Paulo. O crédito consignado se tornou uma das principais frentes de atuação da instituição financeira. Segundo o balanço mais recente citado pela reportagem, a modalidade representava 33% da carteira de crédito do banco, equivalente a R$ 630,1 milhões.

Crise financeira antecedeu autorização
O credenciamento ocorreu em um momento em que o Digimais já enfrentava desafios financeiros. Conforme mostrou o UOL, Edir Macedo precisou realizar um aporte de R$ 250 milhões na instituição em dezembro do ano passado para atender exigências do Banco Central relacionadas à solidez financeira do banco.

Os números mais recentes apontam deterioração dos resultados. No primeiro trimestre deste ano, o Digimais registrou prejuízo de R$ 108,7 milhões. O desempenho contrasta com o lucro líquido de R$ 31,3 milhões divulgado para 2025. Ainda assim, a própria instituição afirmou em seu balanço que os resultados estavam “consistentes e alinhados à nova diretriz estratégica” adotada pelo banco.

Além do aporte para reforçar o caixa, Macedo também desembolsou R$ 741,3 milhões em uma operação envolvendo a compra de cotas do fundo de investimento Hermon por meio da B.A. Empreendimentos e Participações, empresa que controla o Grupo Record e o próprio Digimais.

Operação Miragem investiga supostas fraudes
A transação envolvendo o fundo Hermon está entre os fatos analisados pela Polícia Federal. Segundo as investigações, a operação teria sido utilizada para inflar artificialmente os ativos da instituição financeira.

Nesta terça-feira, a PF deflagrou a Operação Miragem, que apura suspeitas de fraude na administração do banco. Mais de 50 agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em São Paulo.

A decisão judicial também determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 670,3 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Ligações políticas e partidárias
O movimento envplve a relação histórica entre o Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas, e a Igreja Universal do Reino de Deus. A legenda teve origem em grupos ligados à denominação fundada por Edir Macedo e é presidida nacionalmente por Marcos Pereira, bispo licenciado da igreja.

Prefeitura de São Paulo também autorizou consignado
Além do governo estadual, a Prefeitura de São Paulo também credenciou o Digimais para operações de crédito consignado junto aos servidores municipais.

Segundo o UOL, a autorização foi formalizada em outubro de 2023 por meio de um termo de adesão publicado pela Secretaria Municipal de Gestão, com validade de dois anos. Não há informação sobre eventual renovação após o encerramento desse prazo.

Em dezembro do mesmo ano, o Hospital do Servidor Público Municipal também credenciou o banco para atuar com cartão consignado, cartão de benefícios e empréstimo pessoal com desconto em folha.

Volume de operações despencou
Apesar das autorizações obtidas junto ao governo estadual e à prefeitura paulistana, o desempenho do crédito consignado no Digimais apresentou forte retração nos últimos meses.

De acordo com informações obtidas pelo UOL junto a executivos envolvidos nas negociações para uma eventual venda da instituição, o volume de operações caiu significativamente após o surgimento de notícias sobre a possível alienação do banco. Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que a demanda por empréstimos entre policiais militares e servidores municipais se tornou “baixíssima”, mesmo após a formalização dos convênios com os órgãos públicos. 247.


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Por que Tarcísio de Freitas roeu a corda do bolsonarismo?

Uma aliança política pode se romper por vários motivos e ser desfeita por divergências estratégicas, disputa de espaço ou, como é nitidamente o caso de Tarcísio, mudanças no cenário político.

Nada descreve melhor o debacle do clã Bolsonaro, sobretudo a campanha de Flavio do que a desistência de Tarcísio com seu compromisso firmado diretamente com o chefe dessa falange multicriminosa.

Não é nada ligado à ética, mas sim à movimentação de bastidores da política que envolve complexas teias de interesses e o rompimento se dá rigorosamente na prática.

Na verdade, as revelações envolvendo o filme trash, Dark Horse, que abarca quatro personagens centrais, juntos e misturados, Flavio Bolsonaro, Mario Frias, Vorcaro e Karina da Gama, já é algo suficientemente pesado como fardo para ser carregado em praça pública.

Mas a coisa não para ai. tem um puchadinho de R$ 120 milhões que liga Karina a Ricardo Nunes que faz com que a coisa se torne nitroglicerina pura, principalmente porque a Polícia, comandada por Tarcísio, está indo direto na jugular do prefeito bolsonarista de São Paulo e, por osmose, chegando a Flavio e Mario Frias.

Claro, Tarcísio deve saber de coisas que explodirão que ainda não se sabe, o que se sabe é que, a reclamação de perseguição política alegada por Flavio Bolsonaro e Ricardo Nunes é direcionada a Tarcísio, porque os dois sabem que ele é o maestro dessa orquestra, não o governo federal.

A coisa então pode ter um desenho mais trágico do que se imagina, porque Tarcísio, que também recebeu um qualquer de R$ 2 milhões de Vorcaro, não dá um passo sequer para ir ao banheiro sem a autorização expressa e carimbada pelos caciques da Faria Lima.

As declarações de Tarcísio, de que Flavio tinha muito o que explicar sobre a relação promíscua com o dono do Banco Master e a que deu nesta terça (2), após o anúncio do governo Trump com mais tarifas contra o Brasil, merece nota e acende um alerta sobre os esgarçamento do bolsonarismo diante dos novos fatos.

Tarcísio foi enfático em se posicionar, de forma diametralmente oposta, ao que disse na época das primeiras sanções impostas por Trump com seu tarifaço contra o Brasil, em 2025.

Tarcísio, agora, pontuou críticas, dizendo ser completamente contraditório à nota do governo Trump em retaliação ao Brasil por fatos que os Estados Unidos é quem pratica.

Seja como for, está escancarado o rompimento de Tarcísio com o clã, buscando um afastamento gradual para evitar contaminação da sua imagem pelos escândalos financeiros que envolvem Flavio Bolsonaro.

Logicamente, Tarcísio diz que segue apoiando os Bolsonaro de olho no espólio de Jair.

Afinal, Tarcísio não tem votos, não tem vida própria, depende dos votos bolsonaristas. Em compensação, Flavio precisa do palanque paulista para manter alguma relevânvia na disputa nacional.

Tudo isso, junto, misturado e explodindo publicamente, pode ser uma boa notícia tanto para Lula quanto para Haddad, que disputa com Tarcísio o governo do estado de São Paulo.


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MP analisa representação que liga escândalo do Master à privatização da Sabesp por Tarcísio de Freitas

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) está analisando uma representação protocolada pelo deputado estadual Antônio Donato (PT-SP) que questiona possíveis conexões entre o escândalo do Banco Master (envolvendo Daniel Vorcaro e Nelson Tanure) e as privatizações da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e da Sabesp conduzidas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2024.

Contexto principal da representaçãoDoação de campanha: Fabiano Zettel (cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e pastor ligado à Igreja Lagoinha) doou R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio em 2022 (além de contribuições para Jair Bolsonaro). A representação sugere possível influência nas privatizações posteriores

Privatização da EMAE (abril/2024): Leiloada por cerca de R$ 1,04 bilhão para o Fundo Phoenix (ligado a Nelson Tanure, apontado como sócio oculto do Banco Master). O fundo usou ações da Ambipar (inflacionadas artificialmente segundo apurações da CVM) como lastro.

O Banco Master e estruturas ligadas (como Trustee DTVM) participaram do financiamento. Depois, a ex-líder de fusões e aquisições do Banco Master, Karla Maciel, assumiu como CEO da EMAE.

Privatização da Sabesp (julho/2024): Vendida com Equatorial Energia como principal compradora (leilão com baixa concorrência). Carlos Piani (ex-presidente do conselho da Ambipar e da Equatorial) tornou-se presidente da Sabesp privatizada. Posteriormente, a Sabesp recomprou a EMAE da XP (após execução de dívida do Fundo Phoenix/Tanure). Há relatos de que a EMAE direcionou recursos (ex.: R$ 160 milhões em CDBs do grupo Master/Letsbank)

A denúncia levanta suspeitas de conflito de interesses, possível lesão ao erário (venda abaixo do valor de mercado, manipulação de ativos), improbidade administrativa, crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. O MP remeteu o caso à Promotoria de Patrimônio Público para análise de semelhança com outros procedimentos (sem foro privilegiado para os citados). Até o momento, está em fase inicial de análise, sem decisões ou denúncias formais divulgadas.

Resposta das partes envolvidas, Sabesp e governo de SP:

Afirmam que os processos seguiram regras de transparência, com aprovações de órgãos como Cade e Aneel. Negam conflitos de interesse diretos de Piani (que renunciou à Ambipar antes de assumir a Sabesp) e destacam auditorias independentes. A EMAE também nega irregularidades em decisões judiciais anteriores.
brasildefato.com.br

As investigações sobre o Banco Master (Operações Carbono Oculto, Compliance etc.) envolvem fraudes, lavagem de dinheiro (inclusive supostas ligações com PCC) e estão em andamento na PF, MPF, BC e CVM.


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Política

Cadeirante sem assistência, comida estragada e falta de remédios: Condepe aponta cenário crítico em penitenciária de SP

Em resposta, governo de Tarcísio de Freitas desmente as acusações, mas familiares de presos confirmam péssimas condições

Geladeira de remédios sem medicamentos, presos feridos sem tratamento, comida armazenada em locais sem refrigeração, celas superlotadas, comida feita em ambiente insalubre e um cadeirante entregue aos cuidados dos próprios presos. Esse foi o cenário encontrado por agentes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) em visita à Penitenciária Estadual Joaquim Fonseca Lopes, de Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, administrada pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As fotos, cedidas ao Brasil de Fato com exclusividade, mostram presos com roupas imundas cozinhando as refeições que serão servidas nas unidades. Nas fotos feitas pelo Condepe é possível ver, também, comida armazenada em áreas sem refrigeração. Quilos de linguiça aparecem empilhados em um espaço sem qualquer ventilação.

O presidente do Condepe, Adilson Santiago, que conduziu a visita técnica ao local, afirma que havia vestígio de que parte dos alimentos poderia estar estragada. “Quando chegamos, a situação era aquelas registradas nas imagens. Um local insalubre e péssimo armazenamento da comida, um cheiro horrível. Era terrível, insuportável. É ali que são alimentados os presos.”

Nas imagens, vemos celas precárias, com presos amontoados, com fios que servem para prender duas pias fixas na parede e camas improvisadas no alto das instalações. Em uma das imagens, um homem paraplégico está sendo carregado por outro custodiado, enquanto sua cadeira de rodas estava em outra cela, trancada e isolada.

“Era um cadeirante, a ele faltava fralda, pomada para assadura e estava dentro de uma cela superlotada, que cabiam dez, mas tinha 30 custodiados. Obviamente, você não coloca um cadeirante numa cela comum, ele precisaria ter um tratamento diferente. Eram os presos que cuidavam desse preso”, alerta Santiago.

Nas dependências da Penitenciária Joaquim Fonseca Lopes há uma geladeira na enfermaria. Na porta, um aviso: Medicamentos. Porém, quando os agentes do Condepe abriram a porta, não havia remédios.

“Os medicamentos que vimos eram ínfimos para a população carcerária. Não tem remédio. Nada. Se tiver algo, é um remédio para dor de cabeça, mas os presos não conseguem acessar, são privados”, encerra Santiago, o presidente do Condepe.

Geladeira que deveria armazenar medicamos esta vazia no momento da visita do Condepe

Geladeira que deveria armazenar medicamos estava vazia no momento da visita do Condepe. | Crédito: Condepe

Mortes e insalubridade

A visita técnica do Condepe Penitenciária ASP Joaquim Fonseca Lopes, ocasião em que foram feitas as fotos, aconteceu em junho de 2025. As imagens foram liberadas agora, por ocasião do lançamento do relatório produzido pela entidade para a audiência pública que tratou da precariedade do sistema carcerário paulista, que ocorreu no dia 9 de março de 2026, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo.

O relatório escancara um cenário de “insalubridade” no sistema carcerário, como classifica o Condepe. O documento mostra que um preso morre a cada 19 horas dentro das penitenciárias paulistas. São 4.189 pessoas que morreram sob custódia do Estado nos presídios de São Paulo, entre 2015 e 2023.

O cenário de abandono se confirma principalmente na área da Saúde. Ao todo, 22.814 atendimentos de emergência não foram feitos por falta de escolta policial para acompanhar os presos até a unidade hospitalar.

O relatório foi encaminhado à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) pelo Condepe e o órgão pediu uma audiência com a secretaria para falar sobre a precariedade dos presídios paulistas. Adilson Santiago afirma que o governo de São Paulo tem ignorado todas as tentativas de contato do órgão.

Cadeira de rodas do preso com deficiência física estava trancada em outro espaço da unidade prisional

Cadeira de rodas do preso com deficiência física estava trancada em outro espaço da unidade prisional. | Crédito: Condepe

Confirmação

O Brasil de Fato procurou parentes de pessoas que estão presas na Penitenciária Joaquim Fonseca Lopes para confirmar as informações. Adelaide, que terá seu nome verdadeiro ocultado por receio de que seu filho sofra represálias dentro da unidade, afirma que as condições dentro do presídio seguem as mesmas.

Seu filho está preso desde meados de 2024 e tem sofrido com problemas de saúde, mas ainda não há um diagnóstico. Adelaide afirma que tem sido comum encontrar o filho com febre nas visitas que faz aos finais de semana.

“Os policiais o levavam para a enfermaria, mas lá só tem uma ajudante de enfermagem que media a pressão e o mandava de volta para a cela. A unidade agendou uma consulta por vídeo com um especialista que ele espera desde que entrou no sistema em 2024 e que até hoje não aconteceu”, afirmou Adelaide.

Ainda de acordo com a mãe, há outros casos de negligência, como dois jovens que estão com tuberculose, dividindo a mesma cela com outros presos. “Vi um rapaz que teve um furúnculo no joelho que virou infecção com bicho por negligência e ele acabou perdendo a perna. Outro que colocou pinos e eles estão para fora. Um senhor com câncer na bexiga usando bolsa de colostomia que não é trocada.”

Para tentar driblar a segurança e falta de remédios na unidade, Adelaide afirma tem colocado “antibiótico em uma garrafinha com óleo para tempero de salada, deixo desmanchar e acrescento dipirona para ele ir tomando durante a semana e cessar a febre”.

Um outro familiar, que será chamado de Arnaldo, disse que seu irmão tem tido crises de intoxicação alimentar. “Ele diz que a comida lá sempre cheira muito mal e tem gosto azedo.”

Arnaldo também confirmou que, quando pede remédios, o irmão não tem sucesso. “Eles dizem que vão mandar, mas nunca chega o medicamento que ele precisa e fica dias passando mal na cela. Os guardas dizem que não tem remédio pra ele, que é ‘só Deus na causa dele’.”

Preso com deficiência física é carregado dentro da cela

Preso com deficiência física é carregado dentro da cela. | Crédito: Foto: Condepe

Outro lado

Ao Brasil de Fato, a SAP afirmou que “as imagens foram registradas há quase um ano e não condizem com o contexto atual da Penitenciária de Parelheiros, que passa por reformas. É improcedente a alegação de que presos com deficiência estariam sem acesso a cadeiras de rodas, uma vez que o presídio conta com cela específica adaptada, cadeiras de rodas e outros meios auxiliares necessários”.

Ainda de acordo com a secretaria, “a cozinha da penitenciária passa por reforma para aprimoramento do espaço, com previsão para conclusão em 90 dias. O presídio dispõe de câmaras frias em funcionamento, assegurando a adequada conservação dos alimentos estocados”.

Sobre as condições das roupas dos presos que trabalham na cozinha, a SAP disse que os presos recebem um kit extra de uniforme. Mas a secretaria se isenta de responsabilidade sobre a manutenção da cozinha. “As limpezas da roupa e do local são de responsabilidade do custodiado”, explica a pasta.

Por fim, sobre os alimentos armazenados, a SAP justificou. “A foto que, supostamente, retrata alimentos sem refrigeração é de comidas que chegaram e seriam consumidas no preparo das refeições do dia. Tendo em vista que, na época, a cozinha da unidade preparava a alimentação para três presídios diferentes.

Linguiça e demais alimentos estocados em sala sem ventilação e refrigeração, segundo o Condepe. Presidente do órgão relatou um cheiro “insuportável” no local. | Crédito: Condepe

Preso mostra as condições de sua roupa. Ele integra a equipe que cozinha as refeições servidas na unidade

Preso mostra as condições de sua roupa. Ele integra a equipe que cozinha as refeições servidas na unidade. | Crédito: Condepe

*Brasil de Fato


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