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Bolsonaro de volta à Papudinha? STF decidirá sobre golpista

O prazo da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) termina na quinta-feira (25/6), e o Supremo Tribunal Federal (STF) terá de decidir se mantém a medida ou determina o retorno dele ao sistema prisional.

O ministro Alexandre de Moraes autorizou a domiciliar por 90 dias após Bolsonaro receber alta hospitalar, em março, quando deixou o Hospital DF Star, em Brasília, onde tratou um quadro de broncopneumonia.

Na decisão que liberou a transferência para casa, Moraes citou a recuperação do ex-presidente e escreveu: “O ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de sua saúde, uma vez que, conforme literatura médica, devido às condições mais frágeis do sistema imunológico de idosos, o processo de recuperação total de pneumonia nos dois pulmões, com retorno da força, fôlego e disposição, pode durar entre 45 (quarenta e cinco) e 90 (noventa) dias”.

Com o fim do período fixado, o STF poderá analisar novas informações médicas sobre Bolsonaro. A Corte também poderá determinar perícia, se considerar necessário avaliar o estado de saúde do ex-presidente antes de decidir sobre a continuidade da prisão domiciliar.

Ex-presidente estava na Papudinha antes da transferência
Bolsonaro passou a cumprir a prisão domiciliar em 27 de março. Antes disso, ele cumpria pena em uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha.

O ex-presidente recebeu condenação de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele estava preso desde novembro do ano passado, depois que a Justiça decretou prisão preventiva por descumprimento de medidas cautelares, diz o DCM.

Nos dias que antecedem o fim do prazo da domiciliar, a Polícia Civil do Distrito Federal também apura o caso de uma pistola registrada em nome de Bolsonaro. Policiais encontraram a arma com o soldado do Exército Brasileiro e agente do Gabinete de Segurança Institucional Estácio Leite da Silva Filho durante uma blitz em Taguatinga, no Distrito Federal.

Em depoimento, o policial militar que fez a abordagem relatou que o integrante do GSI disse trabalhar para Bolsonaro e afirmou que a arma pertencia ao ex-presidente. Segundo o agente, ele recebeu o armamento para verificar uma suposta falha mecânica no percussor e devolveria a pistola no dia seguinte.

A PCDF pediu autorização a Alexandre de Moraes para ouvir Bolsonaro por videoconferência nesse procedimento. A defesa afirma que a pistola estava sem condições de uso porque integrantes da equipe de segurança teriam retirado o percussor sem conhecimento do ex-presidente, por receio dos efeitos de medicamentos psiquiátricos usados por ele.


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Eduardo Bolsonaro será julgado no STF, dia 16, por tentar coagir instituições

Deputado cassado do PL-SP procurou chantagear autoridades brasileiras com sanções dos EUA para livrar Jair Bolsonaro de julgamento por tentativa de golpe

O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para o próximo dia 16 o julgamento de ação penal contra o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Trata-se de processo relativo à atuação do ex-parlamentar nos EUA, visando interferir no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe.

O crime que lhe é imputado é o de coação no curso do processo, cuja pena pode variar de um a quatro anos de prisão, tempo que pode ser aumentado conforme análise eventuais agravantes. O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes.

No ano passado, Eduardo foi para os Estados Unidos pleitear, junto a integrantes do governo de Donald Trump, ações contra o Brasil e autoridades em virtude do julgamento de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado. O objetivo era chantagear as instituições brasileiras para que a ação fosse suspensa e o ex-presidente saísse impune, o que não ocorreu.

Leia também: Diretor da PF defende inquérito sobre envio de recursos de Vorcaro aos EUA

A articulação do então parlamentar, juntamente com o jornalista Paulo Figueiredo, configurou grave afronta tanto ao Poder Judiciário quanto à soberania nacional. Na esteira de sua atuação, foram aplicadas sanções ao Brasil como o tarifaço — que causou prejuízos econômicos — e a Lei Magnitsky sobre magistrados, como Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

“O inconformismo do réu materializou-se em atos concretos de hostilidade e promessas (efetivadas) de retaliação internacional, com o objetivo claro de paralisar as persecuções penais em curso, o que preenche integralmente os requisitos do tipo penal imputado”, assinalou a Procuradoria-Geral da República (PGR) em sua denúncia, apresentada em setembro, após relatório da Polícia Federal encaminhado ao órgão em agosto.

As alegações foram aceitas por unanimidade pela Primeira Turma em novembro. Na ocasião, Moraes destacou que “o elemento subjetivo específico evidencia-se, em tese, pelo fato do denunciado pretender criar ambiente de intimidação sobre as autoridades responsáveis pelo julgamento de Jair Messias Bolsonaro”.

Além disso, sustentou que “a grave ameaça materializou-se pela articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos da América, com a aplicação de tarifas de exportação ao Brasil, suspensão de vistos de entrada de diversas autoridades brasileiras nos Estados Unidos da América e a aplicação dos efeitos da Lei Magnitsky a este Ministro Relator”. Vermelho.


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Gilmar Mendes: ‘Crise do Master não é do STF, está na Faria Lima’

Magistrado defende que o inquérito das fake news continue aberto diante do acirramento eleitoral deste ano

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirma que o escândalo do Banco Master foi endereçado indevidamente à corte, argumentando que a crise é sistêmica. O tribunal passou a ser associado ao caso depois da revelação de ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

À Folha, Gilmar diz não querer “isentar de responsabilidade quem tem”, mas avalia que a crise não é do tribunal, apontando o dedo para supostas falhas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e para o Banco Central.

“Isso [a relação de ministros do STF com Vorcaro] certamente está sendo investigado e as autoridades competentes devem fazê-lo, estão fazendo”, diz o ministro.

Gilmar avalia ainda que a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo deveu-se a uma questão “puramente política”, não relacionada ao indicado, e que o governo Lula (PT) falhou na articulação política com o Congresso Nacional.

O ministro também defende a realização da 14ª edição do Fórum de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, alvo de críticas por ser realizado fora do país e receber autoridades que se tornaram alvo de investigações. “Não temos nenhum controle sobre isso”, afirma.

Reportagem da Folha mostrou que o caso Master e o código de ética fizeram algumas autoridades repensarem a ida ao Fórum de Lisboa. O senhor percebe esse impacto?

Pelo contrário, estamos fazendo um dos maiores eventos que já fizemos, com mais de 470 palestrantes e disputas por lugar. Talvez pessoas que não queiram ir ao fórum e queiram ser simpáticas à ideologia da Folha estejam ecoando isso, mas não percebemos isso, felizmente.

Mas eventos paralelos ao fórum já contaram com a presença de Vorcaro e de outras autoridades que passaram a ser investigadas. Isso não pesa?

Não temos nenhum controle sobre isso. Teríamos que demandar às autoridades portuguesas que não dessem visto para as pessoas? São personagens que se aproveitam do ensejo para ir ao El Corte Inglés ou fazer festa no rooftop do Tivoli. Não nos diz respeito.

Alguns desses palestrantes vêm do Tribunal Constitucional da Alemanha, que tem o modelo usado pelo presidente Edson Fachin para propor um código de ética. Como o senhor avalia esse paralelo?

O código da corte alemã estabelece que aquilo que se ganha na condição de juiz, para além do pró-labore, tem que ser divulgado, seja por palestra ou direitos autorais. Não sei quem plantou essa ideia de que o problema é o “Gilmarpalooza”, mas, para nós, é uma coisa muito “naïve” [ingênua].

No STF não há necessidade de um ministro tornar público o quanto recebe por palestras.

Isso pode ser discutido. Nós temos a Lei Orgânica da Magistratura e o Código de Ética da Magistratura. Não tenho nada contra a ideia. A questão é de oportunidade. Tem muitas coisas que constam do código de ética alemão que não condizem com a nossa cultura. Um juiz lá não pode se pronunciar sobre determinadas questões. Aqui, na crise que vivemos durante o governo Bolsonaro, se a minha voz e a de outros não pudessem ser levantadas, provavelmente nós não estaríamos contando a história. É possível fazer a reforma dentro de consensos.

O Datafolha mostrou que há uma crise de confiança da população no STF. A que o senhor atribui isso?

A forma da pergunta às vezes é errada. Houve certa habilidade em transferir para o tribunal a responsabilidade por fatos que são graves e que revelam uma crise sistêmica. Por exemplo, a CVM estava há mais de ano com três diretores a menos. Portanto, sem fiscalização sobre o campo penal, lavagem e “otras cositas más”. A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima. Quem vendeu títulos foram os bancos. Não quero isentar de responsabilidade quem tem, mas me parece que você coloca o tribunal num corredor polonês; depois a Folha faz pesquisa e revela uma frustração.

Outra crítica ao STF é o fato de ministros terem parentes advogados e como isso pode gerar conflito de interesses.

O CPC [Código de Processo Civil] veda o julgamento de causas em que a parte ou o advogado seja parente. É uma discussão difícil porque envolve liberdade profissional e, em princípio, não tem como evitar. Mas há um sistema de fiscalização do Judiciário e da Ordem dos Advogados do Brasil [OAB] para evitar abusos.

E quanto às relações, muitas vezes também questionáveis, de ministros com empresários?

A questão da amizade, todos nós devemos ter cuidado. Se tiver amizade íntima, o CPC responde a isso. Nós devemos ter essa cautela.

A PF apura negócios familiares de Toffoli com o Master por meio do resort Tayayá, o contato entre Vorcaro e Moraes e o contrato firmado pelo banco com o escritório da esposa do ministro. Essas relações não estão mal explicadas?

Isso certamente está sendo investigado e as autoridades competentes devem fazê-lo. Agora, qual a relação de causa e efeito? Pessoas que fizeram empréstimos ou que eram correntistas têm responsabilidade? Claro que não.

O senhor já fez críticas em relação ao modo como Edson Fachin está conduzindo a crise. Como está a divisão interna?

Não tem divisão interna. O código de ética gerou um ambiente de certa desinteligência, porque pareceu lançado num momento de vulnerabilidade de alguns colegas. Não estou imputando essa intenção a ele, mas isso foi impróprio. Quem quer conduzir o tribunal precisa produzir unidade, é elementar.

O senhor, quando votou para manter a prisão de Daniel Vorcaro, fez algumas críticas àquela prisão e ao uso de prisões para se conseguir delação premiada. O senhor acha que essa situação está acontecendo no caso Master?

Não tenho ideia, tenho que examinar em cada caso. O que temo é o autoritarismo penal-judicial. Não gosto da ideia de alguém dizer “agora você vai ter um regime privilegiado porque você me prometeu delatar” ou “agora vou te colocar num presídio de segurança máxima porque você não correspondeu às minhas expectativas”.

O ministro Fachin disse estar conversando com Moraes sobre encerrar o inquérito das fake news. O senhor concorda com essa medida?

Mantido o ambiente de radicalismo, e tudo indica que vai ser mantido, dado o acirramento eleitoral, o inquérito das fake news é necessário. Veja a CPI do Crime Organizado. Era para investigar o PCC e outros que tais, e aí se indicia o ministro Toffoli, o ministro Alexandre, o procurador-geral Paulo Gonet e a mim. A CPMI resolveu o problema do crime organizado no Brasil?

O senhor pediu uma investigação contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por causa da CPI e outra sobre o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Essas reações reduzem ou inflamam atritos?

A Folha fez um editorial sobre isso, dizendo que Alessandro Vieira tinha exorbitado, mas que a minha reação era desproporcional. Não sei o que resta a alguém que é apontado como integrante de uma organização criminosa senão reagir. Ao fazê-lo, tem que fazer pelas vias do devido processo legal. Esse é o caminho, mas certamente o jurídico da Folha pode me ajudar a compreender esse tipo de reação.

O Senado errou ao rejeitar Jorge Messias para o STF?

Não foi por falta de qualificação. Foi uma questão puramente política, de uma crise política cujo contexto não consigo divisar bem, e foi por isso que me parece que acabou havendo esse encaminhamento, essas desinteligências que se colocam. O governo Lula é um governo de minoria, algo que não conhecíamos nesses 40 anos de Constituição. Ele não logrou ter maioria no Congresso e depende de construções tópicas. Há várias falhas, inclusive uma grave falha de articulação política. Eu trabalhei no governo [FHC]. Eram dramáticas as votações de emendas constitucionais, que precisavam de 308 votos na Câmara. Mas havia pessoas que sabiam calcular.

Sobre penduricalhos, mesmo depois da decisão do STF, foram criados benefícios. O Judiciário perdeu a capacidade de se autorregular nesse tema?

Temos que chegar a um modelo de federalização da folha de salários, com uma plataforma única em que qualquer rubrica precise ser autorizada.

RAIO-X I Gilmar Mendes, 70
Atual decano do STF, foi indicado ao tribunal pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de quem foi advogado-geral da União, além de assessor no Ministério da Justiça e na Casa Civil. Antes, foi procurador da República e consultor da Presidência no governo Fernando Collor. Formado em direito pela UnB, concluiu mestrado e doutorado pela Westfälische Wilhelms-Universität zu Münster.

*Por Ana Pompeu, Luísa Martins e Julia Chaib/ICL


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água no chopp da bolsonarada

Moraes suspende a aplicação da Lei da Dosimetria que reduz pena de Bolsonaro.

Bolsonaro, embalado pela PL da Bandidagem, havia pedido ao STF a anulação da sua condenação a 27 anos de prisão, quando recebeu u torpedo de Moraes suspendendo a aplicação de uma lei malandra dos bolsonaristas do Congresso para livrar a cara do maior bandido do país.

A Lei da Dosimentria, alé, de outros absurdos, prevê a redução da pena de Bolsonaro de 27 anos a pó.

A Lei da Dosimetria altera critérios de cálculo de penas e regras de execução penal, especialmente para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Ela foi aprovada pelo Congresso após derrubada de veto de Lula e pode reduzir penas de condenados pelo 8/1, incluindo potencial benefício a Jair Bolsonaro e aliados.

Num claro atentado à democracia, o golpista se animou com esse borralho jurídico que o Congresso inventou, mas Moraes, cortando as asas dos espertos, suspendeu a aplicação da jogada até o julgamento do STF.

Agora é aguardar para ver o resultado do julgamento, se o STF se comportará como o guardião da democracia, refugando essa lei malandra dos golpistas

Moraes não esperou passar o fim de semana para dar uma voadora na jugular do mandante de seu assassinato, mostrando que está vacinado contra pressão da grande mídia cadqa dia mais bolsonarista.


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Luis Nassif: A Lava Jato 2 e o Assalto ao Supremo

Nesse jogo, é preciso mapear quem ganha com um STF enfraquecido, um governo Lula na defensiva e um Congresso com poderes demais

A derrota de Lula na indicação de Jorge Messias para o STF não é episódio isolado. É o capítulo mais recente de uma operação que envolve lobbies bilionários, o poder inédito de Alcolumbre e Motta, e o mesmo padrão de desestabilização institucional da Lava Jato original.

Quando o Senado recusou Jorge Messias, o governo perdeu uma batalha. Quando o mesmo movimento colocou sob ameaça o STF, o governo e o pouco que resta de disciplina institucional brasileira — todos ao mesmo tempo —, o que estava em jogo passou a ser maior do que uma vaga no Supremo.

A manobra tem roteiro conhecido. Começou com a campanha d’O Globo em torno do caso Master — um episódio de crédito privado transformado em crise sistêmica pelo jornalismo de interesse —, avançou pela sabatina do STF transformada em tribunal político, e chegou à configuração de poder inédita que hoje existe no Congresso: David Alcolumbre no Senado, Hugo Motta na Câmara, ambos com mandato renovado e agenda própria. É a Lava Jato 2.

Para entender o jogo de interesses por trás dessa manobra, é preciso mapear quem ganha com um STF enfraquecido, um governo Lula na defensiva e um Congresso com poderes que não tinha desde os tempos do presidencialismo de coalizão clássico.

Quando começou a campanha do impeachment, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi profético: a gente sabe como começa, mas nunca sabe como acaba.

A campanha conseguiu acabar com o PSDB, como alternativa de poder, o discurso antipolítica inundou a política com o que de há mais execrável, o desmonte institucional permitiu o avanço do crime organizado por todos os poros da República.

E nem assim se aprendeu.

Os lobbies que comandam o Congresso

O Congresso brasileiro de 2026 é, acima de tudo, uma arena de interesses organizados. As bancadas temáticas não são fenômeno novo, mas sua coesão, seu poder de fogo e sua disposição para agir de forma coordenada atingiram nível sem precedente recente.

A bancada ruralista é a mais numerosa e a mais organizada. A Frente Parlamentar da Agropecuária reúne 358 congressistas — número suficiente para formar maioria sozinha em muitas votações. Por trás dos parlamentares estão Bayer, Basf, Syngenta, JBS, Cargill e Nestlé, entre outras corporações que financiam campanhas e mantêm estruturas permanentes de lobby em Brasília. Suas pautas — Código Florestal, licenciamento ambiental, demarcações indígenas, agrotóxicos — têm avançado sistematicamente, com ou sem anuência do Executivo.

A bancada evangélica reúne 222 congressistas em torno de pautas morais e religiosas: aborto, casamento homoafetivo, educação religiosa, controle de mídias. O aspecto frequentemente negligenciado é que muitos desses parlamentares são representantes políticos diretos de denominações — com mandato implícito de seus líderes religiosos —, não apenas eleitores de perfil conservador. A bancada tem aliança orgânica com os ruralistas, e juntas formam o núcleo duro do que se convencionou chamar de Centrão conservador.

A bancada da bala soma cerca de 240 congressistas na Frente Parlamentar da Segurança Pública, com um núcleo de 44 membros mais radicais. Representa interesses das forças policiais, das Forças Armadas e da indústria armamentista. Suas pautas — porte de armas, excludente de ilicitude para policiais, penas mais duras — têm avançado mesmo nos governos que deveriam ser seus adversários naturais.

Juntas, essas três bancadas compõem o que ficou conhecido como BBB — Boi, Bíblia e Bala. Muitos parlamentares participam simultaneamente das três frentes, o que amplifica o poder de articulação suprapartidária. A posição dessas bancadas em relação ao STF é conhecida e histórica: o Supremo representa, para elas, o principal obstáculo à aprovação de suas pautas. Portanto, um STF enfraquecido é funcionalmente do interesse direto das três bancadas.

O lobby financeiro e a conta com o Supremo

O setor financeiro opera de forma mais discreta, mas com eficácia que poucos outros conseguem igualar. Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara com décadas de redes construídas em Brasília, assumiu em 2023 a presidência da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (FIN). Com trânsito livre no Congresso e memória institucional incomparável, Maia representa hoje o que o sistema financeiro precisa: acesso sem mediação ao processo legislativo.

Há tempos correm rumores nos corredores de Brasília sobre grandes banqueiros alimentando o tiroteio contra o STF. Para entender por que, basta examinar o que o Supremo fez ao setor financeiro nos últimos anos.

Em fevereiro de 2023, o STF estabeleceu que a quebra da coisa julgada tributária é automática. Isso significa que se uma empresa conquistou na Justiça o direito definitivo de não pagar um imposto, terá que pagá-lo retroativamente se o STF posteriormente decidir que a cobrança é constitucional. O caso concreto envolvia a CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro Líquido —, cujas alíquotas chegam a 21% no caso de instituições financeiras, contra 9% para as demais empresas..

Na mesma linha, o STF consolidou a constitucionalidade da CSLL diferenciada para o setor financeiro — contribuição adicional de 2,5% sobre a folha de salários e Cofins elevada de 3% para 4% sobre o faturamento dos bancos. Em três teses tributárias distintas, as derrotas acumuladas do setor representaram impacto de R$ 35,823 bilhões para os cofres da União. Por fim, o STF avançou na tributação de lucros de controladas no exterior, apertando o cerco sobre estruturas de planejamento tributário internacional que beneficiavam diretamente Itaú, Bradesco e BTG, entre outros.

O padrão é claro: o STF tem sido, sistematicamente, um obstáculo tributário ao setor financeiro. Um Supremo enfraquecido — com ministros mais próximos das bancadas conservadoras do Congresso, ou simplesmente mais temerosos de conflito com o Legislativo — seria um Supremo mais favorável aos interesses dos grandes bancos.

O laboratório das bets

Para entender o poder que o Congresso acumulou, o caso das bets é o teste mais preciso. Em 2024, quando o governo tentou aumentar a tributação do setor de apostas online, o lobby das bets montou uma operação que causou espanto até a veteranos da política brasileira.

Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, disse publicamente: “Eu nunca vi um lobby tão poderoso no Congresso Nacional quanto vi nessas duas semanas. Um lobby que contou, inclusive, com a luxuosa participação de governadores de estado.” O setor conseguiu derrubar temporariamente a medida — uma vitória direta do lobby privado sobre o Executivo, reconhecida pelo próprio governo.

Quando o governo reagiu e aprovou medidas restritivas — licenciamento obrigatório, proibição de cartão de crédito, eliminação de bônus de boas-vindas, bloqueio de beneficiários do Bolsa Família, taxa de outorga de R$ 30 milhões por licença —, as bets responderam com o mesmo instrumento: pressão sobre parlamentares, financiamento implícito de coalizões, e a ameaça permanente de mobilizar o Congresso contra qualquer regulação adicional.

O episódio demonstra a dinâmica central do poder legislativo atual: o Executivo propõe, o Congresso dispõe, e os lobbies organizados são o verdadeiro árbitro entre os dois. Nesse ambiente, o STF era o único poder capaz de funcionar como contrapeso — o único que não depende de votos, financiamento ou alianças com o Centrão para agir.

O que está em disputa

A sabatina de Jorge Messias não foi apenas uma disputa sobre um nome para o STF. Foi um teste de força sobre quem manda no Brasil em 2026.

Do lado do Congresso: Alcolumbre no Senado e Motta na Câmara têm poder institucional inédito. Com as eleições de 2026 no horizonte, ambos precisam demonstrar independência do Executivo e capacidade de mobilizar apoio. Barrar uma indicação presidencial ao Supremo é o gesto político mais legível possível nesse sentido.

Do lado dos lobbies: a BBB quer um STF menos ativo na proteção de direitos ambientais, indígenas e sociais. O setor financeiro quer um STF menos agressivo na tributação diferenciada dos bancos e na cobrança retroativa de tributos. O setor de apostas quer um árbitro menos hostil às suas operações.

Do lado do governo: Lula precisa de um STF que funcione como parceiro institucional — não por cumplicidade, mas porque sem o Supremo como contrapeso, a capacidade do Executivo de governar contra a vontade do Centrão é ainda mais limitada do que já é.

O que a derrota de Messias sinalizou é que esse equilíbrio está se desfazendo. O Congresso descobriu que pode barrar o STF. Os lobbies descobriram que o Congresso pode barrar o Executivo. E o governo descobriu que a Operação Lava Jato 2 não precisa de procuradores, grampos ou acordos de delação para funcionar. Basta um calendário de sabatinas e parlamentares com contas a cobrar.

*Luis Nassif/GGN


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Viúvas de Bolsonaro e mídia comemoram suposta derrota de Lula no Senado

Os últimos dias, a mídia passou colocando todos os seus farois e megafones para um jeca de casaca e cartola felpuda, Zema, para, segundo cálculo dessa mesma direita, atacar Gilmar Mendes e acertar Lula.

Sabe-se lá que cálculo é esse da mídia para uma equação tão estrambótica. Na verdade, isso só mostra a falta de rumo, pois Zema, além de se manter com 3% nas pesquisas atuais, sem avançar 00,1%, mostrando que a população deu de ombros para o seu besteirol, o tapado “ouvo” foi ultrapassado até por Renan Santos, do famigerado MBL

Ou seja, o banho de água fria foi mais gelado do que se imaginava. Agora, num rodopio infrene de uma perna só, o giroscópio da mídia, tentando fazer piruá virar pipoca na marra, mancheteia em garrafais uma suposta derrota de Lula com a negativa do Senado ao impedir que Jorge Messias fosse para o STF.

Messias sai com elegância, mas deixa cocô na corda, dizendo para a direita e a mídia que respeita o resultado por respeitar a soberania do Senado, coisa que os senadores que o barraram e a própria mídia não fazeram quando, de forma direita ou escamoteada, seguem par e passo com o genocida golpista, corrupto de pai e mãe e presidiário, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado e de assassinato de Lula, Alckmin e Moraes, deixando claro que essa choldra sempre operou em conjunto contra a sociedade brasileira.

As garrafais dos articulistas dos jornalões, não deixam dúvida, estão comendo lavagem com a previsão de uma possível vitória de Lula já no primeiro turno e a possibilidade de Flavio pular fora do certame presidencial e tentar a reeleição ao Senado para não perder a imunidade e terminar na cadeia pela montanha de crimes que responderá em nome da quadrilha Bolsonaro.

Não deixa de ser divertido esse flagrante desespero que toma conta do complexo da extrema direita, bolsonarismo e grande mídia, com a inevitável, indubitável e inquestionável sexta vitória de Lula num quarto mandato.


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O que mudou

Todos sabem que Merval Pereira é um mero personagem, para ser mais exato, a voz soturna dos Marinho, para ser ainda mais claro, o boneco de ventríloquo dos imperadores das Organizações Globo.

Mas como não é Merval o  motivo dessa nossa fala, porque ele, nem com toda boa vontade do mundo, pode ser considerado alguém que tenha vírgula de influência na vida nacional, será usado aqui como ele se apresenta lá nas colunas, como hoje Miriam Leitão representou.

Sua parceira de apedrejamento do PT, Miriam Leitão, sapecou em sua chamada “Em prol da democracia, ministros do STF devem pesar suas ações”.

Alguém imagina que Miriam escreveria algo parecido com isso na istérica farsa do mensalão, combinada e sequenciada nas redações dos barões da mídia?

Quem diz sim, é tolo ou cínico.

A conexão entre o bolsonarismo de hoje com o mensalão, é direta, nem precisa de Bolsonaro. O enredo dessa isteria de malucos, como chamou o próprio Bolsonaro, os débeis que o apoiam cegamente, inclusive na tentativa de golpe, é uma mera construção.

Dependendo do apito de cachorro que move essas ienas, adestradas pela grande mídia, a trilha em que o gado caminha junto é, em última análise um traçado já delineado por anos de imbecilização nacional que a Globo promove ininterruptamente desde a diatadura quando, num bem bolaqdo projeto antinacional e americanófilo, os ditadores brasileiros e os mandatários dos EUA, tranformaram a Globo em um império de comunocação através da primeira rede de Televisão do Brasil.

Os Marinho sempre andaram de braços dados com os generais da ditadura, assim como com os EUA;

O livro de Merval, ao qual Gilmar Mendes fez questão de prestigiar, é o próprio lixo reciclado por Merval, produzido pelo Globo.

O troço não tem valor normativo nenhum; Aquela cena fotografada era apenas  uma busca por fixação de uma fraude jurídica que, através do martelete da mídia, até hoje é vendida como verdade absoluta.

Nem vamos nos estender. Para ser curto e grosso na total afirmação de que aquilo foi uma ópera bufa, armada pela mídia e aceita pelo STF, que dos tais 260 deputados que supostamente recebiam de R$ 30 a R$ 40 mil mensais, sequer existiram, ao menois um míserto nome.

A coisa é tão grotesca que nenhum suspeito de receber a tal proprina, a mídia e o STF tentaram inventar.

Basta isso para dizer que aquilo foi das farsas mais grosseiras que o sistema de justiça brasileiro conheceu até a chegada da farsa maior que foi a Lava Jato.

Mas o que fez com que a mídia mudasse de humor com o STF nos dias atuais após a condenação e prisão do golpista, Bolsonaro? A resposta já vem na pergunta, Bolsonaro foi a xepa da direita que sobrou do finado tucanato, por mais fétido que ele seja, era do lado dos Marinho, ou seja, da oligarquia, dos grandes banqueiros e dos poderosos que atuam dentro do Estado brasileiro de forma direta ou indereta.

Ninguém poderia imaginar que a ferramenta utilizada para atacar o STF, primeiro em bombardeios contra Toffoli e Moraes e, agora, contra Gilmar, fosse utilizado um falso caipira que de tão falso candidato da direita como Romeu Zema, representa, segundo pesquisas das mais otimistas, 2% do eleitordo.

Mas por que a Globo, tão velhaca, mergulhou numa esparrela dessa?

Ora, simples, porque ela não tem qualquer outra perspectiva política para o que ela julga ser a única arma do momento que possa gerar instabilidade no governo e na candidatira de Lula.

Que ideia estrambótica os Marinho tiveram de colocar um sujeito como Zema, com 2% nas pesquisas para cumprir essa “meta”?


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Brasil

STF mantém restrições à compra de terras por empresas controladas por capital estrangeiro

Voto unânime justificou as regras como essenciais à soberania e independência do país

OSupremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (23) manter as regras que limitaram a compra de imóveis rurais por empresas com capital estrangeiro no país.ebcebc

A Corte validou a Lei 5.709 de 1971, norma que regulou a matéria e definiu que o estrangeiro residente no país e as empresas estrangeiras autorizadas a operar no Brasil devem seguir regras para aquisições de terras.

A norma impôs diversas restrições, como compra máxima de 50 módulos de exploração, autorização prévia para aquisições em áreas de segurança nacional e registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A constitucionalidade foi questionada na Corte por entidades ligadas ao agronegócio. De acordo com a Forum, as alegações, protocoladas em 2015, a lei prejudica empresas nacionais de capital estrangeiro ao limitar a compra de terras no país.

O julgamento começou em 2021 e foi finalizado na sessão desta quinta-feira.

Por unanimidade, o plenário seguiu voto proferido pelo relator do caso, ex-ministro Marco Aurélio (aposentado), que votou pela constitucionalidade da lei.

O relator citou que as restrições são necessárias para manter a soberania nacional e a independência do país. Os argumentos foram validados pelos demais ministros.

AGU
A Advocacia-Geral da União (AGU) atuou no caso como representante do governo federal.

O órgão sustentou que a lei tem a função de proteger a soberania nacional e evitar a especulação fundiária no país.


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Política

Mendonça trava julgamento no STF contra Eduardo Bolsonaro

O ministro André Mendonça pediu vista e suspendeu, nesta quarta-feira (22), o julgamento no Supremo Tribunal Federal que analisa a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por difamação contra a deputada Tabata Amaral. O caso tramita no plenário virtual da Corte, ambiente em que os ministros depositam seus votos eletronicamente dentro de um prazo definido.

O julgamento havia sido iniciado na última sexta-feira (18). Até a interrupção, o placar estava em 4 votos a 0 pela condenação, acompanhando o voto do relator, Alexandre de Moraes. Também já haviam se manifestado os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e a ministra Cármen Lúcia, todos no mesmo sentido.

A ação teve origem em uma queixa-crime apresentada por Tabata em 2021. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro afirmou, em uma rede social, que um projeto de lei de autoria da deputada, voltado à distribuição de absorventes íntimos, teria como finalidade atender a interesses de uma empresa fabricante de produtos de higiene.

Com o pedido de vista, o julgamento fica suspenso. Pelo regimento interno do STF, Mendonça pode manter o processo sob análise por até 90 dias antes de devolvê-lo ao plenário, quando a votação será retomada a partir do estágio em que foi interrompida, segundo o dcm.

Em seu voto , Moraes entendeu que a declaração atingiu a reputação da parlamentar e configurou o crime de difamação. O relator propôs a fixação da pena em um ano de detenção, em regime inicial aberto, além do pagamento de multa.


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Política

Grande mídia quer um STF para chamar de seu

Absolutamente viciado na cachaça lavajatista, Alessandro Vieira, relator da CPI do crime organizado, deu um bico nos próprios modos para jogar para a torcida bolsonarista/lavajatista, atacando o STF, e sapecou uma mironga de interesses que denuncia logo de quem se trata esse camarada, a ponto de levar uma carraspana do presidente da CPI, Fabiano Contarato, que rejeitou seu relatório panfletário contra o STF.

Tudo isso só ocorreu, porque o sujeito possui bons olhos para saber para onde e como anda a maré e entendeu que a Globo Powerpoint está revoltadíssima, assim como os jornalões, com o STF, mas sobretudo com Moraes, por conta da independência do Supremo no caso que envolve a prisão de Bolsonaro e sua tropa de pilantras.

A mídia mandou o recado, quero um STF que prenda quem ela não gosta, como ocorreu na farsa dantesca e ridícula do mensalão e como bengala judicial, a própria Lava Jato.

Ou seja, o senador Alessandro Vieira, adestrado por Sergio Moro, parceiro da grande mídia, pegou carona com o bonde de ataques ao STF vindos da mídia em nome da Faria Lima.

Estamos diante de um problema não da lei, mas daqueles que não aceitam a lei para si e ainda querem impor uma lei suprema para os desafetos.

A mídia precisa de um Supremo para chamar de seu.


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