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Brasil tem o 5º maior crescimento do PIB no mundo, mas parte da velha mídia prefere transformar boa notícia em problema

Há algo no mínimo curioso na cobertura econômica brasileira, quando os indicadores vêm ruins, o tom é de alarme; quando vêm melhores do que o esperado, aparecem imediatamente as ressalvas, os asteriscos e as previsões sombrias. O dado positivo precisa quase pedir desculpas por existir.

Nesta terça-feira, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,4%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia cresceu 2%, acumulando expansão de 1,9% em quatro trimestres.

E há um dado particularmente expressivo, considerando 50 países que já divulgaram seus números, o Brasil registrou o quinto maior crescimento do PIB no trimestre. Ficou atrás somente de Irlanda, Indonésia, Angola e Malásia e à frente de economias como Estados Unidos e China.

Isso não significa, evidentemente, que todos os problemas econômicos brasileiros tenham desaparecido. O próprio resultado mostra uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB havia avançado 1,1%. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto os juros elevados continuam sendo apontados como fator de pressão sobre crédito, consumo e investimento.

Mas uma coisa é fazer jornalismo econômico sério, mostrando simultaneamente avanços, limitações e riscos. Outra, bem diferente, é apresentar sistematicamente um resultado objetivamente positivo como se fosse mais uma evidência de fracasso.

É justamente aí que a cobertura de parte da velha mídia merece ser observada com atenção. O problema não está em apontar a desaceleração — ela existe e precisa ser discutida. O problema surge quando a desaceleração passa a ocupar todo o enquadramento da notícia e o dado central, de que o Brasil teve o quinto maior crescimento trimestral entre 50 economias, vira quase uma nota de rodapé.

O jornalismo econômico não deveria funcionar como torcida organizada. Se o PIB cresce, registra-se o crescimento. Se desacelera, registra-se a desaceleração. Se supera as expectativas, isso também é notícia. E se existem problemas estruturais, eles precisam ser apresentados com a mesma honestidade.

O fato concreto, portanto, permanece, o PIB brasileiro cresceu, superou a expectativa do mercado e colocou o país entre os cinco melhores desempenhos trimestrais do mundo no levantamento citado.

Transformar esse dado em propaganda seria tão equivocado quanto transformá-lo em fracasso. O que se espera da imprensa é simplesmente que os fatos sejam tratados como fatos — sem que a preferência política de quem noticia determine quais números merecem destaque e quais devem ser escondidos atrás de uma avalanche de pessimismo.

A economia brasileira tem problemas, como qualquer economia. Mas reconhecer problemas não exige negar resultados positivos. E um crescimento que coloca o Brasil em quinto lugar entre 50 países não deveria ser tratado como se fosse uma tragédia econômica.


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Economia Mundo

BRICS Pay e desdolarização: o avanço de uma nova arquitetura financeira

O que está em discussão no BRICS vai muito além de criar uma ferramenta para facilitar pagamentos entre países. O bloco começa a construir, passo a passo, uma infraestrutura financeira capaz de reduzir a dependência do dólar e, sobretudo, diminuir a vulnerabilidade dos países do Sul Global diante de sistemas financeiros controlados pelas potências ocidentais.

O BRICS Pay aparece nesse movimento como uma espécie de ponte digital entre os sistemas de pagamentos instantâneos dos países-membros. A ideia é permitir liquidações diretamente em moedas nacionais, reduzindo a necessidade de passar pelo dólar e por intermediários associados à infraestrutura tradicional de pagamentos internacionais. O tema avançou a ponto de o presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, confirmar que a integração dos sistemas de pagamentos rápidos e das moedas digitais de bancos centrais está em discussão dentro do bloco.

E aqui está o ponto verdadeiramente estratégico: não se trata de substituir o dólar da noite para o dia, mas de retirar dele o monopólio da intermediação financeira internacional.

Essa diferença é fundamental.

Durante décadas, a hegemonia monetária dos Estados Unidos esteve associada não apenas ao tamanho da economia americana, mas também ao controle de uma gigantesca infraestrutura financeira internacional. O dólar funciona como moeda de reserva, unidade de referência e instrumento central de liquidação. O sistema SWIFT, embora não seja propriedade do governo americano, tornou-se parte importante dessa arquitetura financeira global.


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Mundo

Vídeos: Terremoto seguido de repentina enchente no Nepal deixa muitos mortos e 400 desaparecidos

Forte e devastadora inundação repentina deixou mortos, desabrigados e desaparecidos

Uma forte e devastadora inundação repentina deixou 95 mortos, centenas de desabrigados e causou destruição em larga escala em vilas localizadas na região de fronteira entre o Nepal e a região autônoma do Tibete, na China, nesta quarta-feira (26). Forças de resgate alertam que o número de vítimas fatais deve aumentar significativamente nas próximas horas à medida que as buscas avançam.

Um terremoto de magnitude 4,4, registrado a apenas 10 quilômetros de profundidade pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), pode ter desempenhado um papel central no desencadeamento da enchente repentina.

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Mundo

Desesperado, Trump importa carne e enfurece a própria base MAGA

A política de Donald Trump voltou a esbarrar em uma contradição que atinge justamente o coração de seu discurso nacionalista: depois de prometer colocar os interesses americanos acima de tudo, seu governo recorre à importação de carne para enfrentar problemas de abastecimento e preços — e acaba provocando a fúria de parte da própria base MAGA.

A medida expõe um problema que Trump preferiria esconder: quando a realidade econômica bate à porta, os slogans de campanha não colocam comida mais barata na mesa. O presidente que construiu sua imagem política prometendo proteger o produtor americano e combater a dependência externa agora precisa buscar carne fora do país para tentar aliviar a pressão sobre o mercado interno.

Para os setores mais radicais do movimento Make America Great Again, a contradição é difícil de engolir. Durante anos, Trump vendeu a ideia de que tarifas, protecionismo e prioridade absoluta aos produtores americanos seriam suficientes para fortalecer a economia dos Estados Unidos. Agora, diante da pressão sobre preços e oferta, a solução passa justamente por recorrer ao exterior.

E é aí que a irritação da MAGA cresce.

A importação pode até ser apresentada pelo governo como uma medida pragmática para ampliar a oferta e conter preços, mas politicamente ela funciona como um tapa na narrativa construída por Trump. O presidente que prometeu independência econômica precisa importar carne para administrar uma crise que sua retórica não conseguiu resolver.

O episódio também revela o limite do populismo econômico. É fácil prometer que tarifas e barreiras comerciais protegerão o trabalhador americano. Mais difícil é explicar ao consumidor por que a conta do supermercado continua pesando no bolso e por que, diante da escassez ou dos preços elevados, o governo precisa procurar fornecedores estrangeiros.

A reação da MAGA é particularmente significativa porque demonstra que a base de Trump não é necessariamente um bloco monolítico disposto a aceitar qualquer decisão em nome do líder. Quando uma política atinge diretamente o bolso, até os mais fiéis começam a questionar.

Trump está descobrindo, da maneira mais incômoda, que nacionalismo econômico também tem preço político. E quando a promessa de “America First” termina com carne importada chegando aos Estados Unidos, a pergunta inevitável aparece: se era para depender do exterior justamente na hora da crise, para que serviram tantos discursos contra as importações?

No fim, a imagem é devastadora para a propaganda trumpista: o presidente que prometeu fazer os Estados Unidos “grandes novamente” agora precisa olhar para fora das fronteiras para tentar resolver um problema dentro de casa.

E a MAGA, que sempre foi rápida para atacar qualquer adversário de Trump, começa a descobrir que talvez o maior problema do governo não esteja nos discursos da oposição, mas nas contradições entre aquilo que foi prometido e aquilo que a realidade está cobrando.


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Pressão de Lula funcionou: EUA procuram Brasil para reabrir negociação comercial

Após telefonema, EUA procuram Brasil para retomar negociações comerciais

O telefonema entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump começa a produzir um resultado concreto — e bastante significativo — na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Depois de uma conversa de cerca de 1 hora e 20 minutos, em tom considerado cordial, o governo norte-americano procurou oficialmente Brasília para reabrir as negociações sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros.

O movimento é importante porque desmonta a ideia de que o Brasil estaria isolado ou sem capacidade de reação diante do chamado tarifaço. Ao contrário: depois de Lula defender diretamente a retomada do diálogo e afirmar a Trump que as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para impor as tarifas eram infundadas, Washington sinalizou disposição para voltar à mesa de negociação.

A iniciativa americana veio rapidamente. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e abriu caminho para uma reunião com autoridades brasileiras. A expectativa é que representantes do MDIC, do Itamaraty e do Escritório do Representante Comercial dos EUA retomem as conversas na próxima semana.

É um resultado diplomático que merece ser observado com atenção. Lula não precisou aceitar as justificativas apresentadas por Washington, tampouco abrir mão dos interesses brasileiros. A estratégia foi outra: contestar as medidas, mostrar que elas prejudicam os dois lados e insistir na negociação como instrumento para resolver o conflito.

E há uma questão central: negociar não significa capitular. O Brasil mantém seus mecanismos de defesa comercial e continua contestando as tarifas, enquanto tenta construir uma solução que preserve empregos, empresas e exportações brasileiras. O governo já havia iniciado procedimentos para eventual aplicação da Lei da Reciprocidade, mas mantém aberta a porta para uma solução negociada.

A reabertura do diálogo também evidencia a importância de uma política externa baseada em soberania e pragmatismo. O Brasil pode divergir de Washington sem transformar divergência em rompimento. Pode defender seus interesses sem submissão e, ao mesmo tempo, preservar uma relação comercial estratégica.

Mais do que uma simples reunião entre ministros, portanto, a movimentação representa uma mudança de temperatura na relação entre os dois países. Depois de semanas de tensão, ameaças tarifárias e confrontos diplomáticos, os Estados Unidos voltam a procurar o Brasil para conversar.

E esse talvez seja o dado político mais relevante: quando a diplomacia brasileira insiste no diálogo sem abrir mão de seus interesses, a negociação volta a ser possível. Agora, cabe ao Brasil entrar nessa nova rodada com firmeza, exigir reciprocidade e deixar claro que qualquer acordo precisa proteger a economia brasileira — e não servir como instrumento de pressão política.

O telefonema de Lula não resolveu o conflito, mas abriu uma porta. E, poucas horas depois, foi Washington.


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Lula enfrenta Trump e cobra negociação para pôr fim ao tarifaço contra o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu tratar diretamente com Donald Trump uma das maiores tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em telefonema de 1 hora e 20 minutos, realizado nesta sexta-feira (21), Lula foi direto ao ponto: afirmou que as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para impor as tarifas contra produtos brasileiros são “infundadas” e defendeu a retomada imediata das negociações.

A conversa, segundo o governo brasileiro, ocorreu em tom amistoso e cordial, mas isso não significou que Lula tenha aberto mão da defesa dos interesses do Brasil. Ao contrário. O presidente deixou claro que o tarifaço prejudica não apenas a economia brasileira, mas também os próprios Estados Unidos, e sustentou que o caminho mais inteligente é a negociação, não a imposição unilateral de barreiras comerciais.

O recado de Lula é politicamente importante: o Brasil não está disposto a aceitar acusações consideradas sem fundamento como justificativa para medidas que atingem empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países. Em vez de transformar o conflito comercial em uma escalada de retaliações, o presidente brasileiro colocou a diplomacia novamente no centro da discussão.

E houve um resultado concreto. Trump concordou sobre a importância de preservar relações comerciais fortes entre Brasil e Estados Unidos e propôs que as equipes dos dois governos voltem a se reunir o mais rapidamente possível.

Isso significa que o canal de diálogo foi reaberto. E, diante de uma crise que poderia produzir prejuízos econômicos ainda maiores, a retomada das conversas representa uma vitória da diplomacia sobre a lógica do confronto.

Lula também aproveitou o telefonema para reafirmar a disposição brasileira de cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente, porém, fez uma distinção fundamental: organizações criminosas brasileiras são extremamente violentas e precisam ser enfrentadas com firmeza, mas isso não significa que devam ser automaticamente classificadas como organizações terroristas.

O presidente brasileiro ainda levou para a conversa outros temas internacionais, entre eles a guerra na Ucrânia e a necessidade de soluções negociadas para conflitos globais.

O telefonema acontece depois de o governo brasileiro ter aberto formalmente o processo para avaliar medidas de reciprocidade contra as tarifas norte-americanas. Ou seja, Lula negocia, mas negocia respaldado pela disposição de defender os interesses nacionais caso o diálogo não produza resultados.

A estratégia é clara: não aceitar imposições, não abrir mão da soberania e, ao mesmo tempo, manter aberta a porta da negociação.

Mais do que uma conversa protocolar entre dois presidentes, o telefonema mostra que Lula decidiu assumir pessoalmente a condução política da crise. O Brasil sinaliza que quer preservar sua relação estratégica com os Estados Unidos, mas não pretende fazê-lo de joelhos.

A mensagem de Lula a Trump foi, portanto, simples e contundente: se há problemas comerciais, que sejam discutidos à mesa; se há divergências, que sejam negociadas; e se há acusações contra o Brasil, que sejam apresentadas com fatos, não usadas como pretexto para um tarifaço.

Agora, cabe às equipes dos dois países transformar a reabertura do diálogo em resultados concretos. A negociação voltou ao centro da agenda — e o Brasil chega a ela deixando claro que amizade entre países não significa submissão.


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Big Techs e crise na fronteira: Brasil vê risco de ‘armadilhas’ dos EUA na eleição

Atuação militar conjunta de Colômbia e EUA é considerada como “preocupante” e fluxo de desinformação em redes acende alerta em Brasília

O governo brasileiro teme que as próximas semanas sejam marcadas por ações orquestradas por parte de grandes plataformas digitais, com o objetivo de criar uma turbulência política no país e influenciar a eleição. No mapeamento que se faz em Brasília sobre os riscos para a eleição, uma eventual “armadilha” militar na fronteira com a Colômbia tampouco estaria fora do radar.

Com suspensão de vistos, tarifas, sanções e ofensas americanas, Brasília considera que existe uma ingerência do governo Trump desde 2025, que a eleição de outubro é revelante para a estratégia dos EUA e que a ofensiva pode ganhar ainda mais força até outubro.

Ao longos dos últimos meses, membros do governo tentaram entender por onde poderia vir os próximos lances dessa ingerência e de um processo de desestabilização.

A principal aposta é de que o instrumento usado para isso seja o impulsionamento de desinformação a partir de fora do país, com a possibilidade de plataformas agindo de forma subterrânea para impactar na opinião pública.

A operação repetiria o modelo que acaba de ser adotado com êxito na eleição Colômbia e, há poucos meses, em Honduras. Ambos garantiram a vitória de aliados de Donald Trump.

Trabalhar com o “medo” da população também poderia ser um instrumento que tem sido avaliado como um risco por parte do Brasil para abalar padrões de votos. Para autoridades brasileiras, as cenas de 70 mil imigrantes em Ceuta, a partir da difusão de uma desinformação, reforçaram a tese de uma orquestração para abalar democracias.

No Brasil, chegou a ser considerado como fluxos migratórios poderiam ser instrumentalizados, como no caso de haitianos, afegãos e, principalmente, cubanos. Por enquanto, porém, isso não ocorreu.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que, apesar da liderança de Luiz Inácio Lula da Silvas nas pesquisas de opinião, o pleito continua acirrado e que uma operação de manipulação poderia virar votos suficientes para transformar a eleição em um dos momentos mais tensos do país em décadas.

Membros do governo ainda vão estudar os casos das vitórias de aliados de Trump em Honduras e na Colômbia, beneficiados por uma forte atividade de narrativas que viriam de fora desses países. No caso do pleito em Bogotá, o que se observou foi uma proliferação intensa de Inteligência Artificial e de DeepFake.

Uma das estratégias seria o impulsionamento de desinformação a partir de perfis falsos, criados nos exterior. O material poderia promover mudanças abruptas na opinião pública, faltando poucos dias para a eleição e capaz de virar votos.

O cálculo do envolvimento das plataformas é por conta do impacto de uma reeleição para o setor. O governo estima que as Big Techs seriam os grandes perdedores com a vitória de Lula. Se o petista vencer, a estimativa é de que poderia usar seu quarto mandato para promover uma regulamentação das redes digitais e das Bets.

Um possível retorno do ativismo de Elon Musk também é monitorado, principalmente diante de seu histórico de realizar provocações em eleições em todo o mundo, às vésperas do pleito.

Esperar até o último momento para fazer a operação também impediria que houvesse tempo suficiente para investigações e eventuais denúncias do envolvimento de um grupo ou outro no processo de desestabilização.

Armadilha na fronteira com Colômbia
O governo brasileiro também vê com preocupação e diz estar “atento” ao anúncio de que militares americanos passarão a agir dentro do território da Colômbia, supostamente para lutar contra cartéis. A informação foi dada pelo próprio secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, nesta semana. Segundo ele, os americanos passarão a agir por terra na América Latina.

Ainda que o narcotráfico colombiano esteja localizado longe da fronteira com o Brasil, autoridades não descartam atos “fabricados” perto do território nacional, eventualmente para usar como “isca” para uma ação de militares brasileiros para defender a soberania do país.

Neste caso, uma tensão militar estaria criada e, assim, todo o debate político e eleitoral no Brasil seria abalado.

Uma armadilha nessa região do mundo não seria inédito. O governo brasileiro tem em mente a crise que foi criada quando o então presidente colombiano e aliado dos EUA, Alvaro Uribe, orquestrou uma suposta tensão militar na fronteira com o Equador de Rafael Correa, na época.

No mapeamento dos riscos, outra hipótese avaliada foi a instrumentalização de algum ato antissemita, causando um impacto popular importante e um suposto envolvimento do Hezbollah, Hamas ou outros grupos que mexem com o imaginário coletivo. Um dos epicentros poderia ser a Tríplice Fronteira, já declarada pelo governo Trump como local “sensível”.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil reage ao tarifaço dos EUA e inicia processo de reciprocidade

O Brasil deu um passo concreto para responder ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nesta quinta-feira (13), o governo federal iniciou formalmente o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao país adotar contramedidas diante de barreiras comerciais consideradas injustificadas. O Itamaraty também notificou os Estados Unidos e solicitou consultas diplomáticas.

A iniciativa não significa que o Brasil vá impor imediatamente novas tarifas aos produtos americanos. É, antes, o início de uma análise que deverá ouvir os setores atingidos e avaliar quais medidas seriam proporcionais aos prejuízos provocados pelas decisões de Washington. Entre as possibilidades estão restrições a importações e outras contramedidas comerciais previstas pela legislação.

A reação brasileira ocorre diante de tarifas americanas que podem chegar a 37,5% sobre determinados produtos. O impacto já começa a aparecer no comércio bilateral: entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 12,2%, segundo levantamento da Amcham Brasil. Nos produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, a queda chegou a 31,5%.

O governo Lula, porém, procura evitar uma escalada irresponsável. A estratégia combina pressão diplomática, defesa do comércio multilateral e preparação de uma resposta caso os Estados Unidos mantenham as tarifas. A mensagem é clara: o Brasil não pretende aceitar unilateralmente uma política comercial que prejudique sua economia, seus empregos e suas empresas.

A Lei da Reciprocidade funciona, nesse cenário, como instrumento de soberania econômica. O Brasil sinaliza que está disposto a negociar, mas também demonstra que negociação não significa submissão. Se Washington escolhe impor barreiras de forma unilateral, Brasília passa a ter mecanismos legais para responder.

Mais do que uma disputa tarifária, está em jogo o princípio de que relações entre países soberanos não podem ser conduzidas pela lógica do ultimato. O Brasil abre a porta para o diálogo, mas deixa claro que também está preparado para defender seus interesses.

E essa talvez seja a principal mensagem do movimento: o Brasil prefere a negociação, mas não aceitará que a negociação seja confundida com rendição.


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EUA militarizam América Latina e iniciam implantação de ‘Doutrina Donroe’

Um ano e meio depois de assumir o governo norte-americano e colocar a América Latina como uma de suas prioridades de sua atuação internacional, a presidência de Donald Trump inicia uma ofensiva para militarizar a região e implementar o controle sobre o Hemisfério, tese conhecida em Washington como Doutrina Donroe.

Nesta semana, no Panamá, o governo norte-americano enviou parte de sua cúpula militar para reuniões com os 18 países que fazem parte do Escudo das Américas, iniciativa criada no começo do ano para estabelecer uma aliança na região, supostamente no combate ao “terrorismo, narcotráfico e cartéis”.

Pete Hegseth, secretário de Guerra, anunciou que os EUA iniciariam ataques por terras contra cartéis na América Latina. No Equador, as operações já são uma realidade e, agora, a Colômbia autorizou o mesmo padrão de ação.

Mas com a presença de forças e ministros da Argentina, El Salvador, Paraguai e outros aliados, o encontro serviu ainda para desenhar a construção de uma nova realidade regional, sem a presença do Brasil.

Foi longe dos holofotes que a operação, de fato, ganhou contornos que passou a preocupar diplomatas brasileiros e estrangeiros. Um dos elementos centrais da estratégia é a criação de uma central de inteligência que, sob o comando dos EUA, poderia atuar em toda a região.

Condor 2.0?
Os países ainda seriam submetidos a entregar inteligência de pessoas e organizações, numa espécie de ofensiva regional contra qualquer ator que possa ser considerado como uma “ameaça” aos interesses dos EUA.

Hoje, o discurso é de que a ameaça vem dos cartéis. Mas há quem tema que a estrutura montada permitirá que os EUA se dêem todos os meios para frear qualquer tipo de ator que possa representar algum desafio para seus interesses.

O acesso aos recursos naturais, por exemplo, seria um desses cenários futuros, principalmente com a concorrência da China.

Não por acaso, membros de forças de oposição em países latino-americanos que optaram por entrar no projeto falam da repetição da lógica do Plano Condor, criado nos anos 70 para coordenar ações contra atores subversivos na região. A diferença é que, naquele momento, a operação era sigilosa.

Plano começa a ser implementado
Nesta semana, o general do Corpo de Fuzileiros Navais Francis L. Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA, afirmou que os membros da coalizão definiram os próximos passos da iniciativa, incluindo o “aprimoramento dos planos de campanha prioritários contra as redes criminosas, a designação de funções e nações líderes, o estabelecimento de grupos de trabalho com objetivos e marcos específicos e o início das avaliações da campanha da coalizão”.

“Entre agora e novembro, vamos elaborar um plano de campanha”, disse ele. “Vamos analisá-lo com nossos colegas e membros aqui presentes e aprová-lo até novembro”, explicou.

O general também afirmou que os governos da coalizão se apresentaram como candidatos para liderar as operações em diferentes setores. “Ontem, ao final da nossa sessão, saímos e fizemos um levantamento inicial… quem quer liderar em diferentes regiões? Quem quer liderar, para… combater essas redes?”, disse Donovan. “Tivemos voluntários imediatamente, nações que queriam se apresentar e assumir a liderança em sub-regiões e combater certas ameaças”, disse.

A referência à suposta liderança de outros países, porém, não passa de uma manobra para vender a ideia à opinião pública dos países envolvidos de que eles seriam supostamente “parceiros”.

A realidade é que, dias antes do anúncio da construção concreta da aliança, o Comando Sul dos EUA ativou a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental (JTF-WHEM). A estrutura, segundo nota do Pentágono, foi “criada especificamente para sincronizar as operações militares dos EUA com aliados e parceiros, a fim de combater ameaças, fortalecer a segurança regional e responder rapidamente a crises em todo o Hemisfério Ocidental”.

“O Comandante do SOUTHCOM, General Francis L. Donovan, ordenou a ativação da JTF-WHEM, que fornece comando e controle unificados nos níveis tático e operacional, integrando capacidades militares com as 18 nações parceiras da Coalizão Anticartel das Américas (A3C) para aumentar a eficácia operacional contra ameaças que prejudicam a segurança regional e impactam os Estados Unidos e as nações parceiras”, explicou.

De acordo com a nota, o órgão também fortalece a capacidade do SOUTHCOM de responder rapidamente a “contingências e crises humanitárias em toda a região”.

“A JTF-WHEM fortalece nossa capacidade de trabalhar ao lado de aliados e parceiros confiáveis, sincronizar capacidades militares e aplicar pressão sustentada contra as redes que ameaçam nossa segurança coletiva”, disse Donovan. “Juntos, estamos aumentando a segurança em todo o hemisfério e protegendo nossa pátria.”

Donovan selecionou o major-general do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Kevin Jarrard, para comandar a nova força-tarefa. Jarrard foi quem liderou recentemente o apoio militar dos EUA às operações de socorro após os terremotos de junho de 2026 na Venezuela.

Troca de inteligência
O que chamou a atenção de diplomatas estrangeiros e brasileiros é que a nova força-tarefa afirma que integra inteligência, vigilância e reconhecimento, planejamento operacional e coordenação multinacional para “aumentar a pressão sobre organizações nefastas que operam em todo o Hemisfério Ocidental”.

Um dos pontos centrais é o o fato de que “força-tarefa fortalecerá o compartilhamento de informações, expandirá o treinamento combinado, aprimorará a interoperabilidade, apoiará os esforços de interdição marítima, desenvolverá a capacidade dos parceiros e permanecerá preparada para fornecer assistência humanitária e resposta a desastres quando solicitada”.

“A Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental é o braço de ação do SOUTHCOM para enfrentar ameaças em todo o hemisfério”, disse Donovan. “Construído especificamente para esse fim e organizado para tarefas específicas, este quartel-general reúne capacidades militares personalizadas e parcerias de confiança para aumentar a fricção sistêmica total, o ritmo operacional, impor pressão sustentada sobre organizações criminosas e fortalecer a segurança dos Estados Unidos e de nossos parceiros. Juntamente com as 18 nações, estamos mudando a forma como enfrentamos essas ameaças”, completou.

“Fazemos coisas ruins com pessoas ruins”
Coube ao secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, dar o tom polêmico e político da operação. Segundo ele, o governo Trump iniciará imediatamente a tomar “medidas concretas” para lutar supostamente contra os cartéis da região.

“Quando dizemos que vamos desmantelar os cartéis, estamos falando sério, e sei que as nações desta coalizão sentem exatamente o mesmo… e tomarão medidas concretas — às vezes arriscadas, corajosas — em parceria.”

“Acreditamos que não há tempo a perder e não há momento melhor do que agora”, disse ele.

“O novo lema da Coalizão é: ‘Fazemos coisas ruins com pessoas ruins’”, disse ele. “Essa é a mentalidade que quero ver nesta sala. Estamos lidando com pessoas ruins que fizeram muitas coisas ruins com muitas pessoas boas, por muito tempo. E elas estão prestes a conhecer um novo xerife na cidade, e não estamos brincando. Narcoterroristas., traficantes de drogas, estejam avisados”, completou.

*Jamil Chade/ICL


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