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Brasileiros protestarão na sede internacional da Meta: ‘Tire as mãos de nossa eleição’

Ação denunciará medidas da empresa contra a campanha de Lula e alertará europeus sobre riscos para a democracia

Os imigrantes brasileiros na Irlanda se organizam para realizar um protesto diante de um dos principais escritórios da Meta no mundo. A iniciativa, que ocorrerá nesta sexta-feira em Dublin, tem como objetivo chamar a atenção da empresa diante de acusações de manipulação de algoritmos durante as eleições no Brasil, prejudicando o campo progressista. Outro objetivo será o de alertar aos europeus sobre os riscos do envolvimento de Big Techs nas democracias.

Ainda que oficialmente a empresa tenha sua sede na Califórnia, a base da companhia na cidade de Dublin é considerada como uma das mais estratégicas. O local é apresentado como a sede internacional da Meta para a Europa, Oriente Médio e África.

Na convocação, o grupo explica o motivo da iniciativa:

“A democracia brasileira está sob ameaça. A Meta está reprimindo ativamente a campanha de Lula e a esquerda brasileira em suas plataformas, ao mesmo tempo em que impulsiona ativamente o candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro”, afirmam.

“Convocamos os brasileiros em Dublin para se juntarem a nós em um protesto na sede da Meta, nesta sexta-feira, dia 16, às 17h30, contra a interferência das BIG TECHS dos EUA em nossa democracia e soberania. BORA! Juntem-se a nós!”, completa a mensagem.

Adeus, criptomoedas? Meta, ex-Facebook, encerra sua carteira digital

Julia Pires, uma das organizadoras, explicou ao ICL Notícias que a ideia surgiu de forma coletiva. “Estamos no lugar certo para isso. A Meta tem, aqui, créditos fiscais, tem um tratamento preferencial. Mas é um alerta que queremos também dar para os europeus: olha o que eles estão fazendo com a democracia no Brasil e na América Latina. Hoje é lá. Amanhã pode ser aqui, com vocês”, disse.

Segundo ela, a operação vai também envolver a sociedade civil irlandesa, justamente para questionar os benefícios fiscais que a empresa vem recebendo.

“O próximo movimento é levar o tema ao Parlamento Irlandês para debater o assunto”, explicou Julia. “Os benefícios podem ser tirados. Pelo menos devem ser questionados”, completou.

O protesto na Irlanda é ainda simbólico por conta da guerra fiscal entre os EUA e a empresa.

Em 2010, a empresa — então conhecida simplesmente como Facebook — estabeleceu um escritório em Dublin. Oficialmente, o objetivo era ter uma sede europeia. Com um imposto de apenas 12%, a Irlanda de fato conseguiu atrair muitas empresas, fugindo das taxas de 21% nos EUA.

Estabelecer operações no país também permitia às empresas transferir lucros para outras jurisdições de baixa tributação, como as Ilhas Cayman, que não cobram imposto de renda corporativo.

Nos últimos anos, porém, as autoridades americanas passaram a acusar a Meta de uma manobra. Ela teria transferido os direitos de propriedade intelectual para sua subsidiária irlandesa, o que permitiu à Meta declarar lucros no exterior substancialmente diferentes ao que eram declarados nos EUA.

Auditores sustentam, assim, que a empresa subestimou o valor de marcas, contratos com clientes, licenças de software e outros direitos transferidos para o exterior. Eles afirmam que a empresa deixou de declarar cerca de US$ 54 bilhões em receitas na última década e deve quase US$ 16 bilhões em impostos atrasados ​​e multas.

*Jamil Chade/ICL


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Documentos ligam lobby de Eduardo Bolsonaro a fundo secreto de Trump contra o STF

Programa de US$ 1 milhão foi criado pelo Departamento de Estado norte-americano para financiar ações no Brasil contra Corte Suprema

Documentos do governo de Donald Trump e do Congresso norte-americano revelam a existência de um fundo secreto de US$ 1 milhão liberado pelo Departamento de Estado para financiar ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O programa, batizado de Countering Lawfare and Censorship in Brazil, teve os recursos liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. As informações são do UOL.

Os mesmos documentos registram o lobby do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) junto a autoridades americanas pela aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo declarado de forçar uma anistia ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fundo secreto dos EUA contra o STF
Segundo documentos obtidos pelo UOL, o Departamento de Estado dos EUA patrocinou o programa Countering Lawfare and Censorship in Brazil, algo como “Enfrentando o lawfare e a censura no Brasil”, com dotação de US$ 1 milhão, equivalente a R$ 5 milhões.

Os recursos foram liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, em um momento de intensa polarização política no país.

Os documentos descrevem o fundo como uma ferramenta para “apoiar a sociedade civil para combater o ativismo judicial excessivo e a censura no Brasil”.

Um dos textos é mais explícito e afirma que “o prêmio visa mirar o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) e a percepção de que a Corte está atacando a liberdade de expressão nos EUA”.

O documento também menciona ordens para “remoção de uma publicação sobre Trump” nas redes sociais, em possível referência às decisões do inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que atingiram residentes americanos.

O fundo havia sido revelado pelo jornal britânico The Guardian, que o identificou como parte de uma lista de 43 programas do Departamento de Estado.

O enquadramento adotado pelos documentos americanos, ao descrever decisões soberanas do STF como “censura” e “ativismo judicial excessivo”, reproduz a narrativa construída pela direita bolsonarista desde que Moraes passou a atuar nos inquéritos sobre desinformação e a tentativa de golpe de Estado.

A adoção dessa narrativa como justificativa oficial para um fundo governamental americano evidencia a aproximação entre o discurso defendido por aliados de Jair Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil.

O lobby de Eduardo Bolsonaro
Os documentos vão além de descrever o fundo e registram nominalmente a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

“O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para que sanções sejam impostas ao ministro Moraes”, afirma um dos trechos, segundo a apuração do UOL.

Nos documentos acessados pela reportagem, não há confirmação de que Eduardo tenha recebido recursos do fundo. Procurado por mensagem e telefonema, ele não se manifestou até a publicação.

Eduardo se mudou para o Texas em fevereiro de 2025 e, desde então, conduziu uma campanha junto a autoridades americanas pela aplicação de punições a autoridades brasileiras, com foco em Alexandre de Moraes.

O objetivo declarado seria forçar algum tipo de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.

A campanha produziu resultados concretos. Moraes chegou a ser alvo de sanção pela “Lei Global Magnitsky”, enquanto outros ministros do STF foram incluídos em uma lista de restrição de vistos para os Estados Unidos pelo governo Trump.

A atuação também teve consequências para o próprio Eduardo Bolsonaro: ele foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por sua atuação no caso.

O registro do lobby de Eduardo nos documentos do fundo americano indica que a campanha do ex-deputado passou a integrar a justificativa oficial de um programa governamental dos Estados Unidos.

Os documentos, dessa forma, revelam uma sobreposição entre a agenda política defendida pela família Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil.

Controvérsias e sigilo
O programa passou por uma mudança relevante em seus termos. Inicialmente descrito como de “concorrência aberta”, com chamamento público a indivíduos ou entidades interessadas, o fundo foi posteriormente convertido para “concorrência restrita”, direcionada a poucos selecionados.

Um dos documentos justifica a mudança afirmando que “a divulgação pública do programa comprometeria sua eficácia, prejudicaria os interesses diplomáticos dos EUA no Brasil e exporia os executores ao risco de ações judiciais”.

A menção ao risco jurídico para os executores chama atenção por indicar que os responsáveis pelo programa consideraram a possibilidade de implicações legais decorrentes das atividades realizadas no Brasil.

O sigilo vai além da mudança de modalidade.

A identidade dos beneficiários dos recursos é mantida em segredo até mesmo de membros do Congresso americano e de servidores públicos que normalmente teriam acesso a esse tipo de informação.

O Departamento de Estado não respondeu à reportagem sobre quem são os destinatários finais dos valores.

Com recursos públicos, objetivos políticos declarados, beneficiários mantidos sob sigilo e uma justificativa baseada em interesses diplomáticos, o programa permanece distante do escrutínio de integrantes das próprias instituições americanas responsáveis por acompanhar esse tipo de iniciativa.

*Opera Mundi


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CIA planta histórias pró-Flávio para influenciar eleição, diz ex-agente dos EUA

Ex-agente diz que indício segue padrão da CIA de tentar influenciar eleições no exterior

A CIA estaria agindo nos bastidores da eleição no Brasil, plantando histórias para favorecer Flávio Bolsonaro e criar uma narrativa positiva para o senador.

As revelações são de John Kiriakou, ex-agente da CIA e que se tornou uma espécie de celebridade nos últimos anos. No começo da semana, ele foi às redes sociais para denunciar o que ele aponta ser um indício “crível” do envolvimento da agência de espionagem na eleição brasileira.

Nesta terça-feira, em seu podcast, ele deu mais detalhes. “Ouvi um rumor de um ex-colega meu da CIA, neste fim de semana, que a agência está ativamente trabalhando nos bastidores para apoiar Bolsonaro”, afirmou.

“E a forma que estão agindo é plantando histórias pro-Bolsonaro tanto na imprensa brasileira como imprensa internacional”, alegou.

Sem apresentar provas, ele foi cuidadoso em dizer que “não sabe” se essa versão é verdadeira. Mas pondera que a atitude vai na linha da atuação da agência ao longo de anos.

“Há uma longa história do envolvimento da CIA em eleições no exterior, controlando a narrativa midiática”, disse.

Ele destaca que muitos na imprensa brasileira saíram ao apoio de Bolsonaro. “Isso apesar do fato de que a presidência de Jair Bolsonaro ter sido um erro atrás de erro”, afirmou.

O ex-agente destacou como o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão, citando supostamente uma atitude “incrivelmente corrupta”.

Para Kiriakou, as projeções para o segundo turno não são favoráveis para Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que a direita já obteve uma das maiores vitórias de sua história no Brasil. “Lula deve perder a eleição e acho que o jovem Bolsonaro vai perdoar o pai”, estimou.

Ele também destacou como Donald Trump já endossou a candidatura de Flávio e admitiu como isso seria uma “violação das regras internacionais”.

No início da semana, ele escreveu nas redes sociais que esteve com Lula há três anos. Nesta terça-feira, ele explicou que foi um assessor do presidente que entrou em contato, para que Lula pudesse conversar sobre transparência no governo.

Na conversa, segundo o ex-agente, um dos temas foi a violência policial no governo de Jair Bolsonaro. O americano afirmou que sugeriu que Lula lidasse com essa realidade e que isso teria levado o setor policial a se voltar contra ele.

Quem é o agente?
Em 2013, o ex-agente da CIA declarou-se culpado por revelar o nome de um agente infiltrado, no primeiro processo desse tipo em 27 anos. Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004, foi condenado a 30 meses de prisão em um tribunal federal, como parte de um acordo de confissão.

Ele admitiu ter revelado a um repórter a identidade de um oficial infiltrado que participou de interrogatórios rigorosos de supostos membros da Al-Qaeda, mantidos em centros de detenção secretos da CIA.

Kiriakou ganhou destaque na mídia em 2007, durante a presidência de George W. Bush, ao afirmar em uma entrevista à rede de TV ABC que o *waterboarding* — uma técnica que simula o afogamento — havia sido utilizado contra um detento de Guantánamo chamado Abu Zubaida.

O diretor da CIA, David Petraeus, divulgou um comunicado saudando o acordo de confissão com Kiriakou, embora outras quatro acusações tenham sido retiradas. O caso “representa uma vitória importante para a nossa agência, para a nossa comunidade de inteligência e para o nosso país”, disse Petraeus.

Aquela foi foi a primeira vez em 27 anos que alguém foi considerado culpado por revelar o nome de um agente infiltrado.

*Jamil Chade/ICL


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Ex-espião dos EUA diz que há evidência de ação da CIA na eleição brasileira

John Kiriakou, ex-agente da CIA e que se tornou uma espécie de celebridade nos últimos anos, foi às redes sociais para denunciar um suposto indício do envolvimento da agência de espionagem americana na eleição brasileira.

Ele promete novas relevações ao longo da semana e, pelo menos por enquanto, não apresentou qualquer prova que sustente sua denúncia.

Inicialmente, ele escreveu nas redes sociais que esteve com Bolsonaro há três anos.

“Conversei com o presidente Bolsonaro há três anos, quando ele era candidato. Receio ter subestimado o poder do populismo nesta disputa atual. Ele vai perder. E há evidências confiáveis ​​de que a CIA está envolvida”, afirmou.

Instantes depois, ele foi às redes sociais para publicar uma correção.

“Uma correção aqui: minha conversa foi com LULA, não com Bolsonaro. (Para esclarecer, a CIA está potencialmente intervindo a favor de Bolsonaro, não de Lula). Explicações e mais detalhes sobre a eleição presidencial do Brasil sairão amanhã no programa *Briefing Room*, de John Kiriakou”, indicou.

Em 2013, o ex-agente da CIA declarou-se culpado por revelar o nome de um agente infiltrado, no primeiro processo desse tipo em 27 anos. Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004, foi condenado a 30 meses de prisão em um tribunal federal, como parte de um acordo de confissão.

Ele admitiu ter revelado a um repórter a identidade de um oficial infiltrado que participou de interrogatórios rigorosos de supostos membros da Al-Qaeda, mantidos em centros de detenção secretos da CIA.

Kiriakou ganhou destaque na mídia em 2007, durante a presidência de George W. Bush, ao afirmar em uma entrevista à rede de TV ABC que o *waterboarding* — uma técnica que simula o afogamento — havia sido utilizado contra um detento de Guantánamo chamado Abu Zubaida.

O diretor da CIA, David Petraeus, divulgou um comunicado saudando o acordo de confissão com Kiriakou, embora outras quatro acusações tenham sido retiradas. O caso “representa uma vitória importante para a nossa agência, para a nossa comunidade de inteligência e para o nosso país”, disse Petraeus.

Aquela foi foi a primeira vez em 27 anos que alguém foi considerado culpado por revelar o nome de um agente infiltrado.

*Jamil Chade/ICL


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Lula vence na China, Austrália e Coreia do Sul com mais de 50% dos votos

Mais de 915 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior em 2026; Flávio vence no Japão, mas com queda de voto em comparação a Jair Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu como o vencedor no primeiro turno das eleições nos postos na Austrália e Nova Zelândia. Os resultados da votação nesses dois países já foram divulgados pelos respectivos consulados, revelando uma forte presença de eleitores e uma ampla vantagem do petista.

Na Austrália, Lula somou 57,4% dos votos, contra apenas 30,7% para Flávio Bolsonaro. Foram 7,1 mil votos computados.

Em 2022, Lula havia obtido 54% dos votos dos brasileiros na Austrália. Flávio ainda teve um melhor resultado que seu pai, há quatro anos. Naquele momento, Jair Bolsonaro somou 28%.

No caso da Nova Zelândia, Lula venceu com ampla folga. Foram 234 dos 332 votos no país, cerca de 70%. Flávio somou apenas 19%. Renan Santos obteve um voto.

Na China, os resultados do consulado de Pequim apontam para uma vitória de Lula. O petista somou 104 votos, contra apenas 22 para Flávio. Augusto Cury teve três votos.

Em Xangai, Lula somou 116 votos, contra 41 para Flávio Bolsonaro e 9 para Renan Santos.

No total na China – sem contar Honk Kong – Lula somou 268 votos (65%), contra 98 de Flávio.

Os votos de Hong Kong deram um resultado favorável para Flávio, mas com uma diferença de apenas seis votos em comparação ao apoio recebido pelo petista.

Na Coreia do Sul, Lula somou 123 votos, 56%. O candidato do PL teve 72 votos, 33%.

Na Malásia, foram 44 votos para Lula, 53%, contra 27 para Flávio. Cingapura também deu Lula, com 54%.

Flávio perde espaço no Japão
No Japão, foi Flávio Bolsonaro que venceu, com 70% dos votos. O país abriga o terceiro maior contigente de brasileiros que votam no exterior. O representante do PL somou 24,6 mil votos, contra 5,2 mil de Lula. Mas sua votação ficou abaixo do desempenho de Jair Bolsonaro em 3 mil votos.

Pela Europa, as filas se formaram logo cedo. Em algumas capitais, brasileiros enfrentaram mais de duas horas de espera para conseguir votar.

Pelo mundo, o número de eleitores brasileiros aptos a votar cresce de forma exponencial e, em apenas quatro anos, a alta foi de 32%. Para este ano, são mais de 918 mil, um volume superior aos estados de Roraima (401,5 mil), Amapá (577,5 mil) e Acre (614,4 mil).

No total, o TSE enviou as urnas eletrônicas para 186 cidades de 134 países. Além dos EUA, Portugal, com 134,8 mil eleitores inscritos, e Japão, com 88,4 mil, são os maiores colégios eleitorais de brasileiros no exterior.

*Jamil Chade/ICL


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Brasileiros vão às urnas sob a maior ingerência estrangeira desde 1964

Não existem porta-aviões nas costas do Brasil. Mas, pela primeira vez desde 1964, milhões de brasileiros irão às urnas neste domingo sob a maior ofensiva estrangeira desde o golpe de estado que instaurou o regime militar.

Estratégico para os interesses americanos de redesenhar o mapa do Hemisfério Ocidental e sua própria posição de hegemonia global no século 21, o Brasil passou a ser considerado como crítico para qualquer plano dos EUA de enterrar a autonomia latina-americana.

Conter o avanço chinês e garantir o acesso à segunda maior reserva de terras raras do mundo estão entre os principais argumentos do interesse americano pelo país.

Asfixiar uma política externa independente por parte do Brasil, portanto, passou a ser uma prioridade no Departamento de Estado. Para o governo norte-americano, seu perímetro de segurança não termina em suas fronteiras. A influência sobre todo o continente é considerada como parte central da estratégia de defesa nacional.

Não por acaso, a operação para tentar moldar o destino da eleição brasileira começou mais de um ano antes do momento do voto, em estreita colaboração com a extrema direita brasileira. Os escolhidos para agir como “força local” – os membros do clã Bolsonaro – foram instrumentalizados como forma de garantir que, uma vez no poder, sucumbam aos interesses norte-americanos e retribuam os serviços prestados pela CIA, pelo Departamento de Estado, Tesouro e pela Casa Branca.

Se o projeto vinha sendo germinado desde janeiro de 2025, foi em 9 de julho daquele ano que ele seria colocado em marcha. Trump enviou uma carta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qual anunciava tarifas de 50% contra os produtos brasileiros, uma das mais elevadas do mundo. Como argumento, alega que seriam impostos cobrados como resposta aos ataques que Jair Bolsonaro estaria sofrendo por parte da Justiça do país.

No final daquele mês, o ministro Alexandre de Moraes seria alvo de sanções na Lei Magnitsky, uma vez mais numa tentativa de criar um constrangimento nas instituições brasileiras que julgavam a tentativa de golpe de estado por parte de Bolsonaro.

Um mês depois, autoridades brasileiras teriam seus vistos revogados, supostamente por terem feito parte da estruturação do programa Mais Médicos, com a presença de profissionais cubanos. Entre os atingidos estava Alexandre Padilha, ministro da Saúde.

Em setembro foi a vez da imposição de sanções contra a mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a empresa LEX – Instituto de Estudos Jurídicos, que pertence à família do magistrado.

A barganha sobre a mesa
A barganha começava a ser desenhada. Em outubro daquele ano, o governo Trump entregaria uma proposta de acordo comercial com o Brasil. Para rever as tarifas de 50% contra os produtos nacionais, exigiam que “dissidentes políticos” fossem libertados da prisão, uma forma de exigir o fim da condenação contra Bolsonaro.

A esperança era de que, pressionados pela elite econômica do Brasil, Lula, seu governo e as cortes cedessem. Isso não ocorreu.

Em 2026, a pressão continuou. Nas primeiras semanas do ano, uma nova proposta foi apresentada pelo governo Trump ao Brasil. Desta vez, a questão do ex-presidente não estava colocada. Mas os americanos exigiam, entre tantos pontos, que o Brasil garantisse que não venderia terras raras para a China.

Enquanto isso, a operação nos bastidores continuava. Em março, Darren Beattie, assessor de Trump, tentou visitar Jair Bolsonaro na prisão. Mas teve seu visto rejeitado pelas autoridades brasileiras, depois que ele omitiu que esse seria um dos objetivos de sua viagem ao país.

Maio foi um momento decisivo. Com o escândalo do Banco Master desembarcando na campanha de Flávio Bolsonaro, a Casa Branca abriu espaço para que Trump recebesse o senador. O ato foi interpretado como uma operação para salvar sua candidatura. Em troca, Flávio ofereceu acesso às terras raras brasileiras e a adesão do país no Escudo das Américas.

Dias depois, ainda naquele mesmo mês, o governo Trump anunciaria a classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, e colocando o tema da segurança pública no centro do debate eleitoral. Mais uma vez, o objetivo era encurralar o governo Lula e abrir espaço para que Flávio Bolsonaro pudesse se apresentar como o interlocutor predileto para supostamente “lutar contra o crime organizado”.

O Palácio do Planalto chegou a apresentar um projeto de cooperação aos EUA para lutar contra as entidades do narcotráfico. Mas a Casa Branca jamais respondeu. O objetivo, apontam negociadores, não era combater o crime.

A operação ainda envolvia uma tentativa de desestabilizar a confiança nas urnas e no processo eleitoral. Em julho, dois funcionários do Departamento de Estado americano, Riley Bernes e Samuel Samson, tentaram viajar ao Brasil para averiguar o sistema eleitoral brasileiro. Ambos tiveram seus vistos rejeitados.

Um mês depois, o consulado dos EUA em São Paulo convocou influenciadores para uma reunião supostamente sobre liberdade de expressão, em mais um gesto considerado como uma operação para promover uma ingerência num momento político complicado no país.

O passo seguinte foi a adoção de tarifas contra produtos brasileiros, em parte alegando que o sistema de pagamentos digitais do Brasil seria injusto para a concorrência estrangeira. Uma vez mais, o foco era colocar um preço elevado sobre o governo por sua audácia de manter uma autonomia em relação aos interesses dos EUA.

O processo de ingerência foi permeado por críticas de assessores de Trump e autoridades como Marco Rubio contra Lula e contra o Brasil.

Em setembro, faltando poucas horas para encerrar o prazo para aprovação de orçamentos no Senado americano, o governo Trump ainda aprovaria o envio de US$ 1 milhão a grupos no Brasil que se oponham ao Supremo Tribunal Federal. O pacote tinha como finalidade financiar uma ofensiva contra o Poder Judiciário.

O governo Lula, porém, sempre temeu que uma operação poderia ocorrer nos últimos dias da campanha, causando turbulência para o processo eleitoral. O que era apenas uma análise de risco deu demonstrações de poder ser uma realidade.

Nesta sexta-feira, dois dias antes do primeiro turno, o governo dos EUA anunciou o fechamento de seus postos diplomáticos no Brasil supostamente por conta de uma ameaça de bomba.

A Polícia Federal esclareceu que não encontrou qualquer indício de um possível crime sendo preparado e que a ameaça era apenas uma mensagem numa conta de uma rede social.

Mas, enquanto as investigações eram realizadas, o submundo da internet já propagava a desinformação de que o PCC estaria disposto a atacar a embaixada dos EUA diante do risco de uma vitória de Flávio Bolsonaro.

A disseminação de um clima de tensão era tudo o que a Casa Branca pedia.

*Jamil Chade/ICL


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PF e Abin emitem alerta para tentativa de golpe após EUA fecharem embaixada no Brasil

Segundo Revista Fórum, inteligência brasileira monitora possível ação coordenada para gerar clima de medo antes do primeiro turno das eleições

A ordem do governo Donald Trump para suspender o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e os consulados instalados no país por “questões de segurança”, emitida nesta sexta-feira (02/10), gerou um alerta na Polícia Federal (PF) e Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para uma operação psicológica, coordenada pela Casa Branca em conluio com a candidatura Flávio Bolsonaro, que visa uma nova tentativa de golpe de Estado. A informação foi obtida pela Fórum junto à PF e confirmada por um embaixador relevante no governo Lula.

Segundo informações obtidas pela Fórum, após a ordem de fechamento da embaixada por “ameaças”, emitida pelo Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio, informes foram emitidos para o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) – rede que integra os órgãos federais de inteligência e contrainteligência do Brasil – alertando para uma “Psyops”, operação psicológica a partir da Casa Branca para gerar um clima de tensão permanente até o domingo (04/10), no primeiro turno das eleições presidenciais.

“Essa tentativa de golpe não é aquele golpe tradicional. É para intervir e favorecer um candidato. A ideia deles é o favorecimento em detrimento de outro. Ou seja, o objetivo é que o candidato atual que pode vencer, o presidente Lula, seja considerado ‘culpado’ por deixar esse ‘clima violento’. As pessoas vão sentir medo, e no medo ou votam no outro ou não vão votar. Pode-se criar abstenção a ponto de não se ter a quantidade de votos para se ganhar no primeiro turno”, afirmou uma fonte da PF, que participa da produção dos informes que estão sendo enviados ao Sisbin.

ImagemEmbaixada EUA Brasil

@EmbaixadaEUA
Traduzido do inglês
Os Serviços Consulares na Embaixada dos EUA e Consulados nos Estados Unidos no Brasil serão suspensos a partir de hoje, 2 de outubro, devido a preocupações de segurança. Cidadãos dos EUA que busquem assistência emergencial durante este período não devem comparecer à Embaixada, aos Consulados ou a outras instalações diplomáticas dos EUA. Se você precisar de assistência emergencial, entre em contato com o Oficial de Serviço apropriado:

A “guerra híbrida”, que inclui a participação das redes sociais comandadas pelas big techs, segundo o agente, é tratada internamente como Operação Brother Sam II. O nome remete à Operação Tio Sam desencadeada pelos EUA no golpe de 1964, quando o governo estadunidense chegou a deslocar para o litoral braasileiro uma força-tarefa, liderada pelo porta-aviões USS Forrestal, destróieres e navios-tanque, para intervir caso houvesse resistência interna.

“O objetivo claro é criar um clima de medo. Aí, o eleitor pensa: ‘Poxa, embaixada americana, australiana, estão fechando por conta de possíveis atos terroristas’. Desa forma ele age assim: ‘está tenso, será que eu vou sair de casa hoje para votar?’”, explicou o PF à Fórum.

Os informes já teriam sido distribuídos, além da Sisbin, para ministérios e representantes do Itamaraty. Um deles confirmou à Fórum ter recebido informações sobre o alerta desencadeado pelos setores de inteligência.

“Está em curso uma guerra híbrida, ou seja, uma operação psicológica gerando informações desencontradas, dissonantes, pra criar esse clima desfavorável de insegurança ou de que algo pode acontecer”, diz a fonte.

Participação do clã Bolsonaro
Os sistemas de inteligência acreditam que a decisão do governo Trump, emitida por Marco Rubio, de suspender as atividades na embaixada e consulados possam ter sido decididos por meio de interlocução com representantes da campanha de Flávio Bolsonaro, em mais uma investida dos EUA nas eleições na América Latina. Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do candidato, é um dos principais interlocutores e tem acesso ao Departamento de Estado, em Washington.

A informação obtida pela revista é que a campanha de Flávio Bolsonaro deve propagar pânico a partir da decisão que veio dos EUA, inclusive com declarações do próprio candidato a respeito.

“Estamos assistindo ou presenciando um novo golpe de estado. O bode expiatório não é mais o ‘comunismo e a corrupção’, mas o Estado brasileiro censurador e a extensão no Judiciário”, diz a fonte ouvida pela Fórum, sobre a estratégia de “censura” e ataques ao judiciário, ampliada desde a noite desta quinta-feira (1º) com o cancelamento do debate pela TV Globo.

A Fórum obteve parte de um dos informes enviados ao Sisbin que explica detalhadamente a Operação Psicológica monitorada pela inteligência brasileira.

“As OpPsico, em seu planejamento e na sua execução, baseiam-se em princípios que, bem observados, concorrerão para o seu êxito”, enuncia o texto, citando diversos pontos importantes observados no desencadeamento da operação. Entre eles, são citados:

Credibilidade – As Op Psico devem ser baseadas em fatos que levem o público-alvo a acreditar na mensagem, porque a credibilidade é fator primordial do seu sucesso.

Oportunidade – As Op Psico devem ser desencadeadas no momento oportuno, perfeitamente entrosadas no tempo e no espaço.
Progressividade – As ações a realizar devem ser escalonadas no tempo, segundo um ritmo adequado. Cada fase deve ter um ou mais objetivos definidos que contribuam para o sucesso da seguinte.

Unidade de Comando – A direção das Op Psico é centralizada no mais alto escalão, cabendo-lhe orientar e controlar todas as ações, já que decisões e interpretações diferentes podem anular, revelar ou contrariar todo o esforço realizado.

Segundo informações obtidas pela Fórum, o monitoramento de uma possível interferência dos EUA tem sido monitorada há meses pelos agentes de inteligência.

Nesta quinta-feira (1º), uma notícia divulgada pelo jornal britânico The Guardian chamou a atenção. Donald Trump destinou US$ 1 milhão para um grupo de brasileiros para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação coincide com as suspeitas de financiamento externo para minar a credibilidade da Justiça e criar um clima de “censura” no País.

Segundo a reportagem do Guardian, a verba milionária faz parte de um pacote de 176,9 milhões de dólares do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que passou a financiar iniciativas ligadas a pautas conservadoras e de direita em diferentes países.

O programa destinado ao Brasil se chama “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” – em tradução livre, “Combatendo a guerra jurídica e a censura no Brasil”, segundo o jornal britânico.


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Eleições: EUA fecham embaixada no Brasil, citam “ameaças”

EUA suspendem atendimento presencial em todas as representações diplomáticas no país a dois dias do primeiro turno; Departamento de Estado fala em “questões de segurança”

A dois dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, os Estados Unidos suspenderam nesta sexta-feira (2) o atendimento presencial na Embaixada em Brasília e nos consulados instalados no país por “questões de segurança”. Washington não explicou o que motivou a medida, mas, ao se pronunciar sobre o caso, o Departamento de Estado citou alertas sobre “ameaças” e afirmou estar trabalhando em conjunto com autoridades brasileiras.

A medida atinge todas as instalações diplomáticas estadunidenses no Brasil. Cidadãos dos EUA que precisem de assistência emergencial foram orientados a não comparecer aos prédios e a procurar o oficial de plantão por telefone ou e-mail.

Até o momento, no entanto, não há qualquer informação oficial que relacione a medida adotada pelos Estados Unidos ao processo eleitoral brasileiro.

Embaixada teria sido alvo de ameaça
Segundo apuração do site Metrópoles, funcionários da Embaixada dos Estados Unidos foram dispensados do trabalho presencial depois que a representação diplomática teria sido alvo de uma ameaça.

O tipo de ameaça não foi divulgado. Os funcionários receberam na quinta-feira (1º) um comunicado por e-mail determinando que trabalhassem de casa nesta sexta.

A decisão, no entanto, acabou tendo alcance maior: o atendimento presencial também foi suspenso nos consulados estadunidenses no Brasil, afetando todas as instalações diplomáticas do país.

Washington não informou a origem da ameaça, sua natureza ou o grau de risco identificado.

EUA citam “ameaças” e dizem atuar com autoridades brasileiras
Questionado sobre o episódio, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou à imprensa que “a administração Trump tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos”.

Na resposta, o governo estadunidense mencionou expressamente “ameaças”.

“As Embaixadas e Consulados dos Estados Unidos no exterior utilizam regularmente o sistema de mensagens STEP, incluindo alertas, para informar os cidadãos americanos sobre ameaças, eventos e mudanças relevantes no contexto local”, afirmou o Departamento de Estado.

O STEP (Smart Traveler Enrollment Program) é o sistema utilizado pelo governo dos EUA para fornecer informações consulares e alertas de segurança a cidadãos estadunidenses que estejam no exterior, segundo a Forum.

O Departamento de Estado acrescentou ainda que mantém contato com o governo brasileiro.

“Estamos trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, declarou.

Washington, entretanto, não informou quais seriam essas “questões de segurança”, que autoridades brasileiras estão envolvidas nas tratativas ou se existe uma ameaça específica contra outras representações diplomáticas além da Embaixada em Brasília.

Suspeita de bomba mobilizou segurança no STF
A suspensão ocorre ainda em meio a outro episódio de segurança registrado em Brasília.

Na quinta-feira, um homem tentou pular as grades em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e lançou uma mochila sobre uma parada de ônibus próxima à Corte. Diante da suspeita de que pudesse haver um explosivo, a Polícia Judicial do Supremo acionou a Polícia Militar do Distrito Federal.

Parte da Esplanada dos Ministérios chegou a ser interditada. Após a deflagração da Operação Petardo, porém, a PMDF descartou a existência de uma bomba: dentro da mochila havia apenas roupas. O homem detido aparentava estar em surto e apresentava falas desconexas.

Não há, até agora, confirmação de qualquer ligação entre o episódio ocorrido nas proximidades do STF e a ameaça relatada contra a Embaixada dos Estados Unidos.

Da mesma forma, não há indicação oficial de que a suspensão do atendimento diplomático esteja relacionada às eleições deste domingo.


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US$ 1 milhão contra o STF

O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar uma campanha contra o STF, no Brasil. As revelações foram publicadas nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian, que aponta como recursos originalmente destinados pelos EUA para a agenda de direitos humanos no mundo foram redirecionados para pautas de interesse da extrema direita americana.

Segundo a reportagem, um subsídio de US$ 1 milhão, intitulado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que é descrito como excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte do Brasil.

“O governo Trump impôs sanções ao ministro brasileiro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente”, relembrou o artigo.

De acordo com o jornal, um assessor parlamentar democrata afirmou que uma senadora do Comitê de Relações Exteriores, Jeanne Shaheen, havia mantido o bloqueio de dez repasses, totalizando US$ 22 milhões, destinados a projetos no Brasil, na África do Sul e na Nigéria, bem como à promoção de uma ideologia de direita no Reino Unido e na Europa.

Nesta semana, Shaheen mandou uma carta ao governo Trump para denunciar a ingerência na eleição brasileira e cobrar da Casa Branca um reconhecimento do resultado das urnas no país.

Segundo o assessor consultado pelo jornal, o Secretário de Estado Marco Rubio havia assinado pessoalmente um memorando para ignorar os bloqueios da senadora e autorizar o empenho dos recursos.

O dinheiro vem do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, criado para financiar a agenda conservadora de Trump pelo mundo e, segundo seus críticos, atacar qualquer tipo de oposição.

“O maior repasse, no valor de US$ 40 milhões, foi destinado a um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation (VOC) — uma organização sem fins lucrativos anticomunista que, no passado, havia recebido subsídios de valores muito inferiores”, indicou a reportagem.

Um documento de verificação de antecedentes do Departamento de Estado, consultado pelo jornal The Guardian, registra contratos anteriores entre a fundação e o órgão totalizando US$ 96.997 nos últimos cinco anos — todos no ano fiscal de 2022 — e aponta que a entidade passou por uma verificação em 2019 relacionada a ingressos para o evento de gala da fundação.

O documento também identifica Andrew Bremberg — ex-assessor de política interna da Casa Branca durante o governo Trump e ex-embaixador dos EUA junto ao escritório da ONU na Europa — como um “líder sênior” da fundação.

*Jamil Chade/ICL


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ONU recebe alerta sobre ingerência dos EUA na eleição no Brasil

Às vésperas da ida de Lula para NY, Instituto Vladimir Herzog pediu que ONU conclame países a reconhecer resultado da eleição brasileira

A ONU recebeu neste fim de semana alertas com relação às possíveis ingerências dos EUA contra as eleições no país. O documento, encaminhado pelo Instituto Vladimir Herzog, chega ao gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para participar, em Nova York, da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Cópias ainda foram enviadas para o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk.

No texto, obtido com exclusividade pelo ICL Notícias, a entidade de direitos humanos no Brasil faz um relato detalhado dos episódios de ataque contra a democracia do país por parte do governo de Donald Trump. O documento também revela como a Abin chegou a soar o alerta em relação à ingerência.

A carta faz parte de uma ação coordenada por parte de diferentes movimentos da sociedade civil para mobilizar a comunidade internacional para reconhecer o resultado da eleição brasileira. O temor é de que, numa eventual vitória de Lula, o governo Trump e seus aliados de extrema direita se recusem a aceitar o resultado das urnas.

O objetivo da carta, portanto, é o de soar o alerta na mais alta instância da ONU e pedir que Guterres conclame países a reconhecer o resultado da eleição no Brasil.

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, revela que, entre 20 e 24 de julho deste ano, participou da Delegação da Sociedade Civil Brasileira em Defesa das Eleições e da Democracia, recebida em Washington e Nova York e integrada por quinze organizações brasileiras.

“Reunimo-nos com congressistas democratas e republicanos, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, diplomatas e organizações da sociedade civil”, disse Sottili. “Voltamos dessa última missão com uma preocupação ainda maior”, constatou.

“Entendemos que já existem sinais concretos de uma dinâmica de ingerência externa sobre o processo político e eleitoral brasileiro e de uma tentativa de condicionar decisões soberanas tomadas por nossas instituições”, disse.

A questão de um eventual não reconhecimento do pleito no Brasil foi um dos aspectos alertados:

“Mais grave ainda: tememos que, caso essas pressões não produzam o resultado político pretendido antes da eleição, possam ser sucedidas por uma estratégia destinada a desacreditar o pleito, questionar sua legitimidade, retardar seu reconhecimento internacional e produzir instabilidade política depois da votação”, alertou o diretor.

O pacote de medidas tomado pelos EUA contra o Brasil, segundo a carta, “reúne várias características associadas às formas contemporâneas de coerção e guerra híbrida”.

“Em nossa avaliação, existe um risco que precisa ser considerado seriamente: que essas ferramentas sejam utilizadas para influenciar o ambiente eleitoral brasileiro em benefício de atores politicamente alinhados à administração estadunidense e que, caso o resultado das urnas seja contrário a essa expectativa, a estratégia se desloque para uma segunda etapa — a alegação de fraude, a deslegitimação das instituições e o eventual não reconhecimento do resultado”, disse.

O não reconhecimento internacional da eleição, segundo a entidade, é “particularmente perigoso”. “A proclamação do resultado eleitoral brasileiro é uma atribuição soberana das instituições brasileiras e sua validade não depende da chancela de nenhum governo estrangeiro”, disse.

“Entretanto, a experiência de 2022 mostrou que o reconhecimento internacional rápido contribuiu para reduzir o espaço político das narrativas de fraude e de ruptura institucional”, apontou o documento,.

O alerta do Instituto é de que, em 2026, “o silêncio, a hesitação ou o questionamento coordenado do resultado por governos estrangeiros podem produzir o efeito inverso: alimentar redes de desinformação, oferecer legitimidade externa à contestação interna e prolongar artificialmente um conflito eleitoral”.

“Por isso, entendemos como medida concreta e preventiva que todos os países reconheçam imediatamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor”, pediu a entidade.

O grupo pede a Guterres que atue em cinco frentes:

Reafirmar publicamente os princípios da soberania, da não intervenção e do direito exclusivo do povo brasileiro de escolher livremente seus governantes;
Conclamar os Estados-membros das Nações Unidas a respeitar prontamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor;
Acompanhar, dentro dos mandatos pertinentes do Sistema das Nações Unidas, sinais de ingerência externa, manipulação informacional transnacional e pressões sobre as instituições democráticas brasileiras;
Defender a independência, a autonomia técnica e a integridade das missões internacionais oficialmente credenciadas para acompanhar o pleito;
Desencorajar o uso de instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou securitários destinados a condicionar o processo eleitoral de um Estado soberano.
A carta é concluída com um alerta do papel que o país desempenha na defesa da democracia no mundo.

“O que está em risco não concerne somente ao Brasil. Se uma potência puder condicionar negociações econômicas à participação de determinados atores políticos nas eleições de outro país, utilizar sanções contra suas autoridades, interferir na disputa sobre suas instituições e, ao final, decidir politicamente se reconhecerá ou não a escolha soberana de sua população, estaremos diante de uma situação que ameaça a todas as nações e aos próprios princípios sobre os quais se construiu a ordem multilateral”, alerta.

“Para o Instituto Vladimir Herzog, defender as eleições brasileiras significa defender um princípio universal: nenhum povo deve ter sua escolha democrática condicionada pela vontade, pela pressão econômica ou pelo poder político de outro Estado”, insiste.

“A democracia brasileira não diz respeito apenas ao Brasil: o que acontecer aqui repercutirá sobre a força, a credibilidade e o futuro da democracia em todo o mundo”, completou.

Violações de Direitos Humanos
Já na carta para Volker Turk, alto comissário para Direitos Humanos, a entidade brasileira faz os seguintes pedidos:

  • Reafirmar publicamente a importância de proteger o direito do povo brasileiro de participar livremente dos assuntos públicos e de expressar sua vontade por meio de eleições genuínas, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos;
  • Acompanhar de perto, no âmbito do mandato do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, as implicações para os direitos humanos decorrentes de ingerência externa, manipulação transnacional da informação e pressões externas sobre as instituições eleitorais e judiciais brasileiras antes, durante e após as eleições de 2026;
  • Manter diálogo, quando apropriado, com o governo brasileiro e com outros governos relevantes a respeito de ações que possam comprometer a participação política, a independência das instituições, o espaço cívico ou a livre expressão da vontade dos eleitores brasileiros;
  • Incentivar os mecanismos pertinentes de direitos humanos das Nações Unidas e as estruturas regionais do Alto Comissariado a permanecerem atentos a acontecimentos que possam afetar os direitos políticos, a liberdade de expressão, a independência do Poder Judiciário, os defensores de direitos humanos, jornalistas e a sociedade civil durante o período eleitoral;
  • Ressaltar publicamente que instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou de segurança não devem ser utilizados de maneira a interferir no exercício dos direitos políticos ou comprometer a integridade de um processo democrático soberano.
  • Considerar a emissão de um pronunciamento público alertando para os riscos que eventuais formas de ingerência externa podem representar para o exercício dos direitos políticos e para a integridade do processo eleitoral brasileiro, reafirmando a importância de que a vontade dos eleitores possa ser formada e expressa livremente, sem coerção, manipulação ou pressões externas, e conclamando todos os atores nacionais e internacionais a respeitar os direitos humanos, a independência das instituições democráticas e o resultado oficialmente proclamado pelas autoridades eleitorais brasileiras.

No documento, a entidade insiste que “a ingerência externa em um processo eleitoral não constitui apenas uma ameaça à soberania de um Estado. Ela pode afetar diretamente o exercício de direitos humanos internacionalmente protegidos, em particular o direito de participar dos assuntos públicos e de escolher livremente seus representantes”.

“Pressões econômicas ou diplomáticas, campanhas de desinformação, tentativas de desacreditar instituições eleitorais e judiciais ou ações destinadas a condicionar a participação de atores políticos podem comprometer a livre formação e expressão da vontade dos eleitores. Podem também produzir efeitos mais amplos sobre a liberdade de expressão, o espaço cívico, a independência das instituições e a atuação de jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil. É, portanto, também sob a perspectiva do direito internacional dos direitos humanos que entendemos ser necessário avaliar os riscos atualmente enfrentados pelo processo eleitoral brasileiro”, completa.

*Jamil Chade/ICL


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