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Cultura Política

Batuque na cozinha, Sinhá não quer

É na batucada da vida que mora a alma profunda do Brasil, seja no samba, seja no choro.

Sob qualquer ângulo que se fale de Brasil, desde sua invenção colonial até os dias atuais, essa genial frase merece acato da história do Brasil real, não o oficial, como bem salientou Machado de Assis, definindo o Brasil oficial, institucional como caricato e burlesco.

Para ser mais preciso, o Brasil de cabeça colonizada, eurocêntrica e totalmente surdo para o clamor do próprio povo.

O que se observa é uma realidade nada discutida nas normas institucionais de cultura do Brasil, que é cópia da classe economicamente dominante desde sempre.

A profunda omissão desse filão de aspectos culturais, mas sobretudo políticos, já está familiarizado no cerne da nação. O brasileiro real jamais foi hesitante na hora de apresentar sua identidade política e cultural. Já para os dizedores dos conselhos nativos, os senhores doutores em cultura e política, a batucada é, por si, algo menor, que não deve frequentar os salões da casa grande em pleno 2026.

E não pensem que os senhores das cenzalas cafeeiras que ainda rondam o universo institucional no Brasil acham isso algo banal, não. Esse espírito escravocrata está aí pairando na nossa frente contra o fim da escala 6 x 1, mostrando a diferença profunda entre os que sempre exploraram, extorquiram, escravizaram e os brasileiros escravizados, tendo, lógico, a escravidão dos negros propriamente dita, a mais profunda indecência humana.

Por isso. até hoje, as cabeças colonizadas brasileiras, para se manterem sempre no topo da pirâmide social, não aceitam qualquer política de inclusão ou reparação num país de pouco mais de cinco séculos em que quatro deles viveu uma feroz escravidão dos negros.

As instituições brasileiras, políticas e culturais seguem à risca a cartilha das sinhás no que se refere aos baloartes da santíssima trindade da música popular brasileira, João da Baiana, Donga e Pixinguinha, formados na mais profunda e pura organização política e cultural do povo brasileiro.

Os três batutas eram tão batutas no samba quanto no choro, mostrando a precisa ligação orgânica entre esses dois grandes faróis da cultura brasileira, até porque, como disse o grande Mário de Andrade, em sua obra fundamental, o livro Ensaios sobre a Música Brasileira, Mario afirma “A música popular brasileira é a mais completa, mais totalmente naciona, mais forte criação da nossa raça até agora”.

Esse, que é um dos principais pontos de visão do grande guru sobre a formação política e cultural do Brasil real, parece que não foi lido ou totalmente esquecido pelo oficialato cultural, mas também político desse país.

A expressão o choro no mundo é tão forte e soberana, palavra muito em voga, acertadamente, pelo presidente Lula, nas duas linguagens que correm, por motivos fundamentais, encontra-se de corpo e alma em incontáveis clubes de choro, sobretudo na Europa e Ásia. Todos inspirados no Clube do Choro de Brasilia, presidido por um baloarte incansável da cultura brasileira, Henrique Lima Santos Filho (Reco do Bandolim) que, além de músico, compositor e arranjador de excelência, é um incansável guerreiro em defesa da soberania cultural.

Por isso, transformou-se numa inspiração mundo afora por sua absoluta dedicação e competência à frente da, hoje. maior representação institucional da música brasileira.

Então, fica difícil entender por que o choro, que trafega desde o universo erudito aos bucólicos rincões do Brasil, ter um tratamento tão morno para não dizer quase nulo de uma de suas maiores expressões musicais.

Uma arte tipicamente brasileira ser tratada de forma tão banal, quando não barrada nas instituições de cultura desse país, só revela que o Brasil de alma profunda, que criou uma música da mistura de três raças, ameríndia, lusitana e, sobretudo, africana, receba tal tratamento do mundo oficial.

E não é por falta de obras contemporâneas, nem o samba, nem o choro, desde suas codificações como estilos no seculo XIX, deixaram uma única lacuna geracional por falta de novas criações espetaculares e genuínas.

Fica difícil entender tal comportamento institucional, já que, no dia 23 de abril se comemora o Dia Nacional do Choro em homenagem ao nosso mestre maior, Alfredo da Rocha Vianna Filho (Pixinguinha).


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Cultura

Acadêmicos de Niterói e a arte que imita a vida

Não é a homenagem a Lula que incomoda a direita, nesse ponto não há como refutar o enredo. É a história do Brasil. O que de fato está pegando para os oportunistas de sempre, que se classificam como conservadores, é serem representados por latas de conserva. Um golaço de placa autoexplicativo.

Sabendo disso, o enredo acabou por se transformar num tema multicultural de um mesmo país que continua, em pleno século XXI, tão ou mais colonial e escravocrata na cúpula da elite brasileira, que exerce um efeito cascata em parte das classes intermediárias e média.

Tudo é muito localizado, histrionicamente verbalizado carregado de ódio de classe.

Imagine um enredo de uma escola de samba retratando a biografia do bandalha, bandido, Jair Bolsonaro do começo ao fim.

Em síntese, foi isso que também se deu no mesmo desfile, na mesma avenida, com a mesma escola. Essa tradição negra no Brasil, que utiliza metáforas sempre muito criativas, fatos do cotidiano, é também uma das maiors caractrísticas do samba herdado do jongo das fazendas de café do Vale do Paraíba.

O fato é que o enredo do Brasil atual e histórico, ficou muito didático e honesto e a histeria dos reacionários contra o desfile não deixa dúvida de que a Acadêmicos de Niterói entregou o que prometeu com sobras. Desfile, samba enredo e bateria nota 10.

Ganha o Brasil por ser tão bem retratado de A a Z.


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Cultura Política

Audiência da Globo despenca após esconder desfile que homenageou Lula no Carnaval

A Globo perdeu audiência após esconder o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a transmissão do Carnaval neste domingo (15), conforme informações do F5, da Folha.

Em São Paulo, principal mercado publicitário do país, a emissora marcou 11 pontos entre 22h10 e 23h35, período em que a escola passou pela Marquês de Sapucaí, desempenho inferior à média recente da faixa e sob ameaça da Record, que transmitia a rodada final do Campeonato Paulista.

Segundo dados prévios, a Record atingiu 7 pontos no período e chegou a picos de 10 com São Bernardo x Corinthians entre 22h15 e 22h30, enquanto o desfile alcançou pico de 12 pontos. O SBT marcou 6 pontos. Cada ponto equivale a cerca de 199 mil telespectadores na Grande São Paulo.

Nas quatro semanas anteriores, a Globo havia registrado média de 15 pontos no mesmo horário com Fantástico e BBB 26, o que representa queda de 26%. Já no domingo de Carnaval de 2025, a emissora marcou 14 pontos ao exibir o Oscar, com a vitória do filme “Ainda Estou Aqui”.

Cobertura “mais sóbria”
A emissora adotou uma transmissão mais contida para evitar acusações de propaganda eleitoral. Antes do desfile, Pedro Bassan mencionou as tentativas de impedir a apresentação. A orientação interna foi focar alegorias e aspectos técnicos, evitando entrevistas com populares ou comentários políticos. A equipe de redes sociais também recebeu instruções para tratar o desfile de forma neutra.

Durante a exibição, comentaristas como Milton Cunha, Mariana Gross, Alex Escobar, Karine Alves e Pretinho da Serrinha concentraram as falas em fantasias, acabamento e evolução da escola, sem aprofundar o conteúdo político do enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que trazia referências diretas à trajetória do presidente e a episódios recentes da política nacional.

Acadêmicos de Niterói deu um show de irreverência, mostrou o Bolsonaro fantasiado de palhaço várias vezes, mas a narração da Globo censurou a explicação de tudo. Cobertura vergonhosa, mas aqui vamos mostrar tudo! pic.twitter.com/e06vPyb0jw

Diferença de tratamento
A comissão de frente encenou personagens representando os quatro últimos presidentes do país, incluindo uma sequência em que Lula passava a faixa para Dilma Rousseff, que a perdia para Michel Temer em referência ao impeachment de 2016.

Em seguida, a faixa era associada a Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo. Mesmo com a encenação explícita, a transmissão limitou-se a mencionar que se tratava de uma representação do passado recente do Brasil, sem identificar nominalmente as figuras parodiadas nem comentar o teor político da crítica.

Nos bastidores, a emissora já havia orientado seus profissionais a manter postura neutra para evitar interpretações que pudessem ser entendidas como posicionamento político. A escolha editorial também incluiu a decisão de não exibir integralmente o início do desfile da escola de Niterói.

O tratamento desigual ficou evidente na sequência da programação. Logo após a Acadêmicos de Niterói, a Imperatriz Leopoldinense recebeu cobertura ampla desde o esquenta, com apresentação detalhada do enredo em homenagem a Ney Matogrosso, entrevistas, contextualização histórica e exibição integral da entrada na avenida. Para parte do público, a diferença reforçou a percepção de omissão no caso da homenagem a Lula. DCM.


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Vídeos: Damares sente o tranco do enredo sobre Lula da Acadêmicos de Niterói e reage com ódio

Senadora, que deveria estar em retiro evangélico conforme diz nas imagens, afirmou que a escola criticou a igreja e o agro e, desbundada, prometeu: “Acabou, Lula!”

Na verdade, Damares Goiabeira, jamais teve medo do ridículo, e já mostrou os dentes, que representam a sinópse do enredo dos fascistas na disputa eleitoral de 2026, será ódio mais ódio, ódio cíclico, ódio fecundo, porque não tem outra coisa para apresentar ou comparar.

Hoje, o pacote de 5kg de arroz está na faixa de R$ 13, nos supermercados, comparado ao preço do arroz da era Bolsonaro, que chegou a R$ 40, não tem graça comentar.

Para piorar, a brucha foi devidamente enquadrada pelo carnavalesco e comentarista da Globo, Milton Cunha.

Imagens nas redes sociais, que foram ao ar durante o desfile, mostram Damares afirmando que uma das alas da escola “ridiculariza a igreja evangélica, o agronegócio, especialmente a igreja evangélica“.

“Nessa ala fantasia são latas de conserva, como se estivéssemos em conserva. E o nome da ala: ‘neoconservadores em conserva’”, afirma a senadora.

Contudo, nas imagens apresentadas ao vivo pela Rede Globo apenas se observam foliões com fantasias de “latas” em que se veem imagens de famílias estampadas, sem menção ao agro ou à igreja evangélica, e nem fantasia que caracterizasse aquilo que acusou.

No trecho da transmissão da globo, o comentarista afirma que a Acadêmicos de Niterói “entra na reta final do desfile nesse setor retratando terceiro mandato de Lula, com o Presidente da República enaltecendo a defesa da soberania nacional“. E mostra a ala dos “conservadores aí numa late em conserva“.

Damares afirma, na sequência, que o uso de verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inaceitável. E que o governo Lula estava ciente do desfile que zombaria do povo evangélico e aprovou essa ação em nome da liberdade artística.

Ela destaca a presença de milhares de jovens evangélicos em eventos e congressos, ressaltando que nesses espaços não há violência ou problemas associados, apenas louvor e saúde. Mas ao mesmo tempo em que usa o argumento, deixa implícito que assistiu a todo o desfile da escola que homenageou Lula em busca de algo que pudesse usar contra o estadista, quando deveria também estar em retiro.

Ele expressa indignação pelo desrespeito à fé evangélica, comparando a situação à reação que haveria se fosse uma religião de matriz africana. Damares anuncia que está tomando medidas legais contra a escola de samba, considerando isso uma perseguição religiosa e criticando a inação do governo Lula e de seus ministros.

No trecho de um vídeo compartilhado nas redes sociais, a fala de Damares é emendada por uma opinião do carnavalesco global Milton Cunha, em que ele defende a manifestação cultural do povo brasileiro no Carnaval, com todas as suas nuances:

“Ah, tem muita macumba. Ah, é sempre a África, meu amor. É desfile da inteligência negra periférica. Tu quer que fale de quê? Da Branca de Neve? Tu quer que fale do Donald Trump? Não, meu amor. Vai falar de Clementina de Jesus, vai falar de Exu, vai falar de Laila, porque escola de samba é negra”.

“Os negros produziram a maior vitrine cultural do Brasil para o mundo. Aceita que dói menos não aos racistas, nem no samba e nem em qualquer lugar. Era só o que faltava. Vem se apropriar da linguagem da procissão e depois falando mal da negritude. Show. Se joga, se joga Niterói“.

A fala, contudo, refere-se a outro momento, e não a Damares, mas é oportuna. (Trecho publicado no Urbs Magna).

Assista:

https://twitter.com/i/status/2023209945693294618

https://twitter.com/i/status/2023303030171373752


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‘Não é propaganda, é narrativa histórica’, diz autor de samba em homenagem a Lula

Compositor afirma que enredo é narrativo, não eleitoral, e relata emoção de Lula ao ouvir o samba no Palácio da Alvorada

Quando as sirenes tocarem na Marquês de Sapucaí, Sambódromo do Rio de Janeiro, às 22h deste domingo (15), a Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, estará fazendo história: será a primeira escola de samba da folia carioca a homenagear um presidente da República em atividade no cargo. A escola levará para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O enredo da Acadêmicos de Niterói foi alvo de críticas por parte de políticos da oposição: afirmam que se trata de um desvio de finalidade para autopromoção e suposta campanha eleitoral antecipada. Os parlamentares questionam o repasse de verbas públicas, que são destinadas para todas as escolas, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) liberou os fundos após não constatar favorecimento. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou denúncia no Ministério Público Eleitoral e o partido Novo entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até o momento, todas as ações foram rejeitadas.

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, anunciou que desfilará em um carro alegórico no desfile. A atriz, cineasta e apresentadora do programa Precisamos Conversar, do canal ICL Notícias no YouTube, Juliana Baroni vai representar a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Juliana reviverá a personagem que interpretou no cinema em 2009.

O ICL Notícias conversou com o compositor Paulo César Feital, um dos autores do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói. Ele tem bastante experiência nessa tarefa. Compôs 13 sambas-enredo que embalaram desfiles na Sapucaí — com dois deles, foi campeão do Grupo Especial.

Feital deu detalhes da homenagem feita pela escola e rebateu as críticas por parte da oposição ao governo Lula. “Não é propaganda, é narrativa histórica”, definiu. Além dele, também participaram da composição do samba a cantora Teresa Cristina, André Diniz, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr.

“A reação já era esperada. Basta ouvir o samba. Não há propaganda em momento algum. Ele não pede voto, não exalta governo, não faz campanha. Ele conta uma história de vida. Quem diz o contrário ou não ouviu o samba, ou age de má-fé”, diz o compositor. “As reações já eram esperadas, e seguimos firmes. Quem acredita na democracia vai compreender a mensagem”, completa Paulo César Feital.

O compositor rebateu às críticas feitas pela senadora Damares Alves ao enredo da Acadêmicos da Niterói, com referência a um episódio em que a parlamente, que é pastora, durante uma pregação, disse que havia encontrado “Jesus em cima de um pé de goiaba”.

“É uma imbecilidade. De uma mulher que diz que viu Jesus na goiabeira, o que eu vou esperar?”, rebateu Paulo César Feital ao ICL Notícias.

Lula com os compositores do samba da Acadêmicos de Niterói.

Leia a entrevista com Paulo César Feital
ICL Notícias – Você é um dos autores do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói para 2026. Como foi o processo de criação e que mensagem ele pretende transmitir?

Paulo César Feital – Esse samba nasceu a partir de um convite da Acadêmicos de Niterói, o que já foi um prazer enorme, até porque o enredo tem tudo a ver comigo e com a minha trajetória. É um samba descritivo da vida de Luiz Inácio Lula da Silva, contado a partir da voz da mãe dele. E isso foi fundamental. Não é um samba de propaganda. É um samba narrativo, que fala da história de vida, da caminhada, das dificuldades e da formação dele como personagem histórico.

Acredito que deu muito certo porque é um samba que caiu na boca do povo. Ele é cantado, comunicativo, emocional, e isso é essencial em um samba-enredo.

O samba traz passagens que falam da luta contra a ditadura e cita personagens históricos. O que isso representa para você, pessoalmente, que lutou contra o regime militar?

Representa muito da minha própria vida. Eu participei ativamente da luta contra a ditadura, estive nas ruas, vivi esse período intensamente. O samba fala de ‘Zuzu Angel, Henfil e Wladimir’, eu pensei em colocar outros lutadores da época, mas não dá, senão ele ficaria enorme.

Minha vida sempre foi essa: a luta pelo Estado Democrático de Direito, não só no Brasil, mas no mundo. Por isso, eu acho que esse samba fala muito com o momento atual, de forma universal.

O samba recebeu elogios, mas houve críticas. Como você vê isso?

Isso era absolutamente esperado. Vivemos num país extremamente polarizado. Houve críticas muito boas do ponto de vista técnico e artístico, mas também ataques ideológicos, inclusive ofensivos. Eu até comentei: se fosse um enredo sobre Trump, Hitler ou qualquer outro personagem controverso, as contradições também apareceriam.

Esse samba tem tudo a ver comigo, com a nossa parceria, com a comunidade, com Niterói.

Vocês chegaram a se encontrar com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. Como foi esse encontro e a reação dele ao samba?

Foi emocionante. O encontro estava previsto para 30 minutos e acabou durando quase duas horas. Quando o presidente começou a ouvir o samba, ele caiu em prantos, chorou muito. Virou uma verdadeira roda de samba no Palácio da Alvorada.

Ele se comoveu profundamente porque o samba é contado pela mãe dele. É uma história real: uma mulher que sai do Nordeste a pé, com os filhos, em busca de sobrevivência em São Paulo. Aquilo tocou muito ele — e a todos nós. Foi um momento muito bonito.

O refrão já caiu no gosto popular. O que vocês esperam da reação do público e também daqueles que são contrários ao presidente Lula?

Reação contrária sempre vai haver, isso é óbvio. O país está polarizado. Mas tecnicamente o samba é muito forte: é extremamente cantado, tanto na avenida quanto na arquibancada. Isso é incontestável.

O que a gente vê hoje é um confronto diário entre a luta pelo bem-estar social e a ignorância, entre democracia e autoritarismo. E o samba se posiciona claramente do lado da democracia.

Alguns críticos dizem que o samba seria uma peça de propaganda política. Como você responde a isso?

É uma imbecilidade. De uma mulher que diz que viu Jesus na goiabeira, o que eu vou esperar? A reação já era esperada. Basta ouvir o samba. Não há propaganda em momento algum. Ele não pede voto, não exalta governo, não faz campanha. Ele conta uma história de vida. Quem diz o contrário ou não ouviu o samba ou age de má-fé.

As reações já eram esperadas, e seguimos firmes. Quem acredita na democracia vai compreender a mensagem.

Quais são suas expectativas para o desfile?

Espero um desfile sério, bonito, alegre, feito com dignidade. Que a escola passe bem e consiga permanecer no Grupo Especial. Essa é a grande esperança. A Acadêmicos de Niterói tem mostrado muita força e união, e isso é fundamental.


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De Caetés à Sapucaí: A história da mãe de Lula, tema do enredo da Acadêmicos de Niterói

O enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que será apresentado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, tem como destaque a história de Dona Lindu, mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A narrativa será contada sob a perspectiva da mãe do presidente e acompanha a trajetória da família de Lula, desde o sertão pernambucano até a chegada à Presidência. Dona Lindu, uma mulher sertaneja, não alfabetizada e mãe de 12 filhos, será apresentada como uma figura central na vida do ex-presidente.

Nascida em 1915, Dona Lindu teve uma vida marcada pelas dificuldades da seca e da pobreza no Nordeste. Ela migrou para Santos, SP, em 1952, com sete filhos, após enfrentar a falta de recursos e as dificuldades em sua cidade natal.

Ao longo de sua vida, ela enfrentou um casamento abusivo, com o marido Aristides Inácio da Silva, que era alcoólatra e agredia a família. Ela lutou pela sobrevivência e alfabetização de seus filhos, sempre com o foco na educação e no bem-estar deles.

A trajetória da matriarca da família Silva também reflete a importância do papel das mulheres e mães nas narrativas sociais, especialmente em tempos de adversidade.

Ela morreu em 1980, aos 64 anos, enquanto seu filho Lula estava preso durante uma greve sindical no ABC Paulista. Em 2006, em homenagem a Dona Lindu, a cidade de Recife nomeou um parque em sua memória, o Parque Dona Lindu, projetado por Oscar Niemeyer, com uma escultura de Abelardo da Hora representando a luta dos retirantes nordestinos.

Além da homenagem no Carnaval, a participação de Lula na festividade gerou polêmica, com questionamentos sobre o uso de recursos públicos e a possível propaganda eleitoral. DCM.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade duas ações sobre o tema, esclarecendo que a legislação eleitoral proíbe apenas o pedido explícito de votos, mas permite manifestações culturais. No entanto, o governo federal fez recomendações para evitar o uso de verba pública e manifestações políticas durante o evento.


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Lula barra participação de ministros no desfile de Carnaval em sua homenagem

Primeira-dama Janja será um dos destaques do último carro alegórico da escola, seguido da ala Amigos de Lula

O presidente Lula (PT) determinou que ministros e auxiliares não participem do desfile de Carnaval em sua homenagem, neste domingo (15), no Sambódromo do Rio de Janeiro. Integrantes do governo deverão arcar com custos de passagem e hospedagem caso queiram assistir à apresentação da escola de samba Acadêmicos de Niterói.

A ordem não se aplica à participação da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, que será um dos destaques do último carro alegórico da escola, seguido da ala Amigos de Lula. Janja não ocupa cargo no governo.

Lula barra participação de ministros no desfile de Carnaval em sua homenagem

Aos ministros não será admitida a programação de agendas oficiais que, artificialmente, coincidam com o Carnaval do Rio. A orientação foi repassada à equipe do governo nesta quinta-feira (12), mesmo após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitar, em decisão unânime, dois pedidos de representação por propaganda eleitoral antecipada contra o presidente, o PT e a Acadêmicos de Niterói.

A relatora do caso, Estela Aranha, que foi indicada à corte eleitoral por Lula, rejeitou ordenar a suspensão sob o argumento de que restringir manifestações artísticas e culturais previamente “por se ter notícias de ter manifestações políticas” configuraria “censura prévia, indireta e restrição desproporcional ao debate democrático”.

Por sugestão do governo, o PT deve fazer a mesma recomendação a ocupantes de cargos eletivos. A participação de ministros foi tema de reuniões no Palácio do Planalto. A conclusão é que, apesar de não haver impedimento legal para a realização do desfile, não se deve dar margem a questionamentos futuros.

Por isso, apenas parentes e amigos deverão compor a ala, formada em sua maioria por integrantes do grupo de advogados Prerrogativas. Coordenador do grupo, Marco Aurélio Carvalho afirma que não há caráter eleitoral no desfile.

Lembrando que Lula tem 60 anos de vida pública, estando no imaginário popular, Marco Aurélio afirma ser inconcebível a tentativa de criminalização da homenagem ao presidente, o que configuraria uma censura prévia à escola de samba.

Sobre a destinação de R$ 12 milhões da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), ele ressalta que o dinheiro foi dividido entre as escolas do Grupo Especial, sendo R$ 1 milhão para cada.

*ICL


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Assim na terra como no céu

É difícil a esquerda ouvir tranquilamente uma crítica sobre a falta de um projeto nacional de cultura, como se financiamento bastasse.

No Brasil, muitas vezes, o que se debate é produção cultural e, consequentemente, o financiamento público para tal.

A indústria cultural de massa, no auge de sua política hegemônica, tinha a estratégia de domínio em suas mãos, quase total da produção, da difusão e da distribuição. Essas duas últimas não são sequer citadas nos debates oficiais de cultura. É como se não existissem.

Normalmente, a cultura institucionalizada muito mais por uma visão tecnocrática, não contempla nada sobre o lúdico ou sobre a realidade do universo cultural do Brasil, proprianente dito. Como se organizam as comunidades em torno da representação cultural e muito menos quais desdobramentos em termos de identidade e soberania como formulação de um tratado nacional que contemple a realidade brasileira.

A sensação que se tem é a de uma repaginância neoliberal que acontece desde a implementação da Lei Rouanet, criada no governo Collor e estimulada, de forma ainda mais enviesada e neoliberal, no governo FHC em que se propunha a cultura como um grande negócio, expressão utilizada por Fernando Henrique em seu governo.

Quando Lula, na campanha de 2002, declara, no filme Entreatos, que tinha um encantamento por um colega de trabalho que extraia som do próprio corpo na batida do samba, ele enxergou a alma da cultura brasileira.

Sempre que leio ou ouço falar sobre política pública de cultura, lembro-me dessa fala de Lula sobre a síntese da cultura do Brasil. Ali, Lula não estipulava um olhar sobrenatural para uma visão estética ou o benefício financeiro que a cultura pode dar ao país, o assunto ali era gente, sentimento de representação coletiva que ele deixava claro que não havia como substituir por outra coisa. O que seu amigo fazia era fruto da identidade brasileira máxima com o povo e, por isso, mantinha-se forte a ponto de se traduzir essa alma em sons extraídos do próprio corpo.

Isso nada tem a ver com dados estatísticos do ponto de vista econômico, como se vê muita gente reproduzir, de forma até contraditória, Lula teve a felicidade arguta de ir direto àquilo que corre nas artérias desse país e que o capitalismo, com a hegemomia da cultura de massa, tentou inutilmente destruir.

Hoje, essa mesma indústria de massa foi convetida, junto às big techs, em ações regidas pelos algoritmos, que funciona na base do monopólio do dinheiro grosso,

É um assunto espinhoso, mais contemporâneo, impossível. Então fica a pergunta, por que os podcasts de esquerda nunca colocam esse debate na mesa?

Lula, na visita que fez a Gil e Caetano, retoma a importância de um debate estratégico da cultura brasileira na política, porque um dos maiores crimes hoje, no mundo, são praticados pelas bilionárias big techs e que viu sua censura férrea ser arrombada por um movimento político de grandes ícones da cultura brasileira, liderado por Gil e Caetano, que reuniu milhões de brasileiros por todo país numa mobilização histórica que fulminou a PEC da Bandidagem nas ruas de forma absolutamente espetacular.

Aquela hipertrofia dos algoritmos, parte do jogo financeiro, não teve qualquer chance diante de uma multidão que, em nome de uma ordem social, rebelou-se contra a guerra da chamada extrema direita no Congresso contra as leis e a própria democracia.

O Brasil precisa se reescrever a partir de sua cultura, e Lula sabe disso e, possivelmente, a sua visita a Gil e Caetano seja uma beve introdução de uma política pública moldada pelos movimentos da própria sociedade em busca de um objetico real e concreto daquilo que chamamos do fazer cultura a partir do interior de cada brasileiro.


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Brasil Cultura

Caetano Veloso e Maria Bethânia vencem Grammy de álbum global

Disco ao vivo dos irmãos baianos supera artistas da África, Índia e EUA

Caetano Veloso e Maria Bethânia conquistaram, neste domingo (1º), o Grammy de Melhor Álbum de Música Global com o registro ao vivo “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo”, consagrando um encontro histórico de dois dos maiores nomes da música brasileira. Os artistas não compareceram à cerimônia, realizada nos Estados Unidos, e o prêmio foi recebido em nome dos brasileiros pela cantora e apresentadora Dee Dee Bridgewater.

O álbum brasileiro superou produções de diferentes tradições musicais e regiões do mundo. Disputavam a categoria “Sounds of Kumbha”, de Siddhant Bhatia; “No Sign of Weakness”, de Burna Boy; “Eclairer le monde – Light the World”, de Youssou N’Dour; “Mind Explosion – 50th Anniversary Tour Live”, do grupo Shakti; e “Chapter III: We Return To Light”, de Anoushka Shankar com Alam Khan e Sarathy Korwar, diz o 247.

A vitória tem peso histórico sobretudo para Maria Bethânia. Trata-se da primeira estatueta da artista no Grammy e de um marco para a música popular brasileira: ela se torna a primeira intérprete de MPB a vencer a premiação, frequentemente comparada ao Oscar da música. Mesmo antes do resultado, a simples indicação do álbum já colocava Bethânia em posição singular entre grandes cantoras de sua geração, como Elis Regina e Gal Costa, que nunca chegaram a ser indicadas ao prêmio.

O reconhecimento internacional ganha ainda mais simbolismo por ocorrer no ano em que Bethânia completa 80 anos, em 18 de junho de 2026, funcionando como uma consagração adicional a uma trajetória marcada por rigor artístico e longevidade.

Para Caetano Veloso, o Grammy reforça um prestígio já consolidado. O compositor e cantor havia vencido a mesma categoria em 2000, então chamada de Melhor Álbum de World Music, com “Livro” (1997), e voltou a ser premiado em 2001 como produtor de “João Voz e Violão”, de João Gilberto. Outros nomes centrais da MPB contemporânea, como Gilberto Gil e Milton Nascimento, também já foram laureados nessa categoria, o que situa a conquista dos irmãos dentro de uma tradição brasileira reconhecida pela academia internacional.


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Cultura

Nem demônio, nem salvação: a verdade inconveniente sobre a Lei Rouanet

Este texto expande a análise iniciada em meu artigo “Lei Rouanet: das origens ao desastre”, publicado no portal Outras Palavras em 1º de abril de 2025. Naquele ensaio, demonstro como a legislação, concebida por Celso Furtado como uma tática emergencial e complementar, sofreu uma metástase institucional. De ferramenta auxiliar, ela converteu-se na espinha dorsal da política cultural, subordinando o interesse público à lógica do marketing empresarial e privatizando, na prática, a decisão sobre o que é ou não cultura no Brasil. Aqui, retomo essas premissas para apontar a saída desse labirinto.

O debate público sobre a Lei Rouanet encontra-se sequestrado. De um lado, a extrema-direita criou um espantalho moral para esconder sua própria incompetência e reforçar seus preconceitos; de outro, setores da esquerda entrincheiraram-se na defesa da ferramenta errada, confundindo a preservação da lei com a defesa da própria Cultura, abandonando o avanço das políticas públicas. Para superar esse impasse, precisamos olhar para a estrutura do mecanismo, separando o joio do trigo e, principalmente, apresentar a alternativa republicana capaz de devolver ao Estado e à sociedade o comando da política cultural.

A histrionia sobre a “mamata” cumpre uma função tática precisa: fabricar uma cortina de fumaça moral para ocultar a perfeita adequação da extrema-direita ao modelo de privatização cultural. Sob o barulho das acusações ideológicas, o cinismo neoliberal opera silenciosamente para preservar o mecanismo que entrega o orçamento público ao arbítrio do marketing corporativo.

A Lei Rouanet materializa, na prática, o ideal de Estado mínimo. O dinheiro, subtraído da arrecadação pública, flui diretamente para os departamentos de marketing das grandes corporações, convertendo o financiamento estatal em verba publicitária indireta. A definição da política cultural brasileira ocorre, portanto, nas mesas de gerentes de bancos e empresas, subordinada exclusivamente a interesses comerciais.

O discurso vulgar contra a classe artística funciona como distração calculada. Enquanto a militância digital ataca criadores, a estrutura de transferência do poder decisório para o setor privado permanece intocada, blindada e funcional ao projeto liberal-conservador. É a tática diversionista perfeita.

Por outro lado, a tragédia de parte do campo progressista — e uma falha dos governos democráticos anteriores — reside na incapacidade de superar o modelo herdado da década de 1990. Ao defender a Rouanet de forma irrestrita como sinônimo de política cultural, ignora-se que ela opera uma lógica de exclusão inerente ao seu desenho.

Mesmo com os avanços inegáveis de programas como o Cultura Viva e os Pontos de Cultura durante as gestões Lula e Gil, a espinha dorsal do financiamento permaneceu sendo a renúncia fiscal. Aceitou-se um pacto perverso onde o Estado fomenta a experimentação na periferia com recursos escassos, enquanto o volume massivo do orçamento segue para grandes espetáculos no eixo Rio-SP, legitimados pelas grandes marcas. Defender a manutenção desse status quo equivale a aceitar que a cultura só possui validade quando gera lucro ou visibilidade corporativa.

Da intenção tática ao desastre estratégico, a trajetória do mecanismo exige um exame honesto de sua gênese. Sob a gestão de Celso Furtado, a renúncia fiscal possuía uma função estrita de suporte, desenhada para atuar como peça complementar em um tripé institucional ao lado do Fundo Nacional de Cultura. A proposta original visava mobilizar o capital privado para somar esforços à ação do Estado diante da crise fiscal, sem jamais abdicar da soberania pública sobre as diretrizes do fomento.

A deformação estrutural ocorreu quando essa manobra de exceção se consolidou como regra permanente, convertendo o auxílio emergencial na espinha dorsal de todo o sistema. Instaurou-se um regime de “marketing travestido de mecenato”, onde grandes corporações utilizam o orçamento público para fortalecer seu branding institucional. A política cultural passou a obedecer aos critérios de retorno de imagem exigidos pelas empresas, submetendo a produção artística à lógica comercial.

Esse arranjo produz uma brutal concentração geográfica e econômica, alijando o Brasil profundo e as expressões populares do acesso aos recursos. O Estado, neste cenário, reduz-se a um mero validador técnico encarregado de carimbar a viabilidade burocrática, enquanto o mercado exerce o efetivo poder de veto e escolha, definindo unilateralmente o que merece existir no imaginário cultural do país.

Para o efeito de uma cultura republicana, pública e soberana, superar o atual modelo exige romper com a tutela do mercado sobre a imaginação pública. O caminho não é por um ajuste técnico, é uma disputa de poder, com participação social para retirar a decisão cultural dos escritórios da Faria Lima e devolvê-la à soberania popular. Isso implica radicalizar o uso do Fundo Nacional de Cultura (FNC), sobretudo do seu conselho, assegurando que o dinheiro público seja arrecadado e gerido publicamente. O financiamento deve ser direto, livre do pedágio ideológico das marcas, pautado exclusivamente pela relevância social, pela ousadia estética e pela diversidade regional.

Para evitar o risco de uma burocracia centralizada, a solução impõe-se através do Federalismo Cultural. É imperativo que o recurso saia da União e irrigue diretamente os Fundos Estaduais e Municipais, eliminando a humilhante necessidade de peregrinação por patrocínios privados. Somente essa capilaridade permite que o investimento chegue à ponta do sistema — na biblioteca comunitária, no teatro de rua e no mestre de cultura popular — rompendo definitivamente com a concentração histórica de recursos.

Finalmente, a única blindagem efetiva contra o compadrio reside no Controle Social. A alocação de verbas deve abandonar a lógica de balcão de negócios para se tornar um processo regido por editais transparentes e fiscalizado por Conselhos de Cultura deliberativos. A cultura deve ser compreendida como direito e cidadania, jamais como mercadoria de troca fiscal. É hora de o Estado brasileiro parar de terceirizar sua alma e assumir, junto com a sociedade, a responsabilidade intransferível de fomentar um país plural.

*Ricardo Queiroz Pinheiro


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