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Mundo Política

A alcateia dos lobos infernos e o admirável mundo dos gênios da extrema direita

No Paraguai, Flávio Bolsonaro teria recebido 87% dos votos, contra 13% de Lula. O sopro de genialidade da extrema direita realmente elevou a autoestima das antas, capivaras, com ou sem asas. Diante da realidade, uma disputa com outra para saber quem consegue ser mais genial no berrante das excrescências. É um verdadeiro festival de inteligência artificial sem inteligência e sem artificialidade: apenas a estupidez em estado bruto.

Mas existe um traço particularmente curioso nessa confraria de iluminados: Flávio Bolsonaro, Trump, Netanyahu, Milei e Santiago Peña, integrantes dessa espécie de aliança dos infernos, têm em comum a proximidade com os grandes interesses financeiros e a concentração de fortunas. É uma coincidência esteticamente extraordinária. Os supostos salvadores dos povos parecem ter encontrado, antes de qualquer coisa, uma maneira bastante eficiente de salvar a própria riqueza.

Os gênios do neoliberalismo fizeram fortuna vendendo dogmas econômicos a uma multidão de tolos convencidos de que o mercado resolveria todos os problemas da humanidade. Privatização, austeridade, desmonte do Estado e submissão aos grandes capitais foram vendidos como a receita infalível da prosperidade. O resultado, porém, é conhecido: poucos acumulam fortunas enquanto milhões pagam a conta.

No Paraguai, a fantasia da Suíça latino-americana e do eldorado guarani começa a mostrar sua face mais cruel. Brasileiros atraídos pelas promessas de segurança financeira e vantagens econômicas descobriram que o paraíso também pode ter bancos evaporando, dinheiro desaparecendo e uma crise política de proporções consideráveis. O sonho de prosperidade virou pesadelo para quem acreditou na propaganda.

É a velha fórmula neoliberal: quando tudo vai bem, os gênios reivindicam o mérito; quando o sistema desmorona, a conta é entregue ao povo.

E Flávio Bolsonaro, depois de sua derrota, aparece nesse cenário como mais um representante de uma extrema direita que parece não encontrar outro caminho senão o da fuga, do isolamento e da desmoralização política. A mesma cartilha que une esses personagens começa a produzir resultados cada vez mais constrangedores para seus próprios autores.

Trump, Milei, Netanyahu, Peña e os Bolsonaro não são episódios isolados. São expressões de um projeto internacional que transformou o ressentimento popular em mercadoria, a política em negócio e a soberania dos países em balcão de interesses.

O problema dessa alcateia é que seus integrantes passaram tempo demais acreditando na própria propaganda. Confundiram dinheiro com inteligência, poder com legitimidade e manipulação com liderança.

Mas a realidade tem uma inconveniente mania: mais cedo ou mais tarde, cobra a conta.

E quando a conta chega, não há berrante, bilionário ou guru neoliberal capaz de convocar o povo para pagar eternamente a festa dos predadores.

Por isso ou foram massacrados nas urnas ou depostos de seus governos.


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Política

As big techs e o tecnofascismo brejeiro

O tiro de misericórdia no neoliberalismo globalizado e a resistência contra o banditismo digital

Se fosse necessário traduzir em uma síntese política o que aconteceu nos últimos 11 dias — a vitória de Lula, a derrota de Flávio Bolsonaro, a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato e a renúncia de Santiago Peña, presidente do Paraguai —, eu definiria esse conjunto de acontecimentos como um duro golpe, talvez o tiro de misericórdia, na arquitetura política do neoliberalismo globalizado.

Mas há um elemento que atravessa todos esses episódios e merece um capítulo à parte: o tecnofascismo. Ele operou como braço tecnológico e propagandístico dos interesses do grande capital globalizado, numa ofensiva contra a democracia, a soberania popular e o próprio Estado de Direito. Uma engrenagem sofisticada de manipulação da informação, fabricação de consensos, silenciamento de vozes dissidentes e controle do debate público, em proporções jamais vistas na história da humanidade.

E vejam bem: isso não começou agora no Brasil. Certamente se intensificou durante o processo eleitoral, mas vem de muito antes. Desde a chegada de Bolsonaro ao poder, em 2018, matérias, vídeos, opiniões e conteúdos publicados por blogs e redes progressistas passaram a enfrentar diferentes níveis de restrição, invisibilidade e censura algorítmica. Não se trata de um fenômeno isolado, mas de uma estrutura de poder digital que, historicamente, tem demonstrado enorme afinidade com os interesses da direita e do grande capital.

Nós, do Antropofagista, fomos e continuamos sendo vítimas dessa perversidade tecnocrática. Desde 2018, assistimos à frequência de acesso ao blog despencar gradualmente, mas de maneira brutal, à medida que os algoritmos passaram a restringir nossa circulação e a reduzir nossa capacidade de alcançar leitores. Não foi uma mudança natural de comportamento do público. Foi um processo de asfixia digital que atingiu, sobretudo, veículos independentes, progressistas e comprometidos com uma visão crítica da sociedade.

O mais grave é que essa realidade não mudou. Pelo contrário: as big techs continuam fiéis ao mesmo projeto de concentração de poder, controle da informação e proteção dos interesses políticos e econômicos que as sustentam. A derrota eleitoral de seus aliados não significou qualquer recuo na estrutura de censura e manipulação que ajudaram a consolidar.

Mesmo depois das derrotas da direita no Brasil, nos Estados Unidos e do abalo político no Paraguai, seguimos enfrentando uma censura implacável. As plataformas continuam dobrando a aposta contra a liberdade de expressão, a liberdade de pensamento e a pluralidade ideológica. Parece que, para essas corporações, a vontade popular pode até prevalecer nas urnas, desde que não ameace o poder que elas exercem sobre a circulação das ideias.

É justamente aí que está o tamanho do problema. Não basta derrotar eleitoralmente o fascismo se permanecem intactas as estruturas tecnológicas e econômicas que alimentam sua reprodução. Não basta vencer nas urnas se o debate público continua submetido aos interesses privados de meia dúzia de conglomerados digitais que se comportam como donos da informação, da visibilidade e, em última instância, da própria democracia.

Mas seguimos aqui. A duras penas, enfrentando a asfixia financeira, a invisibilidade algorítmica e todas as formas de sabotagem digital. Seguimos porque o Antropofagista não nasceu para se curvar aos interesses dos poderosos, muito menos para pedir licença aos donos das plataformas para exercer o direito de pensar, criticar e informar.

O que esperamos é uma decisão soberana do Brasil, com regulação democrática e responsabilização das plataformas, que coloque limites ao verdadeiro banditismo digital e devolva à sociedade o direito de decidir livremente o que deve circular no espaço público.

Por isso, fazemos um chamado aos nossos leitores: compartilhem nossas publicações, ajudem a romper o bloqueio algorítmico e apoiem financeiramente o Antropofagista. Cada compartilhamento é uma brecha na censura. Cada contribuição é um gesto concreto de resistência.

Porque, se os poderosos têm dinheiro, algoritmos e máquinas de propaganda, nós temos a palavra, a consciência crítica e a disposição de não abandonar a luta.

O Antropofagista resiste. E resistir, neste momento, também é um ato de liberdade.


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Política

Bolsonarismo perdeu em português, em inglês e em paraguaio

A família Bolsonaro conseguiu uma proeza internacional: transformar seu projeto de poder em motivo de constrangimento em mais de um idioma. Perdeu no Brasil, viu Trump enfrentar uma reação eleitoral nos Estados Unidos e agora assiste ao esvaziamento de suas apostas políticas também no Paraguai. A internacionalização do bolsonarismo, que pretendia ser uma demonstração de força, virou um roteiro de filme de terror e constrangimentos.

Eduardo e Flávio Bolsonaro apostaram todas as fichas na articulação com a extrema direita internacional. Trump era o padrinho, Milei o modelo, os aliados estrangeiros seriam a retaguarda e a velha mídia brasileira faria o serviço de vender essa engrenagem como uma onda irresistível. Só esqueceram de combinar com as urnas, com a realidade política de cada país e, principalmente, com os eleitores.

O problema é que não adianta importar discursos, copiar estratégias, desfilar com figurões estrangeiros nem tentar transformar o Brasil em território subordinado aos interesses de uma direita internacional. Política não se faz por procuração, e a soberania de um país não é mercadoria para ser negociada em gabinetes estrangeiros.

O mais curioso é assistir ao clã Bolsonaro, que sempre vendeu a imagem de uma família poderosa e influente, descobrir que seus padrinhos internacionais não são capazes de garantir sequer a própria estabilidade política.

A aventura internacional bolsonarista virou uma espécie de comédia de erros com legendas em três idiomas. Perdeu em português, perdeu em inglês e perdeu em paraguaio. E, pelo andar da carruagem, está ficando difícil encontrar um idioma em que essa família consiga traduzir sua ambição de poder em apoio.

Agora o sentido da frase fica ainda mais claro: a ironia está na coincidência entre a fuga anunciada de bolsonaristas para o Paraguai, apresentado como refúgio econômico e político, e a intervenção no Ueno Bank, que deixou milhões de correntistas sem acesso às contas, incluindo os brasileiros bolsonaristas.

Agora, resta ao clã explicar aos seus aliados que a derrota não foi problema de comunicação, de idioma ou de tradução. Foi o resultado de um projeto político que encontrou resistência em diferentes países e contextos.

O bolsonarismo queria falar com o mundo. O mundo respondeu em várias línguas: não é por aí!


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Mundo Política

Trump foi descascado com os dentes

Disse que Trump seria tratorado. Errei feio. Ele não foi apenas atropelado: foi abduzido, evaporado, liquidado politicamente. Desapareceu do tabuleiro numa velocidade impressionante. Já não impõe respeito, não dita o ritmo, não assusta adversários. Nem para pato manco serve mais.

Trump virou um estorvo até para os que antes se curvavam diante de sua arrogância. Perdeu a capacidade de intimidar, de enquadrar aliados e de fazer o mundo girar em torno de seus caprichos. O homem que se vendia como dono do planeta amanheceu reduzido a uma caricatura de si mesmo.

Um ovóide político. Sem gravidade, sem comando, sem relevância. De imperador autoproclamado a figura politicamente descartável. E tudo isso da noite para o dia.


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Política

Lula gabaritou na PEC da Segurança

Hoje (03/11) o Senado aprovou em 2 turnos — 73 e 75 votos, zero contra.

O que é:

  • SUSP vira regra constitucional. União coordena, estados e municípios executam.
  • PF e PRF ganham mais poderes. Fundo nacional passa a repassar 50% obrigatório pros estados. Fim de regime brando pra chefe de facção.
  • Abre caminho pro *Ministério da Segurança Pública*.

Como gabaritou:
Oposição tentou colar redução da maioridade (14 e 16 anos) na PEC. Governo articulou o *fatiamento*: aprovou a PEC limpa e mandou a maioridade pra outra PEC separada. Evitou voltar pra Câmara e garantiu a promulgação.

Lema novo: “Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão”.


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Política

Depois de demolida pelas urnas, redes e ruas, direita fascista desenterra suas múmias mais sorumbáticas, como Janaína Paschoal

A direita bolsonarista está tão politicamente desidratada que, sem conseguir produzir uma liderança minimamente nova ou apresentar alguma ideia que não tenha cheiro de mofo, resolveu abrir seu próprio sarcófago político. Na falta de novidades, desenterra suas múmias mais sorumbáticas e as coloca novamente na vitrine, como se Janaína Paschoal fosse uma grande revelação e não uma reprise de um capítulo bastante conhecido da política brasileira com o golpe na presidenta Dilma Rousseff.

É o espetáculo da decadência em estado bruto. Depois de apostar todas as fichas no ódio, na gritaria, no golpismo e na fabricação industrial de inimigos, essa direita agora parece condenada a fazer arqueologia de si mesma. Vasculha o passado na lata do lixo, ressuscita personagens desgastados e tenta vender relíquias políticas como se fossem novidades de última geração.

Não há renovação, não há projeto, não há horizonte. Há apenas um ajuntamento de ressentimentos, oportunistas e personagens que parecem ter perdido o bonde da história, mas continuam disputando um lugar na locomotiva.

A cada nova tentativa de ressuscitação, fica mais evidente a dificuldade dessa turma de entender que o Brasil não é propriedade privada do bolsonarismo, muito menos um território condenado a consumir eternamente suas velhas figuras e suas velhas obsessões.

A extrema direita queria escrever o futuro do país, mas acabou transformada em antiquário político. Agora, desenterra suas múmias, tira o pó dos discursos e tenta convencer o Brasil de que defunto requentado é novidade. Não é. É apenas decadência com maquiagem.

A propósito, em 2026, Janaina Paschoal tentou a eleição para deputada federal, porém, teve apenas 46,7 mil votos, menos do que a quantidade recebida quando foi eleita vereadora. Em 2024, a candidatura de Janaína somou 48.893 votos de eleitores da capital paulista.


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Política

Mídia corporativa segue de ressaca depois de seu pileque fascista

A mídia corporativa ainda tenta se recuperar da ressaca provocada pelo próprio pileque fascista. Depois de passar meses embriagada pelo discurso da extrema direita, tratando seus personagens como alternativas políticas e suas agendas como projetos de país, agora precisa encarar o resultado de suas próprias apostas.

O problema é que essa turma se acostumou a confundir poder econômico com autoridade política, manchetes com realidade e campanhas de desgaste com capacidade de determinar os rumos do Brasil. Apostou que poderia fabricar lideranças, administrar crises, escolher adversários e conduzir o debate público conforme os interesses dos seus patrocinadores.

Mas a realidade não obedece à pauta dos grandes jornais, nem se curva aos editoriais dos barões da comunicação.

Agora, entre uma tentativa de reabilitação e outra, a velha mídia procura disfarçar o constrangimento, muda o tom, recalcula o discurso e tenta vender como análise independente aquilo que ontem era torcida explícita.

A ressaca é grande porque o tombo também foi. E talvez a maior dificuldade dessa mídia seja admitir que perdeu não apenas uma aposta política, mas parte da credibilidade que imaginava ter o poder de impor ao país.

Depois de tanto brindar à extrema direita, chegou a hora de pagar a conta. E não adianta culpar o garçom pela ressaca de quem passou a noite bebendo o próprio veneno.


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Política

Lula impôs duas derrotas consecutivas ao fascismo paratatá

Ao fim e ao cabo, Lula impôs duas derrotas consecutivas ao fascismo paratatá. Bolsonaro perdeu duas eleições seguidas para Lula e assistiu, impotente, ao projeto político que construiu em torno do ódio, da mentira e da perseguição ser derrotado nas urnas.

A história reservou a Bolsonaro uma ironia difícil de engolir: depois de transformar Lula em seu principal adversário, passou a vida política tentando derrotá-lo e terminou acumulando duas derrotas consecutivas para o mesmo homem. Não conseguiu dar o troco, não conseguiu reverter o resultado e tampouco conseguiu impedir que Lula seguisse ocupando o centro da política brasileira.

O bolsonarismo apostou na intimidação, no ressentimento, na desinformação e na destruição dos adversários. Acreditou que o ódio seria uma força eleitoral inesgotável. Mas encontrou um limite nas urnas.

Bolsonaro queria entrar para a história como o homem que derrotou Lula. Acabou marcado como aquele que perdeu duas vezes para ele. E, dessa vez, não haverá revanche eleitoral. A conta chegou, e a história não costuma oferecer prorrogação para quem se recusa a aprender com as próprias derrotas.

Dois fatos inéditos nas duas vitórias de Lula sobre Bolsonaro: Bolsonaro é o primeiro presidente da Repúbica a não se reeleger ao perder para Lula. Lula, por sua vez, inaugurou uma virada histórica no segundo turno.


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Política

Cachorro morto: Três entre quatro parlamentares eleitos pelo PL querem distância de Flavio Bolsonaro

Três em cada quatro parlamentares eleitos do PL não endossam texto golpista e ampliam isolamento de Flávio após fuga para os EUA

Em meio às dúvidas sobre o futuro político do senador, o Partido Liberal tenta seguir em frente e não deixar a crise afetar articulações, especialmente para a presidência do Senado.

Aliados de Flávio Bolsonaro no Brasil ainda buscam respostas para as várias interrogações sobre a estratégia da direita e sobre quem vai efetivamente conduzir as articulações do grupo daqui para frente. Mas uma coisa é certa, três entre quatro parlamentares eleitos pelo PL querem distância de Flavio.

O isolamento de Flávio Bolsonaro dentro do próprio PL é um sinal político que merece atenção. Quando três de cada quatro parlamentares eleitos pela legenda procuram manter distância do senador, a questão deixa de ser apenas eleitoral e passa a revelar um problema de articulação e identidade política dentro do próprio partido.

O afastamento de aliados que antes orbitavam o bolsonarismo mostra que nem todos estão dispostos a carregar o peso político de Flávio ou a vincular seus próprios projetos ao destino de sua candidatura.

O dado mais expressivo vem de levantamento divulgado neste sábado (31): dos 155 parlamentares e governadores eleitos pelo PL, 117 ignoraram a carta de Flávio Bolsonaro que contestava o resultado das eleições. Apenas 38 a endossaram.

O recado é claro: uma coisa é compartilhar o sobrenome Bolsonaro; outra, é assumir o custo político de suas derrotas e decisões equivocadas. O PL começa a fazer suas próprias contas, e Flávio já não consegue transformar o partido inteiro em extensão de seu projeto pessoal.

Quando até os próprios aliados começam a se afastar, o isolamento deixa de ser apenas uma impressão e ganha dimensão política.

O rodopio pandêmico, propositadamente, tira Flavio da condição de monumento e o coloca numa berlinda como um mero personagem derrotado.


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Política

A direita perdeu a eleição porque acreditou nas próprias mentiras

A direita perdeu a eleição para a Presidência da República por inúmeros motivos. Mas o principal deles foi acreditar nas próprias mentiras, a começar pelo candidato.

De tanto fabricar narrativas, distorcer fatos e alimentar uma realidade paralela, acabou prisioneira do próprio discurso. Passou a confundir propaganda com realidade, barulho nas redes sociais com apoio popular e ataques sistemáticos a Lula com capacidade de apresentar alguma alternativa concreta ao país.

Acreditou que bastava demonizar Lula, transformar o PT em inimigo permanente, espalhar desinformação e apostar no desgaste das instituições para conquistar o poder. Imaginou que o eleitorado brasileiro continuaria refém do medo, do ressentimento e do ódio. Não percebeu que a política não se resume ao universo fechado das redes sociais, nem que repetir uma mentira milhares de vezes a transforma em verdade.

O problema da direita foi também a incapacidade de olhar para o Brasil real. Enquanto se dedicava a alimentar guerras ideológicas, esqueceu-se de discutir o país, suas desigualdades, seus desafios e as necessidades concretas da população. Apostou na força dos algoritmos, na proteção de setores da mídia, no poder econômico e na repetição de velhos slogans, como se tudo isso pudesse substituir um projeto nacional.

Foi uma sucessão de erros políticos, mas havia um erro maior por trás de todos eles: a convicção de que sua própria versão dos acontecimentos era a única realidade possível. Cercada por bajuladores, comentaristas que reproduziam suas certezas e militantes incapazes de questionar a própria bolha, a direita perdeu a capacidade de perceber o que acontecia fora dela.

E quando a realidade bateu à porta, não havia narrativa capaz de salvá-la.

A direita não pode culpar apenas seus adversários pelo resultado. Foi derrotada também pela arrogância, pela desconexão com o país e pela incapacidade de distinguir seus desejos dos fatos. Acreditou tanto nas próprias mentiras que deixou de enxergar a realidade. E a realidade, como se viu, não costuma perdoar quem insiste em ignorá-la.

No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.


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