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Agentes ligados a Trump e Bolsonaro estariam agindo para derrubar páginas de apoio a Lula

A ex-companheira de Fernando Cerimedo alertou que equipe do consultor estaria agindo para reduzir o alcance de postagens do campo progressista no Brasil nas redes sociais.

A ex-companheira de Fernando Cerimedo, Nádia Beller, alertou que o argentino aliado do clã Bolsonaro e do governo de Donald Trump estaria agindo para reduzir o alcance de postagens do campo progressista no Brasil nas redes sociais.

Nos últimos anos, o consultor argentino teve um papel central na estratégia digital de campanhas no Brasil, Argentina, Honduras, Chile e Bolívia. No país, depois da derrota de Jair Bolsonaro em 2022, ele foi um dos artífices do questionamento das urnas eletrônicas e difundiu desinformação neste sentido.

Hoje, Cerimedo está preso em La Paz, acusado de tentativa de assassinato de Nádia.

Em uma entrevista concedida à imprensa mexicana, ela revelou que a baixa penetração das postagens do campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seria um acaso.

“Nos primeiros dias de agosto, Fernando me mandou uma foto com um dos Bolsonaro nos EUA. Não posso te precisar agora a data exata porque meu celular está no Ministério Público, mas do dia 1º ao dia 5 que ele esteve nos Estados Unidos, nesse intervalo, ele me mandou uma foto”, disse.

“Ele me disse que estavam tratando do tema da campanha, que ele ia buscar financiamento e que ele ia participar sim ou sim dessa campanha, dessa eleição”, afirmou.

A ex-companheira, porém, garante que a prisão de Cerimedo não significou o fim da operação.

“O que eles fizeram com a Meta é de manual. Eles têm contatos muito bons com a Meta — inclusive, aqui na Bolívia, um jornalista que eles mesmos fizeram derrubar a página, o Fernando interveio para devolverem. Ele me manifestou mais de três vezes, pelo menos, que tinha relações muito boas com a Meta e podia fazer derrubar ou devolver qualquer página”, contou.

“Eu não tenho a menor dúvida de que a equipe dele, o grupo dele, interveio para isso. Entendo que há denúncias de infrações eleitorais por parte da Meta que teriam deixado passar algumas campanhas de guerra suja e a suspensão das contas do Lula. Eu não tenho a menor dúvida de que foi parte de uma estratégia desta equipe para tirar a visibilidade dele”, disse.

Nádia ainda contou que Cerimedo mantinha “fazendas de bots”, atuando para difundir desinformação. “Usa em todos os países”, garantiu.

No mês passado, ela revelou que o estrategista argentino ligado ao clã Bolsonaro manteve vínculos com a cúpula do governo de Donald Trump.

Já vivendo nos EUA, Eduardo Bolsonaro ainda manteve contato com Cerimedo. Em julho, dias antes do lançamento oficial da campanha de Flávio Bolsonaro, o ex-deputado e o consultor argentino promoveram uma live na qual voltaram a questionar a credibilidade das urnas no Brasil.

No final do mês passado, sem dar explicações, o governo de Donald Trump anunciou sanções contra o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, que conduz justamente as investigações contra Cerimedo. A juíza que decretou sua prisão também foi alvo de sanções do Departamento de Estado.

Um dia depois, Mariaca denunciou uma ingerência dos EUA e garantiu que as sanções não irão forçar a Bolívia a abandonar as investigações contra Cerimedo. Além do processo de agressão, ele é alvo de uma investigação sobre um esquema de corrupção envolvendo o abastecimento de combustível. Mas, naquela noite, ele foi preso pela polícia boliviana em seu próprio país.

Proteção da rede MAGA?
Em suas redes sociais, Nadia Beller publicou fotos de Cerimedo com alguns dos nomes mais poderosos da estrutura de poder de Donald Trump. No título da postagem, uma provocação relacionada à criação do Escudo das Américas, a aliança militar da Casa Branca com a extrema direita regional:

É a luta pelo “Escudo das Américas” ou a proteção da rede MAGA?

Na postagem, ela mostra fotos de Donald Trump Jr. (filho de Donald Trump), Brad Parscale, Andy Rivas e Fernando Cerimedo. “Isso ganha enorme relevância quando colocada ao lado do que está acontecendo hoje na Bolívia”, explicou Nadia.

“É preciso desvendar os supostos negócios desses atores que instrumentalizam o movimento MAGA”, insistiu.

Nadia conta que apresentou ao Ministério Público áudios, conversas, fotografias e documentos “sobre a participação de Cerimedo em decisões da YPFB (a empresa de energia da Bolívia), incluindo a nomeação e a demissão de funcionários, além de informações relacionadas a combustível, ouro e outras operações”.

“Também apresentei áudios e conversas sobre a FUTURA, empresa ligada ao fornecimento de combustível para a Bolívia. Nessas conversas, fala-se em comissões para Brad Parscale, sócio de Cerimedo e ex-chefe de campanha de Trump”, explica.

Para ela, não se trata apenas de uma ingerência de Cerimedo em campanhas eleitorais. “Estamos falando de uma estrutura política internacional que, após chegar ao governo, aparece vinculada a negócios empresariais questionáveis na Bolívia”, denunciou.

Segundo ela, portanto, as sanções anunciadas pela Casa Branca devem ser entendidas nesse contexto.

“Enquanto tudo isso é investigado, o governo de Donald Trump revoga o visto do Procurador-Geral da Bolívia, Róger Mariaca, e o acusa de corrupção relacionada ao narcotráfico, sem apresentar, até o momento, qualquer denúncia ou prova”, apontou.

“Cerimedo não está sendo investigado por apenas um fato. Entre os fatos denunciados e investigados figuram, em primeiro lugar, a tentativa de feminicídio, além de possíveis casos de encobrimento do narcotráfico, corrupção, lavagem de dinheiro, usurpação de funções e outros delitos”, insistiu a ex-companheira.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

Documentos ligam lobby de Eduardo Bolsonaro a fundo secreto de Trump contra o STF

Programa de US$ 1 milhão foi criado pelo Departamento de Estado norte-americano para financiar ações no Brasil contra Corte Suprema

Documentos do governo de Donald Trump e do Congresso norte-americano revelam a existência de um fundo secreto de US$ 1 milhão liberado pelo Departamento de Estado para financiar ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O programa, batizado de Countering Lawfare and Censorship in Brazil, teve os recursos liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. As informações são do UOL.

Os mesmos documentos registram o lobby do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) junto a autoridades americanas pela aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo declarado de forçar uma anistia ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fundo secreto dos EUA contra o STF
Segundo documentos obtidos pelo UOL, o Departamento de Estado dos EUA patrocinou o programa Countering Lawfare and Censorship in Brazil, algo como “Enfrentando o lawfare e a censura no Brasil”, com dotação de US$ 1 milhão, equivalente a R$ 5 milhões.

Os recursos foram liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, em um momento de intensa polarização política no país.

Os documentos descrevem o fundo como uma ferramenta para “apoiar a sociedade civil para combater o ativismo judicial excessivo e a censura no Brasil”.

Um dos textos é mais explícito e afirma que “o prêmio visa mirar o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) e a percepção de que a Corte está atacando a liberdade de expressão nos EUA”.

O documento também menciona ordens para “remoção de uma publicação sobre Trump” nas redes sociais, em possível referência às decisões do inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que atingiram residentes americanos.

O fundo havia sido revelado pelo jornal britânico The Guardian, que o identificou como parte de uma lista de 43 programas do Departamento de Estado.

O enquadramento adotado pelos documentos americanos, ao descrever decisões soberanas do STF como “censura” e “ativismo judicial excessivo”, reproduz a narrativa construída pela direita bolsonarista desde que Moraes passou a atuar nos inquéritos sobre desinformação e a tentativa de golpe de Estado.

A adoção dessa narrativa como justificativa oficial para um fundo governamental americano evidencia a aproximação entre o discurso defendido por aliados de Jair Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil.

O lobby de Eduardo Bolsonaro
Os documentos vão além de descrever o fundo e registram nominalmente a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

“O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para que sanções sejam impostas ao ministro Moraes”, afirma um dos trechos, segundo a apuração do UOL.

Nos documentos acessados pela reportagem, não há confirmação de que Eduardo tenha recebido recursos do fundo. Procurado por mensagem e telefonema, ele não se manifestou até a publicação.

Eduardo se mudou para o Texas em fevereiro de 2025 e, desde então, conduziu uma campanha junto a autoridades americanas pela aplicação de punições a autoridades brasileiras, com foco em Alexandre de Moraes.

O objetivo declarado seria forçar algum tipo de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.

A campanha produziu resultados concretos. Moraes chegou a ser alvo de sanção pela “Lei Global Magnitsky”, enquanto outros ministros do STF foram incluídos em uma lista de restrição de vistos para os Estados Unidos pelo governo Trump.

A atuação também teve consequências para o próprio Eduardo Bolsonaro: ele foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por sua atuação no caso.

O registro do lobby de Eduardo nos documentos do fundo americano indica que a campanha do ex-deputado passou a integrar a justificativa oficial de um programa governamental dos Estados Unidos.

Os documentos, dessa forma, revelam uma sobreposição entre a agenda política defendida pela família Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil.

Controvérsias e sigilo
O programa passou por uma mudança relevante em seus termos. Inicialmente descrito como de “concorrência aberta”, com chamamento público a indivíduos ou entidades interessadas, o fundo foi posteriormente convertido para “concorrência restrita”, direcionada a poucos selecionados.

Um dos documentos justifica a mudança afirmando que “a divulgação pública do programa comprometeria sua eficácia, prejudicaria os interesses diplomáticos dos EUA no Brasil e exporia os executores ao risco de ações judiciais”.

A menção ao risco jurídico para os executores chama atenção por indicar que os responsáveis pelo programa consideraram a possibilidade de implicações legais decorrentes das atividades realizadas no Brasil.

O sigilo vai além da mudança de modalidade.

A identidade dos beneficiários dos recursos é mantida em segredo até mesmo de membros do Congresso americano e de servidores públicos que normalmente teriam acesso a esse tipo de informação.

O Departamento de Estado não respondeu à reportagem sobre quem são os destinatários finais dos valores.

Com recursos públicos, objetivos políticos declarados, beneficiários mantidos sob sigilo e uma justificativa baseada em interesses diplomáticos, o programa permanece distante do escrutínio de integrantes das próprias instituições americanas responsáveis por acompanhar esse tipo de iniciativa.

*Opera Mundi


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Brasil Mundo

Brasileiros vão às urnas sob a maior ingerência estrangeira desde 1964

Não existem porta-aviões nas costas do Brasil. Mas, pela primeira vez desde 1964, milhões de brasileiros irão às urnas neste domingo sob a maior ofensiva estrangeira desde o golpe de estado que instaurou o regime militar.

Estratégico para os interesses americanos de redesenhar o mapa do Hemisfério Ocidental e sua própria posição de hegemonia global no século 21, o Brasil passou a ser considerado como crítico para qualquer plano dos EUA de enterrar a autonomia latina-americana.

Conter o avanço chinês e garantir o acesso à segunda maior reserva de terras raras do mundo estão entre os principais argumentos do interesse americano pelo país.

Asfixiar uma política externa independente por parte do Brasil, portanto, passou a ser uma prioridade no Departamento de Estado. Para o governo norte-americano, seu perímetro de segurança não termina em suas fronteiras. A influência sobre todo o continente é considerada como parte central da estratégia de defesa nacional.

Não por acaso, a operação para tentar moldar o destino da eleição brasileira começou mais de um ano antes do momento do voto, em estreita colaboração com a extrema direita brasileira. Os escolhidos para agir como “força local” – os membros do clã Bolsonaro – foram instrumentalizados como forma de garantir que, uma vez no poder, sucumbam aos interesses norte-americanos e retribuam os serviços prestados pela CIA, pelo Departamento de Estado, Tesouro e pela Casa Branca.

Se o projeto vinha sendo germinado desde janeiro de 2025, foi em 9 de julho daquele ano que ele seria colocado em marcha. Trump enviou uma carta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qual anunciava tarifas de 50% contra os produtos brasileiros, uma das mais elevadas do mundo. Como argumento, alega que seriam impostos cobrados como resposta aos ataques que Jair Bolsonaro estaria sofrendo por parte da Justiça do país.

No final daquele mês, o ministro Alexandre de Moraes seria alvo de sanções na Lei Magnitsky, uma vez mais numa tentativa de criar um constrangimento nas instituições brasileiras que julgavam a tentativa de golpe de estado por parte de Bolsonaro.

Um mês depois, autoridades brasileiras teriam seus vistos revogados, supostamente por terem feito parte da estruturação do programa Mais Médicos, com a presença de profissionais cubanos. Entre os atingidos estava Alexandre Padilha, ministro da Saúde.

Em setembro foi a vez da imposição de sanções contra a mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a empresa LEX – Instituto de Estudos Jurídicos, que pertence à família do magistrado.

A barganha sobre a mesa
A barganha começava a ser desenhada. Em outubro daquele ano, o governo Trump entregaria uma proposta de acordo comercial com o Brasil. Para rever as tarifas de 50% contra os produtos nacionais, exigiam que “dissidentes políticos” fossem libertados da prisão, uma forma de exigir o fim da condenação contra Bolsonaro.

A esperança era de que, pressionados pela elite econômica do Brasil, Lula, seu governo e as cortes cedessem. Isso não ocorreu.

Em 2026, a pressão continuou. Nas primeiras semanas do ano, uma nova proposta foi apresentada pelo governo Trump ao Brasil. Desta vez, a questão do ex-presidente não estava colocada. Mas os americanos exigiam, entre tantos pontos, que o Brasil garantisse que não venderia terras raras para a China.

Enquanto isso, a operação nos bastidores continuava. Em março, Darren Beattie, assessor de Trump, tentou visitar Jair Bolsonaro na prisão. Mas teve seu visto rejeitado pelas autoridades brasileiras, depois que ele omitiu que esse seria um dos objetivos de sua viagem ao país.

Maio foi um momento decisivo. Com o escândalo do Banco Master desembarcando na campanha de Flávio Bolsonaro, a Casa Branca abriu espaço para que Trump recebesse o senador. O ato foi interpretado como uma operação para salvar sua candidatura. Em troca, Flávio ofereceu acesso às terras raras brasileiras e a adesão do país no Escudo das Américas.

Dias depois, ainda naquele mesmo mês, o governo Trump anunciaria a classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, e colocando o tema da segurança pública no centro do debate eleitoral. Mais uma vez, o objetivo era encurralar o governo Lula e abrir espaço para que Flávio Bolsonaro pudesse se apresentar como o interlocutor predileto para supostamente “lutar contra o crime organizado”.

O Palácio do Planalto chegou a apresentar um projeto de cooperação aos EUA para lutar contra as entidades do narcotráfico. Mas a Casa Branca jamais respondeu. O objetivo, apontam negociadores, não era combater o crime.

A operação ainda envolvia uma tentativa de desestabilizar a confiança nas urnas e no processo eleitoral. Em julho, dois funcionários do Departamento de Estado americano, Riley Bernes e Samuel Samson, tentaram viajar ao Brasil para averiguar o sistema eleitoral brasileiro. Ambos tiveram seus vistos rejeitados.

Um mês depois, o consulado dos EUA em São Paulo convocou influenciadores para uma reunião supostamente sobre liberdade de expressão, em mais um gesto considerado como uma operação para promover uma ingerência num momento político complicado no país.

O passo seguinte foi a adoção de tarifas contra produtos brasileiros, em parte alegando que o sistema de pagamentos digitais do Brasil seria injusto para a concorrência estrangeira. Uma vez mais, o foco era colocar um preço elevado sobre o governo por sua audácia de manter uma autonomia em relação aos interesses dos EUA.

O processo de ingerência foi permeado por críticas de assessores de Trump e autoridades como Marco Rubio contra Lula e contra o Brasil.

Em setembro, faltando poucas horas para encerrar o prazo para aprovação de orçamentos no Senado americano, o governo Trump ainda aprovaria o envio de US$ 1 milhão a grupos no Brasil que se oponham ao Supremo Tribunal Federal. O pacote tinha como finalidade financiar uma ofensiva contra o Poder Judiciário.

O governo Lula, porém, sempre temeu que uma operação poderia ocorrer nos últimos dias da campanha, causando turbulência para o processo eleitoral. O que era apenas uma análise de risco deu demonstrações de poder ser uma realidade.

Nesta sexta-feira, dois dias antes do primeiro turno, o governo dos EUA anunciou o fechamento de seus postos diplomáticos no Brasil supostamente por conta de uma ameaça de bomba.

A Polícia Federal esclareceu que não encontrou qualquer indício de um possível crime sendo preparado e que a ameaça era apenas uma mensagem numa conta de uma rede social.

Mas, enquanto as investigações eram realizadas, o submundo da internet já propagava a desinformação de que o PCC estaria disposto a atacar a embaixada dos EUA diante do risco de uma vitória de Flávio Bolsonaro.

A disseminação de um clima de tensão era tudo o que a Casa Branca pedia.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo Política

Extrema direita da América Latina e Trump fecham acordo contra narcoterrorismo: ‘Um espantalho para poder intervir no continente’

Acordo de governos conservadores cita facções brasileiras e busca consolidar a região como zona de influência dos EUA

Os 14 países integrantes do Escudo das Américas, grupo de governantes de extrema direita da América Latina organizado por Donald Trump, assinaram um acordo nesta terça-feira (22) que considera 24 facções narcotraficantes como “ameaças compartilhadas”, tornando-as alvos de sanções conjuntas. Os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) estão entre os citados.

O acordo é mais uma tentativa de ingerência dos Estados Unidos sobre o continente, além de se configurar como um cerco para o governo brasileiro e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontam os especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato.

“Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é aquela representada por organizações narcoterroristas transnacionais — as quais põem em risco a paz e a segurança do hemisfério, bem como a segurança e a prosperidade de nossos cidadãos —, anunciamos hoje a primeira ação conjunta no âmbito de nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo”, diz o documento divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

“É uma maneira de [Trump] criar a polícia continental, que eles nunca tiveram, que os Estados Unidos nunca conseguiram implantar”, aponta o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Gilberto Maringoni. Em pelo menos três ocasiões, os Estados Unidos criaram mecanismos para garantir o domínio sobre a América Latina. Com a Doutrina Monroe, criada em 1823, que estabelecia uma “aliança” contra a colonização europeia e que foi reeditada como “Corolário Roosevelt” por Theodore Roosevelt, no início do século 20, para proteger o continente da “ameaça comunista”. Em 1947, foi assinado o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), que tinha como base a “doutrina da defesa hemisférica”, mas que nunca foi implantado.

“Lá o inimigo era o comunismo. Agora é o narcoterrorismo. Você inventa um inimigo, você inventa um espantalho para poder intervir em qualquer situação”, explica Maringoni, lembrando que, no seu discurso nesta terça na Organização das Nações Unidas, o presidente Donald Trump chamou o narcoterrorismo de “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”.

“Trata-se de mais uma iniciativa de cerco à realidade brasileira, de cerco ao governo do presidente Lula, que iniciou desde a reformulação da política externa dos Estados Unidos, com a volta de Trump”, adverte professor na Universidade Católica de Brasília (UCB) e da Universidade de São Paulo (USP) Gustavo Menon, lembrando que essa medida se soma a outras, como o tarifaço, no qual Trump tenta interferir na política brasileira com aumento de impostos de importação de produtos nacionais.

Nesse sentido, Menon destaca o papel do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, “que se comporta como um verdadeiro xerife hemisférico”, fazendo da América Latina “uma espécie de quintal dos interesses estadunidenses”.

A medida vai de encontro ao discurso do presidente Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, quando ele defendeu que o Brasil “não se subestima o desafio representado pelo crime organizado”, mas que não se pretende “terceirizar a responsabilidade” de proteger os cidadãos. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, completou Lula.

O que diz o acordo
De acordo com o documento assinado pelos países, a intenção é impor “o congelamento de ativos; restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores dessas organizações; e a responsabilização criminal de indivíduos que, conscientemente, forneçam apoio material — incluindo apoio logístico — a tais organizações, entre outras medidas”.

O acordo cita 24 organizações. Além do PCC e do Comando Vermelho, estão na lista grupos como Mara Salvatrucha (MS-13), Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Clã do Golfo, Exército de Libertação Nacional (ELN), Sendero Luminoso e Trem de Aragua. Esse último foi o grupo citado para justificar o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que está preso nos Estados Unidos desde janeiro, mesmo após a Justiça do país confirmar que não há provas de ligação de Maduro com o grupo.

A declaração foi divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA em conjunto com os governos de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

O Escudo das Américas foi anunciado por Trump em 7 de março, durante uma cúpula realizada em seu campo privado de golfe, em Doral (Flórida), como “uma nova iniciativa de segurança para o Hemisfério Ocidental” para combater cartéis, “gangues” transnacionais e migração irregular.

*BdF


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O discurso de Trump na ONU explica por que ele é desaprovado por quase 70% da população norte americana

O discurso de Donald Trump na ONU, nesta terça-feira (22), ajuda a entender o desgaste de sua imagem dentro dos próprios Estados Unidos. Em vez de apresentar uma mensagem voltada à cooperação internacional, Trump voltou a apostar em ameaças, confrontos e na exaltação de sua própria atuação, defendendo inclusive sua decisão de iniciar a guerra contra o Irã.

O discurso de Trump na ONU explica por que sua aprovação desabou nos Estados Unidos

O discurso de Donald Trump na ONU foi mais uma demonstração de um estilo político baseado no confronto permanente, na ameaça e na exaltação de si próprio. Diante do mundo, o presidente americano voltou a apresentar-se como protagonista absoluto dos acontecimentos, defendendo guerras, ameaçando adversários e tratando a diplomacia internacional como extensão de sua política doméstica.

Trump falou como se os Estados Unidos fossem uma potência autorizada a impor sua vontade ao restante do planeta. Em vez de uma mensagem de cooperação, predominou a lógica do enfrentamento: Irã, Cuba, Venezuela, imigração, ONU e até organismos internacionais foram transformados em alvos de sua retórica.

Mas existe um detalhe que torna esse discurso ainda mais revelador: ele acontece justamente quando a popularidade de Trump despenca entre os próprios americanos.

A Reuters/Ipsos aponta para quase 70% de desaprovação. É o pior índice registrado para Trump ao longo de sua carreira política. Até entre republicanos houve queda importante: a aprovação dentro do próprio partido recuou para 73%.

Ou seja, o problema não está apenas fora dos Estados Unidos. Uma parcela cada vez maior da população americana parece estar cobrando aquilo que Trump prometeu entregar: redução do custo de vida, estabilidade econômica e menos envolvimento em guerras.

E é justamente aí que o discurso da ONU se torna emblemático. Enquanto os americanos enfrentam preocupações com preços, combustível e custo de vida, Trump continua oferecendo ao mundo uma política marcada pelo conflito e pela demonstração de força.

A ONU deveria ser um espaço para discutir paz, cooperação e soluções coletivas. Trump transformou sua tribuna em mais um palanque para reafirmar sua política de confronto.

Talvez seja exatamente essa distância entre o discurso grandioso do presidente e as preocupações concretas da população que ajude a explicar o tamanho de sua rejeição.

Trump fala cada vez mais alto para o mundo, enquanto uma parcela cada vez maior dos americanos parece estar dizendo, nas pesquisas, que não quer ouvir.


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Política

Brasil aproveita erros de Trump e da família Bolsonaro e encosta nos EUA no agronegócio

O que Donald Trump pretendia transformar em instrumento de pressão contra o Brasil começa a produzir um efeito bastante diferente no comércio internacional: o país está ocupando espaços que os Estados Unidos vêm perdendo no agronegócio e já se aproxima de superar os norte-americanos em valor de exportações do setor.

Os números ajudam a dimensionar a mudança. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas 14% acima do resultado de cinco anos antes. No mesmo período, o Brasil saltou 68%, chegando a US$ 169 bilhões. A distância, que no início do século era enorme a favor dos americanos, praticamente desapareceu.

A explicação não está apenas na extraordinária capacidade produtiva brasileira. A política comercial de Trump também abriu portas para os concorrentes. Ao transformar a China e outros parceiros tradicionais em adversários comerciais, Washington perdeu mercados estratégicos justamente para países capazes de oferecer produtos competitivos — e o Brasil estava pronto para ocupar esses espaços.

Na Ásia, o movimento é particularmente revelador. Entre 2022 e 2025, as exportações agropecuárias dos EUA para a região caíram 25%, enquanto as brasileiras cresceram 9%. No mercado chinês, a retração americana foi ainda mais expressiva: as vendas dos EUA diminuíram 49% em cinco anos, enquanto as brasileiras avançaram 8%.

É a velha ironia da geopolítica: ao tentar usar tarifas para proteger o produtor americano, Trump acabou estimulando compradores internacionais a procurar fornecedores alternativos. E o Brasil apareceu como uma alternativa natural.

A soja é um dos exemplos mais emblemáticos. Os Estados Unidos continuam fortes no milho, mas perderam espaço justamente em uma das commodities que historicamente sustentaram sua balança agrícola. Nas carnes, o avanço brasileiro também é significativo. O Brasil ampliou sua presença internacional enquanto os americanos enfrentam um rebanho bovino no menor nível em décadas e passaram, paradoxalmente, a depender mais de carne importada.

O desempenho brasileiro não é apenas uma reação circunstancial ao tarifaço. As exportações do agronegócio atingiram US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para o período, impulsionadas principalmente por carnes, soja e algodão. A China sozinha respondeu por US$ 30,5 bilhões, 35,1% do total, com crescimento de 10,5% sobre o mesmo período anterior.

E há outro dado que desmonta a ideia de que o Brasil estaria excessivamente dependente dos Estados Unidos: no primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras de produtos do agronegócio para os EUA caíram 25,1%, mas a China, a União Europeia e outros mercados absorveram boa parte da expansão brasileira.

Isso significa que a diversificação virou uma espécie de seguro contra o protecionismo de Trump. Quanto mais Washington fecha portas, mais Brasília procura — e encontra — compradores em outras partes do planeta.

O resultado é uma transformação importante no equilíbrio do agronegócio mundial. Os Estados Unidos continuam sendo uma potência agrícola incontestável, mas já não podem contar com a mesma vantagem de décadas atrás. O Brasil dispõe de território, produtividade, capacidade de expansão, diversidade de produtos e uma posição privilegiada no comércio com a Ásia.

Trump queria utilizar o tamanho do mercado americano como arma. O problema é que o mundo mudou — e o Brasil também.

Hoje, quando Washington ergue barreiras, Pequim abre espaço. Quando os americanos perdem competitividade, os brasileiros avançam. Quando Trump transforma parceiros em adversários, produtores brasileiros encontram novos clientes.

O mais revelador, portanto, é que a política de confronto dos Estados Unidos pode estar acelerando exatamente aquilo que pretendia evitar: a consolidação do Brasil como um dos grandes fornecedores estratégicos de alimentos do planeta e como concorrente cada vez mais direto da agricultura americana.

A disputa pelo agronegócio mundial, ao que tudo indica, está mudando de mãos — e o Brasil chega a essa disputa muito mais forte do que estava no início do século.


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Pressão de Lula funcionou: EUA procuram Brasil para reabrir negociação comercial

Após telefonema, EUA procuram Brasil para retomar negociações comerciais

O telefonema entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump começa a produzir um resultado concreto — e bastante significativo — na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Depois de uma conversa de cerca de 1 hora e 20 minutos, em tom considerado cordial, o governo norte-americano procurou oficialmente Brasília para reabrir as negociações sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros.

O movimento é importante porque desmonta a ideia de que o Brasil estaria isolado ou sem capacidade de reação diante do chamado tarifaço. Ao contrário: depois de Lula defender diretamente a retomada do diálogo e afirmar a Trump que as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para impor as tarifas eram infundadas, Washington sinalizou disposição para voltar à mesa de negociação.

A iniciativa americana veio rapidamente. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e abriu caminho para uma reunião com autoridades brasileiras. A expectativa é que representantes do MDIC, do Itamaraty e do Escritório do Representante Comercial dos EUA retomem as conversas na próxima semana.

É um resultado diplomático que merece ser observado com atenção. Lula não precisou aceitar as justificativas apresentadas por Washington, tampouco abrir mão dos interesses brasileiros. A estratégia foi outra: contestar as medidas, mostrar que elas prejudicam os dois lados e insistir na negociação como instrumento para resolver o conflito.

E há uma questão central: negociar não significa capitular. O Brasil mantém seus mecanismos de defesa comercial e continua contestando as tarifas, enquanto tenta construir uma solução que preserve empregos, empresas e exportações brasileiras. O governo já havia iniciado procedimentos para eventual aplicação da Lei da Reciprocidade, mas mantém aberta a porta para uma solução negociada.

A reabertura do diálogo também evidencia a importância de uma política externa baseada em soberania e pragmatismo. O Brasil pode divergir de Washington sem transformar divergência em rompimento. Pode defender seus interesses sem submissão e, ao mesmo tempo, preservar uma relação comercial estratégica.

Mais do que uma simples reunião entre ministros, portanto, a movimentação representa uma mudança de temperatura na relação entre os dois países. Depois de semanas de tensão, ameaças tarifárias e confrontos diplomáticos, os Estados Unidos voltam a procurar o Brasil para conversar.

E esse talvez seja o dado político mais relevante: quando a diplomacia brasileira insiste no diálogo sem abrir mão de seus interesses, a negociação volta a ser possível. Agora, cabe ao Brasil entrar nessa nova rodada com firmeza, exigir reciprocidade e deixar claro que qualquer acordo precisa proteger a economia brasileira — e não servir como instrumento de pressão política.

O telefonema de Lula não resolveu o conflito, mas abriu uma porta. E, poucas horas depois, foi Washington.


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Brasil Mundo

Lula enfrenta Trump e cobra negociação para pôr fim ao tarifaço contra o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu tratar diretamente com Donald Trump uma das maiores tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em telefonema de 1 hora e 20 minutos, realizado nesta sexta-feira (21), Lula foi direto ao ponto: afirmou que as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para impor as tarifas contra produtos brasileiros são “infundadas” e defendeu a retomada imediata das negociações.

A conversa, segundo o governo brasileiro, ocorreu em tom amistoso e cordial, mas isso não significou que Lula tenha aberto mão da defesa dos interesses do Brasil. Ao contrário. O presidente deixou claro que o tarifaço prejudica não apenas a economia brasileira, mas também os próprios Estados Unidos, e sustentou que o caminho mais inteligente é a negociação, não a imposição unilateral de barreiras comerciais.

O recado de Lula é politicamente importante: o Brasil não está disposto a aceitar acusações consideradas sem fundamento como justificativa para medidas que atingem empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países. Em vez de transformar o conflito comercial em uma escalada de retaliações, o presidente brasileiro colocou a diplomacia novamente no centro da discussão.

E houve um resultado concreto. Trump concordou sobre a importância de preservar relações comerciais fortes entre Brasil e Estados Unidos e propôs que as equipes dos dois governos voltem a se reunir o mais rapidamente possível.

Isso significa que o canal de diálogo foi reaberto. E, diante de uma crise que poderia produzir prejuízos econômicos ainda maiores, a retomada das conversas representa uma vitória da diplomacia sobre a lógica do confronto.

Lula também aproveitou o telefonema para reafirmar a disposição brasileira de cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente, porém, fez uma distinção fundamental: organizações criminosas brasileiras são extremamente violentas e precisam ser enfrentadas com firmeza, mas isso não significa que devam ser automaticamente classificadas como organizações terroristas.

O presidente brasileiro ainda levou para a conversa outros temas internacionais, entre eles a guerra na Ucrânia e a necessidade de soluções negociadas para conflitos globais.

O telefonema acontece depois de o governo brasileiro ter aberto formalmente o processo para avaliar medidas de reciprocidade contra as tarifas norte-americanas. Ou seja, Lula negocia, mas negocia respaldado pela disposição de defender os interesses nacionais caso o diálogo não produza resultados.

A estratégia é clara: não aceitar imposições, não abrir mão da soberania e, ao mesmo tempo, manter aberta a porta da negociação.

Mais do que uma conversa protocolar entre dois presidentes, o telefonema mostra que Lula decidiu assumir pessoalmente a condução política da crise. O Brasil sinaliza que quer preservar sua relação estratégica com os Estados Unidos, mas não pretende fazê-lo de joelhos.

A mensagem de Lula a Trump foi, portanto, simples e contundente: se há problemas comerciais, que sejam discutidos à mesa; se há divergências, que sejam negociadas; e se há acusações contra o Brasil, que sejam apresentadas com fatos, não usadas como pretexto para um tarifaço.

Agora, cabe às equipes dos dois países transformar a reabertura do diálogo em resultados concretos. A negociação voltou ao centro da agenda — e o Brasil chega a ela deixando claro que amizade entre países não significa submissão.


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Política

Trump considera novas sanções contra Moraes, diz Financial Times

Medida é vista como um sinal de que ingerência dos EUA na eleição irá escalar

O jornal britânico Financial Times revelou, neste domingo, que o governo Donald Trump está considerando aplicar novas sanções contra o juiz Alexandre de Moraes. O ministro já havia sido alvo de medidas por parte da Casa Branca, em 2025. Naquele momento, a alegação eram as supostas violações do brasileiro em relação à liberdade de expressão e o que foi chamado de “caça às bruxas” contra bolsonaristas.

A Lei Magnitsky foi aplicada, com sanções financeira contra o ministro. Mas o gesto foi duramente criticado pelos autores da lei nos EUA e pelos democratas. No final de 2025, diante de uma aproximação comercial entre Lula e Trump, elas foram retiradas.

Mas, em meio a uma nova onda de crises e ataques, Washington estaria revendo sua posição e poderia anunciar as medidas nos próximos dias. Mais uma vez, o argumento central seria seu ataque contra a liberdade imprensa e de expressão.

Se aplicadas, as sanções representariam mais um teste para a já tensa relação entre os dois governos, Ainda que seja contra um ministro do STF, o governo Lula passou a adotar a postura de que uma sanção seria contra as instituições do país.

Ingerência na eleição
O gesto é ainda visto como um sinal de que, em um momento chave da eleição, Trump avalia escalar a ingerência no processo de escolha do próximo presidente.

Tanto o Palácio do Planalto quanto o Itamaraty consideram que a intromissão da Casa Branca para favorecer Flávio Bolsonaro já é uma realidade. O governo estima que, nas próximas semanas, as ações por parte de Washington vão ser multiplicadas.

Jornalista no Maranhão
Desta vez, um dos motivos seria a decisão de Moraes de agir contra um jornalista no Maranhão. O ministro autorizou a quebra de sigilo das comunicações do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, de 40 anos.

O caso seria usado na Casa Branca como “prova” de que o ministro seria um “inimigo” da liberdade de expressão.

Citando pessoas próximas ao poder nos EUA, o jornal destaca que a figura de Moraes é alvo de duras críticas em Washington.

“Ele está perseguindo os apoiadores do presidente. Não apenas Elon Musk, mas também os apoiadores do MAGA no Brasil”, acrescentou uma pessoa familiarizada com o pensamento do governo americano.

“Mesmo que queiramos um bom relacionamento com o Brasil, obviamente esse cara é um inimigo.” A reimposição das medidas Magnitsky estava “sob consideração”, disse outra pessoa.

Mas o caso do Maranhão não é o único. “Havia muitos fatores [e] um padrão consistente de abuso. Este é apenas o mais recente”, acrescentou, referindo-se ao caso do jornalista. “As preocupações nunca desapareceram.”

*Jamil Chade/ICL

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