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Flavio não fugiu de uma ditadura, mas de uma democracia

Há uma diferença fundamental entre fugir de uma ditadura, onde os direitos são esmagados, e deixar um país governado por instituições democráticas, onde a lei e a Justiça devem valer para todos. A democracia não é uma ameaça a quem respeita suas regras; é justamente o sistema que garante direitos, liberdades e o devido processo legal. Ambos fugiram da justiça, já que cometeram diversos crimes.

A pergunta que fica é inevitável: se alguém se apresenta como defensor da liberdade, por que trataria a democracia como um lugar do qual é preciso escapar?

Democracia não é salvo-conduto para ninguém, tampouco instrumento de perseguição. É o compromisso de que ninguém está acima da lei e de que divergências políticas devem ser resolvidas dentro das instituições, não pela intimidação, pela ruptura ou pela fuga das responsabilidades.

Quem defende a democracia precisa demonstrar isso na prática — sobretudo quando as regras deixam de lhe ser convenientes.

Que fique claro, nem Eduardo, muito menos Flavio Bolsonaro fugiram de uma ditadura, mas de uma democracia plena, tanto que os dois mantiveram seus mandatos como deputado e senador.

Flavio disputou com Lula a Presidência da República, vernceu no primeiro turno e perdeu no segundo, democraticamente. Portanto, são dois fugitivos da justiça brasileira e traidores da pátria.


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Quaest: Lula reduz distância para Flávio Bolsonaro e registra queda de seis pontos na rejeição

Presidente aparece com 44% das intenções de voto, contra 45% do senador

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), mostra uma disputa cada vez mais apertada pela Presidência da República. A quatro dias do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 45%. A diferença entre os candidatos caiu de dois para apenas um ponto percentual, mantendo o cenário de empate técnico.

O levantamento aponta que Flávio oscilou de 46% para 45% em relação à semana passada. Lula permaneceu com 44%. Os votos brancos, nulos e de eleitores que não pretendem votar somam 9%, enquanto os indecisos representam 2%.

(Foto: Reprodução)

Um dos principais destaques da pesquisa é a queda na rejeição ao presidente Lula, que passou de 53% para 47% em uma semana, uma redução de seis pontos percentuais. Já a rejeição a Flávio Bolsonaro oscilou de 54% para 52%. Com isso, o petista passou a apresentar um índice de rejeição cinco pontos inferior ao do adversário.

(Foto: Reprodução)

Candidatos empatam na pesquisa espontânea
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista com os nomes dos candidatos, Lula e Flávio aparecem numericamente empatados, com 40% das menções cada.

(Foto: Reprodução)

O percentual de indecisos nessa modalidade dobrou em uma semana, chegando a 14%. Entre as mulheres, o percentual passou de 8% para 17%. Já entre os eleitores independentes, que não se identificam com o petismo ou o bolsonarismo, nem com a direita ou a esquerda, a parcela saltou de 13% para 31% em apenas uma semana.

Apesar do aumento dos indecisos na pesquisa espontânea, a maioria dos entrevistados afirma já ter definido seu voto. Segundo a Quaest, 90% dos eleitores dizem que a escolha é definitiva, enquanto 10% admitem que ainda podem mudar de candidato. Entre os apoiadores de Lula, 90% afirmam que não pretendem alterar o voto, contra 9% que consideram essa possibilidade. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 93% dizem ter uma decisão definitiva, enquanto 7% ainda podem mudar de posição.

A pesquisa também aponta mudanças na transferência de votos de candidatos derrotados no primeiro turno. Entre os eleitores de Augusto Cury, Lula passou de 34% para 48% das intenções de voto em uma semana, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 30% para 33%. Já entre os que votaram em Ronaldo Caiado, Flávio avançou de 42% para 57%, enquanto Lula passou de 23% para 21%.

Entre os eleitores de Renan Santos, Flávio passou de 40% para 51%, enquanto Lula avançou de 14% para 25%. As margens de erro são elevadas, variando de 17 a 24 pontos percentuais.

Medo de volta dos Bolsonaro volta a ser maior que o medo de reeleição de Lula
A pesquisa também revela que 44% dos entrevistados têm mais medo de uma eventual volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% apontam a reeleição de Lula como seu maior temor. Os percentuais representam empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos. Na semana anterior, os dois cenários registravam 43% cada. É a primeira vez desde 14 de agosto que o receio do retorno dos Bolsonaro aparece numericamente à frente do temor de um novo mandato do petista.

Aprovação de Lula sobe e chega ao maior patamar desde agosto
A avaliação do governo Lula também apresentou melhora na reta final da campanha. Segundo a Quaest, a aprovação do presidente chegou a 46%, o maior patamar desde 14 de agosto, enquanto a desaprovação recuou de 48% para 47%.

Há uma semana, 45% aprovavam a gestão petista. Com isso, a diferença entre aprovação e desaprovação caiu de três para apenas um ponto percentual, também dentro da margem de erro da pesquisa.

(Foto: Reprodução)

A Quaest ouviu 2.154 eleitores entre os dias 17 e 20 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.

*ICL


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Flávio Bolsonaro quer manter as bets: quando o lucro da banca vale mais que a ruína das famílias

Flávio Bolsonaro tenta vender uma distinção conveniente: deixa aberta a porta para a permanência das bets esportivas. Em outras palavras, muda-se a embalagem, mas preserva-se uma parte importante da engrenagem das apostas. Ele próprio afirmou que pretende manter as apostas esportivas de quota fixa.

E é justamente aí que o discurso precisa ser desmontado.

Porque bet não é simplesmente “diversão”, como querem fazer parecer aqueles que lucram com a indústria. Para uma parcela dos usuários, a aposta transforma-se em compulsão, dívida, mentira dentro de casa, conflito familiar, perda de renda, ansiedade, depressão e desespero. O Ministério da Fazenda informa que mais de 827 mil pessoas já estavam impedidas de apostar em razão de renegociação de dívidas e que mais de 1,2 milhão haviam solicitado autoexclusão das plataformas autorizadas.

E existe uma dimensão ainda mais dolorosa que não pode ser escondida atrás de propaganda de futebol e promessa de “controle tecnológico”: o sofrimento psíquico e o risco de comportamento suicida.

Profissionais de saúde ouvidos pela Agência Brasil relatam casos de pessoas que chegam aos serviços de saúde depois de perder tudo, com agravamento de depressão e ansiedade e, em alguns casos, com pensamentos ou tentativas de suicídio. O Ministério da Saúde também registra que o risco de morte por suicídio pode ser muito maior entre pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.

Portanto, quando um candidato à Presidência defende a permanência  desse mercado, não está discutindo apenas futebol, entretenimento ou liberdade individual. Está discutindo quanto de proteção o Estado deve oferecer a famílias que podem ser arrastadas para um ciclo de apostas, perdas e endividamento.

O mais irônico é que Flávio reconhece a existência da tragédia. Ele, cinicamente, fala em famílias endividadas e afirma ser contrário aos jogos. Mas, ao mesmo tempo, preserva justamente as apostas esportivas, que pretende colocar sob algum tipo de controle.

É a velha fórmula: proíbe-se o que ficou politicamente indefensável e preserva-se o que ainda pode ser apresentado como aceitável.

Só que uma família que perde o dinheiro do supermercado apostando em um jogo de futebol não vai encontrar consolo na explicação de que aquilo não era cassino on-line.

Uma mãe que descobre que o salário desapareceu em apostas não vai perguntar se a plataforma apostava em futebol, vôlei ou tênis.

E uma pessoa que chega ao limite do desespero por causa de dívidas de jogo não está preocupada com a semântica utilizada pelo candidato para separar “bet” de “cassino”.

O que está em jogo é muito maior que uma eleição: é o direito de milhões de famílias de terem sua renda protegida de uma indústria construída para estimular o apostador a continuar apostando.

Se Flávio Bolsonaro quer manter as bets esportivas, que diga isso claramente. Que explique aos brasileiros por que considera aceitável manter esse mercado diante do endividamento, da compulsão e do sofrimento que já estão documentados.

Porque, quando a aposta entra pela tela do celular e o dinheiro da família sai pela mesma tela, quem paga a conta não é a banca. É a família.

E quando a família perde tudo, a propaganda da bet continua. Quem ficou sem dinheiro, sem paz e, em casos extremos, sem esperança, é que fica com a conta.


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Fachin tira de Mendonça relatoria de caso Moraes e abre caminho para assumir inquéritos do Master e INSS

Presidente do STF também pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou neste sábado (12) a troca da relatoria do relatório da PF que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele agora assume o comando do caso no lugar de André Mendonça.

Na mesma decisão, ele pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. Com isso, ele paralisa os andamentos dos dois casos.

Na decisão, ele afirma que a medida se dá diante da possibilidade de o julgamento do caso resultar em situação de impedimento do juiz, ou seja, quando um magistrado não tem condição de julgar um caso.

Nesta sexta (11), Fachin decidiu manter na pauta da sessão marcada para a próxima terça-feira (15) apenas o julgamento sobre o caso do relatório das mensagens de Vorcaro. Com isso, ele negou pedido do decano Gilmar Mendes para que fosse também colocada em discussão a investigação contra o colega André Mendonça, mas marcou a análise desse outro caso para a semana seguinte, no dia 23.

Segundo o presidente, a manutenção apenas do julgamento contra Moraes “assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal, viabilizando a apreciação de matéria cujo contraditório e elucidação preliminar já se terá aperfeiçoado”.

Moraes e Mendonça são atualmente os pivôs da maior crise da história recente do Supremo.

Fachin chegou a avaliar tirar de Mendonça a relatoria dos casos Master e INSS para tentar conter a crise instalada na corte.

Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar da disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.

Essa discussão teve início antes da ordem de Mendonça desta terça-feira (8) de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A determinação foi a julgamento na Segunda Turma da corte e chegou a formar maioria, porém o julgamento foi suspenso após pedido de vista (mais tempo para analisar a matéria) de Gilmar Mendes.

Por fim, na quarta (9), o presidente tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, controlado por ele durante mais de sete anos, e suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, mantendo Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral.

Até a sessão de terça já ficaria suspenso o trâmite da investigação conduzida por Mendonça envolvendo Moraes. O presidente do STF também proibiu qualquer procedimento que trate de potencial apuração contra integrantes da corte e determinou que qualquer medida nesse sentido seja submetida a ele antes.

Ana Pompeu/ICL


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Quem está por trás do crescimento meteórico de Augusto Cury? O dedo de Pablo Marçal aparece cada vez mais

De repente, Augusto Cury deixou de ser apenas o escritor de livros de autoajuda e candidato quase invisível à Presidência para transformar-se em fenômeno eleitoral. Em poucos dias, saltou de 2% para 7,8% na Atlas/Intel. Mais impressionante ainda: ganhou cerca de 2 milhões de seguidores no Instagram em apenas uma semana.

Coincidência?

É justamente aí que Pablo Marçal entra em cena.

Reportagens publicadas nesta segunda-feira mostram que o crescimento de Cury veio acompanhado de uma verdadeira inundação de vídeos nas redes sociais, muitos deles com a mesma linguagem, estética e dinâmica de comunicação utilizadas pelo universo digital de Marçal. O apoio do ex-coach ao candidato do Avante é público e seus seguidores passaram a atuar fortemente em favor de Cury.

Não é necessário recorrer a teorias conspiratórias para perceber que existe uma engrenagem política e digital por trás dessa ascensão meteórica. A pergunta relevante é outra: até onde vai o apoio espontâneo de Marçal e onde começaria uma operação organizada para fabricar artificialmente um candidato competitivo?

Essa pergunta não é gratuita. A própria cobertura jornalística registra suspeitas de atuação não orgânica, inclusive com questionamentos sobre eventual financiamento irregular da avalanche de conteúdo pró-Cury. A campanha, naturalmente, nega qualquer manipulação.

E há um elemento particularmente revelador: Cury e Marçal parecem ocupar espaços diferentes de uma mesma prateleira política. Um apresenta a embalagem mais sofisticada, mais polida e menos agressiva; o outro construiu sua persona em torno do discurso motivacional, da provocação e da exploração maciça das redes. Não por acaso, o jornalista Matheus Pichonelli resumiu a semelhança com uma frase devastadora: “Cury é o Pablo Marçal que senta à mesa.”

É nesse contexto que ganha importância o histórico confronto entre Marçal e o economista Elias Jabbour no Inteligência Ltda.. O debate, realizado em novembro de 2025, colocou frente a frente o discurso motivacional e empresarial de Marçal e a argumentação de um professor universitário especializado em economia política e desenvolvimento. O episódio ganhou grande repercussão justamente pela diferença entre os métodos de argumentação dos dois.

O problema, portanto, não é simplesmente Augusto Cury crescer nas pesquisas. Democracia pressupõe que qualquer candidato possa crescer.

O que merece investigação é a velocidade desse crescimento, a explosão simultânea de suas redes, a participação da máquina digital associada a Marçal e a possibilidade de que uma candidatura esteja sendo impulsionada artificialmente por uma estrutura de comunicação extremamente profissionalizada.

Porque, se existe uma operação para transformar Cury em fenômeno eleitoral, ela não surgiu do nada.

E, olhando para a movimentação das redes, Pablo Marçal é um dos nomes que inevitavelmente aparecem no rastro dessa ascensão.

A questão agora é descobrir se estamos diante de uma onda eleitoral espontânea ou de uma onda cuidadosamente fabricada.

E essa diferença, numa eleição presidencial, é tudo.


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Quando decisões judiciais alimentam suspeitas políticas

Cada nova decisão do ministro André Mendonça em processos que tangenciam o universo político de Flávio Bolsonaro reacende um debate inevitável: até que ponto a atuação de um magistrado preserva a indispensável aparência de imparcialidade exigida pelo Supremo Tribunal Federal?

Críticos de Mendonça sustentam que sua conduta, especialmente em casos relacionados ao escândalo do Banco Master, acaba produzindo efeitos políticos favoráveis ao senador e pré-candidato à Presidência. A avaliação é que determinadas decisões e o ritmo de sua atuação são interpretados por adversários como um fator de proteção política, alimentando a percepção de que o ministro age de forma excessivamente alinhada aos interesses do grupo bolsonarista.

Essa percepção ganhou força em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, na qual Mendonça autorizou medidas cautelares e diligências contra diversos investigados ligados ao Banco Master, incluindo ex-governadores, empresários e parlamentares. Ao mesmo tempo, a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o banco passou a ocupar espaço central no debate político e jornalístico, embora a situação jurídica do senador tenha seguido um caminho distinto em diferentes momentos da investigação.

Para seus críticos, o problema não está apenas no conteúdo das decisões, mas no impacto institucional que elas produzem. Quando um ministro indicado por Jair Bolsonaro se torna personagem recorrente em processos de enorme repercussão envolvendo aliados do bolsonarismo, a confiança pública na neutralidade do Judiciário inevitavelmente passa a ser colocada sob escrutínio.

É justamente por isso que a independência judicial precisa ser não apenas exercida, mas também percebida pela sociedade. Em uma democracia, a credibilidade das instituições depende da convicção de que seus integrantes decidem exclusivamente com base na Constituição e nas provas dos autos — e não sob a sombra de afinidades políticas ou expectativas eleitorais.

Quando essa percepção se desgasta, instala-se um problema que ultrapassa qualquer processo específico: enfraquece-se a confiança no próprio Supremo Tribunal Federal, cuja autoridade repousa, acima de tudo, na confiança pública em sua imparcialidade.


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Alexandre Frota se oferece para pagar multa de jornalista processado por Carla Zambelli

Luan Araújo escreveu que Zambelli “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

O vereador de Cotia e ex-deputado federal Alexandre Frota manifestou apoio ao jornalista Luan Araújo e se ofereceu para quitar a multa judicial que pode levar à prisão do comunicador.

A decisão da Justiça de São Paulo determina a prisão de Araújo em razão do não pagamento de uma multa de R$ 2.216,30. O jornalista, que ficou conhecido nacionalmente após ser perseguido armada pela ex-deputada Carla Zambelli durante o segundo turno das eleições de 2022, afirmou nas redes sociais que não possui recursos para arcar com o valor.

Diante da situação, Luan iniciou uma campanha de arrecadação online para reunir o montante necessário e cobrir as despesas do processo.

Ao tomar conhecimento do caso, Alexandre Frota comentou uma publicação do jornalista e colocou-se à disposição para ajudar financeiramente.

“Vamos pagar a multa. Se quiser, pede ao advogado para me ligar.”

Jornalista perseguido por Zambelli de arma em punho é condenado por  difamação - Folha PE

A manifestação repercutiu entre seguidores dos dois e ocorreu em meio à mobilização de apoiadores de Araújo para evitar o cumprimento da ordem judicial.

O jornalista Luan Araújo, que ganhou notoriedade após ser perseguido armada pela ex-deputada federal Carla Zambelli em São Paulo na véspera do segundo turno das eleições de 2022, foi condenado em uma ação movida pela própria parlamentar.

A condenação está relacionada a declarações publicadas por Araújo no portal Diário do Centro do Mundo. No texto, ele afirmou que Zambelli é “seguida por uma seita de doentes de extrema direita” e que “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

A defesa do jornalista recorre da decisão judicial e apresentou um habeas corpus, além de pedir a anulação da sentença proferida pelo juiz José Fernando Steinberg, responsável por converter a pena. Procurados pela reportagem, os advogados de Zambelli não se manifestaram. O espaço permanece aberto para posicionamento.

O episódio que envolveu Araújo e a ex-deputada ocorreu às vésperas da eleição presidencial de 2022 e resultou na condenação de Zambelli pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte fixou pena de cinco anos e três meses de prisão pela perseguição ao jornalista.

Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália, onde chegou a ser presa.

No fim de maio, entretanto, a Corte de Cassação italiana revogou o pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras e determinou sua libertação.

Além desse processo, a ex-parlamentar também foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

*ICL


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Donos de fundo que financiou filme de Bolsonaro abriram empresa em paraíso fiscal

Os dois são controladores de fundo nos EUA que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro

Os controladores do fundo Havengate, que recebeu em 2025 verba de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL), abriram uma empresa em Delaware em fevereiro deste ano. O estado americano é conhecido como um paraíso fiscal, que permite omitir a divulgação de sócios e de informações financeiras.

O Havengate é administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto, e o corretor de imóveis Altieris Santana. Documentos obtidos pela Folha mostram que eles também administram a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware em 12 de fevereiro.

A abertura da empresa no estado contrasta com os negócios que Calixto e Santana mantêm nos EUA, prioritariamente baseados no Texas e na Flórida. O Havengate e outros dois fundos geridos pelos dois estão no estado texano.

O Havengate foi utilizado para o recebimento de R$ 61 milhões de Vorcaro que seriam usados no filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, conforme revelou o site Intercept Brasil e confirmou a Folha. O repasse ocorreu entre fevereiro e maio do ano passado.

Áudios demonstram que Flávio Bolsonaro (PL) negociou pessoalmente os pagamentos com Vorcaro, em diálogos em que o filho do ex-presidente chama o ex-banqueiro de “irmão” e afirma que eles estarão sempre juntos.

A Polícia Federal investiga se o valor repassado ao Havengate pode ter sido utilizado para custear as despesas de Eduardo Bolsonaro, que mora no Texas. O ex-deputado nega.

A empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware, controla uma outra, também administrada pela dupla, no Texas. Trata-se da MCC-4 Equity Fund LP.

As duas são quase homônimas e possuem o termo “fundo” no nome, o que indica o ramo do negócio. Não há mais informações sobre outros possíveis sócios e o propósito das empresas nos registros.

A relação dos dois com as empresas foi constatada pela Folha em razão da abertura da unidade do Texas, estado que, ao contrário de Delaware, obriga a divulgação do nome de responsáveis e de relatórios anuais.

O documento de registro diz que a empresa em Delaware é gerenciada por Altieris Santana. Outros eventuais sócios não são citados.

Por meio do registro no Texas, a Folha também constatou que, no estado, ambas têm como referência o mesmo endereço: o escritório de Calixto, em Dallas. Trata-se também do endereço de registro do Havengate e de outras empresas que o advogado representa. O escritório lida com casos de imigração, consultoria e direito societário.

O endereço é diferente do registrado na documentação de Delaware, onde a companhia está registrada em Dover, capital do estado, e tem como representante a empresa A Registered Agent, que destaca “fornecer o máximo de proteção à privacidade pessoal permitido por lei”.

A empresa texana teve sua primeira tentativa de abertura pelo escritório de advocacia de Paulo Calixto rejeitada, pois o documento protocolado em 13 de fevereiro não continha o nome do sócio-administrador. No dia 17 do mesmo mês, Calixto apresentou um novo pedido.

A Folha contatou Altieris Santana por meio de e-mail profissional próprio e enviou mensagens no seu número de telefone por WhatsApp na quarta-feira (20). Na quinta (21), a reportagem ligou para o número, mas não obteve resposta.

Calixto foi procurado por meio do e-mail profissional e do contato oficial do seu escritório na quarta e na quinta. A reportagem também compareceu presencialmente e ligou para a firma em Dallas. Uma secretária respondeu que os dois não têm respondido à imprensa e que perguntas deveriam ser enviadas por e-mail.

Nas perguntas enviadas, a reportagem questionou qual o motivo da escolha por abrir a empresa em Delaware e se algum membro da família Bolsonaro estaria ligado aos negócios.

A Folha também contatou Eduardo Bolsonaro via mensagem na quarta e na quinta. O ex-deputado foi questionado se ele ou seus familiares tinham relação com o negócio, mas não retornou.

O modelo de gestão das empresas é similar ao do Havengate, que também conta com uma empresa LLC como administradora de uma LP. Como administradora, a LLC assume a responsabilidade pelos negócios da LP, o que protege os sócios de responsabilidade limitada, que não precisam ser identificados na abertura da companhia.

As LLCs são comuns nos EUA, pois blindam o patrimônio dos sócios e têm tributação simplificada.

Eduardo Bolsonaro já teve uma LLC, a Braz Global Holding LLC, com Paulo Generoso e André Porciúncula, que comprou um imóvel intermediado por empresa de Calixto e Santana. A empresa administrou outra, a Omni World Trades LLC, conforme relevado pela Agência Pública.

Nas conversas reveladas pelo Intercept, Altieri Santana aparece como uma pessoa em que Eduardo confia para executar tarefas financeiras.

O deputado, diz, por exemplo, que Santana viajaria “para fazer reunião pessoal com quem quer que seja” para garantir a chegada do recurso para o filme nos Estados Unidos.

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Bolsonaro deveria responder por crime contra a humanidade na pandemia, diz Lula

O presidente sancionou a lei que institui o 12 de março como Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19; a data faz referência ao registro da primeira morte no Brasil, em 2020

Ao sancionar nesta segunda-feira (11), no Palácio do Planalto, a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os responsáveis pelas mortes no Brasil durante a pandemia da Covid-19 não podem ser esquecidos.

A data escolhida simbolicamente é o dia 12 de março, referência ao registro da primeira morte no Brasil, em 2020.

Lula afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus ex-ministros da Saúde deveriam ser denunciados por crime contra a humanidade, pois, se tivessem agido conforme as orientações médicas e científicas, poderiam ter evitado, no mínimo, 400 mil das 700 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus no país.

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“Muitas vezes a fala dele na televisão era a demonstração de uma ignorância absoluta sobre o assunto, pelo menos teria de ouvir quem sabe. E o que reivindicava-se naquela época? Que ele montasse um comitê de especialistas, que ouvisse os principais cientistas brasileiros para que o Estado pudesse ter uma orientação no trato com a sociedade brasileira”, lembra o presidente, referindo-se a Bolsonaro.

Ele questionou por que as entidades médicas não abriram processos contra o presidente, os ministros e os médicos que foram para a imprensa defender o uso do medicamento cloroquina contra a doença.

Também resgatou fala do ex-presidente no dia 9 de dezembro de 2020: “A pandemia está chegando ao fim e um pequeno repique pode acontecer, mas a vacina não se justifica, você vai inocular algo em você”.

“Essa frase foi publicada no canal do seu filho, aquele fujão que está nos EUA tentando pregar um golpe no Brasil”, diz Lula.

Segundo ele, a iniciativa da lei reforça a importância da memória coletiva. “Reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a defesa da vida, da ciência e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Ressalta a necessidade da escuta atenta aos especialistas. Uma escuta que, se fosse adotada naquele período, poderia ter evitado milhares de mortes”, afirma.

Por isso, diz o presidente, o governo valoriza e incentiva a vacinação. “Ampliamos o acesso à imunização. Intensificamos o combate à desinformação, com impacto direto na recuperação da confiança nas vacinas no país. Como resultado, nos últimos três anos, revertemos a queda nas coberturas vacinais. Em 2025, o Brasil registrou aumento no número de crianças vacinadas e interrompeu a sequência de quedas observada até 2022”, explica. Vermelho.


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