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Planalto acende alerta para movimentações dos EUA antes da eleição

Governo monitora possíveis articulações de aliados de Bolsonaro em Washington e teme questionamentos sobre o processo eleitoral diante de crise no Judiciário.

O agravamento da tensão no Judiciário acendeu um novo sinal de alerta no Palácio do Planalto. Integrantes do governo avaliam que a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pode ser explorada por setores bolsonaristas com interlocução em Washington para ampliar a pressão sobre o Brasil às vésperas da eleição.

O cenário acompanhado pelo governo vai além das articulações nos Estados Unidos. Há projeções, segundo interlocutores do Planalto, de que integrantes da administração de Donald Trump tentem vir ao Brasil na semana que antecede a votação.

A eventual movimentação, seus objetivos e possíveis interlocutores no país estão sendo monitorados pelo governo brasileiro diante do receio de que a visita seja utilizada para lançar questionamentos sobre o processo eleitoral ou alimentar o ambiente de instabilidade.

A preocupação se concentra, sobretudo, em grupos brasileiros com trânsito junto a setores do Departamento de Estado que, na avaliação de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentam transformar problemas internos das instituições em argumentos para estimular uma reação de Washington.

Nos bastidores, um interlocutor do governo resume a inquietação de maneira mais dura: há brasileiros dispostos a “entregar a nação a Trump” para tentar produzir algum tipo de pressão externa capaz de repercutir no ambiente político doméstico. O temor ganhou força com o aprofundamento da crise no Supremo e a proximidade das urnas.

O Planalto já vinha acompanhando essa movimentação. Como mostrou o Correio na semana passada, auxiliares de Lula identificaram uma tentativa de brasileiros radicados nos Estados Unidos de aproveitar a instabilidade política para pressionar integrantes da administração Trump.

*Correio Braziliense


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Pesquisa

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

Por Alice Maciel (ICL Notícias) e Natalia Viana (Agência Pública)

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUAEduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo foram centrais na articulação para impor tarifas contra o Brasil e retaliações contra ministros do Supremo. Desde 2025, eles participaram de dezenas de reuniões com deputados republicanos e membros do governo dos EUA pedindo intervenções em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Em maio de 2025, três meses após se mudar para o Texas e anunciar que viveria uma espécie de “autoexílio”, Eduardo Bolsonaro comprou um carro novo. Não exatamente um modelo econômico para atravessar tempos difíceis. Ele adquiriu um GMC Acadia Elevation 2025 preto, um SUV de três fileiras de assentos, avaliado em cerca de 43,8 mil dólares nos EUA, o que equivale a aproximadamente R$ 226 mil.

Os registros de gastos associados à família Bolsonaro nos EUA mostram que, desde a mudança para o país, em fevereiro do ano passado, o padrão de vida não parece ter encolhido, nem mesmo após o STF determinar o bloqueio dos bens de Eduardo Bolsonaro e de sua esposa, Heloísa Bolsonaro, em julho de 2025. Eduardo ainda perdeu o salário que recebia como deputado federal em dezembro, quando seu mandato foi cassado por faltas, e, desde 2015, não recebe salário como escrivão da PF, de onde a corporação recomendou sua demissão por abandono do cargo.

Ao chegar aos EUA, o ex-deputado escolheu Arlington, no Texas, onde já havia mantido uma empresa entre 2023 e 2024. A residência alugada estava longe de ter as dimensões de um refúgio improvisado. Tinha pouco mais de 300 metros quadrados, quatro quartos e quatro banheiros, com valor de mercado estimado em 707,7 mil dólares (cerca de R$ 3,6 milhões). O valor da locação anunciado em sites imobiliários, quando eles alugaram a casa, era de 4,5 mil dólares, aproximadamente R$ 23,3 mil na cotação atual.

Em maio de 2025, Jair Bolsonaro chegou a transferir R$ 2 milhões ao filho. “Botei dinheiro na mão dele, dinheiro limpo, legal, Pix”, afirmou o ex-presidente.

Dias dep

ois, Eduardo chegou a reclamar para o pai, em mensagens trocadas por Whatsapp, que estava “se fodendo” nos EUA. Ao reclamar de uma entrevista em que Jair dizia que o filho era imaturo, Eduardo reclamou que, ao jogar ele para baixo, o ex-presidente o estaria condenando a passar o “resto da vida nessa porra aqui”. “VTNC seu ingrato do caralho!”, escreveu.

A situação parece ter melhorado desde então. Pouco mais de um ano depois, em maio de 2026, a família trocou Arlington por um endereço ainda mais valorizado, em Southlake, uma das cidades mais ricas do Texas, onde a renda familiar média é de 250 mil dólares – três vezes maior do que em Arlington, por exemplo. Eduardo, a esposa e os dois filhos moram atualmente em uma casa que oferece “uma vida de resort”, conforme revelou o The Intercept Brasil.

Avaliada em 1,22 milhão de dólares, cerca de R$ 6 milhões, a mansão foi anunciada para aluguel por aproximadamente 5,9 mil dólares (em torno de R$ 30 mil mensais), segundo anúncios imobiliários que permaneceram ativos até fevereiro deste ano. O imóvel tem 424 metros quadrados de área construída, em um terreno de 1.366 metros quadrados, quatro quartos e piscina, além de acesso a um clube com quadras de tênis e a uma lagoa.

Fotos da casa de Eduardo Bolsonaro

A filha mais velha do casal Bolsonaro, de cinco anos, foi matriculada numa escola cristã a cerca de 15 minutos de casa, com custo anual de 18 mil dólares (R$ 93,4 mil), conforme divulgado no site da escola.

Eduardo nega ter usado parte da verba do filme Dark Horse para custear sua vida nos EUA. O filme foi financiado com cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, por meio do Fundo Havengate. O negócio veio à tona após reportagem do Intercept Brasil. Conforme revelou o portal, Flávio Bolsonaro chegou a pedir o dobro desse valor ao banqueiro, hoje preso por gestão fraudulenta e estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção de servidores públicos, organização criminosa e obstrução da Justiça.

“A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca”, afirmou Eduardo em suas redes sociais. “No meu processo migratório, expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema”, disse.

Procurado pela reportagem, Eduardo não respondeu como financia seu padrão de vida nos Estados Unidos.

Em outras ocasiões, ele afirmou que se mantém com “renda passiva” e já disse também que recebe dinheiro por meio de cursos que ministra – os cerca de 50 mil dólares que ele disse ter investido no filme Dark Horse, por exemplo, teriam esta origem.

20 viagens em 18 meses
Chama a atenção o volume de dinheiro que Eduardo Bolsonaro vem gastando com viagens dentro e fora dos EUA. Desde fevereiro do ano passado, o ex-deputado federal viajou ao menos 20 vezes, entre compromissos políticos e passeios turísticos.

Para comemorar o primeiro aniversário de Heloísa Bolsonaro após a mudança para os EUA, a família foi para a Disney em junho de 2025. Cinco meses depois, em dezembro, Eduardo Bolsonaro esteve na cidade de Park City, em Utah, destino nas montanhas conhecido internacionalmente por suas estações de esqui. A passagem ocorreu justamente no início da alta temporada de neve na região.

Já em fevereiro deste ano, Eduardo viajou para West Palm Beach, na Flórida, onde o custo diário de acomodação pode ser superior a R$ 1.000.

Durante a Copa do Mundo, ele foi a Miami assistir à partida entre Brasil e Escócia, que ocorreu no dia 24 de junho. Ficou hospedado em um hotel de luxo, que cobra diárias de R$ 16 mil e chega a oferecer pacotes de experiência avaliados em um milhão de dólares, conforme revelou a Revista Fórum.

Mas a maior parte dos deslocamentos do ex-deputado desde que se mudou para os EUA está ligada à sua atuação política. Ao lado de Paulo Figueiredo, Eduardo tem se mobilizado para pressionar o governo norte-americano a impor sanções ao Brasil e a ministros do STF. Juntos, os dois estiveram pelo menos sete vezes em Washington e fizeram outras três viagens a Mar-a-Lago, na Flórida. Paulo frequenta o resort desde 2019 e parece manter sua primeira impressão: “simplesmente lindo!”

Em meados de maio, Eduardo hospedou-se, junto com Paulo, no histórico hotel Willard Intercontinental Washington, quando se reuniram com Trump na Casa Branca. Eduardo e sua turma alugaram os quartos, que têm preço a partir de R$ 1,5 mil por noite, mas podem chegar a custar R$ 50 mil por diária. Eles chegaram a receber, no hotel, a visita de Darren Beattie, assessor sênior de política para o Brasil no Departamento de Estado.

Eduardo Bolsonaro no Willard Hotel, em maio de 2026. Foto: Ken Silverstein / Agência Pública

Eduardo Bolsonaro no Willard Hotel, em maio de 2026. Foto: Ken Silverstein / Agência Pública

A agenda de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também cruzou as fronteiras norte-americanas, com pelo menos três viagens ao Oriente Médio.

“Pra quem surfa, sabe que isso aqui é o que há de melhor no mundo.” Com uma prancha debaixo do braço, Eduardo Bolsonaro aparece diante da maior piscina de ondas artificiais do mundo, em Abu Dhabi. No vídeo, publicado em 8 de fevereiro, ele também demonstra suas habilidades ao longo de uma sequência de manobras. As imagens foram gravadas no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat, onde uma sessão de 45 minutos para surfistas de nível intermediário e avançado custa 1,8 mil dirhams dos Emirados Árabes Unidos (AED) US$ 953 — cerca de R$ 2,5 milhões.

Eduardo Bolsonaro com prancha de surfe em Abu Dhabi

Eduardo no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat

Na ocasião, Eduardo viajava pelo Oriente Médio ao lado do irmão, o senador e então pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. O trio divulgou encontros com autoridades no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos como parte de sua agenda política na região. Mas, entre um compromisso e outro, as redes sociais também registraram momentos de lazer.Figueiredo, por exemplo, compartilhou avaliações de restaurantes em Dubai, como o CZN Burak Dubai, especializado em culinária turca, onde comeu um dos melhores kebabs da sua vida, além de um ensopado de camarão apimentado. “Divino”, “sobremesa perfeita” estão entre os elogios feitos à casa, cujo preço estimado por pessoa é de R$ 140 a R$ 210. Ele também visitou o Clay Dubai, na marina da cidade, onde se paga entre R$ 560 e R$ 630 por pessoa. “Este lugar não é apenas LINDO, mas tudo o que comemos estava delicioso”, escreveu . Em um restaurante de comida japonesa, reclamou de ter comido um sushi de abacate com salmão por 45 dólares. “ATENÇÃO! Este lugar é uma armadilha para turistas!”, escreveu .


Procurado pela reportagem, Paulo Figueiredo dirigiu ironias e agressões contra a Agência Pública antes de afirmar “Eu me financio através das minhas empresas e não devo satisfação a ninguém”.Em intervalo de 6 meses, Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões e Cybertruck da TeslaOs registros levantados pela reportagem indicam que Paulo Figueiredo também elevou seu padrão de vida no último ano. Em novembro de 2025, conforme revelaram a Agência Pública e o ICL Notícias, o influenciador comprou por 1,2 milhão de dólares — cerca de R$ 6,1 milhões — uma mansão em Clermont, na Flórida. Para fechar o negócio, contratou um financiamento imobiliário de 1 milhão de dólares.

Fotos da casa de Paulo Figueiredo

A propriedade fica em um terreno de 17,5 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de dois campos e meio de futebol, e tem 515 metros quadrados de área construída. São dois andares, seis quartos e cinco banheiros, além de salas de estar e de jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. Do lado de fora, há piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e até uma casa na árvore.

Seis meses depois, em maio de 2026, Figueiredo ampliou a garagem com um Cybertruck 2026, da Tesla, montadora de Elon Musk. O veículo tem valor de mercado estimado em 83 mil dólares, o que equivale a R$ 427,9 mil. O influenciador também possui, desde 2024, uma BMW Série 6 de 2004, hoje avaliada em cerca de 9 mil dólares (aproximadamente R$ 51 mil).

Tesla Cybertruck 2026

A compra da mansão ocorreu apenas um mês depois de Figueiredo informar à Justiça dos Estados Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para representar sua empresa, a International Treasure Group, condenada à revelia. A ação contra a companhia faz parte de um processo de falência que visa recuperar transferências supostamente vinculadas ao esquema de fraude atribuído ao magnata chinês Miles Guo.

A International Treasure Group entrou no processo após receber 140 mil dólares— cerca de R$ 670 mil — por serviços prestados à rede social Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022, segundo a defesa de Figueiredo. Fundada pelo ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller, a plataforma tinha Guo como financiador oculto.

A mansão em Clermont não é o único imóvel de Figueiredo na Flórida. Ele também possui uma casa em Weston, colocada à venda em junho deste ano por 1,09 milhão de dólares — cerca de R$ 5,5 milhões —, segundo sites imobiliários americanos. Desde 2016, a propriedade estava registrada em nome da Olive-Fig Tree Real Properties LLC, empresa que também pertence ao influenciador.

Em outubro de 2025, porém, o imóvel de Weston foi transferido para o nome de Figueiredo, segundo documentos do estado da Flórida. No mês seguinte, ele adquiriu a mansão de Clermont.

As movimentações contrastam com declarações feitas pelo próprio Figueiredo sobre sua situação financeira. Em 2024, quando já articulava, nos Estados Unidos, possíveis retaliações contra autoridades brasileiras, ele fez deu seu testemunho em uma audiência no Congresso norte-americano afirmando ser vítima de perseguição do STF e que estava “desempregado, sem minhas redes sociais e suas respectivas monetizações, responsável por sustentar minhas duas filhas americanas de 7 e 8 anos”.

Paulo é cidadão americano, assim como suas filhas, e usa este fato para alardear que tem sido censurado pelo STF – o que embasou diversas ações de aliados no governo e no legislativo norte-americano, como a lei “No Censors in Our shores”, proposto pela deputada republicana Maria Elvira Salazar um mês depois dela ter recebido uma doação de campanha de Paulo no maior valor possível na época (R$ 57 mil), conforme revelou a Pública.

Na Flórida, Paulo frequenta restaurantes renomados e costuma ser bastante crítico quanto à gastronomia. Frequenta estabelecimentos com estrelas Michelin, mas nem sempre sai satisfeito. Por exemplo, em abril, ele foi ao restaurante de culinária asiática fusion Nami, no hotel Lake Nona Wave, em Orlando, onde também se paga, por pessoa, cerca de 500 reais por refeição. “Fiquei muito decepcionado, ainda mais por se tratar de um restaurante com estrela Michelin. As porções são ridiculamente pequenas, não condizendo com o preço cobrado. Pra ser sincero, este é o primeiro lugar com estrela Michelin onde definitivamente não pretendo voltar”.

Em outros restaurantes, ele reclama dos valores pagos por porções pequenas, o que ele diz ser regra em Miami, “restaurantes muito caros com comida mediana”.

Não que ele não tope pagar caro. Há cerca de um ano ele foi com a esposa ao Restaurante MAASS, em Fort Lauderdale, onde pagou “quase 400 dólares” – R$ 2 mil reais – em um menu degustação para duas pessoas. “Mesmo experimentando o menu degustação, nada do que comi foi memorável e me fez querer voltar”, escreveu.


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Política

Brasil aproveita erros de Trump e da família Bolsonaro e encosta nos EUA no agronegócio

O que Donald Trump pretendia transformar em instrumento de pressão contra o Brasil começa a produzir um efeito bastante diferente no comércio internacional: o país está ocupando espaços que os Estados Unidos vêm perdendo no agronegócio e já se aproxima de superar os norte-americanos em valor de exportações do setor.

Os números ajudam a dimensionar a mudança. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas 14% acima do resultado de cinco anos antes. No mesmo período, o Brasil saltou 68%, chegando a US$ 169 bilhões. A distância, que no início do século era enorme a favor dos americanos, praticamente desapareceu.

A explicação não está apenas na extraordinária capacidade produtiva brasileira. A política comercial de Trump também abriu portas para os concorrentes. Ao transformar a China e outros parceiros tradicionais em adversários comerciais, Washington perdeu mercados estratégicos justamente para países capazes de oferecer produtos competitivos — e o Brasil estava pronto para ocupar esses espaços.

Na Ásia, o movimento é particularmente revelador. Entre 2022 e 2025, as exportações agropecuárias dos EUA para a região caíram 25%, enquanto as brasileiras cresceram 9%. No mercado chinês, a retração americana foi ainda mais expressiva: as vendas dos EUA diminuíram 49% em cinco anos, enquanto as brasileiras avançaram 8%.

É a velha ironia da geopolítica: ao tentar usar tarifas para proteger o produtor americano, Trump acabou estimulando compradores internacionais a procurar fornecedores alternativos. E o Brasil apareceu como uma alternativa natural.

A soja é um dos exemplos mais emblemáticos. Os Estados Unidos continuam fortes no milho, mas perderam espaço justamente em uma das commodities que historicamente sustentaram sua balança agrícola. Nas carnes, o avanço brasileiro também é significativo. O Brasil ampliou sua presença internacional enquanto os americanos enfrentam um rebanho bovino no menor nível em décadas e passaram, paradoxalmente, a depender mais de carne importada.

O desempenho brasileiro não é apenas uma reação circunstancial ao tarifaço. As exportações do agronegócio atingiram US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para o período, impulsionadas principalmente por carnes, soja e algodão. A China sozinha respondeu por US$ 30,5 bilhões, 35,1% do total, com crescimento de 10,5% sobre o mesmo período anterior.

E há outro dado que desmonta a ideia de que o Brasil estaria excessivamente dependente dos Estados Unidos: no primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras de produtos do agronegócio para os EUA caíram 25,1%, mas a China, a União Europeia e outros mercados absorveram boa parte da expansão brasileira.

Isso significa que a diversificação virou uma espécie de seguro contra o protecionismo de Trump. Quanto mais Washington fecha portas, mais Brasília procura — e encontra — compradores em outras partes do planeta.

O resultado é uma transformação importante no equilíbrio do agronegócio mundial. Os Estados Unidos continuam sendo uma potência agrícola incontestável, mas já não podem contar com a mesma vantagem de décadas atrás. O Brasil dispõe de território, produtividade, capacidade de expansão, diversidade de produtos e uma posição privilegiada no comércio com a Ásia.

Trump queria utilizar o tamanho do mercado americano como arma. O problema é que o mundo mudou — e o Brasil também.

Hoje, quando Washington ergue barreiras, Pequim abre espaço. Quando os americanos perdem competitividade, os brasileiros avançam. Quando Trump transforma parceiros em adversários, produtores brasileiros encontram novos clientes.

O mais revelador, portanto, é que a política de confronto dos Estados Unidos pode estar acelerando exatamente aquilo que pretendia evitar: a consolidação do Brasil como um dos grandes fornecedores estratégicos de alimentos do planeta e como concorrente cada vez mais direto da agricultura americana.

A disputa pelo agronegócio mundial, ao que tudo indica, está mudando de mãos — e o Brasil chega a essa disputa muito mais forte do que estava no início do século.


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Brasil reage ao tarifaço dos EUA e inicia processo de reciprocidade

O Brasil deu um passo concreto para responder ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nesta quinta-feira (13), o governo federal iniciou formalmente o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao país adotar contramedidas diante de barreiras comerciais consideradas injustificadas. O Itamaraty também notificou os Estados Unidos e solicitou consultas diplomáticas.

A iniciativa não significa que o Brasil vá impor imediatamente novas tarifas aos produtos americanos. É, antes, o início de uma análise que deverá ouvir os setores atingidos e avaliar quais medidas seriam proporcionais aos prejuízos provocados pelas decisões de Washington. Entre as possibilidades estão restrições a importações e outras contramedidas comerciais previstas pela legislação.

A reação brasileira ocorre diante de tarifas americanas que podem chegar a 37,5% sobre determinados produtos. O impacto já começa a aparecer no comércio bilateral: entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 12,2%, segundo levantamento da Amcham Brasil. Nos produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, a queda chegou a 31,5%.

O governo Lula, porém, procura evitar uma escalada irresponsável. A estratégia combina pressão diplomática, defesa do comércio multilateral e preparação de uma resposta caso os Estados Unidos mantenham as tarifas. A mensagem é clara: o Brasil não pretende aceitar unilateralmente uma política comercial que prejudique sua economia, seus empregos e suas empresas.

A Lei da Reciprocidade funciona, nesse cenário, como instrumento de soberania econômica. O Brasil sinaliza que está disposto a negociar, mas também demonstra que negociação não significa submissão. Se Washington escolhe impor barreiras de forma unilateral, Brasília passa a ter mecanismos legais para responder.

Mais do que uma disputa tarifária, está em jogo o princípio de que relações entre países soberanos não podem ser conduzidas pela lógica do ultimato. O Brasil abre a porta para o diálogo, mas deixa claro que também está preparado para defender seus interesses.

E essa talvez seja a principal mensagem do movimento: o Brasil prefere a negociação, mas não aceitará que a negociação seja confundida com rendição.


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EUA militarizam América Latina e iniciam implantação de ‘Doutrina Donroe’

Um ano e meio depois de assumir o governo norte-americano e colocar a América Latina como uma de suas prioridades de sua atuação internacional, a presidência de Donald Trump inicia uma ofensiva para militarizar a região e implementar o controle sobre o Hemisfério, tese conhecida em Washington como Doutrina Donroe.

Nesta semana, no Panamá, o governo norte-americano enviou parte de sua cúpula militar para reuniões com os 18 países que fazem parte do Escudo das Américas, iniciativa criada no começo do ano para estabelecer uma aliança na região, supostamente no combate ao “terrorismo, narcotráfico e cartéis”.

Pete Hegseth, secretário de Guerra, anunciou que os EUA iniciariam ataques por terras contra cartéis na América Latina. No Equador, as operações já são uma realidade e, agora, a Colômbia autorizou o mesmo padrão de ação.

Mas com a presença de forças e ministros da Argentina, El Salvador, Paraguai e outros aliados, o encontro serviu ainda para desenhar a construção de uma nova realidade regional, sem a presença do Brasil.

Foi longe dos holofotes que a operação, de fato, ganhou contornos que passou a preocupar diplomatas brasileiros e estrangeiros. Um dos elementos centrais da estratégia é a criação de uma central de inteligência que, sob o comando dos EUA, poderia atuar em toda a região.

Condor 2.0?
Os países ainda seriam submetidos a entregar inteligência de pessoas e organizações, numa espécie de ofensiva regional contra qualquer ator que possa ser considerado como uma “ameaça” aos interesses dos EUA.

Hoje, o discurso é de que a ameaça vem dos cartéis. Mas há quem tema que a estrutura montada permitirá que os EUA se dêem todos os meios para frear qualquer tipo de ator que possa representar algum desafio para seus interesses.

O acesso aos recursos naturais, por exemplo, seria um desses cenários futuros, principalmente com a concorrência da China.

Não por acaso, membros de forças de oposição em países latino-americanos que optaram por entrar no projeto falam da repetição da lógica do Plano Condor, criado nos anos 70 para coordenar ações contra atores subversivos na região. A diferença é que, naquele momento, a operação era sigilosa.

Plano começa a ser implementado
Nesta semana, o general do Corpo de Fuzileiros Navais Francis L. Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA, afirmou que os membros da coalizão definiram os próximos passos da iniciativa, incluindo o “aprimoramento dos planos de campanha prioritários contra as redes criminosas, a designação de funções e nações líderes, o estabelecimento de grupos de trabalho com objetivos e marcos específicos e o início das avaliações da campanha da coalizão”.

“Entre agora e novembro, vamos elaborar um plano de campanha”, disse ele. “Vamos analisá-lo com nossos colegas e membros aqui presentes e aprová-lo até novembro”, explicou.

O general também afirmou que os governos da coalizão se apresentaram como candidatos para liderar as operações em diferentes setores. “Ontem, ao final da nossa sessão, saímos e fizemos um levantamento inicial… quem quer liderar em diferentes regiões? Quem quer liderar, para… combater essas redes?”, disse Donovan. “Tivemos voluntários imediatamente, nações que queriam se apresentar e assumir a liderança em sub-regiões e combater certas ameaças”, disse.

A referência à suposta liderança de outros países, porém, não passa de uma manobra para vender a ideia à opinião pública dos países envolvidos de que eles seriam supostamente “parceiros”.

A realidade é que, dias antes do anúncio da construção concreta da aliança, o Comando Sul dos EUA ativou a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental (JTF-WHEM). A estrutura, segundo nota do Pentágono, foi “criada especificamente para sincronizar as operações militares dos EUA com aliados e parceiros, a fim de combater ameaças, fortalecer a segurança regional e responder rapidamente a crises em todo o Hemisfério Ocidental”.

“O Comandante do SOUTHCOM, General Francis L. Donovan, ordenou a ativação da JTF-WHEM, que fornece comando e controle unificados nos níveis tático e operacional, integrando capacidades militares com as 18 nações parceiras da Coalizão Anticartel das Américas (A3C) para aumentar a eficácia operacional contra ameaças que prejudicam a segurança regional e impactam os Estados Unidos e as nações parceiras”, explicou.

De acordo com a nota, o órgão também fortalece a capacidade do SOUTHCOM de responder rapidamente a “contingências e crises humanitárias em toda a região”.

“A JTF-WHEM fortalece nossa capacidade de trabalhar ao lado de aliados e parceiros confiáveis, sincronizar capacidades militares e aplicar pressão sustentada contra as redes que ameaçam nossa segurança coletiva”, disse Donovan. “Juntos, estamos aumentando a segurança em todo o hemisfério e protegendo nossa pátria.”

Donovan selecionou o major-general do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Kevin Jarrard, para comandar a nova força-tarefa. Jarrard foi quem liderou recentemente o apoio militar dos EUA às operações de socorro após os terremotos de junho de 2026 na Venezuela.

Troca de inteligência
O que chamou a atenção de diplomatas estrangeiros e brasileiros é que a nova força-tarefa afirma que integra inteligência, vigilância e reconhecimento, planejamento operacional e coordenação multinacional para “aumentar a pressão sobre organizações nefastas que operam em todo o Hemisfério Ocidental”.

Um dos pontos centrais é o o fato de que “força-tarefa fortalecerá o compartilhamento de informações, expandirá o treinamento combinado, aprimorará a interoperabilidade, apoiará os esforços de interdição marítima, desenvolverá a capacidade dos parceiros e permanecerá preparada para fornecer assistência humanitária e resposta a desastres quando solicitada”.

“A Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental é o braço de ação do SOUTHCOM para enfrentar ameaças em todo o hemisfério”, disse Donovan. “Construído especificamente para esse fim e organizado para tarefas específicas, este quartel-general reúne capacidades militares personalizadas e parcerias de confiança para aumentar a fricção sistêmica total, o ritmo operacional, impor pressão sustentada sobre organizações criminosas e fortalecer a segurança dos Estados Unidos e de nossos parceiros. Juntamente com as 18 nações, estamos mudando a forma como enfrentamos essas ameaças”, completou.

“Fazemos coisas ruins com pessoas ruins”
Coube ao secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, dar o tom polêmico e político da operação. Segundo ele, o governo Trump iniciará imediatamente a tomar “medidas concretas” para lutar supostamente contra os cartéis da região.

“Quando dizemos que vamos desmantelar os cartéis, estamos falando sério, e sei que as nações desta coalizão sentem exatamente o mesmo… e tomarão medidas concretas — às vezes arriscadas, corajosas — em parceria.”

“Acreditamos que não há tempo a perder e não há momento melhor do que agora”, disse ele.

“O novo lema da Coalizão é: ‘Fazemos coisas ruins com pessoas ruins’”, disse ele. “Essa é a mentalidade que quero ver nesta sala. Estamos lidando com pessoas ruins que fizeram muitas coisas ruins com muitas pessoas boas, por muito tempo. E elas estão prestes a conhecer um novo xerife na cidade, e não estamos brincando. Narcoterroristas., traficantes de drogas, estejam avisados”, completou.

*Jamil Chade/ICL


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EUA alertam que domínio sobre América Latina ‘nunca mais será questionado’

Vídeo de cinco minutos difundido nas redes sociais pelo Departamento de Estado distorce fatos históricos e manda recado a toda a região

O Departamento de Estado norte-americano publicou nesta terça-feira um video nas redes sociais no qual deturpa o sentido da Doutrina Monroe. Mas, acima de tudo, alerta que “o domínio” de Washington sobre o continente latino-americano “nunca mais será questionado”.

Desde o ano passado, o presidente Donald Trump passou a designar a região como sua prioridade, numa estratégia marcada para reduzir o papel da China no continente latino-americano.

Para explicar a ofensiva militar, política e econômica sobre a região, o governo Trump agora produziu um video no qual relembra os episódios da história americana na região e justifica guerras, invasões e derrubadas de governos como parte de uma estratégia para impedir que o continente fosse alvo da cobiça de europeus.

Além da monarquia no México, de uma suposta tentativa de anexação da República Dominicana e outros momentos chaves, o video aponta que uma guinada ocorre quando, no final do século 19, os EUA se apresentam como potência soberana na região. “Não era só um alerta. Era uma primazia dos EUA”, disse.

No vídeo, o relato mostra como, em 1899, os EUA expulsam a Espanha de Cuba e confiscam Porto Rico.

Neste momento, o narrador fala com orgulho que, naquele momento, os EUA “desembarcaram no cenário internacional como potência imperial com domínio sobre o Caribe”.

Quatro anos depois, isso seria testado depois na Venezuela. Caberia a Roosevelt, diz a história apresentada pela Casa Branca, estabelecer que, quando um país latino-americano estivesse em “caos”, os EUA “entrariam para administrá-lo”.

Era, agora, um “mandato”.

O vídeo ainda cita a da construção do Canal do Panamá, a crise dos mísseis em Cuba e a invasão norte-americana na Nicaragua.

Mas é o alerta para o atual momento que chamou a atenção. Ao explicar o sequestro de Nicolás Maduro, o Departamento de Estado afirma que se tratou de “um manobra calculada” para “dar um sinal no hemisfério”: o “domínio nunca mais ver ser questionado”.

Não por acaso, o video é narrado por Kevin Cabrera, embaixador dos EUA no Panamá. “O que começou como alerta aos europeus se transformou em quadro para domínio regional”, completou.

Em pouco mais de cinco minutos, o Departamento de Estado avisa: o continente é nosso.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

EUA dizem que respeitarão escolha dos brasileiros em “eleições livres”. Não poderia ser diferente

Os Estados Unidos anunciaram que respeitarão a escolha dos brasileiros nas próximas eleições, desde que o processo seja realizado de forma livre. A declaração, apresentada como uma manifestação de respeito à democracia, deveria ser recebida com uma obviedade: a decisão sobre quem governa o Brasil pertence exclusivamente aos brasileiros.

Não cabe a Washington, nem a qualquer outra potência estrangeira, estabelecer quais candidatos considera aceitáveis, quais governos prefere ou quais resultados eleitorais gostaria de ver nas urnas. Democracia não é um processo tutelado por governos estrangeiros, muito menos uma concessão feita por uma potência que se julga autorizada a dar seu aval às escolhas políticas de outros países.

Por isso, dizer que os EUA “respeitarão” a decisão dos brasileiros soa quase como uma inversão de papéis. Não é Washington que precisa autorizar a democracia brasileira. É Washington que precisa respeitar a soberania do Brasil.

O histórico recente da política internacional recomenda cautela com declarações desse tipo. Quando uma potência estrangeira passa a falar com tanta ênfase sobre eleições de outro país, a pergunta inevitável é: por que essa preocupação específica e neste momento? O respeito à soberania alheia não pode ser seletivo, conveniente ou condicionado ao resultado que interessa aos Estados Unidos.

O Brasil é uma democracia com instituições próprias, eleitorado próprio e regras eleitorais próprias. Quem coloca a mão na urna é o cidadão brasileiro — e não o Departamento de Estado americano, a Casa Branca ou qualquer autoridade estrangeira.

E há uma ironia evidente na frase: os EUA dizem que respeitarão uma escolha que, em uma democracia soberana, não depende da autorização de ninguém para ser respeitada.

Se realmente existe compromisso com a democracia brasileira, a postura mais coerente é simples: não interferir, não pressionar, não escolher favoritos e não tentar transformar a política externa em instrumento de influência sobre o eleitorado brasileiro.

Que os brasileiros sejam livres para escolher. E que os Estados Unidos sejam suficientemente democráticos para entender que a soberania brasileira não precisa de certificado de aprovação de Washington.


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Brasil

Brasil se aproxima da liderança mundial do agro e ameaça hegemonia dos EUA, diz Financial Times

Brasil está a um passo de se tornar o maior exportador agrícola do mundo

Antes considerado um gigante absoluto da produção agrícola mundial, os Estados Unidos estão cada vez mais próximos de perder a liderança global para o Brasil. A avaliação é do jornal britânico Financial Times, que afirma que o agronegócio brasileiro vive uma expansão histórica e pode assumir, em breve, o posto de maior exportador agrícola do planeta.

Segundo a reportagem, a diferença entre os dois países diminuiu rapidamente nos últimos anos. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agrícolas, apenas US$ 2 bilhões acima do Brasil. Em 2021, essa vantagem era de US$ 56 bilhões, o que evidencia a velocidade da ascensão brasileira.

O Financial Times atribui boa parte dessa mudança às transformações provocadas pela guerra comercial iniciada durante o governo Donald Trump. As tarifas impostas contra a China levaram Pequim a diversificar seus fornecedores e ampliar significativamente as compras de soja e outros produtos brasileiros, consolidando uma relação comercial que se manteve ao longo dos anos.

O jornal destaca que o Brasil deixou de ser apenas um grande produtor de café, açúcar e suco de laranja para se tornar líder mundial também nas exportações de soja, carne bovina, carne de frango e algodão. O avanço tecnológico no campo, a expansão das áreas cultivadas e, principalmente, a possibilidade de colher duas safras por ano em boa parte do território nacional são apontados como fatores decisivos para esse desempenho.

Enquanto isso, agricultores norte-americanos enfrentam um cenário de margens cada vez menores, queda da demanda externa e maior dependência de subsídios públicos. Em diversos estados agrícolas, produtores relatam prejuízos mesmo após colheitas recordes, reflexo dos preços internacionais deprimidos e da perda de mercados estratégicos.

O periódico ressalta que, embora o Brasil ainda enfrente desafios importantes — como gargalos logísticos, infraestrutura insuficiente e pressões ambientais relacionadas à expansão agrícola —, a trajetória do país é vista como estrutural e não apenas conjuntural. Para analistas ouvidos pela publicação, o modelo brasileiro de produção em larga escala e alta produtividade tornou o país o principal concorrente dos Estados Unidos na disputa pela liderança do comércio agrícola global.

Na avaliação do Financial Times, caso as tendências atuais sejam mantidas, o Brasil poderá assumir nos próximos anos a posição de maior potência agroexportadora do mundo, simbolizando uma das maiores mudanças no equilíbrio do comércio internacional de alimentos das últimas décadas.


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Política

Eduardo Bolsonaro antecipa derrota de Flavio a 72 dias da eleição

Uma declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acabou provocando forte repercussão política ao ser interpretada como um reconhecimento antecipado das dificuldades enfrentadas pela campanha presidencial de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao afirmar que “não haverá eleição em 2030” caso Flávio seja derrotado em 2026, Eduardo vinculou o futuro do sistema político brasileiro diretamente ao resultado da disputa presidencial, em uma fala que chamou atenção tanto pelo tom quanto pelo momento em que foi feita.

A declaração ocorreu 72 dias antes do primeiro turno das eleições e foi publicada nas redes sociais após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi tomada depois que o senador leu, durante uma transmissão ao vivo, uma carta atribuída ao pai, o que, segundo o ministro, poderia representar descumprimento das restrições impostas ao ex-presidente.

Ao afirmar que apenas uma vitória de Flávio garantiria a realização de eleições futuras, Eduardo acabou alimentando interpretações de que o próprio núcleo bolsonarista reconhece o cenário eleitoral adverso. Para analistas políticos, a necessidade de apresentar uma eventual derrota como uma ameaça ao futuro institucional do país pode indicar preocupação crescente com o desempenho da candidatura e com a dificuldade de ampliar seu eleitorado para além da base mais fiel do bolsonarismo.

A fala também reforçou a estratégia adotada por integrantes da família Bolsonaro de transformar decisões judiciais e embates com o STF em elementos centrais da narrativa eleitoral. Em vez de concentrar o debate em propostas de governo, o discurso mantém o foco na polarização institucional e na mobilização do eleitorado mais alinhado ao ex-presidente.

Nos bastidores, a declaração repercutiu como mais um episódio de tensão em uma campanha que já enfrenta desafios políticos e jurídicos. Com pouco mais de dois meses até a votação, o episódio amplia o debate sobre a estratégia do PL e evidencia a aposta da campanha em manter a narrativa de confronto como principal instrumento de mobilização eleitoral.

Soma-se a isso, o fato de Flavio Bolsonaro se ver isolado dentro do próprio campo da direita, porque não está conseguindo palanque em vários estados, enquanto Lula já tem palanque em todos os estados.

Para piorar, Eduardo Bolsonaro comemora a conquista do Green Card para viver para sempre nos EUA, confirmando que não tem a menor esperança da vitória de Flavio.


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Mundo

Irã ameaça ampliar conflito e fala em “ofensiva total” contra os EUA

Irã lança forte alerta aos Estados Unidos e ameaça partir para uma “ofensiva total”

O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos ao afirmar que poderá iniciar uma “fase ofensiva total” caso Washington mantenha os bombardeios contra alvos iranianos pelos próximos dias. A declaração foi feita pelo general Mohsen Rezai, assessor militar da liderança iraniana e ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica.

Segundo Rezai, a estratégia iraniana poderá mudar de uma postura predominantemente defensiva para uma ofensiva em larga escala caso os ataques americanos continuem. A advertência ocorre em meio à intensificação da campanha militar dos EUA, que, segundo autoridades iranianas, já dura sete dias consecutivos.

Nos últimos dias, Teerã também ampliou suas ações militares, incluindo ataques contra interesses e bases ligadas aos Estados Unidos no Oriente Médio, elevando o risco de uma escalada regional. Autoridades americanas ainda não indicaram qualquer intenção de interromper as operações militares.

A escalada preocupa a comunidade internacional porque um confronto direto e prolongado entre Irã e Estados Unidos pode afetar a segurança no Oriente Médio, comprometer rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e provocar impactos nos mercados globais de energia.


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