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Lula critica EUA em discurso na Celac: ‘não somos mais países colonizados’

Presidente citou agressões do governo Trump contra Venezuela, Cuba e Irã, além de denunciar hipocrisia do Conselho da ONU: ‘são eles que travam guerras’

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (21/03) da reunião da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac) com a África, na capital colombiana Bogotá, onde fez duras críticas ao governo dos Estados Unidos, sem mencionar nominalmente Donald Trump.

A autoridade denunciou que o corpo do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), em vez de solucionar conflitos globais, incluindo o genocídio na Palestina e a guerra em curso contra o Irã, tem fomentado mais guerras por meio do poderio militar, além de rechaçar categoricamente o bloqueio energético aplicado por Washington a Cuba e a invasão norte-americana à Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, declarou Lula sobre as agressões cometidas pelo republicano a nações sul-americanas. “Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”

O mandatário brasileiro destinou parte de seu discurso para o Irã, país contra o qual Washington e Tel Aviv promoveram uma guerra em 28 de fevereiro, em meio a negociações nucleares até então em curso. A agressão levou a uma escalada regional e a um consequente fechamento parcial do Estreito de Ormuz, importante rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

“E agora se invadiu o Irã a pretexto de que o Irã estava construindo bomba nuclear. Cadê as armas químicas do Saddam Hussein? Onde elas estão? Quem achou? Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras, em que as pessoas constroem inimigos, constroem uma imagem negativa do inimigo para justificar a destruição”, denunciou.

Aos líderes da cúpula, Lula lembrou que depois que foi eleito presidente pela primeira vez, em dezembro de 2002, mesmo antes de ser empossado, o ex-presidente norte-americano George W. Bush entrou em contato para convidá-lo a participar da Guerra do Iraque. O convite foi recusado pelo brasileiro.

“Eu disse para ele: ‘Mas, presidente, eu não conheço Saddam Hussein. O Iraque fica a 14 mil quilômetros do meu país. Eu nunca fui ao Iraque. Por que fazer guerra com ele? Por que destruir para reconstruir?’”, contou. O petista revelou que Washington havia argumentado que se participasse da guerra, as empresas brasileiras iriam “ajudar a reconstruir o Iraque”. “Por que eu vou destruir para reconstruir? Se está construído, deixa que está construído”, questionou.

“A minha guerra é contra a fome de 54 milhões de brasileiros que não têm o que comer. E essa guerra eu vou vencer. E venci a guerra. Em 2014, acabamos com a fome no Brasil”, declarou.

Críticas ao Conselho da ONU
O presidente brasileiro voltou a criticar o funcionamento das Nações Unidas (ONU) e a “passividade” dos membros do Conselho de Segurança da ONU diante da concentração de conflitos no mundo. Lula expôs a hipocrisia dos países que nele integram, e que minam os fundamentos do multilateralismo.

“O que vemos no mundo é uma total falta de funcionamento das Nações Unidas, do Conselho Nacional da ONU e de seus membros permanentes que foram criados para manter a paz, e são eles que estão travando guerras”, denunciou.

Ele também voltou a defender a integração de mais países representando o órgão e o multilateralismo, ao criticar a prioridade ao militarismo e a incapacidade de seus integrantes resolverem conflitos mundiais, incluindo o genocídio na Palestina.

“Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”, questionou. “Ou seja, tudo se resolve por guerra? Ou seja, quem tem mais canhão, quem tem mais navio, quem tem mais avião, quem tem mais dinheiro, se acha dono do mundo?”

Como exemplo, o líder brasileiro disse que, em 2025, 2 trilhões e 700 bilhões de dólares foram gastos em armas para uso em guerras. “Ainda há 630 milhões de pessoas famintas, milhões de seres humanos que não têm acesso à educação, e milhões de mulheres e crianças que são resultado dessas guerras, que são abandonadas sem documentos, sem moradia ou uma pátria para viver”, criticou.

Erradicação da fome e transição climática
Referente ao potencial de colaboração com o continente africano, Lula destacou as riquezas naturais dos países que foram historicamente saqueados pelo sistema colonial europeu e pelas grandes corporações transnacionais que operam em seu território. No entanto, apontou positivamente para a capacidade de explorar terras agrícolas visando garantir a produção de alimentos e mitigar a fome.

“A África reúne enorme potencial agrícola e pode se tornar um grande produtor mundial de alimentos. O Brasil está comprometido em contribuir para esse esforço. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) retornou ao continente africano com o Escritório de Cooperação em Adis Abeba”, afirmou.

Sobre as questões climáticas, o presidente Lula destacou que a importância da transição para economias de baixo carbono para evitar a crise climática. O mandatário lembrou o potencial brasileiro para produção de energia limpa de fontes solar, eólica e hídrica, e que a formação de um mercado internacional de biocombustíveis eventualmente poderá abrir caminho para viabilizar a descarbonização da economia.

“Nossos países também possuem importantes reservas de minerais críticos, que desempenham um papel estratégico na transição para economias de baixo carbono. A cooperação entre os países detentores desses recursos minerais será vital para conseguir agregar valor em nossos próprios territórios e evitar investidas neoextrativistas”, explicou.

Lula também lembrou que Egito e Brasil recentemente sediaram as duas últimas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP) e que em breve será a vez da Etiópia. “Compartilhamos a responsabilidade de cuidar das duas maiores florestas tropicais do mundo: a Amazônia e a Floresta Tropical do Congo. Trabalhamos juntos”, garantiu.

*Opera Mundi


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Delcy Rodríguez reafirma soberania da Venezuela: ‘basta das ordens de Washington’

Aos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturaisAos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturais

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, voltou a criticar neste domingo (25/01) a influência dos Estados Unidos nos assuntos internos do país e reforçou a defesa da soberania política e energética venezuelana.

Em discurso dirigido a trabalhadores do setor de hidrocarbonetos, no estado de Anzoátegui, ela afirmou que o país não aceitará imposições externas e que os conflitos internos devem ser resolvidos exclusivamente no âmbito nacional.

“Já basta das ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossa divergência e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”, disse Rodríguez, ao se dirigir aos petroleiros reunidos na refinaria de Puerto La Cruz.

Rodríguez destacou que a reforma na Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos foi um instrumento para otimizar a exploração dos recursos naturais sob princípios de soberania energética. Segundo ela, a proposta busca assegurar que a riqueza do subsolo se converta em benefícios concretos para a população, garantindo “felicidade econômica e social” ao povo venezuelano.

Ela afirmou que o país não deve temer a dinâmica internacional do setor energético, nem pressões externas. “Não devemos ter medo da agenda energética, nem com os Estados Unidos, nem com o restante dos países do mundo. É direito da Venezuela ter diversidade em suas relações internacionais”, salientou, ao defender uma política externa baseada na autonomia e na ampliação de parcerias estratégicas.

Papel social do petróleo
Ao relacionar diretamente a produção de petróleo e gás com o bem-estar da população, a presidente interina enfatizou o papel social da indústria energética. “Que aqueles barris que estão em campos verdes se tornem salários, comida e saúde para nosso povo. Que capacidades nacionais e internacionais sejam adicionadas para desenvolver nossa reserva”, disse.

Entre os avanços destacados, ela citou a assinatura do primeiro contrato de exportação de gás natural da história do país, que, segundo o governo, marca um novo momento para o setor energético venezuelano. “Eles não acreditaram, mas já fechamos um contrato para exportar a primeira molécula de gás da Venezuela e agora estamos buscando mais”.

Ela relatou que a meta é transformar as vastas reservas do país em prosperidade concreta: “agora, é nossa vez de nos tornarmos o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, as maiores reservas de gás deste hemisfério. Agora é nossa vez de nos tornarmos uma verdadeira potência produtora de petróleo e gás”, acrescentou.

Rodríguez explicou que a reforma no setor preserva integralmente o modelo de propriedade estatal dos recursos naturais estabelecido durante o governo de Hugo Chávez. “O legado do Comandante Eterno na posse dos recursos permanecerá intocável e intacto dentro do novo arcabouço legal”, disse, ao ressaltar a importância da unidade do setor e do papel estratégico da classe trabalhadora na recuperação da indústria petrolífera.

Diplomacia da Paz
No campo diplomático, a presidente responsável reiterou que o país seguirá apostando na chamada Diplomacia Bolivariana da Paz. “Estamos enfrentando o governo dos Estados Unidos, vamos resolver nossas diferenças, nossas controvérsias históricas por meio da diplomacia bolivariana”.

Ao comentar a agressão militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e a primeira combatente Cilia Flores foram sequestrados, ela mencionou a calma e a lucidez da população venezuelana, defendendo a prudência estratégica, o compromisso político e a lealdade ao país.

*Opera Mundi


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Trump ameaça França, diz que ‘não há volta’ sobre Groenlândia e posta foto anexando Canadá e Venezuela

O presidente dos EUA ainda chamou decisão de Londres de ‘grande estupidez’ e anunciou reunião com líderes europeus nesta semana em Davos

Numa onda de ataques, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na madrugada desta terça-feira (20) que irá colocar impostos de 200% sobre o vinho francês caso Emmanuel Macron não aceite aderir ao seu ‘Conselho da Paz’. Ele ainda criticou o Reino Unido e postou nas redes sociais fotos anexando Groenlândia, Canadá e Venezuela.

Trump confirmou que irá se reunir com líderes nesta semana na cidade suíça de Davos para tratar de seu desejo de tomar o território dinamarquês. Mas já avisou que não pensa em desistir.

“Tive uma ótima conversa telefônica com Mark Rutte, Secretário-Geral da OTAN, sobre a Groenlândia. Concordei com uma reunião das diversas partes em Davos, na Suíça”, disse.

“Como deixei bem claro para todos, a Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás”, alertou.

“Nisso, todos concordam! Os Estados Unidos da América são, de longe, o país mais poderoso do planeta. Grande parte disso se deve à reconstrução de nossas Forças Armadas durante meu primeiro mandato, reconstrução essa que continua em ritmo ainda mais acelerado. Somos a única POTÊNCIA capaz de garantir a PAZ no mundo todo – e isso se faz, simplesmente, através da FORÇA!”, completou.

Minutos depois, ele publicou nas redes sociais uma mensagem por telefone enviada por Emmanuel Macron, presidente da França. Nela, o francês indicava que poderia organizar uma cúpula especial do G7. Mas alertava: “não estou entendendo o que você está fazendo (sobre a Groenlândia)”.

No início da semana, ele chegou a escrever uma carta ao governo da Noruega sugerindo que foi a decisão de Oslo de não lhe dar o prêmio Nobel da Paz que teria motivado os EUA a defender apenas o seu interesse.

Ataques contra a França
Ainda nos EUA, Trump afirmou que a recusa da França de fazer parte de seu ‘Conselho de Paz’ não será tolerado.

“Eu vou impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes dele, e ele vai aderir, mas não precisa”, disse Trump, que ainda menosprezou Macron ao dizer que ele está no final de seu governo. “Ninguém sequer quer encontrá-lo”, afirmou o americano.

Trump convidou cerca de 60 países para fazer parte de seu projeto que tem como objetivo rivalizar com a ONU e ser o novo centro de decisões do mundo. Mas a estrutura prevê que apenas os EUA teriam o poder de veto, desmonta o sistema multilateral e coloca Trump como autoridade máxima.

Na segunda-feira, Paris sinalizou que irá declinar o convite, postura que também deve ser adotada pelo Brasil. As novas ameaças de Trump foram qualificadas pelos franceses como “inaceitáveis”.

Deboche do Reino Unido
Trump ainda criticou a posição de Londres em relação à devolução de territórios que, hoje, contam com bases americanas.

“Chocantemente, nosso “brilhante” aliado da OTAN, o Reino Unido, está planejando ceder a ilha de Diego Garcia, onde se encontra uma base militar vital dos EUA, para Maurício, e fazer isso SEM NENHUM MOTIVO”, disse.

“Não há dúvida de que a China e a Rússia perceberam esse ato de total fraqueza. Essas são potências internacionais que só reconhecem a FORÇA, e é por isso que os Estados Unidos da América, sob minha liderança, são agora, após apenas um ano, respeitados como nunca antes”, afirmou.

“O Reino Unido ceder terras extremamente importantes é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ e é mais um na longa lista de razões de segurança nacional pelas quais a Groenlândia precisa ser adquirida. A Dinamarca e seus aliados europeus precisam FAZER A COISA CERTA”, completou.

Fotos de mapas e exposição de conversas
Durante a madrugada, Trump ainda postou duas fotos. Uma delas mostra os mapas do Canadá, Groenlândia e da Venezuela pintados com a bandeira dos EUA, enquanto ele recebe líderes europeus no Salão Oval.

Em outra, ele finca uma bandeira dos EUA no território da Groenlândia.

Durante a madrugada, Trump ainda colocou em suas redes sociais prints de mensagens de líderes estrangeiros, entre eles o de Mark Rutte, chefe da OTAN. No texto laudatório ao americano, o europeu prometia que iria encontrar uma forma para lidar com a Groenlândia e se mostra submisso aos interesses da Casa Branca.

*Jamil Chade/Uol


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Em artigo no New York Times, Lula condena ataque dos EUA à Venezuela

Presidente brasileiro rebateu a lógica da força, defendeu autodeterminação do povo venezuelano e argumentou que os desafios só se resolvem com união, e não com imposição

Os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a captura de seu presidente em 3 de janeiro são mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. A avaliação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em artigo publicado no New York Times (NYT) neste domingo (18/01).

Segundo o líder brasileiro, chefes de Estado ou de governo – de qualquer país – podem ser responsabilizados por ações que prejudiquem a democracia e os direitos fundamentais. “Nenhum líder tem o monopólio do sofrimento de seu povo. Mas não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”, afirmou. Ele acrescentou que as ações unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, perturbam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais.

Lula declarou ser particularmente preocupante que tais práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe, uma vez que trazem violência e instabilidade para uma parte do mundo que luta pela paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos.

“Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora forças americanas já tenham intervindo na região anteriormente”, pontuou ao NYT.

A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. “Temos interesses e sonhos próprios a defender”, afirmou o presidente. Para Lula, em um mundo multipolar, nenhum país deve ter suas relações exteriores questionadas por buscar a universalidade. “Não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos alheios. Construir uma região próspera, pacífica e pluralista é a única doutrina que nos convém”, declarou.

Lula afirmou que os países devem lutar por uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas em favor de resultados pragmáticos. “Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e expandir o comércio dentro da região e com nações fora dela”, acrescentou. A cooperação é fundamental para mobilizar os recursos que a América Latina precisa para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas.

“A história mostrou que o uso da força nunca nos aproximará desses objetivos. A divisão do mundo em zonas de influência e incursões neocoloniais por recursos estratégicos são ultrapassadas e prejudiciais”, disse ao NYT.

Ele enfatizou que é crucial que os líderes das grandes potências entendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências sejam, elas não podem contar apenas com o medo e a coerção.

“O futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos de seu povo”, afirmou. Lula lembrou que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável. “Esta é uma condição essencial para que os milhões de cidadãos venezuelanos, muitos dos quais estão temporariamente abrigados no Brasil, possam retornar com segurança ao seu país”, acrescentou.

Lula reiterou que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelano para proteger os mais de 2.000 quilômetros de fronteira que compartilham e para aprofundar a cooperação.

“É nesse espírito que meu governo se engajou em um diálogo construtivo com os Estados Unidos. Somos as duas democracias mais populosas do continente americano. Nós, no Brasil, estamos convencidos de que unir nossos esforços em torno de planos concretos para investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir. Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”, concluiu ao New York Times – um hemisfério que, como ele mesmo afirma, ‘pertence a todos nós’, e não a uma única potência.

*Opera Mundi


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Lula e Putin conversam sobre Venezuela e defendem soberania do país

Caracas foi palco de uma invasão dos EUA, que também sequestraram o presidente Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Vladimir Putin, da Rússia, trataram nesta quarta-feira (14), por telefone, da situação em torno da Venezuela, palco, no último dia 3 de janeiro, de uma intervenção das forças dos Estados Unidos e do sequestro de seu chefe de Estado, Nicolás Maduro, informou o canal RT.

Lula e Putin concordaram em destacar a importância de garantir a soberania e os interesses nacionais do país sul-americano, de acordo com a reportagem.

O Palácio do Planalto confirmou o telefonema entre Lula e Putin e disse que mais detalhes sobre a conversa serão divulgados em comunicado ainda nesta quarta-feira, informou a Reuters/247.


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Lula articula reação regional a ameaças de Trump e ofensiva na Venezuela

Presidente conversa com líderes da Colômbia, México e Canadá, condena uso da força, reage a ameaças militares dos EUA e defende soberania, multilateralismo e solução pacífica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nesta quinta-feira (8) a articulação com líderes da América Latina em reação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e às novas ameaças de Washington à região, reafirmando a defesa da soberania, do multilateralismo e da solução pacífica de conflitos.

Ao longo do dia, o presidente brasileiro realizou ligações telefônicas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

A articulação ocorre em meio à escalada de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar países da região com ações militares no México e na Colômbia, a defender a ampliação da presença e do controle norte-americano sobre a Groenlândia e a anunciar a imposição de uma tutela política sobre a Venezuela.

Na conversa com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, Lula criticou o uso da força contra um país sul-americano, apontado pelos dois governos como violação do direito internacional, da Carta da ONU e da soberania da Venezuela, e defendeu que a crise seja resolvida por meios pacíficos, com diálogo e respeito à vontade do povo venezuelano.

O presidente brasileiro também informou que o Brasil iniciou o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas para recompor estoques de produtos e soluções para diálise atingidos pelos bombardeios, de acordo com o Vermelho.

Com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, Lula reiterou o repúdio aos ataques contra a soberania venezuelana e à retomada de uma lógica de divisão do mundo em zonas de influência.

Os dois líderes reafirmaram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio, além do compromisso com a cooperação em favor da paz, do diálogo e da estabilidade regional.

Na ligação com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, os dois líderes condenaram o uso da força sem respaldo na Carta da ONU e defenderam que o futuro da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo.

Lula e Carney também concordaram sobre a necessidade de reformar as instituições de governança global e manifestaram interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.

As conversas ocorrem após Trump intensificar a retórica de confronto com países da América Latina e do Atlântico Norte, dias depois de os Estados Unidos executarem seu primeiro bombardeio na América do Sul.

Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA vão “começar agora a atacar em terra” o território do México, sob o argumento de combater cartéis de drogas.

Trump disse que apenas “sua própria moral” constitui um limite para as ações do governo norte-americano no exterior. Questionado sobre o respeito ao direito internacional, Trump declarou que “não precisa” dessas normas e que a única coisa capaz de freá-lo é “sua própria mente”.O presidente norte-americano afirmou ainda que o controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia seria “psicologicamente necessário para o sucesso” e admitiu que a escolha entre a estabilidade da Otan e a incorporação do território poderia se tornar um dilema para seu governo.


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VÍDEO: Groenlândia será negociada “por bem” ou “por mal”, diz Trump

O presidente Donald Trump afirmou que pretende tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos “por bem” ou “por mal”, reforçando que o controle do território semiautônomo dinamarquês é “crucial” para a segurança nacional.

Em reunião na Casa Branca com executivos da indústria petrolífera, declarou: “Quero chegar a um acordo por bem. Mas, se não conseguirmos fazer da forma fácil, faremos da difícil.”

Trump citou a presença crescente de Rússia e China no Ártico como justificativa para o interesse norte-americano. Segundo ele, se os EUA não assumirem o controle da ilha rica em minerais, “Rússia ou China o farão”. O pronunciamento ocorreu após discussões sobre exploração de petróleo na Venezuela.

Assista:


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Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de pacientes na Venezuela

Mobilização contou com doações de hospitais universitários e filantrópicos que atendem o SUS

Um avião venezuelano chegará ao Aeroporto de Guarulhos (SP) na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro, para recolher 40 toneladas de insumos médicos que garantirão a hemodiálise de cerca de 16 mil pacientes na Venezuela. Medicamentos, soluções fisiológicas, entre outros insumos, foram reunidos pelo Governo do Brasil com o apoio de hospitais universitários federais públicos e hospitais filantrópicos que atendem o Sistema Único de Saúde (SUS).

A mobilização é coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). Ao todo, 300 toneladas de produtos foram reunidos para ajudar os venezuelanos que precisam do tratamento.

“Fazemos isso porque existe o que nós chamamos de solidariedade sanitária. As saúdes têm que estar trabalhando sempre juntas, ainda mais quando a gente fala de um país vizinho. Se o Brasil não ajuda, será afetado caso tenha um colapso no tratamento dos pacientes renais crônicos que fazem hemodiálise na Venezuela”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Padilha Governo do Brasil enviará 40 toneladas de insumos para hemodiálise de 16 mil pacientes na Venezuela

“E também por gratidão, porque eu nunca esqueço o dia em que a Venezuela mandou mais de 135 mil metros cúbicos de oxigênio para salvar o nosso povo de Manaus durante a Covid-19”, completou o ministro. Padilha ainda atestou que as doações não afetam em nada o tratamento de cerca de 170 mil brasileiros que fazem hemodiálise pelo SUS.

O Governo do Brasil também enviou uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. Foram mobilizadas equipes da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e de Saúde Indígena para reduzir, ao máximo, os impactos no SUS brasileiro.

A Operação Acolhida foi totalmente assumida

pelo Ministério da Saúde em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária no país. Desde julho, com a implantação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em parceria com a AgSUS, 40 profissionais permanentes fazem o acompanhamento e o acolhimento dos migrantes nos abrigos em Pacaraima e Boa Vista, em Roraima. Até dezembro, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.

O Saúde nas Fronteiras conta com equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e mediador intercultural para atuação em espaços de alojamento e ocupações espontâneas. Além disso, inclui equipe de técnicos de enfermagem, auxiliares administrativos e mediadores interculturais, com foco nas demandas de imunização.

*Agência Gov


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Senado dos EUA aprova resolução para barrar Trump contra Venezuela

O Senado dos Estados Unidos (EUA) aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que determina a interrupção do uso da força contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso Nacional.

“Esta resolução conjunta orienta o Presidente a cessar o uso das Forças Armadas dos EUA em hostilidades dentro ou contra a Venezuela, a menos que uma declaração de guerra ou autorização para o uso da força militar para tal fim tenha sido promulgada”, diz o documento aprovado.

Apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, a resolução foi aprovada por 52 votos contra 47, tendo recebido o apoio de cinco senadores republicanos, do partido do presidente Donald Trump. Já um senador republicano não votou.

O texto, porém, precisa ser novamente aprovado pelos senadores e deve passar ainda pela Câmara dos Representantes dos EUA, com maioria de republicanos. A resolução ainda precisaria vencer um provável veto do presidente Donald Trump para entrar em vigor.

Ao justificar a resolução, o senador democrata Kaine disse que apoia o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mas defendeu que novas ações tenham autorização legislativa.

“As declarações do presidente de que os EUA governarão a Venezuela por anos deixam claro: seus planos vão muito além de Maduro. Isso significa que o Congresso precisa se manifestar”, destacou Kaine antes da votação.

A oposição argumenta que a invasão da Venezuela foi ilegal uma vez que a Constituição dos EUA exige aprovação do Parlamento para declaração de guerras.

A senadora republicana Susan Collins disse que, apesar de apoiar a captura de Maduro, ela deseja afirmar o poder do Parlamento de autorizar ou limitar qualquer futura atividade militar na Venezuela.

“Não apoio o envio de mais forças americanas ou qualquer envolvimento militar de longo prazo na Venezuela ou na Groenlândia sem autorização específica do Congresso. A resolução que apoiei hoje não inclui nenhuma menção à operação de retirada. Em vez disso, reafirma a capacidade do Congresso de autorizar ou limitar qualquer atividade militar prolongada futura na Venezuela”, disse a parlamentar em comunicado oficial.

Ao ser questionado sobre o tema após a invasão da Venezuela, o secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia argumentando que a invasão não seria uma guerra, mas apenas a prisão de duas pessoas. Na ação, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados por militares estadunidenses.

Trump reage
Ao comentar em uma rede social, aprovação da resolução, o presidente dos EUA disse que os republicanos deveriam se envergonhar dos senadores que votaram com os democratas para privar o poder de “lutar e defender os EUA”. Trump disse que esses parlamentares “jamais deveriam ser eleitos novamente”.

“Essa votação prejudica gravemente a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente como comandante-em-chefe. De qualquer forma, e apesar da ‘estupidez’ deles, a Lei dos Poderes de Guerra é inconstitucional, violando totalmente o Artigo II da Constituição, como todos os presidentes e seus respectivos Departamentos de Justiça já determinaram antes de mim”, disse.

*ICL


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Trump anuncia suposto acordo com Venezuela por 50 milhões de barris de petróleo; Caracas ainda não se pronunciou

Declaração ocorre após ação militar dos EUA na Venezuela e indica abertura do setor petrolífero ao capital estadunidense

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (6) que o governo da Venezuela aceitou entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao país. O anúncio foi feito por meio de uma rede social do estadunidense, sem divulgação de detalhes oficiais do suposto acordo. Os venezuelanos ainda não confirmaram a informação.

A declaração ocorre três dias após uma ação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. A operação deixou ao menos 80 mortos, a maioria militares. Entre eles, 32 cubanos.

Trump afirmou que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado e que o controle dos recursos ficará sob responsabilidade do governo estadunidense. Segundo ele, o objetivo seria garantir que o dinheiro seja usado “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.

De acordo com o presidente, o petróleo será transportado por navios de armazenamento e descarregado diretamente em terminais localizados em território estadunidense. O volume anunciado corresponde a cerca de dois meses da produção atual da Venezuela.

Mais cedo, a agência Reuters informou que autoridades dos dois países discutem a exportação de petróleo bruto venezuelano para refinarias dos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas pela agência, o acordo deve redirecionar cargas que antes tinham como destino a China.

Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques, sem conseguir exportá-los devido ao bloqueio imposto por Washington. O embargo faz parte da estratégia de pressão adotada pelos Estados Unidos para sufocar economicamente o país sul-americano.

No sábado (3), logo após o sequestro do presidente venezuelano, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero do país à atuação de companhias estadunidenses. Ele declarou que empresas do setor investiriam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura e ampliar a produção.

As refinarias localizadas na Costa do Golfo dos Estados Unidos têm capacidade para processar o petróleo pesado da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, o país importava cerca de 500 mil barris diários do produto.

Apesar de concentrar as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia. A queda é resultado direto das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

*BdF


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