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Putin dá golpe mortal à economia da União Europeia ao decidir interromper fluxo de gás russo ao bloco

O presidente russo Vladimir Putin destruiu o plano da União Europeia (UE) de abandonar o gás russo de maneira sistemática, escreve o portal chinês Sohu.

Na quarta-feira (4), Vladimir Putin afirmou que a Rússia pode interromper imediatamente o fornecimento de matérias-primas para os mercados europeus.

O portal destaca que as palavras de Putin causaram trauma psicológico à UE, pois, em vez de um embargo planejado ao gás russo para 2027, ele sugeriu que a Europa devesse se preparar para um corte imediato.

“Agora, Moscou pode fechar as torneiras e reorientar-se para mercados dispostos a pagar preços mais altos […]. A Europa, por iniciativa própria, começou um jogo do qual saiu perdendo”, ressalta a publicação.

Segundo o material, a UE tentou fazer cálculos para abandonar a energia russa sem se prejudicar, mas a estratégia acabou sendo um fracasso.

Nesse contexto, a reportagem salienta que Vladimir Putin deu um golpe mortal no ponto fraco da UE. Enquanto, a Europa está usando a política como uma arma, impondo sanções, Moscou está apenas usando a lógica comercial.

Portanto, o portal conclui que o Kremlin deu um passo estratégico bem pensado, já que a Europa está constantemente sancionando a energia russa, enquanto os mercados emergentes estão prontos para comprá-la sem impor condições políticas.

*Sputnik


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Brasil Mundo

Diálogo entre Lula e Putin defende uso do BRICS em prol da Venezuela

Ambos os líderes, que acreditam no papel do bloco para auxiliar a América Latina, se comprometeram a manter esforços em prol da soberania da Venezuela

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, coincidiram em sua análise da situação na Venezuela, de acordo com um breve comunicado do Kremlin sobre a conversa telefônica que mantiveram nesta quarta-feira (14), por iniciativa do governante brasileiro.

Ambos os líderes, segundo a nota oficial russa, “respaldaram a necessidade de garantir a soberania do Estado e os interesses nacionais da República Bolivariana da Venezuela”.

Esta é a primeira vez que Putin — que reapareceu em público na última segunda-feira (12), após duas semanas de festividades de fim de ano — se refere de maneira indireta, por meio de seu serviço de imprensa, ao que acontece no país sul-americano, depois que o presidente Nicolás Maduro foi retirado de forma ilegal e levado aos Estados Unidos.

“Os líderes trocaram opiniões sobre a atualidade internacional, com especial atenção à situação na Venezuela”, assinalou o Kremlin no comunicado.

O texto acrescenta que ambos os mandatários “acordaram continuar coordenando esforços, inclusive no âmbito da Organização das Nações Unidas e por meio do Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), para reduzir a tensão na América Latina e em outras regiões do mundo”.

Lavrov comenta liderança de Delcy Rodríguez
Horas antes do comunicado, o chanceler Serguei Lavrov destacou as medidas que a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, está adotando para defender a soberania nacional.

“Observamos com grande interesse, preocupação e simpatia como as autoridades venezuelanas defendem seus direitos e sua independência, ao mesmo tempo em que demonstram flexibilidade e expressam sua disposição para dialogar com os Estados Unidos, caso essa comunicação tenha forma e conteúdo baseados nos princípios de igualdade e respeito mútuos, bem como na rejeição aos métodos unilaterais de imposição na política e, especialmente, à influência por meio do uso da força”, afirmou Lavrov.

Para o chefe da diplomacia russa, os Estados Unidos cometeram “uma operação ilegal” ao sequestrar o presidente Maduro, “avaliação compartilhada pela esmagadora maioria dos países do Sul Global e do Oriente”.

“Somente os europeus ocidentais e outros aliados de Washington procuram, constrangidos, não criticar o presidente estadunidense, Donald Trump, embora no fundo todos compreendam que se trata de uma gravíssima violação do direito internacional”, sustentou.

Segundo Lavrov, “o que vemos no cenário internacional evidencia não uma tentativa isolada, mas toda uma política de nossos colegas estadunidenses para destruir o sistema que, ao longo dos anos, foi sendo construído com a própria participação deles”.

“Refiro-me não apenas às estruturas das Nações Unidas, mas também aos princípios do modelo de globalização que os próprios Estados Unidos tentaram implantar, recorrendo a slogans como liberdade de mercado, concorrência justa, inviolabilidade da propriedade e muitos outros que ‘se evaporaram’, como costuma se dizer”, ressaltou o diplomata.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia concluiu: “Não posso prever o que vai acontecer na Venezuela, mas, na etapa atual, vemos que as autoridades bolivarianas defendem suas prioridades nacionais e demonstram clara intenção de participar das relações internacionais em pé de igualdade, precisamente como um Estado soberano e independente”.

“Inquebrantável solidariedade” à Venezuela
Na última terça-feira (13), a chancelaria russa também emitiu um comunicado a favor de Delcy Rodríguez como presidenta encarregada da Venezuela. A nomeação, segundo a declaração:

“Mostra a determinação do governo bolivariano de garantir a unidade e preservar a estrutura vertical do poder estabelecida de acordo com a legislação nacional, conter o risco de uma crise constitucional e criar as condições necessárias para o desenvolvimento pacífico e estável da Venezuela frente às flagrantes ameaças neocoloniais e à agressão armada vinda do exterior.”

Rússia “saúda os esforços das autoridades oficiais desse país para proteger a soberania e os interesses nacionais”, ao mesmo tempo em que “reafirma sua inquebrantável solidariedade com o povo e o governo da Venezuela”. Da mesma forma, “defende com firmeza o direito da Venezuela de decidir seu próprio destino sem nenhum tipo de nefasta ingerência externa”.

A nação russa, nesse sentido, exige “a desescalada da situação atual” e pede que se “resolva qualquer problema por meio do diálogo construtivo e do respeito às normas do Direito Internacional”, sobretudo à Carta da Organização das Nações Unidas.

Também deseja êxito à presidenta encarregada na solução das tarefas que a República Bolivariana enfrenta e ratifica a disposição de “seguir prestando o apoio que a amistosa Venezuela requeira”.

Por fim, o texto do Ministério das Relações Exteriores da Rússia conclui ressaltando que a América Latina e o Caribe “devem continuar sendo uma zona de paz” e sustenta que todos os países da região “merecem ter como garantia a possibilidade de escolher a via de desenvolvimento soberano”.

Putin e o papel da Rússia na questão venezuelana
Até a última quarta-feira (14), Putin não havia dedicado ações públicas sobre a situação na Venezuela. No entanto, delegou à chancelaria russa a tarefa de transmitir, por meio de quatro comunicados desde 3 de janeiro, a posição da Rússia de condenação à agressão armada e ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

A postura do titular do Kremlin, segundo analistas, possivelmente se daria por comportamentos hostis de Trump em relação à nação russa. O primeiro foi afirmar que não acredita que tenha ocorrido qualquer ataque com “91 drones” contra a residência de Putin — o mandatário estadunidense deu a declaração dias após demonstrar indignação pelo relato feito por telefone pelo próprio presidente russo, que responsabilizou os ucranianos.

O episódio mais recente foi o cartaz publicado nas redes sociais na segunda-feira (12), pelo Departamento de Estado, com uma fotografia do republicano e uma eloquente inscrição em russo: “Não brinquem com Trump.”

Nas redes sociais russas, defensores da política do Kremlin sugerem que o sequestro de Maduro seria resultado de um pacto entre Putin e Trump, que teriam trocado a Venezuela pela Ucrânia. No entanto, no outro extremo, no mesmo dia em que o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, participaram pela primeira vez da Conferência de Aliados da Ucrânia, em Paris, não são poucos os que se perguntam o que a Rússia ganharia com um acordo que beneficia apenas os Estados Unidos.

Apontam, entre outras consequências negativas, que a queda de Maduro deixa no limbo os 17 bilhões de dólares que Moscou investiu em projetos petrolíferos na Venezuela e em fornecimento de armamentos não pagos; pode provocar uma queda do preço internacional dos hidrocarbonetos quando Washington passar a controlar a indústria petrolífera venezuelana, afetando a principal fonte de financiamento da operação russa na Ucrânia; e põe em xeque a credibilidade dos acordos estratégicos firmados com o Kremlin, que pressupõem assistência militar recíproca em caso de agressão e que, até o momento, não foram aplicados na Armênia, na Síria, no Irã e, agora, na Venezuela.

*Diálogos do Sul


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Política

VÍDEO – O chilique de Tralli no JN exigindo que Lula fale de Ucrânia com Putin

No Jornal Nacional desta quarta-feira (14), César Tralli se mostrou incomodado com o fato de os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Vladimir Putin, do Brasil e da Rússia, não terem abordado a guerra da Ucrânia em um telefonema realizado mais cedo. Os líderes informaram que discutiram a situação da Venezuela.

“O presidente Lula telefonou hoje para o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Na conversa, os dois defenderam a soberania da Venezuela e se comprometeram a coordenar esforços para reduzir as tensões na América Latina”, informou o âncora.

O jornalista acrescentou: “Nos relatos sobre o telefonema, divulgados pelos dois governos, não consta que Lula e Putin tenham discutido a invasão, pelos russos, da Ucrânia, uma nação soberana, o que aumentou a tensão na Europa ao maior nível desde o fim da Guerra Fria”.

O trecho chamou a atenção de internautas nas redes sociais e usuários alegaram que Tralli não estaria sabendo esconder seu tom de crítica a Lula.

De acordo com informações divulgadas pelo Kremlin, o petista e o russo enfatizaram as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil “em relação à garantia da soberania estatal e dos interesses nacionais da República Bolivariana”.

A ligação entre os dois chefes de Estado se deu em meio ao aumento das tensões no mundo após a operação que os Estados Unidos realizaram na Venezuela, em um episódio que resultou na captura de Nicolás Maduro. DCM.


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Lula e Putin conversam sobre Venezuela e defendem soberania do país

Caracas foi palco de uma invasão dos EUA, que também sequestraram o presidente Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Vladimir Putin, da Rússia, trataram nesta quarta-feira (14), por telefone, da situação em torno da Venezuela, palco, no último dia 3 de janeiro, de uma intervenção das forças dos Estados Unidos e do sequestro de seu chefe de Estado, Nicolás Maduro, informou o canal RT.

Lula e Putin concordaram em destacar a importância de garantir a soberania e os interesses nacionais do país sul-americano, de acordo com a reportagem.

O Palácio do Planalto confirmou o telefonema entre Lula e Putin e disse que mais detalhes sobre a conversa serão divulgados em comunicado ainda nesta quarta-feira, informou a Reuters/247.


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Brasil Mundo

Aliado de Trump, governo Bolsonaro monitorou apoio militar de Putin para Maduro

Abin mapeou fornecimento de Kalashnikov, caças e mísseis russos para os venezuelanos e alertou para estratégia do Kremlin de “retaliar” os EUA

Sob o governo de Jair Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou, mapeou e alertou para o apoio militar que Vladimir Putin estava costurando ao governo de Nicolás Maduro. Num relatório de 2019, o serviço secreto nacional apontava como o Kremlin havia construído uma aliança militar com Caracas.

A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Ao longo dos próximos dias, o ICL Notícias trará com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.

Em 2019, Bolsonaro havia estabelecido uma guinada na política externa brasileira, alinhando-se ao governo de Donald Trump. Naquele momento, em Washington e Brasília proliferaram reuniões para definir estratégias de pressão sobre Maduro, inclusive com o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente da Venezuela.

Mas os documentos, agora, revelam que uma das preocupações brasileiras se referia à presença militar russa na região. Num relatório de Inteligência N° 0154/92130, de 2 de maio de 2019, a Abin destacava como a defesa da Venezuela por parte da Rússia possui “motivações econômicas e geopolíticas”.

“A posição russa integra estratégia para aumentar sua influência em área tradicionalmente prioritária na política externa dos EUA”, indicou. “A aliança com a Venezuela também representaria retaliação à interferência estadunidense em questões ocorridas na esfera de influência da Rússia, como na Crimeia”, constatou.

Segundo a Abin, a aproximação entre os dois países foi “liderada pelo setor de Defesa, cuja parceria ocorre no comércio de armas; na instalação de fábricas, de centros de treinamento e de manutenção de material bélico russo; e em exercícios militares conjuntos”.

A agência aponta como a cooperação militar abriu possibilidades de negócios também em outras esferas. A atuação russa na área econômica, além do setor de Defesa, ocorre principalmente nos campos energético e financeiro.

A avaliação da Abin foi, naquele momento, que as relações entre Rússia e Venezuela ganharam impulso com a tentativa venezuelana de se afastar da influência estadunidense. “A Rússia se mostrou um dos poucos países com desenvolvimento tecnológico de ponta na área militar disposto a resistir às pressões e ao embargo estadunidenses, embora o material vendido à Venezuela não seja o mais moderno do arsenal de guerra russo. Atualmente, há cooperação nas áreas militar, econômica e política”, destacou.

Vladimir Putin e Nicolas Maduro. AFP

Os dados levantados pela agência de espionagem brasileira concluíram que:

Entre 2000 e 2017, a Venezuela foi o país que mais importou armamentos russos na América Latina, concentrando cerca de 80% dos US$ 4,7 bilhões exportados para a região.

No mesmo período, a Rússia também se posicionou como o maior fornecedor de armamentos para o governo venezuelano, respondendo por cerca de 70% do total de US$ 5,5 bilhões gastos, seguida pela China, com 11%. Comparando os períodos de 2009-2013 e 2014-2018, no entanto,
verifica-se uma retração de 83% nas importações de armas por parte da Venezuela.

A empresa estatal russa Rosoboronexport, exportadora de armas e equipamentos militares, é a principal exportadora desses artigos para a Venezuela. Desde o acordo assinado em 2001, a Rússia forneceu armamentos e equipamentos como rifles de assalto Kalashnikov (AK-
103), caças Sukhoi, sistemas de mísseis antiaéreos Tor-M1 e helicópteros Mi.

Naquele ano de 2019, a Rosoboronexport estava finalizando a construção de fábrica de munições e fuzis Kalashnikov AK-103 na Venezuela. Embora o acordo para a construção da fábrica tenha sido assinado em 2006, sua construção foi interrompida em diversas ocasiões, tendo sido retomada em 2016.

No período de 2004 a 2016, estima-se entre US$ 11 e 14 bilhões o montante de capital investido pela Rússia na Venezuela na área militar.

Presença de militares russos
Outro aspecto mapeado pela Abin foi a presença de militares russos na região. De acordo com os documentos, em 29 de março de 2019, a Rosoboronexport anunciou a inauguração do Centro de Instrução e Treinamento Simulado Conjunto General de Brigada Oscar José Martínez Mora, nas instalações do Batalhão de Helicópteros General de Brigada Florencio Jiménez, na cidade de San Felipe, a 230 km de Caracas. “O centro tem por objetivo fornecer treinamento e aperfeiçoamento para pilotos e engenheiros de voo de aeronaves russas modelos MI-17V5, MI-35M e MI-267”, disse.

A realização de exercícios militares conjuntos ganhou força a partir de 2008, quando a Rússia anunciou o envio de navios de guerra para realização de exercícios militares conjuntos com a marinha venezuelana.

“O intercâmbio militar e os exercícios conjuntos entre as duas nações foram intensificados recentemente”, destacou. “Em 10 de dezembro de 2018, uma aeronave de transporte militar An-124, um avião comercial da Força Aeroespacial russa e dois bombardeiros estratégicos TU-160 pousaram no Aeroporto Internacional de Maiquetía, na Venezuela. Em 2008 e 2013, bombardeiros similares também estiveram presentes no país”, constatou.

Vigilância de Israel
A Abin ainda informou que, em 23 de março de 2019, dois aviões russos pousaram na Venezuela com cerca de 100 militares e aproximadamente 35 toneladas de equipamentos bélicos.

“Oficialmente, o governo russo declarou que a visita decorria da cooperação técnico-militar vigente desde 2001. O envio do contingente russo à Venezuela em março teria sido motivado por questões militares e técnicas. De acordo com imagens do sistema de vigilância satelital israelita iSi captadas em 07 de abril, na semana de 17 a 24 de mar. 2019 a Venezuela teria retirado o sistema antiaéreo russo S- 300 de armazém, na base Capitán Manuel Ríos, no estado de Guarico. As imagens identificaram lançador ereto, pronto para ser acionado, pertencente ao S-300”, disse.

Além do contingente encaminhado para a base Capitán Manuel Ríos, o governo russo está cooperando com a Venezuela na instalação de equipamentos de comunicação e radares de alerta para defesa antiaérea em Puerto Ordaz, no estado de Bolívar. Em 29 mar. 2019, 28 militares russos teriam se deslocado para o sul do país e se encontrado com a vice-presidente, Delcy Rodríguez, para tratar sobre a situação da hidrelétrica de Guri.

Ao menos 14 militares russos, do contingente de aproximadamente 100, encontram-se na cidade de Guayana/Venezuela. Os russos estariam trabalhando em cooperação com cubanos para a construção do projeto Escudo Guayanês. O projeto consiste na elaboração e construção de centro de resistência militar, que deverá ser dotado de equipamentos de comunicação satelital, para a hipótese de invasão estrangeira.

A Abin ainda apontou que também haveria especialistas em guerra cibernética, os quais estariam atuando no treinamento das contrapartes venezuelanas para a proteção das infraestruturas críticas do país.

“Ademais, existiriam civis e militares russos no Exército venezuelano que auxiliariam em treinamentos de espionagem e na segurança de altos funcionários do governo venezuelano e prestariam assessoria à Direção Geral de Contrainteligência Militar (DCIM) e ao Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin)”, concluiu.

Investimentos russos
Outro destaque da Abin foi o volume de apoio econômico recebido pela Venezuela. “Entre investimentos e empréstimos, estima-se que a Rússia teria dado suporte financeiro de aproximadamente US$ 17 bilhões à Venezuela”, apontou.

Segundo a agência, o governo russo intensificou investimentos no setor energético venezuelano, principalmente por meio da atuação da empresa estatal russa Rosneft.

O governo russo ainda possui 49,9% das ações da empresa Citgo, subsidiária da petrolifera estatal venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA), situada nos Estados Unidos e alvo de sanções. Justamente por temer sanções econômicas impostas por países europeus, o governo venezuelano ainda planejava mudança da filial europeia da PDVSA de Portugal para Moscou.

Em 5 abr. 2019, os dois países estabeleceram parcerias comerciais para enfrentar as sanções econômicas da UE e dos EUA, bem como acordos na área energética. O país sul-americano também pediu auxílio na reposição de peças do seu sistema elétrico.

Desde então, o governo Maduro vem utilizando o Evrofinance Mosnarbank, instituição financeira russa, como alternativa para o manejo dos pagamentos a seus fornecedores.

“O banco é usado em transações que envolvem o financiamento de projetos petrolíferos e na compra de títulos da Venezuela e da PDVSA”, explicou a Abin.

Como foram obtidos os documentos
O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.

A ação segue tramitando para garantir que todos os documentos sejam entregues, sem tarjas e n íntegra, como é o caso ainda de vários informes.

Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.

Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.

Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.

Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.

Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.

Mas, em maio de 2025, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acatou o pedido e condenou, por unanimidade, a União e a Abin a entregar um conjunto de documentos mantidos ilegalmente sob sigilo.

A decisão tem um impacto profundo, já que:

  • Estabelece jurisprudência: é a primeira decisão em nível federal que reafirma que nenhum órgão está acima da LAI — e que seus prazos não são opcionais.
  • Cria precedente: o entendimento agora pode ser replicado para cobrar outros órgãos que seguem descumprindo a Lei, como o Itamaraty e as Forças Armadas.
  • Desmonta o sigilo eterno: reafirma que a transparência é a regra, e o sigilo, a exceção — com prazo.

*Jamil Chade/Uol


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O cerco se fecha contra Trump: Rússia aprova parceria com Venezuela e expressa apoio em meio ameaças dos EUA

Acordo que prevê expandir interação entre países nas esferas política e econômica segue para assinatura de Putin; Moscou também rejeitou ‘interferência’ de Washington sobre governo Maduro

O Conselho da Federação Russa aprovou nesta quarta-feira (22/10) a ratificação de um acordo de parceria estratégica com a Venezuela. A medida ocorre no contexto da intensificação das ameaças dos Estados Unidos de Donald Trump sobre o governo de Nicolás Maduro.

“O acordo entre a Federação Russa e a República Bolivariana da Venezuela sobre parceria e cooperação estratégicas, assinado em Moscou em 7 de maio de 2025, será ratificado”, diz a resolução.

De acordo com a agência de notícias estatal TASS, o tratado já aprovado pela Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, agora aguarda apenas a assinatura de formalização do presidente Vladimir Putin para entrar em vigor.

Anunciado em 7 de maio, o decreto foi assinado semanas atrás, em 7 de outubro, pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que confirmou o endosso ao tratado de parceria estratégica com a Rússia. A cooperação tem validade de dez anos, sendo renovável a cada cinco.

O texto prevê expandir a interação entre as duas nações, mencionando uma infraestrutura financeira para facilitar o comércio independente dos sistemas ocidentais, a contemplação de investimentos conjuntos em setores como petróleo, gás e mineração. Além disso, fortalecer a cooperação em segurança global, incluindo a luta contra o terrorismo, o tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro e, no âmbito econômico e global, o apoio à aspiração da Venezuela de ingressar no BRICS.

Em meio à campanha de intervenção norte-americana, aprovação das operações da agência central de espionagem CIA e mobilização da Marinha no Caribe, na terça-feira (21/10), o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, declarou apoio a Caracas durante uma reunião com o embaixador venezuelano da Rússia, Jesus Rafael Salazar Velázquez.

O chanceler reafirmou “a solidariedade com o governo e o povo da Venezuela diante das crescentes ameaças externas e tentativas de interferência em assuntos internos”, além de expressar o “total apoio aos esforços de Caracas para defender a soberania nacional”.

*Opera Mundi


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O encontro de Putin e Trump e a volta da política das potências

Por Ricardo ueiroz Pinheiro

Putin recolocou a geopolítica no centro. Em meio a uma globalização que prometia anestesiar a história, ele reinscreveu o território, a força e a guerra como incontornáveis

A queda da União Soviética deixou um país despedaçado e muitas perguntas sem resposta. Nos anos 1990, a Rússia foi reduzida a campo de saque neoliberal, perdeu territórios, poder econômico, sofreu com a corrosão das instituições e viveu a humilhação de uma nação sem voz no tabuleiro global. Foi desse cenário de colapso que surgiu Vladimir Putin. Formado na KGB, soube mobilizar a herança de um Estado moldado pela disciplina e pelo segredo para recentralizar o poder e devolver à Rússia a promessa de soberania.

Sua trajetória concentra três fases da Rússia pós-URSS: a transição desordenada, a estabilização autoritária e o confronto direto com o Ocidente. E também revela três figuras distintas: o administrador pragmático que restaurou o funcionamento do Estado, o chefe de poder que concentrou em si as instituições, e o comandante em guerra que hoje testa os limites da ordem internacional. Mais do que um líder, Putin se confunde com a própria mutação do país ao longo de três décadas.

A reconstrução da Rússia sob seu comando teve como eixo a retomada da soberania. Essa escolha implicou centralização, repressão e conservadorismo, mas também devolveu ao país uma posição de potência. O ódio dirigido a Putin se explica em parte por esse repertório autoritário, mas também pela sua condição de obstáculo num sistema internacional que buscava naturalizar a hegemonia ocidental.

Para o Ocidente, Putin cumpre a função de antagonista perfeito. Sua figura legitima a narrativa de um mundo dividido entre democracia e tirania. Para a esquerda, os erros de leitura se multiplicam: setores ortodoxos o tratam como simples contrapeso ao imperialismo, liberais o demonizam como ameaça existencial à democracia e parte da esquerda trotskista insiste na analogia com Stalin. São formas de evitar a análise concreta de sua liderança, projetando sobre ela fantasmas herdados do século XX.

O resultado é que Putin recolocou a geopolítica no centro. Em meio a uma globalização financeirizada que prometia ter anestesiado a história, ele reinscreveu o território, a força e a guerra como variáveis incontornáveis. Sua permanência mostra que a história não foi encerrada e que o equilíbrio internacional é refeito pelo choque de potências.

Gostemos ou não, a imagem de uma Rússia isolada e de um Putin reduzido à caricatura de tirano solitário, inimigo declarado de minorias, como repete o discurso ocidental, é uma simplificação conveniente. Ele é de fato um conservador autoritário, cuja política interna reforça desigualdades e sufoca liberdades, mas a análise que proponho não se pauta pela moral e sim pela política, por mais fria que pareça. O que está em jogo é o peso de sua liderança nas alianças estratégicas, no mercado energético, nas dinâmicas militares e nas disputas diplomáticas que atravessam o século XXI. Putin não é nota de rodapé: é parte ativa da engrenagem que reorganiza a política internacional contemporânea.

O encontro com Trump no Alasca é mais uma prova disso. A mídia ocidental insiste em reduzir o episódio às bravatas de Trump, como se fosse mais uma excentricidade da sua eterna campanha. O que passa despercebido é a demonstração de força de Putin: enquanto o Ocidente ridiculariza, ele afirma sua centralidade, inclusive no coração do adversário histórico.

Não se trata de amar ou odiar. Putin é expressão de algo maior do que sua própria biografia: a volta da política de potências em sua forma crua. Ele é parte de um momento de reintrodução da força e da geopolítica na cena mundial, liderando uma Rússia capitalista que contesta a hegemonia ocidental e mostra que a história não obedece às ilusões do fim anunciado. Sua centralidade se mede também pela relação com a China, que transforma o embate deste século em disputa aberta entre blocos, redesenhando alianças e fronteiras de poder. A disputa segue aberta, e a figura de Putin é um dos sinais mais claros de que o século XXI será marcado menos por consensos fabricados e mais por choques de poder que ninguém pode ignorar.

(*) Ricardo Queiroz Pinheiro é bibliotecário, pesquisador e doutorando em Ciências Humanas e Sociais.

*Opera Mundi


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O que a mídia nativa ignora, falamos nós: Putin ligou para Lula antes e depois do encontro com Trump

O presidente russo Vladimir Putin telefonou para o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva no dia 9 de agosto, antes do encontro com Trump e, hoje, 18 de agosto ligou novamente após sua reunião com o presidente dos EUA, no Alasca, em 15 de agosto.

Durante a ligação, que durou cerca de 30 minutos, Putin compartilhou detalhes sobre o encontro com Trump, que ele considerou positivo, embora não tenha resultado em um acordo de cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia.

Putin também reconheceu a participação do Brasil no Grupo de Amigos da Paz, uma iniciativa conjunta com a China.
Lula reafirmou o apoio do Brasil a esforços para uma resolução pacífica do conflito e desejou sucesso nas negociações.

Esta foi a segunda conversa entre Lula e Putin em dez dias, uma antes do encontro com Trump e outra logo depois, indicando uma aproximação nas relações dos dois chefes de Estados que são grandes players da geopolítica Global

Na província midiática tropical, as redações de futricas brejeiras e presepe de pedra, acham que não precisam reportar esse telefonema de Putin a Lula após sua reunião com Trump. numa verdadeira obra de arte do primitivismo político que corre nas veias do baronato midiático.


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Putin liga para Lula em conversa de 40 minutos; o que os presidentes falaram

‘Tarifaço’ dos EUA foi um dos assuntos; Presidentes buscam fortalecer relações comerciais

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste sábado (9) a fim de falar das negociações com os Estados Unidos sobre eventual acordo de paz com a Ucrânia. “O presidente Lula enfatizou que o Brasil sempre apoiou o diálogo e a busca de uma solução pacífica e reafirmou que o seu governo está à disposição para contribuir com o que for necessário, inclusive no âmbito do Grupo de Amigos da Paz, lançado por iniciativa de Brasil e China”, disse o Palácio do Planalto em nota.

Putin irá se reunir pessoalmente com o presidente Donald Trump na próxima sexta-feira (15/8). O encontro será realizado no Alasca, nos Estados Unidos, e tratará da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que já se alastra há três anos. O governo dos EUA tem aumentado a pressão sobre o Kremlin para assinar um cessar-fogo permanente, com medidas de asfixia econômica.

Trump passou a mirar parceiros comerciais da Rússia. Na última semana, o presidente norte-americano anunciou tarifas adicionais às importações da Índia que chegam aos EUA. O motivo é a compra de petróleo russo por parte do país asiático. O encontro entre Trump e Putin no Alasca, estado norte-americano localizado no extremo norte do continente e a 88 quilômetros da Rússia, foi criticado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que não irá participar das tratativas.

“O presidente Trump anunciou os preparativos para seu encontro com Putin no Alasca. Muito longe desta guerra, que assola nossa terra, contra nosso povo, e que, de qualquer forma, não pode terminar sem nós, sem a Ucrânia”, escreveu em publicação no X. Na ligação, que durou cerca de 4o minutos, Lula e Putin também falaram sobre o “cenário político e econômico” e a relação comercial entre ambos os países dentro do Brics, bloco que é alvo de incômodo de Trump.

Putin teria parabenizado Lula pela cúpula de líderes realizada no Rio de Janeiro, no início de julho, da qual o presidente russo não participou. Dias depois do encontro de líderes, Donald Trump anunciou tarifas de 50% para produtos brasileiros, que se concretizou na última quarta-feira (6).

As discussões pelo fortalecimento do uso de moedas locais, alternativas ao dólar, foram criticadas por interlocutores da diplomacia norte-americana e impulsionaram as novas tarifas contra o Brasil. Dentre as medidas de contenção, o Palácio do Planalto tem reforçado a busca por novos mercados para os produtos que não escaparam do tarifaço de Trump, que, apesar de desidratado, ainda mira produtos-chaves, como o café e a carne bovina.

*aRede


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Aliado de Putin fala em fornecer armas nucleares ao Irã; Trump faz ameaça

Autoridades da Rússia e dos EUA trocam ameaças, com sugestões de um envolvimento de armas nucleares. Nas redes sociais, um dos principais aliados de Vladimir Putin e ex-presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, afirmou que “vários países” estariam dispostos a fornecer ogivas para que o Irã possa se defender dos ataques dos EUA e de Israel. Em resposta, o presidente Donald Trump alertou que são os americanos quem dispõe de arsenais modernos e fez uma ameaça.

Medvedev, que é hoje o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, publicou uma série de postagens no X ainda na noite de domingo sobre os ataques do governo Trump às instalações nucleares do Irã. “O enriquecimento de material nuclear e, agora podemos dizer sem rodeios, a futura produção de armas nucleares continuarão”, disse Medvedev.

“Vários países estão prontos para fornecer diretamente ao Irã suas próprias ogivas nucleares”, insistiu. Historicamente, Moscou tem apoiado o programa nuclear daquele país.

A entrega de uma ogiva desse tipo a outro país violaria o Tratado de Não Proliferação Nuclear da ONU, assinado pela Rússia. Na Europa, onde os EUA mantêm parte de suas armas nucleares, as ogivas estão sob custódia americana. O mesmo pode ser dito sobre as armas nucleares da Rússia em Belarus.

O tom de críticas por parte dos russos contra os americanos tem ganhado a atenção da diplomacia internacional, principalmente por significar uma ruptura à noção de que poderia existir uma aproximação entre Putin e Trump. No domingo, no Conselho de Segurança da ONU, o governo russos chamou o mandatário na Casa Branca de “irresponsável” e de estar “jogando com a segurança da humanidade”.

resposta de Trump não demorou para ser publicada nesta segunda-feira nas redes sociais. “Será que ouvi o ex-presidente Medvedev, da Rússia, falando casualmente a ‘palavra N’ (Nuclear!) e dizendo que ele e outros países forneceriam ogivas nucleares ao Irã?”, questionou.

“Ele realmente disse isso ou é apenas fruto da minha imaginação? Se ele realmente disse isso, e se for confirmado, por favor, me informe IMEDIATAMENTE”, insistiu.

“A ‘palavra com N’ não deve ser tratada de forma tão casual. Acho que é por isso que Putin é ‘O CHEFE’. A propósito, se alguém acha que nosso “hardware” foi ótimo no fim de semana, de longe o melhor e mais forte equipamento que temos, 20 anos mais avançado do que os demais, são nossos submarinos nucleares”, alertou.

“Eles são as armas mais poderosas e letais já construídas e acabaram de lançar 30 Tomahawks – todos os 30 atingiram seus alvos com perfeição. Portanto, além de nossos excelentes pilotos de caça, obrigado ao capitão e à tripulação!”, completou.

*Jamil Chade/Uol


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