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Lula critica EUA em discurso na Celac: ‘não somos mais países colonizados’

Presidente citou agressões do governo Trump contra Venezuela, Cuba e Irã, além de denunciar hipocrisia do Conselho da ONU: ‘são eles que travam guerras’

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (21/03) da reunião da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac) com a África, na capital colombiana Bogotá, onde fez duras críticas ao governo dos Estados Unidos, sem mencionar nominalmente Donald Trump.

A autoridade denunciou que o corpo do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), em vez de solucionar conflitos globais, incluindo o genocídio na Palestina e a guerra em curso contra o Irã, tem fomentado mais guerras por meio do poderio militar, além de rechaçar categoricamente o bloqueio energético aplicado por Washington a Cuba e a invasão norte-americana à Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, declarou Lula sobre as agressões cometidas pelo republicano a nações sul-americanas. “Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”

O mandatário brasileiro destinou parte de seu discurso para o Irã, país contra o qual Washington e Tel Aviv promoveram uma guerra em 28 de fevereiro, em meio a negociações nucleares até então em curso. A agressão levou a uma escalada regional e a um consequente fechamento parcial do Estreito de Ormuz, importante rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

“E agora se invadiu o Irã a pretexto de que o Irã estava construindo bomba nuclear. Cadê as armas químicas do Saddam Hussein? Onde elas estão? Quem achou? Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras, em que as pessoas constroem inimigos, constroem uma imagem negativa do inimigo para justificar a destruição”, denunciou.

Aos líderes da cúpula, Lula lembrou que depois que foi eleito presidente pela primeira vez, em dezembro de 2002, mesmo antes de ser empossado, o ex-presidente norte-americano George W. Bush entrou em contato para convidá-lo a participar da Guerra do Iraque. O convite foi recusado pelo brasileiro.

“Eu disse para ele: ‘Mas, presidente, eu não conheço Saddam Hussein. O Iraque fica a 14 mil quilômetros do meu país. Eu nunca fui ao Iraque. Por que fazer guerra com ele? Por que destruir para reconstruir?’”, contou. O petista revelou que Washington havia argumentado que se participasse da guerra, as empresas brasileiras iriam “ajudar a reconstruir o Iraque”. “Por que eu vou destruir para reconstruir? Se está construído, deixa que está construído”, questionou.

“A minha guerra é contra a fome de 54 milhões de brasileiros que não têm o que comer. E essa guerra eu vou vencer. E venci a guerra. Em 2014, acabamos com a fome no Brasil”, declarou.

Críticas ao Conselho da ONU
O presidente brasileiro voltou a criticar o funcionamento das Nações Unidas (ONU) e a “passividade” dos membros do Conselho de Segurança da ONU diante da concentração de conflitos no mundo. Lula expôs a hipocrisia dos países que nele integram, e que minam os fundamentos do multilateralismo.

“O que vemos no mundo é uma total falta de funcionamento das Nações Unidas, do Conselho Nacional da ONU e de seus membros permanentes que foram criados para manter a paz, e são eles que estão travando guerras”, denunciou.

Ele também voltou a defender a integração de mais países representando o órgão e o multilateralismo, ao criticar a prioridade ao militarismo e a incapacidade de seus integrantes resolverem conflitos mundiais, incluindo o genocídio na Palestina.

“Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”, questionou. “Ou seja, tudo se resolve por guerra? Ou seja, quem tem mais canhão, quem tem mais navio, quem tem mais avião, quem tem mais dinheiro, se acha dono do mundo?”

Como exemplo, o líder brasileiro disse que, em 2025, 2 trilhões e 700 bilhões de dólares foram gastos em armas para uso em guerras. “Ainda há 630 milhões de pessoas famintas, milhões de seres humanos que não têm acesso à educação, e milhões de mulheres e crianças que são resultado dessas guerras, que são abandonadas sem documentos, sem moradia ou uma pátria para viver”, criticou.

Erradicação da fome e transição climática
Referente ao potencial de colaboração com o continente africano, Lula destacou as riquezas naturais dos países que foram historicamente saqueados pelo sistema colonial europeu e pelas grandes corporações transnacionais que operam em seu território. No entanto, apontou positivamente para a capacidade de explorar terras agrícolas visando garantir a produção de alimentos e mitigar a fome.

“A África reúne enorme potencial agrícola e pode se tornar um grande produtor mundial de alimentos. O Brasil está comprometido em contribuir para esse esforço. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) retornou ao continente africano com o Escritório de Cooperação em Adis Abeba”, afirmou.

Sobre as questões climáticas, o presidente Lula destacou que a importância da transição para economias de baixo carbono para evitar a crise climática. O mandatário lembrou o potencial brasileiro para produção de energia limpa de fontes solar, eólica e hídrica, e que a formação de um mercado internacional de biocombustíveis eventualmente poderá abrir caminho para viabilizar a descarbonização da economia.

“Nossos países também possuem importantes reservas de minerais críticos, que desempenham um papel estratégico na transição para economias de baixo carbono. A cooperação entre os países detentores desses recursos minerais será vital para conseguir agregar valor em nossos próprios territórios e evitar investidas neoextrativistas”, explicou.

Lula também lembrou que Egito e Brasil recentemente sediaram as duas últimas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP) e que em breve será a vez da Etiópia. “Compartilhamos a responsabilidade de cuidar das duas maiores florestas tropicais do mundo: a Amazônia e a Floresta Tropical do Congo. Trabalhamos juntos”, garantiu.

*Opera Mundi


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Brasil reafirma apoio a Cuba e anuncia envio de 20 mil toneladas de alimentos

Ajuda será feita por meio do Programa Mundial de Alimentos da ONU; interlocutores do governo apontam ‘preocupação humanitária’ em relação à ilha

Preocupado com a atual situação humanitária da população de Cuba, o governo brasileiro anunciou que deve enviar mais de 20 mil toneladas de alimentos ao país. A ajuda será feita por meio do Programa Mundial de Alimentos da ONU. Segundo interlocutores da Presidência, serão enviadas 20 mil toneladas de arroz com casca, 150 toneladas de feijão, 150 toneladas de arroz polido e 500 toneladas de leite em pó.

Uma remessa de medicamentos de primeira necessidade foi entregue nesta semana à população. Desde o acirramento da ofensiva estadunidense contra Cuba, o governo brasileiro estuda formas de enviar ajuda ao país. O presidente Lula já criticou publicamente a pressão dos EUA contra o país caribenho.

Durante a celebração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) em fevereiro, em Salvador (BA), o presidente acusou os EUA de produzirem um “massacre” contra a ilha. “Nós somos solidários ao povo cubando, que é vítima de um massacre dos Estados Unidos, e temos que encontrar, como partido, um jeito de ajudar”, disse.

Comitiva internacional
Em paralelo às medidas, uma caravana internacional composta por parlamentares, dirigentes sindicais e representantes estudantis brasileiros desembarca em Cuba no sábado (21/03) para levar mais de 20 toneladas de produtos para ajuda humanitária ao país caribenho. A delegação integra o Nuestra América Convoy a Cuba, iniciativa que reunirá comitivas de mais de uma dezena de países distribuídos em três continentes.

Entre os itens que serão enviados pelo grupo estão alimentos, medicamentos, produtos de higiene e equipamentos de energia solar. A iniciativa também prevê o envio de sistemas voltados a hospitais e serviços essenciais, em meio à escassez de combustível e aos frequentes cortes de eletricidade enfrentados pelo país.

A comitiva brasileira reúne nomes do parlamento, do movimento sindical e de entidades estudantis. Estão entre os participantes a deputada estadual Paula Nunes (Psol-SP), da Bancada Feminista em São Paulo; a vereadora de Belo Horizonte Iza Lourença (Psol-MG); o secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Bernardo Lima; os deputados federais João Daniel (PT-SE), Valmir Assunção (PT-BA) e Orlando Silva (PCdoB-SP); além do vereador de Campinas Gustavo Petta (PCdoB-SP).

Também integram a delegação a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, e o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Hugo Silva.

Acirramento da ofensiva
A escalada contra Cuba ocorre no início do segundo mandato de Donald Trump que, em 29 de janeiro, assinou um decreto autorizando a imposição de tarifas contra países que “vendam ou forneçam petróleo a Cuba”, ampliando o cerco econômico que já impacta o abastecimento de energia na ilha.

Segundo autoridades brasileiras, a falta de energia elétrica atinge grandes cidades, como a capital Havana, por mais de 11 horas diárias. A falta de combustíveis também afeta o transporte terrestre e aéreo, fazendo com que o governo cubano suspenda os voos de suas companhias.

No papel de liderança regional, o governo brasileiro tem sido procurado por países latino-americanos e europeus que desejam contribuir para aliviar o sofrimento dos cubanos diante do cerco estadunidense.

*Opera Mundi


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Miguel Díaz-Canel: Cuba está pronta para se defender até a “última gota de sangue” diante de ameaças dos EUA

Trump disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou neste domingo que seu país está sob ataque dos Estados Unidos há 66 anos e está pronto para se defender até a última gota de sangue.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança.

“Cuba não está atacando, está sob ataque dos EUA há 66 anos. Não representa ameaça alguma. Está se preparando para defender a pátria até a última gota de sangue”, escreveu o líder cubano na rede social X.


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Após ataque na Venezuela, Trump ameaça ações em outros países

A bordo do Air Force One, presidente dos EUA citou considerar operações contra Colômbia, México e Irã; mencionando ‘fragilidade’ de Cuba e anexação na Groenlândia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou neste domingo (04/01) o leque de suas ameaças contra a soberania dos países, no dia seguinte à operação militar na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.

Em conversas com jornalistas a bordo do Air Force One, ele disse considerar operações contra a Colômbia, México e Irã; mencionou a anexação da Groelândia e disse que em Cuba, não precisaria de ações, porque a Ilha já estaria fragilizada.

Ao ser questionado se sua administração poderia realizar uma ação semelhante à da Venezuela contra a Colômbia, Trump respondeu de forma direta: “parece bom para mim.” Ele acusou o presidente Gustavo Petro de envolvimento com o narcotráfico e disse que a Colômbia estaria sendo “governada por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la para os Estados Unidos.”

Em seguida, reforçou o tom de ameaça: “ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. Trump também afirmou que o país abriga “fábricas de cocaína e fábricas de cocaína”, em referência às rotas de tráfico que cruzam o território colombiano.

O presidente colombiano Gustavo Petro respondeu às ameaças. Em sua conta no X, escreveu: “pare de me difamar, Sr. Trump”, ressaltando que em mais de meio século de vida política não existe nenhum registro que o vincule ao tráfico de drogas.

Petro afirmou trata-se de uma ameaça inaceitável e afirmou que “não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta pela paz do povo colombiano.” Ele também descreveu a captura de Maduro como um sequestro e classificou a operação dos Estados Unidos como “aberrante.”

México e Cuba
As ameaças de Trump também incluíram o México e Cuba. Ele disse que as drogas estavam “entrando em massa” pelo México e que “vamos ter que fazer algo”, alegando que os cartéis mexicanos eram “muito fortes.”

Sobre Cuba, o presidente norte-americano sugeriu que não seria necessária uma intervenção militar direta porque a Ilha estaria fragilizada. “Não acho que precisamos de nenhuma ação”, disse. “Parece que está acontecendo.” E acrescentou: “não sei se eles vão resistir, mas Cuba agora não tem renda. Eles receberam toda a renda da Venezuela, do petróleo venezuelano.”

As declarações reforçaram comentários feitos mais cedo pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que, ao ser questionado se Cuba seria o próximo alvo do governo, afirmou: “o governo cubano é um enorme problema” e, pressionado, acrescentou: “eles estão em grandes apuros, sim.”

Irã
Em relação ao Irã, em meio a protestos internos no país, o presidente norte-americano disse: “se começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que vão ser muito atingidos pelos Estados Unidos.”

Durante uma conferência de imprensa nesta segunda-feira (05/01), o porta-voz iraniano do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, condenou o ataque norte-americano contra a Venezuela. Ele declarou que o Irã “não está ligado a indivíduos, mas a princípios”, e afirmou que “o sequestro do presidente de um país não é motivo de orgulho nem é legal”.

*Opera Mundi


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21 países da CELAC manifestam preocupação com presença militar dos EUA no Caribe

Em comunicado, signatários como Brasil, Venezuela, Cuba, Chile e Uruguai pedem promoção de ‘ambiente seguro’ e reiteram compromisso com a defesa da paz e estabilidade na região

21 países que compõem a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) manifestaram preocupação com a presença militar dos Estados Unidos na costa da Venezuela. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (04/09) pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, 21 países que compõem o bloco ressaltaram o compromisso da região com a paz e a soberania.

A declaração conjunta expressa “profunda preocupação com o recente destacamento militar extrarregional na região”. Segundo Petro, “a grande maioria dos membros da CELAC assinou pela paz na América Latina e no Caribe”. No entanto, destacou, não se trata de uma posição oficial da organização, já que “uma minoria se opôs” à acusação direta contra Washington.

O texto pede a promoção de “um ambiente seguro”. Também reitera o compromisso com a “defesa da paz, estabilidade, democracia e desenvolvimento em toda a região”.

Entre os signatários estão Antigua e Barbuda, Barbados, Belice, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Dominica, Granada, Guatemala, Honduras, México, Nicáragua, República Dominicana, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Entre os países que se recusaram a assinar o documento, constam: Argentina, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana Jamaica, Paraguai, Peru e Trinidad y Tobago.

O comunicado
O documento aponta que a América Latina e o Caribe foram proclamados como “Zona de Paz”. Também reafirma princípios como “a não ingerência nos assuntos internos, a solução pacífica de controvérsias e do direito inalienável dos povos à autodeterminação”.

Os países também evocaram o Tratado para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (Tratado de Tlatelolco). Considerado “um marco histórico”, o acordo converteu a região “na primeira zona densamente povoada do mundo livre deste tipo de armamento”.

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Vitória do povo de Cuba: EUA retiram o país da lista de supostos patrocinadores de terrorismo; TeleSur ao vivo

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EUA manda submarino nuclear para Cuba após chegada de navios russos

Os navios russos estão em terras cubanas para exercícios militares planejados entre Cuba e Rússia. EUA descarta ameaça do país europeu.

Os Estados Unidos enviaram um submarino nuclear de ataque rápido à Baía de Guantánamo, em Cuba. O posicionamento do submergido é uma resposta à chegada de navios de guerra russos ao país caribenho.

A embarcação estadunidense chegou nesta quinta-feira (13/6) ao local. As tropas russas estão do outro lado do país, na capital Havana.

Na rede social “X”, o Comando Sul do exército norte-americano disse que o submarino USS Helena está na Baía de Guantánamo, como parte de uma visita de rotina ao porto, enquanto transita pela região de responsabilidade do Comando do Sul.

“O submarino conduz sua missão de segurança marítima global e defesa nacional. A localização e o trânsito da embarcação foram previamente planejados”, diz o Comando, em nota.

O submarino tem capacidade nuclear e atua a serviço dos EUA na Baía de Guantánamo desde 1903.

Os quatro navios de guerra russos estão em território cubano para exercícios militares planejados entre os dois países e anunciados no início do mês.

De acordo com o Conselheiro de Segurança, Jake Sullivan, o exército russo não representa uma ameaça, mas que os EUA está monitorando de perto. Segundo a imprensa norte-americana, o governo dos EUA também designou uma frota para vigiar as embarcações russas, que incluem três destróieres lançadores de mísseis, um navio da Guarda Costeira e uma aeronave de patrulha marítima, diz o Metrópoles.

As embarcações marítimas de Rússia e Estados Unidos são modernas e têm capacidade nuclear, no qual a movimentação dos dois países elevou as tensões na região.

O Ministérios das Relações Exteriores cubano disse que se trata de uma operação entre dois países com uma amizade histórica. “Nenhum dos barcos carrega armas nucleares, então, a parada no nosso país não representa uma ameaça para a região”, disse a pasta cubana em nota.

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Cuba: um amigo histórico do povo palestino

Cuba mantém uma posição consistente com sua política histórica de apoio ao povo palestino e a uma solução pacífica.

A luta palestina contra a ocupação israelense ganhou nova relevância no cenário internacional após a escalada que começou em 7 de outubro. A brutalidade do ataque israelense, praticamente sem comparação com outras agressões anteriores, expôs o cinismo de muitas das grandes potências ocidentais, defensoras proclamadas dos “direitos humanos”, mas indolentes diante do genocídio que está sendo cometido diante de seus olhos por interesses geopolíticos calculados friamente.

Os esforços da mídia mainstream hoje visam apresentar os perpetradores como vítimas, demonizando a resistência palestina e tornando invisíveis ou diminuindo as ações de Israel. Neste longo conflito, é justo apontar a bela história de solidariedade entre os povos, que uma pequena ilha caribenha vem escrevendo há décadas. Cuba, a “terrível e desumana ditadura” que os principais cartéis de mídia corporativa insistem em retratar, tem sido e é um dos defensores mais fortes do povo palestino.

Fidel e a causa palestina

Embora a Revolução Cubana tenha mostrado desde cedo sua solidariedade com o povo palestino, a figura de Fidel, sua compreensão do mundo árabe e os relacionamentos que ele elaborou com os principais líderes e movimentos de resistência nessa área geográfica foram fundamentais. De particular relevância é sua relação com Yasser Arafat, líder histórico da resistência palestina.

Em 12 de outubro de 1979, na qualidade de presidente do Movimento Não Alinhado (MNA), Fidel falou enfaticamente sobre o conflito israelense-palestino, com palavras que ainda são relevantes hoje:

“Do fundo de nossas almas, repudiamos com toda a nossa força a perseguição implacável e o genocídio que o nazismo desencadeou contra o povo judeu em seu tempo. Mas não consigo me lembrar de nada mais semelhante na nossa história contemporânea do que o despejo, a perseguição e o genocídio realizado hoje pelo imperialismo e pelo sionismo contra o povo palestino”.

Em 1982, em diálogo com o líder palestino Yasser Arafat, Fidel comunicou a decisão de Cuba de receber 500 crianças palestinas para realizar seus estudos na nação antilhana. Isso marca o início de uma colaboração que ao longo dos anos formou milhares de palestinos em medicina, engenharia e outras profissões fundamentais para o desenvolvimento de suas comunidades. Até hoje, centenas de jovens palestinos estudam em várias universidades cubanas com bolsas de estudo fornecidas pelo governo cubano.

Fidel também expôs a situação palestina em numerosos fóruns internacionais ao longo de seu extenso trabalho político. E uma vez aposentado, ele continuou acompanhando de perto a realidade na área. A prova da indignação causada pela impunidade do genocídio israelense é um texto publicado em 6 de agosto de 2014 em sua coluna de opinião habitual no jornal Granma, sob o título: “Holocausto palestino em Gaza”.

O conflito atual

A violência desencadeada em 7 de outubro teve um impacto arrepiante na vida dos palestinos. Mais de 25 mil palestinos foram mortos por Israel, dos quais mais de 10 mil são crianças, e os números continuam a aumentar. Inúmeras organizações internacionais condenaram os ataques a hospitais, escolas, edifícios residenciais, mesquitas e o uso ilegal de fósforo branco contra civis. Em uma carta recente, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, denunciou que mais de 80% da população de Gaza foi deslocada.

Desde o início desta nova escalada, Cuba mantém uma posição consistente com sua política histórica de apoio ao povo palestino e uma solução pacífica para o conflito. Apenas para mencionar algumas ações, a ilha promoveu e votou a favor da resolução “O direito do povo palestino à autodeterminação”. Cuba tem apoiado, como membro do MNA, a posição do bloco perante o Conselho Executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas, denunciando o possível uso por Israel de armas proibidas. Cuba também participou de numerosos fóruns internacionais convocados, incluindo várias sessões extraordinárias da Assembleia Geral da ONU, exigindo um cessar-fogo e reivindicando os direitos do povo palestino.

*BdF

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Cuba manifesta apoio a processo que acusa Israel de genocídio contra palestinos

País socialista é o quinto latino-americano a se somar à iniciativa, junto com Brasil, Bolívia, Colômbia e Venezuela; processo na Corte de Haia é liderado pela África do Sul e também conta com o respaldo de todos os 22 membros da Liga Árabe.

O governo de Cuba anunciou nesta quinta-feira (11/01) que apoia a denúncia apresentada pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça (CIJ), pela qual se acusa o Estado de Israel de cometer um genocídio contra a população palestina residente na Faixa de Gaza, através da ofensiva militar iniciada em 7 de outubro passado.

Em comunicado elaborado pelo Ministério de Relações Exteriores e difundido pelo chanceler Bruno Rodríguez Parrilla através de suas redes sociais, o país socialista manifestou sua “profunda preocupação com a contínua escalada de violência por parte de Israel nos territórios palestinianos ilegalmente ocupados, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, incluindo numerosas resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU)”.

“O Ministério condena veementemente, mais uma vez, os assassinatos de civis, especialmente mulheres, crianças e trabalhadores humanitários do sistema das Nações Unidas, bem como os bombardeamentos indiscriminados contra a população civil palestiniana e a destruição de casas, hospitais e infraestruturas civis”, acrescentou a nota.

Em outro trecho do comunicado, Cuba ressalta que “Israel continua agindo com total impunidade porque tem a proteção cúmplice dos Estados Unidos, que obstrui e veta repetidamente a ação do Conselho de Segurança, minando a paz, a segurança e a estabilidade no Médio Oriente e a nível mundial”.

Este último comentário faz alusão às diferentes resoluções rechaçadas nos últimos meses pelo principal órgão da ONU, uma delas apresentada pelo Brasil em outubro.

Prensa Latina
Apoio de Cuba se soma ao de dezenas de outros países que entregaram seu respaldo à iniciativa da África do Sul na CIJ contra Israel
Todas essas iniciativas, incluindo a brasileira, tiveram maioria de mais de três quartos dos votos entre os 15 membros do Conselho de Segurança, mas foram descartadas devido ao fato de que os Estados Unidos são um dos cinco países com poder de veto dentro dessa instância.

“A República de Cuba é Estado Parte na Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio desde 1953 e, de acordo com os compromissos assumidos nesse âmbito, tem a obrigação de prevenir e punir o genocídio. Neste contexto, manifesta o seu apoio ao pedido da República da África do Sul para iniciar um processo contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, em relação às violações por parte daquele país das suas obrigações ao abrigo da Convenção”, conclui o comunicado cubano.

Com essa declaração, Cuba se torna o quinto país da América Latina a expressar oficialmente seu apoio à ação sul-africana. Antes do país caribenho, também o fizeram nações como Brasil, Bolívia, Colômbia e Venezuela.

Dezenas de outras nações do mundo também respaldaram a ação movida por Pretória, incluindo todos os 22 dos membros da Liga Árabe (entre eles, a própria Palestina).

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Lembrai-vos dos mísseis em Cuba

Quando a humanidade tremeu diante da crise que se criou acerca dos mísseis que se instalavam em Cuba, com a possibilidade de uma guerra mundial e nuclear, em 1962, o mundo foi salvo pelas atitudes de alguns dirigentes que se portaram como estadistas.

Agora, sofremos com o cenário de guerra na Ucrânia, assistimos a alguns horrores de guerra, embora limitada, e o pior: estamos sem estadistas.

Quando o Governo Kennedy descobriu que mísseis estavam sendo instalados em Cuba pelos russos, a poucas milhas do território americano, reagiu de forma enérgica, assumindo as últimas consequências. Com muita justificativa. Por outro lado, Cuba e Fidel precisavam garantir-se contra outra invasão da Ilha, como aquela na Baía do Porcos, arranjada pela administração anterior de Eisenhower. Ele era grande figura daqueles tempos, desde o comando das forças que derrotaram Hitler até poder ser referido pelo fato de ter sido o Presidente americano que cobrou o mais elevado imposto de renda dos ricos. Mas deixou passar os que adoram fazer guerras.

Kennedy manteve a firmeza, mas soube negociar; Krushev, o líder russo, soube tirar proveito da situação e obteve compromisso do próprio irmão de Kennedy e seu Ministro da Justiça em negociação direta: Cuba não seria invadida e os americanos retirariam seus mísseis da Turquia e outras áreas, que era certamente o que os russos queriam quando estavam instalando seus mísseis em Cuba. Os mísseis voltaram para casa e o mundo respirou em paz. Com estadistas, mesmo com muitos defeitos de cada lado, é outra coisa.

Agora, a OTAN, aliança militar que não deveria existir para o bem da paz, sob o comando americano, instala bases e se implanta em diversos países ao redor da Rússia, assentada em governos pequenos e medíocres, eleitos em processos confusos a partir do fim da União Soviética.

A Rússia, já machucada pela extinção de um sistema político que ela comandava desde 1917, que havia gerado a segunda economia do mundo, grande população, imenso território, tecnologia avançada, vê-se cercada mais de perto na Ucrânia, com inimigos declarados que poderiam até usar armas nucleares, parte para o horror da guerra. Guerra que a humanidade já não mais imagina vivenciar.

Pela ausência de estadistas, a humanidade já havia amargado guerras estúpidas, idiotas, desde a Coreia e a cruel Guerra do Vietnã até mais recentes na Iugoslávia, Kosovo, Iraque, Líbia, Afeganistão e a pobre gente que sofre no Iemen sob as armas sauditas/americanas.

Paira outro mal em cima de todas as nossas cabeças: o aumento do fascismo nessas áreas acobertadas pela OTAN, como se evidenciam nesses grupos neonazistas na Ucrânia, com conexões malévolas até no Brasil, como evidenciam os últimos acontecimentos.

Falta um estadista na Europa, à semelhança de De Gaulle, que se imponha diante do poder dos Estados Unidos para dizer aos americanos e aos russos que é preciso ter polos de equilíbrio no mundo, que se respeitam e dialogam para o bem da humanidade, e que nenhum país pode ser encurralado. Acima de tudo, que seja capaz de conter essas áreas fascistas que se avolumam, se espalham e ganham poder armado. A Europa teria este grande papel, mas está subjugada, sem estratégia própria à altura da sua história, sua economia e valor do seu povo.

Nos faz lembrar novamente Eisenhower: todos submetidos aos interesses da indústria armamentista, agora de braços dados com o sistema financeiro.

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