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Educação Política

De Doria a Tarcísio: modelo empresarial no ensino médio desestrutura educação de SP, aponta pesquisa

Novo Ensino Médio é criticado por não ajudar no trabalho ou no Enem, afastar da universidade e impelir para precarização

O Inova Educação, programa do então governador de São Paulo João Doria, foi a primeira experiência na rede pública com o Novo Ensino Médio, criado pela Medida Provisória 746, em setembro de 2016, nem cinco meses após Michel Temer tomar posse como presidente.

A reforma alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, retirando disciplinas tradicionais como literatura, história, geografia, artes, sociologia, filosofia, e colocando temas como empreendedorismo, projeto de vida, tecnologia, novidades que o pedagogo Felipe Willian Ferreira de Alencar classifica como “coisas”.

Alencar é autor do livro “Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial”, lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital, fruto da dissertação de mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). No texto, ele critica a reforma que se apoiou na manutenção do trabalho precarizado e no afastamento das universidades.

“O adensamento cada vez mais profundo de reformas piora a educação em vários sentidos: na mudança do conteúdo, do currículo, do tempo da escola, da formação dos professores, da gestão da escola, de todo o funcionamento”, detalha o pesquisador.

O movimento que aconteceu com a presença maciça da iniciativa privada, principalmente por meio de fundações privadas, muitas delas ligadas ao mercado financeiro. Ao mesmo tempo, conta Alencar, faziam uma defesa aberta de que a rede pública não precisava de novos recursos financeiros.

Paralelamente, o programa desestruturou a rede pública, além de retirar horas de disciplinas essenciais para a formação do aluno. O governo Doria desmembrou o chamado itinerário formativo, no qual o aluno opta por determinadas áreas, em cerca de 270 disciplinas. Professores de matérias tradicionais ficaram sem aula e tiveram que aderir a lecionar empreendedorismo, por exemplo. O resultado foi falta de professores e aulas.

No primeiro semestre de 2022, foram 19.996 aulas sem atribuições, 22,1% do total de aulas. No semestre seguinte, piorou: 24.943, 27,8% do total. Alencar classifica esse momento de transição como período bolsonarista da educação de São Paulo, que pega parte da agenda da gestão neoliberal do PSDB de São Paulo, antes de Doria.

“A partir desse período mais atual, que é exatamente esse período bolsonarista, não só o neoliberalismo, como era com o PSDB, a gestão tucana liberal se tornou também uma gestão neoliberal e neofascista, que foi a característica do João Dória, que implantou políticas muito nefastas, e a gente vê uma continuidade com o Tarcísio [de Freitas – atual governador]”, aponta.

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) disse que não adota mais o Inova Educação. “O currículo atualmente adotado segue a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Currículo Paulista e a matriz curricular do Estado de São Paulo.”

Durante o início do período Doria, houve aulas que Alencar classifica como “escandalosas” e que apontam para o objetivo de manter relações precarizadas de trabalho: curso de brigadeiro gourmet, de como ter um petshop, de como cuidar de cílios ou fazer sobrancelhas — tudo para um público que já trabalhava em atividades precarizadas.

Alencar conta que um dos discursos comuns nas aulas da nova grade era o controle emocional para condições adversas, “sempre atrelada essa questão do controle emocional com aguentar esse novo período histórico”.

Governo Tarcísio, uma continuação
Na gestão do pré-candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos – SP), houve uma certa reformulação do que era o Inova Educação. Mas, segundo Alencar, a essência não mudou. “Ele manteve disciplinas do itinerário formativo, como empreendedorismo, mas ele afunilou a quantidade, porque, no governo Doria, houve em torno de 270 disciplinas, uma coisa impossível de administrar para educar.”

No entanto, a proximidade com a iniciativa privada e o utilitarismo continuam com disciplinas como oratória ou biotecnologia, em vez de biologia. Além disso, a plataformização da educação, protagonizada pelo atual secretário de educação, Renato Feder, empresário do ramo de tecnologia, replica em São Paulo sua gestão iniciada no Paraná.

Existem pelo menos 28 plataformas para o aluno usar na rede pública de ensino de São Paulo, de redação a preparo para o vestibular, de inglês a leitura de livro. “Agora, imagina a situação da rede estadual de São Paulo? Que são todas escolas muito bem equipadas, com internet, fibra ótica naquele nível super bom, só que não, essa não é a realidade”, ironiza Alencar.

Em resposta, a Seduc-SP disse que “a tecnologia é utilizada como recurso pedagógico complementar, integrada ao currículo, aos materiais didáticos, à formação docente e ao acompanhamento da aprendizagem” e que, entre 2023 e 2025, foram investidos R$ 340 milhões na ampliação da conectividade da rede, que atualmente atende 98,5% das escolas estaduais, além da distribuição de 744 mil equipamentos para escolas e professores.

Sobre as parcerias com instituições privadas, a Seduc informa que “são formalizadas por instrumentos jurídicos e têm como finalidade apoiar ações educacionais, formação de profissionais, desenvolvimento de projetos e compartilhamento de metodologias e tecnologias”.

Desprovação e resistência
Após oito anos, o Novo Ensino Médio foi desaprovado em consulta pública feita pelo Ministério da Educação, em 2024. Para 76,80% dos professores, 70,75% dos gestores e 56,25% dos estudantes, a mudança não prepara os alunos para o atual Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para 52,9% dos professores, 65,5% dos estudantes e 64,1% dos gestores, o aumento da carga horária do ensino médio não prepara os alunos para conseguir trabalho. Além disso, 74% dos estudantes disseram que a carga horária imposta traz dificuldades para conciliar com o trabalho.

A implantação à força do projeto de educação de Temer teve resistência em São Paulo. Iniciado com três escolas de Guarulhos da rede estadual em diálogo com o campus da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) no município, o Grupo Escola Pública Democrática (GEPud) debate, propõe disciplinas alternativas a partir das comunidades, além de espalhar o modelo para outras escolas. Durante a pandemia, o grupo ajudou a subsidiar ações populares. Atualmente, com 15 escolas em Taboão da Serra, Embu das Artes, Itapecerica da Serra e na zona leste de São Paulo, também promove pesquisas e apresenta sugestões de políticas públicas.

A Seduc-SP diz que mantém “diálogo permanente com estudantes e com a comunidade escolar por diferentes canais institucionais”.

*BdF


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Política

Tarcísio traiu Bolsonaro e assinou seu funeral político

Tarcísio é um dos políticos mais medíocres dos últimos tempos. Aliás, ninguém é ministro da Insfraestrutura do goveno Bolsonaro impunemente.

A mensagem que Tarcísio passa agora, numa declarada e inequívoca traição ao clã, vai lhe custar o túmulo político.

O bolsonarismo casca grossa, sobretudo as toupeiras do Ipiranga ,não perdoarão o traíra.

O mais irônico dessa história, é Tarcísio, somente agora, dizer que Flavio tem muito o que esclarecer sobre a montanha de dinheiro de sua lavanderia vinda dos cofres públicos via Banco Master.

Ou seja, Tarcísio está dando uma dupla marretada em seus mecenas políticos e financeiros. Não adianta vir com uma suposta apuração técnica em busca de esclarecer os R$ 2 milhões que recebeu de Vorcaro via Zetel. A fonte desse volume de dinheiro, que foi a maior doação que recebeu, vem do mesmíssimo esgoto, mesmo que tenha saído estritamente de contas supostamente legais e pessoais. É dinheiro desviado de fundos públicos.

Há outras questões que envolvem esse amor verdadeiro entre Tzarcísio e Vorcaro.

As denúncias que ligam as privatizações do governo Tarcísio com Daniel Vorcaro e Nelson Tanure (sócio oculto do Banco Master) é o principal ponto que o Ministério Público está investigando.

A acusação central é que o governo Tarcísio estrutou uma “complexa arquitetura financeira nas desestatizações para favorecer o ecossistema do Banco Master”

Trocando em miúdos, as conexões sobre investigação que ligam o leilão de estatais ao grupo financeiro, apontam para vários pontos dessa conexão de amigos.

Há um elo, principalmente com a privatização da Sabesp e são muitas as evidências de favorecimento nessa relação.

Dito isso,  o nome de Tarcísio está proibido nos bastidores da campanha de Flavio. A chamada ala ideológica do bolsonarismo acusa Tarcísio de largar a mão dos aliados do clã para tentar se blindar politicamente.

Enfim, o cenário é de guerra e as conexões financeiras que alimentam essa crise, revelam pontos extremamente explosivos nesse campo minado, porque Bolsonaro não deixará barato.

A conferir.


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Política

Flávio Dino cobra explicações de Tarcísio sobre suposto acordo de emendas em SP

Ministro do STF quer que governo paulista esclareça possível permuta política envolvendo orçamento estadual

O ministro Flávio Dino ampliou nesta terça-feira (12) o cerco do STF sobre a execução de emendas parlamentares e determinou que o governo de Tarcísio de Freitas apresente explicações formais sobre um suposto acordo político envolvendo a bancada federal paulista e o orçamento do Estado de São Paulo.

A decisão foi assinada no âmbito da ADPF 854, ação que acompanha o cumprimento das medidas de transparência, rastreabilidade e controle das emendas parlamentares após as decisões do Supremo sobre o chamado orçamento secreto.

No despacho, Dino determina que a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo esclareça “se houve o citado ‘acordo político’ envolvendo permuta de emendas; em que termos teria sido celebrado; se houve alguma formalização jurídica e como está sendo assegurada a transparência na destinação dos recursos públicos”.

A cobrança surgiu após manifestação apresentada pela Transparência Brasil, Transparência Internacional Brasil e Associação Contas Abertas, entidades admitidas no processo como amici curiae, de acordo com Cleber Lourenço,ICL.

Segundo a petição enviada ao STF, parlamentares da bancada federal paulista teriam destinado R$ 316 milhões em emendas de bancada para programas escolhidos pelo governo estadual. Em contrapartida, cada parlamentar teria recebido a possibilidade de indicar cerca de R$ 10 milhões dentro do orçamento paulista.

O despacho reproduz trecho da manifestação das entidades:

“De acordo com matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, de autoria de Daniel Weterman e Pedro Augusto Figueiredo, a bancada de parlamentares paulistas destinou R$ 316 milhões em emendas de bancada para programas escolhidos pelo governador e recebeu, em troca, a possibilidade de que cada parlamentar indicasse R$ 10 milhões no orçamento de São Paulo”.

As entidades sustentam que o modelo pode configurar uma tentativa de driblar as regras previstas na Lei Complementar 210/2024, aprovada justamente para limitar a fragmentação política das emendas de bancada.

O próprio despacho destaca o que determina a legislação:

“as emendas de bancada estadual de que trata o § 12 do art. 166 da Constituição Federal somente poderão destinar recursos a projetos e ações estruturantes para a unidade da Federação representada pela bancada, vedada a individualização de ações e de projetos para atender a demandas ou a indicações de cada membro da bancada”.

Segundo as entidades, o mecanismo utilizado em São Paulo teria transformado uma emenda coletiva em uma espécie de distribuição informal de cotas parlamentares.

O documento reproduz outro trecho da petição afirmando que:

“as indicações dos parlamentares paulistas se orientam a projetos e ações específicas, de modo que o acordo celebrado constitui uma tentativa de burla à vedação ao rateio e à individualização das emendas de bancada”.

As entidades também apontam falhas relacionadas à transparência e rastreabilidade dessas verbas.

Segundo o documento apresentado ao STF, o painel de acompanhamento atualmente disponível em São Paulo:

“traz baixa qualidade e não padroniza o descritivo do objeto”.

A manifestação também afirma que o sistema:

“não disponibiliza o CNPJ do beneficiário”;

“não apresenta interoperabilidade com outros sistemas, como URL que remeta à íntegra do convênio, do plano de trabalho e da prestação de contas”;

e ainda “não disponibiliza o número do convênio firmado com recursos da emenda”.

Entre os problemas apontados pelas entidades estão:

ausência de padronização dos objetos financiados;
dificuldade de rastrear beneficiários finais;
falta de integração entre sistemas;
ausência de transparência sobre convênios e prestação de contas;
e obstáculos para acompanhamento público da execução das verbas.
Embora não faça juízo definitivo sobre eventual irregularidade, Dino transforma o caso paulista em um dos principais focos da nova etapa de monitoramento das emendas parlamentares.


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Política

MP aponta doadores mortos e suspeita de laranjas na última campanha de Tarcísio em SP

De acordo com a representação, o total de irregularidades alcança cerca de R$ 25,2 milhões

A prestação de contas da campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo em 2022 reúne uma série de inconsistências apontadas pelo Ministério Público Eleitoral de São Paulo, incluindo doação atribuída a uma pessoa já falecida, repasses feitos por doadores com renda incompatível e despesas milionárias sem comprovação suficiente.

Os apontamentos constam em representação formal apresentada à Justiça Eleitoral com base no artigo 30-A da Lei nº 9.504/97, que trata da captação e do uso ilícito de recursos em campanhas eleitorais. No documento, a Procuradoria Regional Eleitoral sustenta que as irregularidades podem, em tese, levar à cassação do diploma dos eleitos.

A peça é direta ao tratar da dimensão do problema. Segundo o Ministério Público Eleitoral, “o candidato não comprovou a regularidade de despesas eleitorais contraídas em montante superior a vinte e cinco milhões de reais”, grande parte quitada com recursos públicos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.

De acordo com a representação, o total de irregularidades alcança cerca de R$ 25,2 milhões, o equivalente a aproximadamente 67,5 por cento das despesas contratadas pela campanha.

Doação em nome de pessoa morta
Um dos pontos mais sensíveis citados no documento envolve uma doação de 600 reais atribuída a Tereza Akemi Nozaki Setoguchi. Segundo a Procuradoria, a suposta doadora constava no sistema de controle de óbitos.

Na avaliação do Ministério Público, o caso indica “possível arrecadação irregular” e levanta dúvidas sobre a origem real dos recursos utilizados na campanha.

Doadores com renda incompatível
Outro eixo da representação trata de doações feitas por pessoas com renda incompatível com os valores transferidos. Nomes como Regina Celia Procopio Grisi, Gardel Rodrigues do Amaral e José Ivelto Castagna aparecem como doadores de valores elevados, apesar de renda formal incompatível.

Para o Ministério Público Eleitoral, a situação pode caracterizar o uso de terceiros para ocultar a origem do dinheiro.

Na peça, o órgão aponta que esse tipo de prática compromete a transparência do financiamento eleitoral e pode configurar irregularidade grave.

“O recebimento de recursos provenientes de fontes vedadas é considerado inconsistência grave, que denota o financiamento da campanha com recursos ilícitos”, afirma o Ministério Público na representação.

Empresas sob suspeita
As inconsistências também atingem contratos firmados pela campanha. Um dos casos envolve a empresa Inove Administração Gestão e Participações em Serviços Médicos.

Segundo o Ministério Público, a empresa não teve a despesa devidamente comprovada e apresenta indícios de incompatibilidade operacional. Relatório citado na representação aponta que a sócia está inscrita no Cadastro Único de programas sociais, o que levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa para prestar os serviços contratados.

Outro foco da investigação é a Beacon Comunicações Ltda., que concentrou a maior parte dos gastos da campanha.

Beacon concentrou mais de 65 por cento das despesas
A empresa recebeu 24 milhões, 385 mil e 500 reais, o equivalente a 65,46 por cento do total de despesas da campanha.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar a regularidade integral dos serviços prestados.

A representação aponta ausência de detalhamento adequado, contratos incompletos e descrição genérica das atividades.

“As irregularidades comprometeram a transparência e a fiscalização” dos recursos utilizados na campanha, afirma o Ministério Público.

Análise jurídica aponta gravidade e risco de cassação
Para a advogada e especialista em direito eleitoral Maíra Reccia, o artigo 30-A da Lei das Eleições trata diretamente da captação e da destinação ilícita de recursos financeiros em campanhas.

“O artigo 30-A fala da captação e ou destinação ilícita de recursos financeiros na campanha. A consequência, via de regra, é cassação”, afirmou.

Segundo ela, trata-se de uma conduta de alta gravidade dentro do sistema eleitoral.

“É uma conduta grave. A gente tem que analisar esses casos sob a ótica da gravidade e da má-fé, porque a consequência é também de extrema gravidade”, explicou.

A advogada destaca que, em situações como essa, o impacto pode atingir diretamente o mandato.

“Pode haver cassação do diploma. No caso de quem já está no exercício do mandato, é a cassação do diploma”, disse.

Maíra Reccia também ressalta que a legislação busca preservar a igualdade entre os candidatos.

“Essa legislação é importante porque tenta garantir a isonomia de condições entre os candidatos e coibir eventuais abusos”, afirmou.

Ela aponta ainda que casos envolvendo valores elevados e doações incompatíveis com a capacidade financeira dos doadores podem ser enquadrados como situações de extrema gravidade, de acordo com Cleber Lourenço, ICL.

“Uma vez comprovada arrecadação ou gastos ilícitos dessa envergadura, com valores altos e doadores que eventualmente não tinham condições de contribuir, você pode estar diante de uma hipótese gravíssima”, avaliou.

Segundo a especialista, além do artigo 30-A, esse tipo de situação pode também ser analisado sob a ótica de abuso de poder econômico.

“Para além do artigo 30-A, também se discute abuso de poder econômico, que pode levar à cassação e à inelegibilidade”, completou.

Campanha também pagou esposa de aliado
Os apontamentos sobre as contas eleitorais se conectam a outro episódio envolvendo aliados do governador. A campanha de Tarcísio pagou 75 mil reais à jornalista Vanessa Mauri Campetti, esposa do deputado estadual Danilo Campetti, do Republicanos.

Danilo Campetti atuou próximo à campanha de 2022 e, posteriormente, assumiu mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Entre as contratações feitas em seu gabinete está Mauricio Pozzobon Martins, cunhado de Tarcísio, que passou a atuar como assessor parlamentar.

Mauricio Pozzobon também prestou serviços à campanha eleitoral, tendo recebido 60 mil reais por atividades descritas como administração financeira.

TRE aprovou contas com ressalvas
Apesar dos apontamentos do Ministério Público Eleitoral, a prestação de contas da campanha foi aprovada com ressalvas pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em maio de 2023.

Na ocasião, foi determinado o recolhimento de 613 mil 780 reais ao Tesouro Nacional por irregularidades no uso de recursos públicos.

O caso seguiu para o Tribunal Superior Eleitoral, que manteve a aprovação com ressalvas, aplicando critérios de proporcionalidade.

Governo se manifesta
Procurada, a assessoria de comunicação do governador afirmou que a campanha contou com mais de 600 doadores e foi conduzida com total respeito às leis eleitorais.

Segundo a nota, a prestação de contas foi analisada e aprovada pela Justiça Eleitoral sem qualquer pendência.

A legislação eleitoral prevê que, comprovada a captação ou o gasto ilícito de recursos, pode haver cassação do diploma do candidato eleito.


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Política

A relação entre a privatização da Sabesp pelo governo Tarcísio e o Banco Master

Conflitos de interesse nos leilões que entregaram o controle das estatais paulistas ligam o governador a Nelson Tanure

A doação milionária de campanha feita por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022 não é o único elo entre a instituição financeira e o governador bolsonarista.

As privatizações da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), com direito a foto da martelada, e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), ambas em 2024, estão ligadas à figura de Nelson Tanure, sócio oculto do Banco Master e chamado de “comandante” por Vorcaro, segundo as apurações da Polícia Federal. Tanure é investigado hoje pelo Banco Central (BC), Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF).

Dois anos após a vitória de Tarcísio, que contou com R$ 2 milhões de doação de Zettel, as empresas Emae e Sabesp passaram a ser foco das atenções de executivos e do mercado financeiro visando sua posse. Foi neste período, no início de 2024, que ocorreu a constituição do Fundo Phoenix, um fundo sustentado por meio de ações da empresa Ambipar, uma multinacional brasileira líder em gestão ambiental e resposta a emergências, cujo presidente do conselho era Carlos Piani, hoje presidente da Sabesp.

O Fundo Phoenix tem Nelson Tanure como beneficiário final e era gerido pela Trustee DTVM, uma distribuidora de títulos e valores mobiliários ligada ao Banco Master.

Fundo Phoenix, de Tanure, no leilão da Emae
Em abril de 2024, o recém-criado Fundo Phoenix venceu o leilão da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) por R$ 1,04 bilhão. A empresa é responsável pelo controle da elevação da água do Rio Pinheiros, entre outras gestões hídricas, além da geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas no interior do estado.

A garantia (lastro) do Fundo Phoenix para a Emae eram as ações da Ambipar, que sofreram uma valorização repentina de mais de 700% entre abril e outubro de 2024. Para a equipe técnica da CVM, fundos ligados ao Master e à Tanure agiram com a Ambipar para inflar artificialmente o valor de mercado da companhia.

Com o capital levantado por meio de debêntures e empréstimo da XP, o Fundo Phoenix realizou o pagamento à Emae. Já o dinheiro que a Emae tinha em caixa foi usado para comprar debêntures da Light (outra empresa do mesmo grupo econômico) e investir em CDBs do Banco Master, direcionando o capital da empresa recém-adquirida para beneficiar as instituições que financiaram a própria compra da companhia.

Master e Equatorial de olho na Sabesp
Em junho de 2024, buscando recursos para comprar a Sabesp, Nelson Tanure e membros do Banco Master buscaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para articular um empréstimo. Nas reuniões, conforme reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, estavam presentes: Tanure, Reinaldo Hossepian, diretor do Banco Master, e a então assessora da área de fusões e aquisições do Banco, Karla Maciel.

Maciel liderou a área de fusões e aquisições do Banco Master durante o período de negociações da venda da Emae. Poucos meses depois, em outubro, ela tornou-se CEO da empresa, onde ficou até dezembro de 2025, quando o caso Master começa a tomar as manchetes dos jornais. Enquanto geriu a Emae, Maciel facilitou a compra de dívidas da Light.

Em julho de 2024, foi anunciada a posse de 15% das ações majoritárias da Sabesp pela Equatorial Energia, que venceu o processo de desestatização da Sabesp como única concorrente. Na época, Carlos Piani era presidente do conselho da Equatorial.

Carlos Piani, presidente da Sabesp | Crédito: Divulgação/Sabesp

O processo de desestatização da Sabesp, concluído em julho de 2024, levantou suspeitas devido ao valor da venda. A empresa, que possuía lucros na ordem de R$ 56,2 bilhões, teve a venda de 15% das ações (R$ 6,9 bilhões), o que possibilitou o controle estratégico da companhia. No total, foram captados aproximadamente R$ 15 bilhões. A baixa competitividade também chamou atenção, com a Equatorial sendo a única concorrente, enquanto grandes empresas globais do setor permaneceram ausentes da disputa. Em 13 de fevereiro de 2026, as ações da Sabesp atingiram o patamar de R$ 152,50, uma valorização de aproximadamente 127% sobre o preço de venda da desestatização.

Antes conselheira do governo, depois, da Equatorial
Nesse processo, destaca-se a figura de Karla Bertocco. Ela presidiu o Conselho de Administração da Sabesp poucos meses antes de integrar o conselho também da única interessada em comprar a companhia, a Equatorial, gerando assim um possível conflito de interesses.

Além disso, ela foi subsecretária de Parcerias e Inovação do Governo de São Paulo entre 2015 e 2018, presidente da Sabesp até 2018, diretora do BNDES até 2019 e, até dezembro de 2023, ocupava um cargo no conselho da Equatorial. Atualmente, Bertocco atua na Orizon Valorização de Resíduos.

Em julho de 2024, a federação PT-PCdoB-PV na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) encaminhou representação ao Ministério Público (MP-SP) solicitando a apuração de conflito de interesse e dano ao interesse público na participação de Bertocco no conselho de ambas as companhias.

A representação, assinada pelo deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), contestou as alegações do governo do Estado e da Sabesp sobre a atuação da executiva. Segundo o documento, atas de reuniões do Conselho Diretor do Programa de Desestatização (CDPED) e do Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas (CGPPP) realizadas a partir de setembro de 2023 mostram que a executiva participava ativamente dessas reuniões, nas quais foram deliberadas matérias críticas relacionadas ao processo de privatização.

A federação também alegou que a Sabesp contratou uma empresa para prestar serviços de assessoria financeira especializada sob a supervisão do Conselho de Administração, do qual a executiva fazia parte.

Poucos meses depois, Carlos Piani deixou o conselho da Ambipar e da Equatorial para assumir a presidência da Sabesp. Ele é considerado peça-chave para executar a recompra da Emae pela Sabesp a partir de um fundo que ele mesmo estruturou, permitindo assim que a Sabesp exerça o controle de todos os mananciais da Região Metropolitana de São Paulo e do fluxo dos rios Pinheiros e Tietê.

Com Tanure, Emae compra papéis do Master
Em janeiro de 2025, com Nelson Tanure na presidência do Conselho de Administração da Emae, a empresa comprou R$ 160 milhões em CDBs (Certificado de Depósito Bancário, um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos) do Letsbank, banco também ligado ao conglomerado do Banco Master.

Diante disso, em maio, a CVM suspeitou que a valorização da Ambipar pudesse ter sido feita de forma artificial para beneficiar a compra da Emae por Tanure. O documento da CVM não citou Piani, apenas o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi. A investigação afirmou que “se tratava da criação de valor nesse ativo [Ambipar] para que pudesse ser empregado de forma mais eficiente em uma operação estratégica subsequente e de grande porte, a aquisição da Emae”, beneficiando Tanure.

Em outubro de 2025, Tanure não pagou o empréstimo com a XP Investimentos que havia lhe permitido comprar a Emae. O banco então executa a dívida e assume o controle da Emae.

Sob a gestão de Carlos Piani, a Sabesp (agora privatizada) comprou a Emae do Fundo Phoenix. A reportagem tentou contato com a CVM, mas não obteve retorno para saber o desfecho e encaminhamentos da investigação.

(Arte: Brasil de Fato)

Suspeitas na Justiça
No início de abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou duas ações que pediam a suspensão do processo de privatização da Sabesp. Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1180, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), a Rede Sustentabilidade, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Verde (PV) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) questionavam a Lei municipal 18.107/2024, que autoriza firmar contratos de prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, além do contrato de concessão com a Sabesp e do cronograma de privatização da estatal.

Já na ADPF 1182, o PT contestava a Lei estadual 17.853/2023, que autoriza o Poder Executivo a realizar a desestatização da Sabesp, com alienação de participação societária. José Faggian, atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema-SP) e funcionário da Sabesp há 25 anos, avalia o processo de privatização da Sabesp como “uma situação muito suspeita”.

“Então a gente vê que o Tarcísio recebeu doações bastante vultuosas do grupo do Banco Master e, em sequência, a gente tem a privatização da Sabesp, da Emae e recursos da Emae que acabam sendo direcionados para o Banco Master. É claro, é nítido que existe uma ligação por trás disso, mas infelizmente existe uma blindagem do governo do Estado”, critica.

Pedido de investigação ao MP
As perguntas sobre o conhecimento prévio do governo de São Paulo sobre a manipulação das ações da Ambipar, a falta de fiscalização da Comissão Especial de Contratação no leilão da Emae, o desenho do leilão da Sabesp com aparente falta de concorrência, assim como o preço de venda das ações da Sabesp abaixo do valor de mercado e a recompra da Emae pela Sabesp podem indicar lesão ao tesouro público. Essas questões foram levantadas pelo deputado estadual Antonio Donato (PT-SP), em uma representação protocolada no Ministério Público de São Paulo (MPSP), em março deste ano.

De acordo com o documento, isso ocorreria se comprovado que houve perda patrimonial para o Estado devido a decisões tomadas com dolo ou culpa grave, como a venda de ativos por preço inferior ao de mercado, ou a aquisição de ativos inflacionados.

Também pode demonstrar que houve violação aos princípios da administração pública se comprovado um suposto conflito de interesses como o de Carlos Piani e Karla Bertocco e a possível influência de doações de campanha de Fabiano Zettel ao governador Tarcísio de Freitas. O pedido de investigação ainda está sendo analisado pelo Ministério Público e, até o momento, não houve andamentos.

O que dizem as empresas
À reportagem, a Sabesp disse que a aquisição da Emae ”foi uma operação aprovada pelo Conselho de Administração, passando pelo escrutínio do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica], que verificou aspectos concorrenciais, e da Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], que avaliou a capacidade técnica, idoneidade financeira, regularidade jurídica e fiscal da Sabesp”.

Sobre Carlos Piani, a companhia alegou que jamais houve qualquer relação com o fundo Phoenix. A companhia ressaltou que Piani atuou como presidente do Conselho de Administração da Ambipar até setembro de 2024, renunciando ao cargo antes de assumir a presidência da Sabesp em outubro de 2024.

A Sabesp disse ainda que não existe qualquer relação entre Piani e a estruturação do fundo Phoenix, ou a valorização das ações mencionadas pela reportagem. “Questões relativas à valorização e desvalorização de ações são de competência exclusiva da CVM, que realiza as apurações necessárias. Tanto a Sabesp quanto o seu diretor-presidente não tinham conexão com a Emae até 2025, quando a Sabesp celebrou o acordo de aquisição.”

Sobre os supostos conflitos de interesse apontados na atuação de Karla Bertocco, a empresa apontou que “não houve qualquer conflito de interesse no passado ou riscos de conflitos futuros”.

Em nota, a Emae disse apenas que “todas as informações acerca de operações financeiras e recursos em caixa podem ser verificadas nas Demonstrações Financeiras, auditadas por auditorias independentes e divulgadas trimestralmente ao mercado, além de estarem disponíveis na CVM, na B3, bem como no site de Relações com Investidores da Emae”.

A empresa não explicou como justifica a atuação simultânea de Karla Bertocco no Conselho de Administração da Sabesp e no conselho da Equatorial, diante das alegações de conflito de interesses.

O que diz o governo de São Paulo
A Secretaria de Parcerias em Investimentos afirmou que os processos de desestatização da Sabesp e da Emae foram conduzidos com rigor técnico, transparência e ampla participação institucional, seguindo todas as etapas previstas no Programa de Parcerias em Investimentos (PPI-SP).

No caso da Sabesp, o processo foi estruturado com base em estudos técnicos e submetido a consulta pública e audiências, com quase “mil contribuições da sociedade”, disse a pasta.

No caso da Emae, o leilão realizado na B3 também seguiu todos os procedimentos legais, relata a secretaria. “Resultou em proposta vencedora com valor 33,68% acima do preço mínimo estabelecido em edital, refletindo a atratividade e a competitividade do processo. A operação foi concluída após aprovação dos órgãos reguladores competentes, como Aneel e Cade, e seguiu integralmente os ritos legais e institucionais aplicáveis.”

Por fim, questões relacionadas ao mercado de capitais e à atuação de agentes privados são de competência dos órgãos reguladores responsáveis como a CVM, que possui autonomia para conduzir eventuais apurações, salientou a pasta. “O Governo de São Paulo reforça seu compromisso com a lisura dos processos, a atração de investimentos e a melhoria dos serviços públicos, com foco em resultados concretos para a população.”

O Brasil de Fato procurou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), bem como a defesa de Nelson Tanure, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

*BdF


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Política

Tarcísio jantou e tirou fotos com empresário do funk preso por ligação com PCC

O encontro ocorreu em 2025, em meio a articulações políticas do atual governador de São Paulo

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou de um jantar e tirou fotos com o empresário do funk Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, da GR6 Explode, preso na terça-feira (15) na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, que mirou um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

“Nosso país estaria muito melhor se tivéssemos mais pessoas como você. Que cara f*!”, escreveu Oliveira no Instagram, na ocasião, ao publicar uma série de fotos com o governador.

O jantar ocorreu em 12 de agosto do ano passado, na casa do cantor Latino. O músico, apoiador do governador, buscava aproximar Tarcísio de empresários do ramo do entretenimento e de outros setores. Foram servidos carneiro e vinho.

A reportagem procurou Tarcísio para falar sobre o encontro, mas ainda não teve resposta.

A assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes foi procurada por e-mail e por telefone por volta das 13h, com pedido de posicionamento do governador. Por telefone, a assessoria informou que enviaria uma resposta até as 14h, prazo solicitado pela reportagem, o que não ocorreu.

A Secretaria de Comunicação também foi procurada por mensagem via WhatsApp, às 12h50, mas não respondeu.

Segundo a PF, a Operação Narco Fluxo teve o objetivo de “desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores mediante criptoativos no Brasil e no exterior”.

Oliveira e outros empresários do funk foram alvos da operação devido à suspeita de que agenciariam artistas que ocultariam valores do tráfico.

Os principais alvos da ação de terça-feira foram os músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo, cujas defesas negam as acusações. “O volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão”, disse a PF. A defesa de Oliveira contesta a acusação, dizendo que os repasses do empresário aos demais alvos da operação se referiram a pagamentos decorrentes de sua atividade musical.

Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos. A prisão de Oliveira foi confirmada pela Folha com sua defesa.

Na ocasião do encontro entre Tarcísio e Oliveira, o governador era cotado como um possível candidato à Presidência. “Quanta honra poder receber o nosso (quem sabe!) futuro presidente e atual governador de SP aqui em casa numa noite tão agradável, ao lado de amigos e empresários. Foi épico!!”, escreveu Latino, que também publicou fotos do jantar.

Embora Tarcísio negasse, seus aliados, na época, viam em encontros dessa natureza tentativas de viabilizar sua candidatura presidencial, em uma aproximação com possíveis apoiadores — o governador era criticado por bolsonaristas.

Uma semana antes, em 7 de agosto, o governador havia ido a Brasília e visitado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que estava em prisão domiciliar e, no mesmo dia, ao lado dos governadores de oposição, fez um discurso cobrando ações do governo Lula (PT) contra o tarifaço imposto ao Brasil, naquele período, por Donald Trump.

Em dezembro, Bolsonaro indicou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu candidato, e Tarcísio reafirmou que disputaria a reeleição em São Paulo.

Oliveira tentou entrar na política em 2016, quando foi candidato a vereador na capital paulista pelo extinto PSL (partido que se fundiu ao DEM em 2021 para formar o União Brasil) e, em 2024, pediu votos para Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo.

O empresário é defendido pelos advogados criminalistas José Luis Oliveira Lima e Bruno Dallari Oliveira Lima.

Por meio de nota, sua defesa afirma que “no âmbito da Operação Narco Fluxo, os valores e transações financeiras mencionados referem-se a relações comerciais lícitas e regulares, inerentes à atividade empresarial da companhia, todas devidamente formalizadas e respaldadas por contratos e documentação fiscal”.

“A GR6 e seu sócio reiteram que não houve a prática de qualquer ato ilícito e seguem à disposição das autoridades competentes, colaborando integralmente com a investigação e prestando os esclarecimentos necessários”, segue o texto.

“Rodrigo Oliveira e a GR6 reafirmam, ainda, seu compromisso com a legalidade, a transparência e a condução ética e responsável de suas atividades”, conclui a nota.


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Pesquisa

Atlas: Haddad na frente em São Paulo

No primeiro turno, o ex-ministro da Fazenda marca 42,6% das intenções e encosta no atual governador

Pesquisa AtlasIntel/Estadão sobre a disputa pelo governo de São Paulo, divulgada nesta segunda-feira (30), revela um cenário em disputa entre o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

O levantamento também traz as intenções de voto por região do estado de São Paulo e mostra Haddad liderando na capital paulista:

Capital

  • Fernando Haddad: 47,4%
  • Tarcísio de Freitas: 41,5%
  • Outros: 5,9%
  • Não sabem/Nulos/Brancos: 5,3%

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Política

Sobre as pesquisas padrão PowerPoint da Globo

Essas pesquisas “padrão ouro”, onde dizem colher informações aleatórias com sistema aleatório, turbinam a candidatura da direita, sobretudo de Flavio Bolsonaro e Tarcísio, e congelam os números sobre Lula e o PT.

Lógico que isso serve de manchete triunfalista para uma direita que não tem qualquer projeto para o país, utilizando-se de uma faixa elástica dentro da suposta margem de erro para servir de carregador de energia plugado na grande mídia.

O fato é que, qualquer pesquisa agora é, no mínimo, em termos de amplitude, portátil, até porque, desde a redemocratização, direita e esquerda mantêm-se relativamente estáveis em determinado padrão com pouquíssima margem de manobra.

Assim, torna-se apressado qualquer triunfalismo, até mesmo porque ainda não se tem certeza de que Flavio, e não Tarcísio, será o candidato da direita a enfrentar Lula.

Somente a partir de abril é que a bola vai rolar, e não é que Flavio tenha telhado de vidro, ele, simplesmente, com a ficha criminal recheada de delinquências, que vão de corrupção, peculato, formação de quadrilha, envolvimento direto com a milícia, não tem telhado algum. Portanto, as bombas que cairão na sua cabeça, não terão qualquer amortecimento, nem mesmo de cristal.

Certamente o sujeito será bombardeado não só pela campanha do PT, como por ex-aliados, como o MBL, que hoje quer justamente utilizar os crimes incontáveis de Flavio para se cacifar dentro do mesmo espectro eleitoral da direita.

Por enquanto, isso tem dado certo para Renan Santos, ou seja, o MBL investirá pesadamente nessa linha de ataque.

Então, a amplitude do que está sendo coletado para pesquisas, é dispersa, informal e não encontra qualquer resistência de um quadro concreto que possa de fato dar a temperatura ambiente que teremos a partir de abril. Até lá, seguindo para a corrida presidencial, tem muita água para correr.

Por ora, tudo não passa de um decalque do powerpoint da Globo, via Andreia Sadi.

A conferir.


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Política

A mesma Globo, que pressionou o judiciário para prender Lula, agora dá a Bolsonaro a anistia disfarçada de domiciliar

A anistia concedida pelo STF a Bolsonaro, na figura de Alexandre de Moraes, foi desingripada pela Globo, mais precisamente por Malu Gaspar, que lubrificou as chaves da Papuda para Bolsonaro voltar para o seu hotel cinco estrelas e, de lá, ganhar voo próprio para curtir a vida.

Jamais se pode esquecer que o Grupo Globo é bilionário, ou seja, é parte da oligarquia brasileira e, através de uma campanha de degradação de imagem, pode transformar qualquer um num monstro que ele desenhar em seus bastidores.

É só ler o recadinho da bolsomorista, Malu Gaspar, em matéria no Globo de hoje, deixando claro que a pizza de marmelada, preparada por ela e os Marinho, só estará concluída depois que a anistia ampla, geral e irrestrita de Bolsonaro for completada, inclusive com a permissão da volta de Eduardo Bolsonaro ao Brasil, sem que ninguém lhe enconste um dedo. Está lá na capa do Globo para quem quise  er:

“Moraes busca saída honrosa e tenta blindar STF ao conceder prisão domiciliar para Bolsonaro”

Além de colocar a cabeça de Moraes à venda, Malu deixa claro que a vedação que fará com que a mídia pare de perseguir Moraes só acontecerá de fato quando rentregar o serviço completo, com anistia, com tudo que, convenhamos, é uma barbada para um grupo que, em defesa dos seus interesses, trata o pescoço da mãe como canela.

Sim, esse é o estágio do neoliberalismo que carrega com ele o fascismo em estado puro, essa é a verdadeira cara da extrema direita brasileira. Afinal, falamos do Grupo Globo que tem um século de prática golpista no Brasil, geração após geração.

Lógico que, depois disso, Moraes seguirá como um pato manco rumo à porta dos fundos do STF.

O que de fato há por trás disso, por ora, dá para imaginar, mas não afirmar.

Mas não será Bolsonaro o único a se lambuzar dessa gigantesca pizza de marmelada. A Globo e os demais jornalões ainda não desistiram da terceira via e, certamente, tentarão lubrificar cada vez mais a imagem de Tarcísio para transformar seu nome e imagem em algo mais palatável.

Flavio Rachadinha já mostrou que tem um teto baixo e de vidro e, com certeza, é o mais cagado dos candidatos de direita disponíveis na praça.

O risco de perder a eleição e o guarda-chuva do foro privilegiado é grande e muito arriscado para quem tem a folha corrida que ele tem.

Não se espantem ou se afobem, sendo Tarcísio o candidato oficial da Faria Lima/PCC, Globo/Master, fintechs e big techs, o evangelhistão bolsonarista, por ordem do demôbuo mor, trabalhará em peso para tirar a fórceps o quarto mandato de Lula para colocar o vigarista, escolhido pelos donos da terra, para cumprir o papel sujo a ele designado.

Não se esqueçam que foi assim que Temer e Bolsonaro viraram presidentes após golpe em Dilma e a prisão de Lula, forjada nas redações da Globo e congêneres.

O que dá esperança de derrotar toda essa escumalha é a reação nas redes que colocou a Globo de joelhos e a obrigou a pedir desculpas pela manipulação grosseira do powerpoint.


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Política

Folha teve acesso a anotações de Flávio Bolsonaro sobre candidatos nos estados

Ele afirma que um candidato está pedindo R$ 15 milhões pra desistir; outra anotação é sobre uma provável troca do vice de Tarcísio, Felício Ramuth, indicado por uma seta com um “$”

Anotações feitas à mão durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL), realizada nesta terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais, preferências internas e avaliações reservadas sobre possíveis candidatos nas eleições deste ano. O encontro contou com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de dirigentes nacionais da legenda.

O documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pela Folha e reúne uma lista impressa de nomes com observações manuscritas. O jornal afirma não ser possível identificar quem fez as anotações. Segundo relatos, além de Flávio, estavam na sala o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, além de outros integrantes da cúpula. Entre as anotações, no entanto, uma delas referente ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, está escrita a frase “me puxa para baixo”, indicando o único interlocutor que poderia falar na primeira pessoa dentro daquela sala.

Nesta quarta-feira (25), Flávio admitiu ser o autor das anotações.

No topo da primeira página aparece a orientação “ligar Tarcísio”, referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição.

São Paulo: tensão na vice e disputa ao Senado
As anotações indicam preocupação com a escolha do vice na chapa paulista. O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), nome preferido de Tarcísio, aparece ligado por uma seta ao símbolo “$”. Ramuth é alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, acusação que nega.

Logo abaixo, surge a hipótese “André do Prado vice?”, em referência ao presidente da Assembleia Legislativa paulista, filiado ao PL e interessado na vaga.

Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é apontado como nome certo na chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser indicada pelo PL, segue indefinida. Entre os cotados aparecem, nesta ordem: Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

Minas Gerais: descrença e busca por alternativa
Em Minas, o vice-governador Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, conforme dito acima, recebe a anotação “me puxa para baixo”, indicando ceticismo interno. O documento observa que, caso ele confirme candidatura, os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Cleitinho (Republicanos-MG) também devem entrar na disputa.

O PL avalia lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo mineiro. Ao lado do nome há a anotação “conversa com Nikolas”, referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que chegou a ser cotado, mas resiste à candidatura ao Executivo.

Para o Senado, aparecem os nomes de Carlos Viana, Marcelo Aro, Eros Biondini e Domingos Sávio. Apenas Viana e Sávio têm marcações de endosso.

Nordeste e Centro-Oeste: alianças e impasses
Em Alagoas, são citados o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, há a observação de que é preciso conversar com ele até 15 de março. Já Gaspar é descrito como “único que pedirá voto para mim”. Para o Senado, surge a indicação “Arthur (JB)”, em referência ao deputado Arthur Lira (PP-AL), possível apoiado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Distrito Federal, o documento aponta impasse. A composição previa Celina Leão (PP) ao governo, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Mas uma anotação afirma que, se Ibaneis Rocha (MDB) disputar o Senado, “não dá para oficializar com Celina”, indicando dificuldade para acomodar duas candidatas do PL.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve receber apoio do PL. Para o Senado, aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, este último com a observação “recall/melhor nas pesquisas”.

Já o deputado Marcos Pollon (PL-MS) é citado com a anotação: “pediu 15 mi para não ser candidato”. Procurado, Pollon negou a informação e classificou o registro como “campanha de assassinato de reputação”.

Outras articulações
Na Bahia, o foco é costurar aliança com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, o plano é integrar a chapa de Ciro Gomes (PSDB). No Piauí, aparece como opção de apoio ao Senado o senador Ciro Nogueira (PP).

Na Paraíba, o senador Efraim Filho (União Brasil) deve se filiar ao PL para disputar o governo, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga é cotado ao Senado.

No Paraná, o plano é apoiar Filipe Barros ao Senado, evitando dividir votos com outros nomes como Cristina Graeml. Segundo a Forum, rascunho menciona ainda Deltan Dallagnol como favorito nas pesquisas, associado ao governador Ratinho Júnior (PSD).

O Rio Grande do Sul aparece como “ok”, com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van Hattem ao Senado. O ex-ministro Onyx Lorenzoni é citado para possível composição como vice.

Em Goiás, são mencionados Daniel Vilela e Wilder Moraes ao governo, além de Gustavo Gayer e Gracinha Caiado ao Senado.

No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes é descrito como “primeiro lugar nas pesquisas” ao governo. Já Janaina Riva aparece como nome certo ao Senado “de qualquer jeito”.

Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin foi preterido na chapa ao Senado, que terá Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, por determinação de Jair Bolsonaro — no rascunho, o nome de Amin aparece riscado.

O documento é descrito por interlocutores como um “brainstorm” interno. As anotações apontam para um retrato cru das negociações e tensões regionais do PL meses antes do registro oficial das candidaturas, previsto para agosto.


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