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ONU julgará vínculos de Flávio Bolsonaro com milícias

Os documentos que a ONU dispõe para julgar o caso da morte da garota Ana Clara Machado sugerem vínculos de Flávio Bolsonaro com a milícia carioca.

No final de dezembro, a entidade vai examinar o caso, apresentado pelo advogado Raphael Costa. O acusado, o policial Bruno Dias Delaroli, é réu pelo assassinato da criança. Mas foi a atuação de Flávio Bolsonaro que garantiu que ele pudesse permanecer fora da prisão até agora.

O caso veio à tona em março, em reportagem de Alice Maciel publicada pelo ICL Notícias. Em 2021, com apenas 5 anos de idade, ela foi morta por um tiro de fuzil disparado por um policial militar em Niterói.

A família aguarda até hoje o julgamento do assassino de sua filha. Uma primeira data havia sido estabelecida para o último dia 14 de abril. Mas foi adiado para 21 de outubro. Em agosto, o julgamento foi reagendado para 5 de maio de 2027.

Enquanto isso, Costa fez a denúncia às Nações Unidas. Nela, ele aponta o papel de Flávio Bolsonaro para impedir que o policial fosse mantido preso e sua defesa no processo.

“A alegação central da comunicação de 2022 é que organizações paramilitares criminosas, comumente conhecidas como “milícias”, expandiram seu controle territorial, político e econômico sobre comunidades no Estado do Rio de Janeiro, supostamente com a participação, tolerância, proteção ou anuência de agentes públicos, incluindo membros das forças de segurança e autoridades políticas de alto escalão”, explica a peça entregue às Nações Unidas.

“Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, figura entre as autoridades identificadas na comunicação original. O denunciante alega que tal envolvimento ou anuência do Estado permitiu que essas organizações milicianas consolidassem seu controle territorial e influência econômica, enquanto os moradores enfrentavam detenções arbitrárias, execuções extrajudiciais, assassinatos de civis e outras graves violações dos direitos humanos”, apontou.

No documento seguinte, o material documental adicional serve como “prova que corrobora essa alegação central, servindo de base para examinar se a proteção política e institucional facilitou a expansão das milícias”.

A queixa aponta que, no acórdão publicado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Flávio Nantes Bolsonaro (OAB/DF 67.599) é mencionado entre os advogados de defesa.

“O recurso principal contestava a decisão que submeteu o réu a julgamento pelo tribunal do júri e suscitava, entre outras questões, pontos relativos à cadeia de custódia e à suficiência probatória; o agravo interno visava à admissão e ao julgamento do recurso especial”, disse.

Segundo a queixa, em 9 de abril de 2024, a Quinta Turma negou provimento ao agravo interno, por maioria, com base em fundamentos processuais, mantendo a decisão de pronúncia e sem emitir qualquer juízo sobre a culpa.

O autor da denúncia sustenta que o registro, no STJ, da atuação do senador como advogado de defesa constitui” prova relevante para examinar se figuras políticas de alto escalão têm intervindo em processos que envolvem integrantes das forças de segurança, e se tais intervenções contribuem para o cenário mais amplo de proteção institucional e impunidade alegado na denúncia”.

No informe entregue para a ONU, outros elementos incluem homenagens públicas e relações institucionais associadas a Flávio Bolsonaro durante seu mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), bem como constatações judiciais e investigativas posteriores envolvendo policiais.

O texto cita o fato de que, em 2014, um júri condenou o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira por seu papel no assassinato da juíza Patrícia Acioli, ocorrido em 2011. Relatos da imprensa da época indicam que Bolsonaro questionou a conduta da magistrada após o seu homicídio; a publicação original em rede social não foi localizada para esta atualização.

Registros da ALERJ apontam Bolsonaro como autor do Projeto de Resolução nº 1.067/2005 — aprovado como Resolução nº 931/2005 —, que concedeu a Medalha Tiradentes ao então primeiro-tenente Adriano Magalhães da Nóbrega.

“Documentos investigativos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) descreveram, posteriormente, Adriano como um dos líderes da milícia de Rio das Pedras e como figura influente no grupo conhecido como “Escritório do Crime”. Trata-se de caracterizações de natureza investigativa, e não de sentenças judiciais de culpa; Adriano faleceu antes que as acusações fossem julgadas”, disse.

O documento aponta como sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, e sua então esposa, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ocuparam cargos no gabinete de Bolsonaro na ALERJ. “O autor da denúncia aponta a concessão da honraria legislativa e os vínculos empregatícios mencionados como indícios de proximidade política, justificando uma investigação sobre um possível reconhecimento ou proteção institucional a indivíduos que, posteriormente, foram associados a crimes graves ou a investigações sobre milícias”, afirma.

A queixa apresenta, ainda, a transcrição de sessão da ALERJ na qual, em 7 de fevereiro de 2007, Flávio Bolsonaro argumenta “que as milícias não deveriam ser estigmatizadas, descrevendo suas atividades como uma forma de policiamento e uma fonte de segurança nas comunidades”.

“Em outubro de 2015, a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza foi agredida durante uma inspeção no antigo Batalhão Especial Prisional (BEP), onde estavam detidos policiais militares — incluindo indivíduos que, à época, eram apontados como suspeitos de ligação com milícias”, disse. “Relatos daquele período indicam que Bolsonaro esteve no local e questionou publicamente o relato e a conduta da magistrada. Esses mesmos relatos atribuem à juíza a afirmação de que Bolsonaro não teria entrado na unidade, mas sim conversado com os detentos por telefone”, alertou.

Na avaliação de Costa, as declarações e presenças são “relevantes para analisar se o apoio político contribuiu para legitimar a atividade de milícias ou para proteger agentes de segurança da responsabilização”.

O documento submetido às Nações Unidas ainda concluiu que “esses episódios constituem um conjunto de indícios que reforçam a tese central: a de que a expansão territorial, política e econômica das milícias no Rio de Janeiro foi facilitada pela participação, proteção, tolerância ou anuência do Estado”.

O denunciante fundamenta-se em quatro categorias de elementos que, à primeira vista, justificam um exame minucioso:

  • A identificação, em decisão do STJ, do senador como advogado de defesa de um policial acusado do homicídio de uma criança;
  • As declarações públicas do senador favoráveis ​​à atividade de milícias;
  • A concessão de honraria legislativa a Adriano da Nóbrega;
  • Relatos de que familiares de Adriano ocuparam cargos no gabinete do senador.

“Considerados cumulativamente, esses elementos justificam uma investigação sobre a possível proteção política e institucional a organizações milicianas”, disse. “O denunciante solicita que o Conselho avalie as alegações à luz das obrigações do Brasil de prevenir graves violações de direitos humanos, investigá-las de forma eficaz, garantir a responsabilização e assegurar a reparação — inclusive em casos em que grupos privados atuam com a participação, anuência ou tolerância do Estado”, completa.

O caso
Nesta quinta-feira, nas redes sociais, Costa explicou que era o secretário de Direitos Humanos de Niterói, em 2021. “Na mesma hora, ouvimos testemunhas e conseguimos evitar que o criminoso fosse liberado”, disse. Ele foi preso em flagrante. Mas, no final de 2021, Costa recebeu a notícia que o policial havia sido solto.

“Fui informado em off que um senador da República estaria atuando nos bastidores para proteger o assassino. O nome do senador é Flávio Bolsonaro”, disse.

No mês seguinte, Costa levou o caso às autoridades federais e apontou para o avanço das milícias, protegidos pelos agentes do próprio estado. Em 2022, protocolou a denúncia no Alto Comissariado de Direitos Humanos.

Em 2024, ele enviou um relatório atualizado, apontando até mesmo para o envolvimento de Flávio Bolsonaro, que oficialmente havia também assumido o caso. “Isso indicava o envolvimento da alta cúpula da política nacional com milicianos”, denunciou.

O senador que está sendo apurado pela ONU é, agora, candidato à presidência.

Segundo Costa, a carta diz que reunião está marcada para ocorrer entre os dias 18 e 24 de dezembro, em Genebra. “Resta saber se o Brasil vai receber decisão como Flávio como investigado ou presidente”, completou.

O ICL Notícias apurou que, de fato, reuniões estão agendadas para ocorrer sobre as comunicações recebidas pela ONU, no final de dezembro, em Genebra.

*Jamil Chade/ICL


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São dois projetos antagônicos, o de Flavio Bolsonaro, colocou 34 milhões de brasileiros na fila do osso e no mapa da fome. O de Lula, acabou com a fila do osso e tirou por duas vezes o Brasil do mapa da fome

Dois projetos opostos: a fome como herança de Bolsonaro, a dignidade como prioridade de Lula.

São dois projetos de país que se chocam frontalmente. O projeto bolsonarista, que Flávio Bolsonaro representa, deixou milhões de brasileiros entregues à fome, à miséria e à humilhação de enfrentar a fila do osso para conseguir o que comer. Sob Jair Bolsonaro, o Brasil voltou ao mapa da fome, enquanto 33,1 milhões de pessoas enfrentavam a insegurança alimentar grave, segundo dados divulgados em 2022.

O projeto de Lula segue na direção oposta: combater a fome, recuperar o poder de compra dos trabalhadores e devolver dignidade a quem foi abandonado pelo Estado. Foi assim que o Brasil saiu do mapa da fome em 2014, voltou a esse cenário sob Bolsonaro e, com Lula novamente na Presidência, conseguiu sair outra vez em 2025, segundo os critérios da ONU.

A diferença não é apenas econômica: é política, social e, acima de tudo, humana. De um lado, um projeto que produziu retrocesso social e tratou a miséria como se fosse uma fatalidade. Do outro, um governo que fez do combate à fome uma prioridade nacional.

Flávio Bolsonaro precisa explicar por que defende um modelo que levou o Brasil de volta à fome. Lula, por sua vez, tem resultados concretos a apresentar. Porque a fome não é uma abstração estatística: é o prato vazio de uma criança, a angústia de uma mãe e a dignidade roubada de milhões de brasileiros.

No fim, a escolha é entre dois Brasis: o da fila do osso e o da comida na mesa; o da exclusão e o da inclusão; o da indiferença diante da miséria e o da luta para vencê-la.


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Política

ONU fará exame de envolvimento de Flávio com assassinato de Ana Clara

Advogado que representou a família afirma ter recebido notificação da ONU de que encontros ocorrerão em Genebra, em dezembro.

O caso da morte da garota Ana Clara Machado será avaliado pela ONU, no final deste ano. A revelação foi feita por Raphael Costa, que afirma ter levado a denúncia para os órgãos internacionais. O acusado, o policial Bruno Dias Delaroli, é réu pelo assassinato da criança. Mas foi a atuação de Flávio Bolsonaro que garantiu que ele pudesse permanecer fora da prisão até agora.

O caso veio à tona em março, em reportagem de Alice Maciel publicada pelo ICL Notícias. Em 2021, com apenas 5 anos de idade, ela foi morta por um tiro de fuzil disparado por um policial militar em Niterói.

A família aguarda até hoje o julgamento do assassino de sua filha. Uma primeira data havia sido estabelecida para o último dia 14 de abril. Mas foi adiado para 21 de outubro. Em agosto, o julgamento foi reagendado para 5 de maio de 2027.

Enquanto isso, Costa fez a denúncia às Nações Unidas. Nesta quinta-feira, nas redes sociais, ele explicou que era o secretário de Direitos Humanos de Niterói, em 2021. “Na mesma hora, ouvimos testemunhas e conseguimos evitar que o criminoso fosse liberado”, disse. Ele foi preso em flagrante. Mas, no final de 2021, Costa recebeu a notícia que o policial havia sido solto.

“Fui informado em off que um senador da República estaria atuando nos bastidores para proteger o assassino. O nome do senador é Flávio Bolsonaro”, disse.

No mês seguinte, Costa levou o caso às autoridades federais e apontou para o avanço das milícias, protegidos pelos agentes do próprio estado. Em 2022, protocolou a denúncia no Alto Comissariado de Direitos Humanos.

Em 2024, ele enviou um relatório atualizado, apontando até mesmo para o envolvimento de Flávio Bolsonaro, que oficialmente havia também assumido o caso. “Isso indicava o envolvimento da alta cúpula da política nacional com milicianos”, denunciou.

O senador que está sendo apurado pela ONU é, agora, candidato à presidência.

Segundo Costa, a carta diz que reunião está marcada para ocorrer entre os dias 18 e 24 de dezembro, em Genebra. “Resta saber se o Brasil vai receber decisão como Flávio como investigado ou presidente”, completou.

O ICL Notícias apurou que, de fato, reuniões estão agendadas para ocorrer sobre as comunicações recebidas pela ONU, no final de dezembro, em Genebra.

As decisões da ONU não tem poder vinculante. Mas colocam pressão para que a Justiça nacional atue nos casos e são usados para criar um constrangimento internacional aos envolvidos.

Caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente, a ONU pode manter seu processo de avaliação da denúncia.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo Política

Vídeo: Marco Rubio tenta se aproximar, mas Lula o ignora

Secretário de Estado tentou se aproximar do presidente brasileiro após não acompanhar seu discurso na Assembleia Geral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ignorou uma tentativa de aproximação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após os discursos na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York.

O momento foi registrado pela jornalista Clarissa Carvalhaes, da CartaCapital. Nas imagens, Lula aparece caminhando em meio a diversas autoridades, acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim.

Rubio se aproxima do grupo e tenta estabelecer contato, mas Lula segue caminhando sem cumprimentá-lo. O secretário americano então interage brevemente com Mauro Vieira.

Braço direito de Trump, Rubio é um dos principais integrantes do governo e tem ocupado posição central em questões envolvendo as relações entre Estados Unidos e Brasil.

Antes da cena, Rubio também não acompanhou o discurso de Lula no plenário da Assembleia Geral. O secretário de Estado só se juntou à delegação de seu país depois que o brasileiro deixou o plenário e antes do pronunciamento de Trump. A primeira-dama Melania Trump e a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, também não assistiram à fala do presidente brasileiro.

Veja o vídeo

Tensão entre Lula e governo Trump
A cena ocorre em meio à escalada de pressão do governo Donald Trump sobre o Brasil, marcada pela imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros e pelas suspeitas de ingerência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Washington impôs novas tarifas a produtos brasileiros, enquanto Lula classificou as justificativas para as medidas como infundadas.

Apesar do desgaste, os dois governos mantêm negociações comerciais, e o presidente brasileiro afirmou nesta semana que não pretende aplicar medidas de reciprocidade enquanto o diálogo estiver em andamento.


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Mundo Política

O discurso de Trump na ONU explica por que ele é desaprovado por quase 70% da população norte americana

O discurso de Donald Trump na ONU, nesta terça-feira (22), ajuda a entender o desgaste de sua imagem dentro dos próprios Estados Unidos. Em vez de apresentar uma mensagem voltada à cooperação internacional, Trump voltou a apostar em ameaças, confrontos e na exaltação de sua própria atuação, defendendo inclusive sua decisão de iniciar a guerra contra o Irã.

O discurso de Trump na ONU explica por que sua aprovação desabou nos Estados Unidos

O discurso de Donald Trump na ONU foi mais uma demonstração de um estilo político baseado no confronto permanente, na ameaça e na exaltação de si próprio. Diante do mundo, o presidente americano voltou a apresentar-se como protagonista absoluto dos acontecimentos, defendendo guerras, ameaçando adversários e tratando a diplomacia internacional como extensão de sua política doméstica.

Trump falou como se os Estados Unidos fossem uma potência autorizada a impor sua vontade ao restante do planeta. Em vez de uma mensagem de cooperação, predominou a lógica do enfrentamento: Irã, Cuba, Venezuela, imigração, ONU e até organismos internacionais foram transformados em alvos de sua retórica.

Mas existe um detalhe que torna esse discurso ainda mais revelador: ele acontece justamente quando a popularidade de Trump despenca entre os próprios americanos.

A Reuters/Ipsos aponta para quase 70% de desaprovação. É o pior índice registrado para Trump ao longo de sua carreira política. Até entre republicanos houve queda importante: a aprovação dentro do próprio partido recuou para 73%.

Ou seja, o problema não está apenas fora dos Estados Unidos. Uma parcela cada vez maior da população americana parece estar cobrando aquilo que Trump prometeu entregar: redução do custo de vida, estabilidade econômica e menos envolvimento em guerras.

E é justamente aí que o discurso da ONU se torna emblemático. Enquanto os americanos enfrentam preocupações com preços, combustível e custo de vida, Trump continua oferecendo ao mundo uma política marcada pelo conflito e pela demonstração de força.

A ONU deveria ser um espaço para discutir paz, cooperação e soluções coletivas. Trump transformou sua tribuna em mais um palanque para reafirmar sua política de confronto.

Talvez seja exatamente essa distância entre o discurso grandioso do presidente e as preocupações concretas da população que ajude a explicar o tamanho de sua rejeição.

Trump fala cada vez mais alto para o mundo, enquanto uma parcela cada vez maior dos americanos parece estar dizendo, nas pesquisas, que não quer ouvir.


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Ao vivo: Assista ao discurso de Lula na ONU

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Brasil Mundo

ONU recebe alerta sobre ingerência dos EUA na eleição no Brasil

Às vésperas da ida de Lula para NY, Instituto Vladimir Herzog pediu que ONU conclame países a reconhecer resultado da eleição brasileira

A ONU recebeu neste fim de semana alertas com relação às possíveis ingerências dos EUA contra as eleições no país. O documento, encaminhado pelo Instituto Vladimir Herzog, chega ao gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para participar, em Nova York, da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Cópias ainda foram enviadas para o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk.

No texto, obtido com exclusividade pelo ICL Notícias, a entidade de direitos humanos no Brasil faz um relato detalhado dos episódios de ataque contra a democracia do país por parte do governo de Donald Trump. O documento também revela como a Abin chegou a soar o alerta em relação à ingerência.

A carta faz parte de uma ação coordenada por parte de diferentes movimentos da sociedade civil para mobilizar a comunidade internacional para reconhecer o resultado da eleição brasileira. O temor é de que, numa eventual vitória de Lula, o governo Trump e seus aliados de extrema direita se recusem a aceitar o resultado das urnas.

O objetivo da carta, portanto, é o de soar o alerta na mais alta instância da ONU e pedir que Guterres conclame países a reconhecer o resultado da eleição no Brasil.

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, revela que, entre 20 e 24 de julho deste ano, participou da Delegação da Sociedade Civil Brasileira em Defesa das Eleições e da Democracia, recebida em Washington e Nova York e integrada por quinze organizações brasileiras.

“Reunimo-nos com congressistas democratas e republicanos, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, diplomatas e organizações da sociedade civil”, disse Sottili. “Voltamos dessa última missão com uma preocupação ainda maior”, constatou.

“Entendemos que já existem sinais concretos de uma dinâmica de ingerência externa sobre o processo político e eleitoral brasileiro e de uma tentativa de condicionar decisões soberanas tomadas por nossas instituições”, disse.

A questão de um eventual não reconhecimento do pleito no Brasil foi um dos aspectos alertados:

“Mais grave ainda: tememos que, caso essas pressões não produzam o resultado político pretendido antes da eleição, possam ser sucedidas por uma estratégia destinada a desacreditar o pleito, questionar sua legitimidade, retardar seu reconhecimento internacional e produzir instabilidade política depois da votação”, alertou o diretor.

O pacote de medidas tomado pelos EUA contra o Brasil, segundo a carta, “reúne várias características associadas às formas contemporâneas de coerção e guerra híbrida”.

“Em nossa avaliação, existe um risco que precisa ser considerado seriamente: que essas ferramentas sejam utilizadas para influenciar o ambiente eleitoral brasileiro em benefício de atores politicamente alinhados à administração estadunidense e que, caso o resultado das urnas seja contrário a essa expectativa, a estratégia se desloque para uma segunda etapa — a alegação de fraude, a deslegitimação das instituições e o eventual não reconhecimento do resultado”, disse.

O não reconhecimento internacional da eleição, segundo a entidade, é “particularmente perigoso”. “A proclamação do resultado eleitoral brasileiro é uma atribuição soberana das instituições brasileiras e sua validade não depende da chancela de nenhum governo estrangeiro”, disse.

“Entretanto, a experiência de 2022 mostrou que o reconhecimento internacional rápido contribuiu para reduzir o espaço político das narrativas de fraude e de ruptura institucional”, apontou o documento,.

O alerta do Instituto é de que, em 2026, “o silêncio, a hesitação ou o questionamento coordenado do resultado por governos estrangeiros podem produzir o efeito inverso: alimentar redes de desinformação, oferecer legitimidade externa à contestação interna e prolongar artificialmente um conflito eleitoral”.

“Por isso, entendemos como medida concreta e preventiva que todos os países reconheçam imediatamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor”, pediu a entidade.

O grupo pede a Guterres que atue em cinco frentes:

Reafirmar publicamente os princípios da soberania, da não intervenção e do direito exclusivo do povo brasileiro de escolher livremente seus governantes;
Conclamar os Estados-membros das Nações Unidas a respeitar prontamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor;
Acompanhar, dentro dos mandatos pertinentes do Sistema das Nações Unidas, sinais de ingerência externa, manipulação informacional transnacional e pressões sobre as instituições democráticas brasileiras;
Defender a independência, a autonomia técnica e a integridade das missões internacionais oficialmente credenciadas para acompanhar o pleito;
Desencorajar o uso de instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou securitários destinados a condicionar o processo eleitoral de um Estado soberano.
A carta é concluída com um alerta do papel que o país desempenha na defesa da democracia no mundo.

“O que está em risco não concerne somente ao Brasil. Se uma potência puder condicionar negociações econômicas à participação de determinados atores políticos nas eleições de outro país, utilizar sanções contra suas autoridades, interferir na disputa sobre suas instituições e, ao final, decidir politicamente se reconhecerá ou não a escolha soberana de sua população, estaremos diante de uma situação que ameaça a todas as nações e aos próprios princípios sobre os quais se construiu a ordem multilateral”, alerta.

“Para o Instituto Vladimir Herzog, defender as eleições brasileiras significa defender um princípio universal: nenhum povo deve ter sua escolha democrática condicionada pela vontade, pela pressão econômica ou pelo poder político de outro Estado”, insiste.

“A democracia brasileira não diz respeito apenas ao Brasil: o que acontecer aqui repercutirá sobre a força, a credibilidade e o futuro da democracia em todo o mundo”, completou.

Violações de Direitos Humanos
Já na carta para Volker Turk, alto comissário para Direitos Humanos, a entidade brasileira faz os seguintes pedidos:

  • Reafirmar publicamente a importância de proteger o direito do povo brasileiro de participar livremente dos assuntos públicos e de expressar sua vontade por meio de eleições genuínas, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos;
  • Acompanhar de perto, no âmbito do mandato do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, as implicações para os direitos humanos decorrentes de ingerência externa, manipulação transnacional da informação e pressões externas sobre as instituições eleitorais e judiciais brasileiras antes, durante e após as eleições de 2026;
  • Manter diálogo, quando apropriado, com o governo brasileiro e com outros governos relevantes a respeito de ações que possam comprometer a participação política, a independência das instituições, o espaço cívico ou a livre expressão da vontade dos eleitores brasileiros;
  • Incentivar os mecanismos pertinentes de direitos humanos das Nações Unidas e as estruturas regionais do Alto Comissariado a permanecerem atentos a acontecimentos que possam afetar os direitos políticos, a liberdade de expressão, a independência do Poder Judiciário, os defensores de direitos humanos, jornalistas e a sociedade civil durante o período eleitoral;
  • Ressaltar publicamente que instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou de segurança não devem ser utilizados de maneira a interferir no exercício dos direitos políticos ou comprometer a integridade de um processo democrático soberano.
  • Considerar a emissão de um pronunciamento público alertando para os riscos que eventuais formas de ingerência externa podem representar para o exercício dos direitos políticos e para a integridade do processo eleitoral brasileiro, reafirmando a importância de que a vontade dos eleitores possa ser formada e expressa livremente, sem coerção, manipulação ou pressões externas, e conclamando todos os atores nacionais e internacionais a respeitar os direitos humanos, a independência das instituições democráticas e o resultado oficialmente proclamado pelas autoridades eleitorais brasileiras.

No documento, a entidade insiste que “a ingerência externa em um processo eleitoral não constitui apenas uma ameaça à soberania de um Estado. Ela pode afetar diretamente o exercício de direitos humanos internacionalmente protegidos, em particular o direito de participar dos assuntos públicos e de escolher livremente seus representantes”.

“Pressões econômicas ou diplomáticas, campanhas de desinformação, tentativas de desacreditar instituições eleitorais e judiciais ou ações destinadas a condicionar a participação de atores políticos podem comprometer a livre formação e expressão da vontade dos eleitores. Podem também produzir efeitos mais amplos sobre a liberdade de expressão, o espaço cívico, a independência das instituições e a atuação de jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil. É, portanto, também sob a perspectiva do direito internacional dos direitos humanos que entendemos ser necessário avaliar os riscos atualmente enfrentados pelo processo eleitoral brasileiro”, completa.

*Jamil Chade/ICL


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ONU denuncia projeto bolsonarista contra meninas

Documento obtido pelo ICL Notícias revela preocupação de relatores da ONU com o impacto do PL da Pedofilia, defendido por bolsonaristas

Numa carta sigilosa enviada ao governo brasileiro, relatores e órgãos da ONU denunciaram a aprovação de um projeto que dificulta a realização de abortos em crianças e adolescentes vítimas de estupro. Chamado de PDL da Pedofilia e do Estupro por movimentos sociais, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2025), cancela a Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e foi liderado por parlamentares bolsonaristas.

Para os relatores da ONU, o ato liderado por bolsonaristas vai abalar o direito de meninas e mulheres, principalmente as mais vulneráveis. A carta, de 27 de julho e obtida com exclusividade pelo ICL Notícias, desmonta a narrativa da campanha de Flávio Bolsonaro de que o candidato à presidência privilegia a defesa dos interesses das mulheres. O tom usado pela extrema direita vem num momento em que o voto das milhões de brasileiras será estratégico para a eleição de outubro.

O PDL 3/2025 é de autoria da deputada Chris Tonietto (PL/RJ) e foi aprovado na Câmara de Deputados em novembro do ano passado. Mais recentemente, em votação relâmpago e esvaziada, o Senado aprovou a proposta em um procedimento que durou dois minutos.

Na carta, as autoridades estrangeiras expressam “profunda preocupação” com o fato de que a aprovação “possa representar um retrocesso na proteção dos direitos à saúde sexual e reprodutiva, enfraquecer mecanismos de coordenação e proteção voltados especificamente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade acentuada e eliminar salvaguardas já estabelecidas sem oferecer medidas compensatórias ou alternativas equivalentes”.

O documento é assinado por Claudia Flores, Presidente-Relatora do Grupo de Trabalho sobre a discriminação contra mulheres e meninas; Isabelle Mamadou, Presidente-Relatora do Grupo de Trabalho de Especialistas sobre Afrodescendentes; Morris Tidball-Binz, Relator Especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias; Tlaleng Mofokeng, Relatora Especial sobre o direito de todas as pessoas ao mais alto padrão possível de saúde física e mental; Ashwini K.P., Relatora Especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata; Alice Jill Edwards, Relatora Especial sobre tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes.

A lei avança apesar de números reveladores sobre a dimensão da violência contra meninas no Brasil. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, 64 meninas em média foram vítimas de violência sexual, por dia, no país. Somente no ano de 2024 foram registrados 45.435 casos de violência contra meninas com menos de 17 anos, uma média de 3,78 mil notificações por mês.

“Preocupa-nos que isso possa resultar em lacunas significativas na prestação de serviços, incoerência, incerteza institucional e fragmentação nas respostas a casos de violência sexual, agravando, assim, desigualdades regionais, territoriais e raciais”, alertam.

“Tal medida também pode impedir o acesso oportuno ao atendimento para as vítimas e levar à vitimização secundária decorrente de barreiras burocráticas no acesso aos serviços”, destacam.

“Por fim, manifestamos preocupação com o fato de que o processo legislativo que culminou na aprovação do PDL nº 3/2025 teria sido marcado pela ausência de devido processo legal, transparência e amplo debate público”, disseram.

Segundo eles, a aprovação do PDL nº 3/2025 pode violar princípios como o do melhor interesse da criança, da não discriminação, da autonomia progressiva e da proibição de medidas de retrocesso no campo dos direitos humanos, bem como padrões internacionalmente acordados relativos à dignidade e aos direitos de mulheres e meninas, incluindo o direito a viver livre de violência e de não ser submetida à tortura ou a tratamento cruel, desumano ou degradante.

De acordo com a carta, esses direitos são protegidos por acordos internacionais assinados e ratificados pelo Brasil.

A ONU desta que a resolução nº 258/2024, que foi abolida, não criou novas hipóteses de aborto legal. “Em vez disso, estabeleceu diretrizes para garantir que crianças e adolescentes pudessem acessar a proteção assegurada pelo ordenamento jurídico brasileiro”, explicaram os relatores.

“A norma contribuiu para o planejamento, a gestão e a organização dos serviços e redes que atuam na proteção de crianças e adolescentes, fortalecendo a articulação institucional entre estados e municípios e apoiando uma resposta mais eficaz à violência sexual contra esse público. Entre os principais avanços trazidos pela Resolução está o respeito ao princípio das capacidades em evolução, ao reconhecer o direito de crianças e adolescentes de participarem de decisões sobre seus direitos reprodutivos, conforme estabelecido pela Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança”, disseram.

A denúncia da ONU ainda aponta para a manobra que foi usada por parte de parlamentares bolsonaristas para que o projeto fosse aprovado, sem espaço para debates.

“Em 2 de junho de 2026, o PDL foi incluído na pauta da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania do Senado, a única comissão temática encarregada de analisar a proposta naquela Casa”, disse a carta, numa referência à comissão liderada por Damares Alves.

“Não houve, segundo relatos, a realização de audiência pública com ampla representação de organizações especializadas na proteção dos direitos da criança, associações médicas, especialistas em saúde pública, representantes de sistemas de proteção à infância ou sobreviventes de violência sexual antes da deliberação final sobre a matéria”, afirmou.

“Também não foram consultadas, segundo informações, as organizações que participaram da elaboração da Resolução nº 258/2024 nem as instituições responsáveis ​​por sua implementação”, insistiu a carta.

“O PDL foi aprovado por unanimidade pela Comissão naquela mesma manhã. À tarde, o projeto foi incluído na pauta do Plenário do Senado, com apenas sete senadores presentes fisicamente e a maioria participando remotamente. A matéria foi aprovada em menos de dois minutos, sem votação nominal que registrasse individualmente a posição de cada parlamentar. O PDL não dependia de sanção presidencial e, portanto, tornou-se definitivo, revogando a Resolução nº 258/2024”, constatou.

Para a ONU, o Brasil tem a “obrigação” de “respeitar, proteger e efetivar o direito das mulheres à não discriminação, bem como a assegurar o desenvolvimento e o avanço das mulheres e a implementar o seu direito à igualdade de jure e de facto em relação aos homens”.

Por isso, na carta, os relatores manifestam “preocupação de que a aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025 deixaria, entre outras consequências, as vítimas de violência sexual sujeitas às decisões de seus responsáveis ​​legais, mesmo quando estas conflitassem com o melhor interesse da criança ou, nos piores casos, quando os próprios responsáveis ​​estivessem envolvidos na violência sexual”.

“Como resultado, uma criança poderia ser forçada a levar a termo uma gravidez decorrente de estupro, caso esse fosse o desejo de seus responsáveis ​​legais”, alertam.

Na avaliação da ONU, a aprovação do projeto “pode enfraquecer as proteções a crianças e adolescentes e afetar desproporcionalmente meninas e jovens mulheres negras, indígenas e quilombolas em situação de vulnerabilidade social, bem como aquelas que vivem em periferias urbanas e áreas rurais”.

“Além disso, pode prejudicar os esforços para acabar com a discriminação e a violência contra elas, devido a desigualdades estruturais preexistentes no acesso a cuidados de saúde, à justiça e a políticas de proteção”, insistem.

Por fim, os relatores falam da “preocupação de que a revogação da Resolução nº 258/2024 possa comprometer a proteção do direito à vida de crianças e adolescentes, ao eliminar diretrizes de âmbito nacional destinadas a facilitar o acesso oportuno e eficaz a cuidados de saúde em circunstâncias já reconhecidas pela legislação brasileira, incluindo casos em que a gravidez representa risco de vida para a criança ou adolescente gestante”.

*Matéria publicada com exclusividade por Jamil Chade no ICL


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Brasil Política

Bolsa Família faz Brasil alcançar o maior IDH da história, diz ONU

Apesar do diagnóstico de Luciano Huck, que disse que o Bolsa Família é “ineficiente” e “não gera nenhum tipo de estímulo” para os beneficiários, o programa teve um papel importante para que o Brasil alcançasse o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de sua história. O resultado foi divulgado nesta terça (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da ONU responsável pelo estudo.

Pela primeira vez, o país atingiu a faixa de desenvolvimento humano muito alto. O IDH brasileiro passou de 0,744, registrado em 2012, para 0,805 em 2024. Entre os três componentes que formam o indicador (saúde, educação e renda), o segundo foi o que apresentou o maior avanço no período analisado.

O indicador educacional saltou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, deixando de ser o pior componente do índice e tornando-se o segundo melhor resultado nacional. Para a economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, parte desse avanço está diretamente ligada às políticas públicas implementadas nas últimas décadas.

“Eu vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira, que começou fortemente no início do século 21, e que começa a produzir efeitos, dez anos depois. É aí que há essa observação dos indicadores de educação que avançam”, afirmou a pesquisadora, que participou da elaboração do relatório.

Segundo Barbosa, as regras do Bolsa Família que condicionam o recebimento do benefício à matrícula e à frequência escolar das crianças e adolescentes estão entre os fatores centrais para a melhora dos indicadores.

Atualmente, beneficiários de 4 a 6 anos incompletos precisam manter frequência mínima de 60%, enquanto aqueles entre 6 e 18 anos incompletos devem atingir ao menos 75%.

A análise do PNUD mostrou que os maiores avanços educacionais ocorreram justamente entre as faixas de renda mais baixas da população. “Quando a gente desagrega os dados por décimo de renda, ou seja, os 10% mais pobres, depois os 20% mais pobres, [onde há maior] importância desses programas: nesses décimos de renda é onde você vê a melhoria dos indicadores de educação, nesse período”, explicou.

Para a economista, o programa contribui para afastar crianças e adolescentes do trabalho precoce e garantir sua permanência na escola. “É o programa Bolsa Família que retira uma quantidade enorme de crianças do mundo do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também de, estar na escola, porque senão esse programa é interrompido”, apontou.

*DCM


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Mundo

Paz mundial vive ‘grave ameaça’, alerta chefe da ONU

Guterres faz apelo para que governos voltem para a mesa de negociação

Num discurso neste sábado no Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, soou o alerta: a paz e a segurança internacional estão ameaçadas diante dos ataques no Irã.

O chefe da entidade lamentou o fato de que os ataques contra o Irã ocorreram, mesmo com reuniões diplomáticas tendo sido agendadas para ocorrer em Viena na próxima semana.

Guterres condenou tanto os ataques dos EUA e Israel, quanto a resposta por parte de Teerã. Ele ainda fez um apelo para que os governos voltem à mesa negociadora.

“A ação militar está se expandindo rapidamente por toda a região, criando uma situação cada vez mais volátil e imprevisível e aumentando o risco de erros de cálculo”, alertou.

Leia a declaração completa:

Hoje, abordarei diretamente três áreas: os princípios, os fatos e a solução.

Primeiro, os princípios.

A Carta da ONU fornece a base para a manutenção da paz e da segurança internacionais.

O Artigo 2 da Carta afirma claramente: “Todos os Membros devem abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.”

O direito internacional e o direito internacional humanitário devem sempre ser respeitados.

É por isso que, desde esta manhã, condenei os ataques militares maciços dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Também condenei os ataques subsequentes do Irã, que violaram a soberania e a integridade territorial do Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Estamos testemunhando uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais.

A ação militar acarreta o risco de desencadear uma série de eventos que ninguém pode controlar na região mais volátil do mundo.

Deixe-me ser claro:

Não há alternativa viável à solução pacífica de disputas internacionais. A paz duradoura só pode ser alcançada por meios pacíficos, incluindo diálogo genuíno e negociações.

Em segundo lugar, os fatos.

A situação no terreno é muito instável.

Há muitos relatos não confirmados.

Eis o que sabemos.

Cerca de 20 cidades em todo o Irã — incluindo Teerã, Isfahan, Qom, Shahriar e Tabriz — teriam sido atacadas.

Em Teerã, grandes explosões foram relatadas no distrito que inclui o palácio presidencial e a residência do Líder Supremo.

Vários altos funcionários teriam sido mortos, incluindo — segundo fontes israelenses — o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, informação que não posso confirmar.

O espaço aéreo iraniano foi fechado e o país está sob um bloqueio de internet quase total.

Os ataques teriam causado um número significativo de vítimas civis.

Segundo a mídia iraniana, um ataque aéreo matou pelo menos 85 pessoas e feriu muitas outras em uma escola feminina em Minab, província de Hormogan.

Uma escola em Teerã também teria sido atingida, causando duas mortes.

A ação militar está se expandindo rapidamente por toda a região, criando uma situação cada vez mais volátil e imprevisível e aumentando o risco de erros de cálculo.

De acordo com fontes israelenses, 89 pessoas ficaram feridas nos ataques subsequentes do Irã contra Israel, e também houve impactos na Cisjordânia ocupada.

O Irã anunciou que, em reação aos ataques aéreos dos EUA e de Israel, atacou alvos militares americanos na região.

Esses ataques teriam atingido áreas civis e infraestrutura nos países que já mencionei.

Também foram relatados impactos indiretos de destroços no Líbano e na Síria.

A maioria dos países do Golfo interceptou com sucesso os ataques iranianos.

No entanto, os Emirados Árabes Unidos relataram que um civil foi morto por destroços de um míssil interceptado.

No Iraque, há relatos de ataques com drones e mísseis de ambos os lados. Há também relatos de que o Irã está fechando o Estreito de Ormuz para a navegação internacional.

Os ataques dos EUA e de Israel ocorreram após a terceira rodada de negociações indiretas entre os EUA e o Irã, mediadas por Omã.

Estavam sendo feitos preparativos para conversas técnicas em Viena na próxima semana, seguidas por uma nova rodada de conversas políticas.

Lamento profundamente que esta oportunidade diplomática tenha sido desperdiçada.

Em terceiro lugar, a região e o mundo precisam de uma saída agora.

Apelo à desescalada e à cessação imediata das hostilidades.

A alternativa é um potencial conflito mais amplo com graves consequências para os civis e para a estabilidade regional.

Exorto veementemente todas as partes a retornarem imediatamente à mesa de negociações, principalmente em relação ao programa nuclear iraniano.

Observo que o Presidente dos EUA teria conversado com líderes da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã teria conversado com seus homólogos nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e no Iraque.

Tudo deve ser feito para evitar uma escalada ainda maior.

Para esse fim, apelo a todos os Estados-Membros para que cumpram rigorosamente as suas obrigações ao abrigo do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, para respeitar e proteger os civis em conformidade com o direito internacional humanitário e para garantir a segurança nuclear.

Vamos agir — com responsabilidade e em conjunto — para afastar a região, e o nosso mundo, da beira do abismo.

Obrigado.

*Jamil Chade/ICL


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