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Vorcaro editava textos do Metrópoles antes de irem ao ar

Polícia Federal encontra mensagens em que Daniel Vorcaro edita reportagens e sugere pautas ao portal Metrópoles

A Polícia Federal (PF) descobriu, no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mensagens que comprovam que a cúpula do portal Metrópoles submetia reportagens ao empresário antes da publicação, atendia a pedidos de edição nos textos e sugeria pautas de interesse dele. A interlocução direta era feita com a CEO do grupo Metrópoles, Lilian Tahan, e começou em 2024, mesmo ano em que o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o site. Entenda a ligação entre Vorcaro e Metrópoles com a TVT News.

  • Entenda: Lilian Tahan, CEO do Metrópoles, enviava textos a Vorcaro antes da publicação
  • Daniel Vorcaro agia como editor do site Metrópoles: pelo menos 14 textos foram enviados previamente ao ex-banqueiro, e 11 deles sofreram alterações após seus pedidos.
  • Quem é Lilian Tahan: CEO do Grupo Metrópoles desde setembro de 2015, é a interlocutora direta de Vorcaro nas mensagens obtidas pela PF.
  • O que a Polícia Federal descobriu: diálogos mostram Vorcaro determinando como os textos deveriam ser publicados, pedindo para retirar menções a empresas e até vetando a publicação de reportagens.
    Master Jornalismo: as mensagens também revelam a relação de Vorcaro com o diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, Frederic Kachar, que foi demitido após a repercussão das conversas.
    Daniel Vorcaro editava textos e sugeria reportagens do Metrópoles
    As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal mostram uma relação de interferência editorial direta entre o ex-banqueiro e a CEO do Metrópoles, Lilian Tahan.

Em um dos episódios, no dia 2 de abril de 2025, ao debater rumores de que o BTG teria feito uma proposta de pela compra de ativos do Master, Vorcaro enviou um desmentido oficial e determinou como o texto deveria ser publicado: “Mas tem que ser um jeito que nãp pareça que não tem interesse. So desmentir quem falou que tinha proposta de 1 real”. Tahan respondeu prontamente: “Tiramos”.

Em outra troca, Vorcaro sugeriu alterações para inflar os números do banco em uma reportagem que comparava os balanços do BRB e do Master. “Carteira credito do master é maior. Pois tem que pegar as carteiras dos fundos”, escreveu ele, repassando o número de R$ 52 bilhões. A jornalista acatou a mudança e publicou o texto com a alteração.

lilian-tahan-vorcaro-metropoles-mensagens-pf-policia-federal-banco-masterReprodução de mensagens obtidas por veículos de imprensa que trazem o que seriam as trocas de mensagens entre Lilian Tahan, CEO do Grupo Metrópoles, e Daniel Vorcaro – Imagem: Reprodução

lilian-tahan-vorcaro-metropoles-mensagens-pf-policia-federal-banco-masterReprodução de mensagens obtidas por veículos de imprensa que trazem o que seriam as trocas de mensagens entre Lilian Tahan, CEO do Grupo Metrópoles, e Daniel Vorcaro – Imagem: Reprodução

O poder de veto do ex-banqueiro sobre as matérias também ficou evidente. No dia 27 de maio de 2025, ao receber uma prévia de uma reportagem sobre a compra de ativos bilionários do Master pelo BTG Pactual, Vorcaro ordenou: “Pode retirar hapvida do texto?”. Tahan obedeceu (“Claro”) e a matéria foi publicada sem a menção à empresa.

Quem é Lilian Tahan
Lilian Tahan é CEO do Grupo Metrópoles desde setembro de 2015. Formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, ela trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília antes de assumir o comando do portal.

Segundo as mensagens obtidas pela PF, Tahan era quem se comunicava diretamente com Vorcaro, atendia a seus pedidos, marcava reuniões presenciais e intermediava encontros com o dono do Metrópoles, o ex-senador Luiz Estevão.

O que Lilian Tahan disse sobre as mensagens com Vorcaro
Em nota, Lilian Tahan afirmou que “checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário”. Ela também negou que o contrato de publicidade do Master com o Metrópoles tivesse relação com a cobertura de interesse do banco: “Basta ver a quantidade de matérias publicadas pelo Metrópoles expondo a situação das empresas de Vorcaro, tais como Banco Master, Ambipar, Fictor, Oncoclínicas dentre outras”.

Vorcaro também agia no Grupo Globo
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro não se restringem ao Metrópoles. A PF também encontrou conversas entre o ex-banqueiro e o então diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, Frederic Kachar, e com o apresentador Luciano Huck.

mensagens-encontradas-pela-pf-mostram-relacao-comercial-e-pessoal-entre-apresentador-e-ex-dono-do-banco-master-huck-contesta-sociedade-em-aeronave-foto-dados-obtidos-pela-pf-no-celular-de-vorcaro-divulgacao-lilian-tahan-vorcaro-metropoles-mensagens-pf-policia-federal-banco-masterMensagens encontradas pela PF mostram relação comercial e pessoal entre apresentador e ex-dono do Banco Master; Huck contesta sociedade em aeronave. Foto: Dados obtidos pela PF no celular de Vorcaro/DivulgaçãoCom Huck, as mensagens revelam uma relação de amizade e negócios.

O apresentador atuou como conselheiro de Vorcaro e chegou a escrever: “Você merece sair inteiro desta turbulência toda”. A parceria de mídia entre os dois, envolvendo o patrocínio do Will Bank ao programa Domingão com Huck.

*TVTNews


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Não é mérito: PF analisa suspeita de interferência e financiamento estrangeiro no país

Apuração da PF foi iniciada a partir de representação encaminhada pela AGU

A Polícia Federal abriu um procedimento prévio de investigação para analisar suspeitas de interferência e financiamento externo no país. A apuração foi iniciada a partir de uma representação encaminhada pela AGU (Advocacia-Geral da União) e está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da corporação.

Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o procedimento ainda não resultou formalmente na instauração de um inquérito policial. Nesta fase, a corporação analisa as informações recebidas para avaliar os próximos passos da investigação.

“Já é uma investigação em andamento, mas ainda não foi instaurada a portaria do inquérito policial. Há um procedimento prévio e que fazemos que é natural em todos os processos”, disse neste domingo (4) em visita ao trabalho no CICCN (Centro Integrado de Comando e Controle Nacional).

Andrei afirmou que essa apuração é independente de um inquérito instaurado pela PF após o recebimento de informações dos Estados Unidos sobre possíveis riscos a instalações diplomáticas americanas no Brasil. As duas frentes, porém, poderão ser conectadas caso surjam elementos correlacionados durante as investigações.

No caso envolvendo a representação americana, a PF já instaurou um inquérito policial. Na sexta-feira (2), a corporação cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um em São Paulo e outro no entorno do Distrito Federal, para investigar um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos.

As buscas, no entanto, não encontraram elementos que indiquem a existência de um plano concreto ou risco imediato contra as instalações diplomáticas. A investigação continuará com a análise dos materiais apreendidos.

A conferir.

*ICL


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Pau de galinheiro: Como emendas de Flávio Bolsonaro financiaram ONGs fantasmas

Emendas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) financiaram pagamentos a uma entidade classificada pela Receita Federal como “inexistente de fato” e a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de fraude em licitações de equipamentos balísticos. Desde 2020, o parlamentar teve mais de R$ 300 milhões reservados no Orçamento federal para indicações de recursos.

O candidato à Presidência afirmou ao Uol que ele e sua equipe não indicam empresas para receber os valores. “A atuação do gabinete limita-se às atribuições institucionais relacionadas à indicação das emendas”, disse, acrescentando que as contratações cabem aos beneficiários e que eventuais irregularidades devem ser apuradas por órgãos de controle.

Em 2024, o senador destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica de saúde de Mesquita, município do Rio de Janeiro governado pelo PL. Desse total, R$ 666 mil foram pagos em agosto de 2025 ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP).

A Receita Federal enquadrou o IMP em junho de 2026 como “inexistente de fato”. Em documento, o órgão apontou razões que indicariam que a empresa foi constituída para a prática de fraude fiscal, inclusive em benefício de terceiras empresas.

Jorge Miranda, prefeito de Mesquita (RJ) até 2024, ao lado de Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

TCE-RJ apontou suspeitas em contratos do IMP com Mesquita
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro acompanha a atuação do instituto desde 2024. Mesquita firmou contratos que superaram R$ 580 milhões com a entidade entre 2019 e o fim de 2024 para a gestão da saúde pública. Em acórdão de 2025, o tribunal citou ausência de estudos técnicos antes da transferência da gestão e indícios de conluio na concorrência vencida pelo IMP.

O acórdão também registrou que uma pessoa que assinava documentos da entidade havia morrido em 2017. A Prefeitura de Mesquita declarou o instituto inidôneo por dois anos, rescindiu os contratos e aplicou multa de R$ 3 milhões após processo administrativo. A administração municipal informou que encaminhou o caso ao Ministério Público e disse que manteve os serviços temporariamente para evitar interrupção no atendimento à população.

Recursos indicados por Flávio também entraram em convênios do Governo do Rio de Janeiro que pagaram R$ 569 mil à Glágio do Brasil e R$ 1,1 milhão à Inbra-Tecnologia. As empresas foram alvo da Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2023, que apura suspeitas de divisão de contratos públicos de proteção balística e alternância de vitórias em licitações.

Outras destinações do senador também passaram a ser questionadas por órgãos de controle ou investigações jornalísticas. Uma emenda de R$ 4 milhões para projeto esportivo ligado ao Vasco entrou na mira da Controladoria-Geral da União (CGU), enquanto outra, de R$ 200 mil para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, foi discutida por Robson Calixto, o Peixe.

Calixto, conhecido miliciano do Rio de Janeiro, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, em mensagens com uma assessora de Flávio. Em Resende, nove pagamentos à empresa Valle Sul somaram R$ 6,61 milhões para obras no aeroporto municipal.

*DCM


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Luciano Huck e Vorcaro trocaram mensagens sobre negócios, aviões e articulações na Globo, diz revista

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram uma relação próxima entre o banqueiro e o apresentador Luciano Huck, com negócios, encontros, empréstimos de aeronaves e troca de favores. As informações foram divulgadas pela coluna Radar, da revista Veja.

As conversas mostram que os dois mantinham contato desde 2023. Em novembro daquele ano, após um encontro, Huck escreveu: “Bom te encontrar pessoalmente hoje. Nos devemos um papo. Abração”. Vorcaro respondeu: “Fala, amigo. Bom demais te ver”.

A relação também envolveu negócios. Vorcaro, por meio do Will Bank, fechou uma parceria de mídia com o programa “Domingão com Huck”. Em uma das mensagens, o apresentador menciona R$ 83 milhões em mídia para a Globo e R$ 26 milhões em um contrato pessoal.

Huck e Vorcaro também tinham sociedade em um avião Gulfstream G550. Em fevereiro de 2024, o apresentador escreveu ao banqueiro: “Estou buscando um sócio para o G550. Se te interessar, bora falar”. Vorcaro respondeu: “Vamos conversar”.

O apresentador também recorreu a aeronaves de Vorcaro para viagens. Segundo as mensagens, um avião foi utilizado por Huck para chegar a Canoas (RS), durante a tragédia climática de 2024, e outro para uma viagem a Varsóvia, na Polônia, onde entrevistou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

As conversas mostram ainda Huck auxiliando Vorcaro em negociações com a Globo. Em outubro de 2024, após um jantar, o apresentador escreveu: “Valeu pelo jantar e, principalmente, pela conversa e confiança”. Na mesma mensagem, afirmou estar acompanhando as tratativas com a emissora.

A proximidade também era pessoal. Huck convidou Vorcaro para uma pizza em sua casa com o ex-jogador Ronaldo Nazário, o Ronaldo Fenômeno, e escreveu: “Precisamos começar a construir esta candidatura à CBF”.

Em 2025, enquanto o Banco Master enfrentava dificuldades, Huck continuou demonstrando apoio ao banqueiro. “Quero entender como as coisas estão andando e onde está sua cabeça. E, obviamente, se posso ajudar em alguma frente”, escreveu. Em outra conversa, afirmou: “Estou com você em qualquer frente”.

A última mensagem citada pela Veja foi enviada em 17 de novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro. Após a notícia sobre uma suposta venda do Banco Master, Huck escreveu: “Vi a boa notícia da compra do Master agora no JN. Muito bom. Congrats. Você merece sair inteiro desta turbulência toda”.

Vorcaro foi preso naquela noite, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava deixar o país.

Luciano Huck ainda não se manifestou sobre as mensagens.

*ICL


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A TRILHA DO BILHÃO: Como a previdência do Rio financiou o filme de Bolsonaro antes do colapso de um banco

Por trás das telas de cinema e dos discursos de moralidade, a Polícia Federal e o Coaf desenterraram uma das engrenagens mais agressivas de troca de favores da história recente do Rio de Janeiro. Não se trata de palpite: os relatórios financeiros desenham uma linha reta que liga o dinheiro da aposentadoria do servidor público fluminense diretamente às contas de um filme biográfico de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

O roteiro do golpe é cirúrgico. De um lado, órgãos públicos do Estado do Rio de Janeiro — controlados por aliados políticos da família Bolsonaro — injetaram mais de R$ 1 bilhão em fundos e ativos geridos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Autarquias como o Rioprevidência e a Cedae viraram autênticos caixas eletrônicos para a instituição financeira.

Enquanto o dinheiro público entrava pela porta da frente do banco, o senador Flávio Bolsonaro operava nos bastidores. Mensagens interceptadas pela PF revelam o “filho zero um” cobrando Vorcaro agressivamente por parcelas de um patrocínio milionário. O objetivo? Financiar a cinebiografia Dark Horse, feita para exaltar seu pai.

Das tratativas que miravam R$ 134 milhões (US$ 24 milhões), o Coaf rastreou que pelo menos R$ 61 milhões cruzaram a fronteira. O dinheiro carimbado pelo banco de Vorcaro abasteceu o fundo Havengate, no Texas, sob os olhos atentos de Eduardo Bolsonaro. Flávio cobrava os repasses do filme com a urgência de quem sabia que o tempo estava acabando.

E acabou. Enquanto os milhões evaporavam para a produção cinematográfica no exterior, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, deixando um rombo estimado em R$ 12 bilhões e lesando mais de 800 mil clientes. Daniel Vorcaro foi preso. Os fundos de pensão do Rio ficaram com o prejuízo de papéis que hoje valem poeira.

A defesa de Flávio Bolsonaro se apressa em dizer que a captação para o filme foi uma “operação estritamente privada” e chama a investigação de perseguição política. Uma desculpa que esbarra na matemática dos fatos. O que a PF e o STF investigam agora não é uma coincidência cósmica, mas sim o crime de lavagem de dinheiro e corrupção: o bilhão público que entrou no banco foi a moeda de troca para os 61 milhões que saíram para o filme?

O pagador de impostos do Rio de Janeiro pagou o ingresso mais caro da história do cinema mundial para assistir a um filme que nunca quis ver. E o preço foi o futuro da sua própria previdência.


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Polícia Federal faz buscas contra Mário Frias e produtora do filme Dark Horse

Produtora Karina Gama e deputado Mario Frias são alvos de buscas; investigação apura possível uso irregular de emendas e recursos públicos

A Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10/9) em uma operação que investiga o financiamento de “Dark Horse”, filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), além de outras 20 pessoas. Não há mandados de prisão.

A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito tramitava inicialmente em São Paulo e foi posteriormente assumido pela Corte. A apuração se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produtora responsável pelo filme.

A operação, batizada de Make Up, foi deflagrada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga o suposto desvio de cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas a uma organização da sociedade civil ligada à produção do filme.

Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Segundo a PF, os recursos públicos foram repassados por meio de termo de fomento. A investigação aponta a suspeita de atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, que teria direcionado os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação de parte dos serviços contratados.

A corporação afirma ainda que as tentativas de ocultar os supostos desvios teriam continuado até julho deste ano. Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema investigado.

Os envolvidos são investigados por suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

O financiamento de “Dark Horse” também é alvo de uma segunda investigação no STF. Sob relatoria do ministro André Mendonça, esse inquérito apura repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, além do destino do dinheiro.

*EM


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Mendonça desungido: Ministro Flávio Dino reintegra o chefe da PF, Andrei Rodrigues

O chefe da PF tinha sido afastado por decisão do ministro André Mendonça

O ministro Flávio Dino decidiu nesta quarta-feira, 9, reintegrar o chefe da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e o chefe da diretoria de inteligência, Leandro Almada. A decisão do ministro se deu dentro do caso em que se apura o uso de emendas parlamentares para a realização do filme Dark Horse. Para ele, o Partido Novo não tinha legitimidade para fazer o pedido. Dino é o relator desse caso no STF. O pedido examinado por Dino foi formulado pelo diretor da PF. Após a decisão, Dino submeteu a decisão ao plenário do STF.

Ao decidir, o ministro disse: “não se afirma o caráter doloso da conduta de qualquer agente público, mas é evidente que, objetivamente, a interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados. Do mesmo modo, a semeadura de nulidades processuais, decorrentes do descumprimento de formalidades legais essenciais, embaraça a adequada conclusão dos processos penais, com julgamentos tempestivos e amparados em provas, proferidos com a ponderação e a sobriedade que devem caracterizar a atividade judicante.”

Dino afirmou também que “o digno Ministro André Mendonça tenha suas divergências funcionais ou pessoais com a Polícia Federal e possa defender os seus direitos perante a instância própria. Mas tais direitos — inerentes a qualquer parte que se sinta prejudicada — não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria, com o efeito de paralisar investigações e os trabalhos policiais”.

Dino escreveu “ao Exmo. Presidente da República, autoridade competente para a nomeação do Diretor-Geral da Polícia Federal (art. 2º-C da Lei nº. 9.266/1996 c/c art. 1º, parágrafo único, do Decreto nº. 9.794/2019), que assegure a imediata reintegração de ANDREI AUGUSTO PASSOS RODRIGUES aos cargos de Delegado e de Diretor-Geral da Polícia Federal e de LEANDRO ALMADA DA COSTA aos cargos de Delegado e Diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal, com o restabelecimento integral de suas respectivas atribuições funcionais. Esta determinação ficará vigente até o integral cumprimento, pela Polícia Federal, das medidas determinadas por esta Relatoria, em autos a mim distribuídos, sem interrupção decorrente de interferência externa;”

O ministro afirmou que não devem ser colocadas novas medidas cautelares “de natureza pessoal fundadas exclusivamente em atos praticados no regular exercício de suas atribuições funcionais, em cumprimento a determinações judiciais. Ficam ressalvadas eventuais apurações disciplinares, de competência dos respectivos superiores hierárquicos, se for o caso, observados, em qualquer hipótese, o devido processo legal, as regras de competência e a legitimidade para a formulação do correspondente requerimento”.

Além disso, o Dino determinou o restabelecimento “do regular funcionamento da Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal, com o pleno exercício de suas atribuições legais e administrativas, nos termos das normas vigentes, inclusive para o cumprimento das decisões judiciais que lhe sejam dirigidas, observadas as competências e os procedimentos legalmente estabelecidos”.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Mendonça veste a toga de delegado — e Fachin corre para apagar o incêndio

André Mendonça parece ter encontrado uma nova vocação: além de ministro do Supremo, quer exercer uma espécie de chefia informal da Polícia Federal. No caso envolvendo Lulinha, sua relação com a PF chegou a um ponto em que a palavra “trégua” já parece grande demais para o tamanho do conflito.

O ministro não vê margem para pacificação. E talvez seja justamente esse o problema: quando um magistrado entra em uma queda de braço com a polícia responsável por uma investigação, quem deveria baixar a temperatura é o ministro, não aumentar o fogo.

A PF tem suas responsabilidades e, evidentemente, deve prestar contas à Justiça. Mas fiscalização judicial não significa transformar investigador em subordinado de gabinete. Há uma diferença monumental entre controlar a legalidade de uma investigação e querer controlar, passo a passo, quem investiga, como investiga e até a composição da equipe.

É uma distinção que deveria ser elementar para qualquer integrante da Suprema Corte.

E o mais curioso é que, diante da escalada, quem aparece tentando colocar água na fervura é Edson Fachin. O presidente do STF percebeu que a brincadeira pode sair cara demais e tenta impedir que uma divergência sobre investigação se transforme em uma guerra institucional entre o Supremo e a Polícia Federal.

Fachin parece ter percebido aquilo que Mendonça aparentemente ainda não percebeu: não existe vitória quando duas instituições fundamentais da República saem de uma disputa mutuamente enfraquecidas.

E há algo ainda mais incômodo.

Estamos falando de uma investigação que envolve o filho do presidente Lula, em pleno ano eleitoral. Portanto, qualquer autoridade que participe desse processo deveria ter como primeira preocupação evitar que sua atuação seja interpretada como combustível para uma disputa política.

Não basta ser imparcial. É preciso parecer imparcial.

Quando um ministro assume uma postura de confronto com a PF justamente numa investigação de enorme repercussão política, a pergunta inevitável aparece: por que tanta tensão? Por que tanta necessidade de controle? Por que a investigação não pode simplesmente seguir seu curso dentro das competências de cada instituição?

Se há irregularidade na PF, que se apresentem as provas. Se há abuso, que se demonstre o abuso. Se há crime, que se investigue e responsabilize quem tiver de ser responsabilizado.

Mas transformar divergência institucional em cabo de guerra não fortalece a Justiça. Enfraquece-a.

E é impossível não lembrar do velho problema brasileiro: quando a política entra pela porta dos fundos das instituições, a credibilidade costuma sair pela porta da frente.

O caso Lulinha não pode virar uma espécie de campeonato de autoridade no qual cada lado tenta demonstrar quem manda mais. Supremo não é delegacia. Polícia Federal não é extensão de gabinete de ministro. E investigação criminal não pode ser convertida em espetáculo eleitoral.

Mendonça deveria ser o primeiro a compreender isso.

A impressão que fica é a de um ministro excessivamente disposto a disputar espaço com a instituição que deveria apenas fiscalizar dentro dos limites constitucionais. E, enquanto ele endurece, Fachin tenta evitar que a crise adquira proporções maiores.

É quase uma cena de incêndio institucional: um coloca mais lenha, o outro procura o extintor.

No final, quem paga a conta é a credibilidade das instituições.

E há uma ironia adicional: quanto mais a investigação for cercada por brigas, vazamentos, suspeitas e disputas entre autoridades, mais espaço se abre para aqueles que querem transformar qualquer investigação em narrativa política.

Por isso, a melhor resposta para o caso Lulinha é a mais simples e menos espetacular: provas, autos, contraditório e devido processo legal.

Se houver crime, que os responsáveis respondam por ele.

Se não houver, que as acusações desmoronem por falta de provas.

O que não dá é transformar o Supremo em uma central de comando investigativo e depois esperar que ninguém questione os limites dessa atuação.

Mendonça pode até não querer trégua com a PF. Mas a República precisa de limites. E, neste momento, parece que Fachin está tentando lembrar ao colega que toga não vem acompanhada de crachá de delegado.

Soma-se a isso o silêncio ensurdecedor sobre o caso de Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A encrenca está armada para André Mendonça.


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Política

André Mendonça acusa a PF de fazer exatamente o que ele próprio faz

A mais recente manifestação de André Mendonça chama a atenção por uma contradição difícil de ignorar. Ao acusar a Polícia Federal de agir de forma inadequada, o ministro atribui à corporação uma conduta que seus próprios críticos afirmam enxergar em suas decisões recentes.

O embate ocorre em meio a um contexto de forte tensão institucional, no qual investigações sensíveis passaram a sofrer intervenções incomuns. Ao questionar a atuação da PF, Mendonça sustenta que a polícia estaria extrapolando suas atribuições. No entanto, é justamente essa crítica que diversos observadores dirigem ao próprio ministro, diante de medidas que, segundo eles, interferem diretamente no trabalho investigativo e na autonomia dos órgãos responsáveis pela apuração dos fatos.

A ironia da situação é evidente: enquanto acusa investigadores de invadir competências alheias, Mendonça é acusado de fazer o mesmo ao adotar decisões que impactam o andamento de investigações em curso. Para seus críticos, trata-se de uma inversão de papéis na qual o acusador reproduz a prática que condena.

Independentemente do mérito jurídico das decisões, o episódio reforça o debate sobre os limites da atuação do Judiciário em investigações criminais e sobre a necessidade de preservar a independência das instituições. Em democracias consolidadas, críticas entre órgãos são naturais, mas elas ganham outro peso quando partem de quem também é alvo de questionamentos semelhantes.

No fim, a acusação lançada contra a Polícia Federal acaba inevitavelmente voltando-se contra o próprio autor da crítica. Quando o discurso não encontra respaldo na coerência entre palavras e atos, o risco é transformar uma denúncia em um retrato da própria conduta.


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Política

Terrorismo no Brasil: Grupo extremista planejava explodir prédio durante debate presidencial

A investigação da Polícia Federal revelou um plano de extrema gravidade: um grupo extremista discutia a fabricação de explosivos e a invasão de prédios públicos, com o objetivo de realizar um atentado durante um debate presidencial. As comunicações interceptadas pelos investigadores indicam que os envolvidos tratavam da logística necessária para executar o ataque, evidenciando uma ameaça concreta às instituições democráticas e à segurança pública.

O caso reforça que o extremismo político deixou de se limitar ao ambiente das redes sociais. Quando discursos de ódio, desinformação e radicalização encontram espaço para prosperar sem a devida responsabilização, podem evoluir para ações violentas capazes de colocar vidas em risco e comprometer o funcionamento da democracia.

A identificação do grupo antes da execução do plano representa um resultado importante do trabalho de inteligência das forças de segurança. Ao mesmo tempo, o episódio acende um alerta sobre a necessidade de monitorar organizações que pregam a violência política e defendem ataques contra instituições, especialmente em períodos eleitorais, quando a polarização tende a ser explorada por grupos radicais.

A tentativa de transformar um debate presidencial em palco para um atentado demonstra que o objetivo desses extremistas vai muito além da disputa política: trata-se de intimidar a sociedade, disseminar o medo e enfraquecer o Estado Democrático de Direito. Diante de ameaças dessa natureza, a resposta das instituições precisa ser firme, garantindo que os responsáveis sejam identificados, processados e punidos na forma da lei.

Investigação busca identificar novas conexões
O material apreendido durante a operação será analisado pelos investigadores para tentar identificar outros integrantes ou conexões do grupo. A Polícia Civil também pretende verificar em que estágio estavam os planos discutidos nas comunicações interceptadas e se alguma das ações chegou a ser efetivamente executada.

A operação busca esclarecer ainda a extensão da organização e o nível de preparação dos suspeitos para possíveis ataques durante o período eleitoral. (ICL)


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