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Mendonça veste a toga de delegado — e Fachin corre para apagar o incêndio

André Mendonça parece ter encontrado uma nova vocação: além de ministro do Supremo, quer exercer uma espécie de chefia informal da Polícia Federal. No caso envolvendo Lulinha, sua relação com a PF chegou a um ponto em que a palavra “trégua” já parece grande demais para o tamanho do conflito.

O ministro não vê margem para pacificação. E talvez seja justamente esse o problema: quando um magistrado entra em uma queda de braço com a polícia responsável por uma investigação, quem deveria baixar a temperatura é o ministro, não aumentar o fogo.

A PF tem suas responsabilidades e, evidentemente, deve prestar contas à Justiça. Mas fiscalização judicial não significa transformar investigador em subordinado de gabinete. Há uma diferença monumental entre controlar a legalidade de uma investigação e querer controlar, passo a passo, quem investiga, como investiga e até a composição da equipe.

É uma distinção que deveria ser elementar para qualquer integrante da Suprema Corte.

E o mais curioso é que, diante da escalada, quem aparece tentando colocar água na fervura é Edson Fachin. O presidente do STF percebeu que a brincadeira pode sair cara demais e tenta impedir que uma divergência sobre investigação se transforme em uma guerra institucional entre o Supremo e a Polícia Federal.

Fachin parece ter percebido aquilo que Mendonça aparentemente ainda não percebeu: não existe vitória quando duas instituições fundamentais da República saem de uma disputa mutuamente enfraquecidas.

E há algo ainda mais incômodo.

Estamos falando de uma investigação que envolve o filho do presidente Lula, em pleno ano eleitoral. Portanto, qualquer autoridade que participe desse processo deveria ter como primeira preocupação evitar que sua atuação seja interpretada como combustível para uma disputa política.

Não basta ser imparcial. É preciso parecer imparcial.

Quando um ministro assume uma postura de confronto com a PF justamente numa investigação de enorme repercussão política, a pergunta inevitável aparece: por que tanta tensão? Por que tanta necessidade de controle? Por que a investigação não pode simplesmente seguir seu curso dentro das competências de cada instituição?

Se há irregularidade na PF, que se apresentem as provas. Se há abuso, que se demonstre o abuso. Se há crime, que se investigue e responsabilize quem tiver de ser responsabilizado.

Mas transformar divergência institucional em cabo de guerra não fortalece a Justiça. Enfraquece-a.

E é impossível não lembrar do velho problema brasileiro: quando a política entra pela porta dos fundos das instituições, a credibilidade costuma sair pela porta da frente.

O caso Lulinha não pode virar uma espécie de campeonato de autoridade no qual cada lado tenta demonstrar quem manda mais. Supremo não é delegacia. Polícia Federal não é extensão de gabinete de ministro. E investigação criminal não pode ser convertida em espetáculo eleitoral.

Mendonça deveria ser o primeiro a compreender isso.

A impressão que fica é a de um ministro excessivamente disposto a disputar espaço com a instituição que deveria apenas fiscalizar dentro dos limites constitucionais. E, enquanto ele endurece, Fachin tenta evitar que a crise adquira proporções maiores.

É quase uma cena de incêndio institucional: um coloca mais lenha, o outro procura o extintor.

No final, quem paga a conta é a credibilidade das instituições.

E há uma ironia adicional: quanto mais a investigação for cercada por brigas, vazamentos, suspeitas e disputas entre autoridades, mais espaço se abre para aqueles que querem transformar qualquer investigação em narrativa política.

Por isso, a melhor resposta para o caso Lulinha é a mais simples e menos espetacular: provas, autos, contraditório e devido processo legal.

Se houver crime, que os responsáveis respondam por ele.

Se não houver, que as acusações desmoronem por falta de provas.

O que não dá é transformar o Supremo em uma central de comando investigativo e depois esperar que ninguém questione os limites dessa atuação.

Mendonça pode até não querer trégua com a PF. Mas a República precisa de limites. E, neste momento, parece que Fachin está tentando lembrar ao colega que toga não vem acompanhada de crachá de delegado.

Soma-se a isso o silêncio ensurdecedor sobre o caso de Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A encrenca está armada para André Mendonça.


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Política

André Mendonça acusa a PF de fazer exatamente o que ele próprio faz

A mais recente manifestação de André Mendonça chama a atenção por uma contradição difícil de ignorar. Ao acusar a Polícia Federal de agir de forma inadequada, o ministro atribui à corporação uma conduta que seus próprios críticos afirmam enxergar em suas decisões recentes.

O embate ocorre em meio a um contexto de forte tensão institucional, no qual investigações sensíveis passaram a sofrer intervenções incomuns. Ao questionar a atuação da PF, Mendonça sustenta que a polícia estaria extrapolando suas atribuições. No entanto, é justamente essa crítica que diversos observadores dirigem ao próprio ministro, diante de medidas que, segundo eles, interferem diretamente no trabalho investigativo e na autonomia dos órgãos responsáveis pela apuração dos fatos.

A ironia da situação é evidente: enquanto acusa investigadores de invadir competências alheias, Mendonça é acusado de fazer o mesmo ao adotar decisões que impactam o andamento de investigações em curso. Para seus críticos, trata-se de uma inversão de papéis na qual o acusador reproduz a prática que condena.

Independentemente do mérito jurídico das decisões, o episódio reforça o debate sobre os limites da atuação do Judiciário em investigações criminais e sobre a necessidade de preservar a independência das instituições. Em democracias consolidadas, críticas entre órgãos são naturais, mas elas ganham outro peso quando partem de quem também é alvo de questionamentos semelhantes.

No fim, a acusação lançada contra a Polícia Federal acaba inevitavelmente voltando-se contra o próprio autor da crítica. Quando o discurso não encontra respaldo na coerência entre palavras e atos, o risco é transformar uma denúncia em um retrato da própria conduta.


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Terrorismo no Brasil: Grupo extremista planejava explodir prédio durante debate presidencial

A investigação da Polícia Federal revelou um plano de extrema gravidade: um grupo extremista discutia a fabricação de explosivos e a invasão de prédios públicos, com o objetivo de realizar um atentado durante um debate presidencial. As comunicações interceptadas pelos investigadores indicam que os envolvidos tratavam da logística necessária para executar o ataque, evidenciando uma ameaça concreta às instituições democráticas e à segurança pública.

O caso reforça que o extremismo político deixou de se limitar ao ambiente das redes sociais. Quando discursos de ódio, desinformação e radicalização encontram espaço para prosperar sem a devida responsabilização, podem evoluir para ações violentas capazes de colocar vidas em risco e comprometer o funcionamento da democracia.

A identificação do grupo antes da execução do plano representa um resultado importante do trabalho de inteligência das forças de segurança. Ao mesmo tempo, o episódio acende um alerta sobre a necessidade de monitorar organizações que pregam a violência política e defendem ataques contra instituições, especialmente em períodos eleitorais, quando a polarização tende a ser explorada por grupos radicais.

A tentativa de transformar um debate presidencial em palco para um atentado demonstra que o objetivo desses extremistas vai muito além da disputa política: trata-se de intimidar a sociedade, disseminar o medo e enfraquecer o Estado Democrático de Direito. Diante de ameaças dessa natureza, a resposta das instituições precisa ser firme, garantindo que os responsáveis sejam identificados, processados e punidos na forma da lei.

Investigação busca identificar novas conexões
O material apreendido durante a operação será analisado pelos investigadores para tentar identificar outros integrantes ou conexões do grupo. A Polícia Civil também pretende verificar em que estágio estavam os planos discutidos nas comunicações interceptadas e se alguma das ações chegou a ser efetivamente executada.

A operação busca esclarecer ainda a extensão da organização e o nível de preparação dos suspeitos para possíveis ataques durante o período eleitoral. (ICL)


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Crise: Caso Master expõe intervenção inédita de André Mendonça e pressiona a Polícia Federal

Mendonça encurrala PF com intervenção sem precedentes

A decisão do ministro André Mendonça de intervir de forma inédita na condução do Caso Master abriu uma nova frente de tensão entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. Ao determinar uma medida que, na avaliação de diversos observadores, restringe a autonomia da investigação, o magistrado não apenas alterou o rumo do inquérito, como colocou a própria PF diante de um dilema institucional: seguir adiante sob severas limitações ou correr o risco de ver seu trabalho esvaziado.

A gravidade do episódio não reside apenas no conteúdo da decisão, mas no precedente que ela estabelece. Em um Estado Democrático de Direito, investigações policiais devem transcorrer com independência, submetidas ao controle judicial previsto em lei, mas sem interferências capazes de comprometer sua eficácia. Quando um ministro do Supremo adota uma medida excepcional que modifica o curso de uma apuração de alta relevância política, a discussão deixa de ser apenas jurídica e passa a envolver a credibilidade das instituições.

O Caso Master já desperta enorme interesse público por envolver suspeitas de relações entre poder político e interesses financeiros. Nesse contexto, qualquer decisão que reduza o alcance das investigações inevitavelmente alimenta dúvidas sobre a disposição do Estado de esclarecer os fatos até as últimas consequências. A percepção de que personagens influentes recebem um tratamento diferenciado corrói a confiança da sociedade na imparcialidade do sistema de Justiça.

A Polícia Federal, por sua vez, torna-se a principal vítima desse impasse. A corporação vê sua margem de atuação drasticamente reduzida justamente em um dos casos mais sensíveis dos últimos anos. Se insistir em aprofundar as investigações, poderá ser acusada de afrontar uma decisão judicial; se recuar, ficará sob a sombra da suspeita de que uma apuração relevante foi sufocada antes de produzir todas as respostas que a sociedade espera.

O mais preocupante é que a intervenção de Mendonça desloca o foco do debate. Em vez de discutir o mérito das suspeitas envolvendo o Caso Master, o país passa a discutir os limites da atuação do próprio Judiciário sobre uma investigação em andamento. É uma inversão que beneficia a controvérsia processual e enfraquece o interesse público na descoberta da verdade.

Quando decisões excepcionais passam a interferir diretamente na dinâmica de investigações de grande repercussão, o risco institucional é evidente. A independência da Polícia Federal deixa de ser percebida como um princípio e passa a depender da vontade de quem exerce o controle judicial do caso. Esse é um precedente que merece atenção, porque seus efeitos podem ultrapassar o Caso Master e alcançar futuras investigações envolvendo figuras de grande influência política e econômica.

Mais do que encurralar a Polícia Federal, a decisão de André Mendonça coloca sob escrutínio o compromisso das instituições com a igualdade perante a lei. Afinal, a credibilidade da Justiça não depende apenas de suas decisões, mas também da percepção de que ninguém, por mais poderoso que seja, está acima do alcance das investigações.


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Política

Megaoperação impede grupo suspeito de preparar ataque terrorista durante as eleições em Brasília

A Operação Rede Interrompida aconteceu nos etados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Uma força-tarefa da Polícia Federal e Polícia Civil deflagrou uma megaoperação para desarticular um grupo suspeito de planejar um atentado em Brasília durante o período eleitoral. A investigação aponta que os envolvidos discutiam ataques contra alvos ligados ao processo democrático, incluindo eventos e autoridades, em um plano que tinha potencial para provocar pânico, desestabilização institucional e grande repercussão nacional.

As apurações também identificaram o compartilhamento de manuais para fabricação de artefatos explosivos, informação que motivou a adoção das medidas cautelares para preservar provas e aprofundar a investigação.

Entre os conteúdos analisados, estão discussões sobre possíveis invasões de edifícios, escolha de alvos, formação tática, recrutamento de participantes em diferentes estados, além do compartilhamento de mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios localizados na região central da capital federal. (Metrópoles)

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes endereços, com apreensão de equipamentos eletrônicos, documentos e outros materiais que serão periciados. Segundo os investigadores, o grupo vinha sendo monitorado por órgãos de inteligência, que identificaram indícios concretos de preparação para ações violentas. As diligências tiveram como objetivo impedir que qualquer ataque fosse executado durante a campanha eleitoral.

O caso reforça a preocupação das autoridades com ameaças à segurança pública e à estabilidade democrática em um momento de elevada polarização política. A Polícia Federal já havia anunciado um esquema especial de proteção para candidatos à Presidência, com reforço de inteligência, equipes especializadas, monitoramento de ameaças e protocolos específicos para eventos de campanha em todo o país.

As investigações prosseguem para identificar todos os integrantes da organização, esclarecer a origem dos recursos utilizados pelo grupo e verificar se havia conexões com outras células extremistas ou financiadores. Os suspeitos poderão responder por crimes relacionados à organização criminosa, preparação de atos violentos e outras infrações que venham a ser confirmadas ao longo da apuração.


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Lula: “Não vou usar a Presidência para proteger meu filho”

Lula diz que não protegerá Lulinha e afirma que filho terá de responder às investigações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende utilizar o cargo para proteger seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Em declaração pública, Lula disse que, caso as suspeitas avancem, caberá ao filho demonstrar sua inocência e enfrentar o processo como qualquer outro cidadão.

A fala ocorre em meio ao avanço de apurações relacionadas ao caso das fraudes no INSS e às recentes decisões judiciais que ampliaram o alcance das investigações. Embora Lulinha tenha sido citado em desdobramentos do inquérito, sua defesa sustenta que ele não é investigado nem foi alvo de operações policiais, afirmando que não há elementos que o vinculem aos fatos apurados.

Segundo Lula, a relação familiar não pode interferir na atuação das instituições. O presidente afirmou que já conversou com o filho e deixou claro que, se houver qualquer irregularidade comprovada, ele deverá responder pelos próprios atos. Ao mesmo tempo, reiterou que ninguém pode ser tratado como culpado sem provas e que o devido processo legal deve prevalecer.

A declaração reforça uma linha adotada pelo presidente desde o surgimento das primeiras citações ao nome de Lulinha no contexto das investigações. Em ocasiões anteriores, Lula já havia afirmado que o filho “pagará o preço” caso tenha cometido alguma irregularidade, descartando qualquer interferência do Palácio do Planalto nas apurações.

O caso permanece sob acompanhamento da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal, enquanto a defesa de Lulinha afirma estar à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar documentos que julgar necessários. Até o momento, não houve denúncia criminal contra ele decorrente dessas investigações.


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Polícia Federal faz busca e apreensão na casa de Bolsonaro por divergência em registro de arma apreendida

A Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro após identificar divergências relacionadas ao registro de uma arma de fogo apreendida durante investigações em andamento. A medida foi autorizada pela Justiça no âmbito de apurações que buscam esclarecer a origem, a regularidade documental e a situação cadastral do armamento.

Segundo informações da investigação, os registros encontrados apresentariam inconsistências que levantaram dúvidas sobre a documentação vinculada à arma. Os agentes federais procuraram documentos, mídias digitais e outros elementos que possam auxiliar na reconstituição dos fatos e na verificação das informações prestadas aos órgãos de controle.

A operação amplia a lista de procedimentos investigativos envolvendo Bolsonaro após o término de seu mandato. Embora a defesa do ex-presidente sustente que todas as armas sob sua posse estariam devidamente regularizadas e que não houve qualquer irregularidade, os investigadores consideram necessário confrontar dados constantes nos sistemas oficiais com os documentos apresentados.

Especialistas em direito penal observam que divergências cadastrais nem sempre configuram crime, mas podem justificar diligências quando há indícios de inconsistências relevantes ou informações contraditórias. O objetivo da apuração é determinar se houve erro administrativo, falha documental ou eventual irregularidade mais grave relacionada ao registro do armamento.

A defesa de Bolsonaro afirmou que colaborará com as autoridades e classificou a medida como parte de um processo que deverá esclarecer definitivamente os fatos. Já a Polícia Federal não divulgou detalhes adicionais sobre o conteúdo recolhido durante a operação, alegando sigilo das investigações.

O caso segue sob análise das autoridades competentes e poderá resultar em novos desdobramentos à medida que os materiais apreendidos forem examinados pelos peritos e confrontados com os registros oficiais.

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Calúnia contra Lula: PGR pede para Flávio Bolsonaro ser ouvido pela PF

Segundo Paulo Gonet, senador deve ser ouvido antes da manifestação final da PGR sobre investigação por calúnia contra Lula

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao ministro Alexandre de Moraes que devolva à Polícia Federal (PF) o inquérito que investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL) por suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo é que o parlamentar seja ouvido antes da conclusão da investigação.

Gonet avalia que a necessidade de a PF realizar a oitiva com Flávio se dá “sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentá-lo de pena”.

A manifestação foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta segunda-feira (6/7). Segundo Gonet, a defesa de Flávio solicitou uma série de diligências à PF e pediu que o senador fosse ouvido apenas após o cumprimento dessas medidas. Os requerimentos, no entanto, foram indeferidos pela corporação.

O procurador-geral acrescentou que, embora a PF já tenha concluído o relatório final da investigação, ainda é necessário ouvir Flávio Bolsonaro, especialmente diante da possibilidade de retratação prevista no Código Penal para o crime de calúnia, hipótese que pode isentar o investigado de pena, segundo Pablo Giovanni, Metrópoles.

“A manifestação é, assim, pelo retorno dos autos à Polícia Federal a fim de que seja realizada a oitiva do investigado. Após, requer nova concessão de vistas para manifestação sobre o relatório conclusivo das investigações”, explicou Gonet.

A manifestação foi encaminhada a Moraes, que ainda não decidiu sobre o pedido.

Inquérito
Em relatório encaminhado ao STF em 26 de junho, a Polícia Federal concluiu que Flávio cometeu o crime de calúnia contra o presidente Lula.

Segundo os investigadores, o senador atribuiu ao presidente os crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.


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Nome de Ramagem aparece em lista de políticos na cabeceira do contraventor Adilsinho

Lista encontrada pela PF reúne contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro e nomes de agentes políticos do Rio de Janeiro

A Polícia Federal (PF) encontrou uma lista com nomes de pelo menos 25 políticos em um dos endereços do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, apontado como chefe da máfia do cigarro no Rio. O nome do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) constava na lista apreendida durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na última quinta-feira (02).

Os documentos foram encontrados em uma mala na cabeceira da cama do contraventor, durante buscas em operações passadas nos imóvel ligados a ele. A lista reúne supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro e nomes de agentes políticos do Rio. As investigações iniciais indicam que os políticos listados recebiam uma espécie de “mesada” de Adilsinho — alvo de um mandado de prisão na operação, ainda que já esteja preso.

Apesar da citação nos materiais apreendidos, o ex-deputado não foi alvo da ação realizada pela PF, mas é investigado, junto com outros nomes que aparecem na lista.

Políticos com nome na lista de Adilsinho recebiam uma espécie de ‘mesada’
De acordo com as primeiras informações da PF, no arquivo nomeador como “planilha 2” aparecem quatro depósitos para o “cliente” identificado na lista pelo nome “DEP RAMAGEM” e “DEP ALEXANDRE RAMAGEM”.

Nas planilhas não há menção ao ano dos depósitos, mas há o registro de mês e dia dos pagamentos, além dos valores:

  • 02/09: DEP RAMAGEM – R$ 39.708,00
  • 06/09: DEP RAMAGEM – R$ 30.000,00
  • 21/09: DEP ALEXANDRE RAGEM – R$ 18.100,00
  • 29/09: DEP ALEXANDRE RAMAGEM – R$ 22.080,00

O ex-deputado foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro (PL) e depois foi eleito deputado federal pelo Rio, mas perdeu o mandato e foi demitido do posto de delegado da PF após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ele fugiu para os EUA no mês em que foi condenado e é alvo de um pedido de extradição encaminhado pelo governo brasileiro. Ele entrou com pedido de asilo político, que está sendo analisado pelo governo norte-americano.

Nome do ex-governador Cláudio Castro constava na lista
Na lista de Adilsinho, com nomes de pelo menos 25 políticos, também constava o do ex-governador Cláudio Castro (PL).

A PF ainda apura a relação entre os políticos e a máfia dos cigarros. A instituição não identificou oficialmente os nomes encontrados; o nome de Castro foi confirmado pelo portal “G1”, mas ele não foi alvo de mandados na operação da última quinta.

Além de um novo mandado de prisão contra Adilsinho — que já está preso desde fevereiro —, a ação mirou o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, também preso, e o empresário do ramo do tabaco, pastor Márcio Poncio, pai da deputada Sarah Poncio (SDD). Ele foi detido num apart-hotel da Barra da Tijuca sob suspeita de ligação com o grupo criminoso.

*Com informações de Octavio Guedes, colunista do portal “G1”/ICL


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Política

Flavio Bolsonaro e o celular bomba de Claudio Castro que a PF destravou

A triangulação entre Vorcaro, do Banco Master, Claudio Castro e Flavio Bolsonaro é uma coisa só, disso todos sabem.

O desbloqueio do celular de Claudio Castro pela Polícia Federal acendeu um alerta mais que vermelho na sua campanha pré-eleitoral para a presidência, sobretudo no seu grupo político. A conexão entre essas três cabeças que estão como personagens centrais desse emaranhado de corrupção, é um aparelho de alta tensão para os planos eleitorais do 01 do clã Bolsonaro.

Por isso o avanço das investigações da PF gerou forte desespero por três fatores principais: seu elo com Daniel Vorcaro e o Banco Master, a desestruturação de sua prinncipal base eleitoral, Rio de Janeiro, e o principal, o risco de mensagens e agendas diretas que colocam Flavio no centro de uma bomba atômica.

O nome disso é efeito tóxico, melhor dizendo, radioativo de todo o seu entorno, de todos os candidatos à Câmara e ao Senado que orbitam em torno de Flavio.

Trocando em miúdos, muita gente pagará um custo como criminoso sim, mas outro tanto, que não é pequeno, pagará o custo por osmose, por ser parte de uma estrutura sabidamente miliciana que envolve um número incontável de gente que está na disputa e que será atingida  no peito. Mais que isso, qualquer associação a Flavio a essa altura dos fatos, em todo o terrirório nacional, sofrerá um tranco, já que ele é a figura mais importante em atividade na direita hoje no Brasil.

Ou seja, como se diz na linguagem mega popular, “o bagulho é doido”.

Soma-se a sso a própria figura de Claudio Castro, que está muito além de ser um mero subserviente do clã Bolsonaro no Rio de Janeiro, Claudio Castro tem sua própria demanda de crimes contra os cofres públicos em toda a estrutura de altarquias de todo o estado. E isso se transforma num carrapicho no paletó já todo cagado de Flavio Bolsonaro.

Ninguém pode afirmar que um impacto como esse nas pretensões do PL será grande, não, ele será devastador, provocando um esvaziamento político na legenda, tanto que Cladio Castro abdicou, ou melhor, desistiu de concorrer ao Senado que já, de antemão, desarticulou a principal chapa do PL fluminense.

Os riscos de mensagens e agendas cotidianas diretas do celular de Claudio Castro são nitroglicerina pura, porque ali contém o histórico completo de agendas privadas e registros de jantares, inclusive, com Vorcaro no exterior, além de outras com figuras investigadas.

Os investigadores buscam mensagens em aplicativos que possam comprovar o que já sabem, principalmente sobre a refinaria Refit, que contaram com interferência direta de Flavio Bolsonaro.

A avaliação dentro do PL carioca, portanto, é a de que estão diante de um verdadeiro desastre político para os planos do clã Bolsonaro e todas as suas ramificações no estado mais bolsonarista do Brasil, do ponto de vista institucional.


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