Dia: 21 de agosto de 2026

90 dias depois, Flávio Bolsonaro não entrega documentos prometidos sobre filme Dark Horse, e O Globo prefere atacar Lulinha

Ontem fez 90 dias. Noventa dias desde que Flávio Bolsonaro prometeu que, em no máximo 30 dias, entregaria os documentos, recibos e demais comprovantes relacionados ao filme patrocinado por Daniel Vorcaro.

O prazo venceu. E venceu há dois meses.

Até agora, não apareceu documento, recibo, contrato ou qualquer esclarecimento capaz de sustentar a promessa feita pelo senador. O que era para ser entregue em 30 dias transformou-se em 90 dias de silêncio. E a pergunta inevitável é: se os documentos existem e não há nada a esconder, por que não foram apresentados?

A resposta política parece cada vez mais desconfortável: Flávio prometeu entregar aquilo que até agora não entregou.

E há um segundo aspecto ainda mais revelador: o comportamento de parte da imprensa diante desse silêncio. Enquanto os documentos prometidos por Flávio continuam desaparecidos, O Globo passou o dia explorando manchetes e especulações envolvendo Lulinha. A régua jornalística, nesse caso, parece ter dois tamanhos: para um lado, cobrança incessante; para o outro, uma paciência quase infinita.

Não se trata de pedir tratamento privilegiado para ninguém. Trata-se de exigir o mesmo jornalismo para todos. Se há suspeitas ou perguntas envolvendo Lulinha, que sejam investigadas. Mas, exatamente pela mesma razão, devem ser cobradas explicações de Flávio Bolsonaro sobre aquilo que ele próprio prometeu esclarecer.

A diferença é brutal: de um lado, manchetes construídas sobre suspeitas e especulações; de outro, uma promessa objetiva, com prazo definido, que simplesmente não foi cumprida.

E isso não pode ser tratado como detalhe.

Flávio Bolsonaro estabeleceu o prazo. Flávio Bolsonaro prometeu os documentos. Flávio Bolsonaro não os apresentou. O mínimo que se espera agora é que a imprensa cobre a promessa que ficou pelo caminho, em vez de simplesmente mudar o foco para outro personagem.

Porque, quando um político diz que vai apresentar documentos em 30 dias e 90 dias depois não apresenta absolutamente nada, a pergunta jornalística não deveria desaparecer.

Deveria ficar ainda mais forte:

Onde estão os documentos, Flávio?

E por que aqueles que deveriam cobrar essa resposta preferem fazer barulho em outra direção?

Para quem se apresenta como fiscal da moralidade pública, o silêncio diante de uma promessa não cumprida é, no mínimo, uma contradição difícil de esconder. E quando a imprensa abandona uma cobrança concreta para transformar especulações contra adversários políticos em manchetes do dia, a sociedade tem todo o direito de perguntar a quem esse jornalismo está servindo.

Noventa dias depois, a história continua simples: prometeu em 30. Não entregou em 90.

Agora, mais do que a promessa, o que está em jogo é a credibilidade de quem prometeu — e a responsabilidade de quem deveria cobrar.


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