Ataque com munição real, gás e granadas em campus da Universidade Birzeit deixa 41 feridos e aprofunda clima de repressão, enquanto Israel avança em assentamentos ilegais
Dezenas de estudantes e funcionários ficaram feridos após forças do exército de Israel invadirem, nesta terça-feira (6), a Universidade Birzeit, uma das mais importantes da Cisjordânia ocupada. Soldados abriram os portões do campus e dispararam munição real, granadas de som e gás lacrimogêneo, enquanto aulas ocorriam e alunos circulavam pelas dependências.
Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho da Palestina, três pessoas foram baleadas nas pernas, cinco sofreram inalação de gás e outras três foram atingidas por estilhaços. O Ministério da Saúde palestino informou que 11 feridos precisaram ser encaminhados ao Hospital Árabe Istishari, em Ramallah.
“Violação flagrante da santidade universitária”
Em nota, a Universidade Birzeit classificou a ação como uma “violação flagrante e deliberada da santidade das universidades e instituições educacionais”. Para a instituição, a incursão reflete uma política sistemática de intimidação contra estudantes palestinos e de ataque direto ao direito à educação.
“Invadir o campus em plena luz do dia e transformá-lo em uma zona militar visa minar a consciência palestina e suprimir a vida acadêmica”, afirmou a universidade, em comunicado divulgado pela agência oficial Wafa.
Solidariedade a prisioneiros e repressão armada
O ataque ocorreu após um evento estudantil em solidariedade a milhares de prisioneiros palestinos mantidos em cárceres israelenses e coincidiu com a exibição do filme Hind Rajab, que retrata a morte de uma menina palestina de seis anos durante a ofensiva israelense em Gaza.
Pouco antes da sessão, forças israelenses invadiram o campus. Em resposta, o exército alegou ter como alvo uma “reunião em apoio ao terrorismo”, justificativa rejeitada por autoridades palestinas e organizações de direitos humanos, segundo o Vermelho.
“Nenhum lugar está imune”
A jornalista Nida Ibrahim, da Al Jazeera, que reportava diretamente da universidade, afirmou que 41 pessoas ficaram feridas no total, sendo 11 hospitalizadas. Segundo ela, trata-se de um episódio sem precedentes.
“É a primeira vez que vemos um ataque israelense com munição real dentro de um campus universitário, enquanto estudantes assistiam aulas”, relatou. “Para palestinos que vivem sob ocupação, a educação é uma das poucas ferramentas para garantir futuro e sustento. Hoje, nem esse espaço está protegido.”
Condenação oficial e apelo internacional
O Ministério da Educação e Ensino Superior da Palestina condenou duramente a incursão, afirmando que a ação viola convenções internacionais que protegem instituições educacionais. O órgão apelou a universidades internacionais e entidades de direitos humanos para que denunciem o ataque.
“O uso da força não quebrará a vontade dos estudantes palestinos”, declarou o ministério, em nota.
Assentamentos avançam enquanto repressão se intensifica
No mesmo dia do ataque à universidade, o governo israelense removeu o último obstáculo administrativo para iniciar a construção do controverso projeto de assentamento E1, a leste de Jerusalém. Segundo o grupo Peace Now, a licitação abre caminho para o início das obras já nas próximas semanas.
Considerado ilegal pela comunidade internacional, o projeto E1 é visto por críticos como um passo decisivo para fragmentar a Cisjordânia e inviabilizar um futuro Estado palestino contíguo.
“Outro prego no caixão”
O plano é defendido pelo ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, figura central da extrema-direita no governo. Em agosto, ele afirmou que o objetivo é enterrar definitivamente a ideia de um Estado palestino.
“O Estado palestino está sendo apagado da mesa não com slogans, mas com ações”, disse Smotrich. Para observadores internacionais, o ataque à Universidade Birzeit e a expansão dos assentamentos fazem parte da mesma estratégia de consolidação da ocupação israelense.
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