25 de setembro de 2021
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Os Correios são lucrativos e, nos últimos 20 anos, repassaram 73% dos resultados positivos acumulados ao seu único acionista, o governo federal. Para críticos da privatização, os números reforçam que vender a empresa é um erro, enquanto alguns especialistas afirmam que os rendimentos da estatal não são o principal fator a ser levado em consideração.

Entre 2001 e 2020, foram 16 anos de lucro e quatro de prejuízo. No total, a empresa acumula resultado líquido positivo de R$ 12,4 bilhões em valores atualizados pelo IPCA, e repassou R$ 9 bilhões em dividendos nesse período.

A União recebeu dividendos dos Correios por 12 anos seguidos, de 2002 a 2013. Desde então a estatal não transferiu lucros, pois ainda se recupera do período de prejuízos.

lucros e prejuízos dos correios entre 2001 e 2020 - Arte/UOL - Arte/UOL

Correios não dependem mais do Tesouro

Os Correios não são dependentes do Tesouro. Isso significa que a estatal se mantém com os próprios recursos, sem precisar de aportes frequentes de dinheiro público para fechar as contas.

Nos últimos 20 anos, há registro de um aporte feito pelo Tesouro para aumento de capital da empresa. Em valores atualizados, foram R$ 254 milhões em 2018 —o que representa 2% do total de dividendos que os Correios distribuíram à União no período.

Comparação com outras estatais

Os lucros dos Correios são pequenos se comparados às maiores estatais brasileiras. O Banco do Brasil, por exemplo, lucrou R$ 13,9 bilhões apenas em 2020, ano em que distribuiu R$ 2,1 bilhões de dividendos ao Tesouro.

Mas os retornos dos Correios são grandes em relação ao valor investido na empresa. Segundo o último Boletim das Participações Societárias da União, com dados de 2018, os Correios tiveram o terceiro melhor desempenho em retorno sobre o patrimônio líquido (69,5%), à frente da Caixa (37%), do Banco do Brasil (18,1%), do BNDES (16,9%), da Eletrobras (15,1%) e da Petrobras (13,6%).

Papel do Estado é lucrar?

Sérgio Lazzarini, doutor em administração e professor do Insper, afirma que os lucros dos Correios não significam que a melhor opção seja manter a empresa estatal.

“O papel do Estado não é lucrar, mas investir em áreas de interesse público que têm retorno social, como saúde, educação e saneamento”, afirmou.

Mas os dividendos distribuídos pelos Correios não ajudam a bancar serviços essenciais? Sim. Porém, na visão de Lazzarini, o dinheiro investido na estatal poderia render resultados melhores se aplicado diretamente nas áreas mais urgentes.

É o que economistas chamam de “custo de oportunidade”. O dinheiro investido em alguma coisa não está sendo usado em outra, por isso é necessário avaliar qual a melhor opção. Lazzarini exemplifica com uma situação de orçamento familiar:

Imagine uma família que tem dinheiro aplicado numa empresa e recebe dividendos. Aí falta dinheiro para pagar a faculdade do filho. Se a família vende as ações e usa esse valor para pagar os estudos, o filho se desenvolve, forma-se, e a situação da família ficará melhor do que antes.

Eficiência privada é maior, mas monopólio privado preocupa

Marcelo Godke, especialista em direito empresarial e societário, faz parte do time de liberais que defende limitar investimento estatal a pouquíssimas áreas. “Não acho que o Estado tenha a função de distribuir cartas”, diz.

O advogado é a favor da privatização também porque a iniciativa privada seria mais eficiente na prestação do serviço postal. Ele se preocupa, porém, com uma eventual manutenção do monopólio da distribuição de cartas no Brasil. “O monopólio leva sempre a uma grande ineficiência.”

Os Correios possuem o monopólio de correspondências no Brasil e concorrem com empresas privadas em outros serviços, como entregas de mercadorias. Estudos contratados pelo BNDES apontam como uma das melhores soluções a venda de 100% da estatal, com manutenção do monopólio postal e a regulação do serviço privado.

Sérgio Lazzarini afirma que é fundamental discutir a regulação, para garantir que o serviço de entregas continue atendendo regiões remotas. “Se vendermos os Correios com ‘porteira fechada’ [100% da empresa] e o comprador puder fazer o que quiser, certamente vai ignorar entregas mais complicadas ou cobrar preços bem mais altos”, diz.

Privatizar é ‘vender almoço para comprar janta’, diz economista

Segundo Marcio Pochmann, doutor em economia e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas/SP), o governo quer vender empresas lucrativas para fazer caixa, algo que só interessa a quem está no poder.

O governo não tem um projeto de país. Estamos vivendo o ‘presentismo’, vendendo o almoço para comprar o jantar. Estamos cancelando o futuro.

Ele defende que a economia precisa ser híbrida, com o Estado atuando em áreas nas quais a iniciativa privada é insuficiente. Se a estatal for lucrativa, tanto melhor, mas esse não é o principal fator a ser observado.

No caso dos Correios, o investimento público seria necessário para garantir a entrega de correspondências em todo o território nacional a preços acessíveis.

De acordo com Pochmann, a ideia de que o setor privado é mais eficiente do que o público foi por água abaixo após a crise internacional de 2008, quando governos tiveram que injetar bilhões de dólares para salvar empresas.

Empresa está se valorizando, dizem funcionários

Para Marcos Cesar Silva, vice-presidente da Adcap (Associação dos Profissionais dos Correios), além de a estatal ser lucrativa, ela está se valorizando. Isso porque, apesar da queda de procura por correspondências, o setor de logística cresceu durante a pandemia, e os Correios têm estrutura para atuar em todo o Brasil —uma vantagem sobre a concorrência.

Silva, que também é ex-representante dos funcionários no Conselho de Administração dos Correios, afirma que os prejuízos acumulados entre 2013 e 2016 aconteceram principalmente por causa de uma mudança contábil que obrigou a empresa a garantir mais recursos para futuras aposentadorias.

“Os estudos para a privatização dos Correios são enviesados, para confirmar o que o governo já queria”, diz Silva. Ele alega que a venda da estatal atende somente a interesses de pessoas que pretendem se apropriar de uma empresa lucrativa.

*Com informações do Uol

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Celeste Silveira

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