8 de janeiro de 2022
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Documentos com os dados pessoais de três médicos que defendem a vacinação de crianças, que estavam em poder do Ministério da Saúde, foram vazados nas redes sociais por grupos que alimentam correntes contra a imunização, informa Malu Gaspar, de O Globo.

Os médicos Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Marco Aurélio Sáfadi, da Sociedade Brasileira de Pediatria, e Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, tiveram as suas declarações de conflito de interesses, entregues ao ministério, divulgadas na íntegra na internet, junto com os seus números de telefone celular, email e CPF.

Os três apresentaram argumentos a favor da vacinação de crianças de 5 a 11 anos na audiência pública organizada pelo Ministério da Saúde, na última terça-feira.

As declarações são uma providência habitual no meio médico para eventos como audiências públicas e apontam para quais empresas o especialista prestou serviços, como palestras, nos últimos cinco anos. Elas foram preenchidas a pedido do ministério e enviadas pelos médicos à pasta logo após o convite para participar do evento.

O que saiu do padrão foi o vazamento de fotos das declarações na íntegra, com os dados pessoais dos especialistas, o que acabou alimentando teorias antivacina nas redes sociais e sendo usado para intimidar os médicos.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF), que participou da audiência e se disse contrária à vacinação obrigatória de crianças, admitiu à equipe da coluna que compartilhou as declarações em um grupo de WhatsApp, mas nega que seja a responsável pelo vazamento.

“Solicitei ao Ministério da Saúde os termos e eles me passaram sem restrições” afirmou.

“Compartilhei em um grupo de zap de médicos. Quando me avisaram no Ministério da Saúde que alguém havia postado, pedi imediatamente que quem o fez removesse. Mas o ministério me informou que os documentos iriam para o site. Por isso entendi que eram públicos”.

Durante sua fala, na audiência pública, Kicis levantou suspeitas, sem se aprofundar, sobre Kfouri e Ballalai terem informado que deram palestras patrocinadas para empresas como a Pfizer e a AstraZeneca, que produzem vacinas contra a Covid. Mas não falou sobre o currículo, nem sobre a declaração de conflito de interesses dos médicos antivacina que ela mesma indicou para a reunião.

No Twitter e nas redes bolsonaristas no Telegram, Ballalai foi uma das mais atacadas após a audiência. Ela trabalha como diretora na rede de franquias de vacinação Vaccini. Mas nas redes sociais foi taxada como grande empresária do ramo e interessada em vender vacinas para lucrar.

“Eu sou contra e sempre fui contra à vacinação na rede privada. Isso só iria aumentar a desigualdade no acesso à vacina contra a Covid. Além disso, todas as experiências nesse sentido nos países onde foi tentado, como na Índia, deram errado”, afirma.

O vazamento de fotos das declarações provocou uma enxurrada de protestos da comunidade médica que integra a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19, que viram no ato uma tentativa de intimidação de grupos antivacina. Eles cobraram uma explicação pública do Ministério da Saúde pela devassa nos dados dos colegas.

Pressionada, a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid do ministério, Rosana Leite de Melo, publicou uma nota dizendo que não autorizou a divulgação dos documentos e classificou o ato como indevido. A médicos, ela disse que iria investigar como os documentos foram parar nas mãos de Bia Kicis e depois nas redes sociais, mas até o momento nenhum procedimento formal de apuração foi instalado.

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Celeste Silveira

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