Dia: 22 de fevereiro de 2024

Glenn Grenwald: Lula está certo sobre Gaza e não é antissemita

Intelectuais judeus também afirmam que desumanização coletiva que gerou Holocausto está por trás da destruição da Faixa de Gaza agora.

Jornalista refuta críticas feitas a Lula após presidente comparar ação de Israel em Gaza à de Hitler contra judeus, destaca que a comunidade judaica não é homogênea e que muitos de seus membros pelo mundo, inclusive israelenses, percebem que o conflito é um genocídio marcado pelo desprezo pela vida, como o Holocausto.

Desde que Lula evocou o Holocausto para denunciar a destruição de Gaza por Israel, a grande mídia brasileira se uniu, com raras exceções, para condená-lo. Na segunda-feira (19) à noite, o jornalista William Waack afirmou na CNN Brasil que a declaração de Lula “ofende judeus no mundo inteiro”.

Deixando de lado a incongruência que é ver William Waack se colocar como vigilante da intolerância e fiscal do que se pode dizer no discurso público, a pergunta que faço é: com base no que ele se coloca como porta-voz dos “judeus no mundo inteiro”?

É verdade que a declaração de Lula enfureceu o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que declarou Lula “persona non grata” em Israel. Mas equiparar o governo de Israel a “judeus no mundo inteiro” não é só falso, é também antissemitismo.

Como todos os grupos, os judeus não são um monolito. Qualquer pessoa que, como eu, tenha crescido numa família judaica e imersa nessas tradições sabe que o grupo passa longe de ser homogêneo. Há dentre os judeus discussões e divergências sobre os mais diversos assuntos, inclusive o Estado de Israel, o tratamento desumano dispensado aos palestinos e a abjeta imoralidade da destruição de Gaza.

Um mês antes do ataque do Hamas de 7 de outubro, o ex-chefe do Mossad, agência de inteligência israelense, Tamir Pardo —indicado por Netanyahu— afirmou que Israel impõe “uma forma de apartheid aos palestinos”. Muitos líderes Israelenses, incluindo o ex-primeiro Ministro Ehud Barak, já disseram o mesmo.

O jornalista judeu brasileiro Breno Altman vem repetidamente comparando as ações de Israel em Gaza ao nazismo, ao ponto de estar sendo investigado pela Polícia Federal por expressar sua visão. Um grupo de judeus brasileiros, conforme relatado pela Folha, emitiu uma nota para defender as declarações de Lula.

Nesta semana, a escritora judia russa Masha Gessen recebeu o Polk Award, o segundo prêmio mais importante no jornalismo dos EUA, por seu brilhante ensaio na revista New Yorker intitulado “Na Sombra do Holocausto”. No texto, Gessen aponta como o Holocausto é frequentemente evocado para silenciar as críticas aos crimes de guerra de Israel.

Gessen cita a filósofa Hannah Arendt, judia que em 1948 comparou grupos sionistas extremistas ao Partido Nazista, tanto em sua mentalidade quando em suas táticas —isso tudo menos de três anos depois do fim da Segunda Guerra.

No mesmo ano, o físico judeu Albert Einstein e outros importantes intelectuais judeus publicaram uma carta comparando os métodos de atuação de Menachem Begin, o terrorista sionista que se tornaria depois primeiro-ministro de Israel, aos dos nazistas.

Em seu artigo, Gessen documenta como os intelectuais judeus mais importantes do pós-guerra insistiam que as lições do Holocausto deveriam ser aplicadas universalmente, e que nenhum país ou grupo, sionistas inclusive, deveria se furtar de absorver esse aprendizado.

Gessen então descreve como, visitando os museus do Holocausto pelo mundo, se lembrava do sofrimento da população de Gaza nas mãos de Israel.

Sabendo então dessa enorme pluralidade no seio da comunidade judaica, como explicar a pretensão de uma pessoa como William Waack, que, como a grande maioria da mídia brasileira, se sente no direito falar em nome dos judeus e de impor limites às discussões sobre o Holocausto? E os judeus que rejeitam os ditames dos Netanyahu do mundo, quem falará por nós?

Mas há ainda um tema muito mais importante trazido à tona pela controvérsia: a quem pertence a memória do nazismo e da Segunda Guerra? Existe alguém com legitimidade para ditar como o Holocausto pode ser discutido, por quem, e com que agenda política? Existem países específicos cujas ações estão imunes, por algum motivo, às comparações com os piores abusos da Segunda Guerra? Se sim, essa imunidade se baseia em quê?

Quando a Segunda Guerra terminou e a real dimensão do Holocausto foi revelada, os países aliados, uma vez vencedores, decidiram não executar imediatamente os líderes nazistas. Em vez disso, foi realizado um processo jurídico transparente, conhecido como o julgamento de Nuremberg.

O objetivo era publicizar e legitimar o veredito —e, mais que isso, mostrar ao mundo as evidências das atrocidades cometidas pelos nazistas para, acima de tudo, estabelecer os princípios pelos quais os países deveriam se guiar no futuro.

O procurador-chefe dos EUA no julgamento, Robert Jackson, enfatizou em suas colocações iniciais que a maldade nazista se repetiria no futuro. “Esses prisioneiros nazistas representam uma influência sinistra que continuará no mundo mesmo depois que seus corpos retornarem ao pó.”

Referindo-se às sentenças contra criminosos nazistas específicos, Jackson disse: “Se esse julgamento for ter alguma utilidade no futuro, deverá servir para condenar também a agressão de outras nações, inclusive as que aqui estão na posição de julgadoras”.

Os horrores do Holocausto não foram uma lição sobre a maldade dos alemães ou a vulnerabilidade dos judeus. Foram uma lição sobre a natureza humana e a nossa capacidade para o mal, e como sociedades sofisticadas e educadas podem sucumbir a impulsos genocidas. Por isso, as sentenças proferidas em Nuremberg não podem dar a qualquer país, incluindo Israel, uma justificativa para suas próprias ações. Pelo contrário: os crimes do Holocausto não podem ser repetidos por nenhum país, nunca mais.

Os horrores da destruição de Gaza por Israel já estão visíveis para todos que quiserem ver. O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, prometeu no início da guerra: “Estamos impondo um cerco total a Gaza. Nem eletricidade, nem comida, nem água, nem combustível. Tudo bloqueado”. O motivo: “Estamos lutando contra animais e agimos em conformidade”.

Hoje podemos ver que essa promessa, bem como a ideia de que os palestinos são sub-humanos, não era blefe. Segundo relatório da ONU, de todas as pessoas do mundo que enfrentam a fome extrema, 80% estão em Gaza. Trata-se de uma crise humanitária sem paralelo, diz o texto. Há inúmeros casos, incontroversos e amplamente documentados, de crianças à beira da morte por fome.

Ao menos 29 mil pessoas foram mortas em Gaza desde que Israel começou a retaliação aos ataques do Hamas de 7 de outubro: 70% são mulheres e crianças. A destruição da vida civil em Gaza é pior do que qualquer guerra que o mundo tenha visto no século 21.

Mais bombas foram lançadas por Israel em Gaza, um território pequeno e densamente povoado, na primeira semana do conflito armado (cerca de 6.000) do que foram jogadas anualmente pelos EUA no Afeganistão, de 2013 a 2018 (nesse período, nenhum ano registrou mais de 4.400 bombas), segundo dados da Força Aérea israelense e da Central das Forças Aéreas dos EUA.

Ninguém, nem mesmo Lula, está sugerindo que a escala das mortes em Gaza seja comparável ao Holocausto. O que muitas pessoas estão dizendo —inclusive alguns dos intelectuais judeus mais proeminentes do mundo, como Masha Gessen— é que os mesmos princípios de desprezo pela vida e desumanização coletiva que culminaram no Holocausto estão também por trás da destruição de Gaza.

*Glenn Greenwald/Folha

Vídeo: Logo após a declaração de Lula contra Israel, Bernie Sanders não só endossa, como critica os EUA

O presidente Lula, em evento na África, no domingo, dia 18, classificou como “genocídio” e “chacina” a ação de Israel na Faixa de Gaza.

“O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”  (Lula)

“O mundo inteiro observa Netanyahu e o seu governo de direita fazerem passar fome as crianças de Gaza e travarem guerra contra o povo palestiniano. Os EUA não devem continuar a sua cumplicidade nesta guerra horrível.” (Bernie Sanders)

A fala corajosa de Lula sacudiu as placas tectônicas do mundo. Ao menos 100 países o apoiaram e, logo em seguida Antony Blinken, Secretário de Estado dos EUA veio ao Brasil se reunir com Lula e, o mesmo faz Sergey Lavrov, Ministro das Relações Exteriores da Rússia que está a caminho do Brasil.

Agora, a fala de Bernie Sanders que endossa a declaração de Lula:

Um dia após Blinken, Lula recebe o chanceler russo Sergey Lavrov

Encontro de Lula e Lavrov acontece às vésperas do aniversário de dois anos do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Às vésperas do aniversário de dois anos da guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quinta-feira (22/2), às 18h, no Palácio da Alvorada, com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov.

O chanceler veio ao país para participar da primeira reunião de chanceleres do G20. Atualmente, o Brasil ocupa a presidência do bloco. O tema da agenda ainda não foi divulgado.

Esta é a segunda vez que Lula recebe Lavrov no atual mandato. Em abril do ano passado, o chanceler russo veio ao Brasil. Na ocasião, Lavrov afirmou que os dois países dividem uma “visão similar” sobre os acontecimentos globais, em referência indireta à guerra na Ucrânia.

A reunião desta quinta chegou a ficar ameaçada devido a um problema de desabastecimento da aeronave que transporta o chanceler russo. De acordo com reportagem do Valor Econômico, o avião pode ficar sem combustível pois a Vibra, antiga BR-Distribuidora, não garante o abastecimento à aeronave russa por temer sanções dos Estados Unidos. O aeroplano foi abastecido com 15 mil litros antes de chegar o Brasil.

Agenda apertada
O diplomata russo terá um espaço em meio à agenda apertada do presidente nesta quinta. À tarde, Lula participará da posse de Flávio Dino como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e, em seguida, emenda uma reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e um “happy hour” com líderes partidários, no Palácio da Alvorada.

Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o petista também deve se encontrar com o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), até o final dessa semana. Nesta sexta-feira (23/2), Lula viaja para o Rio de Janeiro.

O encontro com Lavrov acontece um dia após Lula se reunir com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken. Entre os assuntos que foram discutidos, estão as tensões na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Além disso, os líderes abordaram temas como a proteção do meio ambiente, a transição energética e a cooperação entre os países.

De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, Blinken também manifestou desacordo com as declarações polêmicas do petista em relação a Israel, durante a reunião.

As perguntas que a PF fará a Bolsonaro no depoimento sobre suposta tentativa de golpe de Estado

Ex-presidente foi intimado a comparecer às 14h30 dessa quinta-feira na sede da corporação, em Brasília.

Intimado a depor na Polícia Federal nas investigações acerca de uma suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deverá ser questionado sobre o planejamento para a execução do plano, que incluiu a realização de uma reunião ministerial e ainda a elaboração de um decreto que previa a decretação de Estado de sítio.

No último dia 8 de fevereiro, Bolsonaro, além de alguns de seus principais aliados, foram alvos de 30 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares diversas, entre elas a proibição de manter contato com os demais investigados e de se ausentarem do país.

Nesta operação, as apurações da PF apontam que o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a versão de fraude na eleição presidencial de 2022, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.

Ao longo da semana, a defesa de Bolsonaro chegou a pedir a dispensa do comparecimento do ex-presidente a sede da PF, em Brasília, nesta quinta-feira, após alegar não ter tido acesso à íntegra das investigações. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, negou a solicitação.

Embora haja a previsão de que o ex-mandatário fique em silêncio diante dos investigadores, ele deverá ser questionado sobre os pontos coletados em depoimentos, incluindo os prestados pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid em delação premiada, em mensagens rastreadas e até nos registros feitos durante o encontro ministerial.

Veja os temas que devem ser perguntados pelos investigadores.

Decretação de golpe de Estado

Na decisão de Moraes que deferiu a operação, o ministro enumerou os núcleos de atuação do suposto grupo criminoso identificados pelos investigadores para operacionalizar medidas com o intuito de desacreditar o processo eleitoral, planejar e executar o golpe de Estado e abolir o Estado Democrático de Direito.

“A representação contempla vasto relato de complexa e coordenada atuação de organização criminosa, direcionada a propósito que inviabilizaria a manutenção do arranjo político do país, por meio da adoção de medidas que estipulavam estratégias de subversão da ordem jurídico-constitucional e adoção de medidas extremas que culminaram na decretação de um Golpe de Estado, tudo a fim de assegurar a permanência no poder do então Presidente JAIR MESSIAS BOLSONARO”, afirma Moraes.

Elaboração da minuta golpista


Como O GLOBO mostrou, a PF reuniu provas de que o ex-presidente redigiu e editou o decreto com fundamentação jurídica e doutrinária que atendia a interesses antidemocráticos. Mensagens trocadas entre alguns de seus aliados mostram que Bolsonaro teria deixado ainda a chamada minuta golpista “mais resumida”.

O documento, preparado no fim de 2022, previa a decretação do chamado Estado de sítio. A medida, prevista pela Constituição Federal, é para situações de “comoção grave de repercussão nacional” ou de “declaração de estado de guerra ou resposta à agressão armada estrangeira”. A solicitação é apresentada pelo presidente da República, mas depende de aprovação do Congresso Nacional.

Na representação enviada ao STF, a PF afirma que os diálogos confirmam “a existência do decreto, que, ao que tudo indica, embasaria a execução de um golpe de Estado, que estava sendo ajustado pelo então presidente da República Jair Bolsonaro e que era de conhecimento do comandante do Exército. Mauro Cid confirma que Bolsonaro estava recebendo pressões para consumar a medida de exceção com utilização das Forças Armadas”.

Impedir a posse do presidente legitimamente eleito


No despacho de Moraes, ele aponta também que o grupo atuava também para reverberar a ideia de que as eleições presidenciais de 2022 haviam sido fraudadas, estimulando seus seguidores a “resistirem” na frente de quartéis das Forças Armadas. O inquérito mostra que eles tinham o intuito de criar o ambiente propício para o golpe de Estado, fazendo circular estudos de conteúdo inverídico.

“Paralelamente à tentativa de reversão do resultado das eleições presidenciais, assinala a autoridade policial que uma segunda linha de atuação era adotada pelo grupo investigado, com planejamento e execução de atos tendentes à subversão do Estado Democrático de Direito, por meio de um golpe Militar, a impedir a posse do Presidente legitimamente eleito, assegurando-se a manutenção do então Presidente JAIR MESSIAS BOLSONARO no poder”, diz o magistrado.

Reunião ministerial

Na reunião ministerial realizada em 5 de julho de 2022 por Jair Bolsonaro e sua equipe, no Palácio da Alvorada, o ex-presidente desferiu ataques ao então adversário Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chega a se referir como “satanás”, com sucessivas ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso.

— Nós sabemos que, se a gente reagir depois das eleições, vai ter um caos no Brasil, vai virar uma grande guerrilha, uma fogueira no Brasil. Agora, alguém tem dúvida que a esquerda, como está indo, vai ganhar as eleições? Não adianta eu ter 80% dos votos. Eles vão ganhar as eleições — disse Bolsonaro.

Durante toda o encontro, Bolsonaro ordena que seus ministros atuem para questionar o processo eleitoral do dia 2 de outubro de 2022, data do primeiro turno, pois mostrava certeza na vitória de Lula, devido à infundada fraude que alegava existir, antes mesmo da disputa.

— Todos aqui têm uma inteligência bem acima da média. Todos aqui, como todo povo ali fora, têm algo a perder. Nós não podemos, pessoal, deixar chegar as eleições e acontecer o que está pintado, está pintado. Eu parei de falar em voto imp… e eleições há umas três semanas. Vocês estão vendo agora que… eu acho que chegaram à conclusão. A gente vai ter que fazer alguma coisa antes — afirma o então presidente.

Inteligência paralela

Também no despacho da última operação, Moraes ponderou que, em meio ao planejamento operacional que se direcionava à concretização do golpe, havia ainda um “sistema de inteligência paralela” inclusive para o fim de monitorar diversas autoridades.

As investigações mostram que a esse núcleo era atribuída a responsabilidade de coletar dados e informações que pudessem auxiliar o ex-presidente Bolsonaro na consumação do referido golpe. Um dos alvos do suposto monitoramento do itinerário, deslocamento e localização foi o próprio Alexandre de Moraes.

“Diálogos mantidos entre MARCELO COSTA CAMARA e MAURO CID, durante o mês de dezembro de 2022, indicam sua atuação no monitoramento de várias autoridades, inclusive desse Ministro relator, que serviria, fundamentalmente, a assegurar que ordem de prisão consignada do decreto golpista pudesse ser cumprida, contexto que evidencia as intenções reais da organização criminosa no sentido de consumar a ruptura institucional com decretação de golpe de Estado e cerceamento à independência do Poder Judiciário”, destacou o ministro.

 

Embaixada do Brasil em Tel Aviv desconfiou de espionagem de Israel

Funcionários se reuniram com embaixador para pedir que fosse feita uma varredura antigrampo

Diplomatas lotados na embaixada brasileira em Tel Aviv se reuniram com o embaixador Frederico Meyer dias atrás para tratar da necessidade de fazer uma varredura no local em busca de grampos.

Antes até de estourar a crise provocada pela declaração do presidente Lula comparando os ataques em Gaza ao Holocausto, os funcionários da representação do Brasil em Tel Aviv já desconfiavam que suas conversas estavam sendo monitoradas pelo serviço secreto de Israel, segundo Rodrigo Rangel, Metrópoles.

Na reunião, diplomatas mais experientes argumentaram que fazer a varredura seria inócuo porque, ainda que fosse encontrado algum dispositivo de escuta, seguramente outros seriam instalados em seguida pelos israelenses, conhecidos por deter tecnologias de espionagem de ponta.

Segundo relato feito à coluna por um dos presentes, um itamarateca graduado disse aos demais que melhor seria trabalhar com a certeza de que a embaixada brasileira (foto em destaque), assim como as de outros países, é monitorada permanentemente, ainda mais em tempos de guerra.

O argumento prevaleceu. No fim, todos saíram convencidos — e a varredura nem sequer foi encomendada.

Israel tem algumas das mais famosas agências de inteligência do mundo. A mais conhecida é o Mossad. Há, ainda, a Amam, responsável pela inteligência militar, e o Shin Bet, voltado para a segurança interna.