Dia: 4 de agosto de 2024

O que os EUA querem da Venezuela é roubar seu petróleo com base em mentiras, assim como fez com o Iraque

Os EUA, que acusam Maduro de fraude na eleição da Venezuela, é o mesmo que invadiu o Iraque, alegando que Sadan Russein tinha arma química, o que se mostrou uma acusação mentirosa. O motivo é o mesmo, roubar o petróleo da Venezuela como fizeram com o Iraque.

Nisso tudo, o que mais impressiona é a amnésia da mídia brasileira para aquela armação, montada por Bush e, agora, decalcada por Biden.

O nome da operação deveria ser, operação papel carbono e, lógico, a mídia brasileira seguirá fazendo cara de paisagem para essa aberração plagiada de uma das maiores mentiras criadas pelos EUA para justificar o roubo do petróleo do Iraque.

Isso mostra que o repertório americano para saquear, esmagar e colonizar outros países que não têm força militar para enfrentá-lo, mas tem reserva bilionária de petróleo, segue a mesma cartilha, pior, falando em defesa da “democracia”.

Eleições na Venezuela: o que está em jogo para a Rússia?

Rússia e EUA antagonizam posição sobre Maduro e crise na Venezuela expõe disputa de interesses geopolíticos.

Logo após a divulgação dos primeiros resultados das eleições da Venezuela no último domingo (28), indicando a vitória de Nicolás Maduro com 51,2% dos votos contra 44,2% de Edmundo González Urrutia, a Rússia, junto com a China, foi um dos primeiros países a reconhecer a reeleição do presidente venezuelano. Moscou manifestou o desejo de dar continuidade à parceria estratégica com Caracas e o presidente russo, Vladimir Putin, em particular, afirmou que Maduro é sempre bem-vindo em solo russo.

Moscou já colocou esta saudação em prática. Nesta sexta-feira (2), o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Ivan Gil, informou que Nicolás Maduro recebeu um convite para a cúpula do Brics, que será realizada na cidade russa de Kazan, em outubro.

“O presidente Vladimir Putin convida, em sua qualidade de presidente em exercício do Brics, o Presidente Nicolás Maduro à reunião ‘BRICS Plus’ dos líderes dos estados membros da união”, escreveu Gil na rede social X e publicou uma carta do líder russo a Maduro.

Por outro lado, o Departamento de Estado dos EUA alegou na última quinta-feira (1º) que o candidato da oposição venceu as eleições venezuelanas, intensificando a tensão internacional sobre o pleito. O antagonismo na forma com que Moscou e Washington reagiram ao resultado eleitoral dá o tom da disputa de interesses estratégicos no cenário internacional que gira em torno de Caracas.

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No caso específico da Rússia, a boa relação com a Venezuela tem um lastro histórico herdado ainda durante os governos de Hugo Chávez. Nos últimos anos, a conexão está relacionada com o isolamento que o Ocidente impôs a Moscou.

É o que afirma o Professor de Relações Internacionais da Universidade de São Petersburgo, Victor Jeifets, ao Brasil de Fato. Segundo ele, o imediato reconhecimento da vitória de Maduro por parte da Rússia era esperado, “já que tanto para a Rússia, quanto para a China, a Venezuela é um aliado importante”.

O pesquisador destaca que a Venezuela não só tem boas relações com Moscou, mas ainda goza de um status especial na formulação da política externa russa. Na doutrina de política externa da Rússia, a Venezuela é classificada especificamente como um país aliado na América Latina.

“A Rússia atualmente não tem tantos aliados. Entre os que a Rússia classifica como aliados, o Brasil, por exemplo, não é chamado assim na concepção da política externa russa, mas a Venezuela sim. E acredito que Moscou não está disposta a se desfazer de aliados”, observa.

As manifestação de apoio a Maduro por parte de Putin pode ser entendida como protocolar na medida em que seguiu a linha da tradição diplomática de Moscou de adotar uma certa neutralidade em processos políticos de países soberanos, em regiões distantes e fora do que a Rússia considera como região de influência (o espaço pós-soviético).

Além disso, a Rússia enviou uma delegação de representantes do parlamento e da Comissão Eleitoral Central do país. Os observadores relataram que as eleições decorreram em um “ambiente calmo e pacífico e que os procedimentos de votação foram transparentes e imparciais”.

No entanto, na medida em que foi se instaurando um cenário de instabilidade na Venezuela, com a oposição e atores internacionais alegando fraude eleitoral, a Rússia reforçou a sua posição de defender o resultado da votação anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano.

De acordo com a embaixada russa em Caracas, o não reconhecimento do resultado das eleições representa um ato de interferência nos assuntos internos de um Estado independente. A mesma posição foi explicitada em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, que manifestou uma “rejeição categórica às tentativas de vários Estados de se arrogarem o direito de reconhecer ou não reconhecer os resultados do processo eleitoral na Venezuela”.

“Gostaríamos de enfatizar a posição de princípio russa anteriormente declarada: a eleição da liderança do país é um privilégio exclusivo do povo. Estamos convencidos de que não deve haver duplicidade de critérios nesta matéria”, completou a chancelaria.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que ‘a oposição não quer aceitar a derrota’. Ele destacou que a oposição ‘deve fazê-lo’ e parabenizar Maduro pela vitória.

A posição russa também está relacionada com o histórico de boa cooperação entre os dois países. Em visita à Venezuela em 2023, o chanceler russo, Serguei Lavrov, selou uma união com o presidente Nicolás Maduro para “unir forças” contra as sanções dos EUA. E no começo de 2024, os dois países assinaram 340 acordos nas áreas de mineração, gás, petróleo e turismo. Na ocasião, Lavrov destacou a parceria estratégica dos dois países.

Mas a relação de aliança entre Moscou e Caracas vai além do histórico de boa cooperação. A Venezuela é um dos poucos países no cenário internacional que abertamente apoia a Rússia na guerra da Ucrânia e que reconhece os territórios do leste ucraniano anexados por Moscou – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye – como parte da Federação Russa.

Assim, a Rússia apoia Maduro por entender que uma mudança de rota na política da Venezuela poderia representar um risco estratégico para Moscou. Foi o que expôs o diretor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Dmitry Rosenthal, durante um briefing para a imprensa internacional no centro de mídia do grupo Rossyia Segodnya no dia seguinte às eleições venezuelanas.

“A oposição venezuela entende perfeitamente que hoje o seu principal apoio vem dos países do Ocidente, sobretudo dos EUA. Eles não podem não se orientar pela posição deles, não podem desconsiderar suas posições, e é claro que aconteçam certas consultas, não pode haver dúvidas sobre isso. Além disso, no caso de uma hipotética vitória de Gonzalez nas eleições, a política externa da Venezuela em relação aos EUA faria um giro total de 180 graus de uma maneira bem rápida e ativa”, analisa.

O perfil político da oposição na Venezuela é um outro elemento fundamental que consolida a posição russa de apoio a Maduro. Além do alinhamento geopolítico, a influência que o Ocidente tem sobre a ala oposicionista na Venezuela fere os interesses pragmáticos de Moscou.

Segundo o professor de Relações Internacionais Victor Jeifets, “a Rússia nunca sequer tentou estreitar relações com a oposição, e nem a oposição tentou buscar seriamente um contato com Moscou”. Como exemplo, o pesquisador citou Moscou não tem nenhuma base de garantia por parte da oposição do país sobre os seus investimentos e contratos na esfera energética. “Estes estariam na zona de risco. Se mudasse o governo [na Venezuela], muitos dos investimentos russos não passariam pelo parlamento”, afirmou.

“O mais importante é que o Kremlin não está na posição de perder mais um aliado estando na condição de uma dura pressão de sanções. E o apoio a Maduro está ligado justamente a isso”, completa o pesquisador.

*BdF

Embaixada no Líbano recomenda que brasileiros deixem o país

Representação do Brasil em Beirute monitora escalada da tensão após morte de comandante do Hezbollah e do principal líder político do Hamas.

A Embaixada do Brasil em Beirute emitiu um comunicado em que recomenda aos cidadãos brasileiros que residem no Líbano a deixarem o país “por seus próprios meios, até o retorno à normalidade”.

De acordo com o Itamaraty, o Líbano abriga a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio, com aproximadamente 22 mil pessoas.

A região vive uma escalada de tensão após o assassinato do comandante militar do Hezbollah, Fuad Shukr; e do líder político do Hamas, Ismail Haniyeh. Estados Unidos, França e Reino Unido também orientaram que seus cidadãos deixem o Líbano imediatamente.

O documento da Embaixada do Brasil pede ainda que as pessoas com planos de viajar para o local cancelem a viagem. “Se você não estiver no Líbano, não viaje ao país”, enfatiza.

Para os cidadãos brasileiros que considerem essencial estar no Líbano, a recomendação é evitar permanecer no sul do país, em áreas fronteiriças ou em outras áreas de risco reconhecido.

O comunicado orienta brasileiros a seguirem todas as recomendações de segurança das autoridades locais, com atenção às áreas consideradas de risco. “Não participe de reuniões e protestos”, completa o texto.

Breno Altman: “O chavismo fez uma aposta na politização do povo”

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, o jornalista Breno Altman, editor do Opera Mundi, comentou sobre a situação política na Venezuela e o papel do chavismo na politização da população, que, segundo ele, explicaria uma nova vitória do presidente Nicolás Maduro no processo eleitoral. Segundo Altman, “o debate político na Venezuela é bastante acentuado.

O país é muito politizado, o chavismo fez uma aposta na politização do povo. Você conversa com as pessoas aparentemente mais simples e elas dialogam sobre a política como sujeitos da política e não como audiência. É muito comum o eleitor chavista se referir o tempo todo como nós, ele se refere como parte integrante do processo.”

Altman destacou que “a politização é mais visível, é mais classista. O chavismo tem a ver com a massa da classe trabalhadora, da população mais pobre. No Brasil a classe trabalhadora não tem esse nível de politização. A disputa é uma disputa de ideias muito acirrada.”

O jornalista enfatizou que “o chavismo fez uma aposta na mobilização, na organização, na politização e na transformação do povo venezuelano no fator essencial da governabilidade, desde o primeiro momento.

A relação de Chávez e depois de Maduro com o povo não era uma relação de entrega, no sentido em que o governo realiza políticas públicas, agrada ou desagrada o eleitorado e recebe em troca o seu apoio eleitoral a cada eleição. Não foi esta relação, não foi uma relação de opinião pública. Foi uma relação de organizar, mobilizar e educar, e mudar o Estado venezuelano para que fossem criadas instituições de poder popular. O chavismo também implementou um sistema de referendos e plebiscitos, de tal maneira que o povo decidisse as grandes questões.”.