Dia: 3 de outubro de 2024

Estrangeiros fogem do Líbano com intensificação de ofensiva israelense

Alguns países providenciaram retiradas aéreas, enquanto em outros lugares centenas de pessoas embarcavam em balsas lotadas ou em embarcações menores.

Reuters – Estrangeiros da Europa, da Ásia e do Oriente Médio fugiram do Líbano nesta quinta-feira, em meio à intensificação dos bombardeios de Israel contra a capital Beirute e com os governos de todo o mundo recomendando que seus cidadãos saiam do país.

Alguns países providenciaram retiradas aéreas, enquanto em outros lugares centenas de pessoas embarcavam em balsas lotadas ou em embarcações menores enquanto bombas caíam no coração da cidade.

Israel pediu nesta quinta-feira aos moradores que se retirassem de mais de 20 cidades no sul do Líbano, em um conflito crescente que atraiu o Irã e corre o risco de atrair os Estados Unidos.

Dezenas de gregos e cipriotas gregos embarcaram em um avião militar da Grécia no aeroporto de Beirute, muitos deles crianças com brinquedos de pelúcia e mochilas escolares. Apertadas a bordo, algumas brincavam com bastões luminosos, enquanto outras dormiam no colo dos pais enquanto o avião deixava para trás a cidade fumegante.

O avião transportou 38 cipriotas para o aeroporto de Larnaca, no Chipre, cerca de 200 km a oeste do Líbano, e seguiu para Atenas, onde 22 cidadãos gregos desembarcaram.

Os que estavam a bordo, como muitos que fugiram por outros meios, falaram sobre o caos e o terror crescentes causados pela campanha de bombardeio desta semana.

“Estávamos presos, não havia outra maneira de sair porque os aviões do Oriente Médio estão lotados e o primeiro voo que se consegue é em 10 dias”, disse Giorgos Seib à Reuters na pista do aeroporto de Larnaca após o pouso.

“A cada dia a situação piora e não sabemos o que acontecerá amanhã.”

Dólar se tornou moeda perigosa e pouco confiável, afirma cofundador do banco do BRICS

O dólar se tornou uma moeda perigosa e pouco confiável, afirmou o cofundador e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Banco do BRICS Paulo Nogueira Batista Jr., em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, nesta terça-feira (1º).

Ao destacar que, entre os integrantes do grupo, Brasil, Rússia, Índia e China estão entre as dez maiores economias do mundo em termos de paridade de poder de compra, ele defendeu que o banco precisa de uma moeda de reserva.

“O BRICS fala muito em desdolarização, mas é curioso notar que o Banco do BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento, ainda opera essencialmente com dólares. Se não me falha a memória, três quartos das operações do banco são em dólares, e não em moedas nacionais dos países-membros, como se planejava”, ponderou.

Uma nova moeda de reserva, explicou, acabaria com as limitações e os riscos criados pelo sistema baseado no dólar norte-americano para pagamentos em moedas nacionais.

O economista esclareceu que as moedas nacionais e os bancos centrais dos membros do BRICS continuariam, mas uma reserva de valor seria criada para transações internacionais, a fim de que os países superavitários de moedas nacionais possam convertê-las em ativos estáveis de valor alternativos ao dólar.
“[…] O dólar se tornou uma moeda perigosa, pouco confiável, em face do uso que os americanos fazem do dólar como instrumento para sancionar países que eles consideram não amigáveis ou hostis”, disse. “Primeiro tem o custo de transação, o uso ao dólar e, segundo, tem o risco político, que é derivado do uso da weaponization, da transformação do dólar e do sistema financeiro ocidental de pagamentos numa arma.”

Ex-diretor-executivo pelo Brasil e mais dez países por oito anos no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, ele contou que a partir de 2011, 2012, ficou evidente que não haveria progresso na reforma estrutural e na democratização do fundo nem do Banco Mundial.

BRICS sob a presidência do Brasil
Um dos fundadores do NBD, Batista Jr. defendeu que a próxima gestão do BRICS, que será liderada pelo Brasil a partir do ano que vem, deve aprofundar a proposta de desdolarização do sistema de pagamentos internacionais, defendida pela presidência atual do BRICS, a Rússia.

“O Brasil, como presidente do BRICS em 2025, tem que não só trabalhar nas ideias de sistemas de pagamento, mas também criar um caminho para uma nova moeda de reserva […] Montar um sistema alternativo ao SWIFT, que é o sistema atual de transações e liquidação de transações internacionais.”

A partir de julho de 2025, a presidência do banco passa para a Rússia com um mandato de cinco anos.

“É muito importante para o futuro do banco que o próximo presidente seja uma pessoa não só tecnicamente sólida, mas que tenha visão geopolítica do que o novo Banco de Desenvolvimento pretende ser”, alertou ele. “Um banco do sul para o sul, de países em desenvolvimento para países em desenvolvimento, com uma nova visão de desenvolvimento e que ofereça uma real alternativa às instituições tradicionais, como o Banco Mundial e outras.”

*Sputnik

Guerra terrestre no Líbano impõe várias baixas ao exército de Israel

O Exército de Defesa de Israel (IDF) anunciou nesta quarta-feira a perda de oito de seus soldados, mortos durante confrontos intensos com operativos do Hezbollah no sul do Líbano. Esses óbitos representam as primeiras baixas confirmadas na operação terrestre que Israel lançou na região, e foram reportados pelo Times of Israel.

Entre os mortos, seis pertenciam à unidade de comando Egoz, uma força de elite especializada em operações de infiltração e combate em terrenos complexos. Eles foram identificados como: o Capitão Eitan Itzhak Oster, de 22 anos, o Capitão Harel Etinger, de 23 anos, o Capitão Itai Ariel Giat, de 23 anos, o Sargento Noam Barzilay, de 22 anos, o Sargento Or Mantzur, de 21 anos, e o Sargento Nazar Itkin, de 21 anos. Outros dois soldados, pertencentes à unidade de reconhecimento da Brigada Golani, também perderam a vida em uma ação separada.

Os combates ocorreram quando as forças israelenses tentavam tomar uma posição fortificada do Hezbollah em uma vila próxima à fronteira. Durante a retirada dos feridos após o embate, os soldados foram alvo de fogo de morteiros, intensificando o número de baixas. Além dos mortos, outros cinco soldados foram gravemente feridos e estão sendo tratados.

Em pronunciamento oficial, o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, expressou suas condolências às famílias dos soldados mortos: “Gostaria de enviar minhas mais profundas condolências às famílias de nossos heróis que caíram hoje no Líbano. Que a memória deles seja uma bênção. Estamos no meio de uma guerra difícil contra o eixo do mal liderado pelo Irã, que busca nossa destruição. Isso não acontecerá, pois estaremos unidos e, com a ajuda de Deus, venceremos juntos.”

As Forças de Defesa de Israel continuam a intensificar sua ofensiva, com o objetivo declarado de eliminar a infraestrutura militar do Hezbollah e garantir o retorno seguro dos cidadãos israelenses evacuados no norte do país. Helicópteros e tanques israelenses também participaram da operação, enquanto o Hezbollah retaliou com mísseis antitanque e morteiros.

O IDF estima que, ao longo dos combates, mais de 20 operativos do Hezbollah foram mortos. A operação, que teve início na segunda-feira, está concentrada em desmantelar bases de lançamento de foguetes e outras infraestruturas do grupo xiita libanês. A IDF também alertou os civis do sul do Líbano para que evacuassem suas casas, uma vez que qualquer local usado pelo Hezbollah para fins militares seria considerado alvo.

A troca de fogo continua, com o Hezbollah afirmando ter destruído três tanques Merkava israelenses e lançado mais de 100 foguetes em direção ao norte de Israel. Sirenes de alerta seguem soando na região, mas até o momento, não há relatos de novos feridos entre civis israelenses.