Dia: 11 de outubro de 2024

Lula diz que imposto mínimo sobre milionários vai custear isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil: “Temos que tirar de alguém”

“Salário não é renda. Renda é o cara que vive de especulação, esse sim deveria pagar Imposto de Renda”, disse o presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (11) que os trabalhadores pagam, proporcionalmente, mais impostos do que pessoas ricas – e que é preciso “tirar de alguém” para viabilizar a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

O presidente deu a declaração ao ser questionado, em entrevista à rádio O Povo/CBN, sobre a proposta em análise pelo governo de criar uma espécie de “imposto mínimo de milionários” para compensar a perda de arrecadação com a mudança na tabela de isenção.

“O rico paga proporcionalmente menos imposto do que o trabalhador. Eu acho que nós temos que tirar de alguém. E esse debate, para mim, não tem que ser feito um debate escondido, não. Tem que ser público”, afirmou.

A isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil é uma promessa de campanha de Lula, que de tempos em tempos reafirma que pretende cumprir o compromisso até o final do mandato, em 2026.

Neste ano, o governo estabeleceu, com aval do Congresso, que quem ganha até R$ 2.824 por mês, o equivalente a dois salários mínimos, não paga IR.

Até 2022, o limite de isenção estava em R$ 1.903,98, valor que subiu para R$ 2.640 em maio do de 2023.

Lula afirmou que levar o limite até R$ 5 mil é uma questão de “justiça”.

“Você não pode cobrar 27% ou 15% de um trabalhador que ganha R$ 4 mil e deixar os cara que recebem herança que não paga. É apenas uma questão de justiça”, disse.

“O que nós queremos é o seguinte: é isentar aquelas pessoas até R$ 5 mil e no futuro isentar ainda mais. Na minha cabeça, a ideia é que salário não é renda. Renda é o cara que vive de especulação, esse sim deveria pagar Imposto de Renda”, acrescentou.

Saque-aniversário e crédito consignado
Lula também comentou na entrevista o projeto que o governo pretende enviar ao Congresso para terminar com o saque aniversário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e para alterar as regras do empréstimo consignado.

A ideia em discussão no Ministério do Trabalho é utilizar a multa rescisória de 40% dos trabalhadores como garantia dos empréstimos consignados, aqueles cujo pagamento é feito com desconto no salário dos funcionários.

A expectativa no governo é, via consignado no setor privado, substituir a linha de crédito que os bancos ofertam na antecipação do saque-aniversário.

“Acho que os trabalhadores vão concordar de que, se tiverem o consignado, eles não precisam comprometer o seu Fundo de Garantia, porque, hoje, um trabalhador que receber uma parte do Fundo de Garantia, ele não pode retirar nem se for mandado embora, é um absurdo”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, o saque-aniversário tem causado “problema na poupança do Fundo de Garantia”, porém o governo “tem a noção de que a gente não pode acabar porque vai mexer com muita gente”.

Lula afirmou que o tema será discutido e que não há pressa para enviar o projeto ao Congresso.

“Tudo isso a gente quer fazer de forma conversada, acordada. Eu não sei se dá para fazer esse ano ainda. É importante que a gente não tenha pressa para não fazer uma coisa errada”, disse.

O FGTS é direito de toda pessoa com contrato de trabalho formal, trabalhadores domésticos, rurais, temporários, intermitentes, avulsos, safreiros e atletas profissionais. Trata-se de um valor de 8% do salário que é depositado pelo empregador, mensalmente, em nome do funcionário.

O saque do FGTS é permitido em situações específicas estabelecidas por lei, como demissão por justa causa, compra da casa própria e doença grave do trabalhador ou de seu dependente. Quem optou pelo saque aniversário, tem regras diferentes.

 

Vídeo vazado mostra reunião festiva de oligarquias e perpetuação do poder em SC

Encontro reuniu políticos do MDB, PSD, PL, PP e PDSB que elegeram, juntos, 267 dos 295 prefeitos no Estado nas eleições municipais.

Era uma segunda-feira de eclipse solar quando um “petit comité” se reunia na casa de um ex-deputado federal, em Florianópolis, num encontro social. O atual governador Jorginho Mello, quatro ex-governadores, prefeitos, senadores, desembargadores e deputados catarinenses aparecem descontraídos em um vídeo vazado que viralizou logo após as eleições municipais no WhatsApp.

“No fundo, no fundo nós somos do mesmo time, de forma que passamos o bastão pro outro, mas continuamos no mínimo no estádio”, dizia Esperidião Amin, que já foi deputado, governador, prefeito e hoje é senador bolsonarista.

MDB, PSD, PL, PP e PDSB representavam o Executivo, o Legislativo e até mesmo o Judiciário catarinense naquele encontro de 8 de abril. Ainda que oficialmente a reunião não tenha registros de agenda de trabalho, estes partidos elegeram, juntos 267 dos 295 prefeitos no Estado nas eleições municipais — dentre eles, dois presentes na reunião: o prefeito reeleito de Florianópolis, Topázio Neto, e o ex-vice governador, ex-governador, ex-deputado, ex-senador e ex-prefeito Leonel Pavan, vitorioso na cidade de Camboriú.

Três poderes de SC no vídeo
É ele quem surge, no vídeo, apontando, orgulhoso, para os amigos. “Aqui está a história de Santa Catarina”. Ao seu redor, homens acima dos 60 anos, brancos e que circulam por diferentes espaços de poder — Executivo, Legislativo e Judiciário.

Esperidião Amin (PP) já elegeu a mulher, Ângela Amin, e o filho, João Amin, a diferentes cargos públicos. Pavan elegeu a filha vereadora e, agora, prefeita de Balneário Camboriú no pleito de 2024, em uma disputa acirrada com o candidato de Jair Bolsonaro. Paulo Bornhausen, filho do ex-governador e ex-senador Jorge Bornhausen, também aparece no vídeo. Hoje ele é secretário de Estado.

A história de Santa Catarina foi resumida pelo prefeito eleito como uma reunião de amigos que já ocuparam toda a sorte de cargos públicos. Pouco mais de um mês após esse encontro, quatro dos presentes na reunião, que são também pensionistas do Estado, inclusive o próprio Pavan, recebiam um aumento salarial concedido sem divulgação oficial pelo governador Jorginho Mello. O aumento custou R$ 520 mil aos cofres públicos em apenas três meses.

Os quatro ex-governadores discursam no vídeo. Paulo Afonso Vieira e Eduardo Pinho Moreira, ambos do MDB, aparecem em cortes rápidos. Os convidados mencionam que a residência onde ocorre a festa é o Vaticano, sob risos entusiasmados. Apenas os últimos dois ex-governadores vivos desde a época da redemocratização não aparecem na reunião: Raimundo Colombo e Carlos Moisés.

Oligarquias e sucesso eleitoral
Os partidos dos convidados do vídeo viral foram os mais bem sucedidos nas eleições catarinenses. O PL, liderado pelo governador Jorginho Mello, abocanhou 90 das 295 prefeituras do Estado. O MDB veio na sequência, com 70, logo à frente do PP, com 53. O PSD ficou em quarto, com 41 prefeituras. O PT, único partido do campo progressista a eleger prefeitos em Santa Catarina, elegeu sete. Com ICL.

A distribuição do poder nas cidades mais populosas seguiu lógica semelhante: Florianópolis, Chapecó, São José, Balneário Camboriú e Criciúma ficaram com o PSD; Blumenau, Palhoça e Itajaí estão com o PL. Joinville e Lages são exceções: mas o Novo e o Cidadania, que elegeram os prefeitos nas cidades, levaram respectivamente o PSD e o PL nas suas coligações.

As assessorias do MDB e dos ex-governadores Leonel Pavan e Esperidião Amin foram procuradas para verificarem a autenticidade do vídeo viral. Até o fechamento desta edição, apenas a assessoria do atual senador Amin respondeu, confirmando que o encontro ocorreu em 8 de abril deste ano na casa do ex-deputado Mauro Cavallazzi.

“Esses encontros com ex-parlamentares e/ou atuais parlamentares e lideranças, acontecem esporadicamente, organizados pelo citado acima e demais amigos. Não existe motivo. É um encontro que acontece esporadicamente”.

 

 

 

Lula diz que “voto não tem dono” e que “Boulos pode ganhar a eleição” em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (11), em entrevista à rádio O Povo/CBN, de Fortaleza, que o candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (Psol), pode virar sobre o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e vencer a eleição no segundo turno. Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha na última quinta (10) mostra que Nunes lidera a disputa com 55% das intenções de voto, contra 33% de Boulos.

Segundo Lula, “o voto não tem dono”, e a campanha do psolista precisa utilizar o tempo de televisão e os debates para conquistar o eleitor. “O voto não tem dono. O votos nós temos que captar, conquistar. Toda vez que eu abrir a boca para falar, eu tenho que ter a noção de que eu tenho que conquistar alguém. Então o Boulos tem duas semanas, tem vários programas de televisão, vários debates para poder convencer as pessoas. E eu, se puder ajudá-lo, vou ajudá-lo a ganhar esta eleição, porque eu acho que ele pode fazer um bem muito grande para a cidade de São Paulo”, opinou.

No segundo turno, Guilherme Boulos deve apostar na sua imagem como o “candidato da mudança” para atrair o eleitorado que votou em Pablo Marçal (PRTB) no primeiro turno e demonstra insatisfação com a atual gestão da capital paulista. No primeiro turno, Boulos obteve 29,07% dos votos, um resultado próximo ao de Ricardo Nunes, que ficou com 29,48%. Pablo Marçal, por sua vez, alcançou 28,14%.

Outro ponto ressaltado por Lula foi a quantidade de pessoas que se confundiram na hora de votar e digitaram 13 na urna. “O Boulos pode ganhar as eleições. O Boulos é uma figura muito preparada. Nós tivemos um problema no primeiro turno. É muito difícil você convencer um petista, que estava habituado a votar no 13 desde 1980, a votar 50, a votar outro número. Tivemos 50 mil pessoas que votaram no 13. Eu inclusive gravei para o Boulos dizendo ‘olha, quem está habituado a votar no 13 tem que votar agora no 50 na cidade de São Paulo’”, disse.