Dia: 22 de dezembro de 2024

Folha e banqueiros que ela representa chamam de ‘gastança’ todo serviço aos mais pobres

Editorial tem receituário e semântica características dos representantes mais selvagens do capitalismo brasileiro.

Já temos a cereja do bolo no ataque que o governo sofreu nos últimos dias por parte dos tubarões da Faria Lima. Depois da estratégia especulativa que empurrou a cotação do dólar para um recorde histórico, chantagem explícita para o governo cortar gastos indiscriminadamente, saiu, enfim, o editorial da Folha de São Paulo sobre o tema.

O texto dominical não contém nenhuma ideia nova. Parece uma nota oficial ditada pelos “faria limers”, com o receituário e a semântica características dos representantes mais selvagens do capitalismo brasileiro.

Já no título repete o surrado clichê do “almoço grátis”.

O que o jornal chama de “almoço” é a manutenção das políticas sociais de apoio à população mais pobre de um dos países mais desiguais do planeta. Para os editorialistas (imagino que a peça tenha sido escrita por mais de um autor), esses benefícios e serviços custam caro demais. Queriam que fosse “grátis”, que não se gastasse um centavo sequer com a ajuda a quem necessita.

Como o governo Lula faz o oposto disso e mantém recursos para as políticas sociais — de forma bem mais timida do que gostaria –, os banqueiros não se conformam. Usam o editorial da Folha para rotular como “gastança” (outro clichê) tudo que for dinheiro público investido para fomentar o bem-estar do povo.

O texto do jornal não diz, mas o que realmente pretendem os carniceiros da Faria Lima está descrito numa abjeta “PEC alternativa”, que os deputados Pedro Paulo, Kim Kataguiri e Júlio Lopes apresentaram para contrapor ao pacote de corte de gastos do governo. Está lá com todas as letras: limitar ainda mais o aumento do salário mínimo e das aposentadorias, além de reduzir os recursos para Educação e Saúde.

O editorial da Folha e os deputados que escreveram essa PEC pusilânime não fazem qualquer menção ao imposto sobre grandes fortunas ou heranças, ideia fragorosamente derrotada no Congresso em votação que quase não apareceu na grande mídia.

Para ficar no campo dos clichês que o editorial inspira, o jornal age como de costume no estilo de um Robin Hood às avessas, que quer tirar dos mais pobres para manter ilesos os bilionários. Nem mesmo migalhas de suas fortunas os capitalistas brasileiros admitem ceder e os veículos de comunicação hegemônicos trabalham para fazer essa aberração parecer natural.

Como exemplo de “gastança”, o editorialista da Folha tem a cara de pau de citar os R$ 150 bilhões que o governo conseguiu aprovar no Congresso para a transição do início de gestão, de 2022 para 2023. Não há nenhuma linha para explicar a necessidade dos recursos suplementares diante do rombo escandaloso de R$ 400 bi deixado pelo governo Bolsonaro (a estimativa é de Henrique Meirelles, que está longe de ser um socialista).

A Folha quer prioridade para a dívida pública, louva o Banco Central por elevar os juros e evitar hiperinflação (!!!) e vaticina que se não mudar a política econômica Lula pode chegar ao fim do mandato com o Dilma em seu primeiro governo.

(Continua sem resposta a pergunta feita pela economista Deborah Magagna, em entrevista ao ICL Notícias: o que justifica racionalmente o Brasil ter ultrapassado a Rússia, país em guerra, em taxa de juros reais? Que risco fiscal é esse?)

Para os brasileiros mais pobres, que precisam de Saúde, Educação, Segurança e amparo social, o editorial não dedica qualquer comentário. Ao contrário: em um trecho sinaliza que a pressão por cortes de gastos vai continuar.

De nada adiantam índices positivos como a queda do desemprego, o aumento nas vendas, as surpresas positivas do PIB. Essa turma é insaciável.

A crítica de Lula aos operadores financeiros é chamada no texto de “velha artimanha”.

Usa, nesse ponto, uma estratégia que tem sido popular entre os direitistas brasileiros: “acuse o seu adversário daquilo que você pratica”.

De artimanha, esses veículos que servem de porta-vozes da Faria Lima entendem muito bem.

(PS.: O colunista resolveu poupar os leitores de comentários sobre outros clichês do editorial, como “cavalo de pau” e “freio de arrumação”)

*Chico Alves/ICL

A crise fiscal não é por conta da situação fiscal do Brasil, pois Lula conseguiu eduzir o deficit

É o que diz a economista Laura Carvalho

1. A crise do dólar não é por conta da situação fiscal do Brasil, até porque o governo Lula conseguiu reduzir o déficit público de 87 bi em 23 para 57 bi este ano. E o pacote de corte de gastos aponta para uma economia de 55 bi, o que não é pouca coisa.
2. A crise do dólar tem duas componentes. Uma internacional, com o aumento dos juros nos EUA na expectativa de Trump. Outra nacional, que foi o anúncio da isenção do IR para quem ganha até 5 mil reais. Esse anúncio foi o motivo da movimentação do ‘mercado’ que causou a desvalorização do real. Somando as duas componentes, explica-se o dólar acima de 6 reais.
3. O problema do dólar é o mais complicado pois ele impacta a inflação. Por isso que a especulação com o dólar é um forte instrumento de chantagem econômica sobre o governo. E o Banco Central demorou muito para atuar na contenção da moeda estrangeira.
4. Um pacote de corte de gastos é necessário para o Brasil, mas não um corte que impacte a população mais pobre. Cortar BPC, cortar salário mínimo, cortar abono é absurdo pois bate em quem já não tem nada. Um bom pacote de corte de gastos deveria mexer nas isenções fiscais que hoje estão na casa dos 100 bilhões de reais. Muitos dos setores que gozam de isenção fiscal não geram empregos nem contribuem no crescimento econômico. Mas esses setores são poderosos e a corda do corte de gastos acaba arrebentando em cima da população.
5. Outra coisa importante seria cobrar imposto de quem não paga. Lucros e dividendos empresariais, grandes fortunas, investimentos offshore etc.”

Mesmo sob críticas de golpismo, Exército não recua e cria mais 2 cursos de Kids Pretos

‘Kid preto’ é o apelido atribuído aos militares de Operações Especiais;

O Estado Maior do Exército, comandado pelo general Richard Fernandez Nunes, criou mais dois cursos destinados à formação de militares: o curso de Forças Especiais (kids pretos) para oficiais e o curso de Forças Especiais para sargentos. A decisão foi tomada em meio à investigação da participação de militares formados nesses cursos no planejamento e execução da tentativa de golpe de Estado no páis.

Segundo a Polícia Federal, o general da reserva Mário Fernandes, que é um kid preto, é um dos principais articuladores da trama golpista. Ele está preso.

Pelo envolvimento das Forças Especiais no plano de ataque à democracia brasileira, o PSOL pediu ao Ministério da defesa a extinção desse batalhão.

Os dois novos cursos têm como objetivo treinar os militares para ocupar cargos e desempenhar funções nas organizações que compõem o Comando de Operações Especiais e na 3ª Companhia de Forças Especiais.

As informações foram publicadas em uma portaria do dia 10 de dezembro deste ano e divulgadas por Robson Augusto no site Revista Sociedade Militar.

O processo seletivo para as Forças de Operações Especiais é realizado entre militares voluntários que realizam curso de Ações de Comandos e de Forças Especiais, segundo o Exército.

Os “kids pretos” passam por formação no Centro de Instrução de Operações Especiais, em Niterói (RJ), no Comando de Operações Especiais em Goiânia (GO), ou na 3ª Companhia de Forças Especiais, em Manaus (AM).

Como parte do treinamento, os militares aprendem a atuar em missões com alto grau de risco e sigilo, como em op

Kids pretos foram presos suspeitos de planejar matar Lula, Alckmin e Moraes
Os “kids pretos” — também chamados de “forças especiais” (FE) — são militares da ativa ou da reserva do Exército, especialistas em operações especiais. Segundo o Exército, até o ano passado, os “kids pretos” tinham um efetivo aproximado em torno de 2,5 mil militares.

Em novembro deste ano, a Polícia Federal prendeu quatro militares do Exército ligados às forças especiais suspeitos de um golpe de Estado após as eleições de 2022 para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e restringir a atuação do Poder Judiciário.

São eles: general de brigada Mario Fernandes (na reserva); tenente-coronel Helio Ferreira Lima; major Rodrigo Bezerra Azevedo e major Rafael Martins de Oliveira.

Segundo a Polícia Federal, entre as ações elaboradas pelo grupo havia um “detalhado planejamento operacional, denominado ‘Punhal Verde e Amarelo’, que seria executado no dia 15 de dezembro de 2022” para matar os já eleitos presidente Lula e vice-presidente Geraldo Alckmin.

Prerações de guerra irregular — terrorismo, guerrilha, insurreição, movimentos de resistência.

“Kid preto” é um apelido informal atribuído aos militares de Operações Especiais do Exército Brasileiro, pelo fato de usarem um gorro preto.

De acordo com o Exército, os “kids pretos” podem atuar em todo o território nacional. No entanto, a corporação afirma que as tropas especiais só são empregadas por ordem do Comando do Exército, sob coordenação do Comando de Operações Especiais.

Kid preto é um apelido informal dos militares de Operações Especiais do Exército Brasileiro, pelo fato de usarem um gorro preto. — Foto: Divulgação/Exército