Dia: 5 de julho de 2026

NYT: Fifa anulou expulsão de jogador da seleção dos EUA após contato de Trump

A decisão da Fifa provocou reação da Federação Belga de Futebol (RBFA), que afirmou estar “perplexa”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou na última quarta-feira para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir a revisão do cartão vermelho recebido por Folarin Balogun na vitória da seleção norte-americana sobre a Bósnia e Herzegovina, pela segunda fase da Copa do Mundo de 2026. A informação foi revelada neste domingo pelo jornal The New York Times.

Dias após a ligação, a Comissão Disciplinar da Fifa anunciou a suspensão da execução da punição aplicada ao atacante, que, desta forma, está liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final do Mundial.

Segundo comunicado divulgado pela entidade, Balogun recebeu a suspensão de uma partida, mas sua execução foi condicionalmente suspensa pelo período de um ano. Caso o jogador cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período, a punição será aplicada, sem prejuízo de eventuais novas sanções.

De acordo com o The New York Times, a decisão representa um fato incomum na história recente das Copas do Mundo. Ainda segundo a publicação, a reviravolta acontece em um momento em que Infantino busca fortalecer sua relação com Donald Trump.

Críticas da Bélgica à posição da FIFA
A decisão da Fifa provocou reação da Federação Belga de Futebol (RBFA), que afirmou estar “perplexa” com a liberação do atacante norte-americano para a partida desta segunda-feira.

“A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) está perplexa com a decisão da FIFA de declarar o jogador norte-americano Folarin Balogun — que estava suspenso — elegível para disputar a partida entre EUA e Bélgica na segunda-feira, 6 de julho, às 17h (horário de Seattle)”, escreveu a entidade em comunicado.

A federação belga argumenta que a decisão se baseia no artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA, que permite a suspensão da execução de sanções disciplinares. No entanto, a RBFA sustenta que o artigo 66 do mesmo código e o regulamento da Copa do Mundo determinam a suspensão automática do jogador para a partida seguinte após um cartão vermelho.

Diante disso, a entidade informou que estuda todas as medidas possíveis para preservar os direitos da seleção belga e os princípios de fair play da competição.

Confira a nota na íntegra:
“A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) está perplexa com a decisão da FIFA de declarar o jogador norte-americano Folarin Balogun — que estava suspenso — elegível para disputar a partida entre EUA e Bélgica na segunda-feira, 6 de julho, às 17h (horário de Seattle).

A FIFA baseia sua decisão no Artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA. Tal dispositivo estabelece que o Comitê Disciplinar da FIFA pode decidir suspender a execução de uma sanção disciplinar previamente imposta.

No entanto, o Artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar da FIFA determina claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a partida seguinte da equipe, como ocorreu com todos os cartões vermelhos aplicados anteriormente nesta Copa do Mundo da FIFA.

Além disso, e independentemente do exposto acima, a decisão contradiz diretamente as disposições do Regulamento da Competição da Copa do Mundo da FIFA 2026, conforme estabelecido no Artigo 10.5:

“Se um jogador ou membro da comissão técnica for expulso em decorrência de um cartão vermelho direto ou indireto (segunda advertência), ele será automaticamente suspenso da partida subsequente de sua equipe. Adicionalmente, outras sanções poderão ser impostas.”

O caráter automático de tal suspensão também foi explicitamente reafirmado na Circular nº 16 da Copa do Mundo da FIFA 2026, distribuída a todas as associações-membro participantes em 12 de maio de 2026.

A mesma regra é reiterada em todas as reuniões de coordenação de jogos da Copa do Mundo da FIFA 2026, antes de cada partida, e consta em todas as apresentações dos workshops do torneio.

Com o objetivo de salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do *fair play* em nosso esporte — tanto nesta Copa do Mundo da FIFA quanto em futuras edições do torneio —, a RBFA está analisando todas as opções possíveis.”


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Mercado evangélico: De Cachorro Crente a sex shop gospel

Leandro Lima trabalhava com produção de shows, gente como Jorge Vercillo e Péricles, mas confessa que “já estava desanimado com o ego e a vaidade desse mercado”. Foi aí que ele se voltou à sua fé. “Pedi a Deus que me desse um projeto fora da área.”

Em 2019, saía de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio, quando viu uma barraca de cachorro-quente do outro lado da rua. “Na hora pensei: cachorro crente.” O trocadilho lhe pareceu inevitável: “A palavra ‘crente’ é muito falada na igreja, acaba sendo algo marcante”.

Começou a Cachorro Crente com carrocinhas na rua. Em abril deste ano, inaugurou a 50 metros da igreja a primeira loja do que chama de “fast food cristão”. Sob o lema “gostoso e abençoado”, vende pão com salsicha e variações como cupim e costela, com preços a partir de R$ 17.

A receita em si não é diferente daquela de um cachorro-quente qualquer. O que muda é a atmosfera, como uma fachada que faz referência ao versículo 1 Coríntios 10:31: “Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”.

A marca faz parte de uma onda de empreendimentos que incorporam referências do universo evangélico para disputar um mercado em expansão. Nos últimos anos, proliferaram negócios como a hamburgueria Gospel Burger, a marca de roupas Senhorita Moda Modesta e o transporte por aplicativo Com Deus (o bordão é “vá Com Deus”).

A aposta é na identificação imediata com um público que cresce em número e relevância econômica: os evangélicos representavam, no Censo 2022, 26,9% dos brasileiros de dez anos ou mais e, segundo estimativas do setor, movimentam mais de R$ 20 bilhões anuais.

Diversificação de empreendimentos
O que antes se concentrava em livrarias, gravadoras e editoras gospel passou a incluir todo tipo de investimento. Em comum, a promessa de um ambiente familiar para consumidores cristãos.

São frentes que filtram interesses seculares para o paladar evangélico. Caso da brasiliense Gospel Drinks, que se diz “o primeiro open bar gospel do Brasil”, uma “diversão zero álcool” com releituras de drinques clássicos — sai a cachaça, por exemplo, e entra refrigerante de limão.

Vale até sex shop. A Bem Amada, de São Paulo, se propõe a ser um “lugar seguro onde ajudamos a acender o fogo no parquinho sem apagar os valores”. Adriana Araujo abriu a partir das dúvidas que surgiram após se converter.

“Eu queria viver minha fé de forma íntegra, mas também entender como Deus enxergava a intimidade no casamento”, afirma. “Estudei bastante e percebi que muitas mulheres cristãs tinham exatamente as mesmas inseguranças que eu havia vivido.”

Ela diz que primeiro só aconselhava as fiéis. Depois, decidiu empreender. O propósito, segundo Adriana, é o mesmo: “Fortalecer casamentos e ajudar mulheres a viver sua sexualidade sem culpa, mas com responsabilidade, amor e respeito aos seus valores, sem vulgaridade e também sem vergonha”.

Lubrificante e gel excitante, os itens mais populares, saem sobretudo nos sabores morango e menta.

Só não pode, diz a dona da Bem Amada, comercializar produtos “que entendemos não estarem alinhados com os princípios que defendemos para o casamento”. Ficam de fora aqueles “voltados ao prazer individual ou que substituam o cônjuge na relação”.

Presidente do Instituto Locomotiva, que pesquisa tendências de mercado e consumo, Renato Meirelles afirma que a multiplicação de grifes evangélicas traduz para a linguagem do varejo contemporâneo um fluxo econômico que já existia informalmente dentro das igrejas.

“Estão dando rótulo de marca a uma coisa que sempre rolou nos fundos do templo: o irmão que vendia churrasco depois do culto, a irmã que fazia bolo para a quermesse, o casal que tinha pizzaria e contratava só gente da congregação. Isso é antigo. O que mudou foi a escala, o canal e a geração que opera.”

A transformação maior, para Meirelles, é estética e geracional. A geração Z crente não tem vergonha de sua identidade, ao contrário dos seus pais, que muitas vezes “escondiam o crachá evangélico no ambiente de trabalho para não sofrer estigma”.

Hoje tem bem menos disso. “O jovem cristão posta o look pro culto, e o pai dele, 20 anos atrás, escondia a bíblia na mochila para não virar piada no escritório. É essa virada de pertencimento sem constrangimento que abre espaço comercial para a marca explícita.”

Fé se transforma em consumo
Levantamento feito pelo instituto em março revela que 47% dos evangélicos transformam afinidade religiosa em consumo, isto é, compram mais de fornecedores que compartilham a mesma crença, enquanto 38% dos católicos fazem o mesmo.

Embute-se aí, também, a ideia de que empresários evangélicos não querem apenas lucrar, mas usar seu negócio como instrumento de evangelização.

Tom Dias encara seu Coletivo de Emaús como uma “ferramenta missionária”. Na Bíblia, Emaús é um povoado próximo a Jerusalém, conhecido por ser o cenário de uma das aparições mais importantes de Jesus após sua ressurreição. No Brasil, dá o nome de uma marca de camisetas com estética moderna.

Um dos modelos, batizado Vila Nazaré Futebol Clube, custa R$ 188 e emula a seleção brasileira, mas é “um time com gente comum, gente simples, gente que talvez ninguém escolheria primeiro, mas que Ele chamaria pelo nome”. O time “que Jesus montaria”.

A antropóloga Livia Reis, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), destaca que a segmentação religiosa do mercado não é um fenômeno isolado. Ela compara o movimento a outros direcionados a grupos sociais específicos, como o “black money” (voltado à comunidade negra) e o “pink money” (LGBTQIA+).

Daí a importância de não analisar essa circulação de bens e serviços apenas do ponto de vista moral. “A gente não pode esquecer que, no neoliberalismo, tudo vira produto, e o mercado gospel é muito bem estabelecido.”

Esse nicho hoje abrange do turismo religioso ao condomínio temático — caso do Residencial Clube Manancial da Fé, previsto para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Meirelles, do Locomotiva, traça o perfil médio desse consumidor: tem carteira assinada na maior parte do tempo da vida adulta, ensino médio completo, às vezes técnico, raramente superior, mas o filho está fazendo faculdade. Renda entre dois e cinco salários mínimos. Casa própria comprada com Minha Casa, Minha Vida ou financiada pelo banco. Moto na garagem, carro às vezes.

O consumo é regrado. “Aqui está um ponto que a Faria Lima e a esquerda acadêmica não enxergam: ele é regrado porque a igreja regulou. Não gasta com cerveja, cigarro, balada, jogo, prostituta, festa de empresa. Esse dinheiro que em outras casas evapora em consumo de impulso, na casa dele fica.”

Sobra renda, portanto, e esse, segundo Meirelles, é “o segredo da força do consumo evangélico”.

*ICL


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250 anos de um império forjado

Os Estados Unidos tornaram-se independentes há 250 anos e, numa imagem estrategicamente forjada ao longo do século XX, constituíram um modelo de democracia para o mundo ocidental. Seria injusto não lhes reconhecer certos atributos democráticos, todos relativos, mas as ressalvas são tormentosas. O preconceito racial em terras americanas, a despeito dos avanços formais na direção de igualdade, é notável. Os imigrantes, que no passado ajudaram a construir seu desenvolvimento econômico, hoje são tratados como invasores e perturbadores da ordem por um presidente xenófobo. Da porteira para fora, a autobatizada América é uma nação antes de tudo imperialista, e a mais belicista de que se tem registro na História moderna.

O fato de os EUA terem estado no lado certo da História ao menos uma vez, quando, juntos com a União Soviética e os Aliados, derrotaram Hitler e a Alemanha nazista, não os autoriza a semear conflitos mundo afora e a se intrometer em questões internas de outras nações.

Nenhum país promoveu mais intervenções militares internacionais ou ingressou belicosamente em outros territórios do que os Estados Unidos na era moderna. De acordo com o Projeto de Intervenção Militar (MIP) da Universidade Tufts e registros históricos, os EUA realizaram quase 500 intervenções militares desde sua fundação, sendo que mais de 50% delas ocorreram após 1950 e mais de 25% após o fim da Guerra Fria. O país operou ações militares, bombardeios ou incursões secretas em mais de 50 países no século passado.

Ao longo dos seus 250 anos de história, os Estados Unidos participaram de mais de 100 conflitos militares, tendo declarado guerra, formalmente, 11 vezes. Sob a ótica de guerras promovidas por iniciativa própria – guerras de agressão, invasões ou intervenções unilaterais – os historiadores apontam para um núcleo de aproximadamente 12 grandes conflitos estruturais, além de centenas de operações e intervenções de menor escala.

Bomba de Hiroshima, detonada pelos EUA em 1945. Reprodução

A coisa toda está na internet para quem quiser ver, não são necessárias horas de pesquisa ou cursos de geopolítica para se chegar a conclusões assustadoras. Quem não se informa não se indigna, o que talvez explique a idolatria que tanta gente nutre pelo Império do Norte, com perdão pelo chavão um tanto esquerdista, mas que traduz a realidade.

As próprias Forças Armadas e agências de inteligência americanas dividem as iniciativas bélicas dos EUA em fases históricas claras. A primeira contém ações de expansão territorial ou apenas de agressão por motivações políticas, quais sejam (só as principais):

• Guerra Mexicano-Americana (1846–1848): Um clássico conflito de iniciativa própria orientado pela doutrina do “Destino Manifesto”. Os EUA invadiram o México após disputas na fronteira do Texas, resultando na anexação de mais de 50% do território mexicano (atuais estados da Califórnia, Novo México, Arizona, Nevada e Utah).

• Guerras Indígenas (Constantes até 1890): Centenas de campanhas militares promovidas pelo governo federal para submeter, remover à força e confiscar as terras das nações nativas americanas.

• Guerra Hispano-Americana e Guerra Filipino-Americana (1898–1902): Os EUA intervieram na guerra de independência de Cuba contra a Espanha. Após vencerem, iniciaram uma guerra de ocupação por iniciativa própria nas Filipinas para transformar o arquipélago em colônia, além de anexarem Porto Rico e Guam.

Num segundo período, ocorrem as chamadas “Guerras das Bananas” e intervenções na América Latina. Foram ocupações e invasões navais promovidas diretamente pelos EUA para defender interesses comerciais e políticos na região do Caribe e América Central. Incluem-se as invasões e as longas ocupações de nações soberanas como o Haiti (1915–1934), República Dominicana (1916–1924), Nicarágua (1912–1933) e Honduras (múltiplas intervenções).

Já a terceira fase contempla os conflitos típicos da Guerra Fria (1947–1991):

• Guerra do Vietnã (1965–1975): Iniciada com o envio gradual de conselheiros e massificada por iniciativa própria após o contestado Incidente do Golfo de Tonquim. Os EUA despejaram mais bombas no Sudeste Asiático do que em toda a Segunda Guerra Mundial.

Crianças fugindo de bombardeios de napalm promovidos pelos EUA no Vietnã. Reprodução

Invasão de Granada (1983) e Invasão do Panamá (1989): Duas ações militares unilaterais e rápidas na América Latina. A primeira derrubou um governo de orientação marxista e a segunda destituiu e capturou o ditador panamenho Manuel Noriega.

O quarto momento histórico-belicoso dos Estados Unidos inicia-se com a deflagração da “Guerra ao Terror” (1991) e se alastra até a ingerência trumpiana no Irã:

• Guerra do Iraque (2003–2011): Ação militar de iniciativa própria mais explícita do século XXI. Os EUA lideraram uma coalizão para invadir o país sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, sob a falsa alegação de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.

• Intervenção na Líbia (2011): Os EUA, junto à Otan, iniciaram bombardeios aéreos que resultaram na queda e execução do líder Muammar Kadafi.

• Campanhas de Drones e Operações de Contra-Terrorismo: Campanhas contínuas e unilaterais que violaram o espaço aéreo de países como Iêmen, Paquistão e Somália para a eliminação de alvos estratégicos.

Além do uso ostensivo das Forças Armadas, a política externa norte-americana promoveu dezenas de “guerras secretas” por intermédio da CIA. Essas intervenções derrubaram governos eleitos democraticamente ou financiaram grupos paramilitares rebeldes, como no Irã (1953) e na Guatemala (1954), atos aos quais se somam o fiasco da Baía dos Porcos em Cuba (1961) e o apoio a golpes militares no Brasil (1964) e no Chile (1973).

Os Estados Unidos não merecem celebrações pela passagem dos seus 250 anos, tanto menos quando seu atual presidente encarna todas as idiossincrasias comuns aos tiranos imperiais.

*Paulo Henrique Arantes/DCM


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MBL provoca confusão em aula magna de Haddad na Unicamp, e PT repudia episódio de ‘violência política’ da extrema direita contra pré-candidato

Integrantes do MBL gritaram frases sobre o caso dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, que começaram no governo Bolsonaro

Um grupo de integrantes do MBL interrompeu, na noite de quinta-feira (2), uma aula magna do pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), na Unicamp, em Campinas (SP).

O evento foi interrompido após manifestantes gritarem durante a fala do petista e acabou em confusão do lado de fora do Teatro de Arena, com troca de agressões entre participantes do ato e integrantes do movimento. Segundo a organização do evento, os manifestantes foram retirados do local pela equipe de segurança. A Polícia Militar (PM) informou que foi acionada, mas declarou que não precisou intervir porque “a situação foi prontamente controlada pelos organizadores”.

A aula tinha como tema os desafios econômicos do Brasil e começou por volta das 19h. Durante a exposição, integrantes do MBL interromperam Haddad com protestos relacionados ao caso dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o pré-candidato a deputado estadual pelo partido Missão, Matheus Pereira, gritando durante a fala do petista enquanto era vaiado pelo público.

Em determinado momento, Pereira recebe uma rasteira após afirmar que Haddad estaria realizando campanha antecipada. Em nota, ele disse que foi ao evento para questionar o petista sobre a “taxa das blusinhas” e sobre uma suposta campanha antecipada. “Nós fomos ao evento com o objetivo de questionar o Haddad sobre o aumento da taxa das blusinhas, que o Lula falou que foi ideia dele.”

Pereira também afirmou que foi agredido por estudantes e seguranças. “Mal chegamos e fomos recebidos com socos e chutes pelos estudantes e seguranças do Haddad. A todo momento, deixamos claro que não queríamos briga. Fui agredido por um indivíduo que estava participando do evento e por um funcionário”, disse.

Outro integrante do partido Missão, Gabriel Piauhy, pré-candidato a deputado federal, também publicou um vídeo após a confusão. “Tô saindo de Campinas agora. Fomos fazer mais uma vez o questionamento pro Haddad. A pergunta que ele tanto teme”, afirmou. Segundo participantes do evento, cerca de dez integrantes do MBL estavam no local.

O Diretório Central dos Estudantes da Unicamp afirmou que “a briga mencionada na mídia foi causada por militantes da direita que vieram ao evento provocar e causar tumulto”. “Eles foram retirados do evento imediatamente e nenhum participante do evento interagiu com os mesmos, mas infelizmente geraram confusão pela Unicamp”, informou a entidade. Após o episódio, a universidade voltou a divulgar uma cartilha com orientações para situações de conflitos nos campi.

Mesmo com a interrupção, Haddad concluiu a aula e afirmou que está se preparando para a campanha eleitoral. “Eu estou treinando, estou fazendo treinamento, estou exercitando cabeça, corpo, para fazer uma bela campanha, para a gente fazer um belo debate, sabe? Disputa para valer com as ideias que a gente defende. E vamos ganhar de qualquer jeito. De um jeito ou de outro, uma campanha bonita leva a gente à vitória. Beijo, Unicamp”, disse. Depois do evento, o pré-candidato deixou o local sem falar com a imprensa.

O episódio ocorreu uma semana após outra ação do MBL em um compromisso de Haddad. No dia 25 de junho, Gabriel Piauhy interrompeu a cerimônia em que o petista recebeu o título de cidadão honorário de Santo André para fazer perguntas sobre a investigação dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.

Em nota, o PT afirmou que repudia “os episódios de violência política perpetrados por integrantes da extrema direita contra o pré-candidato ao governo do estado de SP do PT, Fernando Haddad”.

O partido declarou que “pela segunda vez, integrantes desse grupo político de extremistas provocam conflitos em atos do nosso pré-candidato” e afirmou que “os dois atos de violência política usaram táticas semelhantes”.

A legenda também declarou que “na democracia, as divergências são resolvidas no debate de ideias e não no estímulo à violência” e informou que prestará “irrestrito apoio e solidariedade a Haddad e aos integrantes da pré-campanha” e que “não tolerará abusos e atos de violência e não se furtará de acionar as medidas cabíveis”.

A ação na Unicamp se soma a outros episódios envolvendo integrantes do MBL em universidades e eventos públicos. Em setembro de 2023, membros do movimento entraram em confronto com estudantes da Universidade Federal do Paraná após uma ação dentro do campus. A universidade afirmou que o grupo provocou os alunos e iniciou a confusão, enquanto o MBL apresentou outra versão dos fatos.

Em agosto do mesmo ano, integrantes do movimento foram retirados do campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo após uma confusão com estudantes durante um evento. Em fevereiro deste ano, integrantes do MBL voltaram a se envolver em tumulto na Unicamp ao entrar na universidade para cobrir com tinta pinturas e frases em um muro da biblioteca.

*BdF


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