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Mídia corporativa segue de ressaca depois de seu pileque fascista

A mídia corporativa ainda tenta se recuperar da ressaca provocada pelo próprio pileque fascista. Depois de passar meses embriagada pelo discurso da extrema direita, tratando seus personagens como alternativas políticas e suas agendas como projetos de país, agora precisa encarar o resultado de suas próprias apostas.

O problema é que essa turma se acostumou a confundir poder econômico com autoridade política, manchetes com realidade e campanhas de desgaste com capacidade de determinar os rumos do Brasil. Apostou que poderia fabricar lideranças, administrar crises, escolher adversários e conduzir o debate público conforme os interesses dos seus patrocinadores.

Mas a realidade não obedece à pauta dos grandes jornais, nem se curva aos editoriais dos barões da comunicação.

Agora, entre uma tentativa de reabilitação e outra, a velha mídia procura disfarçar o constrangimento, muda o tom, recalcula o discurso e tenta vender como análise independente aquilo que ontem era torcida explícita.

A ressaca é grande porque o tombo também foi. E talvez a maior dificuldade dessa mídia seja admitir que perdeu não apenas uma aposta política, mas parte da credibilidade que imaginava ter o poder de impor ao país.

Depois de tanto brindar à extrema direita, chegou a hora de pagar a conta. E não adianta culpar o garçom pela ressaca de quem passou a noite bebendo o próprio veneno.


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Por Carlos Henrique Machado

Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira

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