A vitória dos democratas no Congresso dos Estados Unidos deve aumentar a pressão sobre Flávio e Eduardo Bolsonaro, que contam com o abrigo do governo de Donald Trump no país. Diplomatas brasileiros avaliam que a nova maioria parlamentar abrirá espaço para pressão direta contra a presença dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em território americano, segundo a coluna de Bela Megale no jornal O Globo.
Integrantes do Itamaraty consideram o resultado eleitoral especialmente negativo para os Bolsonaros. “Haverá pouca paciência dos parlamentares com Trump e seus intentos de interferir nos processos democráticos na América do Sul e no Brasil, em particular”, afirmou uma fonte diplomática.
Os democratas passarão a comandar comissões voltadas a temas internacionais na Câmara e no Senado. Esses colegiados poderão usar audiências, requerimentos e investigações para questionar a política externa de Trump e o acolhimento dado a aliados brasileiros do presidente americano.
Diplomatas também preveem cobranças sobre a postura de Trump diante de condenados pela Justiça brasileira e de defensores de golpe de Estado, além das sanções comerciais impostas por meio de tarifas. Uma das fontes classificou a mudança no Congresso como “um mau presságio para os Bolsonaros”.
Comissões devem fiscalizar política externa de Trump
A eleição de maiorias democratas na Câmara e no Senado representa, na avaliação de diplomatas brasileiros, a maior derrota política da carreira de Trump. O governo enfrenta forte impopularidade e terá de negociar com um Congresso hostil em temas que dependem diretamente do Legislativo.
Trump declarou que pretende vetar sistematicamente propostas dos democratas, mas não pode prescindir da relação com o Congresso, sobretudo na discussão do Orçamento. A oposição também deve ampliar a fiscalização sobre decisões e falhas da Casa Branca na política internacional.
Entre os alvos de críticas estão o Escudo das Américas, coalizão de segurança liderada pelos Estados Unidos que pode ampliar a interferência de Washington na região, e a Doutrina Monroe. A política americana contra intervenções europeias no continente alimenta debates sobre o intervencionismo dos EUA na América Latina. DCM.
Apesar do cenário adverso, diplomatas veem a possibilidade de Trump buscar uma acomodação na relação bilateral com o Brasil para evitar que o embate com o Congresso se aprofunde. Uma fonte afirmou que, se o trumpismo perder a eleição presidencial de 2028, os Bolsonaros talvez tenham de considerar pedir “asilo” em outro país.
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