O ponto que não pode ser ignorado é que existem, dentro de setores do campo evangélico brasileiro, grupos que há anos defendem uma revisão do lugar de Nossa Senhora Aparecida e da tradição católica na identidade religiosa do Brasil.
Isso não é uma discussão teológica abstrata quando passa a ser instrumentalizada politicamente. O problema começa quando uma corrente religiosa tenta transformar sua própria visão de fé em projeto para redefinir símbolos que pertencem à história e à cultura de milhões de brasileiros.
E há um dado político que precisa ser investigado com seriedade: parte expressiva dessas correntes encontrou convergência com o bolsonarismo e com a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O debate, portanto, não é sobre atacar a fé de ninguém. É sobre perguntar, de maneira direta: quem está tentando transformar uma preferência religiosa particular em projeto de Estado e quais interesses políticos estão por trás dessa ofensiva contra um dos maiores símbolos religiosos do Brasil?
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