revolta de aliados

Fracasso do ato de Flávio Bolsonaro no Rio expõe fragilidade e provoca revolta entre aliados

O primeiro grande ato de campanha de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, realizado em Copacabana, terminou muito longe da demonstração de força que o bolsonarismo esperava. A mobilização reuniu cerca de 8,9 mil pessoas, se muito, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, e provocou críticas dentro do próprio campo político do candidato.

O problema não foi apenas o número de participantes, mas a imagem produzida pelo evento. A escolha de uma área ampla da orla acabou evidenciando espaços vazios e alimentando a percepção de que a capacidade de mobilização do herdeiro político de Jair Bolsonaro está muito aquém daquela exibida pelo pai em seus grandes atos. Aliados chegaram a questionar o formato da mobilização e a estratégia adotada pela campanha.

E há uma ironia política difícil de esconder: o evento foi cuidadosamente montado para apresentar Flávio como sucessor de Jair Bolsonaro, reproduzindo símbolos, slogans, discursos e até a voz do ex-presidente. Mas, quando se esperava uma demonstração de força capaz de provar que o bolsonarismo poderia sobreviver ao seu principal líder, o resultado acabou revelando justamente o contrário: a dificuldade de transferir automaticamente a popularidade e a capacidade de mobilização do pai para o filho.

A reação dos aliados revela que a preocupação vai além de uma fotografia desfavorável. Em uma campanha presidencial, cada ato funciona também como demonstração de musculatura política. Um palanque esvaziado, especialmente no Rio de Janeiro — território historicamente associado à família Bolsonaro — pode transmitir a mensagem de isolamento justamente quando Flávio precisa convencer partidos, lideranças e eleitores de que sua candidatura tem viabilidade nacional.

O cenário fica ainda mais delicado diante das dificuldades para construir alianças estaduais. O Centrão vem mantendo distância da candidatura, enquanto movimentos políticos no Rio e em Minas Gerais indicam que parte das forças que tradicionalmente orbitavam o bolsonarismo prefere preservar seus próprios interesses eleitorais.

Flávio pode até tentar minimizar o episódio, mas política também se faz de imagens. E a imagem de Copacabana não foi a de uma direita em expansão: foi a de um grupo tentando provar que ainda possui a força de outrora.

Se o primeiro grande ato de campanha pretendia apresentar Flávio como o novo líder da direita brasileira, acabou produzindo uma pergunta incômoda para seus próprios aliados.


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