23 de janeiro de 2021
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Os quiniquinaus, também conhecidos como Kinikinau ou Kinikináo são um povo indígena que habita as margens do médio rio Miranda, no estado brasileiro do Mato Grosso do Sul, mais precisamente na Área Indígena Lalima. Constituíram-se como um subgrupo dos guanás.

Durante muito tempo, os Kinikinau foram foram convencidos, pelo órgão indigenista oficial brasileiro, a renunciar à sua identidade, autodeclarando-se Terena – grupo com os qual têm estreitos vínculos históricos e culturais.

Porém, nos últimos anos, os Kinikinau passaram a reivindicar o reconhecimento de sua singularidade étnica e a reconquista de parte de seu território tradicional.

Os kinikinau não têm nenhuma área demarcada. Eles ficam na terra indígena Cachoeirinha, do povo Terena, em Miranda (MS).

Pois na madrugada dessa quinta-feira, 1º de agosto, os Kinikinau retomaram uma parte da terra tradicional deles, situada numa fazenda que hoje está em nome do Bradesco.

Porém, no decorrer do dia, eles foram atacados de surpresa e expulsos com truculência pela Polícia Militar (PM) de Mato Grosso do Sul, provavelmente a mando de grandes fazendeiros e políticos ruralistas da região.

“Foi um despejo violento e sem ordem judicial de reintegração de posse”, denuncia Cleber César Buzatto, secretário-executivo do Conselho Missionário Indigenista (Cimi).

Segundo Buzatto, os kinikinau estão agora na Terra Indígena Taunay Ipegue, do povo Terena.

A advogada Tânia Mandarino, que atua muito em defesa dos povos indígenas e é membro do Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD), nos enviou a nota das lideranças dos Guarani e Kaiowá em apoio total ao parente povo Kinikinawa.

“Crianças Kinikinau choram em desespero pela família”, atenta Mandarino. “Muita crueldade”.

Cerca de 130 homens da Polícia Militar, apoiados por dois helicopteros, foram detacados para retirar cerca de 100 índios do povo Kinikinau de uma área indígena tradicional, do município de Aquidauana, a 143 km da capital Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A operação foi coordenada pelo prefeito da cidade, Odilon Ferraz Alves Ribeiro (PSDB), primo da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Assista ao vídeo de crianças Kinikinau em desespero com o desaparecimento de sua mãe durante a ação violenta:

 

*Com informações do Viomundo

 

Celeste Silveira

Produtora cultural, parecerista de projetos culturais em âmbito nacional

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