14 de junho de 2021
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Capital do Amazonas vive colapso do sistema de saúde em razão da pandemia.

“Ei, chegou!”

O grito anunciava a chegada de cilindros de oxigênio, o item mais raro nos últimos dois dias em Manaus (AM).

O desembarque da carga, na manhã desta sexta-feira (15), causou uma correria e muita comoção no Serviço de Pronto-Atendimento de Redenção.

A unidade pública hospitalar, localizada na região centro-oeste da capital do Amazonas, registrou nesta quinta-feira (14) ao menos seis óbitos por Covid-19 de pacientes por causa da falta de oxigênio.

Os óbitos acabaram virando um emblema da crise inédita pela qual passa o sistema público de saúde de Manaus por causa da indisponibilidade de oxigênio hospitalar, que acabou aprofundada pela pandemia de Covid-19.

Ainda não se sabe quantas pessoas morreram por falta de oxigênio nas unidades hospitalares de Manaus.

No transporte dos cilindros, familiares dos pacientes se juntaram aos funcionários da unidade e levaram o produto até o setor de emergência.

O momento pode ser visto neste vídeo:

O local continuava superlotado de pacientes com Covid-19 no final desta manhã.

A Folha acompanhou a chegada do produto, doado por um sobrinho de um dos internados na unidade.

Luciano Passita, 42, diz que passou a madrugada inteira à espera de um cilindro de oxigênio numa empresa que fabrica oxigênio hospitalar na capital.

”Ela [empresa] viu a nossa agonia e acabou fazendo uma troca. Ficou com o meu cilindro vazio e deu um cheio”, disse à Folha.

“O governo está anunciando que a carga de oxigênio chegou, mas é tudo mentira. São as famílias dos pacientes que estão se virando”, completou Passita.

O tio de Passita, um homem de 45 anos, está internado há quase uma semana na unidade hospitalar com Covid-19.

Ele só não morreu, dizem os familiares, porque no último minuto, a unidade conseguiu cilindros de oxigênio, que deram um fôlego à respiração do paciente.

Desde as primeiras horas do dia, familiares fazem uma vigília diante da unidade de saúde, que vem recebendo levas de pacientes com Covid-19 em estado grave.

Quando a Folha chegou à unidade, familiares faziam oração pela chegada de oxigênio e pela recuperação dos internados.

Uma mulher disse: “o oxigênio é Deus”.

Ela orava pelo irmão, que deu entrada nesta quinta-feira na unidade no ápice da crise de oxigênio.

A mulher do paciente, a dona de casa Eliane Belmiro de Oliveira, 36, assoprava o ar da própria boca em direção à sala de emergência onde o marido encontra-se internado.

”Senhor, meu Deus, encha os pulmões do meu marido com o seu oxigênio”, gritava ela caminhando pelo pátio coberto na entrada da unidade”.

”Eu tenho certeza que o meu marido vai sair dessa. Foi só eu orar, que oxigênio chegou”, disse a dona de casa.

A explosão de novos casos da Covid-19 fez com que a demanda por oxigênio chegasse a 76 mil metros cúbicos diários no Amazonas.

Por outro lado, a produção diária de White Martins, Carbox e Nitron, que são as três fornecedoras do insumo para o governo do Amazonas, é 28,2 mil metros cúbicos por dia. A White Martins tenta importar o produto da Venezuela.

Na madrugada dessa sexta-feira, a Força Aérea Brasileira desembarcou em Manaus uma carga de seis mil litros de oxigênio líquido da empresa White Martins, fornecedora do Governo do Estado. ​

A carga, que veio de São Paulo, transportada em seis isotanques de mil litros e vai ser distribuída nos hospitais da rede estadual.

A previsão é que um total de 22 mil metros cúbicos de oxigênio sejam encaminhados ao longo da semana para Manaus, em operação a partir de Guarulhos, cidade da Grande São Paulo.

Com o apoio da FAB, o governo do Amazonas iniciou nesta sexta-feira a transferência de pacientes com Covid-19 para hospitais de outros estados.

Em uma mudança do plano previsto inicialmente, apenas nove pacientes que estavam internados na rede pública estadual foram transferidos para Teresina, no Piauí. A expectativa era que fossem enviados 30.

De acordo com o governo do Amazonas, quatro pacientes apresentaram instabilidade e, por isso, não puderam ser embarcados. Outro paciente desistiu.

Estes foram os primeiros pacientes 235 que serão enviados para cinco estados brasileiros. Um segundo grupo de 15 pacientes deve ser encaminhado para São Luís, no Maranhão, também nesta sexta-feira.

*Com informações da Folha

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Celeste Silveira

Produtora cultural, parecerista de projetos culturais em âmbito nacional

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