18 de abril de 2021
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“Os pacientes estão chegando ultimamente tão graves que às vezes o que a gente fazia anteriormente não está tendo a mesma resposta. A impressão é que a gente precisa fazer muito mais coisas para ele melhorar e, mesmo assim, eles pioram mais e de forma muito mais rápida.”

O relato do médico Diego Montarroyos Simões, que dá plantão em um hospital privado de referência para a covid-19 no Recife, é uma síntese do que veem no dia a dia vários profissionais de saúde que atuam na linha de frente da covid-19 pelo país.

O UOL colheu depoimentos de profissionais de oito estados diferentes, espalhados pelas cinco regiões do Brasil. Todos relatam notar uma diferença entre os doentes da primeira para a segunda onda.

Usamos mais artifícios respiratórios não invasivos, mais atuais, mas a melhora demora muito a chegar.

Segundo Simões, mesmo com a melhora no protocolo de tratamento, a mortalidade continua alta. “Hoje a gente tem até um arsenal maior de equipamentos para dar esse suporte ventilatório, fazemos a pronação [virar o paciente de bruços para aliviar a pressão nos pulmões], mas não tem uma resposta tão boa como tempos atrás. O porquê, não sei.”

Relatos iniciais no Amazonas

As primeiras afirmações de uma onda mais séria foram relatadas por médicos no Amazonas. Ainda em janeiro, profissionais contaram que perceberam diferenças na forma de atuação do vírus, aumentando a gravidade e reduzindo a faixa etária entre os infectados.

Claramente estamos diante de um ser invisível que é muito mais patogênico e transmissível. Hoje chegam famílias inteiras com os sintomas ao mesmo tempo, antes era um de cada vez.

Uma das hipóteses levantadas é que a nova variante P.1 seria a responsável pelo aumento da gravidade de casos. No Reino Unido, pesquisa divulgada nesta semana revela que o risco de morte da variante surgida lá é 61% maior que a cepa anterior.

Segundo o pesquisador Juan Miguel Villalobos Salcedo, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Rondônia, não há ainda evidências científicas de que a variante P.1 tenha maior patogenicidade. “O que sabemos é que ela tem maior transmissibilidade, mas não temos estudos que apontem maior gravidade da doença”, afirma.

Graves mais cedo

O pesquisador e médico intensivista Ederlon Rezende também vê piora. “Esses pacientes requerem mais quantidade de suporte de múltiplas funções orgânicas. São pacientes mais graves e que ficam mais tempo internados”, conta ele, que trabalha em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.

Estão chegando pacientes mais graves e mais cedo, sem dúvida. E também há pacientes mais jovens precisando de UTI.

Sobre a hipótese de ser uma nova cepa, ela afirma que não há como ter a comprovação científica por ora. “Teria de haver uma separação de UTI para pacientes da nova variante e outra só da variante anterior. No Brasil temos dificuldade de fazer teste, imagina fazer sequenciamento genético para estudo desse porte”, diz. “Na ciência a percepção também é levada em conta, mas como uma geradora de hipóteses.”

Um doente grave de covid-19, explica, depende bem mais que de uma ventilação mecânica. “Não é apenas contra a infecção ou pelo pulmão que a gente luta. Via de regra, o SARS-CoV-2 é multissistêmico: compromete pulmão, cérebro, intestino, rins. Por isso se torna muito grave, não só dependente de ventilação, de diálises, de drogas vasoativas e de outros suportes das múltiplas funções orgânicas”, afirma.

Diante de um cenário mais difícil, ele diz que a medicina está precisando se ajustar. “Temos de consertar o pneu com o carro andando.”

Jovens mais acometidos

Borzacov diz que boa parte dos pacientes que chegam são jovens com idades entre 30 e 40 anos. “A gente não via isso na outra onda”, afirma.

Sensação idêntica tem a médica Rachel Teixeira, que atua em hospitais de Fortaleza. “Vejo muitos internados abaixo de 50 anos, com apenas obesidade de comorbidade conhecida, ou às vezes nem isso. São pacientes com doença multissistêmica pronunciada e percebo uma deterioração do quadro clínico de forma rápida”, conta.

Sem dúvida, muito mais jovens estão morrendo. Não estamos falando só de grupo de risco: isso está em todas as faixas etárias, atingindo bebês, crianças, adolescentes, mesmo sem comorbidade. Silvia Leopoldina, médica de Manaus

Guilherme Barcellos, médico do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, também confirma que o perfil dos pacientes mudou, mas ele tem dúvidas se é por conta da maior exposição dos jovens ou por uma mutação.

“Houve um aumento bem expressivo de pacientes mais jovens, sem comorbidades, com formas graves. Isso ocorre em uma proporção que a gente não via antes, que era mais exceção. Isso pode também ser unicamente explicado pelo descontrole da transmissão comunitária, não por uma cepa.”

*Com informações do Uol

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Celeste Silveira

Produtora cultural, parecerista de projetos culturais em âmbito nacional

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