18 de junho de 2021
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Não há como suavizar ou minimizar a ação criminosa de Bolsonaro ao dizer que o presidente da República tem um discurso negacionista. Está mais do que provado que Bolsonaro tinha uma estratégia de não vacinar a população brasileira. Por isso apresentou como alternativa o uso indiscriminado da cloroquina.

Quando se diz que ele se comporta como um negacionista, na verdade, procura-se evitar o termo correto, com uma acepção menos agradável para tirar a conotação de crime de responsabilidade naquilo que se tem provas a balde.

Portanto, não se deve continuar com esse eufemismo, porque não há qualquer exagero, a essa altura dos fatos, em dizer que Bolsonaro sabotou a compra das vacinas e tentou minimizar o efeito da letalidade da covid com frases que suavizam ou até adoçam os efeitos letais da pandemia.

Dito isso, não há justificativa para o presidente da Câmara, Arthur Lira, tenha poder para impedir que o Congresso responda à altura os anseios do povo, que é sobreviver, conseguir se salvar de uma pandemia nitidamente sem controle no Brasil.

Mas a pandemia não está descontrolada de maneira natural, o descontrole foi pensado, na verdade, deve ter sido comemorado pelo Palácio do Planalto, já que se pretendia chegar a 70% de infectados para alcançar a suposta imunidade de rebanho.

Deu tudo errado, e os responsáveis por esse morticínio têm que responder sobre as declarações que deram e os protocolos sanitários que combateram para ampliar ainda mais a disseminação do coronavírus e a letalidade por covid no Brasil.

Ora, se de fato há provas de que Bolsonaro negou 11 vezes a compra de vacinas, ele terá que explicar, do ponto de vista científico, cada uma dessas negativas e não na base do achismo, do jacaré, do crocodilo ou do periquito.

Um presidente da República que acha que pode inaugurar uma obra, que é um evento oficial, conduzindo uma moto sem o uso do capacete, o que é ilegal e que demanda uma penalidade para quem comete o ato, como reza a lei, mostra que Bolsonaro tem como objetivo um comportamento moleque e inconsequente de anarquizar as regras e as leis vigentes. Ou seja, a instituição Presidência da República afronta as leis em plena democracia, enquanto chovem denúncias de crimes de responsabilidade na CPI da Covid contra o mesmo presidente.

Arthur Lira acha mesmo que pode passar por cima de tudo isso, passando por cima da sociedade para defender seus interesses e não colocar em votação um pedido de impeachment? Ele acredita mesmo ter esse poder sobre todos os brasileiros? Tem o poder de decidir sobre a vida de 211 milhões de pessoas? Afinal, ele foi eleito pelo povo e é para o bem dele que tem que trabalhar.

É sobre isso que estamos falando. Quanto mais tempo Bolsonaro permanecer no poder, mais milhares mortes, que poderiam ser evitadas, vão ocorrer.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Celeste Silveira

Produtora cultural, parecerista de projetos culturais em âmbito nacional

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