Dia: 24 de dezembro de 2023

Anulação de provas da Odebrecht por Toffoli atingirá casos nos EUA e América Latina

Toffoli estendeu anulação de provas da Odebrecht a ex-controlador-geral do Equador acusado de lavagem de dinheiro nos EUA.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, tomou uma decisão que deve impactar um caso aberto na Justiça dos Estados Unidos contra um ex-integrante do governo equatoriano.

Em despacho sigiloso, ao qual a coluna teve acesso, Toffoli estendeu a Carlos Pólit, ex-controlador-geral do Equador suspeito de receber propinas da empreiteira, a anulação das provas apresentadas no acordo de leniência da Odebrecht. Ele responde a uma acusação por lavagem de dinheiro nos EUA envolvendo a empreiteira e já foi condenado no Equador.

Toffoli já aplicou o mesmo entendimento em favor de estrangeiros processados também no Peru e no Panamá. No Brasil, o ministro vinha derrubando as provas da leniência da Odebrecht em diversos processos, caso a caso, e em setembro ordenou uma anulação ampla, geral e irrestrita desse material.

Esse histórico indica a possibilidade de que outros alvos de ações abertas a partir das delações da Odebrecht em outros países também venham a ser beneficiados. Os delatores da empreiteira citaram crimes de corrupção no Brasil e outros 11 países.

O material anulado como prova contra Carlos Pólit, assim como nos outros casos, inclui os sistemas Drousys e MyWebDay B, usados pelo “departamento de operações estruturadas” da empreiteira para registrar e gerir pagamentos ilícitos a políticos e autoridades. O equatoriano Pólit foi implicado na delação de José Conceição dos Santos, ex-diretor da Odebrecht no Equador, que lhe atribuiu recebimento de propinas entre 2010 e 2015.

 

 

Revista britânica The Economist elogia Lula por restaurar normalidade, após mentiras populistas de Bolsonaro

A edição especial de fim de ano da revista britânica The Economist faz uma retrospectiva de 2023 e destaca o Brasil como um dos países que defenderam a democracia. A publicação elegeu a Grécia como o “País do Ano”, mas também elogiou a Polônia e o Brasil por voltarem à moderação após períodos de turbulência política.

Segundo a revista, o presidente Lula assumiu o poder “depois de quatro anos de mentiras populistas de Jair Bolsonaro, que dividiu o país com teorias conspiratórias, apoiou policiais violentos e agricultores que queimaram florestas, negou a derrota nas urnas e incentivou uma tentativa de golpe”, referindo-se aos protestos de 8 de janeiro.

A revista afirma que o governo Lula restaurou a normalidade e diminuiu o desmatamento na Amazônia em quase 50%. No entanto, a revista critica a aproximação de Lula com o presidente russo Putin e o líder venezuelano Maduro, considerando isso uma “mancha” em seu “desempenho impressionante”.

 

Apesar de estreita relação entre Moscou e Caracas, a diplomacia russa adota uma postura ambígua em relação a Essequibo

Após negociações mediadas pelo Brasil em 15 de dezembro, Venezuela e Guiana chegaram a um acordo de não ameaçar ou utilizar a força para resolver a disputa territorial pela região de Essequibo. Apesar do aceno diplomático para resolver a disputa por meio do diálogo, a tensão na região expôs interesses geopolíticos mais abrangentes sobre o continente, despertando um posicionamento da política externa da Rússia. O país tem relações historicamente próximas com a Venezuela, sobretudo na contenção dos interesses dos EUA no continente.

Os contatos ativos nas últimas semanas dão o tom da proximidade estratégica entre Moscou e Caracas. No ápice da tensão entre Venezuela e Guiana, em meio à realização do referendo para a incorporação de Essequibo e ao anúncio de manobras militares dos EUA com a Guiana, foi anunciada uma visita de Nicolás Maduro a Moscou em dezembro. Segundo apuração do g1, a informação chegou a gerar “contrariedade” no Palácio do Planalto, que manifestou o receio do continente ser mais um palco de disputa entre Rússia e EUA. Posteriormente a visita foi adiada, mas se mantém na agenda do Kremlin para 2024.

Além disso, na última quinta-feira (21/12), o presidente russo, Vladimir Putin, conversou por telefone com o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e defendeu uma resolução para a disputa territorial através de meios políticos e diplomáticos. De acordo com o comunicado do Kremlin, durante a conversa sobre a agenda internacional, também “foram enfatizadas a uniformidade de abordagens para a formação de uma ordem mundial multipolar justa, a rejeição de sanções ilegais e a interferência nos assuntos internos dos Estados”.

A menção à rejeição de sanções e interferência externa não é mera retórica. A aliança estratégica entre Caracas e Moscou também é explicada pelo contexto da guerra da Ucrânia. A Venezuela sempre condenou com veemência o fornecimento de armas à Ucrânia no contexto da guerra e rejeitou as sanções do Ocidente contra Moscou. No último dia 12, por exemplo, o presidente Nicolás Maduro chamou a Ucrânia de “fantoche” dos EUA.

O bom momento das relações entre Venezuela e Rússia foi explicitado pelo chanceler venezuelano em recente visita a Moscou, onde se reuniu com o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

“As relações entre a Federação Russa e a Venezuela atravessam atualmente o seu melhor período e com resultados muito bons […] Compartilhamos os mesmos princípios no âmbito das Nações Unidas e de outras esferas multilaterais, onde estamos de pleno acordo em todas as posições”, afirmou.

A parceria entre Rússia e Venezuela não é só diplomática, mas também se desenvolve de maneira consistente desde 2001, quando foi assinado um acordo intergovernamental durante a visita de Hugo Chávez a Moscou. A relação se aprofundou a partir de 2006, no contexto da deterioração das relações entre Caracas e Washington, colocando a Rússia como o principal fornecedor de armas para a Venezuela.

Posteriormente a China também entrou no páreo. De acordo com um estudo do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, desde 2010 a China e a Rússia enviaram cerca de R$ 5 bilhões em armamentos para a Venezuela.

*Opera Mundi