Dia: 27 de fevereiro de 2024

Lula afirma que evento em São Paulo foi ‘grande’ e que ‘não se pode negar um fato’; mas ressalta que não se sabe como chegaram lá

Comentários evidenciam sua visão crítica em relação ao evento e à postura de Bolsonaro, enfatizando a importância de proteger a democracia e manter a ordem institucional.

O presidente Lula (PT) classificou o ato promovido por Jair Bolsonaro (PL) na avenida Paulista, em São Paulo, no último domingo (25), de “grande” e destacou que “não se pode negar um fato”.

Lula ressaltou em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, na Rede TV, que as imagens da manifestação evidenciam a dimensão do evento:

– Eles realizaram uma manifestação de grande porte em São Paulo. Mesmo que alguém não queira acreditar, basta ver as imagens. Quanto à forma como as pessoas chegaram lá, são outros quinhentos – disse Lula.

O ex-presidente também mencionou que o ato foi realizado “em defesa do golpe” e expressou preocupação com o comportamento daqueles que participaram, destacando que “todos eles estão muito apreensivos, muito cuidadosos”. Ele enfatizou a importância de permanecer vigilante, pois “esse pessoal está demonstrando que não está para brincadeira”.

Lula criticou o pedido de anistia feito por Bolsonaro para os presos durante os protestos do dia 8 de janeiro, interpretando-o como uma tentativa de “perdoar os golpistas” e considerando-o uma confissão do crime.

Ele ressaltou que esses manifestantes ainda não foram julgados e estão detidos como medida para garantir a paz e a ordem no país, ressaltando que ainda não se descobriu quem os instigou ou financiou, pois houve uma tentativa de golpe.

Esses comentários do presidente evidenciam sua visão crítica em relação ao evento e à postura de Bolsonaro, enfatizando a importância de proteger a democracia e manter a ordem institucional.

Lady Gada, Malafaia e a evangelização da política

Lelê Teles

Eu não gosto muito de falar sobre o que todos estão falando, é chover no molhado.

Decidi fazer um breve comentário sobre a cow parade deste domingo porque imagino ter enxergado o que ninguém quis ver.

Aquilo não era sobre malafaia e nem sobre jair, era sobre michele.

O carnagado, na verdade, foi um rito de transição.

Aquele negócio de passar uma borracha no passado e anistiar pobres coitados, faz parte da tal “fotografia para o mundo”, mas é apenas o retrato do desespero de quem se vê em um beco sem saída.

Jair já era.

Por isso que aquela rave cívica era, em verdade, um rito de transição.

Ali, jair, o nosso estranho minotauro – metade homem, metade gado -, passou o berrante para as mãos da esposa.

Daqui pra frente, o bisonho rebanho será liderado pela lady gada.

Minotauro sabe que o seu destino está traçado.

Ele sabe que os militares estão a dar os últimos retoques no labirinto no qual ele será confinado.

Mitotauro tem consciência de que a gadaiada estava ali por sua causa, ele vai manter esse enorme capital político nas mãos da família.

Foi por isso que lady gada discursou.

“Ela fez uma oração”, dirão os mais ingênuos.

Nana nina não.

Lady gada está encarregada de instaurar o estado teocrático de direita.

Aquilo era uma mistura de culto e comício.

Em muitas igrejas já é assim: culto e comício.

Agora a coisa ganhará as ruas, as praças e a ágora digital.

Ao discursar para o que chamou de “exército de deus nas ruas”, ela foi enfática, encenando um manjado choro sem lágrimas:

“Fomos negligentes a ponto de dizer que não se poderia misturar política com religião, e o mal ocupou o espaço.”

Lá embaixo, o gado bípede sacudia bandeiras de israel, beijava crucifixos, dobrava os joelhos no chão e chorava.

Comício e culto.

Malafaia, virado no satanás, depois de uma fala odiosa e iracunda, que mais parecia uma sessão de desenencapetamento, pediu que a multidão gritasse amém.

Amuuuu, gritaram os boibumbás.

O mote será esse: o bem contra o mal, o fasto contra o nefasto, o puro contra o impuro.

É guerra santa.

Quando damares, com suas fantasias parafílicas, recorreu novamente à terra do gado pesado, a ilha dos búfalos, ela tava marcando território.

Não nos esqueçamos da chocante imagem que outrora ela construíra e projetara dentro de uma igreja:

“Arrancam os dentinhos das crianças para fazer sexo oral.”

O recado é o seguinte, nossos adversários são a favor da pedofilia, nós protegemos os anjinhos marajoaras.

É a monstrificação e a demonização do outro.

É a outrificação do adversário.

Em silvio almeida já pegou a pecha de quem ouve o disco da xuxa ao contrário.

Silvio é exu, damares é zelomi, é a parteira da menina-deusa.

Aliás, a fala de lady gada, com aquele choro canastrão e falso, é da escola de damares.

É o apelo emocional barato, o gatilho cognitivo que evoca uma sofrência de araque.

Malafaia disse que alexandre de moraes mandou prender uma senhora com uma bíblia e um crucifixo na mão, só porque a pobre beata se sentou na cadeira do capa preta.

Veja que satânica crueldade.

Malafaia está a buscar uma aliança entre evangélicos e católicos, a imagem dessa carola foi evocada com esse propósito.

É guerra santa.

E tem mais, quando jair for preso, ele será beatificado como um bezerro de ouro.

Caravanas de aposentados se deslocarão de todo o país para o setor militar em brasília, para orar pela liberdade do monstro encarcerado.

O homem fauno.

A palavra liberdade deixará de ser apenas uma retórica vazia na boca de quem sempre mandou e desmandou, matou e desmatou.

Ela ganhará uma horrenda forma humana, meio homem e meio gado.

Vai ter um “bom dia, presidente” versão bovina, não tenham dúvidas.

Como vamos nos blindar contra isso é uma tremenda incógnita.

A gente foi pego de surpresa, acabamos de sair de um carnaval.

E a nossa ressaca carnavalesca veio com a macetação de conde vlad, que anunciou, veja você, que a esquerda está morta.

Safatle, apocalipticamente, parece ter previsto a ascensão de lady gada e o consequente duelo entre jesus e exu.

Eles, o exército de lady gada, já estão nas ruas, nas redes, nas igrejas.

Estão nas cadeias, convertendo presidiários, e nas delegacias, pervertendo policiais.

Estão nas favelas, a arrebanhar traficantes, desempregados e trabalhadores.

Estão nos conselhos tutelares, nos tribunais, no parlamento, no carnaval de salvador…

E em cada gol marcado e comemorado de joelhos diante da multidão em êxtase.

E nós, onde estamos?

Essa é a pergunta fundamental de conde vlad.

O filósofo vampiro foi direto na nossa jugular.

Palavra da salvação.

Lelê Teles é jornalista, roteirista e mestre em Cinema e Narrativas Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).

*Viomundo

Quando Bolsonaro pede para o STF passar uma borracha em seu passado, confessa-se criminoso e derrotado

Não há nada oculto na fala de Bolsonaro, ele foi bastante explícito nos seus últimos horizontes para tentar reverter um quadro irreversível que o levará à condenação e à prisão.

Bolsonaro, até por instinto animal, percebe que está cada dia embrenhado no mato e, com cada vez menos cachorros para lhe defender, sem saber que horas a onça beberá água.

Bolsonaro tem plena convicção de que a ampulheta virou e seus dias de liberdade estão contados número a número, e não tem intermediário que consiga desrespeitar a própria lei da gravidade.

Bolsonaro vai ao chão, hoje ou amanhã, com a mesma dinâmica de uma jaca mole quando despenca e se despedaça. Portanto não há exotismo metódico que mude a sinopse de sua tragédia grega.

Não dá para improvisar em ópera, tudo tem que funcionar de acordo com a partitura. Aí sim, são as tais quatro linhas que ele tanto proferiu para cometer seus crimes de traição à pátria, à constituição e à  democracia.

Seria ingenuidade, portanto, imaginar que o movimento orquestrado de ataque a Lula, não refletisse com exatidão a decadência política e a própria prisão de Bolsonaro.

Por que a paulista no domingo virou um hospício a céu aberto?

Algumas coisas básicas precisam ser ditas sobre aquele ornitorrinco tropical visto na Paulista no último domingo.

A primeira coisa é observar que Bolsonaro foi pego no contrapé pela Polícia Federal na obtenção do vídeo do seu discurso em que ele confessa, de todas as formas, que é sim o idealizador e comandante da tropa golpista que já operava antes mesmo do resultado da eleição de 2022, em que foi derrotado por Lula, tornando-se o primeiro presidente da redemocratização não se reeleger, enquanto Lula se tornou o primeiro presidente a vencer três últimas eleições presidenciais que disputou.

Por isso, Bolsonaro correu para, junto com Malafaia, que deve ter motivos bem graves para se enfiar nessa roubada que pode lhe custar um puxadinho na Papuda, ao lado de Bolsonaro.

Bolsonaro, certamente, teve informação que, nacionalmente, sua musculatura política sofreu um pesado catabolismo, mais do que o normal para quem perde o poder.

Então, para não correr o risco de um fiasco ainda maior, foi para a TV e convocou seus discípulos a irem à manifestação da Paulista para concentrar o máximo de pessoas em um único lugar, porque sabia que, se fosse no país inteiro, a imagem de fracasso seria ainda maior.

Por isso, Bolsonaro pediu para que não fizessem manifestações fora de São Paulo, o que é uma coisa inédita.

Ou seja, o que estava na Paulista não era representação de São Paulo, mas do bolsonarismo nacional, o que faz om que qualquer análise contemple um leque efetivamente representativo dentro do território nacional.

O primeiro dado que chega é que, ao contrário do que o senso comum dos preguiçosos analistas da mídia, é que os católicos eram a franca maioria dos que ali estavam.

43% eram católicos; 29% evangélicos; 10% espírita ou kardecista.

Isso, em parte, explica a reação muxoxa do inadvertido discurso evangélico de Michelle, que fez uma espécie de discurso alemão para a imensa maioria de franceses.

A construção ideológica desses manifestantes da Paulista, que passa de 60 anos em média, foi feita durante os 21 anos de ditadura, assim como Bolsonaro e seus generais de bolso. Por isso defendem um verme que fez tanto mal a eles, sobretudo na pandemia. Ali, a maioria é do grupo de risco que mais morreu por covid.

Esses são alguns dos motivos que fizeram com que a emenda de Bolsonaro saísse pior do que o soneto,  confessando de boca própria que é um dos redatores da minuta golpista.

 

Defesa de Bolsonaro recorre e quer que plenário do STF julgue afastamento de Moraes no caso da trama golpista

Advogados do ex-presidente sustentam que ministro se coloca no papel de vítima e de julgador.

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta terça-feira (27) um recurso à decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, que rejeitou afastar o ministro Alexandre de Moraes da relatoria de investigações relacionadas aos atos antidemocráticos.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, os advogados afirmam que Moraes está se colocando como vítima e, simultaneamente, como julgador ao relatar as investigações ligadas à Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal neste mês.

Segundo mensagens obtidas pelos investigadores, Bolsonaro teria atuado na edição de uma minuta de decreto que previa a prisão de Moraes e a anulação da eleição presidencial de 2022. A apuração mostra também que o ministro foi monitorado pelo grupo que planejava a trama golpista.

Na semana passada, o presidente do Supremo rejeitou 192 pedidos apresentados por réus e pelo ex-presidente que pediam a suspeição ou o impedimento de Moraes da relatoria das ações penais.

Barroso afirmou que não foi demonstrada de forma clara, objetiva e específica, “o interesse direto no feito por parte do ministro alegadamente impedido”. “Para essa finalidade, não são suficientes as alegações genéricas e subjetivas, destituídas de embasamento jurídico”, disse o magistrado.

A defesa de Bolsonaro, agora, pede que a demanda seja analisada pelo plenário do STF.

“O fato de que o Ministro Relator se enxerga como vítima direta dos atos investigados claramente geram o risco de parcialidade no processamento e julgamento do feito”, afirmam os advogados do ex-presidente no recurso apresentado.

“Não se ignora e nem poderia se ignorar o notório saber jurídico do il. [ilustre] ministro Alexandre de Moraes, sendo um jurista academicamente qualificado e experiente, contudo é inescapável que, como todo ser humano, possa ser influenciado em seu íntimo, comprometendo a imparcialidade necessária para desempenhar suas funções”, seguem.

O agravo regimental que pede que o caso seja levado ao plenário é assinado pelos advogados Paulo Amador da Cunha Bueno, Fabio Wajngarten, Daniel Bettamio Tesser, Saulo Lopes Segall, Thais De Vasconcelos Guimarães e Clayton Edson Soares.

É desespero que chama.