Dia: 21 de maio de 2024

Soldados e policiais israelenses colaboram com extremistas para bloquear ajuda humanitária em Gaza

Membros que integram as equipes de segurança israelenses, incluindo a polícia e as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), estão repassando informações privilegiadas a grupos de ativistas e colonos de extrema direita referentes à operação de distribuição de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza. O objetivo é o bloqueio da entrega de suprimentos básicos na região. A informação foi revelada nesta terça-feira (21/05) por uma reportagem exclusiva publicada pelo jornal britânico The Guardian.

Ao veículo, um porta-voz do principal grupo ativista israelense responsável pelos bloqueios detalhou que as informações preliminares são diretamente recebidas pela polícia e pelo exército, com as localizações e horários específicos do trabalho humanitário dos caminhões no enclave. A comunicação é realizada por meio de troca de mensagens em grupos de bate-papo na internet e, seguindo o esquema, esses mesmos ativistas repassam os dados ao restante de seus membros e manifestantes.

Os grupos alegam que os suprimentos são “desviados pelo Hamas ao invés de serem entregues aos civis necessitados”. No entanto, trata-se de um argumento que em diversas ocasiões foi desmentido pelas próprias agências humanitárias.

“Quando a missão de um policial ou soldado é proteger os israelenses e, pelo contrário, ele é enviado para proteger comboios de ajuda humanitária – sabendo que acabará nas mãos do Hamas – não podemos culpá-lo por fornecer informações a grupos que tentam bloquear a ajuda”, disse Rachel Touitou, porta-voz do grupo israelense Tzav 9.

Comportamento inaceitável
Na semana anterior, vídeos que registravam comboios humanitários sendo bloqueados e vandalizados por colonos israelenses no posto de controle de Tarqumiya, na Cisjordânia ocupada, circularam nas redes sociais e repercutiram negativamente. O incidente levou a Casa Branca a se pronunciar, classificando o ataque como um “comportamento totalmente inaceitável”.

Imagens captaram pilhas de pacotes de suprimentos básicos, como arroz e farinha, danificados, além de caminhões pegando fogo na estrada.

De acordo com Touitou ao The Guardian, os colonos também acusam o governo israelense de dar “presentes” ao Hamas.

“Nosso propósito é enfatizar que alimentar seu inimigo, neste caso o Hamas, especialmente em tempos de guerra, é imoral […] Israel tem entregado essa ajuda humanitária sem esperar nada em troca. E 80% da população concorda com a nossa postura. O Hamas está revendendo a ajuda aos civis, que deve ser distribuída gratuitamente”, alegou o porta-voz do Tzav 9, confirmando que as operações de bloqueio continuarão “até que eles possam provar que a ajuda está chegando aos civis”.

Supremo extingue pena de José Dirceu na Lava Jato

Dirceu havia sido condenado pela 13ª Vara Federal de Curitiba a uma pena total de 8 anos, 10 meses e 28 dias.

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (21), por maioria, extinguir a pena do ex-ministro José Dirceu, condenado por corrupção passiva no âmbito da operação Lava Jato.

Dirceu havia sido condenado pela 13ª Vara Federal de Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com uma pena total de 8 anos, 10 meses e 28 dias. No entanto, por um placar de 3 votos a 2, a 2ª Turma declarou a prescrição da pena, ou seja, que o prazo para a punição de Dirceu expirou.

Os ministros Ricardo Lewandowski, Nunes Marques e Gilmar Mendes votaram pela extinção da pena, enquanto Edson Fachin, relator do caso, e Cármen Lúcia votaram pela sua manutenção.

Ricardo Lewandowski, atualmente ministro da Justiça no governo Lula, já se aposentou do STF, mas seu voto foi mantido no julgamento. A análise do processo pela 2ª Turma ocorre desde 2022.

O caso envolve a alegação de recebimento de propina em um contrato superfaturado entre a Petrobras e a Apolo Tubulars, fornecedora de tubos para a estatal, entre 2009 e 2012, o que não é verdade.

STF torna deputada bolsonarista Carla Zambelli e hacker Walter Delgatti réus por invasão do sistema do CNJ

Decisão da primeira Turma do Supremo Tribunal Federal foi unânime.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (21), por unanimidade, aceitar a denúncia contra a deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto. A acusação envolve a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tornando ambos réus no processo.

Segundo o jornal O Globo, o relator do caso na Corte, ministro Alexandre de Moraes, votou pelo recebimento da denúncia, sendo acompanhado pelos demais ministros da turma: Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou a denúncia contra Zambelli e Delgatti em abril. Ambos são acusados dos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Em janeiro de 2023, o hacker acessou o sistema do CNJ e inseriu dados falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Delgatti confessou a invasão, alegando que agiu a pedido de Zambelli e que teria recebido R$ 40 mil pelo serviço. A deputada nega as acusações.

Um dos elementos citados pela PGR na denúncia foi a descoberta de um arquivo com o mandado falso contra Moraes na posse de Zambelli antes de sua divulgação. Esse documento havia sido gerado uma hora antes no computador de Delgatti, indicando a comunicação entre os dois. Quando a denúncia foi apresentada, o advogado de defesa de Zambelli, Daniel Bialski, declarou que não há provas concretas de que a deputada tenha colaborado ou incentivado as ações de Delgatti. “Histórico de Zambelli

Este não é o primeiro processo enfrentado por Zambelli no STF. A deputada bolsonarista já é ré em outro caso, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo, relacionado a um incidente ocorrido na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 2022, quando apontou uma arma e perseguiu um homem negro pelas ruas de São Paulo.

Após decisão favorável a Julian, Stella Assange exige que EUA abandone denúncia

Esposa de jornalista e fundador do Wikileaks declarou que administração de Biden ‘já deveria ter colocado fim’ ao caso.

Após a Corte Real de Justiça de Londres decidir, nesta segunda-feira (20/05), que o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, pode contestar a eventual extradição aos Estados Unidos caso este seja o julgamento do Supremo Tribunal, a esposa do jornalista, Stella Assange, classificou o anúncio como “um sinal muito bom”.

Falando à imprensa após a permissão do recurso, Stella ainda declarou que “o governo dos Estados Unidos deveria aproveitar este momento para abandonar o caso e colocar um fim nisso. Essa administração [do presidente Joe Biden] deu início no caso, mas já deveria ter colocado um fim”.

Stella também relatou ter conversado sobre a decisão do processo com o jornalista, que está preso na penitenciária de segurança máxima em Belmarsh.

“Eu falei com Julian depois da decisão. Ele obviamente não estava na Corte, mas ele ouviu as notícias e falou com seus advogados. Eu expliquei como foi nosso dia, curto, mas de momentos muito tensos antes da decisão ser anunciada”, explicou Stella.

Segundo seu relato, sua conversa com o marido chegou ao fim quando um guarda bateu à porta e ela os ouviu parabenizando Assange pela decisão.

“Ele estava obviamente aliviado, não havia dormido a noite toda e está sob enorme pressão. É difícil para todos nós imaginar o que ele tem vivido em Belmarsh por cinco anos e viver todo esse processo na cela, isolado de todos”, declarou ainda.

Para ela, os juízes da Corte, um dos mais altos tribunais da Inglaterra e do País de Gales, “obviamente viram o problema sobre os Estados Unidos estarem aplicando suas leis de espionagem internacionalmente e dizendo que se você não é um cidadão norte-americano, você não tem acesso às proteções constitucionais”.

*Opera Mundi

Imagens de satélite mostram avanço das águas do Guaíba sobre a Lagoa dos Patos e alta do nível preocupa

Cidades no entorno da lagoa, como Pelotas e Rio Grande, já somam seis mil pessoas desalojadas.

Imagens de satélite divulgadas pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) mostram uma mancha de sedimentos que desce dos rios no interior do estado, que desembocam no Guaíba e se espalham pela Lagoa dos Patos. As fotos captadas pela Agência Espacial Europeia entre quarta e sexta-feira da semana passada, nos dias 14, 15 e 17 de maio, também ressaltam a preocupação com o aumento do nível da Lagoa, cuja média estava em 2,68 metros, enquanto a cota de inundação é de 1,30 metros.

O Laboratório de Oceanografia Dinâmica e por Satélites (Lods) da Furg estimou que a pluma já ultrapassou a latitude da Vila do Bojuru, no município de São José do Norte. O avanço dos sedimentos é lento e caracterizado pela linha vermelha nas imagens.

De acordo com o coordenador do Lods, Fabricio Sanguinetti, a mancha avermelhada é causada por uma “pluma de sedimentos”, levantada pelo grande volume de chuvas que atingiram as bacias hidrográficas ao norte do Rio Grande do Sul nas últimas semanas.

Segundo o professor, os sedimentos podem ter avançado além do que mostra a imagem do satélite, que só captura a imagem da superfície. “É possível que as águas do Guaíba já estejam alcançando regiões mais ao sul do que podemos observar nessa mancha de sedimentos”, explicou.

Como consequência desse acréscimo de sedimentos na Lagoa, e os sedimentos impedindo a penetração da luz na lagoa, a expectativa é de que a mancha possa afetar os organismos que vivem na Lagoa, que é fonte de renda e alimentos para pescadores na região.

“Haverá prejuízos ao meio ambiente, com, por exemplo, a mortalidade excessiva de peixes. O tempo que o efeito desse acréscimo exacerbado de sedimentos na lagoa irá durar vai depender muito das condições meteorológicas e hidrológicas da região”, explicou. Segundo ele, o vento vai ser fator determinante para o escoamento dos sedimentos para o oceano.

Espanha retira permanentemente embaixadora em Buenos Aires

Medida é vista como retaliação às acusações de Javier Milei contra esposa do premiê espanhol, Begona Gomez

Madri retirou permanentemente sua embaixadora em Buenos Aires, disse o ministro das relações exteriores espanhol, José Manuel Albares, nesta terça-feira (21), agravando ainda mais a crise gerada com os comentários depreciativos feitos pelo presidente argentino, Javier Milei, em evento realizado na capital espanhola.

Albares acrescentou que a embaixada na argentina passará a ser chefiada pelo encarregado de negócios.

A decisão ocorre depois que Milei fez comentários depreciativos sobre a esposa do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, durante um comício de extrema direita em Madri no fim de semana.

Milei chamou a esposa de Sanchez, Begona Gomez, de “corrupta” no evento organizado pelo partido de extrema direita Vox e com a presença de muitos de seus aliados internacionais.

O presidente argentino disse nesta segunda-feira (20) em entrevista à TV que não se desculpará.