Dia: 2 de novembro de 2024

Ministros de Lula acreditam em candidatura ‘natimorta’ de Bolsonaro em 2026

Para integrantes da Esplanada dos Ministérios, Jair Bolsonaro levará a disputa até o fim, mesmo inelegível.

Ministros do governo Lula (PT) têm dúvidas sobre o caminho político que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tomará nas eleições presidenciais de 2026. De acordo com a análise de integrantes do Palácio do Planalto, a tendência é que o governador opte por buscar a reeleição, em vez de se arriscar numa disputa presidencial, relata Bela Megale, do jornal O Globo.

A percepção dos governistas é de que Tarcísio está reticente em enfrentar uma corrida ao Planalto diante da figura dominante de Jair Bolsonaro (PL), que continua a lançar sinais de que deseja encabeçar a chapa da direita em 2026, mesmo inelegível.

Na avaliação dos aliados de Lula, Bolsonaro demonstra disposição em manter a corrida aberta até o último minuto, estratégia semelhante à adotada em 2018, quando o PT oficializou a candidatura de Fernando Haddad apenas às vésperas do primeiro turno, em substituição a Lula. A perspectiva de uma possível candidatura de Bolsonaro parece colocar Tarcísio em uma posição delicada, já que ele hesitaria em aceitar o papel de “vice de última hora” e arriscar seu próprio capital político. Além disso, interlocutores governistas consideram que o governador paulista só agiria em direção à Presidência com o apoio incondicional de Bolsonaro, temendo que uma ação independente pudesse rotulá-lo como “traidor” entre apoiadores do ex-mandatário.

Em entrevista recente à Veja, Bolsonaro reafirmou sua pretensão de liderar a direita, mesmo diante dos desafios jurídicos que enfrentará até lá. “Falam em vários nomes, Tarcísio, Caiado, Zema… O Tarcísio é um baita gestor. Mas eu só falo depois de enterrado. Estou vivo. Com todo o respeito, chance só tenho eu, o resto não tem nome nacional. O candidato sou eu,” declarou. A fala de Bolsonaro evidencia a visão centralizadora que ele possui sobre a sucessão e demonstra sua disposição em manter-se como o principal nome da oposição, relegando outras lideranças da direita a papéis secundários.

Em 9 meses, polícias mataram mais que no 1º ano inteiro da gestão Tarcísio

De janeiro a setembro, polícias Civil e Militar mataram 580 pessoas, o equivalente a duas por dia, em São Paulo.

Em nove meses, as polícias Civil e Militar do estado de São Paulo mataram 580 pessoas, ultrapassando o número de mortes cometidas pelas duas corporações em 2023 inteiro — no primeiro ano da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite, que tinha contabilizado 504 vítimas. Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) nesta quinta-feira (31/10).

O período de janeiro a setembro deste ano também já superou as mortes praticadas em 2022, que somou 421 vítimas, e em 2021, com 578 mortes — anos que tiveram recordes de queda da letalidade policial após o início da implementação do programa de câmeras nas fardas da PM paulista e outros mecanismos de controle do uso da força.

É o décimo aumento consecutivo desse indicador durante o governo atual. De janeiro a setembro, a alta da violência policial foi de 55%, considerando as duas polícias, em casos durante o serviço e na folga. É como se as polícias tivessem matado duas pessoas por dia em 2024.

Apenas o mês de setembro subiu de 47 para 70 mortes — aumento de 48,9% a mais na comparação entre 2023 e 2024. É o pior indicador para este mês desde 2018, quando houve 74 vítimas. Este também foi o segundo pior número para o terceiro trimestre, com 207 pessoas alvo do braço armado do Estado, desde o ano de 2018 (com 210 mortos).

Além disso, enquanto as mortes praticadas em serviço cresceram 75,2% — de 283 para 496 —, as ocorridas durante a folga caíram 7,6% — de 91 para 84. A comparação acende um alerta, pois as ocorrências em serviço são as que, em tese, o Estado tem como controlar.

A atual gestão teve como marca duas operações extremamente letais na Baixada Santista, vistas como vingança após assassinatos de policiais: a Escudo, entre julho e setembro de 2023, que deixou 28 vítimas, e a Verão, entre janeiro e março de 2024, com 56 vítimas. Esses são os números indicados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) como decorrentes dessas operações. Na região, no entanto, as mortes pelas polícias foram muito maiores em cada período, como a Ponte mostrou.