Dia: 8 de novembro de 2024

PF mira Carlos Bolsonaro em depoimento de ex-ministro sobre caso Abin paralela

PF questionou general Santos Cruz sobre relação da família Bolsonaro com fabricantes de software espião.

A Polícia Federal (PF) interrogou o general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), sobre a relação da família do ex-presidente com israelenses que forneceram o software espião FirstMile, usado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante o governo bolsonarista contra políticos, juízes e jornalistas.

A reportagem apurou que os depoimentos do general e do filho dele, Caio Santos Cruz, tiveram como ponto principal questionamentos sobre a atuação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho

do ex-presidente, e a sua relação com os israelenses.

Uma das informações coletadas pela PF é a de que integrantes da família Bolsonaro se reuniram com os israelenses, por intermédio de Caio, antes mesmo de Jair assumir a Presidência.

PF investiga relações de Carlos com israelenses
Caio era um dos representantes no Brasil da empresa israelense Cognyte, responsável pelo fornecimento do software espião, adquirido durante o governo Michel Temer (MDB) por R$ 5,7 milhões. O filho do ex-ministro de Bolsonaro foi alvo de buscas na Operação Última Milha, deflagrada pela PF em outubro de 2023.

Enquanto Caio foi questionado sobre a relação de Carlos com os israelenses, seu pai foi inquirido a respeito do seu conhecimento sobre a intenção de Bolsonaro em criar uma Abin paralela.

Procurados pela reportagem, Carlos Bolsonaro, Carlos Alberto Santos Cruz e Caio Santo Cruz não quiseram se manifestar.

Caio Cesar dos Santos Cruz e o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz (Foto: redes sociais)

Os depoimentos do general Santos Cruz e de seu filho ocorreram no mês passado, em Brasília. Os investigadores também abordaram nas oitivas uma fala do ex-ministro de Bolsonaro Gustavo Bebianno, morto em 2020.

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em março de 2020, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência disse ter ouvido dentro do governo conversas sobre a ideia de Bolsonaro e do seu filho Carlos de criar uma estrutura de inteligência paralela.

“Um belo dia o Carlos me aparece com o nome de um delegado federal e de três agentes que seriam uma Abin paralela porque ele não confiava na Abin”, afirmou. Bebianno disse na entrevista não saber se a iniciativa de Carlos teria sido implementada ou não. Bolsonaro teria sido orientado a não colocar em prática a ideia do vereador, segundo ele.

Em 29 de janeiro deste ano, Carlos foi alvo de buscas da Operação Última Milha. Segundo a PF, o vereador integrava o núcleo político da chamada Abin paralela e se beneficiava de informações sigilosas da agência, que foi comandada pelo hoje deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

A quarta fase da Operação Última Milha, deflagrada em julho de 2024, apontou que integrantes da Abin paralela marcavam Carlos Bolsonaro em publicações falsas contra o senador Alessandro Vieira (MDB-RS).

Segundo os investigadores, Vieira se tornou alvo da Abin paralela depois de pedir a quebra do sigilo fiscal, bancário e telemático de Carlos Bolsonaro na CPI da Covid-19.

A investigação da PF aponta que a estrutura teria sido usada para blindar os filhos do ex-presidente, atacar a credibilidade do sistema eleitoral, produzir desinformação e espionar ilegalmente autoridades, como ministros do STF e senadores da República.

 

Pablo Marçal é indiciado pela PF por laudo falso contra Boulos

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta sexta-feira (8) o ex-coach Pablo Marçal por crime de uso de documento falso. Pela manhã, ele prestou depoimento na Superintendência Regional da PF, em São Paulo, onde foi informado formalmente do indiciamento.

Em 4 de outubro, a dois dias do primeiro turno das eleições municipais – nas quais concorria a prefeito de São Paulo pelo PRTB –, Marçal postou em suas redes um material forjado para prejudicar o também candidato Guilherme Boulos (PSOL). O suposto laudo teria sido emitido pela clínica médica Mais Consulta e indicava que Boulos estaria com “quadro de surto psicótico grave, em delírio persecutório e ideias homicidas”, após uso de cocaína.

Já no dia seguinte (5/10), a Polícia Federal abriu a investigação. Uma perícia realizada pela instituição concluiu que o laudo era falsificado. Agora, a PF, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), deve encaminhar um relatório para o Ministério Público Eleitoral, que deve oferecer uma denúncia oficial contra Marçal, tornando-o réu.

Caso seja condenado, o ex-coach ficará inelegível, o que prejudica não apenas seus planos pessoais – mas também o de partidos que desejam filiá-lo para fazer contraponto ao bolsonarismo. É o caso do União Brasil.

No depoimento à PF – que durou três horas –, Marçal negou envolvimento com o crime, alegando não ter partido dele nem a elaboração nem a postagem do material. Sem citar nomes, ele teria atribuído a responsabilidade à sua equipe de redes sociais.

Nesta quinta (7), o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Antonio Maria Patiño Zorz, havia indeferido o pedido feito pelo PSB para que sejam quebrados os sigilos bancário e fiscal de Marçal. Uma ação do partido pede a condenação de Marçal à inelegibilidade por abuso de poder econômico.

Extremistas planejavam sequestrar Lula e Moraes no 8 de janeiro

A Polícia Federal divulgou informações sobre um plano para capturar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que foi frustrado em 8 de janeiro de 2023. O esquema incluía detalhes sobre a rotina dos seguranças das autoridades, incluindo nomes e armamentos utilizados.

Fontes ligadas ao caso indicaram em reportagem do UOL que os envolvidos na tentativa de golpe buscavam confrontos armados com os seguranças do presidente e do ministro. A investigação revelou que o grupo havia coletado informações específicas para facilitar a abordagem violenta.

Os investigados, segundo relato de José Roberto de Toledo e Thais Bilenky para o UOL, planejavam a abordagem direta e o sequestro de Lula e Moraes. As autoridades não estavam em Brasília no momento do planejado ataque: Lula encontrava-se em Araraquara, e Moraes, em Paris.

O inquérito, conduzido sob a supervisão de Alexandre de Moraes, foi prorrogado por mais 60 dias para aprofundar as investigações, que podem resultar em acusações contra líderes, executores e financiadores do plano até o início de 2025. Entre os investigados está o ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem buscado anistia no Congresso antes de enfrentar possíveis acusações legais.