Dia: 1 de julho de 2026

PGR pede que Moraes mantenha Bolsonaro em prisão domiciliar

A Procuradoria-Geral da República defendeu que Jair Bolsonaro seja mantido em prisão domiciliar no caso da pistola Glock 9mm apreendida em uma blitz no Distrito Federal. O parecer, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, acompanha a conclusão da Polícia Civil do DF, que não indiciou o ex-presidente no episódio.

Segundo a manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, a apuração policial tem “bom suporte” ao afastar, no caso de Jair Bolsonaro, a configuração de falta grave. Para Gonet, o episódio da arma não deve levar à revogação da prisão domiciliar.

“Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena”, afirmou o procurador-geral no documento. A decisão final caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal no STF.

Apesar de defender a manutenção da domiciliar, a PGR pediu que a pistola apreendida não seja devolvida a Bolsonaro. “A manifestação é, assim, pelo regular prosseguimento da execução no regime em que se encontra, mantendo-se a pistola apreendida”, escreveu Gonet.

A Glock 9mm estava no carro de Estácio Leite da Silva Filho, militar do Exército que atua na segurança do ex-presidente. Ele foi indiciado pela Polícia Civil por porte ilegal de arma de fogo, com agravante por ser sargento do Exército. A corporação concluiu que o porte funcional não autorizava o transporte de arma registrada em nome de terceiro.

No caso de Jair Bolsonaro, a Polícia Civil entendeu que não havia crime porque a arma tinha registro válido em nome dele. Em depoimento, o ex-presidente admitiu que a pistola era sua e disse que ela estava em sua residência durante o período de prisão domiciliar. Ao delegado, afirmou que “tinha três mulheres em casa” e que “não podia ficar desarmado”.

Moraes havia pedido manifestação da PGR depois de levantar a possibilidade de o caso configurar falta grave na execução penal. O ministro citou trecho da Lei de Execução Penal que trata da posse indevida, por condenado, de instrumento capaz de ofender a integridade física de outra pessoa.

Com o parecer, a defesa de Jair Bolsonaro terá 48 horas para se manifestar. Depois disso, Moraes decidirá se mantém a prisão domiciliar ou se adota outra medida contra o ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022. DCM.


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Moraes envia à PGR caso de porte de arma de Bolsonaro após conclusão sem responsabilização pela Polícia Civil do DF

Investigação não apontou crime, mas PGR fará análise sobre eventual responsabilização

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu o inquérito sobre a arma de fogo do ex-presidente Jair Bolsonaro, apreendida durante uma blitz da Lei Seca, sem apontar responsabilização criminal. A investigação entendeu que o ex-chefe do Executivo possuía registro válido da pistola e que não havia restrições que impedissem a manutenção da arma em sua residência.

“Não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime de ilegal de arma de fogo de uso restrito”, escreveu o delegado Thiago Boeing da Silva no relatório final da investigação. Segundo ele, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, mas a arma não foi recolhida e também não foi registrada qualquer restrição em seu cadastro, levando a Polícia Civil a encerrar o caso sem indiciamento.

Apesar da conclusão da Polícia Civil, segundo apurou o Brasil de Fato, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o envio do inquérito à Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora deverá analisar o caso e decidir se acompanha o entendimento da investigação ou se identifica elementos para a adoção de outras medidas no âmbito criminal.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses por participar da tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023 e obteve o direito de cumprir a pena em casa devido às suas condições de saúde.

Ao prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal no inquérito aberto para apurar o caso da arma de fogo apreendida com um de seus seguranças, Bolsonaro disse que em momento algum houve intenção de descumprir a lei.

Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, que acompanhou o depoimento realizado na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, Bolsonaro confirmou que pediu ao militar ajuda para consertar a arma após constatar que ela não funcionava.


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Atlas/Intel: Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno

Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro e de outros nomes da direita em cenários eleitorais para 2026

O presidente Lula (PT) aparece com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno, abrindo vantagem de 6,5 pontos percentuais, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (1º).

De acordo com o levantamento, 8,9% dos eleitores afirmaram que votariam em branco, anulariam o voto ou ainda estão indecisos nesse cenário. A pesquisa também testou outros cinco possíveis confrontos de segundo turno envolvendo Lula e pré-candidatos da direita.

Na simulação contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Lula registra 48% das intenções de voto, enquanto Caiado aparece com 39%. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos somam 13,1%.

Contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o presidente marca 48,2%, ante 38,5% do adversário. O percentual de eleitores que não escolheram nenhum dos dois nomes ou permanecem indecisos chega a 13,3%.

A maior vantagem de Lula nas simulações ocorre contra Renan Santos, do Missão. Nesse confronto, o presidente alcança 49,2%, enquanto Renan aparece com 28,9%. A parcela de brancos, nulos e indecisos é a mais alta entre os cenários avaliados: 21,9%.

O levantamento também mediu o desempenho da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Em uma eventual disputa contra ela, Lula teria 48,7% das intenções de voto, contra 38,9% de Michelle. Brancos, nulos e indecisos somam 12,4%.

Em outro cenário testado, Lula aparece numericamente à frente de Jair Bolsonaro (PL) – que está preso e inelegível -, com 48,6%, contra 43,1%. Nesse caso, 8,3% dos entrevistados disseram que votariam em branco, anulariam o voto ou ainda não sabem em quem votariam.

A AtlasIntel informou que não considera o mês de maio de 2026 em sua série histórica. A legitimidade do levantamento foi questionada na Justiça pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro. A análise do caso foi suspensa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o instituto aguarda decisão sobre o tema.

A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto e registrado no TSE sob o protocolo BR-04582/2026. 247.


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Governo Tarcísio contratou empresa investigada por suspeita de elo com o PCC

Contrato da CPTM foi assinado no mesmo período em que a Operação Carbono Oculto era deflagrada; empresa manteve negócios com outros órgãos do governo paulista

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), vinculada ao governo Tarcísio de Freitas, formalizou em agosto de 2025 um contrato com a Rede Sol Fuel Distribuidora, empresa investigada por suspeitas de ligação com estruturas financeiras apuradas na Operação Carbono Oculto, investigação que mira esquemas de lavagem de dinheiro e supostas conexões com o PCC.

O contrato da CPTM foi assinado no período em que a operação se tornava pública.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que o Contrato PE10425-01, destinado ao fornecimento de gasolina à estatal ferroviária, foi assinado entre os dias 25 e 29 de agosto de 2025. O acordo prevê o fornecimento de 25 mil litros de combustível durante 720 dias e possui valor estimado de R$ 162,2 mil.

Embora o contrato da CPTM tenha valor relativamente reduzido, ele foi formalizado no momento em que a investigação já produzia seus primeiros desdobramentos públicos.

Levantamento realizado pelo ICL mostra, porém, que a relação comercial da empresa com o governo paulista vai muito além da CPTM.

Os documentos identificados pela reportagem apontam que a Rede Sol acumulou ao menos R$ 66,8 milhões em contratos e aditivos com órgãos do governo de São Paulo entre 2023 e 2025.

Contrato milionário nas travessias litorâneas
O principal vínculo comercial da empresa com o Estado foi firmado em fevereiro de 2024.

O Departamento Hidroviário, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, assinou o Contrato nº 10/2024/DH com a Rede Sol para o fornecimento de óleo diesel marítimo e aditivos destinados às embarcações que operam nas travessias litorâneas paulistas.

O valor inicial do contrato foi de R$ 63.678.457,50.

Em abril de 2025, o governo paulista autorizou reajuste contratual após a empresa não aceitar proposta de redução do índice de correção apresentada pela administração estadual. O apostilamento autorizou despesa adicional estimada em R$ 1.183.873,20.

Poucas semanas depois, em maio de 2025, o Estado assinou o primeiro termo aditivo do contrato, elevando seu valor para R$ 66.638.140,50 e prorrogando sua vigência até agosto de 2026.

Em julho de 2025, já durante o avanço das investigações, a Secretaria de Meio Ambiente publicou portaria designando os fiscais responsáveis pela execução do contrato.

Contratos em diferentes áreas do governo
A documentação obtida pela reportagem mostra que a empresa também manteve relações comerciais com outros órgãos estaduais.

Em dezembro de 2023, a Polícia Militar do Estado de São Paulo adjudicou itens de pregão eletrônico à empresa em procedimento conduzido pelo Comando de Policiamento do Interior Nove.

Em maio de 2024, o Instituto de Zootecnia, vinculado à Secretaria de Agricultura, homologou aquisição de óleo diesel da empresa no valor de R$ 57,7 mil.

Em agosto de 2025, nova homologação da Secretaria de Agricultura destinou R$ 23,4 mil à empresa para aquisição de óleo diesel.

Já em novembro de 2024, o Hospital Guilherme Álvaro, da Secretaria da Saúde, homologou compra de óleo diesel para geradores no valor de R$ 18.930.

Contrato da CPTM foi assinado durante a operação
Foi nesse contexto que a CPTM formalizou seu contrato. As assinaturas dos representantes da estatal ocorreram entre os dias 28 e 29 de agosto de 2025. O diretor-presidente da empresa havia assinado o contrato em 25 de agosto.

A contratação ocorreu durante o período em que a Operação Carbono Oculto já se tornava pública e produzia seus primeiros efeitos.

O contrato prevê fornecimento parcelado de combustível ao almoxarifado da companhia na Lapa, em São Paulo, mediante ordens de fornecimento emitidas pela estatal.

O preço do combustível seria calculado com base na média semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), aplicando-se desconto de 8,1% oferecido pela empresa.

Contrato prevê exigências de integridade
A própria documentação da licitação estabelece uma série de exigências relacionadas à integridade da empresa contratada.

A Rede Sol assinou declaração formal comprometendo-se a cumprir as normas anticorrupção, os códigos de conduta da CPTM e as políticas de integridade da companhia. A empresa também declarou que não realizaria pagamentos indevidos ou práticas fraudulentas.

O contrato determina ainda que a distribuidora mantenha, durante toda a execução do ajuste, as condições de habilitação exigidas na licitação.

Os pagamentos também ficam condicionados à inexistência de registros no Cadin estadual.

Histórico de apurações
A Rede Sol também aparece em um procedimento instaurado pelo Ministério Público de São Paulo.

O procedimento nº 42.0334.0000002/2023-0, em tramitação na Promotoria de Justiça de Mauá, trata de apuração relacionada a improbidade administrativa e supostas irregularidades em procedimento licitatório envolvendo a empresa.

A existência do procedimento antecede em cerca de dois anos a formalização do contrato da CPTM.

Outros contratos com o governo paulista
Embora o foco da reportagem seja o contrato da CPTM, a documentação levantada pelo ICL mostra que a relação comercial da empresa com o governo paulista vai além da estatal ferroviária.

A Rede Sol aparece em atos publicados no Diário Oficial envolvendo:

  • Secretaria de Agricultura e Abastecimento;
  • Secretaria da Saúde;
  • Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística;
  • Departamento Hidroviário.

A empresa também figura em contratos, aditamentos, apostilamentos e homologações publicados entre 2024 e 2025.

Entre os atos identificados estão o Contrato nº 10/2024 do Departamento Hidroviário, seus posteriores apostilamentos e aditamentos, além de aquisições de óleo diesel por diferentes órgãos estaduais.

Os documentos indicam que a empresa manteve relações comerciais contínuas com diversas áreas da administração paulista durante o período em que as investigações sobre o setor de combustíveis avançavam.

Perguntas sem resposta
O ICL Notícias encaminhou questionamentos à CPTM e ao governo do Estado de São Paulo.

A reportagem perguntou se a companhia ou a administração estadual tinham conhecimento das investigações envolvendo a empresa quando o contrato foi formalizado.

Também foram solicitados esclarecimentos sobre eventual análise de integridade ou compliance após a operação; consultas à Secretaria de Transportes Metropolitanos; comunicação com órgãos de controle; abertura de procedimentos internos; reavaliação do contrato; e eventual impacto das investigações sobre as condições de habilitação da empresa.

A reportagem também questionou se a coincidência temporal entre a formalização do contrato e a Operação Carbono Oculto produziu algum tipo de avaliação de risco dentro da administração estadual.

Até a publicação desta reportagem, a CPTM e o governo de São Paulo não haviam se manifestado. O espaço segue aberto.

Contrato permanece em vigor
A vigência do contrato é de 720 dias e a execução ocorre por meio de ordens de fornecimento emitidas pela companhia. O gestor designado pela CPTM é o gerente de logística Leandro Capergiani Moreira, responsável pelo acompanhamento do ajuste e pela interlocução com a empresa contratada.

A principal questão levantada pela documentação analisada pela reportagem não diz respeito ao valor do contrato, mas ao momento de sua formalização: a estatal paulista concluiu a contratação justamente quando a investigação que atingia o setor de combustíveis passava a se tornar pública e a produzir seus primeiros desdobramentos.

Empresa nega vínculos com investigação
A Rede Sol já negou publicamente qualquer relação financeira ou societária com o fundo Mabruk II e com empresas citadas nas investigações que atingiram o setor de combustíveis.

Em nota divulgada em junho deste ano, a companhia afirmou ser “absolutamente inverídica” a informação de que teria mantido relação financeira, econômica ou negocial com o fundo ou com outros agentes mencionados na operação.

A empresa informou que realizou, em novembro de 2023, uma emissão de notas comerciais no valor de R$ 30 milhões, operação que, segundo a companhia, foi conduzida de forma regular e em conformidade com a legislação.

A distribuidora também negou ter emitido debêntures no valor de R$ 190 milhões e afirmou que jamais manteve qualquer relação com o Mabruk II ou com organizações criminosas.

Segundo a nota, todas as informações financeiras relacionadas às operações encontram-se registradas nas demonstrações financeiras auditadas da companhia.

A empresa afirmou ainda que “jamais manteve qualquer relação com o Fundo Mabruk II e, sobretudo, jamais teve ou terá qualquer vínculo com o crime organizado”.

A companhia também sustenta que eventual associação de seu nome ao fundo decorre de interpretação equivocada das investigações.

*Cleber Lourenço/ICL


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