A notícia do adiamento da PEC que trata do fim da escala 6×1 expõe, mais uma vez, como temas de grande impacto para milhões de trabalhadores acabam subordinados aos cálculos eleitorais de Brasília.
Com o cancelamento da sessão pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a proposta deve ficar parada até depois das eleições, empurrando para um futuro indefinido um debate que mobiliza sindicatos, trabalhadores e parte significativa da sociedade.
A justificativa oficial pode ser a necessidade de mais discussão e construção de consenso, mas o efeito prático é o adiamento de uma decisão que afeta diretamente a qualidade de vida de quem enfrenta jornadas exaustivas e tem pouco tempo para descanso, lazer e convivência familiar.
Em ano eleitoral, parlamentares costumam evitar temas que possam gerar desgaste junto a setores empresariais ou provocar divisões entre suas bases de apoio.
O resultado é que milhões de brasileiros seguem aguardando uma definição sobre uma proposta que promete alterar profundamente as relações de trabalho no país.
Enquanto o calendário político avança, a discussão sobre condições dignas de trabalho permanece em segundo plano, refém das conveniências e estratégias eleitorais do Congresso Nacional.
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