Costuma-se dizer que o Brasil foi tomado por fundamentalistas e extremistas. A realidade, porém, parece menos ideológica e muito mais pragmática. O que se vê, em grande parte, é um combo de vigaristas e oportunistas que descobriram que o radicalismo rende votos, dinheiro, poder e imunidade política.
O verdadeiro fundamentalista acredita naquilo que defende, ainda que suas ideias sejam incompatíveis com a democracia ou com os direitos humanos. Já o oportunista veste qualquer fantasia que lhe seja conveniente. Hoje posa de patriota; amanhã negocia nos bastidores. Em público faz discursos inflamados sobre Deus, família e moralidade; em privado, não hesita em abandonar esses mesmos princípios quando surgem vantagens pessoais, tendo em Flavio Bolsonaro um exemplo.
Essa indústria da indignação transformou a política em espetáculo. Quanto maior a mentira, mais curtidas. Quanto mais agressivo o discurso, maior o engajamento. Quanto mais absurda a teoria conspiratória, mais fácil mobilizar seguidores dispostos a acreditar que estão travando uma batalha épica entre o bem e o mal.
Nesse ambiente, a ideologia deixa de ser um conjunto de valores e se torna apenas uma ferramenta de marketing. O radicalismo é usado como estratégia de negócios. O medo, a raiva e o ressentimento convertem-se em capital político e financeiro. Não importa a coerência; importa manter a plateia permanentemente mobilizada.
O Brasil convive, evidentemente, com grupos que defendem posições extremistas. Mas muitos dos personagens que ocupam o centro desse debate não parecem movidos por convicções profundas. São profissionais da polarização, especialistas em fabricar crises, explorar conflitos e transformar a indignação coletiva em patrimônio pessoal.
A democracia não é ameaçada apenas pelos que acreditam sinceramente em projetos autoritários. Ela também é corroída por aqueles que fazem do extremismo um negócio lucrativo, usando a radicalização como escudo para interesses privados e como atalho para permanecer no poder.
Talvez, portanto, o maior desafio do país não seja enfrentar fanáticos ideológicos, mas desmascarar os oportunistas que descobriram que fingir ser um deles pode ser muito mais rentável.
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O Wellington Management Group, fundo norte-americano de investimentos que é o quarto maior acionista da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), detendo 5,4% de suas ações, é o terceiro maior financiador da guerra de Israel contra a Palestina, tendo adquirido 250 milhões de euros (R$ 1,46 bilhão) em títulos de guerra (“Israel Bounds”) emitidos pelo governo de Israel.
Já a Blackrock Inc., companhia norte-americana que é a maior gestora de ativos financeiros do mundo, é a terceira maior acionista da Sabesp, com 6,1% das ações, atrás apenas do governo estadual (18,1%) e do Grupo Equatorial, chamado investidor de referência, com 15,1%. Esta empresa é a quarta maior detentora de títulos de guerra da dívida israelense, com 68 milhões de euros (R$ 398 milhões).
Finalmente, o segundo maior comprador de títulos de guerra israelense, o fundo norte-americano Vanguard, financia o esforço de guerra de Israel com US$ 546 milhões, ou R$ 2,8 bilhões. Ao mesmo tempo, é detentor de 2,32% do capital da companhia paulista de saneamento.
Segundo o governo israelense, o país aumentou drasticamente a emissão de “Israel Bonds” — um instrumento financeiro lançado pelo governo para angariar fundos junto de particulares e pequenos investidores — desde 7 de outubro de 2023, “devido à situação de segurança de Israel” na Faixa de Gaza. As receitas dos títulos revertem para o orçamento geral do Estado de Israel e, tal como anunciado pelas autoridades, ajudam a sustentar a sua capacidade militar.
No último dia 21, o escritório na Europa da organização humanitária Anistia Internacional divulgou uma declaração pública em que afirma que “a União Europeia (UE) deve pôr fim à venda de ‘Israel Bonds’ – títulos do tesouro do estado de Israel –, sob pena de se tornarem cúmplices do genocídio em curso contra os palestinos na Faixa de Gaza”.
A maior compradora desses papeis israelenses é a gestora de ativos norte-americana PIMCO, subsidiária da seguradora multinacional alemã Allianz, que adquiriu, por meio de sua subsidiária, quase 1 bilhão de dólares em títulos de guerra de Israel. Logo depois, vem o Vanguard, outro dos maiores fundos do mundo, com US$ 546 milhões, e sexto maior acionista da sabesp, com 2,32% do capital da companhia privatizada. Em terceiro e quarto estão o quarto e o terceiro maiores acionistas da Sabesp, Wellington Management e Blackrock.
Como o dinheiro do cidadão paulista financia o genocídio, e o papel de Tarcísio Desde que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) bateu o martelo e privatizou a Sabesp, em 23 de junho de 2024, a companhia já distribuiu R$ 4,3 bilhões de lucro a seus acionistas. Em maio de 2025, pagou cerca de R$ 2,5 bilhões; em abril deste ano, entregou um montante adicional de quase R$ 1,8 bilhão.
Tudo isso em meio a centenas de denúncias de moradores espalhados por todas as regiões da Grande São Paulo, de que suas contas de água chegaram a subir mais de 600% desde a venda da Sabesp, enquanto convivem com cortes noturnos no fornecimento de água e explosões em obras tocadas pela empresa privatizada.
Assim, três fundos norte-americanos que financiam a guerra de Israel possuem, juntos, 13,42% do capital da Sabesp, percentual correspondente a R$ 577.060.000 (577 milhões e 60 mil) do lucro distribuído pela companhia até agora desde a sua privatização. Parte deste dinheiro – obtido com a cobrança nas contas de água dos paulistas – serve para financiar as operações militares israelenses na Palestina.
No dia 28 de abril deste ano, um fato relevante foi divulgado ao mercado: o fundo de investimentos norte-americano Wellington Management ultrapassara o patamar de 5% de participação (5,09%, ou 35,9 milhões de ações ordinárias) no capital da Sabesp.
A Wellington — uma das maiores gestoras de ativos de gestão do mundo, com mais de US$ 1 trilhão sob gestão — apenas anunciou publicamente a sua aquisição porque a marca de 5% de participação aciona a obrigatoriedade de divulgação do negócio à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ou seja, a compra sinaliza que a acumulação de ações pela Wellington foi deliberada e relevante, com a empresa revelando-se ao mercado como a dona da quarta maior fatia da Sabesp privatizada.
A Wellington Management não adquiriu por acaso as ações da companhia brasileira. Ela foi informada sobre a oportunidade de negócio pelo próprio governador Tarcísio de Freitas. O mandatário viajou aos Estados Unidos na última semana de junho de 2024, menos de um mês antes de privatizar a Sabesp, com o intuito deliberado de visitar as sedes de fundos internacionais de investimento e falar a respeito da oferta de ações e venda da empresa paulista.
E assim ele fez. No dia 27, realizou visitas comerciais a três fundos de investimentos. Entre eles, às 10h da manhã, estava o Wellington Management Group, identificado apenas como “Wellington” na agenda oficial do governador:
Assim, três fundos norte-americanos que financiam a guerra de Israel possuem, juntos, 13,42% do capital da Sabesp, percentual correspondente a R$ 577.060.000 (577 milhões e 60 mil) do lucro distribuído pela companhia até agora desde a sua privatização. Parte deste dinheiro – obtido com a cobrança nas contas de água dos paulistas – serve para financiar as operações militares israelenses na Palestina.
No dia 28 de abril deste ano, um fato relevante foi divulgado ao mercado: o fundo de investimentos norte-americano Wellington Management ultrapassara o patamar de 5% de participação (5,09%, ou 35,9 milhões de ações ordinárias) no capital da Sabesp.
A Wellington — uma das maiores gestoras de ativos de gestão do mundo, com mais de US$ 1 trilhão sob gestão — apenas anunciou publicamente a sua aquisição porque a marca de 5% de participação aciona a obrigatoriedade de divulgação do negócio à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ou seja, a compra sinaliza que a acumulação de ações pela Wellington foi deliberada e relevante, com a empresa revelando-se ao mercado como a dona da quarta maior fatia da Sabesp privatizada.
A Wellington Management não adquiriu por acaso as ações da companhia brasileira. Ela foi informada sobre a oportunidade de negócio pelo próprio governador Tarcísio de Freitas. O mandatário viajou aos Estados Unidos na última semana de junho de 2024, menos de um mês antes de privatizar a Sabesp, com o intuito deliberado de visitar as sedes de fundos internacionais de investimento e falar a respeito da oferta de ações e venda da empresa paulista.
E assim ele fez. No dia 27, realizou visitas comerciais a três fundos de investimentos. Entre eles, às 10h da manhã, estava o Wellington Management Group, identificado apenas como “Wellington” na agenda oficial do governador:
A agenda de visitas durou quatro dias, com dez fundos de investimentos visitados. É de se esperar que o governador não tenha transmitido qualquer informação confidencial a respeito da venda pública que faria dali a três semanas, mas fato é que os fundos que ouviram seu conselho e adquiriram ações da companhia logo após ou no ato de oferta de ações da Sabesp estão rindo à toa.
E não é para menos: só no dia do lançamento do balanço de terceiro semestre de 2025 (12 de agosto), por exemplo, os papeis da Sabesp subiram nada menos do que 9%, após a revelação de um lucro líquido que surpreendeu os analistas, de R$ 2,13 bilhões. No mesmo balanço, a companhia detalhou que o “ajuste tarifário de 2024” (quer dizer: aumento na conta) gerou um impacto positivo de cerca de R$ 179 milhões no comparativo anual.
Em julho de 2023, a ação da Sabesp era negociada a R$ 57,09. Já em 23 de outubro de 2025, a companhia encerrou o pregão com ações acima dos R$ 130, patamar em que é negociada até hoje, uma valorização de 130%.
Em outras palavras: o governo de São Paulo vendeu a Sabesp por menos da metade do valor que ela é negociada hoje.
Não é de se esperar que o Estado de São Paulo tenha deliberadamente precificado as ações da companhia abaixo do valor real no momento de realizar a privatização. Muito menos se pode imaginar que alguma informação nesse sentido pudesse ter sido vazada a executivos de grandes fundos de investimento, a troco do que quer que fosse.
De qualquer forma, fato é que estão rindo à toa os fundos norte-americanos que financiam o esforço de guerra israelense e foram convencidos por Tarcísio, quando o governador os visitou, às vésperas da privatização da Sabesp, a comprar papeis da companhia. Quaisquer que tenham sido os conselhos do governador que convenceram os fundos, se mostraram muito valiosos.
*Matéria publicada com exclusividade por Vinicius Segalla no DCM
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A bancada ruralista voltou a investir contra um dos principais instrumentos de proteção do patrimônio natural brasileiro. Em nova ofensiva no Congresso, parlamentares ligados ao agronegócio articulam medidas que podem extinguir, reduzir ou descaracterizar cerca de 1,7 milhão de hectares de unidades de conservação, abrindo caminho para a expansão da exploração econômica sobre áreas hoje preservadas.
Não se trata de um debate técnico sobre gestão ambiental, mas de uma disputa política em que interesses privados buscam prevalecer sobre o interesse público. As unidades de conservação existem para proteger ecossistemas estratégicos, garantir a biodiversidade, preservar nascentes, conter o avanço do desmatamento e cumprir compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. Enfraquecê-las significa remover barreiras que impedem a ocupação predatória de terras públicas.
A justificativa de que a flexibilização estimularia o desenvolvimento econômico ignora um histórico conhecido. Sempre que áreas protegidas são reduzidas ou têm sua categoria alterada, aumentam os riscos de grilagem, mineração, extração ilegal de madeira, queimadas e desmatamento. O resultado costuma ser a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos ambientais, econômicos e climáticos.
O momento escolhido para essa nova investida também chama atenção. Em um cenário de crescente preocupação mundial com a emergência climática e de cobrança internacional pela preservação da Amazônia e de outros biomas, parte do Congresso insiste em desmontar mecanismos que levaram décadas para serem construídos. A mensagem enviada ao mundo é contraditória: enquanto o Brasil busca protagonismo nas negociações ambientais, setores influentes da política trabalham para reduzir a proteção de seu patrimônio natural.
As unidades de conservação não são um obstáculo ao desenvolvimento. Pelo contrário, representam um investimento estratégico na segurança hídrica, na estabilidade climática, na produção agrícola sustentável e na qualidade de vida das futuras gerações. Fragilizá-las para atender interesses imediatos é comprometer um patrimônio que pertence a toda a sociedade.
Se prosperar, essa ofensiva ruralista poderá entrar para a história como mais um capítulo do desmonte da política ambiental brasileira, substituindo a proteção do interesse coletivo pela lógica da ocupação desenfreada de áreas públicas. O custo dessa escolha será pago não apenas pela fauna e pela flora, mas por toda a população brasileira.
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