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Mensagens e saques fracionados: Dino cita “indícios robustos” de crimes dos bolsonaristas, Jordy e Sóstenes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino apontou a existência de “indícios robustos” de um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo os gabinetes dos deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro. A avaliação consta de decisão que autorizou medidas da Polícia Federal no âmbito da investigação.

Entre os elementos citados estão movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada, além de saques e depósitos fracionados em valores inferiores a R$ 9.999, prática conhecida como “smurfing”, usada para evitar alertas automáticos do sistema financeiro. O ministro também mencionou suspeitas de uso da cota parlamentar para despesas inexistentes ou irregulares.

A decisão destaca ainda conversas extraídas de aplicativos de mensagens que tratariam de pagamentos realizados fora da contabilidade oficial, além da possível utilização de empresas de fachada. Relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também indicaram movimentações elevadas sem origem comprovada dos recursos.

Com base nesses elementos, Dino autorizou sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos parlamentares e a assessores, em Brasília e no Rio de Janeiro. Em um flat associado a Sóstenes Cavalcante, que é líder do PL na Câmara, a Polícia Federal apreendeu R$ 430 mil em dinheiro vivo.

Nas redes sociais, Carlos Jordy afirmou ser alvo de perseguição e de “pesca probatória”. Ao jornal O Globo, o bolsonarista disse que não cabe ao parlamentar fiscalizar a estrutura interna das empresas contratadas, mas apenas contratar o serviço pelo menor custo. Sóstenes não se manifestou.

O ministro também determinou a quebra dos sigilos telefônicos de ambos entre maio de 2018 e dezembro de 2024, período em que o esquema teria operado. Segundo o DCM, o inquérito apura crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, relacionados principalmente a contratos de locação de veículos.

A operação atual é um desdobramento da ação “Rent a Car”, deflagrada no ano anterior contra assessores dos deputados. Sóstenes gastou R$ 137,9 mil com aluguel de veículos, quase o dobro da média de outros parlamentares, estimada em R$ 76,8 mil. Jordy declarou R$ 65,4 mil nessa categoria, valor abaixo da média geral.


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Por Celeste Silveira

Produtora cultural

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